História Vibrações do Coração - Capítulo 2


Escrita por: e thxmoons

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Debut, Deficiência Auditiva, Jikook, Magicshxp, Magicshxpdebut, Mençãotaegi, Tá Bem Fofinho Mesmo
Visualizações 344
Palavras 5.871
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - As Batidas do Seu Coração


Minha semana não era algo que se pode chamar de “corrida”, apesar de eu trabalhar e fazer faculdade. Mas mesmo nos momentos em que estava consideravelmente ocupado, eu tirava tempo para poder trocar mensagens com Jeongguk. Era um fato, minha rotina já não era normal se não tivesse o bom humor dele para me alegrar diariamente, as piadinhas sarcásticas, e até mesmo as reclamações que ele fazia por vários motivos. Mas naquele dia foi diferente.

Já havia se passado uma semana desde que eu havia quase dito com todas as letras que era apaixonado por Jeongguk, e desde então nossa amizade continuou normal, e ele com o mesmo bom humor de sempre. Então eu não entendia o porquê dele não ter dado nenhum sinal de vida naquele dia inteirinho.

Não teve mensagem de bom dia, e ele nem sequer respondeu às minhas. No começo achei que ele poderia estar ocupado ou algo do tipo, mas quando a tarde chegou e mesmo assim nenhum sinal de Jeongguk, resolvi ligar para a mãe dele para saber se algo havia acontecido. Ela disse que ele não estava se sentindo muito bem, e eu me ofereci para ir até lá, mas a Sra. Jeon falou que ele queria ficar um tempo sozinho.

Eu estava preocupado, muito. Já era noite e eu estava inquieto dentro de casa, sozinho para piorar a situação, já que meu pai iria passar a noite fora com algum dos casinhos dele. Tentei assistir, jogar, ler, estudar, mas nada prendia minha atenção e meus pensamentos sempre voltavam para Jeongguk. O jeito foi ligar para Taehyung e dividir a ansiedade com ele, que também estava bem preocupado.

Foi por volta das nove da noite que minha campainha estranhamente tocou, e eu apostava que era Taehyung vindo grudar em mim igual a um filhote de macaco para criar teorias sobre o que tinha acontecido com nosso maknae, mas minha surpresa foi enorme quando vi que quem estava do lado de fora era Jeongguk.

Ele estava parado com as mãos no bolso do moletom, usando a touca com estampa de coelhinhos que eu havia dado para ele no mês anterior, e com as bochechas rubras pelo frio. Eu até pararia para admirar o quão fofo ele estava, mas a expressão do Jeon não estava normal. O sorriso não estava lá.

— Jeonggukie?! Meu Deus, o que aconteceu? — perguntei preocupado. — Você está bem? Por que sumiu o dia todo? Eu estava quase morrendo de preocupação!

Mas ele nem sequer respondeu, talvez nem tenha entendido o que eu disse porque eu quase embolei as palavras. Ele apenas entrou, segurou minha mão e me puxou em direção ao meu quarto. Me deixei ser levado, ainda estranhando toda a situação, e não tive tempo de questionar nada quando ele parou no meio do quarto e se sentou no chão de pernas cruzadas.

Fiquei alguns segundos parado em pé, tentando entender tudo aquilo, e decidi me sentar de frente para ele. Jeongguk permaneceu em silêncio, dobrou as pernas para repousar o queixo nos joelhos, e ficou olhando para algum ponto fixo no quarto. Eu queria falar algo, perguntar algo, mas não adiantaria já que ele não estava olhando para mim. Queria tocá-lo, chamar sua atenção, mas tinha medo de estar invadindo seu espaço. Eu simplesmente não sabia o que fazer, então resolvi esperar o tempo que ele precisasse para falar.

— Hoje faz quatro anos. — ele falou depois de minutos que pareceram uma eternidade de horas me corroendo.

Era estranho não ter os olhos dele em mim, e eu tive que esperar mais um tempo tortuoso até que ele resolvesse me olhar para que eu pudesse questioná-lo.

— O quê faz quatro anos?

— O acidente. Faz exatamente quatro anos que aquela tragédia marcou minha vida e eu não escuto nada além de ruídos.

Agora tudo fazia sentido, e as peças pareciam se encaixar. Não imaginei que Jeongguk ficasse daquela forma naquele dia específico, mas eu compreendia, afinal foi uma tragédia que aconteceu na vida dele, e tragédias deixam lembranças e cicatrizes para toda a vida.

