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História Veterano - Capítulo 11


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Notas do Autor


Olá galero!

Então que esse capitulo é um especial de natal, que foi adiado para o carnaval e por fim esta sendo postado perto do meu aniversario? Eu sei que demorei muito e provavelmente ninguém mais se lembra de mim ou dessa estoria, mas né kk, to de volta.

Nunca foi minha intenção demorar tanto com a postagem, mas meu ódio e insegurança, estavam falando mais alto que minha confiança que é praticamente inexistente. Então é isso. Para quem ainda esta lendo, espero que aproveite e goste da leitura.

Aliás, esse capitulo se passa alguns meses depois da volta do Hoseok. Então pode ser considerado como um gostinho do que vai acontecer pela frente.

Capítulo 11 - Especial - Não apresente sua família para Kim Seokjin


Natal... um maravilhoso feriado para o final do ano. Feriado esse que une as famílias estando de bem ou de mal um com os outros. Época em que a falsidade surge e abre uma brecha nos rancores. Tudo para celebrar o nascimento de Jesus Cristo.

Namjoon não gosta do natal.

Ele até gosta dos tios e primos que vão visitar, além de também gostar da comida que o pai faz, mas se ele pudesse fazer qualquer coisa para que esse feriado deixasse de existir... ele faria.

Obviamente, o rapaz não tem absolutamente nada contra Jesus Cristo, ele na verdade tem muita coisa contra o capitalismo. Todo natal desde que ele atingiu a maioridade, é de lei ele dar um presente para seu pai e sua mãe. Eles — seus pais — não se importam de ter que ser usado o dinheiro deles, desde que, Namjoon saia do dormitório da faculdade e parta em uma aventura pelo comércio em busca de um presente bonito e significativo para eles.

Namjoon não suporta a ideia de ter que gastar dinheiro comprando presente — mesmo que o dinheiro nem seja dele —. Na verdade, todos os seus rancores não são apenas por não gostar de gastar dinheiro. A real é que boa parte de suas contradições se dão pela simples menção de ter que sair na rua em busca de algo que agrade seus pais. O pensamento de fazer isso lhe faz ter arrepios na espinha.

Os gostos dos progenitores são extremamente peculiares. A figura paterna não suporta a ideia de receber roupas, relógios e sapatos. Por outro lado, a figura materna só falta mandar ele enfiar o presente no lugar onde não bate sol quando se trata de receber maquiagem, perfumes e bolsas.

Os pais de Kim Namjoon são peculiares e ele não sabe a quem recorrer por ajuda, pois, os pais de todos os outros seguem o estereótipo dos pais padrões que aceitam aquilo que a sociedade julga ser decente para um presente de acordo com seu gênero estabelecido.

Como se não bastasse todo o drama que ele sofre ao comprar um presente para os pais, ele também sofre para presentear sua irmã mais nova. A garota teve a incrível sorte de ter nascido na era digital. Ou seja, tudo que ganha popularidade na internet ela quer. Como aconteceu no fatídico caso dos adolescentes criarem patos em casa — sim, ela teve um pato, contudo, Namjoon sendo um biólogo de respeito soltou em um local adequado para o patinho viver —, assim como também aconteceu com a incrível moda atual e da qual aparentemente certas pessoas do seu grupo de amigos adotam: os e-boy e e-girl.

Não que Namjoon tenha algo contra os emo, mas o caso é que ele não suporta a maioria, Jungkook foi a exceção em sua vida, contrário sua irmã, essa que quando ele viu adequada as vestes daquele padrão só faltou morrer de desgosto.

Mas deixando de lado sua decepção com a juventude de hoje em dia, voltaremos para seu dilema de natal.

Era véspera da véspera e como dito anteriormente, ele tem que comprar um presente para a família e, ele não sabe o que comprar. Então o que restou é perguntar para a pessoa mais próxima e rezar para que tenha uma ideia sobre o que dar de presente. Em todos os anos anteriores o azarado era Yoongi, que agora está muito ocupado com o namorado, e Namjoon não queria incomodar o amigo, então a sua vítima desse ano é a pessoa que mais enche seu saco durante todos os momentos do dia, Kim Seokjin.

Namjoon não sabe se os gostos de Seokjin são confiáveis, visto que pelo o que ele soube sobre os pais do mais velho, eles não eram lá pessoas tão agradáveis, mas não custava nada perguntar sobre a opinião dele.

Portanto, não é chocante e nem surpreendente Namjoon sair da sua confortável cama e, com passos lentos, caminhar até a cozinha onde o mais velho estava a um bom tempo confinado.

Adentrando o cômodo, ele podia sentir as mãos suarem e um incômodo se instalar no pé da barriga. Em sua cabeça ele estava se questionando o motivo pelo qual essas reações estavam aparecendo, afinal, ele só perguntaria o que Seokjin acha que ele deveria dar de presente para os pais. Não era grande coisa.

Andando lentamente, olhando para os lados como quem não quer nada, seguiu até a geladeira abrindo a mesma pequena a jarra de água gelada.

Passando por trás de Seokjin para pegar um copo, estranhou pelo rapaz não ter puxado assunto ainda. O menor sempre tinha algo para falar para Namjoon.

Lançando olhares questionadores para as costas de Seokjin, o mais novo encheu o copo de água e, bufando por ainda não ter as palavras do outro acabando com o silêncio do cômodo, começou a tomar longas goladas.

Incomodado com o silêncio, seus pés começaram a bater repetidas vezes no chão, e isso atraiu a atenção de Seokjin que ficou com os olhos vidrados nos pés agitados.

Precisou Namjoon bufar, para que ele acordasse e piscando fortemente os olhos, focasse seus olhos no do mais novo.

— O que tá te incomodando, choco chips? — questionou com a vasilha e uma colher em mãos.

— Nada de muito importante... — Namjoon desconversou, fingindo desinteresse.

— Eu não tenho muita certeza sobre isso. — colocando a colher dentro da vasilha, pegou o alimento que estava lá dentro, levando até a boca.

— Não é nada muito importante mesmo — tomando todo o restante da água, retomou a conversa. — ... mas, assim, hipoteticamente, se você tivesse que comprar um presente para seus pais e, eles não tem um gosto lá muito comum, o que você compraria?

— Bom... se eu tivesse que comprar um presente para meus pais teria que ser algo caro, mas, entrando nessa situação hipoteticamente... — dando uma pausa, mexeu as sobrancelhas maliciosamente. — Talvez, eu compraria algo que eles usem com muita frequência.

— Hm... mas isso não seria muito significativo. — apontou Namjoon um pouco encabulado com o mais velho mexendo a sobrancelha.

— Não enxergo dessa maneira. Comprar algo que a pessoa usa frequentemente mostra que você presta atenção nela e nos gostos dela. — levou outra colherada na boca mastigando.

— Você tem razão. — concordando com a cabeça Namjoon se preparou para dar as costas e voltar para o quarto.

— Espera! Aonde você está indo? — interrogou com a boca cheia de comida.

— Vou ir atrás do presente, ué. — falou dando as costas.

— Peraí! Eu te ajudei. Agora você tem que em dar algo em troca. — falou comendo rapidamente o alimento de dentro do recipiente.

— Por que eu tenho que te dar algo em troca? Isso é suborno por um acaso? Eu não falei nada sobre te dar algo em troca. — Namjoon estava falando de maneira descontrolada. Se o mais velho não estivesse tão acostumado com essas manias dele, estaria se encolhendo no canto do cômodo.

— Não faço nada de graça. — rebateu com a boca cheia. Colocando a vasilha com a colher dentro da pia. Caminhou em direção ao mais novo. — Vou ir com você comprar o presente.

— Quem disse que eu vou ir comprar agora? — resmungou Namjoon batendo o pé no chão.

— E você não vai? — Seokjin parou ao seu lado, encarando seus olhos intensamente.

— Vou! Mas você não vai ir junto comigo. — Namjoon engoliu em seco com a proximidade, ficando muito encabulado ao sentir seu rosto esquentar.

— Vou sim. Para de ser chato. Eu sou uma ótima companhia pra dar opinião e comprar presente. — distanciando-se, o mais velho seguiu em direção ao quarto.

Namjoon até ponderou em responder alguma coisa para convencer Seokjin a ficar, mas ele optou por ficar em silêncio. Fazer compras é um saco e, já que ele vai ter que ir fazer, melhor que seja então acompanhado com a presença de um amigo.

Passando as mãos na nuca, suspirou, seguindo atrás do outro.

[...]

Sair para fazer compras com Seokjin não é ruim, mas é irritante o quanto ele é sem noção quando se trata de algumas coisas.

A desavença entre eles começou quando Namjoon decidiu pedir um 99 por achar mais barato, contudo, o mais velho iniciou um longo monólogo por querer ir de Uber. O mais novo apenas cedeu quando o outro falou que pagaria.

Em seguida, dentro do Uber, Namjoon esperava que eles fossem até às feirinhas encontradas no meio de uma rua fechada, mas quando ele notou o caminho que o motorista estava seguindo só faltou sofrer com uma parada cardíaca ali mesmo dentro do carro.

A rota era para o maior e mais caro shopping da cidade.

Namjoon estava mais do que pronto para virar para o lado e esganar o mais velho por ser tão sem noção. O dinheiro dentro de sua carteira nunca ué vai ser o suficiente para comprar presentes para sua família inteira. Namjoon só desistiu da ideia de comentar um homicídio ali após notar o olhar assustado do motorista para ele

Levou um bom tempo para que eles chegassem até o shopping. Nesse meio tempo ele passou boa parte da viagem lendo as fanfics salvas em seu celular e, todas as vezes que Seokjin tentava espiar só faltava ele mostrar os dentes e latir com raiva.

Quando eles chegaram e o motorista estacionou, Namjoon foi o primeiro a sair do veículo por não estar disposto a ver a facada que a conta bancária do outro iria levar ao pagar o Uber. Do lado de fora, contudo, só de olhar de relance para a grandiosa construção luxuosa, seus olhos quase ficaram marejados.

Seus planos eram não gastar muito e dar algo que agradasse a todos, mas naquele lugar vai ser impossível não gastar muito. Provavelmente o pessoal do shopping deveria cobrar uma fortuna até para poder respirar o mesmo ar que o deles.

Ansioso para ver logo a facada que sua conta bancária vai receber, aguardou Seokjin sair do carro e, quando o outro rapaz saiu, estava pronto para rezar sua missa e passar todos os sermões do mundo, chamando ele de sem noção, contudo, engoliu em seco todas suas palavras quando sentiu a mão do outro segurar a sua.

— O que tu tá fazendo, bro? — questionou Namjoon surpreso e um pouco assustado.

— Segurando sua mão. — respondeu o mais velho, sorrindo. — Te conheço, choco chips. Você vai se perder na primeira oportunidade.

— Virou minha mãe agora? Não vou me perder. Já sou um adulto. — argumentou Namjoon levemente irritado.

— Um adulto atrapalhado e distraído. — Seokjin nem esperou por uma nova contestação de Namjoon. Ele simplesmente com as mãos ainda unidas saiu andando.

— Puta que pariu. — resmungou Namjoon deixando-se ser arrastado.

A parte de fora do shopping era grandiosa e luxuosa, suas cores sendo principalmente o ouro e marfim. A parte de dentro não era diferente, contudo, ela conseguiu ser mais majestosa. O ouro e o marfim continuavam sendo predominantes, entretanto, agora possuía a aquisição do preto de algumas lojas, o branco de outras e no centro de tudo a encantadora e enorme árvore de natal.

Como se não bastasse o lugar ser lindo, o aglomerado de pessoas dentro dele deixou tudo ser ainda melhor e mais bonito. As famílias andando calmamente com suas crianças. Adolescente andando com sacolas de lojas de marca. Crianças bonitas correndo de um lado para o outro. Aquele lugar não era normal. Aquele lugar era a porcaria de um slogan de campanha presidencial.

— Jin, olha toda essa merda, bro. — Namjoon, chocado com aquele lugar fantasioso, sussurrou para o mais velho. — Solta minha mão, agora. Se eu sofrer homofóbia perto desse bando de burguês, nunca mais olho na sua cara.

— Por que você vai sofrer homofobia, cacete? — Questionou Seokjin olhando para Namjoon, que estava se remexendo desconfortável.

— Olha pra esse bando de família comercial colgate com crianças. Você acha que se eles verem dois homens de mãos dadas perto dos filhos, vão pensar o quê? — O mais alto fez uma pergunta que para a cabeça dele estava mais do que óbvia a resposta.

— Olha que legal dois homens de mãos dadas. Agora vamos continuar seguindo com nossas vidas, porque nós não temos nada que ficar dando pitaco na vida dos outros. — Seokjin respondeu dando de ombros.

