História Vilarejo - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi gente, Nagam aqui...

Pois é, voltei trazendo a "ultima" parte da Three-Shot rsrsr que vai precisar de um epilogo pra ser finalizada hehehe gente ficou muito longa e não deu pra empurrar tudo nesse "ultimo capítulo". Então sendo assim vocês ainda me verão por aqui brevemente, mas a próxima vez será de fato a ultima.

Esse ultimo capítulo traz o desfecho de tudo e também o envolvimento do nosso casal. Espero que vocês apreciem mais esse capítulo. E quero agradecer por todos os comentários e por todo carinho e favoritos. Vocês são de mais. Muito Obrigada!

Boa leitura a todos e me perdoem qualquer erro. Vou revisar melhor assim que possível.

Nos vemos nas notas finais!

Capítulo 3 - E os segredos sempre serão revelados....


 

A situação estava tensa, o alvoroço no vilarejo beirando uma crise, e as pessoas começavam a se dividir. O segundo solstício lunar houvera acontecido e pela segunda vez Sasuke não se reuniu com os demais no templo durante as primeiras horas da noite.

E quando um homem sumia ou se recusava a entrar no templo todos sabiam o porquê, ou pelo menos desconfiavam do que poderia se tratar.

Na primeira vez do ocorrido Kizashi intercedeu por ele dizendo que esse havia saído do vilarejo em busca de alguns mantimentos, eram coisas simples que apenas um homem daria conta, e como Sasuke houvera se oferecido para tal Kizashi e nem ninguém havia maldado ou desconfiado de nada. Ninguém exceto Sakura que sabia exatamente o motivo pelo qual ele decidiu ir.

Nesse dia Sakura lembra perfeitamente de sentir todo o corpo arrepiar quando o eclipse da lua se alinhou com a terra manchando-a de uma cor vermelho sangue. O brado de uma fera incontrolável se fez ouvir em vários cantos daquele território. Todos se mantiveram dentro do templo, pois lá julgava-se ser o lugar mais sagrado e seguro para todos permanecerem até que o dia nascesse novamente.

Ela nunca havia ouvido um rugido tão perto daquele vilarejo como naquela noite e lembra-se de ter ficado por um tempo indefinido olhando para o amuleto em suas mãos. Sentindo talvez uma pontada de arrependimento por não ter devolvido a Sasuke a tempo dele poder se livrar de uma transformação indesejada. Mas se ela fizesse aquilo nunca teria cem por cento de certeza se de fato ele era ou não aquilo que imaginava que ele fosse. Pois por mais que tivesse tamanhas evidencias existia uma parte dela que até aquele dia ainda queria acreditar do contrario. Mas essa pequena parte veio ao chão depois do primeiro solstício lunar.

Depois daquela noite passou a ter absoluta certeza do que significava aquilo. E ponderou sobre devolver a ele o amuleto atrelado a fina correntinha que achou entre as vertes do antigo desconhecido. Pois sabia que aquele amuleto era a única coisa que poderia evitar dele se transformar em uma criatura incontrolável e sedenta por sangue.

Seus livros, os quais julgava ser tratar de contos, na verdade eram manuscritos antigos que relatavam as mais variadas espécies de seres místicos, e nele o significado daquele amuleto era de suma importância para os licantropos. Pois ele era a única maneira deles se manterem sã e controláveis durante a transição de um eclipse.

No século V está registrado no livro como o primeiro período em que esses tais amuletos foram achados. Diz a lenda que uma nobre bruxa branca compadeceu-se dos pobres homens que perdiam suas consciências para um monstro insensível e incontrolável e com isso ela conjurou um feitiço de autocontrole e reversão que ajudaria esses seres a não perderem o controle para as feras que viviam dentro de si.

Desde então diz-se por ai que essas criaturas adquiriram a possibilidade de viver uma vida dentro dos paramentos normais de um ser humano, podendo passar uma reversão só se assim desejassem.

E agora, depois de pela segunda vez não ter tido coragem de confrontá-lo e dizer a ele que sabia o que ele era e com isso devolver a ele seu amuleto de proteção ela em fim se deu conta de que o colocou entre a cruz e a espada.

O primeiro desaparecimento dele foi justificado por Kizashi e esse ninguém comentou nada, porém no segundo não havia nada que pudessem dizer a seu favor. Até mesmo Kizashi não sabia o que o fazer.

Uma reunião de urgência fora solicitada por Shimen assim que o dia amanheceu e Sasuke tornou a aparecer. Shimen queria mais do que tudo provar que esteve certo esse tempo todo e com isso tomar a direção do vilarejo pedindo pelo apoio daqueles que nele acreditaram. E se Kizashi caísse em descrédito isso seria possível.

Porém, Sakura embora se sentisse culpada e até mesmo covarde por não ter dado a Sasuke uma chance de lutar contra aquilo, ela já havia pensado em algo, pensou nisso na verdade desde o dia anterior antes da noite surgir, e agora só precisava tomar coragem para pôr seu plano em pratica.

As discussões prosseguiam infindáveis. Shimen e Kizashi já estavam exaltados e o vilarejo conseguintemente acabara se dividindo em dois. Um lado acreditava piamente que Sasuke escondia algo e o outro acreditava que Kizashi sempre esteve certo e que seu líder jamais os poria em perigo.

Murmúrios desconfiados podiam ser ouvidos ao redor. Todos começavam a ficar em dúvida com Sasuke. O medo começava a aflorar no interior dos simples moradores que temiam estar diante de uma fera incontrolável.

– Shimen, mas que coisa absurda é essa que está insinuando?– Kizashi se pronuncia.

– Não há nada de absurdo no que digo. É apenas o óbvio que vocês não querem ver...ou talvez desejam encobrir. – sorriu em deboche.

– Não seja tolo – Kisashi rosnou em fúria, mas foi detido por Rasa que estava ao seu lado o tempo todo. – Como pode insinuar uma coisa dessas?

– Porque é exatamente isso que está acontecendo aqui...

– Ora seu...

– Acalmem-se todos – nesse momento um dos anciões do vilarejo tomou a palavra, e com isso todos ao redor se quedaram.

Os anciões dos vilarejos tinham total respeito de todos. Quando algum deles se pronunciava todos ao redor os ouviam.

– Porque ao invés de discutirem quem está com a razão vocês não perguntam ao rapaz o que aconteceu? Ele está aqui para ser julgado, não é mesmo? – Shimen e Kizashi trocaram olhares – Então ele deve ser ouvido também.

– É verdade, o ancião Rizuren tem razão – Rasa pontua.

Os ânimos pareciam aos poucos diminuir de tensão.

– Pois bem... – Shimen voltou a se sentar em seu lugar. – Vamos às perguntas. – sorriu ao olhar para Sasuke que se mantinha calado e sentado no canto esquerdo do ambiente.

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Ela olhou a sua imagem refletida na água dentro da tina, seu pescoço adornado pela fina correntinha e na ponta o amuleto evidente caia perfeitamente entre os vão dos seus seios medianos e alvos.

Sakura estava pronta. O momento havia chegado. Ela daria a ele mais uma chance, e embora não soubesse como tudo aconteceria depois dali ela sabia que não tinha volta. Precisava fazer algo para livrar ele de toda aquela desconfiança.

Decidida levantou-se da beira da tina onde estivera agachada olhando seu reflexo e seguiu para a taberna onde todos estavam.

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– Eu...eu não fiz nada. – Sasuke justificou-se depois das inúmeras acusações feitas por todos.

– Estão vendo, estão vendo a justificativa tola deste homem? – Shimen bateu o punho contra a mesa.

– Sasuke precisa nos dizer onde esteve, e o porquê... – Kizashi o dirige a palavra, não entendendo o porquê ele parecia tão acuado e incapaz de justificar-se melhor.