— Sabe, você me conheceu assim, uma pessoa alegre e que lida bem com a própria deficiência, mas nem sempre minha realidade foi essa. — ele voltou a falar, os olhos em algum lugar do quarto novamente. — Você imagina como é acordar em uma cama de hospital com alguns ossos quebrados, pontos na cabeça, e sem poder ouvir nada? Eu fiquei desesperado, Jimin; eu só tinha dezesseis anos e achava que a vida já estava ganha desde que eu estudasse e respeitasse minha mãe, mas aí o destino veio e arrancou todas as certezas de mim.

A forma que Jeongguk falava parecia calma, mas eu conseguia sentir o quão abalado ele ficava ao pensar e relembrar aquelas coisas.

— Eu odiei tudo e todos no começo. Odiava o motorista daquele táxi por ter deixado o acidente acontecer, e por ter saído ileso. Odiava os médicos por não poderem fazer nada a respeito da minha situação. Odiava a mim mesmo por não ter colocado o cinto de segurança, e por saber que a culpa era toda minha. — ele continuou no mesmo tom calmo. — Eu odiava não poder assistir e escutar os efeitos sonoros, odiava não conseguir ouvir quando as pessoas falavam bem ao meu lado, odiava não poder ouvir música, nem sequer falar no telefone. Até mesmo do canto dos pássaros eu senti falta, e eu costumava praguejar com eles de manhã por atrapalharem meu sono. Também senti falta das broncas da minha mãe, porque eu só queria ouvir ela de novo. Eu me calei, parei literalmente de falar e chorava todos os dias trancado no quarto porque preferia estar morto do que nesse estado.

Senti um aperto enorme no coração ao imaginar um Jeongguk de dezesseis anos naquele estado, chorando e se odiando, sem aquele sorriso lindo que iluminava meus dias, sem a voz bonita que acariciava meus ouvidos. Eu queria abraçá-lo e de alguma forma poder tirar a dor daquelas lembranças.

— Foram inúmeras idas ao psicólogo, exames e mais exames, e eu não tinha esperança nenhuma. Acho que eu resolvi tomar alguma atitude quando um dia me dei conta de que estava começando a esquecer o som de certas palavras, e só de pensar em esquecer uma coisa simples como aquela me encheu de um desespero imenso. — ele se arrumou melhor na posição, e começou passar os dedos nos fiapos da calça rasgada. — Me lembro de ir chorando desesperado até o quarto da minha mãe, e implorar para ela me ajudar. E foi o que ela fez. Minha mãe foi a minha salvação, a pessoa que esteve comigo em todos os momentos e quem fez de tudo por mim. Eu e ela começamos as aulas de KSL juntos, mas eu queria mais, queria subir meu nível de comunicação, e foi aí que resolvi tentar aprender leitura labial. Foi difícil, muito difícil, mas minha mãe pegava bastante no meu pé, e eu me esforcei o possível e o impossível até conseguir manter um longo diálogo com ela sem precisar de papéis ou mensagens.

Jeongguk deixava a emoção na voz aparente quando falava sobre a mãe, e eu realmente senti vontade de chorar ao ouvir aquelas coisas, já que a minha não estava mais presente ao meu lado.

— Muitas coisas aconteceram, muitos momentos difíceis e desesperadores, muitos preconceitos e falta de acessibilidade, entre outras coisas, até que hoje eu possa dizer que estou bem, e me sinto feliz. Mas eu ainda sinto medo as vezes, Jimin. — ele apertou um pouco os dedos. — Tenho medo de esquecer as coisas, a pronúncia das palavras, a voz da minha mãe. Eu ainda lembro da voz dela, mesmo depois de todo esse tempo, e nunca quero esquecer do quão doce é ela dizendo que me ama. É por isso que eu estou sempre falando, sempre lendo em voz alta, sempre exercitando minha mente e observando tudo atentamente. Porque agora os meus olhos e meu tato são meus ouvidos, e minha fala é minha melhor forma de comunicação. E eu não quero perder nada disso, eu não perder mais perder nada.

Comecei a repassar tudo que Jeongguk disse em minha mente, e me senti a pessoa mais ingrata do mundo. Nós reclamamos de várias coisas todos os dias, reclamamos da vida, dos barulhos, de ter que ir até o mercado, de ter que ver a cara de alguém que não gostamos, de inúmeras coisas as pessoas reclamam. Mas imagine acordar um dia e não poder mais ouvir sua música preferida, ou enxergar o sol nascendo. Imagine não poder mais andar até o mercado ou padaria, ou não poder ouvir mais a voz da própria mãe.

