História Vida Circense - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen
Tags Chanbaek, Circo, Exo Kids, Romance
Visualizações 44
Palavras 3.869
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


estou aq com uma oneshot bem frufru dos chanbaek e espero q vcs gostem

Capítulo 1 - Circos não são feitos apenas de palhaços


era fim da tarde, normalmente eu trabalhava, mas havia um tempo que ninguém pedia pelos meus serviços noturnos, provavelmente a cidade estava toda no circo.


o circo.


havia chegado fazia dois dias e ninguém parava de falar sobre as apresentações estranhas que se seguiam uma depois da outra. eu odiava o circo, pois bem, odiava.


em uma dessas noites quentes e inquietas, minha mãe me chamou na cozinha, seu vestido um pouco amassado por conta do avental e o lenço que usava para segurar os cabelos negros agora servia para limpar a testa úmida de suor. a perguntei se ela gostaria de ajuda, porém o assunto que ela iria tratar comigo era outro.


ㅡ quero que leve seu irmão para algum lugar.- seu tom calmo me estranhou no início ㅡ sabe, channie, jongdae anda muito triste, para baixo, acho que o motivo foi a mudança do vizinho, eles eram muito apegados, mas os pais da criança quiseram dar um futuro a ele na cidade grande. enfim, o leve para tomar sorvete ou brincar no parque, você sabe do que seu irmão gosta.


sem discutir voltei para o meu quarto, na casa pequena era possível de se ouvir a conversa por entre as paredes, por mais que estivéssemos longe e falando baixo, portanto, quando cheguei em jongdae, ele já sabia dos planos para a noite.


com uma relutância incomum, jongdae se vestiu depois de insistir muito, ele estava realmente triste e isso me partia o coração, naquele momento gostaria de ter mais possibilidades de entrete-lo além da caminhada sem nenhum lugar fixo para ir.


não gostaria de ter saído de casa naquele momento, meu peito ainda doía pela rejeição da mulher que amei, estava querendo me martirizar por um tempo, pensando no que eu poderia dar a ela para que fizesse-a ficar.


o amor dói, naquela época eu achava que era apenas isso o amor, um golpe, duro e forte contra o seu estômago, mas jongdae me ajudou a mudar essa perspectiva.


a noite era estrelada e a pipoca estava cheirosa, lembro que meu irmão havia reclamado de fome e com alguns trocados no meu bolso, lhe paguei a pipoca. em frente do carrinho se estendia a grande lona vermelha e branca, várias luzes e placas. jongdae pediu para que fossemos dar uma olhada nos grandes cartazes estendidos ao longo do caminho até a entrada do circo.


a movimentação era grande, segurei firme na mão de jongdae sem deixá-lo se perder. sua reação ao ver a mulher barbada, o homem que engole espadas, contorcionistas e várias outras esquisitices típicas de circo, era impagável, ele sorria e apontava, me perguntava como essas coisas eram possíveis e eu, maravilhado com a inocência dele, apenas respondia que não fazia a mínima ideia.


paramos em frente a um cartaz, o último, jongdae olhou encabulado para ele, provavelmente tentando achar a esquisitice da vez, quando não achou se virou para mim, ainda com o rosto confuso, e perguntou:


ㅡ hyung, por que ele é normal?- o menino de dez anos ainda não tinha entendido que o tal de byun era apenas um músico.


ㅡ oras, ele apenas toca violão, dae. se o colocaram aqui provavelmente tem um bom motivo.- respondi simples e fiz menção de voltar, mas jongdae não me seguiu, seus olhinhos estavam vidrados na entrada brilhante a sua frente.


