História Vingança e Desejo - Capítulo 13


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiolia de Leão, Aldebaran de Touro, Camus de Aquário, Kanon de Dragão Marinho, Marin de Águia, Mascára da Morte de Câncer, Mu de Áries, Personagens Originais, Saga de Gêmeos, Shaina de Cobra, Shura de Capricórnio
Tags Ação, Aiolia, Fantasia, Marin, Saint Seiya, Shina, Shura, Universo Alternativo
Visualizações 93
Palavras 4.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Betado por Aisha Andris.

Capítulo 13 - Capítulo 13:


Acampamento... início da madrugada.

A chuva incessante, que teve início na noite anterior, continuou pela madrugada, tornando o estábulo úmido e frio demais para um homem dormir. Ikki não teve a melhor da noite dormindo no feno, com os trovões e o frio acordando-o constantemente. E quando finalmente o sono parecia vencê-lo, uma goteira incômoda começou a pingar exatamente em seu rosto, fazendo-o despertar novamente.

—Eu não acredito!

Ikki resmungou, sentando no feno e limpando o rosto. Olhou ao redor e notou que o local estava impróprio para dormir. A força da tempestade anunciada por Pandora não havia chegado de forma avassaladora no acampamento, era apenas uma chuva comum e constante, mas o suficiente para revelar as falhas estruturais no estábulo construído provisoriamente pelos rebeldes meses atrás.

—Podiam ter feito esse lugar direito! –o rapaz resmungou, levantando-se e olhando para fora.

Lamentou não ter tomado a decisão de pedir para dormir em alguma outra residência, deixando seu orgulho como sempre falar mais alto. Poderia ter ido até a casa ocupada por Mu, chegando a imaginar que até a sua ferraria teria mais conforto que aquele estábulo no momento.

Estreitou o olhar ao lançá-lo na direção de sua casa.

—Não acredito que deixei ela me colocar pra fora. Pra fora da minha casa!

Começou a andar de um lado para outro, atraindo a atenção dos animais que ali estavam.

—Devia tê-la colocado em seu devido lugar! É apenas uma mulher! Vou ser motivo de chacota se souberem pela manhã! –dizia, apontando para um dos cavalos. –O que você faria?

O animal relinchou como se reclamasse do barulho que Ikki fazia.

—Não faria nada, é só um cavalo. –chuta um monte de feno com raiva. –Agora eu estou falando com um cavalo!

O cavalo relinchou novamente, e lhe deu as costas. Ikki, com as mãos na cintura, observou-o:

—Acho que sei o que fazer.

Saiu do estábulo, ignorando a chuva gelada que caía sobre si e foi até a sua casa. Deu a volta pelos fundos e forçou a entrada por uma das janelas, que sabia que não ficavam trancadas e pulou para entrar em seu interior, determinado a colocar aquela mulher em seu devido lugar.

Andou até sua sala, dominada pela penumbra e tendo apenas a chama trêmula da lareira para iluminar o local, deixando um rastro de lama e pequenas poças de água por onde pisava, e assim que entrou no cômodo, foi recebido por golpes de vassoura desferidos furiosamente contra sua pessoa.

—Afaste-se! –Pandora o agredia, gritando furiosa. –Como ousa? Vou contar sobre sua indecência ao líder Ikki! Pervertido!

—Ouch! –Ikki segurou a vassoura com uma das mãos, depois de desviar de mais um ataque dela, puxando-a e trazendo ao encontro de seu corpo a jovem que o agredia. –SOU EU, MULHER!

Ela o reconheceu finalmente, assim que se acostumou melhor com a pouca luz, e arregalou os grandes olhos violetas, assustada. Ele a pegou com brusquidão pelo braço, mantendo-a presa pela cintura contra si, forçando-a a encará-lo.

—Está querendo me matar? –ele perguntou furioso, sentindo ainda a dor pela pancada inicial de vassoura que recebera na cabeça.

—Pensei que fosse algum invasor! Estava defendendo a mim e aos meninos! –ela tentava se explicar.

—Com uma vassoura?

