História Vínculo Mágico - Capítulo 21


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Categorias Fairy Tail
Personagens Elfman Strauss, Erza Scarlet, Gray Fullbuster, Jellal Fernandes, Juvia Lockser, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Meredy, Mirajane Strauss, Natsu Dragneel
Tags Gruvia, Jerza, Nalu
Visualizações 133
Palavras 5.391
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Magia, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A sugestão de OST para o capítulo de hoje é "Lisanna/Mirajane Theme Song", de preferência a versão estendida. Isto é, na primeira parte, da conversa entre a Albina e o Natsu.

Espero que gostem. Lembrando que a fic está concluída no Nyah.

Capítulo 21 - Sentimentos


Lisanna adentrou o ambiente tão logo o dragon slayer deu espaço para que ela passasse. Ela tentava não ofegar, mas era inevitável, pois tinha vindo correndo da guilda. Enquanto caminhava até o sofá, observou rapidamente a sua volta. Era a primeira vez que pisava ali.

O apartamento de Lucy era consideravelmente famoso na Fairy Tail. A albina sempre ouvira muitas histórias referentes a ele, principalmente sobre como o pessoal da guilda gostava de invadi-lo. Mirajane mesmo tinha uma cópia da chave, que saia distribuindo tranquilamente para qualquer um que desejasse fazer uma surpresinha a loira. Entretanto, ela nunca teve a oportunidade de visitar o local enquanto a antiga moradora ainda era viva.

A garota sentou-se, sob o olhar curioso do dragon slayer, que se acomodou na poltrona a sua frente. Incomodada, ajeitou a barra do vestido. Ela tinha escolhido aquele modelo justamente porque tinha esperanças de encontrá-lo naquela noite, no chá de bebê de Evergreen.

Tratava-se de um vestido fluido, rosa claro, com um laço vinho adornando a cintura. As mesmas cores que ela costumava usar quando criança. Ela tinha escolhido sua roupa cuidadosamente, pois decidiu que se surgisse oportunidade, cumpriria a promessa que fez a si mesma. Ela só não imaginava que, no fim das contas, ela criaria a oportunidade.

– Faz algum tempo que desejo te dizer algo. - Começou a albina, abaixando os olhos. - Mas você não tem aparecido na guilda ultimamente. - Emendou.

– Estou evitando ir a guilda. - Confessou Natsu. - Toda vez que apareço por lá, as pessoas tentam me animar ou me distrair. - Contou. - E eu não quero ser distraído.

A maga take over o analisou, levemente surpresa. Ela realmente queria chegar naquele ponto em algum momento da conversa, mas pensou que o dragon slayer negaria o fato de estar voluntariamente afastado da guilda.

– Eu sei que isso pode ser incômodo. - Começou ela - Mas eles fazem isso porque se preocupam com você. - Explicou. - Veja bem, desde que Lucy se foi, você mal aparece na rua. Vive enfurnado na casa que era dela e pega missões cada vez mais arriscadas. Eles acham, que de alguma forma, você está afundando.

– Eles não sabem de nada. - Natsu retrucou, irritado.

– Realmente. - Lisanna concordou. - As pessoas te perturbam justamente porque não sabem como você se sente de fato. - Completou, olhando-o fixamente.

– O que quer dizer? - Perguntou o garoto, demonstrando interesse raso.

– Quero dizer que as pessoas que conviviam assiduamente com a Lucy, não tem te azucrinado. - Afirmou. - Não é mesmo? - Perguntou, fazendo Natsu refletir e constatar a verdade de suas palavras. - Isso é porque elas próprias não querem ser incomodadas. Todos na Guilda sentem falta da Lucy e ainda sofrem com sua perda, mas a maioria não sente a ausência dela a cada momento do dia, simplesmente porque não conviviam com ela dessa forma . - Contou. - Eu mesma, costumo sentir mais a falta dela quando olho para o balcão e vejo que ela não está deitada sobre ele reclamando do tédio, ou dando chilique por que não tem dinheiro para o aluguel.

"Mas com a equipe da Lucy, principalmente com você, as coisas são radicalmente diferentes. Pois para vocês, Lucy estava em todos os lugares. Na guilda, no trem, nos hotéis, e até mesmo aqui, na casa dela, que vocês invadiam sem cerimônia alguma.

O time mais forte da fairy Tail se desfez, provavelmente porque nenhum de vocês conseguiria se concentrar em um trabalho, por sentir que estão incompletos. Ao menos por enquanto.

Erza vem fazendo missões de "Classe S" sozinha, e também tem passado muito tempo fora da cidade.