Desde que conheci Jeongguk, muitos de meus pensamentos mudaram, mas só depois de ouvir aquilo percebi o quanto eu era sortudo por ter tudo que tinha. Depois de saber um pouco sobre os momentos difíceis e as lutas que ele havia passado, minha admiração triplicou de tamanho, e a imagem adorável e fofa de Jeongguk sentado no chão do meu quarto me pareceu tão forte.

Depois de refletir sobre tudo aquilo, e segurar a vontade de chorar, me arrastei até estar bem próximo de Jeongguk e segurei suas mãos, fazendo-o me encarar.

— Você pode até achar exagero meu quando digo que você é incrível, mas não é. — comecei falando devagar, pois queria que ele entendesse cada palavra. — Jeongguk, olha só tudo o que você passou, tudo que superou, o tanto que se esforçou, tudo que aprendeu. Você está aqui, vivo, sorri todos os dias, está entendendo o que eu falo e até mesmo vai aos meus shows e ensaios da banda. Você conquistou meus amigos, até mesmo o Jin que é um chato e nunca deixa ninguém comer a Nutella dele. Você entrou na minha vida e me fez repensar várias coisas, mudou meus pensamentos e me fez enxergar tudo de um jeito totalmente diferente. — enlacei meus dedos nos dele de forma carinhosa. — Não sinta medo, nunca. Você não vai perder mais nada, não vai esquecer de nada, só vai ganhar muitas coisas e tudo que você aprendeu vai continuar intacto. Sabe por quê? Porque você é incrível! Porque você tem a sua mãe que te ama, e nunca vai largar do seu pé. Porque você tem seus amigos do grupo de apoio. Você tem o Taehyung que grudou em você igual chiclete e vai te deixar diabético de tanto te entupir de doces, tem o Jin e o Yoongi que estão apanhando para aprender KSL porque já te consideram um amigo e querem se comunicar melhor com você, e você tem a mim. — apertei nossos dedos entrelaçados. — Você pode não acreditar totalmente nas minhas palavras, mas eu sempre vou estar aqui para você. Eu vou te ouvir ler por horas a fio, todas as vezes que você quiser. Eu vou falar milhões de frases para você exercitar sua leitura labial, se você quiser. Eu vou tentar sempre manter o sorriso no seu rosto, porque você fica lindo sorrindo. Vou falar coisas constrangedoras só para você ficar envergonhado e querer me bater. Eu vou fazer de tudo para que os pensamentos ruins e os medos não te atinjam, porque você é maravilhoso do jeitinho que é, e eu não vou deixar você sequer pensar o contrário disso.

Quando terminei de falar, Jeongguk tinha um sorrisinho nos lábios, e eu nunca imaginei que um gesto tão simples me traria um alívio enorme. Ele estava melhorando da nuvem de tristeza que havia se instalado, e minha preocupação estava diminuindo.

— Você também é uma pessoa incrível, Jiminnie. Você é diferente de tantas outras pessoas, sempre me enxergou como Jeon Jeongguk, e não como “o garoto surdo”. Você também mudou coisas em mim, fez eu me sentir acolhido e normal, assim como o Tae, o Jin e o Yoongi. Obrigado por tudo isso, por ter me escutado e falado essas coisas lindas. — ele suspirou e olhou nossas mãos juntas. — Todos vocês me fazem feliz, me animam, se importam comigo e eu sou tão imensamente grato por isso. Vocês me dão coragem e confiança todos os dias. Só que todos os anos, nesse dia específico, eu me sinto inundado de memórias ruins, e é inevitável esse sentimento ruim. — voltou a me encarar de forma serena. — É por isso que eu vim aqui hoje, porque quero mudar isso, marcar esse dia com uma coisa boa. E essa coisa boa é você.

Não podia negar que uma felicidade enorme me inundou ao ouvir tudo aquilo, mas eu sabia que essa “coisa boa” não era apenas uma conversa comigo.

— E como eu poderia marcar o seu dia?

— O primeiro passo já foi dado, que foi me ajudar a colocar os pensamentos ruins para fora. Sabia que você é a única pessoa fora minha mãe e o grupo de apoio a saber disso?!

Eu realmente me senti tocado com aquele fato, porque era algo muito importante e pessoal, e ele havia confiado em mim para mostrar aquele lado oculto, mostrar suas fraquezas.

— E o segundo passo?

Jeongguk não respondeu de imediato, mas se esticou até um canto do meu quarto onde estava meu violão e o pegou, retornando a mesma posição anterior e me deixando totalmente confuso.

— Sabe, Jimin, eu sinto as vibrações de muitas coisas, de vários sons e barulhos. E eu amo sentir você cantando. — ele colocou o violão em meu colo e me olhou docemente. — Cante para mim, por favor. Dessa vez vai ser só para mim, eu vou ser a única platéia.