ㅡ gostaria tanto de entrar aí, hyung.- sua voz murcha e triste me comoveu, eu iria tentar a coisa mais mirabolante e precisava que desse certo.


um tanto distantes da lona onde acontecia o espetáculo, esperamos o show começar, o movimento foi ficando menor até que quase nulo, momento perfeito para colocar o meu plano em prática.


demos a volta por entre os trailers dos artistas, e achamos uma parte solta, primeiro foi jongdae, eu tinha lhe dito para entrar e me esperar por debaixo das arquibancadas. quando estava pronto para me esgueirar pela grama e entrar escutei vozes, me escondi atrás de um dos trailers e esperei irem embora, mas demoraram.


no momento em que não escutei mais nenhuma voz, corri para passar debaixo da lona. demorou um pouco, mas achei jongdae, sentado no chão e vendo o show por entre os pés das pessoas, sorri com o sorriso dele e fui engatinhando até ele.


ㅡ finalmente, hyung, achei que iria perder o final.- jongdae sussurrou para mim e logo em seguida sua atenção estava no mágico fazendo seu último truque.


anunciaram o fim do espetáculo e pediram para que esperássemos o encerramento. foi nesse momento que o vi pela primeira vez, as luzes todas apagadas e um holofote iluminava o centro do espaço, onde um rapaz de pele clara e cabelos castanhos estava, seu violão sendo apertado com força, acho que ele estava nervoso, mas deus como ele estava bonito.


em poucos instantes a música começou, todos os ruídos cessaram e sua voz voou até meus ouvidos, agraciando minha audição, meus olhos não saíam dele, a pele branca refletia contra o holofote, como se brilhasse por si só, os dedos ágeis e esbeltos corriam pelas cordas, tocando-as com maestria. eu sei tocar violão, mas apenas tocar, aquele menino, a última atração, o encerramento, ele sentia o violão, ele conhecia a música e passava toda a dor dele para a plateia com o mínimo de esforço, porém ainda assim se saía extremamente bem.


era como se em cada nota tocada um sentimento ia disparando em mim, no início me senti triste, a voz dele cantava coisas como aquelas que gostaria de dizer para a mulher que me deixou. a minha vida estava em cada uma daquelas palavras e eu, de imediato, me encantei por isso.


não sei quando a música acabou, apenas voltei para a realidade quando eu e jongdae estávamos na calçada, seguindo para casa.


a partir desse dia resolvi ir ao circo todos os dias, sempre levava jongdae comigo, afinal precisava de alguma desculpa.


e jongdae adorava as saídas a noite, sempre pegava um lanche ou outro para comer durante as apresentações. eu podia ver seus olhos brilharem com as bizarrices do circo, ele sorria sempre que o palhaço caía, se maravilhava ao que o mágico transformava seu lenço branco em uma pombinha da mesma cor.


porém, eu apenas prestava atenção na última apresentação, byun era incrível, com seus dedos ele tocava as notas que espantavam todas as minhas dores de coração partido, sua voz encantava de maneira hipnotizante e me convidava a escutar por mais.


todas as apresentações que fui eram como a primeira, e eu sempre fiquei maravilhado com isso.


em uma dessas idas até o circo, jongdae acabou que demorou a sair, seu pé estava dormente e só conseguimos sair de dentro do lugar quando todos já haviam ido.


hoje eu agradeço o acontecimento, mas no dia eu estava me tremendo de medo. ao que saímos, jongdae esbarra no palhaço que estava voltando para seu trailer.


o homem estava sem a peruca e parte da maquiagem havia ido embora, pude ver um rosto mais jovem do que esperava, e esse rosto jovem olhava com estranheza para meu irmão.


一 o que estava fazendo aí, hein?- não pude notar o tom com que ele dizia as palavras, mas na hora havia abrido a boca para dar alguma desculpa, ele percebeu, mas estendeu a mão na minha direção, simbolizando para eu parar de falar 一 se não se importar, quero ouvir a resposta dele.


se abaixou até ficar na altura de jongdae, segurou nas pequenas mãos dele e o olhou bem nos olhos, enquanto fazia isso, repetiu a pergunta.


一 eu queria... ver... o mágico.- sua voz saiu suave e baixa, quase não ouvi, mas percebi que o outro havia escutado com clareza.


ㅡ só o mágico?- um sorrisinho brincou nos lábios do palhaço, que logo sumiu.