Gray descobriu que tem mais afinidade com Juvia que imaginava, e não apenas nos poderes. Assim, os dois vêm trabalhando em dupla.

Wendy decidiu dar uma pausa para se dedicar a medicina e ao curandeirismo, tornando-se discípula da Porlyusica-san.

Todos descobriram uma maneira de se manterem ocupados, porque a ausência de Lucy machuca demais."

A maga take over deu uma pausa, percebendo que o dragon slayer não estava compreendendo o rumo que a conversa tomaria. Suspirando, continuou.

"Mas você fez justamente o contrário. Ao invés de se afastar de tudo que lembrasse a Lucy, você escolheu abraçar a ausência dela. Você se esquiva de distrações e faz questão de sentir a cada segundo que ela não está aqui. Você até mesmo escolheu morar neste apartamento, onde estão as coisas dela, e que provavelmente ainda tem o cheiro dela, que quase ninguém tem a capacidade de sentir, mas você tem.

Entretanto, ninguém mais consegue agir dessa forma. Veja o coitado do Happy: ele tem morado com Wendy e Charle, porque enlouqueceria se pensasse na Lucy o tempo todo. E também, porque ele não aguenta te ver nessa situação."

Natsu a encarou, levemente irritado. Ele sabia mais ou menos o que vinha fazendo, mas ainda assim, ouvir isso de alguém era estranho. Era como se ele estivesse sendo chamado de fraco.

– Não me olhe assim, por favor. - Lisanna pediu. - Não estou te censurando. É como eu disse anteriormente, a maioria dos seus amigos não sabem como você se sente. Mas eu, graças a algumas desventuras vividas, posso afirmar que sei. Por isso sinto-me no direito de dizer que você está me preocupando, Natsu.

– Eu não preciso que ninguém se preocupe comigo. - O mago do fogo declarou, com um misto de chateação e irritação, porém soou mais ríspido do que desejava. Lisanna abaixou a cabeça.

– Pelo que você está se culpando? - Perguntou, incisiva.

– Como? - O mago tentou desconversar.

– Pelo que você está se punindo? - Insistiu, alterando a pergunta.

O mago desviou o olhar para a janela, desejando profundamente se atirar dali para escapar do interrogatório.

– Diga Natsu! - Ela pediu.

– Eu prometi que protegeria o futuro dela. - Contou, lembrando-se do episódio no palácio real. - E também prometi que nunca a machucaria e, mesmo assim... - Deu uma pausa, abaixando a cabeça. - Eu a machuquei. - Confessou, lembrando-se das memórias de quando foi manipulado por Pali.

As lembranças do incidente no Laboratório de Pesquisa do Setor Laranja da Nihil Occultum afloraram na mente do dragon slayer no momento em que acordou, no hospital em Zamúria.

Em um primeiro momento, Natsu simplesmente duvidou de suas memórias. Simplesmente porque aquele ato jamais passaria por sua mente. Todavia, os gritos e o choro da maga celestial enquanto tentava se desvencilhar de suas carícias forçadas eram reais demais para serem um sonho. E eles ainda feriam sua mente, e o perseguiam noite após noite, em seus piores pesadelos. Ele sentia nojo de si mesmo quando lembrava que quase tinha violentado Lucy.

– E eu nem pude me desculpar. - Continuou.

– Eu não sei o que aconteceu entre vocês - Lisanna começou, confusa. -, mas eu lembro perfeitamente que em seus últimos momentos Lucy pediu que você não a soltasse, pois se sentia segura quando estava com você. - Lembrou, fazendo o garoto olhar para ela, surpreso. - Não é essa a atitude de uma pessoa ressentida. - Concluiu.

– Isso não me faz sentir melhor. - O mago declarou, sorrindo triste.

– Sabe Natsu - Começou a albina -, a maioria das vítimas do Projeto Heaven percebeu como é fácil morrer ou perder alguém importante. - Narrou, fazendo-o arquear as sobrancelhas. - O verdadeiro motivo de eu ter vindo até aqui, foi para cumprir uma promessa que fiz a mim mesma. - Confidenciou.

– Que promessa? - Perguntou o óbvio. Lisanna suspirou.

– Eu prometi que eu diria... - Tentou, se atrapalhando. - Diria... - Respirou fundo - Que eu amo você, Natsu.– A albina confessou por fim, fazendo o mago do fogo arregalar os olhos. - Eu amo você. - Repetiu. - Mas sei que não sou correspondida.

