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História Vício (dramione) - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá gente! Voltei com uma nova fic, espero de coração que gostem e se identifiquem com os personagens. Leiam as notas finais.

Capítulo 1 - Prelúdio


É tudo uma espécie de vício. Toda vez que marcamos de nos vermos eu penso: dessa vez será diferente, eu vou te ver e não vai doer, não vou voltar pra casa ouvindo músicas que me lembram traços da tua personalidade. Que me lembram você, como conversamos naquele dia. Músicas que passam a significar pessoas. Vou dormir rezando baixinho pra qualquer entidade superior tirar de mim o que eu achei que não sentia mais. Passo o dia me vigiando: olha, não pensa demais não.

A gente se vê e eu noto que você tá bem, naquela expectativa de melhorar e fechar ciclos. Suas botas pretas nunca pareceram tão bonitas. Digo que vai ficar tudo bem e você pergunta dos estudos.

 

- Queria ter metade da sua força de vontade pra estudar todos esses livros, Granger.

 

A gente assiste alguma idiotice ou caminha pela avenida que cai na sua loja de doces preferida, mas queríamos mesmo era conversar até às 23h. E daí a pergunta nasce assim, como algo que você lembrou de dizer e que é importante, como quem não quer nada: mas por que nunca vai dar certo? E tenho que me lembrar, com determinada força de vontade, do porquê nunca vai dar certo. De que você já disse uma vez que não daria certo. De que eu tô remando meio sozinha esse barco.

De que meu papel de amiga é esse mesmo: te apoiar. Olho pra você e lá no fundinho, em algum lugar escondido que toda noite eu jogo um pouco de terra, eu penso: mas nós faríamos bem sim um ao outro. Apesar de uma vez eu ter dito que nunca faríamos dar certo.

Eu suporto tua barra.

Você me conta dos teus problemas, de como aquela outra pessoa te magoou, te digo que as pessoas estão todas meio perdidas, meio se encontrando uma nas outras. Você discorda e diz que estar perdido não é passe livre pra ser filha da puta. Você diz em algum momento: tô pensando em esquecer, mas amanhã talvez não esteja mais.

 

- Natural as pessoas se encontrarem e se perderem.

- Não tem nada de natural na perda.


A temperatura da cidade sempre cai depois do pôr do sol. O asfalto parece que deixa de esquentar e absorver calor. Pergunto da tua blusa, você da minha.

 

- Finalmente tá se cuidando.

- Tô.

Penso em dizer: come alguma coisa, você nunca se alimenta bem. Mas não digo, não é da minha conta. Pode parecer invasivo.

De alguma forma que ainda não descobri sempre chegamos na mesma discussão: amar dói. Não é fácil, não é gostoso. Você diz que não tá sentindo nada ultimamente e talvez seja melhor assim. Me lembro daquela história dos teus amigos de Curitiba: amar deve ser como beber um copo d'água, fácil e mecânico. Eu discordo com o mesmo argumento torto usual, amar dói mas é bom na mesma medida. Pra caralho. Teus amigos tiveram sorte.

 

- Isso tem muito mais a ver com você do que com o amor.

- Tô tentando não me sabotar.


Somos sabotadores, naturalmente. Nunca na vida conheci alguém que se agarra tão apertado a todas as oportunidades de se sabotar, talvez eu. Você me conta de seus remédios, de saídas para fazer a dor passar. Eu digo que todo mundo tá se medicando de alguma forma. Tá todo mundo fodido e doente. Te falo daquela música da Elis: pergunta ao teu orixá, amor só é bom se doer.
Começa o filme, sempre te falo sobre alguma curiosidade da gravação, da direção, do elenco, da posição de câmeras. Você diz que jamais conseguiria enxergar nada disso, pergunta como não me perco na história do filme enquanto enxergo todos esses detalhes.

 

Teu problema é de visão, mesmo.


