História Vidas Vazias (Spideypool) - Capítulo 5


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Categorias Deadpool, Homem-Aranha, Os Vingadores (The Avengers), X-Men
Personagens Anthony "Tony" Stark, Maria Hill, Nick Fury, Peter Parker (Homem-Aranha), Professor Charles Xavier, Wade Willson (Deadpool)
Tags Auto-aceitação, Bdsm, Marvel, Mutantes, Romance, Spideypool
Visualizações 1.058
Palavras 4.300
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Finalmente cumprindo com os prazos.
Espero que gostem!
E muito obrigada, meu caro leitor, por estar me suportando até aqui.

Capítulo 5 - Passividade


Fanfic / Fanfiction Vidas Vazias (Spideypool) - Capítulo 5 - Passividade

PASSIVIDADE

Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação.

Jean-Paul Satre

 

A parte mais difícil da vida foi assumir que apesar da personalidade dominante ás vezes preferia sofrer ações á cometê-las. O que me tornava o ser humano mais contraditório da história ou simplesmente alguém com confiança para poder empregar ambos os papéis sem sentir-se fragilizado. Versatilidade. Esse era o ponto. Tudo isso fora esquecido ao relembrar que eu o tive uma vez em minha boca experimentando quão fundo ele poderia chegar e não sabia como um membro daquele tamanho entraria em mim. Fora que a estimulação do pequeno objeto de tortura não ajuda nenhum pouco no meu raciocínio.  No momento o homem que se negava a me beijar se ajoelhava fora da cama cuidando de dar lambidas nas partes internas de minha coxa provocando uma convulsão em meu peito. Olhava-o e desejava tanto poder estar agarrando suas escápulas rígidas, no entanto fui veementemente proibido disso por ser... Insolente?

– Adoro ouvir você gemendo. – seu hálito quente eriçou meus pelos ao entrar em contato com os poros molhados com saliva na região interna da coxa.

Por birra prensei os lábios para que nada mais escapasse, no entanto foi impossível e acabei grunhindo ao sentir novamente a suavidade de sua língua. A descoberta de novos prazeres era instigante. Eu tinha ânsia por mais como se nunca pudesse ser saciado por essa vontade. Isso se devia ao fato de ser minha primeira vez apesar de eu já ter experiência sexual, apenas não nesse ramo específico. Ele saiu do meio das minhas pernas e passou o dedão pelo lábio inferior lambuzado de saliva só para me irritar. Arrastou-se de quatro para cima ficando com o corpo suspenso acima do meu. Apertei tão forte os lençóis de linho que pude sentir a circulação de sangue sendo travada na área.

– Essa posição em que estamos, – afagou meus cabelos. – É perfeita, não?

– Por q...

Adentrou com dois dedos dentro da minha boca, silenciando a minha pergunta. Fechei os olhos imaginando que aquilo era algo bem diferente e comecei a chupá-los com vontade tendo muito rapidamente ambos arrancados de mim. Gemi em protesto e voltei a me calar ao perceber a expressão maliciosa do meu amante.

– Porque eu posso assistir todas as suas expressões conforme eu... – algo cutucou minha entrada e eu sabia agora para que eu precisei lubrificar seus dedos. – Te devoro.

Penetrou lentamente deixando que eu me acostumasse, alargando outra vez meu ânus para o que viria em seguida. Os estímulos enviados pelo anel peniano e agora pelos dois invasores se remexendo em tantos movimentos me fizeram delirar causando uma sinfonia de gemidos altos com palavras desconexas.

– Por favor... – acabei deixando escapar um sussurro.

– Desculpa. Eu não consigo te escutar. – sorriu perversamente.

– Por favor! – dessa vez gritei.

– Basta que você peça, Peter!

Esse homem me queria de joelhos a sua total dependência e não tenho dúvidas de que me teria devido minha embriaguez de prazer.

– Eu te quero dentro de mim!

Cai com tudo para trás sentindo a musculatura relaxando quando seus dedos se retiraram de mim, mas a sensação durou pouco, pois algo mais grosso estava prestes a vir.

