História Villain - Capítulo 1


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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não, eu não morri!

E, depois de tanto tempo longe, volto com essa pequena pérola negra...
Uma bela dor de cabeça no meio da madrugada, insônia e Boku no Hero, e eis que eu decido escrever essa cena.

Particularmente, me apaixonei pelo resultado então aqui vai!

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Villain - Capítulo 1 - Capítulo Único

O covil estava vazio a não ser por Shigaraki e eu.

Ele mantinha os olhos fixos no noticiário, remoendo silenciosamente o próprio fracasso, a vergonha de não cumprir devidamente seu papel.

Eu, as costas apoiadas no balcão, encarava meu próprio reflexo no vidro empoeirado da janela. Podia ver as placas de madeira apodrecidas que bloqueavam a luz pelo lado de fora, mantendo nosso buraco escuro devidamente protegido dos olhos que quem passava pela rua.

“O Símbolo da Paz, o Grande Herói All Might...”

A repórter foi interrompida quando Shigaraki desligou a TV em um acesso de fúria, arremessando o controle contra a parede.

- O Grande Herói... - Eu repeti, lentamente, pesando as palavras...

- Cala a boca, Dabi.

- Eles são tão... Perfeitinhos, não acha? Saudáveis, bem alimentados, perfeitamente alinhados... Parecem como heróis devem se parecer... Até às cicatrizes deles são heroicas.

Eu encarei minhas próprias marcas grotescas... Sabia que Shigaraki agora também pesava mentalmente a própria imagem deplorável. A sala mal iluminada parecia girar suavemente ao meu redor. Álcool... Quanto eu havia bebido? As últimas pedras de gelo derretiam no copo sobre o balcão, a garrafa ao lado com pouco menos de um quarto de seu conteúdo... 

- Você sabe, nee, Tomura? Nós estamos quebrados – Ele não pareceu entender o que eu dizia – Somos... Brinquedos quebrados. Crianças quebradas – Por que eu estava dizendo essas  coisas? Eu estava me afogando em meu próprio silêncio - Não fomos bons o suficiente e o preço agora é vivermos escondidos como ratos, enfiados em um buraco sujo com outras crianças quebradas, fingindo que lutamos por uma causa nobre... Brincando de vilões.

Pude ouvir sua respiração falhar por um momento antes de retornar, mais pesada agora. Ele parecia ter tomado um soco. Eu havia acertado seu ego onde mais doía.

Podia sentir o álcool embotando meus sentidos enquanto me fixava mais e mais em meus próprios olhos azuis. Azuis como aqueles que eu desejara esquecer. Azuis como aqueles que eu desejava destruir.

Como naquelas memórias que agora se precipitavam em minha mente, ameaçando escorrerem como lágrimas quentes, eu estava preso àquele azul profundo e aterrador.

Um leve formigamento percorreu minha pele quando a chama anil brotou entre meus dedos.

- Nós não servimos para eles... Por que? – A emoção transparecia em minha voz vacilante, mas Shigaraki apenas permanecia imóvel e silencioso fitando a tv desligada. Minhas próximas palavras não foram mais que um sussurro – Eles nos quebraram... E nos jogaram fora.

Eu tinha, agora, alguma dificuldade em pesar minhas ações. Por um momento, nada mais parecia importar, e eu apenas desejava por para fora a dor que desde sempre havia escondido no canto mais escuro de minha alma, ignorando o fato de que essa mesma dor me sufocava noite após noite. Eu estava apenas farto de gritar em silêncio. 

Estava farto desse mundo podre, dessa sociedade de vilões forjados pelo egoísmo mesquinho de heróis corrompidos. Estava farto da minha vida.

Shigaraki não se moveu quando me inclinei lentamente para o seu lado. No silêncio que pairava entre nós, eu quase podia ouvir os ecos de seu pequeno castelo de mentiras auto-infligidas ruindo sob o peso das minhas palavras.

Ele não se moveu quanto apoiei meu ombro no seu, mas empertigou-se um pouco quando meu corpo estremeceu em um soluço contido...

Enquanto umas poucas lágrimas corriam por meu rosto, eu apenas apreciava o toque mais humano que recebia em anos nessa miserável existência.

Aparentemente, meu companheiro fazia o mesmo.

Por um tempo que não me preocupei em calcular, apenas ficamos ali, em total silêncio...

O calor era a prova de que, apesar dos pesares, continuávamos vivos...

Ainda que fossemos quebrados...

Ainda que ninguém mais parecesse capaz de enxergar...
Ainda que nós mesmos já tivéssemos nos esquecido...
Éramos humanos, apesar de tudo...
 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Realmente, algo curto por que eu não tinha nem a intensão de publicar...


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