Na volta até o metrô, a gente se abraça. Você beija o topo da minha cabeça e essa é a coisa mais terna que me aconteceu em anos. Seguro tua mão antes de nos afastarmos e digo que quero te ver bem. Você agradece o encontro, diz que está bem e vai ficar. Vamos se ver daqui duas semanas. Cinco ou dez minutos depois me manda uma mensagem com qualquer banalidade, sorrio no metrô, a moça do lado acha estranho e se encolhe na cadeira.

 

A escrita desse texto é uma espécie de vício, assim como você. Escrevo a caminho de casa, realinhamento todos os pensamentos para que volte a fazer sentido que a gente nunca vai dar certo. Leio, releio, ajeito alguns adjetivos. O texto é uma espécie de expurgo. No caminho também penso sobre o que tô fazendo com minha vida, resposta nenhuma supre ou convence.
Serão necessários alguns bons dias até que tudo se reorganize, até que eu tenha claro comigo todos os motivos novamente. Até que você diga pra gente se ver e eu acredite que dessa vez será diferente e eu ficarei bem no fim do dia.

Lembro do poeta dizendo que o verdadeiro defunto é tudo aquilo que não vivemos. Olho pra minhas possibilidades de futuro e em nenhuma delas você tá ausente. Em nenhuma delas você está ao meu lado. É como se, daqui uns anos, esse sentimento que se enfiou dentro de mim ainda estará aqui, como se toda essa confusão em que me meti continuará a ser cotidiana.

 

Suspenso no tempo, nunca e pra sempre.

 

Eu não tenho coragem o suficiente para te afastar da minha rotina, não sou forte, autossuficiente, consciente ou racional o bastante pra dizer: olha, eu sei que nada disso é sua culpa mas cada vez que te vejo dói pra caralho. Então eu imagino um futuro em que você ainda é o meu melhor amigo, porque você é, e eu ainda guardo comigo esse texto e todos os seus significados.
Aí me engano pensando que daqui um tempo você arranjará alguém tão incrível quanto você, que te oferecerá tudo que você tá buscando. E desejo do fundo do meu coração que eu fique feliz por você, que ao saber que você está em uma relação aos poucos esqueça toda essa merda. Escrever tem sido o meu único expurgo, meu único vício além de você, me desculpa qualquer coisa.

 

***

 

O relógio despertou, eram seis da manhã e da janela, atrás de alguns prédios encardidos, o sol raiava. Hermione desligou o aparelho no primeiro alerta, já estava acordada. Dormiu pouco mais de três horas, acordou inquieta durante a madrugada e a agonia que sentia só acalmou quando escreveu todo o texto. Colocou pra fora, expurgou. Agora ela relia tudo pela quinta vez, repensando adjetivos e vírgulas. Depois enviou, via e-mail, o texto para sua própria caixa de entrada. Era mais um dentre os milhares, escritos às pressas e angustias. Jamais teriam remetente, jamais seriam lidos por alguém. Respirando fundo, largou o notebook na cama, se espreguiçou e foi em direção ao banheiro. Antes de ligar o chuveiro, escutou o aviso sonoro do celular, indicando uma nova notificação. Antes de pensar a respeito, seus lábios já se curvavam em um breve sorriso, enquanto lia a mensagem recém chegada:

 

Draco:

Bom dia bebê, saiu um filme novo do diretor ridículo que você gosta.

Comprei os ingressos. Tá afim ou devo convidar a primeira idiota que cruzar meu caminho?

 

O ciclo recomeçou, se lembrou de pensar. E ela, ainda que quisesse, não saberia como quebrá-lo. 


Notas Finais


Bom, quem leu "Entre as Cortinas" sabe bem que eu gosto de um drama e de uma fic com uma pegada mais dark. Espero que curtam!
Temos uma Hermione já apaixonada e escritora, olha só <3 Tenho alguns capítulos dessa fic, se vocês gostarem, postarei o restante semanalmente e também tô bem animada para a escrita dela!

Um abraço e comentem, quero muito saber se estão gostando!
Beijos e até semana que vem


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