– Está confortável? – perguntou em tom suave bem diferente de seu olhar sombrio.

– Sim. – falei entredentes tentando não gemer mais ainda com o pequeno vibrador que me estimulava.

Pairou sua face próxima a minha beijando a testa que escorria uma fina camada de suor pelo nervosismo.

– Eu prometo que vou fazer disso a melhor coisa que te aconteceu na vida.

Assenti em resposta. Confusão se instaurava em mim. O homem a minha frente sofria de sérios distúrbios dissociativos de personalidade. Ameaçador durante uma dança que deveria ser leve, um possessivo egoísta dentro de uma sala com propostas de compartilhamento, sádico ao me espancar nas escadas, dominador impondo suas regras por minha goela abaixo e agora se mostrava tão delicado. O que eu poderia esperar desse show de imprevisibilidade?

– Eu confio em você. – pontuei.

Uniu as sobrancelhas como se a frase tivesse surtido o efeito contrário do esperado. Recompôs-se rapidamente sorrindo para mim, mas eu já havia percebido que algo muito errôneo acontecia dentro de sua mente. Tentei assimilar as inúmeras sensações que as terminações nervosas enviaram para meu cérebro, no entanto meu raciocínio não funcionava mais. Afoguei-me na concupiscência e só pude urrar com a penetração que abria caminho por minha via estreita buscando pela mesma coisa que eu: a libertação de seu prazer. Perdi meus traços de consciência quase avançando sobre ele para tocá-lo, mas recordei-me a tempo da sanção que me seria aplicada.

– Tão perto e tão longe. – me provocou.

Afundou todo seu comprimento dentro de mim atingindo um ponto sensível causou um grunhido gutural de mim. Ao invés de continuar com as estocadas pausou durante dois segundos intermináveis só para testemunhar minha expressão atordoada.

– Pelo visto encontrei seu ponto G.

– Continua, por favor.

– E se eu não quiser? – abocanhou meu mamilo direito e eu me contorci o sentindo pegando em minha cintura, puxando-me para baixo só para se atravancar ainda mais em meu interior.

Queria suplicar para que ele mudasse de ideia e meu orgulho impedia. Lancei a cabeça para trás e me prendi com força aos lençóis quando ele retornou com estocadas contínuas e enérgicas das quais fui me acostumando à medida que meu corpo aderia ao invasor. Os testículos batiam com tudo em minhas nádegas e isso me levou a loucura.

Coloque imãs de polos iguais juntos e eles se repeliram. Junte duas pessoas com personalidades diferentes em um quarto e veja como se atraem. Esse foi o meu fatídico caso ao não suportar a distância imposta. Avancei abraçando seu pescoço e envolvendo as pernas na sua cintura. Com os pés empurrei o traseiro dele o incentivando a ir mais rápido conforme as minhas mãos ávidas passeavam por seu corpo. De início ele não pareceu se importar com o comportamento rebelde e pensei ter me livrado do castigo. Afundou a face no meu pescoço, apertando a pele nos dentes a ponto de eu sentir a seiva do sangue escorrendo.

– O que eu disse para você? – questionou

– Que eu iria pagar caro. – falei com a voz trêmula em nervosismo.

– Então será exatamente isso que vai acontecer.

Colou nossas testas pegando em meu cabelo e me forçando a ficar naquela exata posição. As respirações ofegantes se mesclavam e as bocas ficavam distantes por tortuosos milímetros. O orgasmo batia na porta querendo arromba-la e não tendo sucesso por causa do maldito brinquedinho de tortura que envolvia meu membro.

Você vai depender de mim e eu dependerei de sua boa vontade

Então era isso que ele queria dizer? Precisava arrumar um modo de contornar a situação e depressa caso eu quisesse realmente gozar ainda hoje. Travei a mandíbula e dessa forma as minhas paredes internas se fecharam ao redor do pênis dele que continuava a dar rápidas estocadas.

– Porra! – soltou tendo de se apoiar em mim. – Não adianta tentar me agradar.

