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História VILLAIN - Jikook - Capítulo 1


Escrita por: taecurekim

Notas do Autor


oii, isso é apenas uma introdução à história.

Ela é em primeira pessoa e narrada pelo Jungkook, mas nesse capitulo aqui, no prólogo é por outro personagem.

Então, bora pro prólogo!

Capítulo 1 - Humano-não-humano


Estava frio.

O vento gelado castigava minha pele, me arrepiava inteiro, meus olhos cerrados enxergavam a noite escura enquanto meus pés apressados me levavam para longe daquele lugar. 

Eu tremia, como sempre acontecia, e eu chorava também, mas eram poucas lágrimas. Eu queria chegar logo em casa, abraçar meu irmão e dormir, mas precisava passar em um lugar antes. Então, fui reto até o final da rua vazia, atravessei o túnel já familiarizado com aquele lugar, e então a poucos metros de distância encontrei-o. 

— Estava te esperando. — Nada disse a ele, apenas peguei a sacola que carregava em suas mãos e me dirigi para dentro do bar. O cheiro de cigarro e bebida tão familiar fez com que eu sentisse vontade de parar, sentar ali e bater papo com os caras, mas segui andando. 

Entrei no pequeno quarto e acendi as luzes, então segui para o banheiro e abri a torneira, comecei a despir-me. Primeiro, as luvas ensanguentadas foram para o lixo, em seguida, a máscara cirúrgica que tampava meu rosto. Tirei meu sobretudo deixando-o cair sobre meus pés, depois minhas botas, minha calça e cueca, a camisa foi a última peça a sair do corpo. Agora eu estava nu. Ou melhor, quase nu. Ainda não havia tirado as meias. Abri o chuveiro e joguei todas as roupas embaixo da água quente, vendo a fumaça fervente subir. 

Fechei os olhos e me concentrei. Senti o poder encontrar minhas energias. Como química pura. De repente, tudo ao meu redor se tornou verde, em tons variados. Concentrei-me mais. E quando percebi-me suficientemente pronto, estendi minhas mãos sobre minhas roupas encharcadas. Segundos depois, elas não estavam mais ali. 

Então, me encostei na parede e sorri. 

Estava feito. Não sentia alivio, longe disso, mas estava feito. E, naquele momento, era o que importava. 

Peguei a sacola, tirando de lá as minhas roupas já tão características, vestindo-as. Em seguida, coloquei o avental. As minhas botas, única peça que não foi destruída, foram calçadas. Em seguida, me olhei no espelho. Ajeitei o cabelo, limpei o sangue seco um pouco abaixo da minha orelha, e sorri para meu reflexo. 

Perfeito. 

Olhei para o banheiro e estendi minha mão, em um pequeno balançar tudo estava perfeitamente arrumado, como se ninguém houvesse passado por ali, me encaminhei para fora do quarto fechando a porta. 

— Jimin! — A voz de meu chefe me chamando fez com que eu desse um pequeno sobressalto. — Onde você estava? seu descanso acabou faz 15 minutos! — Ele não estava bravo, apenas curioso. Jin nunca ficava bravo, paciência infinita. 

— Desculpe, passei em casa para ver meu irmão, Seokjin — Ele puxou-me pelo braço, e segurei o impulso de olhá-lo com repulsa. 

Eu gostava de Seokjin, mas odiava toques, então fechei os olhos para que ele não enxergasse a cor esverdeada cintilante que meus olhos ficavam quando o calor característico da minha magia se alastrava por meu corpo, e respirei bem fundo.

Quando encarei-o, meus olhos já estavam normais.

 Ele sorriu para mim. Não sorri de volta.

— E como seu irmão está? — Ele perguntou curioso, como sempre era. 

— Bem — menti. 

Não dissemos mais nada, então chegamos até o primeiro balcão da boate, o bar característico onde trabalhava, sempre as mesmas pessoas, os mesmos problemas e as mesmas bebidas. 

Seokjin me deixou lá, e saiu.

Então comecei a trabalhar, sempre analisando cada rosto. 

Havia muitos tipos de pessoas que frequentavam o bar de Seokjin, muitos humanos e muitos não-humanos. As raças se misturavam sem perceberem. 

Naquele dia em específico nada de interessante parecia atrair alguém para lá, as mesmas pessoas dançando, bebendo e conversando. Humanos sendo atraídos por todos os tipos de monstros, armadilhas comuns e irresistíveis.

Afinal, é a natureza desse lugar. 

Recuei quando senti um toque em meu ombro, era Yoongi, não dei importância, voltei a prestar atenção no público à nossa volta. 

— As roupas ficaram boas — Assenti, ainda quieto. Nenhuma vítima interessante essa noite. Tédio. — Essa noite foi diferente? Ou a mesma carnificina ? 

— E quando é diferente? — Soltei uma risada em escárnio. — Você sabe que nunca será diferente. 

— Exceto...— ele começou mas olhei para ele imediatamente. — Se encontrarmos o homem que precisamos. 

