História Victim of Love - Capítulo 25


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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Personagens Originais, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Ação, Drama, Got7, Jinson, Longfic, Markjin, Markjinson, Markson, Romance, Suspense, Traumas, Yugbam
Visualizações 209
Palavras 3.655
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores! Tudo bem com vocês?
Recuperados do capítulo anterior? Espero que sim porque o de hoje o capítulo é tenso, pesado e duplo. Sim, atualização dupla pra dividir o sofrimento. Separem os calmantes e se preparem porque É HOJE!

Esse e os próximos capítulos tem como trilha sonora o hino Mayday, então já sabem, né?

Boa leitura!

Capítulo 25 - Quebrados


"Eu gritei, mas tudo que veio foi 'Apenas vá!'

Aquela frase, aquela única frase,

Me fez segurar as mãos

E continuar como um idiota"

Mayday

 

Jinyoung havia passado o dia inteiro em casa, fazendo nada além de ler. Era sua folga e considerando que fazia tempo que não lia algo mais intelectual, resolveu pegar algum dos livros mais filosóficos de Jaebum. Estava fugindo de romances e quaisquer narrativas que pudessem fazer com que ele pensasse demais no que não deveria.

Mas não podia dizer que tinha conseguido se desprender completamente dos pensamento indevidos. Desde que Mark e Jackson haviam, finalmente, assumido o namoro, sentia-se mal. Não, mal não era a palavra. Talvez um pouco triste, cansado, sensível.

Felizmente, o americano nunca mais tinha comentado nada sobre o beijo e na maior parte do tempo, era como se nunca tivesse acontecido. Mas tinham pequenos momentos, como olhares mais demorados e toques perdidos em que pareciam compartilhar alguma corrente elétrica entre eles. Havia ainda as noites difíceis, quando acordava de pesadelos e não queria incomodar JB. Nelas, se permitia lembrar da sensação dos lábios do Tuan sobre os seus, ou dos braços dele ao seu redor. Só assim conseguia voltar a dormir, razoavelmente bem.

As conversas com Jackson haviam diminuído. Era como se tivessem se evitando e Jinyoung acreditava ser melhor assim. Mesmo que se pegasse em vários momentos querendo enviar qualquer mensagem ao chinês. Ainda tinham os momentos em que ele aparecia no Moon’s para visitar ou buscar Mark. Esses eram os mais difíceis, pois era sufocante tê-lo tão perto e tão distante. Ele também não havia dito mais nada sobre saber que o coreano estava por trás daquele plano.

E assim Jinyoung seguia. Evitando pensar em qualquer um dos dois, e falhando miseravelmente.

Quando a noite chegou resolveu preparar um macarrão instantâneo para ele e Jaebum. Não estava com paciência para fazer nada mais que isso. Porém, quando o mais velho chegou, logo avisou que jantaria fora. Sem entrar em mais detalhes, foi direto para o banheiro, tomando um banho demorado e se trancado no quarto. Isso tinha sido há mais de quarenta minutos.

Jinyoung sabia que ele estava evitando tocar no assunto, mas em algum momento teriam que conversar sobre Youngjae. Até tinha tentado, mas Im sempre dava um jeito de fugir. Aquilo não podia seguir adiante e Jaebum parecia não se dar conta disso.

Depois de comer e lavar as louças, decidiu checar algumas coisas na internet. Talvez distrair a cabeça com algum documentário ou filme. Ele estava em dúvida analisando a longa lista de filmes disponíveis no site, quando uma notificação apareceu no canto da tela.

Sua primeira reação ao ver o novo e-mail foi de surpresa, pois quase nunca recebia nada. Mas logo foi substituído por uma sensação ainda mais desconfortável. Só uma pessoa conhecia aquela conta específica. Wonpil. Receber mensagem do amigo era algo não muito frequente por causa dos riscos. Era uma conta de emergência, então era quase cem por cento de chance de ser algo ruim.  