— Você só pode estar na Disney. Não é possível. Fique bem ciente... — antes de terminar seu monólogo, Namjoon olhou para os dois lados e, se aproximou um pouco mais do mais velho. — Se eu sentir uma olhada hostil pra gente, eu vou te largar aí e voltar embora.

Antes da resposta de Seokjin vir, ele se aproximou mais ainda do mais novo — o espaço pessoal definitivamente não era o forte deles. — e sussurrou:

— Relaxa, coisinha gostosa. Eles não vão fazer nada contra você enquanto eu estiver por perto.

— Sai daqui mano. — Namjoon rapidamente se distanciou do corpo do outro ao sentir a respiração quente bater em sua pele. — E tu tá achando que é quem? Dono do shopping?

— Dono do shopping? não. Mas sou tão lindo que eles não vão nem reparar na gente de mãos dadas. — Seokjin estava sorrindo mais do que satisfeito com a reação do mais novo. — Agora uma pergunta muito importante, qual loja você quer ir primeiro?

— Alguma de eletrônicos, talvez? — o mais novo respondeu com dúvida.

— Apple? — Seokjin olhou para Namjoon com a sobrancelha arqueada.

— Não. Minha cara se quem vai dar um rim num celular pra minha irmã. — Namjoon negou prontamente.

— Samsung? — o mais velho arriscou.

— Não. Eu não gosto dessa marca. — dando de ombros Namjoon tentou pensar numa marca mais barata.

— Tu é muito mão de vaca. Você acha que sua irmã ia ficar como se ganhasse um iPhone? — Seokjin tentou puxar as mãos de Namjoon, não conseguindo arrastar ele dessa vez.

— Eu lá tenho cara de quem tem dinheiro pra comprar iPhone? — Indagou Namjoon ficando encabulado.

— Santa paciência, vem, eu te ajudo a pagar. — dessa vez quando Seokjin puxou a mão se Namjoon, ele conseguiu arrastar ele.

— Eu já tá falei que não preciso de sugar daddy, burguês do caralho. — resmungou o mais novo, sendo ignorado.

[...]

Eles tiveram que andar um pouco para chegar até a loja da Apple e, quando chegaram, Namjoon entrou sendo arrastado pelo mais velho que parecia bem disposto a gastar dinheiro.

— Escuta aqui, se você acha que eu vou te chamar de daddy, só porque você vai me ajudar a pagar, tá muito enganado. — Namjoon resmungou próximo do corpo do outro, com medo de outras pessoas escutarem.

— Não preciso que você me chame de daddy, mas, talvez, você pudesse considerar me chamar de hyung. — falou a última parte sorrindo maliciosamente.

— Na hierarquia de fetiches que eu abomino, hyung e oppa kink estão lado a lado com daddy kink, fique bem ciente. — O mais alto praguejou olhando para as pessoas de dentro da loja.

— Mas não abomina quando tá bêbado. — sussurrou Seokjin baixo o suficiente para que nem mesmo Namjoon escutasse.

— Tá sussurrando por quê? Não é homem o suficiente pra falar alto? — Namjoon perguntou rabugento.

— Olha só uma vendedora disponível, vamos lá. — desconversou Seokjin, arrastando o mais novo até a mulher alta, branca e com uma feição simpática.

— A cara do demônio pronto pra arrancar todo o nosso dinheiro. — murmurou Namjoon baixinho, dessa vez, arrancando uma risada do outro rapaz.

Os dois com passos largos, — e de mãos dadas— desviaram de todas as pessoas no caminho e rapidamente chegaram até a vendedora, que estava com um sorriso diabólico de simpático, pronta pra arrancar um rim de cada um deles, apenas para poderem comprar um mísero celular.

— Bom dia, senhores! Posso ajudar? — a moça de voz serena, pronta para arrancar o dinheiro deles, perguntou.

— Bom dia, moça. Qual é o modelo de celular mais barato que você tem? — perguntou Namjoon tomando a frente.

— Ignora ele, moça. Queremos ver um iPhone 11. — respondeu Seokjin sorrindo falsamente.

— Não queremos não. Quero ver um iPhone 5s. — Falou Namjoon olhando torto para o mais velho.

— Tu tá doido de dar um iPhone desse pra sua irmã? — perguntou o mais velho indignado.

— Ela precisa começar de baixo, pra ir crescendo gradualmente. Quando ela for mais velha e trabalhar, pode comprar um bagulho caro desses. — respondeu olhando para a cara descontente do mais velho. Levando seu olhar para a moça que aparentava estar confusa, sorriu. — Um iPhone 5s, por favor.

— Não, moça. Queremos o iPhone 11. — Seokjin estava começando a ficar vermelho de nervoso.

— Eu não vou dar um rim pra esse negócio caro. — Namjoon lançou um olhar mortal para o mais velho.

— Pois muito que bem, eu pago. — sorriu convencido para o mais novo. Sem tirar os olhos de Namjoon, falou para a moça. — Um iPhone 11.

A vendedora perdida na discussão dos dois saiu às pressas para pegar o modelo que o mais velho queria, sem dar tempo para que Namjoon conteste.

— Escuta aqui, eu não posso dar um presente que não fui eu que paguei. — falou o mais altos entredentes.

— Então, você paga o tanto que pode pagar, e eu pago o restante. — Disse Seokjin dando de ombros.

— Oh meu universo, pra que toda essa teimosia? — Indagou Namjoon gemendo frustrado.

— Pra você se apaixonar e nunca esquecer a dor de cabeça que eu sempre te dou. — respondeu o mais velho sorrindo.

Namjoon apenas ficou em silêncio sem saber o que responder para o outro. Já faz um bom tempo que eles se conhecem e ele não sabe mais o que responder para Seokjin. Tudo o que Namjoon fala agora parece ser tão repetido e forçado. Enquanto Seokjin é muito bom em inovar e deixar o mais alto sem palavras.

Felizmente ou infelizmente para Namjoon a vendedora voltou rapidamente.

— Aqui, senhores, me desculpem pela demora. — ela falou depositando a pequena caixa no balcão em frente aos dois.

Quando ela abriu a caixa e revelou o celular roxo com duas câmeras, Namjoon estava quase chorando por ter que gastar dinheiro em um negócio caro daqueles, por outro lado, Seokjin estava fazendo uma careta estranha.

— O que foi agora? — Indagou Namjoon ingenuamente.

— Joon, esse negócio parece um fogão. — respondeu colocando a mão em frente a boca começando a dar risada.

Namjoon olhando para o celular e engoliu a risada ao notar o olhar questionador da vendedora.

— Vai ser esse mesmo. Por favor, embrulha pra presente. — sorriu Namjoon simpático para a moça.

— Certo... os senhores querem ver mais alguma coisa? — eles apenas negaram com a cabeça. — Então... ficou 4 mil e 500.

— Meu Deus? — Namjoon olhou assustado para a mulher, tentando processar quantas vezes ele vai ter que parcelar pra pagar.

— Quanto você tem aí? — perguntou o mais velho parando de rir e olhando sério para Namjoon.

— Menos de mil. E eu tenho que comprar o presente de meus pais. — respondeu sem jeito para o rapaz.

— Guarda seu dinheiro e depois você me paga. — Seokjin, colocou a mão no bolso da calça retirando a carreira. De dentro da carteira ele pegou um cartão preto, entregando para a vendedora que estava com os olhos arregalados.

— Não é esse o cartão de burguês empresário? — Indagou Namjoon com os olhos também bem abertos.

— Sim..., mas eu não sou burguês empresário. — resmungou o menor. — Talvez um pouco burguês.

— Você tá cagando dinheiro? — Perguntou Namjoon novamente abismado com a riqueza do mais velho.

— Hm... não. Mas quando se tem pais que dão prioridade para o trabalho, eles tentam achar uma maneira de estar presente na vida dos filhos. A maneira encontrada pelos meus é em dar um cartão desses pra mim e pro Tae. — respondeu com um sorriso triste nos lábios.

Namjoon apenas ficou em silêncio sem saber o que responder novamente. Nesse meio tempo a vendedora saiu para embrulhar o presente e logo retornou com uma pequena sacola em mãos. Seokjin pegou a sacola e na mão de Namjoon, despertando-o de seus pensamentos.

— Não precisa pensar muito sobre isso. Eu de fato não tive os pais mais presentes, mas, eu tinha muitas boas pessoas ao meu redor. — dando um sorriso mais animado, arrastou Namjoon para fora da loja. — Qual é o nosso próximo destino?

— Sei lá? Rolex? — perguntou Namjoon brincando, mas Seokjin não parece ter notado a brincadeira, pois saiu arrastando o mais novo. — Jin, espera aí, bro. Só tô brincando. Quero nada da Rolex não.

— Tem certeza? Seu pai não gosta de relógio? — questionou com um biquinho nos lábios.

— Quem? Meu pai? Não. — respondeu Namjoon dando uma risada nervosa. — Ao invés de ir à Rolex... tem loja da Pandora aqui né?

— Sim, vem eu te levo lá.

[...]

Os dois andaram um pouco para chegar até a loja da Pandora. O tráfego de pessoas estava enorme. Namjoon estava mais do que surpreso por ter tantas pessoas em um lugar caro como aquele.

A frente da loja da Pandora era branca. Logo nas vitrines era possível encontrar pequenas correntes caras, brincos caros e a peça que Namjoon estava procurando: o bracelete da saga de Harry Potter.

Dessa vez foi o mais alto que puxou o outro para dentro da loja. O cheiro da fragrância doce e a exposição de luz, tornava o ambiente extremamente confortável.

Com o produto em mente, Namjoon caminhou até o balcão, com Seokjin seguido ele logo atrás.

— Boa tarde, rapazes! — falou outra vendedora e novamente branca.

— Boa tarde, moça. Gostaria de ver o bracelete do Harry Potter. — falou Namjoon educadamente.

A vendedora, sorrindo, apenas se abaixou e tirou a almofada com todos os itens da saga. Pegando o bracelete com os bonitos dedos e unhas bem feitas, estendeu para que Namjoon pegasse em mãos.

O bracelete era uma graça e, o pomo na cor prata no centro tornava tudo um charme, era exatamente esse que ele levaria.

— Vou levar esse mesmo, moça. Pode embrulhar pra presente? — questionou retirando a carteira do bolso.

— Sim, posso embrulhar. — respondeu sorrindo.

Seokjin que momentos antes distanciou-se e estava de longe apenas observando se aproximou de Namjoon.

— Seu pai gosta de Harry Potter? — perguntou baixinho, com o corpo encostado ao de Namjoon.

— Meu pai? Não. Esse é pra minha mãe. — sorrindo para o mais velho, observou com olhos atentos a vendendo se aproximar com uma sacola pequena e branca.

— Senhor, aqui está o presente. — ela então colocou em cima do balcão. Enquanto isso Namjoon retirou o valor da carteira entregando para ela. — Está tudo certo. Tenham um bom dia.

Sorrindo para a moça, eles saíram da loja, com Seokjin lançando um olhar questionador para Namjoon.

— O que foi? — o mais novo perguntou incomodado com os olhares.

— Você já tinha a intenção de vir aqui? — respondeu Seokjin com outra pergunta.

— Não. Mas eu já tinha pesquisado sobre esse bracelete na internet. Já que estamos aqui, decidi comprar. — sorrindo amigavelmente, falou o próximo destino para Seokjin. — Aqui tem loja da Hourglass?

— Hourglass? Tipo ampulheta? Não sabia que seu pai gostava dessas coisas. Acho que tem..., mas essa eu não conheço. — Seokjin pela primeira vez desde que eles chegaram, aparentava estar perdido.

— Primeiro, não é uma loja de ampulheta e eu podia jurar que você tinha o mapa desse shopping decorado. — comentou Namjoon.

— Até tenho, mas, eu realmente não conheço essa loja. — dando de ombros, começou a olhar para todos os lados tentando ver se enxergava alguma loja com aquele nome.

— É uma loja de produtos de beleza. — revelou Namjoon tentando ajudar o outro.

— Maquiagem? — questionou Seokjin.

— Sim. — o mais alto respondeu simplesmente.

— Ah... Então eu acho que é por aqui. — Seokjin falou puxando o mais novo até o outro lado do shopping.

[...]

Os dois andaram por um bom tempo na procura dessa loja. Seokjin nunca tinha entrado nela e Namjoon muito menos. Os produtos que eles usavam não vinha dessas lojas caras. Ao menos era o que Namjoon pensava, pois, ele nunca tinha sentido a fragrância de velha rica emanando de Seokjin.

— Não é melhor perguntar pra alguém onde tá essa bendita? — sugeriu Namjoon, cansado de ficar andando.

—Não precisa, pode deixar que eu a acho. — respondeu o mais velho ficando na ponta dos pés na procura do estabelecimento.