—Desculpe... deveria ter usado sua espada, que estava na cabeceira da sua cama? Lembrarei disso na próxima vez. –ela perguntou em tom sarcástico, fazendo Ikki pensar seriamente em torcer o pescoço alvo da moça em suas mãos.

Um som atraiu a atenção dos dois, que olharam na mesma direção e se viram alvo dos olhares curiosos de duas crianças.

—Iain, Cale!

Pandora ficou ruborizada ao imaginar o que as crianças pensariam ao vê-la nos braços de Ikki daquele jeito. Embora tentasse se livrar das mãos dele, este não fazia questão alguma de soltá-la. Ao contrário, fitava seu rosto, admirando por alguns momentos suas faces terem ficado levemente coradas.

—Está tudo bem, senhora? –Iain, o mais velho, olhava desconfiado para Ikki.

O líder dos moradores não conseguiu deixar de notar que o menino parecia pronto a atacá-lo, pensando em defender a bruxa a quem se apegou.

—Está tudo bem. –ela respondeu rapidamente, e Ikki a soltou, fazendo-a dar dois passos para longe dele. –Eu que me assustei à toa.

—Demorei a voltar da vigília. –Ikki mentiu para o menino. –Não a avisei que chegaria de madrugada e ela pensou que eu fosse um invasor. Foi só um mal entendido, garoto.

—Não sou um garoto. –ele respondeu rispidamente.

—Desculpe. –Ikki tentou controlar a vontade de rir do menino, que parecia querer desafiá-lo por Pandora. -É um modo de falar. Sei que já é quase um homem!

—Iain está tarde. Você e Cale podem voltar a dormir. Teremos um longo dia amanhã. –Pandora pediu, vendo que o menor bocejava de sono.

—E a senhora?

—Já vou dormir também. Assim que eu arrumar um canto na sala para o senhor Ikki dormir. –ela fitou Ikki, que ia retrucar, mas calou-se por estar diante das crianças. –Durmam bem.

Os meninos concordaram e voltaram para o quarto que ocupavam. Assim que fecharam a porta, Ikki a agarrou pelo braço bruscamente e a puxou novamente contra si.

—Jamais ouse me trancar novamente para fora da minha casa! E não vou dormir em um canto na sala, senhora!

—Está me machucando!

—Fale baixo ou vai acordar seus campeões novamente. –ele diz sorrindo maldoso.

—É um bruto!

—Sou. E as mulheres nunca reclamaram disso. Você logo vai descobrir por que.

Pandora soltou uma imprecação, ofendida com o jeito que ele se referia a ela. Ele a ignorou, arrastando-a até seu quarto para o terror dela, e a soltou com tanta força, que ela quase caiu.

—Quer ficar em meu teto? Então vai ter que merecer isso.

—Não vou me deitar com você!

—Não faço questão disso. Não gosto de mulheres do seu tipo. –Pandora abriu a boca, ligeiramente ofendida por dentro. -Pode dormir na cama. Fará minhas refeições e cuidará dos feridos e doentes, como uma boa curandeira. Todos que aqui moram precisam parecer úteis. Se você não for útil, eu lhe entrego, junto com os moleques, à primeira caravana que passar. Entendeu?

Pandora o fuzilou com o olhar.

— Entendi.

Ikki então começou a se despir e Pandora virou de costas para não vê-lo nu.

—O que está fazendo?

—Colocando roupas secas, o que acha? –ele respondeu, abrindo um baú e procurando suas outras roupas.

Pandora arriscou olhar para trás e mesmo na fraca iluminação da lamparina pôde vê-lo nu de costas. Era uma visão deslumbrante, algo que a bruxa nunca antes tinha visto e tratou de desviar novamente o olhar, com o rosto inteiramente vermelho.

“Então é assim um homem nu pelas costas?” -perguntava a si mesma em pensamento.

Ouviu então seus passos e ficou tensa, mas logo percebeu que Ikki já estava vestido com uma calça e uma blusa mais confortável, deitando-se na cama.

—Não vou dividir o leito com você! –disse, bem nervosa.