Claro que houve raras vezes em que o conteúdo das mensagens não era nada preocupante, mas ainda assim, era inevitável ficar tenso. Tanto que seus dedos não obedeciam, permanecendo inertes sem clicar na mensagem. Estava mais nervoso que o comum. Quase como se pressentisse algo.

 

— Jaebum. — Sua voz voz saiu hesitante, então após limpar a garganta, voltou a falar, ainda não muito seguro, mas alto o suficiente para que o mais velho ouvisse. – Jaebum, e-mail do Wonpil!

Jinyoung ouviu a o outro dizer que já estava indo e isso aquietou um pouco seu coração. Apenas o suficiente para que ele tomasse coragem e abrisse a mensagem. Ao ver apenas uma frase simples e inocente no espaço do texto, ficou confuso.

Sentiram saudades de mim?

Havia algo errado. Muito errado. Aquilo não parecia ser uma mensagem do seu amigo. O coração de Jinyoung martelava sem dó em seu peito, quando a porta do quarto do Im foi aberta. Ele notou pela primeira vez que havia um arquivo anexado ao e-mail. Uma imagem. Algo lhe dizia para não fazer isso, mas não conseguiu evitar clicar no arquivo. Estava certo.

O ar fugiu de seus pulmões e o macarrão que havia ingerido minutos antes, voltou com tudo. Nem sequer teve tempo de se levantar, antes de despejar tudo no chão ao seu lado.

– Não me diga que é o convite do casamento. – Jaebum vinha sorrindo, embora tivesse alguma tensão em sua voz. Tinha alguma esperança de não ser nada demais e ainda poder encontrar Youngjae naquela noite. –  Eu já disse que só apareço se eu for o padri… nho. – A voz sumiu no instante em que entrou na sala e viu a face pálida do mais novo, que logo em seguida se virou apenas o suficiente para vomitar.

Imediatamente um sinal de alerta soou em sua mente, deixando-o paralisado. Sabia que o que quer que tenha ocorrido era grave e ele não tinha certeza se queria descobrir. Mas mesmo assim, forçou seus pés a irem em direção ao computador, ignorando, a princípio, o amigo no chão ainda ocupado em se desfazer do que tinha no estômago.

Quando seus olhos olhos captaram a imagem aberta no computador, sentiu o sangue sumir de seu rosto, bem como um embrulho no estômago. Aquilo não podia estar acontecendo. Não de novo. Não agora.

Nunca imaginou voltaria a ficar naquela situação, mas ali estava. Uma cena que se repetia como num deja vu, dessa vez, protagonizada pelo velho amigo. O corpo caído de modo desleixado sob uma poça escarlate. Wonpil estava morto.

Im sentiu as pernas fraquejarem e sem poder sustentar o próprio corpo, caiu de joelhos no chão, ainda ao lado da mesa. Seus olhos fixos na imagem, enquanto ouvia o choro de Jinyoung como um eco distante. Nada e tudo passava pela sua cabeça. Queria chorar, queria gritar, queria socar alguém. Mas não podia. Não conseguia. De novo.

– Não pode ser…

Jaebum fechou os olhos ao ouvir a voz de Jinyoung soar quebrada no meio de um soluço.

– Jaebum, ele não… não pode.

Park não queria acreditar. Aquilo tinha que ser mais um pesadelo, não podia ser real. Wonpil não podia estar morto.

Im olhou para o amigo ao seu lado. O corpo ainda meio curvado, apoiado na mesa graças a uma mão. Queria não ter visto os olhos vermelhos, o rosto arruinado em lágrimas. Era tudo tão familiar e ele não queria sentir aquilo de novo. Mas ele precisava acalmar Jinyoung. No final, Jaebum não podia se deixar desabar.

– Jin, se acalma. – Se aproximou hesitante e depois o puxou para seus braços. – Calma.

Ele se viu precisando daquela força.

– Foi ele, JB – sussurrou nos ombros de Im, podia ouvir o desespero se formando. – Ele fez isso. Sungjin o matou.