— Olha, tô com as pernas doendo. Perguntar vai economizar tempo e vamos achar ela rápido pra poder comprar o presente e ir embora. — falou o mais novo olhando em torno na procura de alguma pessoa com cara de simpática.

— Não vai ser necessário perguntar por que eu tenho certeza que estamos perto. — comentou Seokjin olhando para os letreiros das lojas.

— Olha tem uma senhora com cara de simpática ali. É só a gente perguntar e boa, vida que segu.... acho que achei a loja. — falou Namjoon espantado, atraindo a atenção do mais velho.

— Cadê? — questionou Seokjin curioso.

O mais novo apenas apontou com os dedos para a loja com uma fachada amarronzada e em cima escrito bem grande Hourglass.

— Não acredito que ela tava na nossa cara esse tempo todo. — Seokjin sorriu desacreditado. Com as mãos unidas arrastou Namjoon para frente da loja.

O lugar era lindo e cheiroso. Só de se aproximar da porta o cheiro de produto atingiu as narinas e Namjoon puxou o ar para aproveitar o cheiro gostoso que emanava da loja. Quando eles entraram o cheiro intensificou ainda mais.

— Eu podia morar aqui numa boa. — comentou para que apenas Seokjin escutasse.

— Eu também poderia morar aqui. — concordou o mais velho, sorrindo para a vendedora de traços amarelos, que se aproximava. — Milagrosamente não é uma branca dessa vez.

— Bom dia, posso ajudar? — ela falou sorrindo simpática.

— Bom dia, eu gostaria de ver maquiagem. — disse Namjoon devolvendo o sorriso.

— Masculina? — ela perguntou, pronta para levar eles para a parte em que as maquiagens masculinas estavam.

— Não, feminina. — respondeu Namjoon sorrindo educadamente.

— Certo. — ainda sorrindo ela os levou para a grande parede lotada de produtos para a beleza. — É pra você ou para outra pessoa?

— Outra pessoa, ele tem um tom de pele semelhante ao meu. — falou Namjoon sentido o olhar do mais velho em si. — O quê?

— Seu pai? — o mais velho perguntou curioso recebendo um aceno como respostas.

— O que você gostaria de levar para ele? — perguntou a garota.

— Base, sombra, pó e tudo o que as pessoas gostam de passar na cara. — respondeu, sem ter a mínima noção do que comprar para progenitor.

— Hm...gostaria de dar uma olhada nos kits de natal? — antes que eles respondessem a garota já estava caminhando para perto das maquiagens pegando dentro da gaveta uma bonita maleta. — Esse é um dos kits de natal que a loja está vendendo.

Dentro do quite, estava lotado de maquiagem. Só de olhar para os itens, Namjoon sabia que quando o pai recebesse e abrisse o embrulho choraria de emoção por receber um presente daqueles.

— Pode ser esse mesmo. — suspirando por ter que gastar o resto do dinheiro com maquiagem, estranhou quando a garota abriu novamente a gaveta pegando uma pequena embalagem. — Isso seria?

— Base, você disse que o tom de pele de vocês é semelhante, certo? Eu preciso testar em você para ter certeza de você estar levando a base certa. — com as palavras da garota, Namjoon estendeu os braços, e ela deixou escapar uma risada. — Eu preciso testar em seu rosto.

Ela olhou para ele esperando por uma resposta e, quando recebeu um acenar concordando, se aproximou ficando na ponta dos pés. Namjoon, notando o esforço dela para ficar na sua altura, abaixou um pouco os joelhos, ficando numa altura decente para que ela não sofresse tanto.

Quando a base tocou em sua pele, o cheiro da maquiagem atingiu suas narinas e, ele se lembrou de que quando mais novo, toda vez que sentia o cheiro dos produtos queria comer. Ela aplicou o produto e delicadamente com uma almofadinha começou a espalhar, fazendo um barulho satisfeito com a garganta.

— É essa aqui mesmo. — ela afirmou novamente com palavras se distanciando de Namjoon. — Presente?

— Sim. — ele respondeu simplesmente escutando uma risada vir das suas costas. — O que foi?

— Nada demais. — respondeu Seokjin, prendendo a risada.

— Fala logo e para de show. — disse Namjoon cruzando os braços.

— Não é nada... eu só acho interessante que ao longo do dia, várias pessoas se aproximaram se você e, você fica todo comportado, quietinho. Mas quando sou eu, tu fica todo nervosinho. — comentou sorrindo maliciosamente. — Eu te deixo nervoso, Namjoon?

— Vai pro inferno. — o mais alto respondeu dando as costas para o mais velho.

— Então esse é seu jeito de dizer "sim você me deixa nervoso"? Adorável. — falou Seokjin.

— Me deixa em paz, cacete. — disse Namjoon nem notando a vendedora se aproximar. — Você não me deixa nervoso merda nenhuma. Eu até andei de mãos dadas com você. Você quer mais o quê? Quer que eu chupe seu pau?

Ele esperou por uma resposta e não veio, sorrindo vitorioso achando que tinha deixado o outro tímido, escutou alguém limpar a garganta em suas costas.

— Hm... aqui está o presente? — a menina falou timidamente, esticando as mãos com a sacola.

— Ah... Hm... Eu... — Namjoon estava sem palavras. Seu cérebro não conseguia montar uma frase completa, tamanha era sua vergonha.

— Me espera lá fora — sussurrou Seokjin com os lábios próximos ao seu ouvido. — Onde fica o caixa, moça?

Namjoon não esperou para escutar a resposta da garota. Ele timidamente e um pouco desengonçado saiu às pressas para fora da loja com a sacola em mãos.

Ele não sabia dizer se o tempo que Seokjin ficou dentro do estabelecimento foi demorado ou não. Namjoon só sabe que para ele, o mais velho demorou muito tempo, e ele estava quase tendo um ataque de vergonha na frente de todas aquelas pessoas ricas.

Assim que o mais velho saiu da loja, foi agarrado pelas mãos do mais novo, que os arrastou para longe daquela loja.

— Calma, choco chips. As garotas hoje em dia gostam de caras que chupam o pau de outros caras. — Seokjin falou com humor tentando tranquilizar o outro.

— E eu lá quero saber dos fetiches dessas garotas? Tô preocupado com minha imagem. Olha só o que você me fez fazer imbecil. Eu nunca na minha vida tinha falado uma coisa dessas na frente de desconhecidos. — o mais novo resmungou entredentes, sentido a pele esquentar. Ele estava corando e pronto para jogar Seokjin da frente de um carro no estacionamento.

— Por quê? Já tinha falado na frente de amigos? — Indagou o menor com curiosidade.

— Bom... algumas vezes. — sussurrou se lembrando de quando ofereceu para pagar um boquete para Yoongi, desde que ele não fosse embora.

— Ah... Então essa reação toda é por ter falado em público e não poder ter oferecido pra pagar um pra mim? — nos olhos de Seokjin tinha um brilho perverso. Namjoon sabia que dependendo da resposta ia cair em uma armadilha.

— Exatamente. — ele sabia que essa resposta só ia alimentar o diabo que existia dentro de Seokjin. E ainda assim ele falou.

— Curiosamente, destinou ou coincidência, tem um banheiro a alguns passos daqui. — o mais velho falou.

Seokjin em sua face tinha o olhar perverso de quem estava pronto para cometer um pecado ali mesmo, com o sorriso sem vergonha, presente.

— Se você acha que eu vou chupar seu pauzinho mixuruca num banheiro de shopping, está mais do que enganado. — Namjoon falou com a intenção de acabar com qualquer ideia que estava se passando pela cabeça do outro.

— Você fala pauzinho mixuruca agora, mas não foi isso que você disse aquele dia no clube. — disse Seokjin ainda com o sorriso em seus lábios.

— Eu nem me lembro o que te disse aquele dia, beleza? — desconversou Namjoon se sentindo corar mais ainda.

— Ah tu lembra sim, você não tinha bebido uma gota de álcool. — o mais velho respondeu, pronto para refutar qualquer argumento do mais alto.

— Mas eu tava emocionado com a volta do meu amigo, eu tava bêbado de emoção, e você se aproveitou disso. — Namjoon olhou nervoso para os lados para ver se estava atraindo a atenção de outras pessoas.

— Eu? Você tava bêbado de tesão, isso sim, nunca ninguém tinha me arrastado pra um canto e esfregando o pau no meu daquele jeito que você fez. — apontou o mais velho com um olhar divertido.

— Não me lembro de ter feito isso, então não aconteceu. — Namjoon respondeu, engolindo em seco, pronto para dar um fim naquela conversa.

— Não se lembra de ter virado de costas e tentando rebolar do jeitinho que o Jimin te ensinou? — o olhar de Seokjin era o olhar de um demônio cheio de luxúria. Namjoon ficou assustado quando notou ele se aproximar tanto de seu corpo. O mais alto podia jurar estar sentindo a calça ficar levemente apertada. Por fim o mais velho sussurrou em seu ouvido. — Pois eu me lembro.

— Você tava sonhando, ou melhor ainda, era outra pessoa fazendo isso, mas você tava tão bêbado que estava achando que era eu. — Namjoon estava pronto pra sair correndo daquele lugar.

— Eu também não tinha bebido naquela noite. — o mais velho refutou o argumento do mais alto, novamente.

— Olha aqui... vamos ser sinceros. — o mais novo olhou bem fundo dos olhos de Seokjin. — Não era eu fazendo aquela barbaridade.

— Você pode negar à vontade, mas seu corpo não mente. — disse o menor olhando para o volume que estava começando a tomar forma.

— E quem liga pro que esse corpo traidor acha? Meu pau é sensível, beleza. — respondeu Namjoon, grosseiramente, começando a caminhar para um lugar totalmente aleatório no qual ele julgava estar perto da saída.

— A saída é pro outro lado, choco chips. — falou Seokjin parado no mesmo lugar, com o costumeiro sorriso nos lábios grossos, observando o outro rapaz sair andando. — Aliás, para de culpar seu corpo quando você também estava gostando.

— Eu não tava gostando. — Namjoon voltou para perto de Seokjin.

— Tava sim, todo mundo sabe, você sabe. — respondeu sorrindo mais ainda ao notar o mais novo começar a se exaltar novamente.

— Prova que eu tava gostando, então. — o maior cruzou os braços entrando em uma posição defensiva e insegura.

— Até provaria, mas você não quer ir conhecer o banheiro daqui. — Seokjin suspirou fingindo estar decepcionado.

— Não quero mesmo, se depender de mim nunca vou entrar nesse banheiro. Vamos embora. — dando as costas para o mais velho, ele começou a andar para o lado que julgava ser o certo agora.

— Deus por que eu tinha que estar tão apaixonado? — resmungou Seokjin seguindo o mais novo em silêncio.

[...]

Para que os dois saíssem do shopping levou certo tempo. Namjoon não conhecia nada daquele lugar, não tinha senso de direção e não queria perguntar para o mais velho que apenas andava pacientemente atrás. Ele estava começando a ficar seriamente irritado com a calma de Seokjin e, estava se segurando para não começar a discutir com ele dentro do lugar. Eles só conseguiram sair daquele lugar quando o menor, com piedade do outro, pegou em sua mão e o guiou até a saída.

Para voltar embora eles retornaram com a argumentação de qual aplicativo eles usariam e, dessa vez, Namjoon venceu, conseguindo assim chamar um motorista do 99 que demorou um bom tempo para chegar até onde eles estavam esperando.

Nesse meio tempo de espera eles estavam se comunicando pelo olhar. Namjoon estava fazendo seu máximo para transmitir todo seu rancor de desprezo, mas, o mais velho não parecia estar entendo, pois ele toda vez ele sorria e, quando eles se olhavam durante alguns segundos um de seus olhos piscavam.

— Isso é tique ou flerte? — questionou Namjoon começando a ficar confuso.

— É tique, mas se você quiser pode ser flerte. — o menor respondeu dando de ombros em seguida.

— Seu tique é ficar piscando um dos olhos? — Namjoon abismado perguntou novamente por mais que já tivesse recebido uma resposta. — Quantos mal entendidos você já sofreu por causa disso?

— Sim, meu tique é ficar piscando um dos olhos. E respondendo sua outra pergunta, vários. Já quase apanhei de cara achando que eu tava flertando com a namorada dele e, também teve uma vez que a gente tava tudo lá no clube e, eu só tava olhando inocentemente pra um cara e quando a gente fez contato visual eu pisquei. — ele parou brevemente dando risada do mistos de expressões que atravessou o rosto de Namjoon, continuando em seguida. — Esse último cara me deu trabalho, tudo bem que eu quase apanhei do outro, mas esse ficou no meu pé durante dias. Precisou que eu falasse que estava namorando a Moon para que ele me deixasse em paz.