​Um silêncio incômodo se instalou no ambiente. Lisanna pensou que acabaria por sair correndo depois de se confessar, mas, ao contrário do esperado, olhava o dragon slayer fixamente, diretamente nos olhos.

– Quando eu estava presa naquele lacrima - Continuou ela. –, estava sendo corroída por um único sentimento: Arrependimento. Arrependimento de nunca ter te dito como me sentia. E eu já havia me sentido assim uma vez, quando fui transportada para Édolas. Não teve um dia sequer dos dois anos em que passei lá que eu não tenha me arrependido por não ter dito que te amava. Então, quando pensei que morreria em prol do Projeto Heaven, jurei a mim mesma que, caso escapasse com vida, confessaria meus sentimentos a você. - Narrou. - Mas a morte de Lucy quase me fez desistir. - Concluiu, com um sorriso triste.

– Lisanna, eu... - Ele tentou dizer, mas foi interrompido.

– Me diga Natsu. - Pediu a albina. - Como você reagiu a minha morte?

​Natsu a encarou, surpreso pela pergunta.

– Mesmo que eu tenha te perguntado isso, eu sei exatamente como foi. - Admitiu ela. - Eu já conversei sobre isso com a Mira-nee. Eu sei que você ficou triste e até mesmo sozinho. Você construiu o túmulo que eu pedi e seguiu a vida. - Narrou. - Você até mesmo ajudou o Elf-nii-chan a superar a culpa pelo que aconteceu. Então, por favor me diga, por que com a morte de Lucy, você está reagindo de forma tão diferente?

​Natsu entrelaçou os dedos das mãos e abaixou a cabeça, apoiando os cotovelos nas próprias pernas. Lisanna realmente acreditou que ele permaneceria calado e ela continuaria falando, quando a voz rouca do dragon slayer cortou o ambiente e o seu coração.

– Porque eu a amava. - Admitiu, ainda de cabeça baixa. - Eu amo a Lucy. - Corrigiu-se, pois odiava ter que falar da loira no passado.

– Hai. - Concordou a maga take over, sentindo grossas lágrimas riscarem-lhe a face. - Quando eu supostamente morri, você perdeu a pessoa que preenchia o vazio dos seus dias. - Começou. - Mas agora...

– Eu perdi a pessoa que completava a minha vida. - Emendou. - Gomen, Lisanna. Eu não posso corresponder seus sentimentos. - Falou, erguendo a cabeça e olhando-a nos olhos.

– Eu sei. - A garota sorriu fraco e levantou-se. - Sei que você não consegue pensar em mais nada agora, porém... Se achar que um dia poderemos ser felizes juntos... Eu estarei esperando. - Concluiu, caminhando para a porta.

​Natsu não a acompanhou. Apenas abaixou a cabeça novamente, e escutou o ruído da fechadura se encaixando quando a garota fechou a porta, e o som dos passos ela se afastando cada vez mais.

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– Quanto tempo pretende ficar nessa posição? - Pela segunda vez no dia, Natsu sobressaltou-se ao ouvir uma voz fininha e conhecida. Porém, dessa vez, não era o Happy. Happy não era tão mau humorado.

– Charle? - O dragon slayer perguntou ao ver a exceed flutuando a sua frente, com os braços cruzados e uma expressão severa. Ele não tinha a mínima ideia do que a gata poderia querer ali, então resolveu chutar:

– Happy não está aqui. - Avisou.

– E o que te leva a crer que eu estou atrás daquele idiota? - Ralhou ela, corada. O mago piscou, confuso. O que então ela poderia querer?

Natsu estava começando a se irritar com a soma das visitas que tinha recebido naquele dia. Nem mesmo quando Lucy era viva aquele apartamento era tão movimentado. Agora, ele entendia porque a loira estava sempre tão furiosa: Invasões eram um saco.

– Eu bati na porta várias vezes, e você não atendeu. - A felina justificou, como se adivinhasse os pensamentos de Salamander. - Então, considerando a seriedade do assunto que me trouxe aqui, resolvi entrar pela janela. Aí eu vi você parado aí, com a cabeça abaixada, e fiquei na dúvida se estava dormindo ou passando mal. - Concluiu.

– Eu devo ter cochilado. - Dragneel falou, se esticando. - Você disse que veio por um assunto sério? - Perguntou, olhando a gata completamente curioso. De fato, naquele dia só receberá visitas inusitadas, mas aquela, para ele, com certeza era a mais.

– Sim. - Charle confirmou, abaixando a cabeça. - Eu tenho algo que acredito que devo informar. - Avisou, posando e sentando sobre a pequena mesa de jantar. - Mas Mira e Wendy pediram que eu não lhe dissesse nada. - Contou.

