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História Veux moi (Me queira) - short fic - Capítulo 4


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Notas do Autor


Neste uma aulinha sobre harmonização e um pouco mais desse universo encantador dos vinhos.
Melhor professora villanelle Claro... kkk

Capítulo 4 - Enologa


Fanfic / Fanfiction Veux moi (Me queira) - short fic - Capítulo 4 - Enologa

O dia amanheceu claro e com poucas nuvens no céu, Eve acordou bem cedo,sentada na cama pensou se deveria realmente fazer aquilo, por fim, suspirou pensando que não tinha nada a perder além de um pouco de orgulho, levantou-se e começou a se arrumar,antes fez uma pequena refeição com frutas e iogurte. Não sabia ao certo o que vestir, acabou por escolher um calça em tom salmão, uma blusa preta com estampa florida e um chapéu claro com um laço preto, sorriu para o espelho pensando que parecia um look alegre e amigável, finalizou seu preparo com uma maquiagem simples, porém, com um batom vermelho bem marcado; encarou seu reflexo uma última vez, pôs os óculos escuro e saiu do quarto.



Estacionou exatamente às 8 horas da manhã em frente ao letreiro da vinícola LaVillanelle. Encontrou a loira encostada na entrada com um sorriso satisfeito em lábios num tom de batom nude, usava roupas parecidas ao dia anterior, todavia agora sua blusa era azul escuro, estava com as mangas dobradas até os cotovelos. Eve se aproximou porém, não disse nada.



-Bonjour, Madame -Villanelle analisava Eve de cima até embaixo. 



-Bonjour, Villanelle-. Eve foi mais direta que a loira.



–Fico feliz que tenha aceitado meu convite. 



-Como sabia onde eu estava hospedada?-Perguntou curiosa.



-Não é difícil saber onde uma pessoa como você se hospeda. Villanelle ofereceu o braço para a morena que, apesar de não completamente convencida, o aceitou, segurando-o.


 – O Pinot Noir estava de seu agrado?


-Estava, parabéns pela escolha. -  Admitiu a mulher enquanto, as duas adentravam na vinícola guiadas por villanelle. 


- O que preciso para poder comprar um vinho seu?


-Não pode ter pressa, um vinho precisa ser degustado, apreciado e valorizado... como as mulheres –. Eve arqueou a sombrancelha interessada na escolha de palavras da loira.


Seguiram por um corredor amplo, posicionado lateralmente.



- Não tenho tempo, Villanelle. 


- Você vive sem tempo, Eve -Sorriu. –Quanto tempo você ficará em Bordeaux?



-Três dias. É o suficiente para comprar seu vinho, Miss Astankova? - Começaram a descer uma escada rústica ainda de braços dados. Villanelle parecia ter um ar descontraído.


-Será o suficiente, Miss Park, preciso de você aqui todas as manhãs que lhe restam. 



-Não quero passar todos meus últimos dias em Bordeaux escolhendo um vinho, Villanelle.- A mulher respondeu sobressaltada. 



-Prometo ser uma aventura, tanto quanto o que poderia ver pela cidade -A loira parou de frente a uma grande porta de madeira decorada e puxou uma chave negra de seu bolso. E não passará o dia inteiro, apenas poderei atendê-la pela manhã. De tarde está livre para fazer o que quiser, Eve. 



-Tudo bem, Villanelle, eu aceito mas, se você estiver me enrolando, vou embora sem comprar vinho algum. 



-Eu sabia que aceitaria.- Sorriu indicando para que entrassem no recinto.


O lugar era um misto de pedras antigas e madeira, um corredor era a primeira vista que Eve obteve do local. O teto alto, prateleiras de madeira escuras recheadas de vinhos, diversos rótulos e estilos de garrafas, a iluminação era baixa e o ambiente frio. 