— Ele caiu nesse papo? — perguntou Namjoon desacreditado que esse plano tenha dado sucesso. Não querendo colocar estereótipos — longe dele fazer isso —, mas a garota transmitia uma vibe de sapatão a vários quilômetros.

— Não. Foi preciso que meu irmão imprestável e o vagabundo do Jimin se intrometer e falar pra ele que eu gostava de dar o cu pra mulher bonita. — o mais velho suspirou fazendo uma careta em seguida. — Não que eu não goste. Mas comumente prefiro outras posições. Se bem que mulheres bonitas são exceção.

— Sim, eu te entendo. — falou Namjoon com um ar nostálgico, se lembrando de quando ele não conhecia nenhum dos rapazes — exceto o Yoongi — e conseguia dar uns beijos.

— Entende? — Seokjin estava com um meio sorriso em seus lábios. Para a tristeza de Namjoon, ele não prestou muito atenção no rapaz mais velho e se jogou na própria cova.

— Sim, tipo, se eu to namorando uma garota e ela quiser me comer não tenho nenhum problema em deixar. O prazer que vou sentir vai ser igual, talvez, até mais do que se eu estivesse fodendo com ela. — ele falou sério, sentindo seu lado militante dar tapinhas em suas costas.

— Olha... eu não posso falar pelas garotas, mas tem alguém aqui do seu lado que te foderia sem pensar duas vezes, ele só precisa do seu consentimento. — falou o mais velho jogando verde na esperança de colher o maduro.

— Quem? — Perguntou Namjoon cinicamente olhando para os dois lados na procura dessa tal pessoa. Fingindo não ter cogitado dessa pessoa ser Seokjin.

— Tu fica fazendo isso agora, mas quando sentar, nem guindaste vai tirar de cima. — praguejou o mais velho não se deixando abalar.

— Você nem falou quem é a pessoa. — Surpreendentemente o mais alto fez biquinho. — Dependendo da pessoa vai que realmente nem guindaste me tira.

— Não vou cair nesse seu papinho, choco chips. — o mais velho falou fingindo estar emburrado. — Espero que você não tenha esquecido sua promessa de chupar meu pau.

— Eu não te prometi nada não. Apenas falei que chupava seu pau pra provar meu argumento. E creio eu que com a naturalidade que eu falo sobre chupar seu pau, estava mais do que provado. — apontou o mais novo sabiamente.

— Claro que já é natural pra você. Depois de rebolar no meu pau é mais do que previsível querer chupar ele. — o menor afirmou com convencimento.

— Escuta aqui, eu não rebolei em seu pa... — antes que ele tivesse a chance de completar sua fala, o motorista do 99 chegou, estacionando o carro na espera dos dois entrarem. Seokjin até avançou um passo fazendo menção de entrar, contudo, Namjoon não deixou que ele entrasse antes de completar sua fala. — Eu não rebolei em seu pau, tenho certeza do que estou dizendo.

— Continue repetindo isso mais vezes, quando você acreditar no que está dizendo, quem sabe eu acredite também. — Seokjin lançou propositalmente uma piscada, abrindo a porta para que o outro rapaz entrasse. — Vamos lá, choco chips. Se não quer cumprir sua promessa, entre logo dentro desse carro.

Namjoon em silêncio entrou, tentando ignorar seu lado imaturo, que estava mais do que implorando para que ele deixasse o mais velho ir nesse carro, e ele chamasse outro para irem embora separados.

[...]

O caminho para o dormitório da faculdade foi muito silencioso. O motorista parecia estar agoniado com todo o silêncio dentro do carro. A tensão entre os dois rapazes era quase palpável tamanho era o clima instalado.

Namjoon apenas olhava para o lado de fora perdido em seus pensamentos, os pelinhos em sua nuca constantemente se mantinham arrepiados pela intensidade do olhar do mais velho para ele, mas, dessa vez ele apenas ignorou.

Ele tinha plena consciência de estar sendo imaturo ao fingir não lembrar daquele fatídico dia. Sua memória estava boa o suficiente para que ele recordasse dos mínimos detalhes e especialmente da sensação de ter gostado muito do que aconteceu. Com todo o tempo passado desde que ele conheceu o mais velho, já era hora dele admitir a atração que sentia.

Seokjin a muito deixou de ser apenas o cara bonito que flertava e lhe provocava. O status atual do rapaz em relação aos seus sentimentos era confuso e, Namjoon, definitivamente não queria que eles são se tornassem esclarecidos por hora.

Tudo o que ele podia admitir agora é que: Ele gosta de sair com o mais velho para visitar lugares e fazer compras. Ele também gosta quando o flerte entre eles se torna uma brincadeira. Mas, o que ele mais gosta, é do fato de que o outro nunca lhe pressionou por uma resposta aos seus sentimentos ou até mesmo tentou forçar um passo maior do que a perna.

Portanto, se fosse para ter uma escola do que ele considera o menor em sua vida, Seokjin estaria a alguns passos à frente de seu grupo de amigos e apenas a alguns poucos passos atrás de Yoongi, esse que nunca deixaria de estar a frente de tudo e de todos juntos de sua família.

Namjoon não sabe dizer se o mais velho está ou não ciente sobre o que está começando a significar para sua vida. Ele também não sabe se quer ou não quer que o outro tenha esse conhecimento. Por hora, ele está satisfeito com as coisas como estão e, caso um dia elas evoluam, ele espera que esteja maduro o suficiente para não lutar contra o que está gradativamente crescendo e começando a vir a ser do conhecimento de todos que estão ao seu redor.

Ele foi retirado abruptamente de seus pensamentos com o outro rapaz suspirando. Pela primeira vez desde que entraram, Namjoon dirigiu seu olhar para ele e, encontrou o menor com um biquinho fofo nos lábios. Custou muito para Namjoon reprimir sua vontade de sorrir ao ver aquela cena do outro rapaz sendo tão fofo.

Engolindo todas as palavras não ditas que estavam implorando para serem faladas, ele virou seu rosto novamente para a janela e fechou os olhos, na esperança da viagem de carro passar rapidamente. Isso até teria acontecido se Seokjin tivesse permanecido em silêncio.

— Cara, quantos anos você tem? — a voz do mais velho quebrou o silêncio.

Namjoon franziu a sobrancelha confuso com a pergunta.

— Quem? Eu? — a voz do motorista que antes estava agoniado com o silêncio, parecia estar surpresa.

— Sim, eu não te daria mais de vinte e cinco. — continuou Seokjin.

— Eu tenho vinte e dois. — respondeu o rapaz ainda com confusão.

— Uma boa idade. Já deve ter experiência o suficiente pra me responder outra pergunta. — falou o menor com uma expressão séria no rosto.

— E o que seria? — questionou o motorista curioso.

Namjoon apenas observava tudo em silêncio, mas, ele também estava bem curioso para saber o que o mais velho queria com aquelas perguntas.

— O que eu deveria fazer quando aconteceu uma coisa muito importante comigo e outra pessoa, mas ela se recusa a lembrar? — sua expressão continuava séria.

Namjoon não conseguiu segurar a tempo a risada incrédula que escapou por seus lábios.

— Essa pessoa teve perda de memória? Porque se sim eu não acho que você deveria forçar. Isso pode ser prejudicial pra ela. — respondeu novamente o motorista com seriedade.

— E se essa pessoa não teve perda de memória? E se essa pessoa se recusa a falar que lembra, quando ela não tem nenhum problema pra não lembrar? — enquanto falava seu olhar dessa vez estava focado em Namjoon.

— Então... eu acho que você deveria esquecer sobre isso. Talvez, essa pessoa esteja desconfortável com o que aconteceu. — o motorista deu de ombros.

Namjoon correspondendo ao olhar do mais velho sorriu adoravelmente, deixando suas covinhas em evidência.

— O rapaz tem razão, você deveria esquecer ou não forçar a outra pessoa a se lembrar de algo desagradável para ela. — Namjoon se intrometeu na conversa.

— Duvido muito que ele tenha considerado como algo desagradável. Todas as ações daquela pessoa me mostram o contrário. Mas, vocês têm razão, se ele prefere fingir que nada aconteceu, eu vou dar o braço a torcer e fingir que nada aconteceu também. — falou o mais velho, ficando em silêncio em seguida, dando a conversa por encerrada.

Namjoon estava confuso com essa repentina seriedade. Ele não esperava que o outro fosse levar isso tão a sério. Nunca ele havia levado a sério e era estranho agora ser diferente.

O resto do caminho até a faculdade foi feito em silêncio. Namjoon, por incrível que pareça, estava perdido em seus pensamentos pensando em uma maneira de resolver essa situação. Ele gosta da companhia de Seokjin e da troca de farpas que frequentemente ocorre, perder essa coisa que tem entre eles, é algo que ele se recusa a deixar acontecer.

[...]

No dormitório o clima estava pesado. Seokjin estava em silêncio, deitado em sua cama, olhando para alguma coisa em seu celular. Namjoon, por outro lado, estava pensando ainda em uma maneira de tirar o silêncio do outro.

Ele considerou falar sobre alguma série que eles gostavam, no entanto, o medo de receber uma resposta desinteressa do mais velho, impedia.

Ponderou também em falar sobre o que causou o silêncio, entretanto, não se sentia pronto para admitir ter gostado e consequentemente se contradizer e dar esperança a respeito de algo como aquilo que aconteceu ocorrer de vir a acontecer novamente.

No final, ele nada fez por ser covarde demais para admitir alguma coisa.

Suspirando, também deitado em sua cama, sentiu o celular embaixo de si começar a vibrar e, quando pegou em mãos para ver o que estava acontecendo, se deparou com uma ligação com o nome "papai" e uma foto de seu pai ao lado de sua mãe, os dois sorridentes.

Atendendo ao telefone, com o rabo dos olhos levou o olhar para Seokjin, esperando a mulher da operadora parar de falar.

— Alô? — a voz grossa do outro da linha perguntou inseguro. Sem sombra de dúvidas era seu pai falando.

— Pai? Alguma coisa aconteceu? — questionou com os olhos ainda em Seokjin.

— Não! Nada aconteceu! Só tô ligando pra saber se você vai precisar que eu vá te buscar amanhã. — a voz de seu pai estava animada.

— Hm... acho que sim, pai. — Namjoon falou animadamente, mas, quando ele olhou para o rapaz mais velho, sua mente se iluminou com uma ideia, fazendo ele se contradizer em seguida. — Na verdade não vai ser necessário, pai.

— Joon, se não tem ninguém pra te levar, obviamente eu vou ir aí te buscar. — insistiu seu pai.

— Você tem muita coisa pra preparar, todo mundo sabe que a mãe não vai mover um dedo na cozinha, e a pirralha muito menos. — o rapaz justificou. — Pode deixar que eu vou arrumar um jeito de ir.

— Tem certeza? Se você precisar, o papai vai deixar as coisas e ir até aí. — o pai dele Indagou.

— Sim, pai! Vai ficar tudo bem... — por um momento ele ficou em silêncio ponderando se deveria ou não fazer o que estava em sua mente, para em seguida dar o braço a torcer e dizer. — Pode preparar comida a mais do que você já está fazendo.

— Por quê? — questionou o mais velho, confuso.

— Vou levar um amigo. — respondeu simplesmente.

— O Yoongi? — arriscou o mais velho com curiosidade.

— Não, outra pessoa. — com um sorriso nos lábios, olhou novamente para Seokjin, encontrando o mais velho com a atenção voltada para suas palavras. Quando Namjoon flagrou o rapaz, suas orelhas automaticamente ficaram vermelhas, fazendo com que o mais novo começasse a dar risada.

— Hm... você tem certeza de que é só amigo? Devo me preocupar? — Indagou novamente o pai com desconfiança.

— Sim e não. — enquanto ele falava com o pai, arqueou a sobrancelha para Seokjin, que estava olhando com curiosidade para ele.

— Tá certo, vou desligar, tá bom? — falou o pai suspirando, não acreditando nenhum pouco nas palavras do filho.

— Tá bom, pai. Tchau, amo vocês. — despediu-se, com um sorriso adorável nos lábios, deixando as covinhas em evidência.

— Também amamos você, filho. — falou o mais velho suspirando em seguida, hesitando em desligar o telefone, mas desligando quando escutou a esposa gritar.

Namjoon, com um sorriso nos lábios, olhou para o rapaz mais velho, que estava tentando disfarçar seu interesse e perguntou:

— Você vai passar o natal com sua família? — Indagou, colocando o celular em cima da cama.

— Não. — respondeu, sem dar justificativa.

Também não precisava, Namjoon estava ciente da falta de afeto dos pais dele.

— Com Tae ou com os meninos? — questionou o mais novo, novamente.