Jaebum sentia o gosto amargo na boca. Era a dor. O ódio. Aquele sentimento que ele cultivava por essa única pessoa. A única que era capaz de despertar em si o seu lado mais sombrio e perigoso.

– Ele sabe onde a gente ‘tá. – Jinyoung se afastou o suficiente para encarar  o outro e quando seus olhos encontraram os do mais velho, havia dor e desespero. – Ele sabe. Ele vai vir atrás de nós. A gente tem que ir embora daqui.

– Jin, calma! Senta aqui, a gente precisa conversar.

– A gente precisa fugir. – Jinyoung se soltou do abraço se afastando, mas sem deixar de olhá-lo. – Ele vai vir atrás de nós de novo! Ele descobriu que Wonpil nos ajudava e o matou. O próprio irmão.

– Como se isso importasse pra ele, Jin! – Jaebum não queria discutir o parentesco do Kim. Estava triste, desolado, mas acima de tudo, estava com raiva e medo.

Sim o medo. Ainda tinha aquele sentimento de autoproteção que queria fazer com que ele acatasse o apelo do melhor amigo, arrumasse as coisas e sumisse de novo como sempre faziam quando recebiam a dica de que estavam em apuros. Mas não haveria mais dicas. Wonpil estava morto e ele era a única vantagem que tinham.

Eles não podia fugir. Não agora que havia algo o impedia de fazer como das outras vezes.

– Senta, Jin. Você precisa se acalmar. Precisamos pensar direito e esse não é o momento certo para isso.  – Jaebum se aproximou do mais novo, capturando seu rosto entre as mãos geladas para fazê-lo o encarar.

Jinyoung tinha os olhos fixos no mais velho, buscando entender porque ainda não estavam arrumando as malas. Pelo que conhecia de Sungjin, ele provavelmente já sabia onde estavam e ia em sua direção.

A ideia de cair nas mãos do ex-namorado novamente o enojava. Não podia evitar as lembranças ainda tão vívidas em sua mente. Todos os traumas e as coisas horríveis às quais foi submetido. A dor daquela cicatriz sendo cravada em peito. Não podia permitir que aquele monstro o tivesse em suas mãos de novo. Ele preferia morrer a passar por aquilo outra vez.

– Você prometeu, JB. Você disse que nunca mais deixaria ele me pegar. – O tom de súplica do mais novo foi como uma porrada em seu estômago.

– Eu sei. E não vou deixar. Mas nós não podemos simplesmente fugir agora. A gente precisa se acalmar. Pensar, sentar e discutir isso. Mas com a cabeça em ordem. – Im tentou calmamente, mas Jinyoung não estava calmo.

– Discutir o quê? – perguntou se afastando. Não podia acreditar que o amigo não estava sentindo o mesmo medo que ele. A mesma dor. – Jaebum, ele matou Wonpil. Ele vai vir atrás de nós. Ele vai te matar sem a menor piedade. E sabe-se lá o que ele vai fazer comigo. Não tem o que discutir. Eu não estou te entendendo.

Jaebum absorveu cada palavra como um golpe em sua mente. Jinyoung estava certo. Não havia outra solução para aquilo. Nunca houve. Mas ao mesmo tempo, havia mais. Wonpil estava morto e não havia sido o primeiro e agora não seria o último. Quantos corpos de pessoas que amavam eles deixariam para trás?

– Jinyoung, tem muito mais em jogo aqui. Por favor, me escuta. Precisamos pensar antes de fazer algo que a gente possa se arrepender depois.  – O mais velho tentou soar o mais firme possível, sem ser rude. Por mais que por dentro ele tivesse querendo gritar. Sentindo todo o corpo imerso no turbilhão de emoções que tentava manter só para si.

– Por que, Jaebum? – O tom de voz frio fez com que o mais velho encolhesse. Algo lhe dizendo que aquilo não era um bom sinal. – O que mudou?

Tudo. Pensou. Mas nada respondeu, optando apenas por abaixar a cabeça.

– É o Youngjae, não é? – Algo na pergunta soou como uma acusação, que só foi enfatizada pelas palavras gritadas em seguida. – É essa sua paixãozinha inconsequente pelo Youngjae, não é Jaebum? – O mais velho o olhou assustado. – Fala!