Villanelle fechou a porta e tomou a mão de Eve, andando até o fim do corredor. O ambiente abria-se em uma ampla sala com um balcão central e duas cadeiras próximas, o chão de pedras polidas dava um ar ainda mais rústico ao local. Mais prateleiras decoravam as paredes da sala, estas mais ornamentadas do que as do corredor, com vários entrelaçes e uma coleção em destaque, parecia ser o vinho da casa, o premiado.



Villanelle indicou um das cadeiras e observou Eve se acomodar. 



-Vamos começar com o básico, minha Eve –. A morena franziu o cenho com a forma de chamar mas, não interrompeu a loira. – Esta é a adega principal da LaVillanelle, onde os compradores podem adentrar e provar nossos vinhos. Existe mais duas adegas onde apenas funcionários são autorizados a entrar, é onde ficam instaladas as barricas e tonéis de inox. A adega precisa ter uma iluminação reduzida e uma temperatura de 14° Celsius para conservar adequadamente os vinhos, sem prejudicar a qualidade, isso também vale para o nível de barulho, é necessário um ambiente sereno.Lavillanelle possui quatro uvas principais para seus vinhos, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Carménére Pinot Noir Villanelle  enumerou habilmente.



-Villanelle, isso é muito interessante mas, não pretendo fazer um curso de Enologia. - Eve tocou a mão da loira a interrompendo.



-Eve, aproveite a vista, as informações e...a companhia, chega de dizer que não tem tempo. –Villanelle levantou-se e foi em direção a uma prateleira. Nunca mais duvidará qual vinho comprar. 



-Pois bem, faça sua mágica, Miss Astankova - A morena umideceu os lábios. 


-Merci. - A loira retornou a mesa com duas garrafas e partiu para buscar mais duas. Hoje você vai ter um pequeno curso de serviço, não sei se você vai estar quando sua...amiga for tomar o vinho. Mas, em algum momento de sua vida, será uma anfitriã.-Prestou atenção nas informações da adega,minha Eve?


A mulher assentiu em silêncio, divertindo- se com o ar profissional e imponente que Villanelle  havia incorporado.



-Cada tipo de vinho necessita de uma temperatura certa para ser servido. Existem espumantes, rosés, brancos, licorosos e tintos.. - Villanelle encarava a mulher tentando ter certeza que estava lhe acompanhando. Os Espumantes, devem ser servidos a temperaturas mais baixas, entre 2° a 6° Celsius no máximo, a taça correta é a Flute, alta e fina, menos líquido e preserva as bolhas; os Rosés, são servidos entre 6º a 10° Celsius, sua taça é a menor, boelada e comporta menos que uma de vinho tinto; Licorosos, são vinhos de sobremesa, servidos entre 10° a 14° Celsius, dependendo do tanto de álcool que possui a garrafa, e a taça, é o cálice; Brancos, são servidos entre 10° a 14° Celsius, assim como os Licorosos, depende se são secos e leves ou carregados, a taça, igual ao Rosé, é a taça menor... -. A loira falava enquanto ia retirando de dentro de um compartimento do balcão, a série de taças para mostrar para a morena.



–Estou prestando atenção, Astankova, pode continuar. – A loira havia parado por alguns segundos para observar a mulher analisando uma taça Flute.


– Ótimo -. Sorriu indicando os vinhos a sua frente. - os vinhos tintos são os mais "quentes", servidos entre 15° e 18° Celsius, dependendo se for um Pinot Noir, mais elegante ou um Cabernet Sauvignon, carregado. A taça indicada é a Bordeaux, boleada com borda estreita, para ditar o caminho que o aroma deve seguir para chegar ao olfato.


Apontou garrafas correspondentes aos vinhos que mencionou. –LaVillanelle, como disse anteriormente, trabalha com quatro tipos de uvas, todas tintas. Cada garrafa tem sua própria estrutura, por exemplo,Pinot Noir é comumente engarrafado em recipientes mais boleados, devido sua origem. 