— Não. Tae vai pra casa do Jimin. Jeongguk vai pra casa da família dele e eu estou meio que banido de colocar meus pés lá. E o Hobi você já sabe com quem ele vai passar o natal. — dessa vez ele deu explicação, olhando para Namjoon, vencido pela sua curiosidade, perguntou. — Por quê?

— Quer passar o natal com a minha família?

Quando Namjoon perguntou, de alguma forma ele quebrou o mais velho, pois Seokjin arregalou os olhos e levou o dedo ao peito apontando para ele, totalmente desacreditado.

— Pera. Eu? Com sua família? Tipo eu e sua família? Natal? Juntos? Eu passando o natal com você? Tu e eu, eu e tu? Juntos? — ele falou rapidamente, atrapalhando-se com suas palavras. Totalmente incrédulo.

— Sim, você, meus tios, primos, pais, minha irmã e eu. — falou Namjoon concordando com a cabeça ao mesmo tempo.

— Mas eu nem comprei presente pra eles! — o mais velho declarou totalmente indignado. — Como eu vou aparecer na sua casa com as mãos abanando?

— O cacete que você não comprou. Pagou a maior parte do celular da minha irmã e pagou o presente do meu pai. Você acha que eu esqueci? — indagou o mais novo também indignado.

— Mas o presente é seu pra eles, não meu. — respondeu como se fosse óbvio.

— Minha família não liga pra essas coisas. — apontou sorrindo com o mais velho tentando achar um motivo para não ir.

— Mas eu sim. Nunca que eu vou aparecer na sua casa de mãos vazias. O que eles vão pensar de mim? Com que cara vou encarar seus pais quando a gente começar a namorar? — perguntas seguidas demais perguntas. E Namjoon já estava ficando cansado de tanto o outro contestar.

— Eles não vão pensar nada de ruim sobre você. A menos que você fale para meu pai suas intenções de relacionamento comigo. Se você ficar quieto e se comporta, minha mãe vai fazer muito por você. — pegando o celular em mãos, olhou para o mais velho, novamente. — Você vai ou não? Se não for eu procuro outra pessoa para ir no seu lugar.

— É claro que eu vou. Só acho errado eu aparecer lá sem levar nada. — falou, encolhendo os ombros.

— Relaxa, meus parentes vão levar mais do que o suficiente pra todo mundo. — o maior falou tentando tranquilizar o outro.

— Tá bom, mas eu continuo achando errado — resmungou. Namjoon, apenas ignorou dando a conversa por encerrado.

Depois daquela conversa os dois ficaram em um confortável silêncio e logo foram dormir. Eles vão ter que acordar cedo no outro dia e com o pai do mais novo não indo buscar eles. Irão ter que procurar um jeito de achar um motorista disposto a trabalhar na véspera do natal.

[...]

No outro dia, Namjoon estava tendo um sonho maravilhoso. Em seu sonho Garalt de Rivia da série da Netflix the witcher e ele se conheciam e se apaixonaram. Quando ele estava prestes a beijar o bruxo, foi retirado à força de seu sonho pela porta do dormitório batendo.

Levantando a cabeça confuso, levou seu olhar para a porta não encontrando nada. E erguendo seu troco, sentindo seu corpo implorar para voltar a deitar, localizou o mais velho remexendo em algumas sacolas.

Confuso com o fato dele já estar acordado, pegou o celular e, olhando a hora, arregalou os olhos ao ver que tinha dormido demais e, nesse horário deveria estar no mínimo arrumado para ir à casa dos pais.

— Por que não me acordou? — sua voz saiu rouca devido ao fato de sua garganta estar seca e ele ter acabado de acordar.

— Eu tive que sair bem cedo e você tava todo bonitinho dormindo. — o mais velho falou, lançando um breve olhar para Namjoon, mas logo voltando sua atenção para o que estava fazendo.

— Podia ter me acordado. — disse Namjoon resmungando enquanto se sentava esfregando os olhos em seguida.

— Nah... você ia ficar acordado à toa. — Seokjin falou ainda mexendo nas sacolas.

Com o pouco tempo que tinha, Namjoon espreguiçando-se, esticou os braços bem lá em cima, consequentemente, alongando os músculos das costas e se levantou.

Ainda sonolento, pegou suas roupas de dentro da cômoda e deixando o mais velho no quarto, dirigiu-se até o banheiro.

No banheiro, ele fez todas suas necessidades e no chuveiro quente tomou um banho bem tomado e um pouco demorado, lavando todas as extremidades de seu corpo.

Desligando o chuveiro, se enxugou com a toalha — que ele nem sabia se era dele ou do outro rapaz — e passou uma loção hidratante no corpo. Por fim, ele vestiu a cueca, a calça, a blusa branca lisa e o moletom preto.

Saindo do banheiro com os fios bem úmidos, encontrou o outro rapaz agora sentado na cama mexendo no celular. Apesar de sentir uma certa curiosidade depois de desperto, sobre o porquê de ele ter saído cedo e voltado com sacolas, achou melhor ficar em silêncio, pegando a escova e penteando o cabelo.

Com os fios penteados, ele se dirigiu até a cozinha e, abrindo a geladeira pegou uma maçã, comendo-a rapidamente, pois o tempo estava começando a ficar apertado e se ele chegasse um pouco mais tarde que o normal, escutaria reclamação dos pais.

Saindo da cozinha, voltou para o quarto e encontrou o mais velho na posição anterior, sentado atento a alguma coisa no celular.

— Bro, eu acho melhor a gente já ir indo. — falou Namjoon chamando a atenção do menor. — Se a gente chegar tarde, meus pais vão ficar irritados e alguns parentes chatos vão comentar.

— Vão comentar o quê? — perguntou Seokjin bem curioso.

— Tô te levando pra casa e você não é o Yoongi. — ele foi falando enquanto andava até sua cama para pegar o celular.

— E o que tem a ver? — Indagou novamente na procura de algum sentido.

— Eles sabem da minha orientação sexual e se eu tô levando outra pessoa do sexo masculino sem ser o Yoongi, vão pensar que a gente tá namorando. E na porcaria dos filmes clichês quando casal se atrasa é por um motivo. — falou Namjoon se exaltando um pouco na última frase.

— Que seria? — questionou o mais velho prendendo um sorriso.

Antes de responder, Namjoon parou e olhou bem nos olhos do outro, continuando em seguida:

— Sexo.

— Então, seus parentes vão achar que a gente tá fazendo um tchaca tchaca na butchaca só por ter dado uma atrasada? — indagou o menor novamente, começando a deixar Namjoon irritado com todas essas perguntas.

— Exatamente! Levanta essa bunda da cama e vamos logo. Não quero que tenham pensamentos errados da gente. — falou Namjoon bufando.

— Tá bom. — respondeu Seokjin encolhendo os ombros.

Os dois de maneira surpreendentemente ordenada, andaram pelo quarto, pegando suas respectivas bolsas com os itens necessários para passar alguns dias na casa do mais novo. A bolsa de Namjoon era pequena e tinha poucas coisas, apenas algumas trocas de roupa, pois o resto ele já tinha tudo pronto na casa dos pais. Seokjin, por outro lado, tinha mais itens do que Namjoon julgava necessário para passar os poucos dias.

— Cê tá ligado que a maioria das coisas que você tá levando têm na casa dos meus pais, né? — perguntou Namjoon olhando um pouco torto para Seokjin.

— Sim, mas eu não quero incomodar seus pais. — respondeu o menor com o celular e a mochila em mãos.

— Isso está me parecendo desculpinha esfarrapada. — murmurou Namjoon decidindo não se aprofundar mais no assunto.

Os dois conferiram para ver se estava tudo certo e, com as mochilas nos ombros pegaram as sacolas de frente de Namjoon, e Seokjin pegou a sacola que estava remexendo mais cedo, saindo do quarto e trancando a porta.

Quando eles estavam se dirigindo para o elevador, Seokjin quebrou o silêncio que estava instalado entre eles:

— Quem vai cuidar das plantinhas? — indagou lançando um olhar curioso para o mais alto.

— Yoongi falou que vai cuidar delas com muito amor e carinho. — respondeu dando de ombros.

— Espera, você confiou as plantas para Yoongi? E ele falou que vai cuidar com amor e carinho numa boa? — perguntou o menor confuso com os olhos arregalados.

— Sim e não. Pra convencer ele, eu tive que fazer uso da minha arma secreta e, eu não me orgulho disso. — respondeu novamente entrando no aplicativo do 99 para chamar um motorista.

— Que arma secreta? — questionou ingenuamente curioso.

— Se eu te falasse ela ia deixar de ser secreta, dã. — falou o mais novo como se fosse óbvio.

Seokjin nada respondeu, mas em seus lábios se formou um biquinho e, ele olhou com os olhos arregalados do jeito que aprendeu com Jimin um tempo atrás, ser uma coisa que Namjoon não conseguia resistir.

— Eu joguei na cara dele o fato dele ter ido embora sem ser por um motivo decente. — por fim, Namjoon respondeu, nada orgulhoso de seu feito.

— Uau, que grande feito da sua parte, bro. — falou Seokjin com evidente ironia na voz.

— Você acha que eu não sei, cacete? Me arrependo agora, mas antes parecia ser a única opção. — disse Namjoon desviando os olhos do celular.

— Tudo bem, eu imagino que seja, Yoongi não é a pessoa mais fácil. — Seokjin enquanto falava balançava a cabeça concordando.

— Certo? Ele é muito complicado, puta que pariu, não sei como a gente ficou amigo. — falou Namjoon reclamando enquanto voltava sua atenção para o celular.

— Eu também me pergunto... — murmurou Seokjin ao mesmo tempo que acenava com a cabeça concordando.

Depois desse curto diálogo no elevador, os dois apenas ficaram em silêncio e, quando saíram, caminharam com suas bagagens para fora da universidade esperando o motorista chegar.

[...]

A viagem de carro até a casa de Namjoon durou um bom tempo. E ela do início ao fim foi extremamente desagradável.

Dentro do automóvel o único som audível era do rádio do motorista tocando uma balada antiga. Os dois rapazes estavam demonstrando emoções diversas. Seokjin estava quase tendo um ataque de nervoso tamanha sua ansiedade ao conhecer os pais se Namjoon. Por outro lado, o mais novo estava prestes a jogar o rapaz do carro para ver se ele aliviava o nervosismo e consequentemente não deixasse o mais alto nervoso também.

O motorista — pobre rapaz — as vezes olhava para a parte traseira do carro pelo retrovisor e tentava descobrir o que diabos estava rolando entre aqueles dois, mas, eles eram complicados e extremamente difíceis de compreender.

Portanto, a viagem não foi agradável para nenhum deles. Todo o trajeto foi realizado com o motorista confuso, Seokjin nervoso, e Namjoon prestes a cometer um homicídio.

Felizmente para Namjoon, quando o carro estava finalmente se aproximando de sua casa e, ele conseguiu ver a fachada pintada pela tinta verde vibrante escolhida por sua mãe, um alívio se instalou e ele quase sentiu as lágrimas encherem seus olhos.

— Namjoon... — murmurou o mais velho chamado sua atenção. Quando Namjoon levou seus olhos para ele, continuou. — E se seus pais não gostarem de mim?

— E por que eles têm que gostar de você? — Namjoon já estava ciente da resposta, mas agora perto da segurança de seu lar, ele estava decidido a infernizar Seokjin.

— Bom... eu não acho que eles vão deixar eu namorar com o filho deles se eles não gostarem de mim. — explicou o menor falando um pouco rápido demais.

— Primeiro que pra você namorar comigo eu vou ter que querer namorar com você. — falou o mais novo tentando segurar o sorriso quando viu a expressão abismada do outro. — Segundo que se eu quiser namorar com você eles não vão poder falar nada.

— Sim, você é adulto e sabe o que faz. Eles não podem interferir. Mas vai ser horrível os almoços de família no domingo se eles não gostarem de mim. — disse Seokjin choramingando.

— Aí pelo amor da Deusa. Se eu gosto de você e aguento você todos os benditos dias, é óbvio que eles vão gostar também. — falou Namjoon arregalando um pouco os olhos por causa da frustração.

— Mas joonie... — o mais velho falou manhoso também arregalando os olhos.

— Sai do carro agora, Seokjin. — falou Namjoon começando a sentir seu pescoço esquentar.

Destino ou coincidência, bem na hora que ele falou, o motorista estacionou e os dois passageiros olharam surpresos um para o outro.

— Devo ficar com medo? — Seokjin sussurrou chocado.

— Acho que sim. Tipo isso é coincidência demais. — disse Namjoon se explicando em seguida.

Os dois olharam um para o outro ponderando o que deveriam fazer, mas o motorista foi mais rápido, atraindo a atenção dos dois.

— Senhores chegamos no destino. — enquanto falava o motorista estava olhando de uma maneira estranha para eles dois.