ㅡ n-não! também queria ver o palhaço! os construcionistas, o homem que engole espadas, a mulher barbada.- ao ver o sorriso no rosto do palhaço crescer, jongdae se viu na liberdade de falar e começou a conversar com o estranho 一 como pode uma mulher ter barba hein? um dia eu queria ter a barba igual a dela.


o palhaço riu e se estendeu de pé, sem soltar da mão de jongdae.


一 quer conhecê-los de perto?- o palhaço pergunta, seu sorriso era evidente agora.


jongdae sorriu de volta e concordou freneticamente com a cabeça. na hora comecei a negar, estava pronto para pegar a mão de jongdae e arrastá-lo até em casa e nunca mais voltar para lá, mas neste momento minhas palavras foram cortadas. byun havia entrado em meu campo de visão e roubado toda a atenção.


minha boca estava aberta, porém as palavras morreram na garganta, estava o vendo de perto e ele estava me vendo por inteiro. nem notei quando jongdae se juntou aos outros do circo, estava preocupado em gravar como Byun ficava ainda mais lindo de perto.


一 sabe, não somos ruins, pode deixá-lo com minseok.- ele sorriu fraco 一 fora que vocês meio que devem para a gente, o que custa deixar minseok brincar com seu irmão?


e então ele riu, foi tão mágico quando tirar um coelho da cartola, seus olhos se espremendo, quase fechando, os dentes aparecendo, ele estava lindo como sempre.


一 hm, então, então tudo bem. - respondi no automático, não fazia ideia de como agir do lado dele.


byun me levou para perto de seu trailer, os outros estavam todos ao redor de uma fogueira, conversando e rindo de jongdae, enquanto jongdae se sentia confortável o suficiente para brincar com todos.


me sentei em um banco que byun havia me dado, estávamos mais afastados da fogueira, apenas eu e ele, não me incomodei nem por um segundo.


conversamos muito, descobri que seu nome era byun baekhyun e que estava com o circo pois havia fugido de sua cidade natal, estava se reinventando, longe de seu padrasto e qualquer peso que tinha antes.


bebi chá enquanto ele se contentava com whisky, era estranho o contraste, mas foi os pequenos detalhes que me chamou a atenção.


olhei no relógio e já eram onze horas, minha mãe deveria estar uma fera, precisava voltar. me levantei rápido e observei seu olhar confuso em mim.


一 preciso ir. minha mãe não sabe onde estou e provavelmente está desesperada agora.- começo a andar para buscar jongdae 一 desculpe.


antes de me afastar muito, sinto minha mão ser agarrada e me viro, seu olhar iluminado pela lua me causou um arrepio bom subindo pela minha coluna.


一 volte amanhã, por favor.- ele pede com a voz baixa, porém clara, seus lábios se encontraram com a pele de minha mão e depositou um beijo silencioso ali, diante de tal ato não pude negar o pedido.


com jongdae no colo andei o mais rápido que pude para casa e ao chegar escutei uma bronca grande vinda de minha mãe. não ligava, na verdade nem havia prestado atenção, a não ser na última parte, onde ela me proibiu de ir ver o circo.


mas eu precisava ir vê-lo, eu prometi que voltaria e agora estava tudo indo por água abaixo.


naquela noite me deitei pensativo, deveria achar um jeito de sair na noite seguinte sem que minha mãe percebesse. de relance olhei para a janela quebrada do meu quarto, ela não trancava mais e não fazia tanto barulho. era outro plano mirabolante, mas como o primeiro, esse tinha que dar certo.


me levantei no dia seguinte ansioso para a noite, fiz todo o meu trabalho rápido, como se as horas dependessem de minhas ações. não ajudou muito, mas minha mente se ocupou durante algumas horas.


depois do jantar, dei boa noite para minha mãe e esperei a certeza de que ela dormia, felizmente o sono pesado dela impedia-a de ir visitar meu quarto durante a noite.


já era madrugada quando me levantei e abri a janela, no mesmo momento jongdae acordou, meu coração deu dois saltos e parou, ele não pode me dedurar agora.