Senti meu peito esquentar de forma alarmante, e se antes tivesse alguma dúvida dentro de mim sobre meus sentimentos por Jeongguk, ali estava a resposta.

— Eu sempre canto para você, Jeongguk. — falei enquanto arrumava o instrumento na posição certa. — Mesmo que tenha dezenas de pessoas presentes, você sempre vai ser o meu foco na platéia, unicamente você.

Jeongguk sorriu daquele jeito tímido que me fazia suspirar, e daquela vez parecia tão mais intenso, mais puro. Ele estava realmente lindo naquele moletom azul e com aquela touca tão infantil, que tornava muito difícil minha resistência em querer agarrá-lo e nunca mais soltar.

Comecei a tocar uma de minhas músicas preferidas, e os olhos grandes de Jeongguk me olhavam com toda a atenção de sempre.

“Mas não é que você é algo para se admirar? Porque o seu brilho é algo como um espelho.

E eu não posso evitar reparar, você reflete neste meu coração.”

Mas naquela noite era diferente dos ensaios e dos shows, porque era só nós dois, tão próximos um do outro que a intensidade dobrava. E triplicou quando uma das mãos dele repousou no violão, e a outra em meu pescoço. Um toque tão suave, mas que me esquentou tanto.

— Assim eu consigo sentir melhor. — ele explicou com a voz baixa para não me atrapalhar.

“Se você um dia se sentir sozinho e a luz intensa tornar difícil se encontrar, saiba apenas que eu estou sempre do outro lado, paralelamente.”

Os segundos foram se passando, a melodia ecoando no quarto, e eu fazia de tudo para minha voz sair da melhor forma possível mesmo sabendo que Jeongguk não estava escutando, porque ele merecia tudo de melhor.

“Porque com a sua mão na minha e um bolso cheio de alma, posso dizer, não há lugar aonde não podemos ir.

Ponha apenas a sua mão no vidro, estarei aqui tentando puxar você. Você só tem de ser forte.”

A mão de Jeongguk deslizava em minha pele, a palma percorria toda a extensão de meu pescoço, até que os dedos foram parar em meu rosto. Ele acariciou minha bochecha, contornou meu queixo, tudo de forma lenta. O olhar dele era tão intenso que quase me fazia errar os acordes, e eu ainda estava sensível por toda aquela situação, o que só fazia meu interior borbulhar mais ainda. Eu poderia me derreter bem ali na frente dele.

— Eu queria poder ouvir você, Jiminnie. — ele falou em uma pausa na letra da música, onde eu apenas tocava — Queria poder ouvir sua voz, saber como ela é, nem que fosse ao menos uma vez, só para eu poder guardar na memória.

Aquilo foi o suficiente para meus dedos paralisarem no lugar, e o bolo de melancolia quase me sufocar. Eu senti como se tivesse vivido vinte e dois anos da minha vida de forma errada, pois sempre fui rude comigo mesmo e cheguei a odiar minha voz, sempre ignorava os elogios sobre meu desempenho como vocalista porque não conseguia me valorizar e achar que estava fazendo um bom trabalho. E ali estava Jeongguk, uma pessoa que não podia ouvir nada, que entre tantas outras maravilhas no mundo para querer escutar, estava dizendo que queria ouvir minha voz.

— Jimin, está tudo bem? Eu te deixei mal com isso? Me desculpe…

Tirei o violão de meu colo, e levei a mão até a de Jeongguk que ainda estava em meu rosto, segurando seus dedos com firmeza.

— Eu prometo que vou estar ao seu lado no dia em que você puder escutar novamente, porque eu sei que isso vai acontecer, e vou falar em qualquer língua que você me pedir, e cantar por quanto tempo você quiser. — fechei os olhos alguns instantes — Se eu pudesse, eu compartilharia a minha audição com você, só pra te ver feliz, meu anjo.

Senti os dedos de Jeongguk apertarem os meus, e no mesmo instante ele se aproximou mais, ficando tão colado a mim que eu podia sentir sua respiração batendo em meu rosto.

— Ei, eu estou feliz, ok? Estou feliz porque tenho todos vocês ao meu lado, não tem como ficar triste dessa forma. — ele suspirou de forma lenta e sorriu pequeno. — Eu falei isso porque é verdade, mas não quer dizer que eu não esteja feliz em poder te sentir. Lembra que eu disse que meus olhos e tato são meus ouvidos? Então, sua voz é a minha vibração preferida, sentir você cantando é encantador, me aquece inteiro de um sentimento bom. — os dedos compridos voltaram a percorrer meu rosto, e eu poderia passar a vida inteira sentindo aquele toque. — Você nem imagina o quanto é lindo, Jiminnie. Você é lindo! Seu rosto, seus olhos, sua boca, e tenho certeza que sua voz é tão linda quanto tudo isso. E eu sou apaixonado por cada pedacinho seu. Eu estou completamente apaixonado por você, Jimin.