– Mira e Wendy? - O mago repetiu, confuso. - Por quê? - Indagou.

– Pelo seu questionável estado psicológico, claro. - Charle explicou. - Enfim, eu me coloquei em seu lugar, e decidi que, se eu fosse você, gostaria de saber o que eu tenho para falar, mesmo que estivesse enlouquecendo. - Disse, fazendo o mago se remexer incomodado. Então os outros achavam que ele estava ficando louco? - Mas, se você contar a alguém que eu te disse isso, garanto que o farei se arrepender de cada palavra que escutou. - Ameaçou, fazendo uma expressão incrivelmente assustadora para um felino pequeno e fofinho.

– Tá. - O garoto limitou-se a concordar, assustado.

Charle chegou a abrir a boca novamente para falar, mas fechou-a antes que produzisse qualquer som. Natsu, que apenas a encarava curioso, arqueou as sobrancelhas quando percebeu a exceed corar.

– Pare de ficar me encarando! - Ela pediu, vermelha.

– Então fale de uma vez! - O mago rebateu, exasperado.

– Ok! - Concordou ela. - Eu tive uma visão. Uma visão com a Lucy. - Falou de supetão. Primeiramente, Natsu arregalou os olhos. Em seguida, passou a encará-la com apatia.

– Idaí? - Perguntou seco.

– Natsu, você ouviu o que eu disse? - Estranhando a atitude do garoto, Charle perguntou. - Eu disse que tive uma visão com a Lucy!

– Sim, eu ouvi. - Afirmou ele. - E o que isso tem de mais?

– Como "o que isso tem de mais"? - A felina repetiu, saindo do sério. - Lucy está morta! Eu não posso ver o futuro de pessoas mortas, simplesmente porque elas não tem futuro! - Concluiu, praticamente gritando.

– Não acha que pode ter tido uma visão do passado? - Ele perguntou, abaixando a cabeça. Charle o olhou, compadecida. Natsu estava com medo de acreditar no que ela dizia.

– Não, Natsu. - Ela continuou, em tom mais brando. - A visão que eu tive sobre a Lucy não poderia ter acontecido no passado. - Afirmou.

– E o que você viu? - O garoto ergueu a cabeça, a curiosidade reacendendo. Charle, novamente, corou.

– Bem eu... Eu...

– Você...? - Incentivou.

– EUVIALUCYCOMUMBEBÊNOCOLO! - Gritou ela, tudo de uma vez, ficando completamente vermelha.

– Você viu o quê? - Natsu insistiu, pois não tinha entendido nada.

– Eu vi a Lucy com um bebê no colo! - A gatinha repetiu pausadamente, morrendo de vergonha. - E você estava ao lado dela... Abraçando-a. - Completou.

– E por que isso só poderia acontecer no futuro? - Natsu piscou, confuso. Charle quase caiu para trás, incrédula.

– Você é retardado? - Perguntou, recuperando-se.

– Ué, por quê? - Questionou ele.

– Por nada. - Charle respondeu, percebendo que ele não tinha entendido a visão. E se Natsu não sabia que dois e dois são quatro, ela é que não iria ensiná-lo a somar. - Mas, acredite em mim, essa visão é do futuro. - Insistiu.

– Não pode ter acontecido de você ver o futuro do pessoal de Édolas? - O mago do fogo perguntou, recusando-se a acreditar.

– Eu pensei na possibilidade de ter visto um futuro alternativo ou o futuro das suas edo-versões. - Admitiu a exceed. - Mas tudo que eu enxergo, acontece daqui em diante. - Explicou. - Uma pessoa morta não teria futuro algum. Quanto a possibilidade de se tratar Edo-Lucy... - Fez uma pausa. - A Lucy que eu vi tinha a marca rosa da Fairy Tail na mão direita. A Edo-Lucy, pelo menos quando a conhecemos, não tinha. E também, se considerarmos o lapso de sete anos que passamos em Tenroujima, se fosse a Edo-Lucy na visão, ela deveria estar sete anos mais velha, mas era exatamente igual a nossa.

Natsu, refletiu sobre as palavras da gatinha, percebendo que tudo fazia sentido. Contra sua vontade, sentiu a esperança e a animação crescerem em seu interior. Ele havia desejado tantas vezes que Lucy pudesse voltar e que tudo não passasse de um engano... Mas então, como um balde de água fria, uma lembrança lhe ocorreu. Como se lesse seus pensamentos, Charle recomeçou a falar:

– A única coisa que não se encaixa é que se fosse mesmo a nossa Lucy, ela não deveria ter a mão direita. - Lembrou. - Afinal, essa foi a única parte dela que encontraram.