Por dentro o jovem licantropo se sentia confuso. Há muito tempo não perdia sua consciência para a fera que vivia dentro de si. Desde quando foi entregue a ele seu amuleto, por seu pai, ele não sabia o que era alimentar-se de sangue, ferir presas inocentes e destruir tudo o que via pela frente. Mas ele sabia que isso aconteceria se não achasse seu amuleto. Foi por isso que se predispôs a caçar ao lado daqueles homens, ele queria procurar seu amuleto no lugar onde fora encontrado, suas esperanças estavam nisso, mas não logrou hesito em seu intento. E voltar para suas terras sem ele não era uma opção, ele não podia pôr em risco as pessoas dali, ele não conseguia se controlar e sabia muito bem disso. Evitava sua parte irracional mesmo que essa às vezes tentasse entrar em contato com ele. Foi ensinado a nunca se envolver com ele, a não ouvi-lo, a não permitir que esse lhe subjugasse. E foi dessa forma que viveu até o dia que decidiu, por impulso, dar vazão ao pedido daquilo que vivia dentro de si. E foi nesse dia, depois de atender ao monstro, que perdeu sua cônscia para ele e só acordou depois de alguns dias e descobriu que estava em um lugar desconhecido e muito longe de sua terra natal. E Sasuke não queria voltar sem que tivesse sua proteção de volta, ele jamais colocaria as pessoas que ama em perigo. Porém o que ele imaginou ser apenas alguns dias se transformaram em semanas, e depois em meses e agora não era só o fato de não ter achado seu amuleto de volta que o perturbava, mas o interesse desenfreado por certa garota que já não saia de seus pensamentos. E talvez a culpa disso tudo seja o fato dele saber que ela sabe exatamente o que ele é, antes mesmo das desconfianças de todos surgir ele já sabia que ela desconfiava de algo. E na ultima conversa digna que tiveram ele teve certeza disso. Mas não entendia o porquê ela não o delatou a cúpula de seu vilarejo.

A primeira transformação que passou desde que chegara naquele lugar foi justificada por sua ausência autorizada por Kizashi. Para todos ele estava sobre ordens do líder, mas a segunda nem ele mesmo sabia como esclarecer. Por um momento, depois de retornar a sua consciência humana, em meio à floresta, ele divagou entre a possibilidade de nunca mais regressar naquele lugar, porém uma única coisa não saia de sua cabeça: Sakura. E fora esse o maior motivo dos seus passos ter levado ele até ali novamente.

Sasuke já pensava numa forma de fugir dali quando a porta da taberna novamente fora aberta e por ela Sakura tomou o lugar. A cabeça que ele mantinha abaixada fitando um ponto qualquer do chão elevou-se e a segunda coisa que ele viu após olhar para o rosto de aparência macia fora o seu amuleto perfeitamente atrelado a sua correntinha presa no pescoço dela. O vão dos seios resvalavam no objeto enquanto ela se movia pelo recinto aproximando-se de onde estivera o pai.

O olhar de Sasuke a acompanhou enquanto ela se movia. Mebuki a lançou um olhar questionador, mas que ela preferiu ignorar.

– Oi – sussurrou Gaara o parar ao lado dela.

Sakura o olhou de relance e meneou a cabeça lhe lançando um meio sorriso.

– Para que perder tempo com isso – Shimen tornou a levantar de seu luar. Enraivecido bateu contra a madeira da mesa novamente – Não conseguem ver que ele é culpado? Que ele de fato é um monstro.

Foi então que Sakura se pronunciou.

– Não, ele não é um monstro. Isso não é verdade.

Todos os olhares se voltaram para ela.

– Sakura – Kizashi sussurrou.

– Como pode afirmar isso menina? Esse homem estava sumido e justo em dia de lua cheia. Quem garante que ele não é um amaldiçoado que a qualquer momento aniquilara a todos nós?

– Eu já disse que é mentira – Sakura novamente o interrompeu.

Sasuke lançou um olhar para ela. Foi inesperado que ela o defendesse com tanta veemência. E mais ainda que ela estivesse com seu amuleto.

Shimen sorriu. E Akemin ao seu lado também. Mas Sakura não se deixou abalar. Fechou a face e voltou a repetir as mesmas palavras.

– Sasuke não é um monstro.

– Se puder provar o que diz ficarei feliz em ouvi-la garota. Agora se veio até aqui apenas para...

– Ele não sumiu naquela noite... – ela torna a falar.

– Todos nós estávamos no templo, como de costume, e apenas ele... – Shimen se virou para Sasuke apontando em sua direção veementemente – Apenas ele não estava e isso significa que...

– Ele estava comigo – disse por fim, atraindo a atenção de todos, e olhares perplexos.

– O que? – Gaara sussurrou ao ouvi-la dizer aquilo.

– É isso que todos ouviram. Eu estava com ele nessa noite. – Sakura não conseguiu levantar o olhar enquanto dizia aquilo, pois tinha a plena ciência que Sasuke a encarava repleto de questionamentos.

Ela nem se preocupou sobre o que os outros diriam dela, nem mesmo sobre o que seu pai e sua mãe diria, ela apenas sabia que não conseguiria olhá-lo enquanto falava.

– Alguém por acaso me viu no templo esse dia? – ela ergueu a voz para confrontar a todos aqueles que estavam acusando Sasuke sem prova alguma. Mas ninguém conseguiu afirmar o contrario. – Viram? Não, não é mesmo? – Shimen ficou sem reação.

Ele não tinha como desfazer do que ela dizia se não tivesse como comprovar aquilo. E aparentemente ninguém ali conseguia lembrar de ter visto a filha do chefe no templo em certa ocasião, porque de fato ela não estava.

Foi essa a forma que ela achou para ajudá-lo. E o olhar que mãe a lançou logo quando entrou na taberna era justamente por não ter encontrado ela durante o solstício lunar.

Sakura fez tudo de caso pensado, saiu de sua casa antes da noite chegar e ficou no estaleiro onde os grãos eram armazenados. Ela passou a noite lá sem que ninguém houvesse visto.

– Sakura...você é esse homem? – Gaara novamente torna a falar.

– Não me viram por que eu estava com ele – ela prosseguiu sem necessariamente responder Gaara – Passamos a noite juntos no estaleiro, ficamos lá até que o dia raiasse, por isso que só o viram pela manhã. Portanto agora parem com essas acusações idiotas e o deixem em paz.

Dito isso ela encarou a todos com determinação e apos isso deixou o local sem mais nada a dizer.


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            – Porque fez aquilo? – ele a indagou.

Depois que o assunto foi dado por encerrado todos retomaram seus afazeres cotidianos, mas com uma diferença, a novidade do momento, ou melhor, o assunto mais comentado e que estava na ponta da língua de todos era: a filha do chefe estava de romance com o forasteiro.

Até mesmo Shimen não teve escolha a não ser retirar suas acusações e pedir desculpas a Sasuke.

 – Porque disse aquelas coisas sabendo que não era verdade?
Sakura se manteve calada e continuou a fazer aquilo que estava fazendo. Colhendo flores e pondo no cesto ao lado. Ignorando ele como se o mesmo não estivesse ali.
Sasuke então decidiu confrontá-la. Já que ela parecia não estar disposta a conversar com ele.

A garota era um enigma aos seus olhos, e a forma que ela agia quando estavam a sós o confundia. Ele queria entender os atos dela. Uma hora ela agia com tamanha coragem e expunha a todas aquelas pessoas que havia passado a noite com ele, e quando estava a sós o ignorava como se ele não existisse. E mais, o fato dela está usando seu amuleto deixava claro que ela tinha absoluta certeza de quem era aquele que estava diante de si, mas mesmo sabendo disso ela insistia em tratá-lo como alguém comum, como se ele não fosse alguém que representasse perigo para ela e para todos. E isso o deixava ainda mais instigado.

Ela o confundia e ele não gostava de se sentir de tal forma.

Sem paciência Sasuke tomou ela pelo pulso forçando ela se levantar para encará-lo. Pela primeira vez ele viu o verde conscio dos olhos dela bem de perto.

– Qual é o seu problema? Por que disse aquelas coisas na frente de todos na taberna e agora me ignora desse jeito? E mais... – ele desviou o olhar para a correntinha no pescoço dela. Soltando um dos braços dela ele traçou os dedos pela corrente até o pingente.

 Sakura o encarava bem de perto e ofegante, porém não disse nada até que ele puxou com força seu amuleto do pescoço dela.

– Porque está usando isso? Onde você achou?

Sakura tentou puxar seu braço da mão de Sasuke, mas ele não permitiu que ela se afastasse dele.

– O que você quer? – o perguntou ofegante.

– Como o que eu quero? – ele espremeu o olhar – Eu quero uma explicação – inquiriu.

– Me solta...

– Não sem antes me responder....

Ela parou de se debater para encará-lo firme.

– Porque apenas não me agradece?

Ele sorriu debochado.

– Ok! Obrigado!

Ela pensou em se afastar, mas ele novamente não permitiu.

– Agora me diz o que quero saber...

– Será que você poderia me soltar? Tá machucando o meu pulso.