— Hm... certo. — Seokjin falou parando para limpar a garganta. — Pode sair do carro, Joonie. Eu vou pagar.

Namjoon olhou abismado para o menor e dando uma risada incrédula, falou:

— Tá doido? — com apenas essas duas palavras ele rezou para que Seokjin captasse o restante da mensagem e não fosse louco o suficiente para ficar dentro de um carro.

— Claro que não! Você foi gentil em me convidar para passar o natal com sua família, pode deixar que eu vou pagar. — o menor falou convencido.

O mais alto estava pronto para contestar, contudo, ao ver a determinação nos olhos de Seokjin, apenas suspirou. Saindo do carro levando junto nas suas mãos as sacolas.

Um pouco preocupado ele ficou parado do lado de fora, no entanto, ao levar seus olhos para a fachada verde brilhante da sua casa, ele esqueceu por um momento das coisas ao seu redor e focou apenas nela. Não era vergonhoso admitir para si mesmo que sentia falta de casa. Aquele foi o lugar que ele aprendeu sobre tudo que tinha para aprender, recebendo amor, carinho e paciência.

Estar de volta era um alívio. Depois de meses focado apenas em seu mestrado e em seus novos amigos, voltar para o lugar em que cresceu era no mínimo relaxante.

Ele não sabe dizer por quanto tempo ficou parado olhando para sua casa, mas foi despertado pelas mãos de Seokjin em seu ombro. Com o toque do outro rapaz ele finalmente voltou para a realidade e olhou surpreso e um pouco aliviado por encontrar o outro parado do seu lado e inteiro.

— Tá tudo bem? — perguntou Seokjin com um pequeno sorriso nos lábios fartos.

— Hm... sim. — o mais novo falou correspondendo ao sorriso.

— Certo. Eu não queria falar nada, afinal quem sou eu para falar, mas que gosto peculiar sua família tem, ein. — comentou o menor olhando para a casa.

— Por quê? — mesmo já sabendo o motivo, Namjoon perguntou.

— Verde? Sério? — a surpresa estava estampada na face de Seokjin.

— Sim, sério. E não fala desse jeito perto da minha mãe, ela gosta muito dessa cor. — falando em tom de aviso Namjoon começou a avançar para dentro do quintal.

— Tá certo. Gosto é gosto. Mas eu não vou permitir que a cor da nossa futura casa seja verde. — disse o Kim mais velho caminhando lado a lado com Namjoon.

— Se por um acaso isso vir a acontecer. A futura casa vai ser de madeira e na praia de preferência. — comentou o mais alto, parando de frente com a porta, olhando para trás esperando por Seokjin que estava estático. — Você vai ficar aí servindo de decoração ou vai entrar?

— Hum... eu posso imaginar uma casa dessas com a parte de trás dela dando direito para a praia. Também posso imaginar crianças e dois cachorros correndo livremente. — Seokjin naquele momento tinha uma expressão tão amorosa em sua face, que Namjoon não pode evitar de sentir-se corar.

— Você é um fanfiqueiro, Seokjin. Tenho pena da pessoa que se casar com você. — Namjoon tentou disfarçar o rubor que pintava lindamente sua pele, desviando o olhar para a porta.

— A pessoa que se casar comigo vai ser extremamente feliz e amada. Daquelas que acorda com massagem, beijo e café na cama. — o mais velho falava e ao mesmo tempo olhava docemente para o mais novo que estava pronto para se jogar no arbusto mais próximo.

— Eu espero que ela te jogue para fora da cama por você acordar ela. — resmungou Namjoon. — Massagem, beijo e café na cama não compensa o crime de você acordar alguém.

Seokjin parecia estar pronto para dar outra resposta para Namjoon, mas o mais alto, pressentindo que morreria de vergonha se isso acontecesse. Levou o punho até a porta e deu três leves batidas na esperança dos pais aparecerem logo e livrar ele da morte prematura que teria tamanha era sua timidez e vergonha.

Felizmente, a porta foi rapidamente aberta, e um homem alto e forte assim como ele, com praticamente todos os seus traços, apareceu.

— Filhote! — exclamou o pai choramingando enquanto puxava o filho para um abraço de urso.

— Oi papai... — sussurrou Namjoon correspondendo o abraço do pai um pouco desajeitado por causa das sacolas em suas mãos.

— Faz tanto tempo que eu não te vejo — a figura paterna distanciou-se e analisou o filho da cabeça até os pés. — Você emagreceu, Joon. — resmungou com um bico nos lábios. — Ainda bem que eu fiz bastante comida, hoje você vai engordar todos os quilos que perdeu.

Namjoon apenas suspirou prevendo o pai pegando em seu pé para comer. Escutando uma tímida risada em suas costas, ele finalmente lembrou-se da existência de Seokjin.

— Oh, certo... — murmurando, ele atraiu a atenção do progenitor para o Kim mais velho que ficou tenso com a atenção do pai do maior. — Esse aqui é Kim Seokjin. Meu colega de quarto.

— Então ele é seu colega de quarto? — questionou o mais velho analisando o menor. — Você não reparou que ele tava perdendo peso não?

— Pai pelo amor de Deus... ele é meu colega de quarto não minha bab... — antes que ele completasse a frase, Seokjin se pronunciou, interrompendo Namjoon.

— Reparei sim. E até comecei a cozinha pra ele. Mas ele é um teimoso, senhor Kim. — respondeu Seokjin, cruzando os braços em frente ao corpo.

Tá reparando no meu filho, por quê? — questionou o homem mais velho, cruzando também os braços em frente ao corpo.

— Com todo respeito ao senhor, mas é impossível não reparar em vosso filho. — respondeu Seokjin adquirindo um vocabulário bem formal, até então desconhecido para Namjoon.

— Aí minha virgem... —resmungou Namjoon pronto para ter um ataque na frente daqueles dois.

— Tudo bem reparar, é perfeito mesmo fui eu que fiz, agora se tocar nele é outra história. — disse o homem mais velho, lançando um olhar ameaçador para Seokjin.

— Tá certo, eu nunca tocaria nele — respondeu Seokjin. Quando o homem mais velho desviou a atenção para o filho, o menor completou murmurando baixinho para si mesmo. — Mas isso não significa que ele não possa me tocar.

O pai e filho assustadoramente sincronizados viraram para Seokjin ao mesmo tempo e semicerrou os olhos analisando ele. Dava para ver o pomo de adão dele se movendo enquanto ele engolia em seco.

— Você disse alguma coisa? — perguntou o homem mais velho.

— Não. — respondeu Seokjin com os olhos levemente arregalados negando até mesmo com o auxílio da cabeça.

— Foi o que eu pensei. — falou o pai de Namjoon olhando desconfiado para o colega do filho. — Vamos entrar... — ele então olhou para o filho. — Sua mãe está no quintal dos fundos com seus tios.

— E minha irmã? — perguntou Namjoon.

— Escondida dentro do quarto dela — o pai suspirou. — ela entrou numa onda dos jovens e acha que ser emo hoje em dia é legal. Espero que você converse com ela e explique que deixou de ser legal em dois mil e dez.

— Eu entendo o que o senhor está passando. — falou Seokjin com uma feição séria. — Eu tenho um amigo que está passando pela mesma fase. Posso garantir que absolutamente ninguém suporta mais.

— Minhas condolências. — solidarizou-se o homem mais velho, se sentindo um pouco mais empático com o rapaz amigo de seu filho. — Imagino como deve ser difícil alguém que fica usando preto, trancado no quarto, ouvindo paramore, Amy Lee, arctic monkeys, usando aquelas correntes, harness... tsk... tsk... me sinto envergonhado só de imaginar minha filha assim.

Seokjin a todo momento concordava com a cabeça, no entanto, quando ele escutou o homem mais velho falando sobre harness, ele congelou no lugar, com lembranças de uma festa que rolou no clube e os meninos fizeram Namjoon vestir um desses acessório em suas coxas. Ele nunca esqueceria daquelas coxas pecaminosas em harness desfilando por todo o salão.

Namjoon a todo momento em silêncio analisava seu pai e Seokjin. Então, ele não pode evitar de acompanhar a pele do rapaz lentamente sendo pintada pelo vermelho. Subindo de seu pescoço até suas orelhas. Ele até pensou em questionar o porquê de todo aquele constrangimento, todavia, sua mãe apareceu.

— Vocês vão demorar muito pra entrar?

Os três homens parados na porta, simultaneamente viraram suas cabeças na direção dela, encontrando a mesma parada a poucos metros deles, com um copo transparente em mãos e dentro dele continha um líquido amarelo.

— Já estávamos entrando querida. — respondeu o marido sorrindo adoravelmente. — Eu só estava conhecendo o colega de nosso filho.

Com a menção de Seokjin, a mulher mirou seus olhos nele e, analisou ele da cabeça aos pés, balançando a cabeça em aprovação. Em seguida voltou sua atenção para Namjoon.

— Você não vai dar um abraço na sua mãe não? — indagou ela arqueando a sobrancelha.

Namjoon apenas olhou confuso para a mulher, dando em seguida passos hesitantes em direção a ela.

Até onde ele se lembrava, sua mãe não era muito de abraços, diferente de seu pai que se recusava a desgrudar dele.

— Hum... claro. — ele falou contrariado e surpreso.

Calmamente ele caminhou até a mulher e se abaixou um pouco desengonçado, circulando seus braços até a cintura dela, tomando cuidado para não derrubar o copo nas mãos dela. Obviamente, o dia não poderia ser exatamente perfeito para Namjoon, pois quando sua mãe foi abraçar seu pescoço o copo virou e molhou sua camisa, deixando o cheiro insuportável da cerveja lentamente subindo por todo o ambiente.

— Mãe! — choramingou ele sentindo o gelado da bebida tocando sua pele.

— Que culpa eu tenho? — perguntou a mulher na defensiva.

— Ai meus céus! Agora eu vou ficar fedendo a cerveja. — ele esbravejou com indignação.

— Para de reclamar e sobe logo pra tomar um banho, oras. — reclamou a mulher com as mãos na cintura também indignada.

Ele apenas se distancia da figura materna e resmungando subiu as escadas.

— Me espera! — falou Seokjin pronto para ir atras dele.

— Aonde pensa que vai? — perguntou o pai de Namjoon segurando o amigo do filho pela blusa.

— Ir com Namjoon? — respondeu o rapaz com outra pergunta, olhando inocentemente para os pais do rapaz que ele jurava estar apaixonado.

— Não... você vai ficar aqui embaixo com a gente. — falou a mãe sorrindo dando as costas em seguida.

Seokjin apenas olhou para as escadas na esperança de Namjoon estar ali esperando por ele, antes de ser arrastado pelos pais muito animados para voltar para churrasco.

[...]

Antes de entrar dentro do banheiro, Namjoon passou pelo seu quarto deixando as sacolas lá dentro, não reparando muito se seus pais tinham movido ou se algo estava fora do lugar. Naquele momento ele estava mais preocupado com o cheiro da cerveja grudando nele, do que em reviver memórias antigas.

Dentro do banheiro, retirou rapidamente as peças de roupa, começando pela camisa que já grudou em seu corpo e se jogou para dentro do box ligando o chuveiro.

Normalmente, ele perdia muito tempo dentro do chuveiro pensando, contudo, dessa vez ele tomou seu banho rapidamente. Desaparecendo apenas com o fedor insuportável da cerveja.

Terminado de tomar banho e se secando, amarrou a toalha na cintura e, colocando a cabeça para fora do banheiro, tentou ver alguma movimentação no corredor não encontrando ninguém. Saindo do cômodo se dirigiu à porta decorada com um poster da Cindy Lauper em seus anos de ouro, entrando em seguida.

Dentro de seu quarto, vestiu uma boxer limpa, bermuda e uma camiseta preta encontradas dentro da cômoda, se surpreendendo por elas estarem um pouco largas. Até que seu pai e Seokjin tinham razão em dizer que ele estava perdendo peso. Talvez, devesse começar uma academia ou apenas fazer alguns exercícios para ganhar músculo.

Saindo do quarto e caminhando pelo corredor, ele interrompeu seus passos, quando chegou próximo da porta do quarto de sua irmã mais nova.

Namjoon ponderou se deveria bater na porta daquele quarto e incomodar sua irmã. O máximo de ruim que poderia acontecer de grave, seria a menina morder sua canela, porque ela não era lá muito alta. E felizmente ele tinha trazido para casa um médico. Então Yoojung poderia livremente mordê-lo ou talvez o socar, mas do tamanho que ela era, nem deveria doer um soco dela.

Batendo na porta, ele ficou parado esperando a irmã aparecer, quando ela não apareceu, ele bateu novamente, dessa vez com um pouco mais de força e, novamente a garota não apareceu. Um pouco irritado, pelo fato de que com certeza sua irmã estava ignorando, ele começou a bater na porta sem parar. E isso funcionou, porque logo o trinco da porta estava virando, e a cabeleira castanha de sua irmã apareceu.