– Se é que era mesmo parte dela. - Natsu falou, sombrio.

– Você está querendo dizer que... - A exceed começou.

– Alguém forjou a morte da Lucy. - O mago completou, trincando os dentes.

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Baderna era algo muito mais que corriqueiro na Fairy Tail. Portanto, os moradores de Magnolia não achavam nem um pouco estranho quando as festividades da Guilda viravam a noite. Entretanto, a comemoração daquela data, um excêntrico chá de bebê, tinha dado lugar a uma séria reunião inter-guildas, que, como esperado, não demorou muito para evoluir para uma discussão.

– EU JÁ MANDEI PARAR NATSU! - Makarov gritava autoritário, de pé em cima do balcão.

– Escuta o velhote, seu idiota! - Gray, que segurava o rapaz por um dos braços, pediu.

– Um homem tem que saber se acalmar! - Elfman, que o segurava pelo outro braço, apelou.

– Eu vou... Eu vou... - Natsu, que se debatia freneticamente para sair do domínio dos dois amigos, tentou dizer. - Eu vou partir a cara desse desgraçado! - Berrou, tentando alcançar Arcadios.

– Se você não parar agora, eu desmaio você! - Makarov gritou. - E acredite, eu não quero fazer isso. - Completou.

– Mas você já fez! - O garoto gritou ressentido, voltando-se para o mestre. - Você me deixou dopado quando Lucy mais precisou de mim! - Acusou.

– Natsu, já chega! - Erza interviu. - O mestre certamente teve os motivos dele, então, por favor, acalme-se! - Pediu.

– Quanto mais essa confusão durar, mais tempo levaremos para resgatar Lucy. - Acrescentou Levy. Bufando de irritação, o mago do fogo engoliu a sua fúria e se aquietou, soltando-se dos dois companheiros com um puxão.

A pequena azulada encarou o amigo preocupada. A angústia que o mago sentia, era quase palpável. Também não era para menos. Ela também, nos últimos momentos, vinha provando um misto de sentimentos negativos. Acima de tudo, estava com medo. Medo de ter a esperança arrancada de si novamente. Medo de que tudo não passasse de um falso alarde, e que Lucy Heartfilia estivesse realmente morta.

A situação em que ela recebeu a notícia por si só já tinha sido por demais estressante e constrangedora. Um par de horas antes, Natsu instalara um verdadeiro pandemônio no Dormitório feminino, Fairy Hills.

A garota estava quieta em sua cama, lendo um livro em idioma antigo com seus óculos de leitura do vento, quando um grito - estranhamente masculino, para o ambiente em que estavam - a distraiu de seu passatempo.

– Erza! - Ouviu uma voz que ela conhecia muito bem, chamar a amiga.

– Natsu? - Ela indagou a si mesma, levantando a cabeça curiosa. Em seguida, a porta se seu quarto se abriu abruptamente, fazendo com que ela pulasse na cama assustada. - Natsu! - Ela exclamou ao vê-lo enfiar a cabeça para dentro do cômodo.

– Droga, quarto errado! - Praguejou ele. - ERZA! - Berrou, correndo em direção a outra porta.

– Essa não, Natsu! - A azulada levantou atabalhoadamente, tropeçando ao enrolar os pés na coberta, e correu para fora do quarto, tentando alcançar o mago do fogo.

– ERZA!!! - Ele continuava berrando a plenos pulmões enquanto corria pelos corredores da Fairy Hills. - Onde você está? - Gritava, abrindo as portas dos quartos aleatoriamente, provocando, por consequência, gritinhos agudos e assustados de suas moradoras.

– Para com isso Natsu! - Levy gritava, pois sabia que se Natsu encontrasse o quarto de Erza, uma tragédia seria inevitável.

Mas o mago seguia rapidamente pelo corredor, enquanto as magas da Fairy Tail saiam de seus dormitórios em seu encalço, todas de pijama, curiosas com a invasão repentina.

– O que deu nele? - Juvia perguntou para Happy, que vinha voando e acompanhando Wendy.

– Não sei. - O exceed respondeu, preocupado. - Esqueceu que eu moro aqui agora? - Lembrou. - Natsu, você anda tendo pesadelos de novo? - Palpitou, voltando-se para o amigo.

– Cala a boca! - O mago respondeu, impaciente.

– Este dormitório é sempre tão animado! - Chelia, moradora provisória do lugar que também tinha se juntado ao grupo, exclamou para Wendy.