Por instinto ele largou o fino pulso dela quando se deu conta disso.

– Desculpa, eu não queria...machucar você. É só que...

– Olha, tudo bem, não precisa se desculpar. Você não me machucou. – Ela massageou o pulso – Eu só fiz o que fiz pra deixarem você em paz...foi por isso que disse aquelas coisas. Agora me de licença que eu preciso...

– Espera... – ele a segurou pelo ante braço. Só que de forma mais suave. – Você tem noção do que fez aquelas pessoas pensarem a respeito de você, de nós dois...? E mais...você sabe o significado disso? – ele elevou o pingente para ela.

– Eu não me importo com o que eles pensam de mim. Na verdade eu nunca me importei...e quanto a isso – ela olhou para a peça – Acho que você precisa muito mais do que eu. Sei o significado sim, mas não se preocupe, eu não contarei a ninguém. E me desculpe por não ter devolvido antes. É que eu precisava ter certeza...

– Sakura você...

– Desculpa...mas eu tenho que ir.

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A noite seguia serena, o inverno parecia ter se quedado em sinistro silencio. Mas nem por isso estava ameno. O tempo frio lá fora já avisava da nevasca que logo cairia novamente sobre aquelas terras geladas.

A refeição seguia silenciosa, Kizashi e nem Mebuki disseram algo a respeito, na verdade nem mesmo Sasuke se forçou a desfazer das afirmações de que Sakura dissera mais cedo na taberna, pois ele sabia que só estava “livre” de tudo por conta disso, por conta do que ela foi capaz de afirmar diante de todos até mesmo de seus pais.

Porém, Sasuke não conseguiria seguir tranqüilo sem ao menos confortar aos pais de Sakura do que não havia acontecido entre eles na suposta noite em que passaram juntos.

– Eu... – ele se pôs a falar repentinamente, atraindo a atenção de Kizashi e Mebuki – Bom, erg...eu gostaria de dizer algumas coisas a respeito do que Sakura disse hoje cedo na taberna...

O rosto de Mebuki corou e Kizashi tentou disfarçar o desconforto.

– Não precisa fazer isso – Sasuke foi surpreendido pela fala da garota ao seu lado.

– Sakura, os seus pais precisam saber...

– Os meus pais me conhecem muito bem, Sasuke. – ela o interrompeu – Eles sabem que se eu decidi tomar alguma atitude foi por que eu achei que era... – ela vacilou nas palavras –, o momento certo.

Ela sabia que ele queria desfazer da melhor forma possível os possíveis pensamentos que seus pais poderiam está tendo a respeito de tudo aquilo, mas Sakura não queria que aquela atitude dele levantasse suspeitas sobre a verdade por trás de tudo. Ela não queria que ele se prejudicasse e não se importava se para isso tivesse que levar adiante aquela mentira.

– Sakura tem razão – Kizashi argumentou – Não estamos pedindo explicações de vocês.

– Mas...

– Poderiam ao menos ter dito antes – Mebuki comentou sem jeito mexendo na comida em sua frente – Foi inesperado...

– Me desculpem por isso – Sakura anuiu – Mas não se preocupem, tudo está bem agora.

– Está? – repentinamente Sasuke pergunta.

Ela o encara firme e sem hesitação.

– Acredito que sim! – a garota afirma.

Em seguida ela deseja boa noite aos pais e segue para seu lugar de descanso.

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Os dias que se passaram seguiram dentro da “normalidade”. Se mais acusações ou desconfianças todos naquele lugar voltaram a tratar Sasuke com a mesma cordialidade de antes. Ele não os julgava, pois sabia que aquelas pessoas vivam motivadas pelo medo. Aquele era o único estilo de vida que eles conheciam. Mas havia alguém, dentre eles, que não possuía o mesmo temor. Esse alguém era uma garota destemida e audaciosa que por vezes tinha o costume de deixá-lo sem fala, principalmente quando essa afirmava em frente aos pais que havia dormido com um homem. Homem esse que vivia debaixo do mesmo teto que eles.

Foi difícil e um pouco estranho para Sasuke tornar a conversar com Kizashi como antes. Ele se via ainda estranho com a sensação de que estava escondendo algo daquele homem e não achava correto aquilo. Mas diante da situação ele não tinha muitas escolhas. E pra piorar se deu conta de que não havia mais nada que o impedisse de voltar a sua terra natal, pois seu amuleto estava consigo novamente. E Sasuke sabia que ora ou outra precisaria regressar. Porém, existia Sakura, aquela que todos pensavam está em um relacionamento com ele.

Nesse altura do campeonato levar  a diante aquela mentira de que estava sem memória lhe parecia conveniente. Mas se ele resolvesse dizer que por um milagre havia lembrado de tudo, que te uma família, em um lugar não tão distante assim esperando por seu regresso? 

 O que diriam sobre ela se ele resolvesse partir a deixando para trás?

Sasuke nem conseguia imaginar a vida que ela levaria ficando só ali naquele lugar. Inventariam sobre ela inúmeras coisas, a chamariam de desonrada que fora abandonada. Ele não podia deixar que fizessem isso com ela, não depois de tudo que ela fez para ajudá-lo. E pra piorar ele não conseguia desvendá-la por inteiro. Ela não se declarou para ele, como ele pensou que ela faria, mas sempre estava por perto o ajudando como se fosse uma fiel parceira.

Entretanto, algo o assombrava: e se ela decidisse se declarar? O que ele faria?

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Os livros que ela leu sempre diziam que havia o momento certo pra tudo. E que geralmente a gente sabe quando esse momento chega. Mas agora, depois de tudo o que aconteceu, ela não conseguia se decidir quando, como e onde contaria a ele sobre os seus sentimentos.

E por vezes se pegava perguntando-se se de fato era necessário dizer algo, já que estava mais do que evidente que ela nutria algo de especial.

Os dias se passaram, as noites chegaram, as manhãs nasceram, e ela não conseguia se decidir. Os sonhos não mais a perturbavam, ela agora dormia tranquilamente as noites serenas. No lugar dos pesadelos vieram a luxuria e o desejo. Foram inúmeras às vezes em que ela acordava em meio à noite fria, suada, e sentindo o corpo febril por conta dos toques que no sonho ele distribuía em seu corpo. Mas com o tempo apenas os sonhos estavam deixando de satisfazê-la.

E nessa noite em especial o melhor deles havia acontecido. Dos toques que antes ela fantasiava culminou no ato que ela jamais se imaginou fazendo. Sim, ela sonhou se entregando a ele.

O coração bateu acelerado, ela sentou-se no seu leito e pôs a mão sobre o peito. Um sorriso velado adornou os seus lábios e então ela soube que esse era o momento certo para dizer a ele sobre seus sentimentos.

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Quando ele sentiu a presença dela no ambiente abriu os olhos vagarosamente para encontrá-la rente ao seu leito de descanso observando-o atentamente.

Um sorriso meia boca despontou dos lábios dele. Sasuke passou uma das mãos no rosto e pôs um dos braços atrás da cabeça para olhá-la melhor.

La fora a frente fria aumentava. Os ventos batiam fortes contra a parede de palha e madeira.

– Por um momento pensei que estive ficando louco – ele comenta, observando-a com atenção. O vestido leve de alças finas sem o tradicional espartilho por cima o chamou a atenção.

– Talvez você esteja – ela comenta pragmática – Ou eu esteja...

– É, Talvez... – concordou ele desviando os olhos dela para a parede ao lado. Banhada pela luz do castiçal presente no ambiente.

Sasuke pareceu perder-se em pensamentos. Em contrapartida ela se manteve em silêncio, apenas olhando para ele em mais um dos seus muitos momentos de devaneios. Já era evidente que ela gostava de fazer aquilo.

– O que você quer aqui, Sakura? – de repente ele a indaga. Voltando seu olhar para ela.

Sakura abaixou a face quando se tornou a mira daqueles olhos opacos e sem luz. Tão negros como a noite que caia lá fora.

Ela balançou a cabeça de um lado para o outro, num tipo de argumento mudo que nem mesmo ela sabia como externar.

– Eu... – ela crispou os lábios em uma linha reta e depois mordeu a parte inferior com certa força.

Sasuke não se moveu de seu lugar, ele permaneceu deitado na mesma posição de antes. Seu dorso estava desnudo.

– Eu...queria entender o que é tudo isso.

– Não há nada para entender...é tudo muito simples e não há mistérios....

– Eu sei... – ela confessou ao erguer o olhar – Eu entendo o que você é. Mas...