— Yoojung, já faz tanto tempo desde a última vez que eu te vi. E você não cresceu nada. Vem dar um abraço no seu irmãozão. — ele falou de maneira irritante abrindo os braços.

— O que você quer? — perguntou a menina grosseiramente.

— Não sei. Talvez, quem sabe, conversar com a minha irmãzinha, se possível... — respondeu ele de maneira sarcástica.

— Não quero falar com você. — disse ela, pronta para fechar a porta na cara dele.

— Poxa... não quer ver o presente que eu comprei pra você? — indagou ele, confiante de que ela sairia do quarto. Yoojung nunca negou presente.

— Não. — ela falou, voltando para o quarto e fechando a porta com força.

Sozinho no corredor, ele por um momento ficou estático, olhando para a porta e se perguntando onde estava sua irmãzinha e quem era aquela monstra grosseira e mal educada.

Cabisbaixo por não receber a reação esperada por parte da sua irmã, ele desceu as escadas arrastando o pé. Chegando até o fundo do quintal depois de atravessar a porta da cozinha, logo que colocou a cabeça para o lado de fora se deparou com toda sua família — incluindo seus pais, tios e primos — em torno de Seokjin.

Por um momento ele ficou parado considerando se salvava o outro de toda a atenção que estava recebendo de sua família, ou se dava às costas, e deixava o mais velho sofrer mais um pouquinho enquanto ele tentava melhorar o seu estado de espírito que naquele momento estava péssimo. Não demorou muito para que ele decidisse dar as costas e voltar para a cozinha, contudo, assim que ele estava se virando, um de seus tios favoritos olhou em sua direção fazendo contato direito com seus olhos.

Apesar de não ser muito religioso, ele rezou para que qualquer divindade que escutasse, fosse gentil com ele e impedisse seu tio de anunciar sua chegada, no entanto, apesar de ser quase natal... as divindades não gostavam muito dele, pois, assim que os olhos de seu tio miraram nele... os lábios do homem baixinho e visivelmente mais velho se partiram e as seguintes palavras deixaram sua boca:

— Ora se não é o nosso namoradeiro dando as caras, finalmente! — exclamou o homem levantando o copo de cerveja.

Todos os familiares de Namjoon na hora desviaram os olhos e atenção de Seokjin para ele. Tudo o que ele conseguiu fazer foi fechar seus olhos e mentalmente dizer "puta que pariu".

Quando ele abriu seus olhos novamente, um de seus tios já estava próximo de seu corpo e, quando se aproximou o suficiente, agarrou o braço de Namjoon, arrastando-o para dentro do aglomerado de pessoas e consequentemente para perto de Seokjin.

— Eles fazem um casal bonito, né docinho? — falou sua tia enquanto cutucava um de seus tios que estava com uma latinha de cerveja na mão.

— Namjoon sempre foi o mais inteligente. Conseguiu um namorado médico e ainda por cima bonito, por outro lado certas pessoas... — comentou sua outra tia alfinetando a filha, que estava sentada um pouco distante junto do namorado.

— Mãe! Se você tem algo para dizer, fala na cara! — gritou sua prima pronta para começar uma discussão com a mãe.

— Ignorem elas. — falou o tio de Namjoon olhando para Seokjin. — Já que você é médico e já te considero da família, que tal dar uma olhada na minha coluna? Ando sentindo umas dores ultimamente.

— Querido! — exclamou a esposa dele ultrajada segurando um bebê de colo. — Se não for muito incômodo, poderia também dar uma olhada no meu bebê? Ele anda tendo umas tosses secas e eu tô tão preocupada.

— Vocês são todos um bando de sem-vergonhas! — gritou uma senhora idosa, que logo Namjoon reconheceu como sua avó paterna. — Meu neto nunca traz um namorado pra casa, e quando esse milagre acontece, vocês ficam iguais uns urubus em cima pedindo as coisas.

Naquele momento todos os presentes, exceto Namjoon, Seokjin e os pais de Namjoon, olharam indignados e envergonhados para a idosa, que estava pronta para expulsar todas aquelas pessoas da residência de seu filho preferido.

Aproveitando o silêncio, Namjoon encontrou uma brecha para esclarecer a coisas e logo disse:

— Ele não é meu namorado! Somos colegas. No máximo amigo. Parem agora mesmo de tirar conclusões precipitadas e se quiserem uma consulta vão até um médico. Ele não está aqui exercendo a profissão. — falou Namjoon irritado com os braços cruzado e batendo um dos pés do chão.

— Não fala como se você soubesse o dia de amanhã, Namjoon! — falou sua mãe, indignada com a probabilidade de perder o futuro genro médico.

— Meu filho está mais do que certo. Eles são só amigos. Parem de forçar a barra. — pronunciou-se o pai incomodado com a ideia de ser filho entrar em um relacionamento.

— Você quer que seu filho morra solteiro? — perguntou a esposa demonstrando sinais de irritação.

O pai de Namjoon estava prestes a responder, mas seu irmão mais velho foi mais rápido e logo sua voz se fez presente para aquele aglomerado de pessoas.

— Meu sobrinho passa o ano todo na faculdade. A gente passa o ano todo trabalhando. E quando todo mundo se reúne é pra discutir sobre quem ele tá comendo ou tá comendo-o? Vocês não têm vergonha não!? — o homem alterado batia a garrafa de whisky repetidas vezes na mesa. Todos ao redor estavam extremamente preocupados com a segurança da garrafa.

— O que você quer dizer com comendo ele? Meu sobrinho é ativo. — falou sua tia encrenqueira deixando a filha de lado.

— Namjoon é passivo, esse garoto não me engana, tá no dna da nossa família! — refutou sua tia que estava com o bebê no colo.

— Você nem é da família. Só consideramos porque se casou com meu irmão. Por acaso está insinuando que meu irmão é passivo? Se ele é tão passivo assim... foi ele que pariu esse bebê? — a mulher atirava pergunta atrás de pergunta na cunhada.

— Teu irmão me dá muito o cu dele sim, e eu não precisei implorar muito não, e eu te garanto uma coisa... ele gosta — falou a mulher convicta olhando de maneira hostil e debochada pra cunhada.

— Como assim o meu irmão dá o.... — antes que a mulher terminasse de falar, Namjoon deixou de prestar atenção na discussão das duas e mirou seus olhos em Seokjin, que estava sentado já olhando para ele segurando a risada.

— Do que você tá rindo, palhaço? — indagou Namjoon constrangido.

— Sua família é tão animada. Queria que a minha fosse assim também. — o sorriso em seus lábios desapareceu e deu lugar a uma expressão triste. Namjoon quando viu o sorriso desaparecer para dar lugar para a tristeza, ficou desesperado em busca de alguma coisa para tirar aquela expressão. Felizmente, um de seus tios apareceu com duas garrafinhas de long neck apartando a briga das duas moças e chamando a atenção dos dois rapazes.

— Chega com essas brigas. Hoje é véspera de natal e não podemos dar espaço pra desavenças. Quem dá e quem come não tem nada a ver com a gente. E se o Namjoon e eu queremos dar o cu ou comer, é problema nosso e não de vocês. — Terminando o discurso, ele entregou uma das garrafinhas para sua irmã briguenta, sua esposa e as outras duas para Namjoon e Seokjin.

[...]

Depois daquela discussão boba entre suas tias, Namjoon já tinha perdido a esperança e o espírito do natal. A única coisa que tinha acontecido foi a cerveja gratuita e gelada que estava tomando, porque do resto estava tudo insatisfatório para ele. Contrário à Seokjin que estava a todo momento com um sorriso nos lábios e estava engajado em conversar com absolutamente todos os parentes de Namjoon, tendo até mesmo, aceitado examinar o tio e o bebezinho que estava com a tosse seca.

A irmã de Namjoon durante toda a tarde não apareceu. Nem mesmo com o cheiro da carne do churrasco, apelo de todos os parentes e promessas de bons presentes, foram o suficiente para retirar aquela garota do quarto.

Durante a tarde quando estavam boa parte das pessoas bêbadas e algumas jogadas em superfícies macias dormindo, a prima de Namjoon apareceu. Ela era visivelmente mais baixa que ele, contudo, quando ela foi cumprimentar ele com um aperto de mãos, foi perceptível para todos o rapaz mais alto fazendo uma expressão de dor.

Seokjin na hora ficou preocupado com a força daquela garota, para fazer surgir no rosto futuro pai de seus filhos, uma careta. Mais tarde naquela noite ele descobriu que era lutadora de mma.

A melhor parte em passar o natal em família era o fato de que todos os parentes de Namjoon tinham ideias e pensamentos diferentes. Brigas eram comuns e reconciliações que surgiam segundos depois também eram. Todos ali tinham consciência de que apesar de não se suportarem eles tinham que se aturar ou podiam surtar, mas o surto teria que acontecer num lugar bem distante, para não perturbar a paz da avó de Namjoon que odiava brigas em sua família. As risadas constantes também aumentavam o astral e até mesmo o rapaz mais alto se rendia a elas.

Histórias e curiosidades aleatórias era algo que todos os mais velhos compartilhavam.

As melhores histórias obviamente eram sobre a infância de cada um deles.

Absolutamente ninguém presente conseguiu manter uma expressão fechada quando o tio por parte de pai do Kim contou a história de quando a avó discutiu e deu uns tapas na vizinha, pela mulher ter espalhado para todos da vizinhança, sobre o pai de Namjoon sair a noite de casa vestindo roupas femininas e perucas. Assim como ele emendou que anos mais tarde aconteceu a mesma coisa, mas dessa vez era o marido da mulher, que saiu espalhando para todos os amigos do bairro sobre Namjoon encostar e beijar garotos no muro de sua casa despreocupadamente.

Nesse momento quando o homem contou a parte de Namjoon, os olhos de Seokjin brilharam enquanto ele olhava para o rapaz mais novo.

O Kim mais novo provavelmente estava virando um especialista em Seokjin, pois assim que ele viu o brilho naqueles olhos ele logo murmurou apenas para que o mais velho escutasse:

— Pode tirar o cavalinho da chuva. Eu absolutamente nunca vou te encostar no muro de casa e te beijar. Eu era um adolescente hormonal e achava legal ficar expondo minha vida privada.

Seokjin nada respondeu, ele apenas suspirou e em seus lábios surgiu um biquinho, que foi notado por todos ao redor, fazendo com seus olhares seguissem até Namjoon e em uníssono suas sobrancelhas arquearam como se questionasse se ele estava em seu mais perfeito juízo. O rapaz apenas virou o rosto e fingiu que não era ele, dando por encerrado o assunto.

Com o tempo passando rápido, logo chegou a hora deles trocarem presentes.

Namjoon pegou a sacola dos pais e deixou a sacola de sua irmã para entregar mais tarde. Seu pai e sua mãe soltaram um grito quando receberam seus respectivos presentes. O pai dele sabia o quanto aquelas maquiagens eram boas e absurdamente caras, então receber um kit com boa parte delas, fez com que ele abraçasse a caixa e começasse a tratar com seu maior tesouro. A mãe de Namjoon não teve uma reação muito diferente quando encontrou a pulseira de sua saga favorita. Só os céus sabiam o quanto ela estava reunindo de coragem para comprar essa pulseira sem se julgar e sentir-se como uma criança. Então, recebê-la de seu filho era sua maior benção, pois quem seria o idiota que rejeitaria o presente dado pelo seu próprio filho?

Com todos os presentes trocando presente, Seokjin permaneceu em silêncio observando e assim que os ânimos se acalmaram, ele se dirigiu até sua bolsa pegando-a e retirando de dentro dela duas pequenas caixinhas de presente.

Timidamente ele andou em direção aos pais do rapaz mais novo e limpando a garganta atraiu a atenção dos progenitores e consequentemente de todos os presentes na sala. Namjoon atentamente observava junto de seus parentes, e quando seus olhos capturaram o rubor que crescia em sua face e dominava as pontas da orelha, um sorriso cruzou sua face salientando as covinhas presente em suas bochechas.

— Não é tão especial quanto todos os outros presentes... eu espero que vocês gostem, mas se não gostarem tudo bem, eu realmente não sabia o que dar e não queria aparecer de mãos vazias..., se ano que vem eu for convidado novamente, prometo voltar com algo melhor — enquanto ele divagava os pais de Namjoon abriram os presente e os olhos da progenitora brilharam ao ver o que tinha dentro de sua caixinha e dentro da caixinha nas mãos de seu marido. Em suas mãos eram convites para jantar no restaurante que apenas magnatas extremamente ricos comiam e nas mãos de seu marido convites para o maior spa de luxo da cidade, esse que as socialites que ela via na televisão frequentemente visitavam.