一 você vai para o circo, hyung?- sua voz baixinha e sonolenta, concordei com a cabeça 一 posso ir?


concordei novamente com a cabeça, qualquer barulho parecia ser monstruoso na madrugada.


em dois segundos jongdae estava arrumado e desperto, nem parecia que dormia tranquilamente alguns minutos atrás.


saímos pela janela e corremos até a esquina, o vento frio da noite cortava meus pulmões e queimava minha garganta, mas eu me sentia motivado a continuar, precisava ver Baekhyun novamente.


andamos depressa até o circo, fazendo o mesmo caminho da primeira vez, mas os sentimentos eram diferentes. antes estava amargurado com a dor da rejeição e desta vez me encontrava ansioso para cair novamente nos encantos de baekhyun.


mais alguns passos e contornamos a lona, vi a fumaça da fogueira mais a frente, andei olhando pelos cantos, procurando pela figura conhecida, até que a achei sentada em um banquinho, seu violão na mão e a luz da fogueira apenas sendo o suficiente para me fazer enxergar sua silhueta, mesmo vendo apenas seu contorno sabia que baekhyun estava lindo como sempre.


naquele momento eu somente refletia sobre a leveza e o charme na aparência de byun, assim como sua personalidade bastante carismática e adorável, eu pensava que minha mente iriam até aí, entretanto, sem perceber ou pedir, caí de amores pelo rapaz que tinha a voz bonita.


sempre achei que meu primeiro amor verdadeiro iria ser a mulher com quem iria me casar, só que com o tempo aceitei a ideia de que o meu primeiro amor havia sido um jovem circense, que cativou não apenas a mim como também cativou a jongdae, não que isso fosse uma grande surpresa, jongdae era fácil de se impressionar.


com poucos segundos no local, jongdae já havia corrido para os braços do mágico que estava na fogueira, por isso não perceberam a minha presença se direcionando até o último trailer, onde uma voz soava de modo comovente.


me sentei na grama mesmo, pouco me importando se o sereno iria me molhar ou a terra me sujar, apenas não queria incomodar byun para pedi-lo um banco, e assim esperei pacientemente os últimos acordes da música chegar.


ㅡ achei que não viriam hoje.- ainda dedilhando as cordas do violão, baekhyun diz e por alguns segundos tive que encará-lo para saber se era comigo que ele falava ou era apenas parte de sua música.


ㅡ não pude vir para o espetáculo, desculpe.- mesmo que o espetáculo eu esteja vendo agora e apenas para mim, era o que eu gostaria de ter dito.


ㅡ as arquibancadas ficaram vazias sem vocês.- baekhyun comenta sem parar a música, sua cabeça acompanhava o ritmo de seus dedos, indo para lá e para cá.


ㅡ não é como se ficassemos de fato nas arquibancadas. - brinquei e finalmente consegui fazê-lo rir, seus dentes alinhadinhos, o modo como ria com os olhos, demonstrando um sentimento sincero, me senti ainda mais encantado pelo circense.


seus dedos erraram uma nota, pude perceber, mas ele ainda assim não parou de tocar. na minha cabeça tudo parecia cena de filme, com direito a trilha sonora e um galã no papel principal (o dele no caso), e eu fui afundando mais e mais nos encantos intermináveis de byun baekhyun.


ㅡ sem você ali, parecia que meu motivo para cantar havia se acabado.- sua confissão saiu melódica junto ao tom do violão, me senti feliz e surpreso com as palavras ditas, nunca havia sido o motivo de alguém para algo tão bonito.


conversamos durante horas, até perceber que jongdae tinha dormido no colo do palhaço, naquele momento saí do mundo onde estava apenas com baekhyun e me dei conta do horário, tive de sair às pressas, apenas escutando novamente o pedido de byun


volte amanhã.


foi assim durante uma semana, eu sempre voltava no dia seguinte, nunca mais assisti ao espetáculo depois de ter sido proibido pela minha mãe. também nem sempre jongdae me acompanhou, algumas vezes ele apenas ficava em casa e dizia que estava muito cansado para correr até o circo.