– Mas?

– Não é sobre isso que me refiro.

– Não sente medo? E sobre o que exatamente está se referindo?

– A vida toda! Sinto tanto medo que...não consigo imaginar como vai ser a minha vida se eu deixar isso tudo passar em branco, se eu continuar negando tudo o que sinto...

Sasuke então percebeu ao quê exatamente ela estava se referindo: sentimentos.

Ele suspirou e sentou em seu leito Pondo os pés para o chão.

– É normal que se sinta assim... – sussurrou.

– Normal? – ela o olhou com sua visão periférica – Eu não acho...

– Está errada. Acredite em mim quando digo que é normal.

– Eu nunca senti isso por ninguém...

– Tudo tem uma primeira vez na vida. E além do mais, como eu disse, é normal que se sinta assim em relação à mim.

– O que quer dizer com isso?

– Suas amigas também se sentem atraídas por mim...

– Eu não sou como elas. – Sakura se sentiu chateada pela comparação que ele fez.

– Eu sei que não...mas...quando digo que é normal é porque eu desperto isso involuntariamente nas mulheres. Minha genealogia Lycan é a responsável por isso. Por vocês se sentirem assim – ele olhou de esguelha para ela – Desse jeito – concluiu ao descer o olhar rapidamente pelo corpo da jovem garota.

Sakura abraçou o próprio corpo e por um momento pensou ter sido uma má idéia ter ido até ali confessar todos os seus sentimentos a ele.

Mas então acabou se dando conta de algo....

– Porque está agindo como se quisesse me afastar?

– Eu não estou agindo assim. – ele negou.

– Está!

– Você não se importa com o que dizem de você e agi como se o fato de ter dito todas aquelas coisas fosse algo normal. Eu só estou tentando preservar sua sanidade porque parece que você perdeu o controle disso em meio a toda mentira que inventou. E agora está aqui me dizendo essas coisas todas como se houvesse coerência nisso tudo...

– Fiz o que fiz pra te proteger e é dessa forma que me agradece?

Ele sorriu. E ela irritou-se com isso.

– E o que quer que eu faça senhorita? – ele se levantou com um sorriso acido no rosto – Quer que eu pague a minha divida como? – Sasuke elevou a voz. E Sakura assustou-se com a atitude dele. Não esperava ver ele irritado de tal forma – Quer se deitar comigo? Quer que eu a possua para quitar tudo entre nós e toda essa caridade que fez você uma garota tão boazinha de coração inventar todas aquelas asneiras se passando por uma...

Antes que Sasuke concluísse sua frase ele sentiu um tapa ser desferido em sua face.

– Nunca mais diga isso... – ela rosnou em pura raiva.

Ao olhá-la Sasuke se surpreendeu com os olhos cheios de lágrimas e imersos em raiva que lhe fitavam.

– Eu não sou esse tipo de mulher, eu não sou...e não fiz isso pelos motivos que insinua...

Após isso ela saiu em disparada. Deixando ele a sós. Perdido nas sensações agoniantes que ela despertava nele. Mas que ele não queria permitir que criasse força ou tomasse forma.

Para Sasuke o melhor a se fazer era afastar ela de si. Nem que para isso tivesse que machucar os sentimentos dela.

Quando notou o real motivo por trás de tudo aquilo, quando conseguiu decifrar o enigma que ela representava ele acabou se dando conta de que Sakura nutria por ele um sentimento puro. Uma paixão, um amor, que ele jamais se sentiria digno de tomar para si. Jamais...não sendo o monstro que ele era.

Depois de se ver a sós ele acabou se rendendo. Caiu de joelhos ao chão emaranhando as mãos nos cabelos e puxando-os com demasiada força até que sentisse dor o suficiente que fosse capaz de tirar de seu peito aquela sensação que parecia querer despedaçar seu coração, se é que ele possuía algum.

Sem seu amuleto ele era apenas um monstro incontrolável, que não poderia oferecer a ela segurança. Na sua concepção Sakura merecia muito mais do que aquilo, muito mais do que ele poderia oferecer. E se por um descuido ele a machucasse, não saberia conviver consigo...


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Os dias que se passaram Sakura se manteve sempre distante dele. O pai e até mesmo algumas pessoas estranharam a frieza com a qual ela tratava o rapaz. Até mesmo a mãe notará tal coisa.

– Está tudo bem, minha filha? – perguntou a mãe enquanto tecia uma blusa para o marido.

– É claro que está – Sakura retirou a comida do fogo e pôs sobre a mesa – Porque a pergunta?

Mebuki deu de ombros.

– Nada é só que...parece que você não quer estar perto de Sasuke e...não sei...você nem o olha direito mais. Eu só pensei que depois...do que você falou na taberna vocês dois....

– A senhora pensou errado – ela cortou repentinamente a mãe.

– Sakura, vocês...eu pensei que...

– Eu preciso ir até a taberna pegar algumas coisas que me faltam para o jantar. Com licença.

Sakura mudou de assunto sem dá chances para que Mebuki a questionasse novamente. Dito isso ela saiu.

Enquanto seguia a passos rápidos ela remoia de forma amarga tudo aquilo que ele houvera dito a ela em um dia não muito distante.
 

Como ele podia pensar aquele tipo de coisa a seu respeito?

Perguntava-se enquanto seguia as cegas, não prestando a mínima atenção em onde pisava.

– Ei... – quando deu por si sentiu uma mão segurar forte em sua cintura. – Cuidado, você pode se machucar se andar por aí assim desse jeito – Gaara a ajudou a se recompor – Está tudo bem?

– Ah – ela recobrou o fôlego e Gaara achou adorável o rosa claro que se apoderou das bochechas dela – Desculpe, é que...é que eu não estava prestando muita atenção. E eu estou bem sim, obrigada por se preocupar, quer dizer, por perguntar. – rapidamente ela corrigiu sua fala. O que arrancou um sorriso de Gaara.

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O filho de Rasa se ofereceu para acompanhar Sakura até a taberna. No pouco tempo que estiveram juntos Sakura conversou bastante com ele como a muito não fazia. E em dado momento, já não agüentando mais a ansiedade, Gaara resolveu perguntar aquilo que queria.

– E você e o...cara lá? – Gaara perguntou, enquanto ela separava uma pequena quantidade de carne vermelha.

Permanecendo de costas para ele Sakura suspirou profundamente antes de responder algo.

– Você sabe...as pessoas estão comentando que vocês não andam mais juntos por aí e que...

– Gaara... – Sakura seguiu até tina de água para lavar suas mãos. – Eu sinceramente não quero falar sobre isso.

Em um cômodo contíguo Sasuke ouvia a conversa de ambos, escondido. Ele viu quando ela tombou com ruivo no caminho e esse se oferecerá para ajudá-la. E por mais que tenha se sentido um bobo por não ter se agüentado e decidido espioná-la, ele não nega que sentiu-se incomodado com o fato dela está ali sozinha com aquele garoto.

– Desculpa, mas é que...você sabe.

– Eu entendo. – ela o corta.

– Entende?

– Sim! Entendo. – afirmou, deixando claro que entendia o motivo pelo qual ele a questionava aquilo.

– Você sabe que eu gosto de você, não sabe?

De repente a atitude do ruivo a surpreendeu.

Gaara deu alguns passos em direção à ela parando bem próximo de seu corpo. Sakura suspirou e tentou se afastar, mas acabou presa entre a bancada atrás de si e o corpo dele.

O ruivo tocou a lateral do rosto dela e acariciou-lhe a bochecha.

– Você é tão linda. Eu sempre te achei a garota mais bela desse lugar Sakura – falava ele enquanto aproximava o rosto do dela.

Sasuke se incomodou pelo fato dela não ter recuado ou se desvencilhado do agarro do garoto. Algo dentro de si começou a arder tamanha a raiva que parecia querer domá-lo. Era como se ele, pela primeira vez, tivesse se sentindo ameaçado. E ele não suportava se sentir de tal forma.

A fera dentro de si parecia estar querendo despertar, mesmo que não estivesse em período comum para que isso ocorresse, mesmo que ele estivesse com seu amuleto.

– Sakura – o ruivo sussurrou rente aos lábios dela – Eu quero que saiba que eu sempre vou está aqui... – olhou nos olhos verdes e em seguida se perdeu na bela visão dos lábios carnudos e rosados que ela possuía – Eu sempre vou te esperar, leve o tempo que levar eu... – os lábios inexperientes de ambos resvalaram-se minimamente e então um forte barulho oriundo no cômodo contíguo os fez sobressaltar.