– Não é só ele.

Mas o mais novo não conseguia entendê-lo, pois estava tomado pelo sentimento de autoproteção.

– Você vai nos matar por causa daquele garoto!

– Não é só o Youngjae. Você sabe, para um minuto e pensa.

– Jaebum, acorda! Isso não é um filme! Você não vai ficar com o mocinho meigo e inocente que te ama acima. Você vai morrer! Vai morrer por nada. E vai me matar junto.

Aos poucos, o desespero e o medo mesclavam-se a raiva e frustração, transformando-se num bolo de sentimentos venenosos para o Jinyoung.

O mais velho não queria, mas precisou ser mais firme ao falar.

– O Youngjae não é um nada! Ele é… ele é… eu... – Jaebum congelou. Não porque não soubesse como admitir o motivo por não poder ir embora e deixar o mais novo para trás. Mas porque naquele momento a porta do casa se abriu, revelando o mesmo loiro de quem falava com uma expressão assustada e confusa na face.

– O que está acontecendo aqui? Por que vocês estão brigando? – o Choi jogou todas as perguntas de uma vez, Mas logo notou o olhar de ódio que Jinyoung direcionava a si. Jaebum também notou, posicionando-se instintivamente entre os dois.

– Há quanto tempo você está aí? – perguntou o mais velho dos três, sentindo o bolo se formar em sua garganta.

– O suficiente. – respondeu seco, olhando de um para o outro. A desconfiança estampada em sua face. – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui e por que eu ouvi o meu nome no meio disso?

Jaebum até pensou em responder, mas antes que abrisse a boca, Jinyoung se adiantou, se aproximando de Youngjae, o que fez o mais velho aumentar sua posição protetora para o loiro.

– Por que você não pergunta ao seu namorado? – A voz de Jinyoung estava moderada, nem muito alta, nem baixa, mas nela era possível sentir toda a mágoa que estava sentindo. Sua raiva não era direcionada especificamente a Youngjae, e sim à toda a situação. Precisava fazer algo, e só tinha um jeito de acabar com aquilo. – Vamos lá, Jaebum! Conta pra ele! Conta porque vivemos fugindo. Conta porque nossos nomes não podemos aparecer pra polícia. Conta o que você fez! Você não o ama? Ele não te ama? Vamos ver se ele vai continuar te amando quando souber que você é procurado pela polícia? Conta pra ele porque não podemos ficar seguros em lugar nenhum desse país!

Jaebum ficou estático. Entre todas as coisas que Jinyoung poderia fazer, ele não esperava por isso. Não acreditava que o amigo teria coragem.

Jinyoung por sua vez, permanecia cego e determinado. Seu olhar caiu sobre Youngjae, notando que este, por sua vez, mantinha os olhos fixos no Im. A cobrança por explicações estampada em seu rosto. Park sabia que não devia, mas prosseguiu.

– Ele não vai, JB – disse calmamente. – Não vai acreditar em você. Ele pode até não te entregar, mas quem seria louco de confiar em alguém procurado por assassinato.

– Cala a boca! – Jaebum explodiu num grito rouco e seco. Seu olhar caiu sobre o Park, um misto de mágoa, raiva e decepção. Se aproximou, e mesmo sendo pouquíssima coisa maior que ele, pareceu bem mais intimidador. – Como você tem coragem de fazer isso comigo? Depois de tudo que eu fiz por você. De tudo que abri mão. Depois de tudo que eu perdi pra te proteger, você tem a coragem de usar isso contra mim?

Jinyoung se encolheu. A realidade sobre o que tinha acabado de fazer caindo sobre si, como uma tonelada nas costas. Tinha acabado de magoar a pessoa mais importante da sua vida.