Senti meu rosto inteiro formigar, e meu coração batia tão forte que eu jurava que teria um ataque cardíaco a qualquer momento. Eu sabia que Jeongguk sentia algo por mim, mas ouvi-lo falar era totalmente diferente. Era diferente porque significava que ele já não tinha mais medo de colocar aquilo para fora, não tinha medo que eu o magoasse, e confiava em mim o suficiente para entregar seu coração em minhas mãos. E isso era uma confiança enorme.

— Você está me deixando com vontade de chorar, eu vou te bater. — ele deu uma risadinha melodiosa, e foi minha vez de levar a mão até seu rosto e acariciar levemente sob seu olhar atento. — Eu acho que sou apaixonado por você desde a noite que vi seu sorriso assim, bem de perto, pela primeira vez.

Jeongguk aumentou o sorriso e, suavemente, encostou nossos narizes. Nós tínhamos nossas intimidades, como abraços e beijos na testa, mas era a primeira vez que tínhamos um contato daquele nível, e aquilo me deixou em um estado de ansiedade crítico.

— Agora vem o terceiro passo para marcarmos esse dia. — ele sussurrou de forma serena, mas eu sentia que ele também estava ansioso.

Acho que é difícil descrever tamanha sensação maravilhosa que me inundou assim que Jeongguk segurou meu rosto com ambas as mãos e juntou nossos lábios. Foi macio como tocar em seda, e continuou delicado quando ele separou os lábios e buscou um pouco mais o meu para aprofundar o beijo.

Ele era encantador até mesmo no gosto, na textura, na forma como as mãos me seguravam, na respiração descompassada. E eu podia jurar que estava literalmente me derretendo, pois o calor dentro de mim borbulhava, em meu peito parecia que existiam fogos de artifício, e eu me sentia como gelatina da cabeça aos pés.

Quando nos separamos, o rosto de Jeongguk estava rubro, e era a coisa mais adorável que eu já tinha visto na vida. Mas acho que o meu não estava em uma situação diferente, pois eu via estampado na cara dele o quanto estava se segurando para não dar um dos ataques de fofura e começar a apertar minhas bochechas.

— Acho que o Tae iria gostar de ver isso. — ele comentou com a voz baixa e divertida.

Dei uma risadinha e arrumei uma mecha de cabelo que tinha caído de sua touca.

— Ele vai ter muitas oportunidades de ver.

Jeongguk arqueou uma sobrancelha e sorriu de lado.

— E quem disse que eu vou te beijar de novo?

Devolvi o sorriso e impulsionei nossos corpos para frente, até que Jeongguk estivesse deitado no chão com uma expressão surpresa e eu por cima dele.

— Eu confio no meu taco. — dei de ombros enquanto me aproximava de seu rosto.

— Essa frase parece ter duplo sentido. — ele comentou dando risada, e foi impossível conter o sorriso malicioso. — Você falou no sentido malicioso? Aigoo Jimin...

— Eu posso fazer ela valer nos dois sentidos, se você quiser.

A única coisa que ganhei em troca foi uns tapas e um Jeongguk vermelho de vergonha, ao qual eu não resisti de beijar novamente. Beijo esse que foi retribuído da mesma forma calorosa e sedenta, e aquilo só me fez querer mais e mais.

Eu poderia passar horas e horas no chão daquele quarto com o corpo quente de Jeongguk colado ao meu, enquanto saboreava a boca que tanto desejei. Poderia morar naqueles braços fortes, nas mãos que adentravam por entre os fios de meu cabelo com desejo, no som gostoso de sua respiração ofegante. Eu poderia explodir de tanta paixão que sentia por aquele garoto, e seria uma explosão maravilhosa.

— Hmm, Jiminnie, desse jeito você vai me fazer ter um ataque cardíaco. — ele ofegou enquanto eu distribuía beijos por seu pescoço — Se eu morrer a culpa vai ser sua.

Tive que dar risada daquilo, e quando me afastei para encará-lo, me dei a liberdade de admirar aquele rosto tão lindo, os lábios vermelhos por tantos beijos, os olhos bonitos me observando. Jeongguk era a coisa mais linda do mundo inteiro.

Eu podia sentir o quanto o coração dele estava acelerado, e o meu não estava nem um pouco diferente. E a sensação de saber que eu era o causador daquela euforia, daquele sentimento bom nele, era magnífica.