– Por favor, senhor. – falei manhosamente alisando seus ombros. – Queria tanto gozar com você.

– Já abri concessões demais para você... Ah...

Pude sentir o seu corpo estremecendo em espasmos que denunciavam que meu admirador chegou onde queria. Espalmou as mãos em minhas costelas caindo com seu peso sobre mim. Bati a cabeça no colchão em frustração aparente ao perceber que havia acabado e eu ainda continuava com uma ereção que chegava a me ferir. Depois do que pareciam ser horas, Gatsby bateu em retirada e me deixou descartado sobre a cama. As lágrimas escorriam dos meus olhos traçando caminhos pelo rosto denunciando todo o meu sofrimento.

– Não sou um homem piedoso, Parker. – disse exasperado. – Mas não suporto te ver assim. Então, comece a implorar.

Engoli a seco tentando verbalizar o pedido que ecoava em minha mente.

– Eu quero sentir a sua boca.

– Eu não vou te beijar...

– No meu pau. – prossegui.

Perplexidade passou por seu semblante antes que ele gargalhasse.

– Quem diria que o santo na verdade é um pecador. – soltou.

– Nunca fui um santo.

– E eu agradeço muito por isso.

Arrancou o pequeno aparelho o lançando para longe. Mal tive tempo de perceber quais eram suas intenções, apenas deixei-me levar. Fechei os olhos á medida que a boca se abria soltando um gemido de surpresa perante a sensação quente e úmida que meu membro sentia. Gatsby enfiou tudo até a cabeça bater com força na sua goela. Me remexi sem pensar sentindo as mãos fortes agarrarem o quadril para que eu ficasse quieto. Tal ato demonstrava o poder que Gatsby gostava de exercer durante a relação e eu sabiamente decidi não contrariar. Não mais. Apoiei-me nos cotovelos só para encarar com os olhos marejados clamando por piedade ao parceiro que sustentava meu olhar. A visão de seu amante subindo e descendo a cabeça em rápidos movimentos quando me colocava para dentro da boca provocou o demorado jorro do meu gozo. Cai com a cabeça no travesseiro sentindo-me afetado pela típica rotina de dormir cedo para acordar mais cedo ainda. O esgotamento veio tão forte e eu só conseguia pensar que queria mais. Olhei para o céu admirando o punhado de estrelas salpicadas na escuridão de galáxias distantes. Uma única coisa repercutia dentro da minha cabeça já oscilando entre a consciência e o mundo dos sonhos. De alguma forma eu soube que me perdi para sempre ao ter experimentando a sensação do inferno no céu daquela boca habilidosa.

 

De novo.

De novo.

E de novo.

Perdi as contas dos orgasmos. Não faço a menor ideia de quantas estocadas levei, mas recordo-me de todas as posições da quais me permiti estar. De quatro, na cama, no chão, contra a parede e principalmente nada de tortura. Os toques foram livres sendo os beijos a única coisa inalcançável para mim. Pensei que a manhã seria tortuosa por causa do teto de vidro que queimaria meus olhos e me forçaria ao despertar. Fui surpreendido ao acordar envolvido pela escuridão das cortinas que cercavam o dossel da cama. Tateei os lençóis frios percebendo que eu estava sozinho. Esfreguei as pálpebras e me espreguicei ouvindo o estalar alto de um osso. Fiz menção de sentar-me sentindo um súbito choque percorrer minha espinha e eu caí com tudo novamente no colchão. Eu deveria ter pegado leve por ser minha primeira vez, mas minha sede por aquele homem parecia que nunca cessaria e ele não me desencorajava a continuar. Muito pelo contrário. Seu olhar dizia que ele queria mais. Uma fresta se abriu trazendo claridade para o meu pequeno esconderijo e tive de estreitar os olhos incomodados com a luz repentina.

– Bom dia. – o seu sorriso me fez perder o fôlego.

– Oi. – minha voz saiu arranhada já que as cordas vocais trabalharam bastante em gritos e gemidos.