–Sua garrafa não é boleada. Comentou a morena encarando o vinho.


–De fato não é -. Villanelle havia corado.


-De todas as frutas que a vinícola produz, a Pinot Noir é a única que não tem origem em Bordeaux, sendo originária da Borgonha. A garrafa de Borgonha, que acompanha o mesmo nome, possui essa estrutura boleada que comentei. Porém, quero deixar minha marca em todo meu produto, não apenas no sabor, por isso, os vinhos LaVillanelle são engarrafados em recipientes mais alongados, projetados para direcionar o aroma, assim como a taça Bordeaux. 



-Você é sempre tão convencida? –Eve perguntou num tom baixo aveludado, estava gostando de ouvir a mulher e gostou mais ainda de vê-la corar.



-Em tudo que tenho o domínio, sim. -Respondeu Villanelle com um sorriso e uma sobrancelha arqueada mais confiante. - Cada vinho precisa da harmonização certa para valorizar seu sabor e o prato escolhido…



-Eu sei harmonizar –. Eve interrompeu com um ar feliz.


-Como você pode saber harmonizar e não saber sobre vinhos? - A loira perguntava curiosa.


-Meu irmão conhece vinhos, eu conheço comidas. 


– Interessante dupla. O que precisa?


–Diga-me as características de seu vinho e eu digo com que harmonizar –Eve inclinou- se em direção a loira. 


-Se acertar todos, ganho um prêmio. 


- Que prêmio?


- Escolho em nosso último dia.


- Fechado. -Deram as mãos e sorriram uma para outra, Villanelle aproximou sua cadeira da morena e pegou a primeira garrafa.



-Começamos com seu conhecido, Pinot Noir – A loira colocou a garrafa entre as duas, sem quebrar o contato visual. - Vinho elegante de pouca intensidade.


-Não irá me revelar mais informações?- Eve arqueou a sombrancelha.


-Não, Minha Eve, a aula de uvas é amanhã. 



-Peixes. –A morena disse após alguns segundos pensando. -Peixes saborosos, como Atum e Salmão e... para queijo, um cremoso... Camembert - Finalizou com um sorriso triunfante, observando a loira.



-Bravo, muito bem –Afastou a garrafa e pegou a próxima. – Carménère, complexo no olfato, carregando frutas e flores, médio de intensidade.Carnes vermelhas magras e frutos do mar com molhos fortes –Respondeu quase que imediato, estava pegando confiança.



-Estou começando a desconfiar que apenas não sabia dos vinhos para poder aproveitar minha companhia. 



-Você nunca saberá. -Eve mordeu o lábio ao fim da frase.


-Eu faria o mesmo... para aproveitar sua companhia... - Vamos para nosso terceiro vinho. - Villanelle encarava a boca da morena como se fosse devorá-la.

-Cabernet Franc, nível de intensidade 9 de 10, porém, não possuindo tanta acidez. 


-Lombo suíno e queijos maturados. - Eve estava inclinada na direção de Villanelle e as duas mulheres mantinham um contato visual nada convencional, primitivo, intenso.



-Perfeito! -A loira se aproximava cada vez mais da morena. - Por último, Cabernet Sauvignon, a mais intensa, toque amadeirado e achocolatado. 


-Carnes vermelhas mais gordurosas. 



-Bem, estou ansiosa para saber qual o prêmio você escolherá, minha Eve. 


-Será agradável para nós duas... Miss LaVillanelle.–Sorriu com a forma que as palavras se encaixaram em seus lábios.


-Agora... -Ainda encarando os lábios vermelhos da mulher e mordendo o seu próprio.


- Qual você quer provar?



-Cabernet Sauvignon, gosto de intensidade. 


-Tenho certeza que sim Villanelle. - Respondeu com um sorriso malicioso, resgatando de uma gaveta um saca-rolha.LaVillanelle utiliza rolhas sintéticas, para preservar as árvores que dão cortiça. Infelizmente elas não aguentam a produção de vinho mundial –Comentou retirando o item que vedava a garrafa.