Deslizei uma de minhas mãos sobre seu peito, parando com a palma aberta em um ponto onde podia sentir bem as batidas aceleradas, e a movimentação da respiração ofegante.

— Mas você não pode morrer, Jeonggukie. — sorri pequeno ao ver o olhar curioso dele. — Porque as batidas do seu coração acelerado por mim, se tornaram a minha vibração preferida.

Jeongguk abriu um sorriso tão grande que poderia iluminar um dia inteirinho, então os braços dele me puxaram para um abraço forte e amoroso.

— Então eu não me importo de ter vários ataques cardíacos por você.

(҂)(҂)

~ 2 anos depois ~

— Então é hoje?

Terminei de arrumar alguns fios dos equipamentos na mala, e me virei para encarar Yoongi que havia parado de analisar as baquetas.

— Sim, finalmente é hoje. — respondi com um sorriso que quase rasgava o rosto.

— Como ele está se sentindo? — Jin perguntou, chegando com um pacote de cookies e distribuindo para todos.

— Ansioso, claro, quase morrendo de ansiedade. — dei uma risadinha. — Vocês sabem como o Jeonggukie é.

— Eu estou tão emocionado, nosso maknae merece tanto isso. — Taehyung comentou com uma voz manhosa, abraçando o namorado por trás. — Queria estar lá para ver o rosto de felicidade dele.

— Bom, não sei ao certo como vai ser a reação dele, mas acho que ele vai querer ficar com a família. — dei uma mordida em um cookie. — Mas amanhã ele vai vir atrás de vocês, e chorar muito, podem ter certeza.

— Ai, eu já estou me preparando para chorar todo o líquido que existe no meu corpo. — Jin falou, fazendo todos nós arquearmos a sobrancelha em estranheza. — O que é?! Eu também posso ser sensível, ok?

Demos risada, e eu me levantei do banco em que estava sentado.

— Bom, eu preciso ir. A mãe do Jeongguk ja, já passa lá em casa para irmos.

Me despedi de meus amigos, que me fizeram jurar dar notícias no final do dia e caminhei apressado as duas quadras até chegar em minha casa para tomar um banho, me arrumar e esperar minha sogra ir me buscar para o grande acontecimento daquele dia.

[...]

Depois de dois anos inteiros de namoro, eu conhecia Jeongguk como a palma de minha mão. Sabia suas manias, suas expressões quando ele estava irritado, nervoso, envergonhado ou até mesmo mentindo. Conhecia seus olhares, e o tom de voz que usava para cada situação. E observar ele sentado naquele banco ao meu lado, com os olhos grudados no relógio e os pés batendo no chão constantemente, me fazia ver o quanto ele estava nervoso.

Toquei em seu ombro para que ele me olhasse, e perguntei em KSL se ele estava bem, porque sabia que em momentos de tensão ele não tinha concentração o suficiente para leitura labial. E sim, nesses dois anos eu tinha aprendido KSL, porque queria poder me comunicar com meu namorado de todas as formas possíveis.

— Estou bem. Mas é que… — ele olhou para as próprias mãos repousadas no colo, logo depois voltou a me encarar — Tudo vai mudar agora, Jiminnie. É uma sensação grande demais.

Segurei suas duas mãos, e me inclinei para deixar o beijo suave em sua testa.

— Tudo vai mudar para melhor, meu anjo.

Jeongguk apertou minhas mãos de volta, e sorriu de forma confiante, me deixando, como sempre, derretido por ele.

Dois anos se passaram, vinte e quatro meses, e a cada dia eu amava Jeongguk com mais intensidade. Eu tinha a plena certeza que faria de tudo por ele, tudo para vê-lo sorrir, para vê-lo feliz e realizado, e aquele dia era algo que estávamos esperando a muito tempo. Era o dia em que ele finalmente poderia escutar novamente.

Foram meses de planejamento, idas ao médico, até que eu e a mãe de Jeongguk finalmente juntamos dinheiro suficiente para conseguir comprar o aparelho auditivo e aquilo tudo se tornou possível. E eu não me arrependia de exatamente nada, de nenhuma das noites sem dormir por ir fazer shows extras com a banda, das horas extras no trabalho, do tempo apertado na faculdade, nada. Para realizar o sonho do meu namorado eu faria tudo de novo, e de novo e quantas vezes mais fosse preciso.

Quando a médica chamou o nome de Jeongguk, eu senti a ansiedade me atingir em cheio, e eu sabia que ele estava da mesma forma, assim como a Sra. Jeon que parecia querer chorar a qualquer momento. Mas era compreensível, tudo iria mudar, realmente, aquele era um passo enorme, não só na vida de Jeongguk, mas também na de todos que amavam ele.