Bateu delicadamente na cama requisitando que eu fosse até ele. Fiquei embaraçado de contar a verdade, pois seria a confissão que ele tanto adoraria ouvir. Gatsby acabou comigo ontem à noite e agora isso se refletia em meu físico e também no psicológico. O resto da força que sobrou foi útil para que eu me erguesse arrastando as pernas no colchão e acabando por ceder no meio do caminho. Quase fui de encontro com os lençóis, mas meu anfitrião foi rápido pegando minha cintura. Puxou-me para ele em um abraço gentil somado a alguns beijos no meu ombro. Sempre tive uma vida vazia após sair da casa da minha tia e ao sentir aqueles braços me amparando eu soube que era daquilo que precisava um dia. Alguém para acordar ao lado e impor sobre mim todo o seu afeto ardente. Não que ele seja o cara ideal, mas alguém será.

– Peter, você é... Maravilhoso. – me elogiou

– Eu sei.

Mordeu o lóbulo da minha orelha.

– Mas continua insolente.

Ao pegar-me no colo teve de encostar em meu glúteo e eu soltei um grito de dor.

– Calma, prometo que vai melhorar.

Foi caminhando até entrarmos em outro cômodo revestido com azulejos claros que se realçavam com a luz solar que invadia pelo teto. Eu ainda estava muito grogue quase perdendo novamente a consciência. Gatsby curvou-se e aos poucos senti o contato da água quente em meu corpo até ser naufragado dentro da banheira quadrada de pedra vulcânica.

– Hm. – gemi em aprovação apoiando a nuca no estofado branco. –Isso é bom.

– Abra a boca.

Apenas obedeci. A pílula foi colocada no meio da minha língua e o copo pousado em meus lábios para facilitar que eu tomasse o relaxante muscular. Deixei-me deslizar mergulhando na quentura da água para tentar despertar. Voltei a emergir tomando um fôlego e depois apoiando o braço na pedra gélida do batente da banheira.

– Você não vai entrar? – murmurei manhosamente.

– Eu vou fazer o café da manhã. – disse sério ajeitando o relógio no pulso.

– Que horas são? – um aviso brilhava na minha mente dizendo que eu tinha algum compromisso importante.

– Sete horas em ponto.

Droga! Estatelei os olhos ao perceber que o evento formal na SHIELD seria ás 10. Precisava voltar para casa e não fazia a menor ideia de como. Venci a dor e peguei a tolha branca dobrada em uma parte de mármore exclusiva para colocar produtos e qualquer aparto possível como o celular que descansava também no local. Tentei me erguer sobre protestos que saiam da minha garganta. Acabei sendo empurrado delicadamente para baixo por mãos que pegavam meu ombro.

– Hey, calma...

– Você não entende. – reclamei. – Eu preciso ir. Tenho um compromisso muito importante daqui a pouco.

– Eu posso te levar.

– Não! – entrei em pânico. – Quer dizer, eu ainda vou pegar meu terno.

– Eu encomendei outro para você.

– Oh. – soltei em surpresa. – Mas...

– Nada de “mas”. Eu ainda sou seu anfitrião e te darei toda a cobertura possível.

– Toda mesmo? – mordi o lábio.

– Nem pense...

Tarde demais. Não temi seu tom ameaçador e o peguei pelo braço trazendo-o com tudo para mim. Uma onda de água foi feita quando ele caiu na dentro da banheira espirrando líquido para todo o canto. Gargalhei com a feição brava que ele me lançava. Negou com a cabeça desaprovando meu comportamento.

– Foda-se o café da manhã.

Arrancou a camiseta branca agora ensopada a jogando no chão e ficando só de cueca. Sentou-se colocando a cabeça no estofado. Abriu os braços indicando que ali era onde eu deveria estar. Encaixei-me nele deitando a face em seu peitoral e fechando os olhos para relaxar em meio à calmaria que se instalou entre nós. Alisou meus cabelos passando os dedos fazendo o excesso de água escorrer. As respirações compassadas dele somada aos batimentos cardíacos me fizeram repensar seriamente se eu queria sair daqui já que o cansaço estava quase imbatível.