-Nobre da sua parte, não querer extinguir uma árvore. Seria ótimo que outros produtores também aderissem - Comentou fazendo careta, enquanto terminava de servir. Eve achou fofo o gesto. – Deixe um pouco em taça, todos os vinhos precisam respirar um pouco. 

Entregou a taça para a morena e apontou para o líquido acastanhado. – Existem três tipos de teste para o vinho. 



-Sou toda ouvidos, Astankova- Eve passou a ponta da língua lentamente pelos lábios, observando o sorriso que Villanelle deu ao ouvir seu sobrenome.


-O primeiro, mais óbvio, o visual.

Pegou sua taça nas mãos e prosseguiu. Apenas a cor já revela sobre a identidade, se o vinho possuir tons violáceos, roxo, aponta um vinho novo; caso a coloração seja mais puxada o para o castanho, denota vinhos mais envelhecidos Apontou para o líquido levemente acastanhado. Porém, há excessões, também pode indicar estágio em barrica, como esse em nossas mãos. 


- Como saberei?


-Você é uma aluna tão interessada -Sorriu a loira. Estou gostando. Saberá isso pelo teste do olfato. Todavia, antes tem uma última análise visual – Villanelle mexeu habilmente sua taça.

Você deve prestar atenção nas "lágrimas" que escorrem pela taça, quanto mais densas, grossas e lentas, mais álcool presente no vinho. Quanto mais rápidas, menos álcool.


Eve tentou repetir o movimento de taça de Villanelle, todavia, não produziu muita movimentação, assim arrancando uma leve risada da loira, que logo em seguida tocou na taça por cima da mão de Eve, arrepiando a morena com o contato desavisado, e moveu o líquido.



-É questão de prática, Eve. -Comentou enquanto a morena encarava intensamente a loira.


-Seu vinho tem muito álcool -Eve falou após uma breve análise na taça. Quer me embebedar tão cedo?



-Parabéns, você está aprendendo. - Sorriu maliciosa se aproximou quase sussurrando. 


– Foi você que escolheu o vinho, quem está tentando embebedar alguém aqui , é você. 


Park arqueou a sombrancelha, porém não relutou, acompanhava sedenta cada movimento de loira. 



-Segundo teste. Villanelle sorriu retornando a mover a taça. Olfativo, como você bem sabe, uma grande parte do sabor vem do olfato, mexe-se a taça antes de sentir para volatizar os aromas. O que você me diz?



-Chocolate? –Respondeu incerta após levar o líquido próximo ao nariz.


-Certo, esse cheiro pode ser por duas causas. Barrica ou pela uva, mas, nesse caso. É devido a barrica, é um vinho rústico. Por último, degustação. - Incentivou Eve a provar com um pequeno brinde que tintilou as taças.


-Intenso, definitivamente - Park  respondeu com um tom rouco. - Completa os aromas que veio com a análise olfativa. 



-Você já é praticamente uma enologa, Miss Park - Villanelle respondia passando o dedo lentamente na borda da taça.


- E quanto a salivação que ele produziu na minha boca?


-Não. - Villanelle negou de forma misteriosa. - Essa informação é conteúdo da aula de amanhã. Por hoje, está dispensada, minha aluna. 


Pode ter sido apenas impressão, todavia, Eve sentiu que Villanelle pôs uma ênfase maior no "minha".


- Claro... – Levantou sem muita vontade e logo as palavras saíram, surpreendendo a morena. – Tem planos para o almoço?



…  



Notas Finais


E aí pessoal? estão gostando?

peço que escutem a playlist da fic :
https://open.spotify.com/playlist/5IBMCFr8azMWR6IaI7XO6a?si=ZA2FWYZ0Te6-HG96UMTe0w&utm_source=copy-link

inte mais!!


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