– Hai... - A dragon slayer respondeu, envergonhada.

– NATSU, NÃO!!! - Levy gritou desesperada, percebendo a aproximação do invasor com o quarto correto.

– ACHEI VOCÊ! - Natsu gritou, escancarando a porta e constatando ser a correta.

– Tarde demais!– Levy pensou, lívida.

O dragon slayer não poderia ter invadido a privacidade da ruiva em momento pior.

Todas as magas que o seguiram, levaram a mão a boca ante a surpresa com a cena que presenciavam, com exceção de Laki, que cobriu os olhos de Wendy.

– Jellal, o que você está fazendo aqui? - Natsu perguntou, confuso, alheio a gravidade da situação.

Dentro do quarto, a ruiva, que trajava uma delicada camisola lilás que mal conseguia chegar as suas coxas, estava congelada, com uma das mãos espalmadas no peitoral desnudo do membro da Crime Sorcière. A outra mão, jazia enlaçada em torno do pescoço do rapaz.

O mago de cabelos azuis, por sua vez, naquele instante se encontrava sem gorro, sem máscara, sem camisa e sem sapatos, estando vestido apenas por uma calça, descomposta, diga-se de passagem. Ele tinha uma das mãos firmemente agarrada na cintura de Titânia, e a outra apertando sua coxa de forma muito indiscreta.

– Eles se goxxxxtam! - O infame comentário do exceed azul, não tardou a vir. - Se goxxxxtam muito! - Completou, admirado.

O casal encarava a plateia, desejando sumir mais que tudo no mundo. Jellal, parecia em choque. Erza, estava tão vermelha que seria impossível distinguir pele de cabelo. Natsu os encarava irritado, sem saber porque eles pareciam ter acabado de ver um fantasma.

– KYAH! - Um gritinho agudo quebrou o silêncio. - Juvia gostaria tanto de receber visitas noturnas do Gray-sama! - Fantasiou a maga da chuva.

– Hei, contenha-se! - Laki ralhou, passando a cobrir os ouvidos de Wendy.

– Laki-san, assim eu não consigo respirar! - A garota reclamou, pois na tentativa de preservar sua inocência, Laki estava praticamente abraçando a cabeça da menina, sufocando-a.

– Erza! - O mago do fogo adentrou o quarto, sem um pingo de amor a própria vida, totalmente ignorando o que tinha acabado de interromper.

– Natsu! - Levy, que estava quase chorando de constrangimento, alertou.

– Erza - Natsu continuou, ignorando Levy e a pasmaceira dos demais. -, precisamos ir para Zamúria. Agora! - Avisou.

– N-Natsu... - Erza pronunciava com dificuldade, pois tremia de raiva. Todas as magas se afastaram da porta, ao perceberem o perigoso estado da ruiva. - Nat-su, o q-que você pe-pensa que est-tá fazendo? - Chiou, mal conseguindo encarar os amigos.

– Como o que eu penso que estou fazendo? - Respondeu ele, confuso. - Estou avisando que temos que ir a Zamúria. - Completou.

– O CARAMBA QUE TEMOS! - Erza berrou, invocando uma espada e avançando em direção ao amigo.

– ERZA! - Jellal gritou, tentando segurar a maga pela cintura.

– Erza, a Lucy está viva. - Natsu falou com extrema seriedade, encarando a ruiva nos olhos com um olhar quase ferino. Desconhecendo aquela feição do amigo, Titânia recuou, pasma, derrubando a espada no chão. O tinido metálico ecoou por vários segundos, até que a jovem se manifestou:

– O que você está dizendo? - Perguntou, esquecendo-se completamente da situação constrangedora em que estava envolvida.

– Lucy não morreu. - Afirmou o Dragon Slayer. - Mas também não viverá muito se continuarmos perdendo tempo. - Avisou, dando meia volta e deixando o quarto.

– Natsu! - Happy, em tom choroso, chamou o amigo enquanto o seguia. - Isso é sério? - Perguntou, os olhos cheios d'água.

– Natsu, espere! - Erza o seguiu, sem se preocupar com o que trajava, ou talvez, com o que não trajava - O que te leva a crer nisso? - Questionou.

– Charle teve uma visão. - Revelou, totalmente ignorando o pedido de sigilo da exceed.

– Essa não, Natsu-san! - Wendy, que também o seguiu, chamou compadecida. - Nos ainda não temos certeza sobre aquela visão. - Tentou.