– Você é egoísta, Jinyoung. Sempre foi. Mimado e egoísta. – Jaebum estava cego, enquanto gritava tudo que lhe veio à mente naquele momento. Coisas que se pensasse melhor, jamais as diria, pois não acreditava de fato nelas. – Você nunca se importou com ninguém além de você. Sempre teve tudo que quis, fez o que quis e nunca parou uma vez sequer para pensar em como nos afetava. Como me afetava. Você era um Park, afinal. Tão mesquinho quanto os seus pais.

A essa altura as lágrimas grossas escorriam pelo rosto, enquanto ele pensava no quanto merecia ouvir aquilo, pois era tudo verdade. Se sentia de fato, um covarde egoísta.Tinha acabado de provar isso.

– Você trouxe aquele monstro pras nossas vidas. Pra te salvar, eu matei uma pessoa. Para fugir com você e te manter longe das garras daquele louco, eu larguei tudo, inclusive a minha irmã. Por sua culpa, pra te machucar e me machucar, Sungjin matou ela.

Naquele momento, a voz de Jeabum quebrou e Jinyoung pensou que ele choraria, mas mais uma vez, não o fez. Nunca fazia. A única vez que viu o melhor amigo chorar, foi quando receberam um email semelhante ao que tinham acabado de ver, só que com Sunhee no lugar de Wonpil. Depois daquela noite, nunca mais. O mais velho sequer falava sobre a irmã.

– Já chega, Jaebum!

O pedido não veio de Jinyoung. Assim como o toque no braço do Im. Youngjae, que assistia àquilo tudo incrédulo e sem entender nada, notou o quanto as palavras que ambos estavam dizendo um para o outro feriam a eles e por isso, resolveu intervir. Mesmo que a palavra assassinato ainda rondasse sua mente.

Ao ouvir a baixa do estudante, Jaebum parou. A razão voltando, enquanto seu olhar caía sobre o melhor amigo, que agora chorava copiosamente encolhido à sua frente. Mas era tarde demais para recolher o que havia sido dito. Tarde para se arrepender.

Park tinha os olhos fechados, lágrimas jorrando sem controle, enquanto seus ombros caídos o tornavam menor, como se não fosse um homem de quase 24 anos.

– Jin… – Jaebum sussurrou, quase em silêncio.  Levantou a mão, numa tentativa parca de tocá-lo no ombro. Mas Jinyoung o rejeitou, dando um passo para trás. Viu quando o olhar arrependido que estava fixo em si correu até Youngjae.

Sem dizer uma só palavra, Park deu alguns passos de costas e depois se virou, saindo pela mesma que Youngjae havia entrado. A única coisa que queria naquele momento, era ficar longe dali.

Jaebum ficou parado encarando a porta. Sabia que devia ir atrás de Jinyoung. Não sabia do que ele era capaz de fazer naquele estado. Ou pior,  podia ter uma nova crise de pânico ou ansiedade. Mas não conseguia se mover. Era como se tivessem cimentado seus pés ali.

Queria chorar, gritar, correr atrás do mais novo e pedir perdão por tudo que tinha dito, pois não pensava isso de verdade do Jinyoung. Mas ele também o tinha magoado. Sabia do quanto Jaebum sentia remorso pelo que tinha feito, o quanto aquilo o consumia, ainda assim tinha usado contra si.

Youngjae olhava a cena sem saber o que fazer. Estava chocado, assustado e confuso. Tinha acabado de ouvir que Jaebum, o homem que tinha o sorriso mais lindo que conhecia, o mesmo que o ouvia e o entendia melhor que ninguém, a quem estava entregando seu coração, era um assassino. Fora isso que Jinyoung tinha dito? Não tinha certeza.

Porém,  quando viu as lágrimas começarem a escorrer dos olhos do mais velho, enxergando neles toda a dor que ele sentia, não resistiu. Apenas foi até o moreno, que simplesmente caiu em seus braços, enterrando o rosto no ombro do menor.

Jaebum desabou, como nunca tinha feito. Talvez nem mesmo quando soube que sua irmã estava morta. Deixou toda a dor que sentia escapar de uma vez, se enterrando no Choi, como se não houvesse mais nada em que pudesse se apoiar.