– Alô?

Ergui a cabeça pensando que ele estava falando comigo. Segurava o celular com a mão que o Rolex brilhava e mantinha o olhar distante em meio ao semblante pensativo. Ao ver aquela visão percebi que sua riqueza ia além dos bens materiais, pois ele possuía algo que tinha de ser recebido com a criação. O modo que se portava era elegante, polido e eu até ousaria dizer que sugeria a sua atribuição à nobreza. 

– Sim, estou aqui. – ele nunca hesita em sua fala. – Chegou? Ok. Pode entregar para o mordomo. Ele saberá o que fazer. Obrigado e tenha um bom dia.

Finalizou a ligação e me encarou com estranheza.

– O que foi?

– Gosto do jeito que você fala.

– Hm. – por que ele sempre titubeia comigo? – Obrigado. Enfim... Quer ouvir a boa notícia?

Bati o dedo no queixo fingindo estar pensativo.

-Conte-me.

-Os ternos chegaram.

 

O estrago por todo meu corpo foi percebido quando me prostrei perante o espelho me sustentando com as mãos espalmadas no balcão da pia do banheiro devido à fraqueza contínua que eu ainda sentia. A toalha envolvia minha cintura deixando o resto exposto. Os hematomas roxos de chupões espalhavam-se por todo o canto e me perguntei como eu pude achar isso delicioso ontem. Gatsby veio por trás de mim pousando as mãos sobre as minhas e roçando seu membro ereto na base das minhas costas. Foi trilhando meus braços, descendo o torso fazendo questão de tocar em cada arroxeado.

– Tão lindo. – sussurrou passando a ponta do nariz gélido atrás da orelha e descendo até seus lábios tocarem a marca com corte no meu pescoço onde ele mordeu a ponto de rasgar a pele quando ele ficou furioso porque eu o contrariei.

– Isso não vai ser nada fácil de explicar. – chiei.

– Você deve explicações a alguém, Parker?

A forma maldosa que sua língua formou meu nome me levou a questionar inúmero tópicos. Como ele sabia quem eu era? Eu realmente transei com alguém só sabendo seu apelido? Eu entreguei assim tão fácil a minha primeira vez? Quanto a essa última pergunta, devo dizer que não me arrependo. Foi incrível de mil maneiras diferentes. Girei nos calcanhares pegando em seus ombros e ficando na ponta dos pés.

– Espero que você também não deva. – indaguei aplicando o chupão no local mais visível do seu pescoço. – Prontinho.

Afastei-me com o melhor andar confiante que os meus ossos destroçados poderiam me oferecer. Estendido acima da cama dois sacos pretos com zíper guardavam os ternos.

– O da esquerda é o seu. – sobressaltei pela proximidade que ele sussurrou.

– Ok. Onde posso me trocar?

Segurou uma risada e tampou a boca pedindo desculpas com um aceno.

– Tem certeza que consegue se abaixar?

– Vá se foder. – revirei os olhos.

Por força do hábito de usar tal palavreado em conversas informais com Harry acabei deixando sair sem querer me arrependendo assim que vi a sua expressão perigosamente ofendida. Pegou minha mandíbula apertando-a forçando meus lábios a formar um bico.

– Se eu me foder... Juro que usarei sua boca para isso.

Engoli a seco a ameaça.

– Pode ir se trocar no banheiro se quiser.

Soltou-me e eu não me demorei a pegar o terno só para me retirar de sua presença. Tive certa dificuldade realmente em vestir-me como ele me advertiu, mas não queria pedir ajuda então apenas prossegui. O terno sobre medida caiu perfeitamente em mim. Apertei bem a gravata para que o colarinho não revelasse o enorme hematoma no pescoço. O blazer cinza com riscas brancas deu ainda mais contorno ao meu corpo e agora só faltava-me encontrar onde eu larguei os sapatos. Acho que foi na sala durante o meu show de strip-tease. Retornei para o quarto pegando ele no flagra enfiando a camisa dentro da calça e terminando de abotoá-la. Diferente do meu terno básico o dele era azul marinho. A gravata prateada combinava com o lenço na lapela dando um ar ainda mais sofisticado ao visual. Com cuidado apontou para a prateleira de vidro repleta de perfumes acabando por optar pelo frasco preto e dourado do Bvlgari Man. Borrifou nos pulsos e pescoço espalhando a fragrância por todo o quarto. Estava tão distraído que mal percebi os olhos dele secando o modo com que eu o encarava.