Sakura acabou usando isso como pretexto para desvencilhar-se dele, e se despedindo do ruivo seguiu às pressas com a desculpa de que sua mãe lhe aguardava, pegando a comida de cima da bancada seguiu seu caminho até sua casa deixando para trás um ruivo sorridente.


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A refeição aquela noite foi serena e pacífica, como nos últimos dias. As únicas palavras trocadas foram entre Kizashi e Sasuke que vez ou outra falavam sobre coisas que fariam na manhã seguinte.

Antes que o jantar terminasse Sakura se retirou da mesa seguindo para seu lugar de descanso depois de desejar uma boa noite aos pais. Ignorando o fato de Sasuke está sentado bem ao seu lado.

Mebuki percebendo o comportamento estranho da filha, depois da refeição, enquanto conversava com o marido a sós resolveu ter uma conversa com ela.

Já era tarde quando a mãe tomou o lugar de descanso onde a filha estava. A garota estava deitada de lado olhando de forma perdida a parede lateral enquanto tocava os próprios lábios.

– Ei – a voz branda da mãe a fez despertar de seus devaneios.

Cobrindo as pernas que estavam à mostra, por conta do curto e fino vestido de dormi, ela sentou em sua cama.

– O que a senhora faz aqui?

– Nada de mais, eu só queria saber como minha filha está – Mebuki acariciou os cabelos dela e sorriu.

– Mãe... – Sakura espremeu o olhar.

– Tá bom, eu confesso. Eu estou preocupada com você.

– Não quero que se preocupe comigo. Eu estou bem. Como sempre estive.

– Será mesmo, Sakura?

– É claro que sim! Eu não mentiria para a senhora.

A mãe fez uma cara engraçada.

– Sei...

– É sério. Não precisa se preocupar comigo.

– Olha... – Mebuki não sabia exatamente como começar aquela conversa, mas então resolveu dizer tudo de uma vez – Eu sei que essas coisas podem ser complicadas no início sabe...

– Do que a senhora tá falando?– Não precisa me contar nada e nem como aconteceu, mas não quero que se feche por isso. Então....

– Mãe, o que a senhora tá falando...?

– Eu sei que isso é um pouco constrangedor e que é um pouco difícil de lhe dar no início, mas...vai por mim isso passa minha filha e logo os melhores momentos irão acontecer e vocês vão se dar muito bem e todo essa vergonha e....

– Espera, espera, espera...para.

– Sakura você tem que se abrir comigo. Não quero que me esconda nada minha filha.

– Mas eu não tô escondendo nada, eu estou bem e nem entendo o porquê a senhora tá me dizendo essas coisas e tudo mais...

– Estou me referindo a sua primeira vez. – Sakura quase engasgou ao ouvir a mãe dizer aquilo assim do nada – vocês estiveram juntos, não foi? Bom, pelo menos foi isso que todo mundo entendeu. Até mesmo seu pai falou sobre isso comigo.

– Mãe eu ...

– Bom, não importa o que estão dizendo por aí. Você é uma menina linda que tem idade suficiente para escolher alguém bom e de caráter para está ao seu lado. E quer saber? Eu gostei de saber que esse alguém é o Sasuke. Ele é um bom rapaz afinal, e saberá honrá-la como merece...

Frustrada Sakura suspirou fundo ao deixar os ombros caírem.

– Acabou?

– Bom, acho que sim – sorriu Mebuki satisfeita, mas não menos constrangida, mesmo que tentasse esconder isso – Nossa conversa foi muito produtiva. Temos que fazer isso mais vezes. Bom, boa noite então...

Tão sem sentido como foi o início de tal conversa ela findou-se.

Depois de Mebuki ter se retirado do quarto Sakura se jogou de costas na cama e se debateu elevando as pernas e batendo o calcanhar contra a cama. Depois pôs o lençol sobre o rosto e abafou um grito.

– É, eu acho mesmo que você está ficando louca  – a voz familiar a fez sobressaltar.

– O que tá fazendo aqui? – mirou Sasuke com certo rancor. Mas o riso nos lábios dele não cedeu. Mesmo diante do olhar de corsa raivoso.

– Eu só vim verificar algo...

– Sai daqui agora. Eu não te dei permissão pra entrar aqui...

– A gente é visto como um casal graças a você, então não vejo problema em entrar aqui... – ele dá de ombros ignorando ela e a forma ameaçadora que o olhava.

– Eu já disse pra sair daqui – ela levanta sem se dar conta da peça íntima, a única que está sobre seu corpo.

Porém Sasuke notou de imediato. E o sorriso debochado no canto dos lábios dele deixou isso evidente para ela.

– Droga...

Quando Sakura se da conta de sua quase nudez diante dele ela se vira para pegar seu vestido. Mas Sasuke a detém. Prensando ela contra a parede mais próxima ele a ver arregalar os olhos pelo susto.

Uma mão ele pôs sobre a boca dela e a outra ele segurou firme na fina cintura.

De vagar ele retirou a mão da boca dela permitindo que o ar circulasse melhor em seus pulmões.

– O que pensa que está fazendo? – ela fez menção de afastá-lo, mas seu corpo parecia querer se render ao calor do corpo dele espontaneamente.

– Eu só vim verificar algo...lembra? – brincou, aproximando o rosto vagarosamente do dela.
– Me poupe das suas brincadeiras e do seu humor difícil. Agora me larga e sai...sai daqui...ou eu... – a voz dela começava a falhar conforme ele aproximava o rosto ainda mais.

Quando ela pensou que ele a beijaria Sasuke segurou o queixo dela e passou o nariz na extensão da bochecha dela seguindo o caminho dos lábios femininos onde se deteve por alguns estantes e em seguida inalou o seu cheiro.

– Você não o beijou – disse por fim, afrouxando o toque e afastando-se vagamente dela.

Aturdida e incrédula ela o fuzilou com o olhar.

– O que?

– Eu disse que você não beijou ele. Aquele garoto lá... – disse sem muito interesse e com uma pitada de desprezo na voz.

– Q-Quem tem garante? E-E o que você tem a ver com isso?

– Meu olfato não se engana...

– Espera aí...como você sabe que ele tentou me beijar?

Sasuke deu de ombros.

– E com que direito entra aqui e diz essas coisas?

– Eu estou tomando conta de você porque parece que te falta juízo. Uma hora você diz pra todo mundo que esteve comigo e agora deixa aquele garoto chegar perto de você com segundas intenções...

Sakura acabou esmurrando o peito de Sasuke. Com raiva ela o empurrou para longe de si.

– Só pode ta ficando louco. Qual é o teu problema? Há alguns dias atrás me destratou como se eu fosse qualquer uma que estivesse exigindo uma recompensa por ter salvo o teu pescoço e agora agi como se fosse algo pra mim ou mesmo como se eu devesse algum tipo de explicação a você.

– Mas eu sou algo pra você. Pelo menos na cabeça de todos depois do que você disse.

– Eu já falei que fiz aquilo porque queria te ajudar. Mas isso não te dá o direito de agir como se fosse meu dono porque você não é o meu dono. Além do mais Gaara diferente de você gosta de verdade de mim...

Sasuke sorriu amargo

– Ele é apenas um garoto...

– Ele é um homem, você está enganado. E quer saber? Sabe por que deixei que ele se aproximasse de mim? – ela o provocou. O que surtiu efeito, pelo menos momentâneamente já que Sasuke retraiu a mandíbula ao ouvir ela dizer aquilo  – Porque eu queria aquele beijo...

O pequeno susto ao ter sua costa contra a parede fez uma lufada de ar saltar de seus pulmões.

– Você tá mentindo... – ele rosnou perto do rosto dela.

Sakura sorriu vitoriosa.

– É mesmo? Espera pra ver então...

– Eu sei que está mentindo... E sabe por que eu sei disso?

– Não, por quê? – ela desafiou ele erguendo o rosto de forma altiva sem abaixar a cabeça para a postura intimidadora dele.

 – Porque é comigo que você sonha. Porque sou eu o homem que você deseja que te torne mulher. Porque eu sou aquele que povoa a tua mente todos os dias o dia todo. Sou eu aquele que você quer beijar antes de qualquer outro. Sou eu...sou eu...e eu tenho a plena certeza disso.

A convicção na voz dele de repente a fez se sentir um animalzinho encurralado. Toda aquela segurança de antes deu lugar a uma sensação de descontrole e falta de ar que ameaçava querer sufocá-la gradativamente.