e foram nesses dias que eu percebi o penhasco de que havia me jogado. no primeiro dia sem jongdae, baekhyun me levou para dentro do seu trailer, conversamos como sempre e nós finalmente nos beijamos.


lembro da sensação até hoje, como eu fiquei surpreso no início e também queria me afastar, afinal, meninos beijam meninas. byun, ao ver minha hesitação, se desculpou e disse que confundiu os sinais. eu não o respondi, estava concentrado na sensação em que ele havia deixado na minha boca, não eram lábios doces e com textura macia, fruto de cosméticos de beleza e tratamentos. seu beijo tinha gosto de álcool e menta, provavelmente do chiclete que mascava mais cedo, os lábios não eram necessariamente macios, mas eram quentes e gostosos de se sentir contra os meus.


durante seus pedidos de desculpas, apenas notei a mão que continuava sobre minha coxa e o jeito como suas orelhas estavam um pouco mais avermelhadas, talvez por conta da vergonha de não ter sido correspondido. lembro-me de que byun não havia terminado de falar, eu levei minhas mãos até sua nuca e novamente o puxei para um beijo.


não sabia o que estava fazendo, mesmo que uma pontada no meu interior dizia que isso era possivelmente errado, senti apenas a adrenalina de estar fazendo algo que queria há tanto tempo e nem sabia. ficamos durante isso até de madrugada, beijos e algumas curiosidades um sobre o outro, até que tive de voltar para casa mais uma vez.


e ele sempre me dizia para voltar no outro dia.


continuamos assim, beijos e às vezes algumas carícias trocadas, vivíamos juntos, dentro do quarto improvisado do trailer, vendo como minha mão era maior que a dele, mostrei até que sabia tocar violão e arrisquei cantar, mesmo odiando minha voz, porém, de alguma forma, ele a amou, dizia que eu deveria cantar mais vezes.


ㅡ principalmente depois de um beijo.- ele acrescenta, passando os dedos bonitos pelo meu rosto e cabelos, descendo até as cordas do violão que continuava sobre meu colo ㅡ sabe, é quando sua voz fica rouca, eu gosto de como ela soa. você poderia cantar para mim durante minha vida inteira, nunca iria me enjoar.


o tempo estava quente e mesmo que nós dois tivéssemos tirado a camisa ainda haviam algumas gotas de suor escorrendo pelos nossos corpos, porém isso não impediu de nos abraçar e ficarmos assim até a hora da despedida.


com a porta do trailer entreaberta byun me pediu para voltar.


se não me engano era uma sexta feira, jongdae me pediu para levá-lo desta vez e assim eu fiz. ele não deu a mínima quando entrei com baekhyun, apenas continuou conversando com seus incomuns amigos.


byun me beijou, eu o abracei, vivíamos em uma cena de romance, mas eu percebi que algo lhe deixava inquieto, então logo perguntei o que atormentava sua mente.


ㅡ uhm, você sabe, o circo não vai ficar aqui para sempre.- ele diz calmo e baixo, acho que tentava fazer com que eu não entrasse em pânico, o que foi em vão. nossos dias juntos haviam sido tão bons e sempre houve o "volte amanhã", então sequer pensei que tudo isso iria acabar.


ㅡ você poderia desistir de tudo e ficar aqui, comigo.- dei a ideia com os dedos mentalmente torcidos, esperando que ele aceitasse ficar.


ㅡ me desculpa, channie, mas eu não posso.- seus dedos fazendo o caminho que eu tanto amava, traçando meu maxilar e seguindo para as maçãs do meu rosto, quase me esqueci do momento crítico que estávamos para enfrentar ㅡ todos aqueles caras lá fora são minha família e eu simplesmente não posso deixá-los.


meu olhar caiu, eu estava triste o suficiente para chorar, mas não o fiz, não gostaria de fazê-lo se sentir culpado ou coisa do tipo.