– Charle tem certeza. - Retrucou. - E eu também. - Completou. Wendy enrubesceu, lembrando-se do conteúdo da revelação.

– Natsu. - Começou Levy. - Apenas a mão de Lucy foi encontrada, em péssimo estado, diga-se de passagem. Como acha possível que ela tenha sobrevivido?

– Aquela não era a mão dela. - Salamander rebateu. - Alguém quer nos fazer acreditar que Lucy morreu.

– Como pode estar tão certo disso? - Dessa vez, Jellal, que se desdobrava na tarefa de vestir-se ao mesmo tempo que cruzava o corredor, tentou alertá-lo.

– EU APENAS SEI, OK? - Gritou o mago, saindo do sério. Respirando, tentou se acalmar antes de prosseguir. - Ora, por favor! Só encontraram uma mão! Nós desistimos de Lucy por causa de uma mão! - Exclamou, incrédulo. - Eu me sinto tão idiota quando penso nisso! - Martirizou-se. - Não acham muito conveniente que justo a mão com a marca da Fairy Tail tenha sido encontrada? E o resto do corpo? Nem sinal? - Questionou.

– Mesmo que isso seja verdade. - Continuou o membro da Crime Sorcière - Pelo que ficamos sabendo, Loki disse que Lucy possuía apenas vinte e quatro horas. - Lembrou. - Já se foram praticamente três meses do incidente. Como espera que ela tenha sobrevivido, se você mesmo carregou o corpo dela sem vida? - Pressionou.

– Loki estava certo. - Natsu virou, sorrindo. - Lucy tem apenas vinte e quatro horas. E essas vinte quatro horas vão se esgotar se não nos apressarmos. - Completou, continuando o caminho.

Jellal piscou confuso, mas Erza, Wendy e até mesmo Juvia e Levy, começaram a chorar quando a compreensão as atingiu, como uma pedrada.

– O Mundo Espiritual! - Exclamaram juntas.

– Você acha que Lucy está presa no mundo espiritual? - A ruiva indagou, sozinha.

– Não. - Respondeu o dragon slayer. - Pelo menos não completamente. - Emendou, fazendo a ruiva torcer o nariz em confusão.

– Phoenix Dwarf! - Wendy, lembrando-se das palavras de Loki, exclamou. - Loki-san disse que eu deveria usar a Phoenix Dwarf e curar Lucy-san em seguida!

– E o que é o Phoenix Dwarf? - Levy expressou a curiosidade de todos.

– Basicamente, uma magia de invocação. - A pequena curandeira explicou por cima. - Se Loki disse que eu deveria usá-lo, então o corpo da Lucy ainda deve estar em...

– Zamuria. - Natsu emendou, recomeçando a caminhar.

– Wendy, vá buscar a Porlyusica-san! - Erza ordenou.

– Hai! - Concordou a menina. - Ué, mas é a Charle? - Perguntou ao dragon slayer do fogo.

– Ela foi avisar ao Mestre. - Natsu respondeu. - Ele mora longe, e voando ela chegaria mais rápido.

– Happy, leve Wendy. - Erza continuou.

– Aye sir! - Falou o exceed, que pegou a garota na mesma hora e saiu pela janela.

– Todos os outros, vão para a Guilda imediatamente. - Continuou a ruiva. - talvez tenhamos que organizar uma equipe de busca, e toda ajuda agora será bem-vinda. - Falou.

Agora, todos já estavam cientes da situação e reunidos no salão da sede da Fairy Tail, tentando apaziguar o desentendimento entre Natsu e Arcadios.

Aparentemente, o militar e a princesa vinham vigiando o dragon slayer, e assim que perceberam a movimentação estranha na guilda, adentraram-na sem cerimônias, procurando saber a razão de todo o estardalhaço.

O mestre, não querendo se indispor com um membro da família real, achou melhor contar toda a verdade, mas não esperava que o militar fosse sugerir que eles deixassem a situação como estava. Natsu, obviamente, se enfureceu, e partiu para cima dele.

– Eu peço perdão por Arcadios. - Hisui interviu, envergonhada. - Não queremos impedi-los de resgatar sua amiga. Apenas entendam que vocês estão mexendo com gente muito perigosa. - Explicou, e imediatamente todos tensionaram. Que tipo de inimigo era tão terrível a ponto de deixar o próprio reino atemorizado?

– Eu não quero saber! - Natsu retrucou, pocesso. - Você vem com essa sua pose de defensora da nação e sempre acaba fazendo merda! - Gritou, encarando a princesa furioso. - É a segunda vez que vocês colocam a vida de Lucy em risco, e eu juro que será a última!