– De que adianta você saber de tudo isso se repudia o que sinto por você?

O desarme provocado pela voz dela o fez pensar sobre tudo o que tinha dito anteriormente para ela.

– Se não me quer, se não pode retribuir isso que sinto...me deixe ir.

Somente a possibilidade em pensar sobre isso o apavorou. Ele não podia se enganar. O que sentia por ela já havia tomado conta de todas as suas faculdades. E se pensasse, por algum motivo, em desistir dela e deixá-la ir seria o mesmo que conviver com uma eterna e infindável dor insuportável. Ele já havia se aperfeiçoado a ela mesmo que nunca tenha tocado nela de forma íntima. Com ela ele não precisou ter esse contato para se render ao que ela queria lhe oferecer. E mesmo que se achasse indigno e um monstro, ele não podia mais lutar contra aquilo.

Seu pai sempre lhe alertou que quando ele encontrasse a parceira ideal todos os seus instintos se aflorariam. Que ele saberia que ela seria a sua parceira e que não precisaria de aproximação intima para que tivesse certeza disso.

E foi exatamente isso que aconteceu depois que ele conheceu Sakura. Ela o conquistou de um jeito que mulher alguma, até então, havia conseguido.

– Eu nunca vou deixar você ir... – sussurrou prestes a tocar os lábios dela com os seus.

– Vai viver pra me impedir de seguir em frente? Pra me machucar jogando coisas contra mim?

– Não, não... – ele tocou o queixo dela com carinho – Eu não vou fazer isso...

– Então... – a respiração dela estava ofegante e Sakura sentia o pé de seu estômago esquentar.

– Eu quero viver pra ter fazer feliz...quero...que sabia que eu nunca quis realmente dizer aquelas coisas, quero que saiba que tudo foi uma falha tentativa de te afastar de mim. Mas...mas quando você se afastou eu acabei percebendo algo...

– E o que foi? – a voz feminina gaguejou.

– Que eu não estou e nunca estarei preparado pra te ver longe de mim.

Sakura sentiu o peito comprimir dentro de sua caixa torácica ao ouvi-lo dizer aquilo. E por um momento se perguntou se não estava sonhando.

– O que você quer com tudo isso, Sasuke? Quer me fazer enlouquecer? Quer que ..

Ele não permitiu que ela terminasse a frase. Com desejo ele tomou os lábios puros da garota que nunca havia beijado homem algum.

O gosto foi semelhante a algo doce do qual ainda não havia provado o sabor. Foi dessa forma que ele definiu o beijo com ela.

Sasuke teve que segura-la no lugar quando sentiu o corpo dela desmanchar em suas mãos. Os lábios inexperientes da garota procuravam por mais contato de forma inconsciente conforme ele aprofundava o beijo.

Não foi algo afoito ou sem controle, foi um beijo – embora quente – pacifico e delicado. Pois ele sabia que aquela estava sendo a primeira experiência dela com aquele ato.

Embora para ele estivesse sendo difícil de conter-se queria dá a ela a melhor experiência de tudo isso. Pois bem sabia o quanto ela desejava que isso acontecesse entre os dois. 

Sasuke não tinha muito jeito com romantismo, e embora ele não se recordasse sobre muitas coisas, ele sabia isso sobre ele mesmo. Seus instintos eram natos inerentes a sua natureza, porém sentiu-se estranhamente impelido a fazer ela se sentir satisfeita naquele primeiro contato entre eles. Como se satisfazê-la fosse seu maior desejo.

Quando os lábios se separaram e os olhos pesados da garota vagamente abriram-se ambos encararam-se.

– Minha mãe acha que dormimos juntos aquele dia... – ela diz a primeira coisa que veio em sua mente.

– O que? – incrédulo ele pergunta.

– É... – ela abaixa a cabeça e sorri sem jeito, sentindo o rosto esquentar. Ambos permanecem presos um ao outro – Ela estava aqui comigo antes de você aparecer por aqui.

– E o que você disse a ela? Você negou, não foi?

Sakura dá de ombros.

– Sakura...

– Eu não me importo com o pensam...

– Porque Sakura? Porque está tão disposta a fazer tudo isso? Porque desde o inicio fez todas aquelas coisas por mim? Por um completo desconhecido...porque?

Ela se manteve em silencio por um estante. Depois procurou por ele, o abraçando enterrou o rosto no peito largo do rapaz.

– Eu nunca senti isso por ninguém. Por homem nenhum, em momento algum da minha vida. E quando eu te conheci e acabei descobrindo aquelas coisas a seu respeito, eu acabei me dando conta que era com você que eu queria sentir tudo isso, que eu queria ter todas essas experiências.

– Como pode ter certeza disso? Como pode achar que comigo terá algum futuro? Você sabe o que eu sou, não sabe?  Sabe que comigo correrá perigo, mas mesmo assim ainda me quer....

– Como nunca quis algo na vida – afirmou segura de si ao procurar pelo olhar dele – E não importa o que diga eu sempre vou querê-lo...sempre. Eu sempre vou amá-lo.

Sasuke sorriu amável e tocou a lateral do rosto dela.

– O que você entende sobre amor, pequena? Há minutos trás fui eu o homem que te beijou pela primeira vez... – Sakura fechou os olhos quando sentiu Sasuke tocar seus lábios com as pontas dos dedos acariciando-os com delicadeza.

– Você tem razão em duvidar do que digo. – ela abriu os olhos depois dele ter beijado delicadamente seus lábios – Eu sou apenas uma garota inexperiente que teve a sua primeira experiência num beijo a poucos estantes, mas...você não pode duvidar do que eu sinto, do que eu quero. Porque nem mesmo eu tenho duvidas disso. Mas se quiser aceitar, se estiver disposto a receber o que tenho aqui – ela pegou uma das mãos dele e pôs sobre seu peito. E ofegante o encarou – Se fizer isso...eu...eu...estarei disposta a me entregar pra você de corpo e alma, sem restrições. E assim lhe provarei que o sinto é real, é verdadeiro...

– Você merece muito mais do que eu tenho a lhe oferecer.

– Eu só quero você...nada mais do que isso.

Perdidos na intensidade dos olhares ambos se entregaram em mais um beijo arrebatador. Onde, dessa vez, a ânsia e o desejo falaram mais alto.

As mãos do rapaz, quentes, desceram para a cintura demarcada da garota que em um ofegar comprimiu os olhos quando o sentiu forçar o quadril contra ela. Os lábios soltaram-se um do outro, Sasuke desceu a boca pelo pescoço dela e em seguida mordeu a pele macia fazendo uma leve pressão. Resignando-se procurou por sanidade e obrigou seu consciente a obedecê-lo na tentativa de refrear seus ímpetos que a todo momento gritavam para ele o pedindo em demasiada necessidade por mais contato.

Com uma das mãos escorou-se na parede enquanto ela respirava profundamente contra o peito dele.

– Sasuke... – o timbre baixo e entrecortado por conta da respiração acelerada o despertou.

– O que?

– Eu quero que você fique aqui essa noite... – pediu, sentindo o rosto arder em chamas.

– Sakura...

– Por favor...fica.

Ele forçou-se a olhar no rosto dela e contemplou a mais pura ansiedade, e com ela, em meio aos olhos de corsa, também viu desejo, amor, paixão e indiscutivelmente também viu certeza.

– Se eu ficar aqui tudo vai ser diferente entre nós, Sakura.

– Eu sei...

– As especulações de todos deixarão de ser apenas especulações...e...passarão a ser verdade.

– Eu entendo... – ela abaixou o olhar e abraçou o próprio corpo. – Eu entendo... – sussurrou novamente.

– É isso mesmo que você quer? Se sente preparada pra isso? É algo importante pra vocês mulheres, eu sei disso. E não quero que se sinta obrigada a fazer isso agora e aqui....

Sakura não precisou responde-lo, ao olhá-lo nos olhos, Sasuke percebeu que ela já havia tomado sua decisão.

Ela o pegou pela mão e o guiou até seu leito. Sentou-se e o fez sentar também.

Sakura deslizou para um dos lados e deitou-se. Ele a observou em silencio depois estendeu a mão a ela que o puxou para que deitasse ao seu lado. Retirando seu calçado e a blusa do corpo ele tomou o lado dela e cobriu seus corpos com o lençol que ali estava. Ambos ficaram em silencio apenas se olhando perdidos nas sensações mais avassaladoras que aos poucos ameaçava desmanchar suas entranhas de tamanha ansiedade.