ㅡ eu até pediria para você fugir comigo.- seus dedos novamente brincaram comigo, se enlaçando entres os meus, mostrando o claro contraste entre minhas mãos e as dele ㅡ você e o dae seriam bem vindos na nossa família.


dava para ver no tom das palavras que baekhyun tentava me convencer em fugir, por um momento até pensei na possibilidade, não haveria problema, certo? jongdae consegue se dar bem com as pessoas facilmente, achariam um trabalho para ele no circo, eu também poderia ajudar em algo, quem sabe até poderia tocar o violão enquanto byun cantava. todos esses pensamentos me arrebataram com força, eu estava prestes a largar tudo por byun baekhyun, até que ele voltou a falar.


ㅡ mas eu entendo, você não pode deixar sua mãe e eu me sinto feliz por isso.- novamente o sorriso sincero em seu rosto, baekhyun tentava me acalmar, mas ele também estava na beira do choro ㅡ eu seria muito feliz de ter você comigo, acompanhando o circo para onde formos, estaríamos juntos e seria maravilhoso, mas você não deve abandonar sua mãe.


ele estava certo, sempre estava.


minha mãe foi deixada pelo meu pai e desde aquele dia prometi nunca abandoná-la também, mal consigo pensar, sem me entristecer, na cara que ela faria se soubesse que eu e dae iríamos com o circo.


o assunto acabou ali, não o permiti falar algo a mais, apenas o beijei como se fosse nossa primeira vez e foi assim, entre beijos e juras de amor abstratas, as horas passaram e novamente tive de ir para casa. desta vez jongdae não estava dormindo, o que facilitou o meu trabalho na ida até nosso lar. porém, antes de me afastar do trailer, me virei para baekhyun, que estava encostado do lado de fora, sem sua camisa e com um sorrisinho, que eu julguei ser apaixonado, no rosto e enfim lhe perguntei.


ㅡ nos vemos amanhã?- um sorriso inevitável cresceu em meus lábios e só aumentou quando o vi andar até mim e me beijar novamente, até perdermos o ar completamente.


ㅡ eu desejo muitíssimo que sim, channie.- byun sussurrou contra minha boca e deu o último beijo de despedida.


sorrindo de orelha a orelha voltei para casa, dormi por apenas algumas horas, mas não me sentia cansado.


durante o dia, fiz as coisas com muito carinho e suspirava pelos cantos, eu apenas esperava a hora de voltar para o alojamento do circo e encontrar byun novamente.


quando finalmente chegou a hora, jongdae quis ficar, até pediu para que eu não fosse também, achei o comportamento estranho na hora, mas agora entendo que ele apenas queria me avisar do que iria acontecer.


ao virar a esquina para poder entrar no local onde o circo ficava, notei a falta de iluminação e fui diminuindo os passos, pouco a pouco fui percebendo o que aconteceu ali.


o circo havia partido.


sem mais mágico.


ou palhaços.


ou música.


sem mais o incrível byun.


ou baekhyun.


ou os beijos de byun baekhyun.


estava tudo vazio, frio e feio, como se faltasse um pedaço da cidade ali. o choro da noite passada alcançou minha garganta e as lágrimas saíram de uma vez, eu não estava pronto para me despedir.


olhando em volta, vi um papel grudado em um poste aleatório, andei até ele e li o que estava escrito numa letra bonita.


prometo me lembrar de você, se você se lembrar de mim


ass: byun b.


chorei ainda mais olhando para o bilhete, me sentei na guia da calçada e despejei todas as minhas frustrações ali, até que, quando me senti mais calmo, voltei para casa.


passei meses pensando em byun, em como poderíamos ter ficados juntos, porém tive que seguir minha vida. em um momento apareceu uma mulher por quem me apaixonei, nos casamos e hoje temos até netos.


nunca senti por ela ou por outro alguém o que uma vez senti por byun.


e mesmo tendo me casado e tido filhos, espero que, onde quer que ele esteja, ele se lembre de mim, pois nunca o esqueci, e ele havia prometido nunca me esquecer também.



Notas Finais


e foi isso amores, espero muito q tenham gostado sz


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