— Este não existe, Yoongi. Não nasceu — Voltei a atenção para as pessoas à minha frente. —  Você bem sabe, você matou a mulher que daria-lhe vida. 

Ele pareceu tenso, seu olhar recaiu para baixo. Ele encarou os próprios pés. 

— Você disse que tinha matado ela, Yoongi! — Eu girei sobre meus pés ficando de frente para ele. — Vinte e um anos atrás, você disse que havia matado a mulher que daria luz ao humano que poderia salvar ou destruir todos nós. Você disse que estávamos seguros.

— Eu...sei. — Ele olhou para mim, seus olhos demonstravam medo, o meu, fúria — Eu sei o que eu disse, Jimin, eu sei. 

— Você errou, não foi? 

Não era difícil lê-lo. Eu o conhecia em todos os meus anos vividos. 

— Jimin...— Ele começou, mas foi interrompido por outra voz. 

— Com licença. — Me virei para frente, encarando o dono da voz baixa e do sorriso de canto, encostado na bancada do bar. 

Seus olhos intercalavam entre olhar para mim e Yoongi, logo percebi Yoongi sair dali, quase me virei para ir atrás dele, mas algo me impediu. Quando os olhos do garoto à minha frente encontraram os meus, senti a magia se apoderar de mim, fechei os olhos rapidamente e apertei minhas mãos com força.

Quis gritar uma maldição.

Meu poder, ao que eu controlava-o perfeitamente, resolveu reivindicar seu lugar em um péssimo momento. 

— Você está bem? — A voz melodiosa do garoto perguntou, quis rosnar e mandá-lo calar a boca.

Talvez amaldiçoá-lo para que nunca mais falasse, mas nada disso fiz, apenas assenti com a cabeça. 

— O que quer? — Falei baixinho. Ainda não olhava-o, tentava controlar o calor do meu corpo. 

— Uma bebida forte. Qualquer uma, por favor. — Ele disse — Na verdade, duas. Uma mais docinha… — Eu apenas balancei a cabeça. 

Precisava sair dali, precisava me controlar antes de olhá-lo. Precisava fazer a bebida...

Senti um choque estranho e uma mão encostando na minha, olhei rapidamente para frente. 

— Você… — Seus olhos se arregalaram, aparentemente ele havia sentido também. — Que merda foi essa? Você está usando algum dispositivo eletrônico… — Eu levantei a mão e ele se calou imediatamente.

A voz dele. O rosto. O toque. A presença...

Ele deixava a minha magia incontrolável. 

Então, olhei ao redor, percebi que o bar estava um verdadeiro caos. Os monstros pareciam desorientados, os humanos continuavam agindo como se nada estivesse acontecendo. Ninguém percebia nada, mas eu havia notado e precisava agir. 

— Você precisa sair daqui — Foi a única coisa que eu disse, ao perceber que a minha magia se acalmava aos poucos. 

Encarei o garoto que me olhava confuso, seu semblante também denunciava irritação.

Aquele era o humano que não deveria ter nascido. 

Irônico o destino ter logo me colocado em seu caminho. Logo eu, destinado a destruir qualquer resquício de sua existência. 

Passei por trás do balcão, abri a única porta ali presente, e sai carregando-o pelo meio das pessoas para o fundo do bar. Puxando sua mão, apesar daquilo causar-me sensações estranhas, desconhecidas e dolorosas. 

Empurrei-o para o quarto no qual estive algumas horas atrás; ele parecia verdadeiramente assustado. Os olhos arregalados, ficando ainda maiores do que já eram, os cabelos pretos, curtos sendo puxados para trás, seu corpo, claramente maior que o meu, tremia e sua boca formava um bico descontente nos lábios. 

— Por que me trouxe até aqui? O que quer? Quem é você? Cara… — Ele diz, parecendo mais frustrado do que tudo. — Eu só queria uma bebida. 

Permaneci em silêncio observando-o. Minha cabeça pensava em milhares de coisas a se fazer, entregá-lo para as forças maiores? Escondê-lo? Matá-lo? Essa última possibilidade arrepiou-me inteiro. 

— Por que tem a porra de um quarto nos fundos de uma boate? 

— Cale a boca. — Pedi, rude, ele apenas riu consternado. 

— Não me manda calar a boca não, seu esquisito. — Olhei-o com raiva, ele deu de ombros, sua expressão ainda parecia de alguém assustado, suas atitudes, no entanto, era de alguém que não teme pela própria vida. — Eu em. — Continuou reclamando, bem baixinho. 

Ficamos em silêncio, eu sem saber o que fazer com ele, o humano-não-humano com o poder e a capacidade de mudar o mundo em que vivemos. 

De acabar com todos os monstros. De acabar comigo. De salvar meu irmão...

Depois de um tempo, ele se levantou. Caminhou ao redor, tocando em algumas coisas, e eu continuei observando-o. Ele parecia do tipo humano normal, sem reconhecer os segredos do mundo que vive, sem saber sua origem. Completamente alheio ao perigo que está exposto, estando aqui, nesse quarto, comigo. 