– Eu sempre pensei sobre esse momento... – ela falou enquanto o encarava fixo.

– Aposto que não aconteceu como sempre sonhou – ele sorriu.

– Verdade! – ela concordou abaixando o olhar rapidamente enquanto sorria.

– Decepcionada?

– Não, Feliz! – afirmou convicta quando tornou a olhá-lo.

– Tem certeza?

– Absoluta!

– O que te faz tão convicta de que isso entre nós dará certo?

– Porque quando eu imaginava a minha vida eu me via casava com um estranho qualquer e passava o resto da minha infeliz vida aqui nesse lugar.

– Então eu me tornei o seu bote salva vidas?

– Meio que é isso mesmo.... – ela sorriu.

– Estou me sentindo usado agora – ele fingiu ressentimento. – Achei que seu sonho fosse sair daqui, achei que vislumbrasse pra você uma vida diferente.

– Não até eu te conhecer. Antes disso eu apenas possuía um desejo de fugir desse lugar. Mas em alguns momentos eu tinha a certeza que meu fim seria o mesmo de todas as garotas daqui.

– Casar com um bom rapaz, constituir família e ter muitos filhos?

– Sim! – ela riu e ele também.

– Esse é um bom sonho.

– Não, não é não.

– E por que acha isso?

– Isso não é vida, é martírio. É falta de escolha, é imposição. Essas pessoas que vivem aqui vivem porque não possuem alternativas, vivem porque sabem que o melhor é ficar. Vivem porque são movidas pelo medo...

– E você não tem medo de sair daqui e como os outros que tentaram acabar se perdendo ou até mesmo morrendo?

– O único medo que eu sinto agora é o de perder você....

Os olhares novamente se perderam. Depois de um momento ele puxou ela para seus braços e afagou seus cabelos pela base na nuca dela. Sakura se aconchegou no corpo dele e inalou o delicioso cheiro da pele firme. Sasuke depositou o queixo sobre o alto da cabeça dela enquanto a sentiu com os braços envolver a cintura dele.

Os batimentos dele aos poucos aceleravam, ela podia ouvi-lo perfeitamente sobre os ouvidos.

– Pensei que somente as mulheres ficassem nervosas nesse momento. – ela comenta e depois deposita um beijo sobre o peito musculoso e exposto abaixo do lençol.

– Que momento? – brincou quando teve o olhar dela para si. E viu o instante que o rosto dela adquiriu uma adorável tonalidade rosa.

Quando um riso tímido adornou os lábios dela ele roubou para si mais um beijo.

Na cintura onde antes os braços finos estavam agora era adornado pela perna direita dela que inconscientemente tragava-o para o mais perto possível: tocando-o com a pele macia do interior das coxas dela.

As mãos femininas perderam-se entre o pescoço e os ombros, onde ora seguravam-se, ora passeavam desorientadas, enquanto se perdia na boca do parceiro que prometia sem dizer uma palavra se quer: uma noite perfeita de amor.

E foi isso que aconteceu depois dele deslizar o corpo para cima do dela.

A caris da pele macia, do contorno perfeito dos lábios, do cheiro inconfundível dos cabelos dela, das expressões de necessidade, das curvas do corpo antes jamais tocado foi gravada no subconsciente dele nos mínimos detalhes. Eternizando aquele acontecimento em suas memórias mais recentes. Catalogando aquele fato como o ponto mais alto de sua vida, como a melhor satisfação já sentida.

O cheiro da pele macia o embriagava.

A cada beijo ou resvalar de lábios pelo corpo dela o levava a um delírio instintivo que ameaçava-lhe roubar a compostura. Porém Sasuke sabia que não poderia ir rápido de mais. Ele sabia...era ciente da inexperiência dela, da falta de jeito, dos tremores involuntários que ela mesma não conseguia controlar. Ele era ciente de tudo e um pouco mais, e sabia os motivos pelos quais ela estava de tal forma...

Ele nunca se achou digno de tal beneficie, ele nunca se achou merecedor de tal honra, mas quando olhou nos olhos dela no ultimo momento antes do ato mais importante: ele viu que não tinha como negar o que ela e ele queriam. Ele sentiu a necessidade instintiva daquilo. E mais...ele percebeu que não lutaria e nem desejava lutar a desfavor do que inevitavelmente aconteceria entre eles aquela noite. Afinal de contas, os sentimentos entre eles eram recíprocos, e disso ele não tinha a menor duvida. Não mais...

– Está tudo bem? – perguntou encostando a testa suada contra a dela.

O peito forte subia e descia em completo descompasso com a respiração rarefeita.

– Ãham...

– Não quero que fique nervosa...mas se estiver se sentindo assim eu posso parar por aqui.

– N-Não Sasuke, eu quero que continue. – ela abriu os olhos nublados para encará-lo.

Sasuke desceu o olhar pelos seios expostos que a momentos atrás tocou com a boca. A pele macia e branca estava ainda numa tonalidade levemente avermelhada devido à força com a qual se dedicou a acariciar aquela pequena e delicada área.

Ele umedeceu os lábios e afastou o corpo vagamente para cima apoiando-se sobre os cotovelos, tirando o peso do próprio corpo sobre o dela. Posicionou o quadril e buscou pelo olhar dela recebendo a permissão que precisava.

O estomago de Sakura fechou-se em um nó, sua garganta estranhamente arranhou quando sentiu ele deslizar sobre seu corpo. Os olhares encontram-se momentos depois: o dele imerso em sensações novas e o dela cheios de significados e certezas.

O ato estava concluído, as especulações já não podiam mais ser vistas como apenas especulações. Agora, de fato, toda aquela estória antes contada era a mais pura verdade: eles estavam juntos, eles passaram a noite juntos!

E quando aquela dor, o desconforto e a tremedeira, em fim tornou-se um pouco mais controlável e até mesmo suportável, eles se permitiram libertar suas amarras.

Ela tocou-lhe com desejo mesmo que não entendesse a ordem dos próprios atos ou como deveria fazê-los, e ele deu a ela tudo aquilo que guardava dentro de si e que somente ela poderia ter: o seu amor, a sua dedicação, o seu cuidado e um pouco da veneração que passou a sentir por ela.

Seu corpo tremeu junto ao da garota. Porém ele, e ela, sabiam que o fim daquele doce e instigante novo ato em breve chegaria.

Somente quando o corpo de ambos reagiu com espasmos de saciedade foi que se deram conta de que a magia havia acabado, não totalmente, mas a magia do ato em si que havia chego em seu derradeiro fim: onde ambos encontravam-se ofegantes olhando um para o outro, cheios de promessas e sonhos que não precisavam ser ditos, ser expressos...

Um riso velado adornou os lábios levemente vermelhos da garota após deitar-se sobre o peito dele, sereno, tomado agora pela respiração estável após o ato. Depois de muito tempo decorrido eles ainda não haviam conseguido dormir.

– Está feliz? – ele perguntou, acariciando os ombros dela.

– Muito! – afirma sem a mínima sombra de dúvida. – Só acho engraçado uma coisa...

– E o que é?

– As garotas que conheço e que já fizeram isso, elas disseram que após terminarem...elas se sentiam vagamente arrependidas. Como se sentissem culpa por terem permitido que um homem tivesse tirado aquilo de mais puro que havia em si. Disseram que toda mulher costuma sentir isso após a primeira relação...

Sasuke se pegou pensando sobre o que Sakura falara e os motivos pelos quais ela lhe contava aquilo naquele momento.

– E você se sente assim também? Digo, se arrepende? Pode contar, não tem problema...

Sakura ficou pensativa por um instante. Sentou-se sobre a cama e o olhou profundamente. O lençol que ela mantinha cobrindo os seios foi solto os deixando amostra.

– Eu não consigo nem lembrar como tudo era antes desse momento. – confessou – Por mais que eu tente é difícil de imaginar como eu me sentia incompleta antes disso tudo acontecer entre nós. Então não, respondendo à sua pergunta, eu não me sinto assim, não me senti assim nem por um momento. Na verdade eu sinto que... – Sakura fechou os olhos e tocou o próprio lábio com as pontas dos dedos, perdidas nas sensações novas que ele a ensinou a sentir – Sinto que desejo que isso se repita mais e mais vezes entre nós...sinto que você é e sempre foi o homem que eu esperava. O homem certo pra que isso acontecesse – nesse momento ela abriu os olhos para encontrá-lo sentado observando a forma que ela se tocava.