– Natsu! - O mestre ralhou, lívido, pois o garoto tinha acabado de insultar ninguém menos que a filha do Rei de Fiore.

– Ponha-se no seu lugar, seu pirralho insolente! - Dessa vez, Arcadios é que precisou ser contido por Gajeel e Laxus.

– ARCADIOS, PARE! - Hisui gritou, finalmente saindo do sério. - Ele está certo. - Admitiu, e em seguida encarou o dragon slayer. - Eu quero ajudar a encontrar a Lucy-san. - Falou, sincera. - Eu só peço que nos organizemos, para que possamos fazer isso de um modo que não coloquemos o reino inteiro em risco. - Pediu.

– E que modo é esse? - Esbravejou. - Cada minuto que perdemos aqui, é um minuto a mais que Lucy passa debaixo daqueles malditos escombros. É um passo a mais que ela dá em direção a morte! - Reforçou.

– Natsu, você tem certeza que Lucy ainda está soterrada no estacionamento? - Mirajane perguntou, externando uma dúvida que também perturbava os demais.

– Ela só pode estar lá! - Ele respondeu, convicto. - O Conselho Mágico até isolou a área, porque a toxina mágica ainda não se dispersou!

– Mas mesmo que as vinte e quatro horas que Loki disse sejam na verdade três meses - Dessa vez, Kanna se expressou. - Quem garante que o corpo dela esteja intacto? Você mesmo disse que ela estava do lado da garota que explodiu, e também tem essa toxina mágica aí… Como ela resistiria tanto tempo?

– Eu sei - Natsu falou, firme - que ela resistiu.

– Não vai ser fácil entrar lá. - Arcadios avisou. - O Exercito do Conselho protegeu o local com uma série de magias. E vocês ainda tem que considerar a possibilidade de serem intoxicados. - Lembrou.

– Se ninguém quiser entrar, eu entro! - Natsu decidiu, impaciente.

– Todos nós queremos entrar. - Gajeel declarou. - Mas se tivéssemos ao menos uma garantia de que a chance de Lucy estar viva é real…

Natsu ia avançar para dar uns murros do dragon slayer de ferro, quando Levy começou a falar, chamando a atenção de todos.

– Será que não existe a possibilidade de perguntarmos ao Loki? - Ponderou. - Afinal, ele é membro da guilda. Ele até mesmo pode vir a este mundo por conta própria.

– Bem - Hisui começou - Eu tentei invocar o espírito de Leão ontem - contou. - e todos os outros espíritos zodiacais na verdade, porém não obtive resposta de nenhum deles.

– O que isso significa? - Makarov perguntou.

– Geralmente, sinaliza que o contrato antigo ainda não se encerrou. - Explicou. - Mas o mais estranho, é que eu não senti nenhuma magia emanando das chaves. Isso é totalmente fora do comum.

– Você disse que tentou invocar todos os espíritos zodiacais? - Questionou Levy.

– Sim. - Confirmou a princesa.

– E as chaves de prata? - Perguntou, astuta.

– B-bem… - A princesa gaguejou. - Eu nem ao menos toquei nelas.

– Natsu, dê as chaves para a Princesa! - Makarov ordenou.

A contragosto, o mago do fogo retirou o molho do bolso e entregou a monarca, que, tão logo o tocou, arregalou os olhos, impressionada.

– E então? - O mestre da Fairy Tail perguntou.

– Estou sentindo o poder mágico! - Ela exclamou, admirada. - É ínfimo, mas existe! - Garantiu.

– Em todas elas? - Levy perguntou. A princesa começou a separá-las.

– Não! - Afirmou. - Apenas nesta aqui. - Falou, exibindo uma única chave de prata.

Os amigos mais próximos de Lucy, que estavam habituados a sua magia, estacaram, arregalando os olhos.

– Tente invocá-lo, por favor. - Makarov pediu. A princesa assentiu.

– Abra-te portão do Relógio - Gritou a princesa, erguendo a chave prateada. - Horologium!

Uma badalada ecoou pela guilda. Lentamente, um círculo mágico se desenhou e o espírito se materializou, primeiro o corpo e depois os braços, impressionando a plateia, principalmente por seu conteúdo.

– Arigatou. - O espírito agradeceu fracamente, abrindo sua comporta e desmaterializando-se logo em seguida, deixando em seu lugar o corpo ferido e sem vida, porém intacto, de Lucy Heartfilia.


Notas Finais


Link para o OST: https://youtu.be/yUSKDotEWBg

Espero que tenham gostado.

Até o próximo.


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