Naquele momento os olhos da mulher brilharam ficando marejados e ela segurou as mãos de Seokjin falando:

— Como diabos a sogra não ia ficar satisfeita com um presente partido das mãos desse genro? E como assim não ser convidado ano que vem? Definitivamente você está convidado para todas as comemorações dessa família — Namjoon e seu pai que observavam aquela repentina união, estavam de queixos caídos. O pai dele por ter uma esposa tão vendida a ponto de estar dando seu cristal apenas por ter recebido alguns convites para uns lugares que apenas ricos frequentavam. E Namjoon por ter escutado a palavra sogra e genro na mesma frase, e sendo dita por sua mãe, para o rapaz que ele estava fugindo dos avanços, enquanto sentia uma confusão de sentimentos e, estava começando a considerar se na verdade ele deveria ou não parar de negar todos eles.

Todos os outros presentes na sala, olhavam para Seokjin e estavam considerando se o salários de um médico era tão bom assim ou esse rapaz na verdade era extremamente rico, e Namjoon sentou no pote de ouro de algum maldito leprechaun, que na verdade nada mais era do que uma analogia ao pau de um cara extremamente rico e estavam todos censurando seus pensamentos por respeito.

De maneira geral, todos concordaram que Kim Seokjin era absurdamente rico, e Namjoon era um homem muito honesto e merecia tudo o que receberia desse cara, por não ter se entregado ao saber o dinheiro que ele tinha. Porque qualquer outra pessoa naquela sala teria se ajoelhado para rezar no primeiro encontro entre eles.

[...]

Após o presente espetacular de Seokjin, o pessoal ficou mais um tempo na sala, mas, logo todos começaram a se dirigir ao local que iriam dormir. Grande parte das pessoas em colchões espalhados pelo chão da sala.

Namjoon e Seokjin não ficaram muito tempo na sala, com a liderança de Namjoon em silêncio eles seguiram até o quarto dele.

Deixando um Seokjin quieto em seu quarto, o mais alto foi até o banheiro e tomou um banho rápido, quando ele voltou para o quarto encontrou o mais velho para de frente quando a janela aberta de seu quarto olhando para a luz da lua.

O mais novo não conseguiu impedir seu corpo de congelar no lugar, enquanto ele observava o perfil bonito da face do outro sendo iluminado pela luz. Por mais clichê que aquela cena fosse, ninguém no mundo e na literatura seria tão bonito quanto Seokjin para conseguir superar a visão que Namjoon estava tendo.

Engolindo em seco, ele saiu daquele estranho transe e caminhou para dentro do quarto, atraindo a atenção do mais velho.

— Está com essa cara de idiota por quê? — questionou Namjoon ainda abalado pela vista que ele teve.

— Só estava pensando no quanto é divertido passar o natal em família. — respondeu Seokjin deixando sua expressão séria ser quebrado por um pequeno sorriso em seus lábios.

— Não é tão divertido assim quando todo ano é a mesma coisa — respondeu Namjoon suspirando.

— Ainda assim eu gostei da experiência — naquele momento o sorriso nos lábios de Seokjin aumentaram mais um pouco. — Sabe eu achava que o natal seria chato como o meu aniversário. Mas em um único dia você fez meu dezembro valer a pena.

— Quando é seu aniversário? — perguntou Namjoon tentando não demonstrar muitos sentimentos desnecessário por ter escutado Seokjin falar que deu dezembro tinha válido a pena.

— Hum? Meu aniversário foi dia quatro deste mês. — quando Seokjin confuso respondeu, Namjoon deu um passo adiante.

— Repete o que você disse.

— Quatro de dezembro? — respondeu Seokjin confuso com a comoção por parte de Namjoon.

— Por que é que eu não sabia que seu aniversário era esse mês? Kim Seokjin! Você, seu idiota, por que não me falou? Por que ninguém comemorou? Ou vocês comemoraram e não me chamaram? — a cada pergunta que saia da boca de Namjoon o rosto do mais velho se demonstrava mais confuso.

— Na verdade a gente não comemorou porque eu não ligo muito. Na minha família nós nunca comemoramos aniversário. Não acho que seja algo tão importante assim. — quando as últimas palavras deixaram os lábios de Seokjin os queixou do mais novo caiu tamanha era sua indignação.

— Como assim não é importante?! Não foi você que insistiu que deveríamos comemorar o meu? Por que agora o seu não tem importância? Eu juro que vou te dar um soco se você falar novamente que o dia em que você nasceu não é importante. meu deus você é muito idiota. — quanto mais Namjoon falava mais ele ficava com raiva e seu tom de voz aumentava, até que diminuiu quando ele se tocou que de falasse muito alto toda sua família escutaria. — Eu poderia pelo menos ter te dado um presente. — ele falou por fim com uma expressão derrotada em sua face.

Em silêncio ele considerou se deveria fazer aquilo ou não. Suas barreiras estavam erguidas e sua consciência gritava para que ele corresse ou pelo menos desse apenas um abraço de felicitações. Mas o coração que era apenas um órgão, se fez presente igual na literatura e falou mais alto. No caso bateu mais alto bombeando uma grande quantidade de sangue.

— Eu vou te dar um presente que confortando sendo você quem vai receber, provavelmente vai ficar se vangloriando durante o ano todo. — Seokjin curioso com esse presente teve seus olhos brilhando igual a duas pedras preciosas e ficou estático na espera desse presente.

Lambendo os lábios, Namjoon, então, deixando para trás todos os seus julgamentos e repreensões, além, é claro, de seu senso, também ignorando sua consciência que implorava para que ele não fizesse o que pretendia fazer, deu um passo para frente, deixando seu corpo ainda mais próximo do de Seokjin e, em seguida, deu mais um e depois outro. Ele deu todos os passos possíveis, até que o espaço pessoal entre eles deixasse de existir e surgisse um novo espaço. O espaço deles.

Seus corpos estavam tão próximos, que o ar que soltavam por entre seus lábios, se misturavam e se confundiam, deixando de ser a respiração de Namjoon e a de Seokjin.

Pela primeira vez ele olhou dentro dos olhos do homem mais velho e enxergou coisas que ele não estava tão interessado antes. O brilho estava lá, segredos não contados também estavam, palavras não ditas e principalmente um lado não mostrado, estavam lá ocultos, esperam para serem descobertos. Em algum momento mais tarde, ele pretendia conhecer e descobrir sobre todos eles, mas agora, não era tempo para conversas. Eles dois já conversaram o suficiente. Aquele momento era hora de atitudes. E foi isso que Namjoon tomou.

Levando suas mãos até a bochecha corada e macia e a outra até a nuca — que quando tocada teve os curtos fios arrepiados —, fazendo um leve carinho na bochecha. Acariciar esse que foi bem recebido por Seokjin, que fechou os olhos e acomodou seu rosto na mão de Namjoon.

Quando Namjoon viu o menor tão entregue em suas mãos, sentiu um tremor percorrer por todo o seu corpo e, seu coração acelerou como um descontrolado, bombeando sangue por todo o seu corpo.

Molhando os lábios, o mais novo aproximou ainda mais seus rostos e, acariciou o nariz do mais velho com o seu. Suas bochechas lentamente estavam ficando tingidas pelo carmesim.

— Jin... Seokjin... hyung... — ele chamou com o tom de voz grave e rouco, recebendo como resposta um grunhido emitido por Seokjin. — Eu posso...

Ele não completou sua sentença, se sentindo constrangido por proferir a palavra "beijo" e acabar tornando aquele momento ainda mais real. Infelizmente, para ele, Seokjin não estava disposto a colaborar.

— Você pode...? — indagou o mais velho, levando discretamente uma de suas mãos até a cintura de Namjoon e, deitando um pouco mais a cabeça para o lado, ajustando o ângulo de seus lábios.

— Você sabe muito bem o quê... — resmungou Namjoon, olhando para os lábios de Seokjin e, interrompendo o carinho na bochecha, quebrando quase que totalmente a distância, deixando seus lábios quase tocando-se.

— Hum... eu não sei não... — sussurrou o menor suavemente, prendendo o sorriso que estava pronto para se formar em seus lábios.

— Imbecil... — resmungou Namjoon quebrando finalmente a distância de seus lábios, encostando os seus nos lábios macios de Seokjin.

O primeiro contato foi melhor do que o esperado por Namjoon. Todas as vezes em que ele beijou, sempre o primeiro contato era estranho e atrapalhado, no entanto, surpreendente, o encaixe foi perfeito. Em sua mente, uma confusão de sentimentos e pensamentos, estavam alojados. Ele não sabia de elogiava a habilidade de Seokjin com os lábios ou se especulava quantas pessoas ele já tinha beijado para ser tão bom.

Quando ele estava prestes a divagar mentalmente sobre as habilidades do menor em beijar, ele sentiu a mão em sua cintura ficar pesada e apertar levemente a carne daquela área, atraindo sua atenção total para aquele momento e deixando sua mente em branco. Retomando a consciência, ele estava pronto para se distanciar daqueles lábios macios, para questionar dá onde tinha surgido aquela mão, entretanto, ele sentiu uma lufada de ar deixar as narinas do mais velho e um sorrindo se formando em seus lábios.

O sorriso logo se transformou em uma risada, fazendo com que seus lábios tomassem distância e deixassem um Namjoon indignado.

— Desculpa... Joonie..., mas é que... — murmurou Seokjin ofegante e dando risada. — Eu consigo escutar seus pensamentos. Não literalmente, mas eu sinto que você está pensando enquanto a gente está se beijando... — justificou o mais velho entre as risadas. — É tão entediante assim me beijar?

— Não! — respondeu Namjoon rapidamente, sentindo-se corar com a velocidade em que veio a resposta. — Não é entediante te beijar...

— E ainda assim eu não consigo te tirar dos teus pensamentos — falou o mais velho suavemente, olhando com carinho para Namjoon.

— O meu Deus — gemeu Namjoon frustrado. — Nunca ninguém me tirou dos meus pensamentos. Eu gosto de pensar. Meu cérebro está funcionando em todos os momentos.

— Te tiraram dos teus pensamentos na segunda vez? — questionou o menor com um novo brilho nos olhos.

— Não. Nunca. — resmungou o mais novo.

— Pois então eu vou — falou Seokjin, decidido, impedindo que Namjoon respondesse, chocando seus lábios novamente.

Dessa vez o toque dos lábios foi um pouco mais agressivo, mas não para machucar ou causar desconforto. Esse novo beijo transmitia certeza e confiança.

As mãos de Seokjin estavam uma na cintura e a outra na nuca. Os lábios que estavam secos entreabriram-se e a língua de Seokjin encontrou-se com a de Namjoon, emitindo um gemido em ambas as partes.

Contrário ao desejado pelo mais velho, Namjoon não tinha sido retirado de sua mente, contudo, seus pensamentos estavam divididos entre gracejos e repetidas orações para que outras partes de seu corpo não decidissem se fazer presente com apenas um beijo. Namjoon não sabia o que se passava na mente do outro rapaz, mas com certeza ele percebeu que o mais novo estava se perdendo em seus pensamentos novamente, pois, as mãos que estava na cintura adentraram a camiseta e começou a explorar a pele lisa e macia de seu abdômen, deixando o maior ofegante, enquanto a pele por onde os rastros daquela mão passava ficava arrepiada e queimando com a memória daquela pegada forte.

Pronto para aprofundar ainda mais aquele beijo, Namjoon puxou os curtos fios da nuca do mais velho, arrancando um gemido dele, e julgando como um incentivo, levou uma se suas pernas por entre as pernas do mais velho. Entretanto, Seokjin quebrou o beijo e se distanciou um pouco, deixando um Namjoon ofegante e com os olhos vidrados, pronto para fazer algo que se arrependeria mais tarde.

O mais novo, estava decidido a perseguir os lábios do menor, contudo, o mais velho colocou um dedo em seus lábios impedindo.

— Sim... eu sei, amor — murmurou Seokjin suavemente, olhando carinhosamente para Namjoon, que estava pronto para protestar com indignação. — Eu sei..., mas você não está pronto para isso... e nem eu...

Namjoon, irritado e desapontado abriu os lábios para xingar o mais velho, no entanto, Seokjin aproximou seus rostos novamente, fazendo com que ele engolisse suas palavras na expectativas e ter aqueles lábios nos seus novamente, mas Seokjin ao invés dos lábios, beijou a bochecha de Namjoon, bem em cima da onde estavam as covinhas e arrastou os lábios até o lóbulo da orelha, depositando outro beijo ali, em seguida entreabriu os lábios e, com o hálito quente, sussurrou no ouvido de Namjoon:

— Obrigado por ser a melhor coisa que me aconteceu esse ano. 

 


Notas Finais


Obrigada você que chegou até aqui. Até a próxima.


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