Sorriu retribuindo a intensidade do olhar dele. Se aproximou de Sasuke e sentou sobre seu colo sem a mínima sentença de hesitação ou vergonha.

– Você não deveria fazer isso... – ele alertou-a com um sorriso travesso nos lábios.

– E você não deveria duvidar do meu amor. – ela aproximou a boca dos lábios dele.

– Eu não duvido.

– Então por quê?

– Eu só tenho medo de você desistir de tudo e cair na real. Tenho medo que um dia você me veja como o monstro que vive dentro de mim e queria se afastar por conta disso. Porque sinceramente não sei se estou preparado pra me ver distante de você...

– Você tem medo de me perder? – ela ronronou escorando os lábios um ao outro.

Por instinto ele enlaçou a cintura dela firmando-a em seu colo. Fustigando os lábios femininos com o seu.

– É o único temor que tenho... – confessou, largando os lábios inchados da garota que sorriu mais uma vez entre o beijo.

– Não tenha... – buscou pelo olhar dele – Porque isso jamais vai acontecer.

– É muito bom saber disso...

Sasuke a jogou de costas sobre o leito, sorrindo feito dos bobos, buscou pela boca macia dela. E perdeu-se mais uma vez no corpo de sua parceira. Aquela que ele havia escolhido para está ao lado dali por diante.

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Um tempo depois...

 

– Tem certeza que é isso mesmo que você quer fazer, Sakura?

– Você não precisa mais ficar mentindo sobre isso, Sasuke. Você pode dizer aos meus pais que recobrou a sua memória e que tem uma família para encontrar.

– Mais e você? Vai vim comigo mesmo que isso signifique ficar longe da sua própria família?

Sakura parou o que estava fazendo e pôs as peças de roupa que tinha em mãos numa espécie de trouxa de pano. Sorriu e se aproximou de Sasuke que olhava para fora da casa de forma perdida.

– Quando uma mulher encontra seu parceiro, sua família passa a ser ele e seus prováveis futuros filhos – disse risonha.

Sasuke observou o contorno do rosto dela por alguns instantes. Ele se achava um homem sortudo por ter encontrado alguém tão amável como Sakura. Nem um dia se quer em seus mais de 100 anos de existência imaginou que teria alguém como ela ao seu lado.

– Eu irei com você onde você for, eu estarei ao seu lado em todos os momentos, até o meu ultimo dia de vida. – complementou ela, roubando um beijo apaixonado dele.

Ele sorriu satisfeito entre os beijos e caricias que ela lhe ofertava.

– Os nossos filhos serão lindos. – pontua ele, ao soltar os lábios dela.

– É, eles serão sim.

Quando estavam prestes a desfrutar de mais um beijo envolvente o recinto fora tomado pelos pais de Sakura. Já era fim de tarde quando eles retornaram.

– Pai, mãe? – ela os cumprimentou, bem como Sasuke que já não escondia seu envolvimento com a moça.

A relação deles nos dias que se passarão ficou clara para todos naquele lugar. Mas nem todos receberam com agrado a confirmação daquilo, Gaara, por exemplo, tentou dissuadi-la de se envolver com Sasuke. Mas Sakura já estava mais do que decidida. Ela e ele já eram apenas um, um casal, e isso ninguém mais poderia duvidar.

Depois da noite em que de fato dormiram juntos eles passaram a ser vistos mais próximos e íntimos. E Gaara teve que se conformar.

 As especulações que faziam a respeito dela deixaram de ser comentadas por suas “amigas”.

– Sim, minha filha – Kizashi a respondeu, cumprimentado a Sasuke.

Ela olhou para o parceiro antes de se pronunciar.

– Sasuke deseja contar algo a vocês.

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– Tem certeza, minha filha? – Mebuki a questionou pela quinta vez.

A loira estava triste pela decisão da partida. Mas lá no fundo entendia que era necessário. Afinal, Sasuke precisava reencontrar sua família após ter “recobrado a consciência”.

– Não se preocupe mãe, com o tempo nós voltaremos aqui. Vamos visitá-los.

Mebuki suspirou derrotada.

– Não fique assim, não quero vê-la triste por isso.

Sakura se aproximou da mãe lhe dando um abraço apertado.

– Eu nunca pensei que minha única filha em algum momento partiria para longe de mim.

– Eu sei, mas não precisa ficar triste. A senhora tem que ficar feliz, porque eu estou feliz.

– Eu sei...eu sei... – a loira a apertou nos braços – Você tem razão.

Em um ponto afastado Sasuke conversava com Kizashi.

– Então, quer dizer que você se lembrou de tudo? – questionou o pai de Sakura, enquanto servia-se um pouco de bebida.

Hesitante Sasuke afirmou que sim, mas havia algo que não saia de sua cabeça. O fato do pai de Sakura ter acertado seu nome quando esse propôs chamá-lo de Sasuke, no dia que o Uchiha alegou perda memória, logo quando acordara de seu sono profundo, após ter sido salvo por Kizashi.

De inicio pensou ele ser apenas algo do acaso, uma mera consciência, mas com o passar do tempo ele começara a desconfiar que não havia sido apenas Sakura que notara aquelas coisas ao seu respeito.

– Sim, foi inesperado. Há alguns dias atrás eu vim, aos poucos, recobrando de tudo o que...eu havia esquecido.

– Então, me diga? – Kizashi virou-se para encarar Sasuke – Qual é o seu verdadeiro nome?

A pergunta de Kizashi pegou ele de surpresa. E quando o Uchiha o encarou acabou percebendo que havia muito sobre Kizashi que ele não sabia. Ou talvez não tenha prestado atenção por que seu maior interesse passou a ser Sakura.

Resignado ele abaixou a cabeça e fitou o chão, após alguns segundos divagando sobre tudo ele tornou a mirar a figura de Kizashi.

– Acho que você já sabe.

Kizashi sorriu com os cantos dos lábios. Em seguida sem nada a dizer ele pôs a bebida na bancada ao qual se escorava e de vagar puxou para fora das camadas de roupas um objeto preso a uma correntinha.

– Você não é o único que precisa de redenção, de controle. – disse o mais velho.

Sasuke se surpreendeu por não ter notado aquilo antes. Kizashi era um deles. Sakura era filha de um Lycantropo e talvez aquilo justificasse o fato dela, por instinto, não ter delatado ele ao vilarejo logo quando descobriu sobre sua real condição.

– Elas sabem sobre você? – Sasuke o perguntou.

– Não precisam.

– Entendo!

– Mas e quanto a você? – Kizashi o questiona – Ela sabe sobre você? A minha filha...

– Ela descobriu pouco depois da minha chegada. Ela estava com o meu amuleto e me devolveu.

– Quando eu encontrei você achei seu amuleto perto de onde estava e coloquei nas suas vestimentas. Achei que estivesse com ele esse tempo todo. O seu nome, eu vi cravado nele, por isso sugeri chamá-lo assim.

Sasuke sorriu lembrando do dia que ele sugeriu chamá-lo de Sasuke ao dizer que se tivesse um filho homem o chamaria de tal forma.

Após um momento em silencio ele tornou a falar.

– Eu quero que saiba que e o que aconteceu entre a gente...

– Eu não procuro por explicações, Sasuke. Eu sei como essas coisas funcionam. E se ela escolheu você tudo bem. Eu só peço que a proteja, que a mantenha segura.

– Ela vai está segura junto a minha família. – afirmou o Uchiha.

– Certo! – Kizashi virou-se na intenção de ir até a esposa e filha.

– Mas eu queria perguntar algo...

Kizashi fez a volta para olhá-lo melhor.

– Diga...

– Porque me ajudou, mesmo sabendo o que eu era? Você, assim como eu, sabe dos perigos que representamos por ser o que somos.

Kizashi ponderou sobre o questionamento do rapaz.

– Você é Uchiha Sasuke, filho de Uchiha Fugaku e Uchiha Mikoto. O seu pai me salvou uma vez, ele me livrou da morte e eu sempre serei grato por isso. Quando você o encontrar de novo diga a ele que a minha divida foi paga.

Dito isso, Kizashi foi até onde estava a esposa e sua filha.

 

 

Cont....


Notas Finais


Então...rsrs Bom, estarei por aqui em breve com a parte final. Espero que vocês tenham apreciado mais esse capítulo. Obrigada pelos comentários e por ter acompanhado mais esse projeto.

Beijinhos!

Nos vemos em breve!


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