– Gosta do que vê? – perguntou enquanto ajustava o relógio Breguet com tiras de couro preto e maquinário prateado. 

Um calor queimou minha face inteira. Bufei rolando os olhos para cima e indo em direção a ele. Não poderia mais haver pudor depois de uma noite como aquelas. Coloquei as mãos em seu peitoral deslizando para sentir a textura das lapelas de seda.

– Você vai assim para o trabalho todo o dia?

– Vamos dizer que sim.

– Adoraria ter um chefe assim.

– E o que você faria caso tivesse?

– Sexo no escritório não parece uma má ideia.

Ele parecia receoso em amassar meu terno, mas não suportou apertando-me com força contra si. Desceu a mão para meu glúteo e eu senti seu dedo se infiltrando no vão, afundando-se até cutucar levemente meu ânus.

– Você está realmente me tirando do sério. – sussurrou próximo ao meu ouvido e eu aproveitei para aspirar o cheiro de seu pescoço, deixando-me embriagar pela essência do sândalo.

– Essa é a intenção.

Esfregamos nossos narizes fazendo um beijo de esquimó e eu ri do gesto ingênuo típico de crianças. Pegou minha gravata desfazendo o nó e abrindo o primeiro botão dando um ar mais informal para o meu look.

– Eu não quero ir assim. – afirmei. – Podem ver o chupão.

– Essa é a intenção. – respondeu com ironia. – Com fome?

– Morrendo.

– Então vamos. O café já está posto.

 

Consegui uma carona para a SHIELD já que Gatsby ia por aquele caminho para seu trabalho. Ele parou em frente à agência com sua Lamborghini Murciélago amarela chamativa e eu desci. Debrucei-me na janela ainda aberta esperando por algo que desconhecia e ele educadamente tirou os óculos de sol para que eu encarasse os seus olhos castanhos.

– Er... Muito obrigado. – falei sem jeito.

– Disponha. Toma aqui.

Estendeu um pedaço de papel recortado com um número de telefone. Meu Deus, se esse não o melhor dia da minha vida eu não sabia qual era. Beijei o papel com sutileza e pisquei para ele com um sorriso travesso brotando na face.

– Como eu queria ser esse papel.

– Você poderia ser. - soei extremamente sugestivo.

O momento descontraído ganhou tons sombrios ao ver que suas feições pareciam repudiar tal ideia. O que aconteceu para você ser assim, oh meu Fantasma?

– Não. – sorriu tristemente. – Eu nunca serei.

Retornou a esconder seus olhos com os óculos e eu soube que nossa conversa havia terminado. Dei as costas para o carro olhando sobre o ombro esperando que ele olhasse para mim, mas não o fez apenas acelerando seu carro para longe. Enfiei as mãos nos bolsos da calça após passar pelas portas giratórias e me encaminhar para o elevador abarrotado de pessoas. Todos iam para a cobertura, lugar sede da SHIELD. Não conseguia parar de pensar na expressão do meu amante durante todo o percurso dentro da caixa de metal. Todos saíram do elevador esbarrando em mim que só consegui ficar parado ainda preso na memória de poucos segundos atrás. Ainda com o caminhar trôpego devido noite passada me encaminhei para o salão. Todos os móveis, balcões e mesas de trabalho foram retirados deixando um enorme campo aberto com o piso de pedra escura. As janelas panorâmicas se encarregavam de trazer a luminosidade natural do dia.

– A noite ontem foi boa para estar andando assim. – alguém cutucou minhas costelas.