— Qual seu nome? — Perguntei. Quebrando o silêncio, ele se virou para mim alheio, distraído, me encarou. 

— Jeon. — Respondeu seco. 

— Só Jeon? — Ele fez que sim com a cabeça.

Estranho, talvez ele soubesse de algo, afinal. 

Nomes são coisas poderosas no mundo em que vivemos. Um monstro pode controlar você, caso saiba seu nome completo. 

— E o seu? 

Me virei, de costas para ele, procurei minha bolsa. 

— É muita falta de educação não responder as pessoas, sabia? 

Percebi quando ele se aproximou, ficando ao meu lado, tão próximo que senti ser sufocado por sua presença; ele olhou para dentro da minha bolsa e depois voltou o olhar para mim. 

— Você pode abrir a porta agora? Eu não sei porque me trouxe aqui mas quero voltar lá para fora, minha cabeça já está doendo e você nem me fez a minha bebida, aliás vou fazer uma reclamação sobre isso. — Disparou. 

Eu sei que humanos são realmente chatos, nunca fiz questão de me aproximar de nenhum deles, quero dizer, exceto quando eu preciso fazer isso. Não é lá as pessoas mais simpáticas com pessoas como eu, quando as descobrem, então eu também não faço questão de ser simpático com elas. Mas, esse Jeon, parece ser ainda mais insuportável do que um humano normal, isso porque, ele não é humano… completamente.

Passei minhas mãos nos cabelos puxando-os para trás, suspirando fundo e virando-o para ele com um sinal visível de irritação em meu rosto. O garoto deu até um passo para trás; mas cruzou os braços e pareceu não se intimidar completamente. 

— Preste atenção — Falei baixinho, mantendo meus olhos nos dele. — Você vai ficar quieto e me obedecer a partir de agora se quiser continuar vivo, entendeu? — Ele riu, uma risada sarcástica e espontânea saiu por seus lábios. — Você acha que eu estou brincando? — Em um fio de voz verbalizei meus pensamentos. 

Ele realmente não achava que havia perigo? Ele não conseguia sentir? Não tinha nenhum pouquinho de instinto de autopreservação? 

— Olha, cara — Falou como se tudo que eu havia dito não passasse de uma brincadeira, uma provocação. — Não sei quem é você, realmente não entendo porque me trouxe para essa merda de quarto, e até pensei que estivesse tentando me seduzir ou algo assim...— Eu arregalei os olhos. Espera aí, seduzi-lo? — E eu até deixaria porque você é bonitinho...— bonitinho? no diminutivo? — mas, você já encheu a minha paciência… então, dá para abrir a merda da porta? 

Eu normalmente não sou um cara muito paciente, mas com ele eu me esforcei ao máximo porque, bem, eu não estava conseguindo controlar muito bem minha magia e eu ainda não tinha noção do que fazer com ele, mas sabe quando não dá mais e você simplesmente, explode? 

Desafiando as leis possíveis do universo, eu sorri, geralmente, meu sorriso é bonito. Pelo menos, é o que dizem.
Mas não foi admiração que vi no rosto do garoto ao observar meu sorriso, e eu sabia bem o motivo. A expressão em seu rosto metamorfoseou-se para uma de puro espanto.
Dando passos para trás, até que encostasse na porta.

Seus olhos agora, estavam tão arregalados que puderam sair pulando de suas órbitas. 

O motivo era que, provavelmente, ele conseguia ver. Meus olhos verdes, a aura sobre minha cabeça irradiando de mim todo meu poder, meu corpo em volta de uma luz esverdeada revelando ao humano-não humano, o que eu realmente sou. 

— Minha nossa senhora… — Foi o que saiu de seus lábios. 

Me aproximei devagar, ele saiu correndo para outro canto do quarto, pulando em cima da cama em seguida.  

— Eu bebi uma dose de tequila só, não tem como eu estar bêbado...— Ele colocou a mão na testa — Também não ‘tô com febre. Ai, meu deus… — Ele me olhou novamente. 

Parado no mesmo lugar, encarei-o, ainda sorrindo.

Ainda com magia irradiando por cada poro de meu corpo. 

— Quem diabos é você, assombração? — Ele perguntou de uma vez. 

— Provavelmente o cara que vai te matar. — Ele soltou um gritinho horrorizado, depois colocou a mão no peito e ouvi-lo sussurrar “minha nossa senhora” mais três vezes. — Mas se você estiver com sorte, eu deixo-o viver, Jeon, por enquanto. 

— Ai, meu...— Antes que ele pudesse terminar a frase, me aproximei rapidamente. Como se flutuasse pelo quarto, pegando-o de surpresa. 

 E com um peteleco na testa dele, vi-o apagar em cima da cama do quarto pequeno, nos fundos da boate de Seokjin. 

Agora, eu só  precisava decidir o que fazer com o humano-não-humano. 
 



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