A doutora já acompanhava Jeongguk a muito tempo, ela era simpática e delicada. Já na sala, tudo era silencioso, arejado e branco, com uma decoração bonita, mas nada ali conseguia me acalmar, e o tic tac do relógio parecia se arrastar cada vez mais. Jeongguk sentou em uma cadeira para que a mulher pudesse colocar o aparelho corretamente, e eu e minha sogra não conseguiamos ficar sentados esperando, então ficamos em pé a uma distância imposta pela médica.

Depois que a doutora parou os movimentos e pareceu analisar, eu senti minha respiração prender nos pulmões de forma sufocante, e podia jurar que eu era o mais nervoso dentro daquela sala.

Como tudo na sala era um absoluto silêncio, a primeira coisa que Jeon Jeongguk ouviu depois de seis anos, foi a voz suave da médica perguntando se ele podia escutá-la.

A resposta de Jeongguk não veio, porque as mãos dele foram diretamente até o rosto, e pelo pequeno soluço que ele soltou eu soube que sim, ele estava escutando.

— O que aconteceu? Ele está escutando? Deu tudo certo? — a voz preocupada da Sra. Jeon se fez presente, enquanto ela se aproximava do filho.

Foi instantânea a reação de Jeongguk ao levantar o rosto cheio de lágrimas e levar as mãos até o rosto da mãe, a encarando com uma saudade aparente, como se não visse ela a muito tempo.

— M-mãe… É mesmo a sua voz… Eu estou ouvindo você… — ele soluçou e abraçou o pequeno corpo da mulher tão forte que poderia esmagá-la. — Você… Ela… S-sua voz ainda é a mesma, é do jeitinho que eu lembrava e guardei na mente esse tempo todo… E-eu, meu Deus, como eu implorei para ouvir sua voz de novo.

Enquanto Jeongguk abraçava a mãe aos soluços e a mulher tentava falar por cima do choro emocionado, eu observava tudo sem conseguir conter as lágrimas silenciosas que saiam de meus olhos. Eu sabia sobre tudo que Jeongguk havia passado, sobre tudo que a mãe dele fez para poder vê-lo bem, e vê-los ali daquela forma, afundados em emoção, matando a  saudade de algo que tinha se perdido, e tendo um sonho realizado, não tinha como me segurar e me fingir de forte. Até mesmo a doutora estava chorando.

Depois do primeiro momento entre mãe e filho, Jeongguk pareceu se lembrar da minha presença no local, e se virou de forma tão abrupta em minha direção que até me assustei e quis limpar o rosto de forma apressada por extinto. Mas nem sequer tive tempo de nada, porque em questão de segundos ele estava em minha frente, segurando meus ombros com firmeza e um olhar tão penetrante grudado em meus olhos.

—  Amor, fala alguma coisa.

Aquele pedido veio com tanta ansiedade, mas meu cérebro paralisou, assim como minha garganta. Eu queria mais do que tudo falar, conversar com ele, fazer tudo para comemorar aquele momento, mas eu não sabia o que dizer. Era um momento com uma importância enorme, seria a primeira vez que Jeongguk ouviria minha voz na vida, e eu tinha planejado tantas frases para aquele momento, mas todas fugiram da minha mente.

— Park Jimin, fala alguma coisa agora se não eu vou espancar você na frente de todo mundo aqui. — ele tentou parecer rígido, mas os olhos inchados pelo choro e a voz trêmula faziam ele parecer um garotinho indefeso.

Só não pareceu indefeso quando agarrou a gola da minha camisa e apertou.

— Se você me matar não vai mais ter quem te de beijo de bom dia, e nem café na cama.

Nunca que eu havia imaginado que minha primeira frase para Jeongguk ouvir fosse aquela, mas também nunca imaginei que iria paralisar e que meu namorado iria quase me espancar dentro de um consultório. Mas quando vi ele paralisar e os lábios bonitos tremerem enquanto novas lágrimas brotavam dos olhos vermelhos, percebi que eu poderia dizer a coisa mais idiota do mundo, e mesmo assim Jeongguk ficaria emocionado e acharia lindo.

— Então é assim a sua voz… — ele falou com a voz embargada, colocando ambas as mãos em meu rosto — Meu Deus, v-você é tão fofo… Que voz linda, eu sabia que era linda, eu sonhei tantas noites com esse momento, Jiminnie. Obrigado, obrigado, obrigado...