– Bom dia para você também, projeto de herói. – ofendi Wiccano.

Encaramo-nos com seriedade e depois nos cumprimentamos calorosamente como irmãos fariam após ficarem anos afastados. Mulheres e homens usando roupas sociais pretas passavam discretamente pela multidão servindo taças de champanhe até chegarem a nós. Torci o nariz negando a bebida.

– Então o que estamos comemorando? – Wiccano virou a taça de uma vez recolocando na bandeja e pegando outra.

– Não sei também.

– Pelo ou menos foram inteligentes ao servirem bebidas, pois se for um discurso todo mundo vai ouvir de boas, afinal estamos de porre e... Wow! Que chupão, hein?

O ignorei checando o horário no celular aproveitando para adicionar o número novo nos meus contatos. Ao ir escrever o nome percebi que eu desconhecia sua verdadeira identidade. Vai ter que ser Gatsby mesmo. Distrai-me sem perceber a comoção que se formava. Ao erguer a cabeça vi Nick Fury no púlpito acima de um palco. Ele bateu com o dedo algumas vezes para testar o microfone e pigarreou antes de iniciar a cerimônia.

– Queridos funcionários e, não sejamos hipócritas, sabemos que tem muitos heróis por aqui. – a plateia riu de sua piada. – Hoje venho aqui fazer um anúncio que pode mudar os rumos de tudo. Ás vezes um homem fica tão preso ao trabalho, entorpecido por tarefas que acaba entrando em um estado de hibernação social. Eu acordei desse transe há um mês.

As expressões alegres de repente ficaram sérias e podia ouvir os cochichos aumentando conforme as palavras iam deixando a boca do nosso presidente. Ele pausou por um tempo até que os ânimos se aquietassem.

– Histórias, trabalho, uma casa simples... Coisas do gênero eu tenho de sobra. Nunca pensei que fosse ansiar por mais. No entanto me ocorreu a urgência de construir uma família quando ainda se tem tempo. Por isso que anuncio aqui que estou abdicando do meu cargo nessa grande família que vocês foram e sempre irão ser para que eu possa formar outra.

A onda de histeria foi imensa. Eu só conseguia permanecer de boca aberta e trocar olhares com Wicanno que deixou a taça de cristal escapar das mãos estatelando vidro para todos os cantos. Na ponta dos pés cacei conhecidos meus só para ver suas expressões. A única que parecia feliz com a notícia era Maria Hill que com certeza o substituiria no cargo. Nick ergueu as mãos pedindo por atenção sendo atendido rapidamente.

– Por isso que essa cerimônia está sendo feita: para que eu anuncie o ingresso de uma pessoa para tomar meu cargo. Eu escolhi alguém forte e não estou falando somente fisicamente, mas também psicologicamente. Alguém que pode enfrentar todos os obstáculos impostos pela função e não tem medo de se arriscar sua vida pelos outros.

É impressão minha ou a cada elogio o sorriso de Maria crescia mais?

– Por isso eu chamo aqui... Wade Wilson.

Maria fechou a feição na mesma hora cruzando os braços em raiva. Todo o salão ficou em silêncio ao ver um homem subindo os degraus e trilhando seu caminho para o poder. Ele cumprimentou Nick e virou-se para fazer seu discurso. Apoiou-se no púlpito totalmente confiante de si. Por um momento nada do que ele falava tinha sentido, pois eu fiquei surdo em choque. Ele contou alguma piada alegrando a multidão com um carisma que lhe faltou há alguns minutos quando esteve comigo. Seus olhos examinavam toda a multidão encontrando os meus e congelando-se em mim por puro divertimento. As peças foram se encaixando e engoli a seco ao perceber a verdade.

Wade Wilson era o senhor Gatsby.

O que significa que sim... Eu fodi com o meu chefe.  


Notas Finais


Eita... HAHAHAHAHAHAHA
Desculpa se os capítulos estão sendo muito grandes.
Dúvidas, elogios e apontamento de falhas sempre serão bem-vindos.

Câmbio, desligo & XOXO


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