Não havia, já que Jinyoung não estava ali.

Nem sequer percebeu quando foi levado até o sofá.

Youngjae ouviu os soluços do Im inerte. Nunca imaginou vê-lo daquele jeito, tão frágil,  tão quebrado. Não sabia o que dizer, então apenas o deixou se acalmar.

Depois de um tempo, Jaebum se afastou, o olhar para na porta. De repente algo despertou em si e ele se deu conta de que não podia ficar ali. Não podia se deixar cair.

– Preciso ir atrás dele. – Se levantou.

– O quê? Não! Nem pensar.

– Eu não posso deixar ele sair por aí desse jeito. – A voz soava um tanto mais desesperada.

– Se você for atrás dele desse jeito só vai piorar as coisas. – O loiro segurou o rosto do outro com as duas mãos, fazendo com que o moreno o encararasse. – Vocês acabaram de brigar, estão de cabeça quente, não me parece uma boa ideia.

– Você não entende, ele só tem a mim. Se acontecer alguma coisa com ele... a culpa vai ser minha.

– Não vai acontecer nada. – Youngjae tentou tranquilizá-lo, mas não tinha certeza. Tinha visto como Jinyoung havia saído transtornado dali e mesmo não sendo tão próximo, estava preocupado.

Jaebum queria acreditar no estudante, mas àquela altura, só conseguia pensar no fato de que Jinyoung estava por aí, abalado e sozinho. Se ele tentasse fugir? Ou pior, se Sungjin aparecesse?

Sungjin.

Pensar nele fez seu sangue ferver novamente, e no instante seguinte o Im foi em direção a mesa, onde o notebook ainda estava aberto na foto. Engoliu em seco, fechando a visualização, checando a mensagem. Nada além de deboche.

– Desgraçado! – Num impulso de raiva, empurrou o aparelho da mesa com tanta força, que ele se chocou contra a parede, caindo em pedaços. Ainda no calor da fúria, o próximo objeto a pagar foi a cadeira, que recebeu um chute, voando longe.

Youngjae apenas observava àquilo ainda mais assustado. Jaebum sempre lhe pareceu alguém controlado, nunca imaginou vê-lo tão raivoso.

– Jaebum, pelo amor de Deus, para com isso! – O loiro gritou, e para seu alívio o mais velho o atendeu, respirando fundo. Parecia buscar se acalmar.  

– Por que você ainda está aqui? – O moreno perguntou com a voz trêmula. Sua cabeça pendendo para o lado, os olhos cruzando com o do loiro. Haviam lágrimas ali e uma dor profunda. O que Im tanto temia, iria acontecer. Perderia Youngjae.

O estudante se surpreendeu com a pergunta, pois também não sabia respondê-la. Afinal, depois de tudo que vira, que ouvira, do medo que estava sentindo, já deveria ter feito como Jinyoung e ido embora. Mas ao olhar para o mais velho, não conseguia. Pois conseguia ver o quanto ele estava desolado. E também, porque depois de tudo que tinha acontecido ali, não podia simplesmente ir embora sem respostas.

– Eu disse que ia esperar, não disse? – O moreno assentiu deixando os ombros caírem, e Youngjae continuou no mesmo tom moderado. – Mas não dá mais. Não depois do tudo que ouvi aqui.

Novamente Jaebum assentiu, caminhando em direção ao sofá onde tinha acabado de sentar com o mais novo e nele se jogando, visivelmente cansado. Sentia o corpo pesar e a cabeça doer, mas não podia mais evitar mais aquela conversa. Sempre tentou imaginar como faria, mas nunca imaginou que seria nessas condições.

Youngjae sentou ao seu lado, vendo o moreno esconder o rosto entre as mãos. Estava com medo do que ouviria. Mas não podia voltar atrás agora. Só esperava não se arrepender.

– Eu vou te contar tudo – murmurou com a voz falha e baixa. – E se você quiser ir embora depois, eu vou entender.

– Então conte.


Notas Finais


É isso. Vou já postar o próximo capítulo.


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