Naquele ponto meu rosto já estava banhado de lágrimas novamente, e a felicidade que me tomou foi imensa. Eu sabia que Jeongguk estava agradecendo  por tudo, todo nosso tempo juntos e luta para que aquilo se tornasse realidade. Levei minhas mãos até suas costas, e o puxei para um abraço apertado enquanto sentia ele soluçar em meu pescoço.

— Eu prometi que estaria do seu lado nesse momento, e finalmente estamos aqui. Você merece isso, e eu sou a pessoa mais feliz do mundo por poder compartilhar esse momento com você. Prometo que de agora em diante eu vou falar tanto, mas tanto, que você vai até me mandar calar a boca. — quanto mais eu falava, mais ele me apertava, e até tentava rir em meio ao choro — Eu te amo mais que tudo, meu anjo.

Jeongguk passou alguns momentos sem conseguir falar, soluçando igual a uma criança emocionada enquanto apertava meu corpo e molhava minha jaqueta. E eu, ao invés de estar o acalentando, estava chorando igualmente, porque sempre fui uma manteiga derretida, mas ele não se importava, e, depois de certo tempo, se afastou para me encarar novamente.

— Fala de novo.

Foi apenas um sussurro, mas tinha tanta súplica naquela pequena frase e naqueles olhos pidões, que eu senti que até me jogaria de uma ponte se ele me pedisse naquele momento.

— Eu te amo. — falei devagar, deixando um beijo na ponta do nariz que estava vermelho. — Eu te amo tanto, Jeonggukie...

Jeongguk puxou uma boa quantidade de ar para os pulmões, e sorriu. Foi um sorriso tão lindo, tão satisfeito, tão recheado de felicidade, que fez meu coração quase sair pela boca. Ele envolveu os braços em volta de meu pescoço, e em um impulso pulou em meu colo, colocando as pernas em volta de minha cintura.

— Eu também te amo. — ele suspirou meio entrecortado e de forma apaixonada — Meu Deus, eu te amo demais, Jimin.

Foram mágicos os segundos que ficamos nos entreolhando, trocando aquele bolo de sentimentos bons pelo olhar, mas infelizmente nosso beijo mega demorado teve que esperar para quando chegássemos em casa, já que ainda estávamos sendo observados pela doutora e minha sogra. Então um selinho demorado teve que ser o suficiente por hora, mas minha vontade era de agarrar Jeongguk e não soltar pelo resto do dia, e pela madrugada inteira. Pelo menos a parte da madrugada eu sabia que se tornaria realidade.

— Vamos logo para casa. Eu preciso ouvir os pássaros cantando, a buzina dos carros, assistir um filme sem legenda, ouvir meu cachorro latindo, e até mesmo a merda do despertador tocando. — Jeongguk disse de forma animada. — Mãe, eu nunca mais vou reclamar das suas broncas, pode gritar o quanto quiser que eu vou amar. — se virou em minha direção e sorriu de forma doce. — E você, amor, eu quero ouvir você cantar para mim. Só nós dois, e eu serei a sua única platéia hoje.

Retribui aquele sorriso que tomava conta de todo o meu ser, e jurei em pensamentos que nunca mais reclamaria das coisas que deveria agradecer por possuir. Jurei que continuaria fazendo de tudo para manter aquela expressão de felicidade no rosto lindo de meu namorado, que cantaria para ele o quanto ele quisesse quando chegássemos em casa, mesmo que minha garganta doesse de tanto esforço.

E aquele dia foi um marco feliz na vida de Jeongguk, e consequentemente na minha também.

Jeon Jeongguk entrou na minha vida e mudou tudo, me fez enxergar as coisas com outros olhos, valorizar o que antes parecia não ter valor nenhum, me fez sentir coisas que nunca imaginei serem possíveis, compartilhou comigo sua dor e seus medos, assim como suas certezas e sonhos. E dali em diante tudo mudaria, novos sonhos se realizariam, e meu amor por ele só se renovaria. Porque, mesmo depois de dois anos inteirinhos, minha vibração preferida ainda eram as batidas daquele coração acelerado por minha causa.


Notas Finais


:')
Eu li sobre muitas coisas sobre deficiências quando recebi a notícia do tema mensal, e descobri tantas coisas interessantes.
Escrever essa fic me fez perceber que muitas vezes reclamo ao invés de agradecer, e que devemos sempre parar e olhar a vida pela perspectiva de outras pessoas diferentes de nós.
Me fez perceber também o quanto falta acessibilidade para as pessoas com deficiência, e eu espero do fundo do coração que futuramente essa realidade seja mudada.

Espero que vocês tenham gostado. Obrigada por ler :3
Até a próxima doces 💜🌹


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