—Pode dormir no chão, não estou ligando pra isso. Eu construí essa cama e eu vou dormir nela. Naquele baú tem peles que pode usar para forrar o chão. Boa noite! –virou na cama, lhe dando as costas e fechando os olhos para finalmente dormir.

Pandora o amaldiçoou em pensamento, depois pegou algumas peles como ele havia dito. Hesitou se deveria dormir no chão frio por um momento, mas decidiu que não o deixaria humilhá-la. Enrolou algumas peles e as colocou como um “muro” entre eles na cama, fazendo Ikki virar-se para ver o que ela fazia. Em seguida ela deitou ao seu lado.

—Se cruzar essa linha, eu vou arrancar seus olhos! –ela avisou, ficando de costas para ele.

—Nem que fosse a única mulher da Terra, Bruxa! –ele respondeu, dando as costas para Pandora.

 

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Marin despertou e notou que o espaço ao lado da cama estava vazio. Sentou-se olhando ao redor e Aiolia não estava ali. Vestiu-se rapidamente, apenas com um manto, cobrindo sua nudez e começou a procurá-lo pela casa. Sons característicos de um homem fazendo esforço físico chamam a sua atenção e a amazona caminha até a saída pela cozinha e abre a porta para os fundos com cuidado para não fazer barulho.

Aiolia estava sem camisa e com a espada golpeando uma grossa árvore com rapidez, mas era visível que fazia isso não movido pelo desejo de treinar suas habilidades de guerreiro, mas sim para extravasar suas preocupações e ansiedade.

Em silêncio, observava cada gesto do homem diante dela. Seus olhos estavam fixos nos músculos fortes, nas pernas longas, musculosas, nas costas largas molhadas pelo suor. Sentiu-se arrepiar e seu baixo ventre reagiu à visão da beleza máscula do homem que amava.

Aiolia no entanto descontava naquele simples exercício físico a expectativa de saber do inevitável confronto com o assassino de seu irmão, e que faria de tudo para impedir que Marin fosse entregue a ele. Não suportava a ideia de ter seus planos frustrados e o déspota levá-la para longe. Imaginar aquele homem tocando-a, fazendo-a sua esposa, era torturante.

—Aiolia.

A voz suave da amada chamou-lhe a atenção. A visão dela na porta de sua cabana, usando apenas um manto para se proteger do frio, reavivou a chama do desejo que sentia por ela.

—Não conseguia dormir. –respondeu simplesmente, caminhando até ela.

—Quando seus espiões devem chegar da Capital?

—Acredito que em poucos dias.

—Então, temos que nos preparar para o confronto.

—Eu tenho. Você não. –ela ia protestar, mas Aiolia a calou com um beijo. –Será um confronto de honra, um contra um. Não desejo ver mais nenhum dos homens que me seguem, ou os soldados do reino, sendo mortos.

—Não vou insistir mais sobre esse assunto nesta noite. –ela murmurou. –Mas saiba que sou invencível com a adaga e o arco e flecha, serei útil se acaso for uma emboscada e... –Aiolia sorriu, e Marin se calou, corando levemente.

—Acredito piamente que o homem que a enfrentar vai se encontrar com a deusa mais cedo. –disse acariciando seu rosto. –Vamos entrar?

—Sim. Precisamos dormir.

Voltaram para os aposentos, preparando-se para descansar. Mas, Aiolia teve um sonho terrível, no qual Ares liderava um grupo de guerreiros, e se confrontavam. Havia muita fumaça, a visão do campo de batalha estava mergulhada nas trevas, gritos de dor ecoavam no ar se misturando com aos sons dos aços das espadas se chocando, o cheiro de sangue e morte estava no ar, e Ares gargalhava ao jogar aos seus pés os corpos de seus companheiros mortos.  

Com a fúria de um leão, Aiolia avançou contra Ares e sua espada transpassou seu corpo, e para a sua surpresa e angústia, não era Ares quem estava do outro lado do aço cortante de sua arma, mas Marin, que o fitava, chocada com seu ato.

Aiolia acordou abruptamente diante da cena horrível de seu pesadelo, olhou para o lado e respirou aliviado ao ver Marin dormindo tranquilamente. Deitou novamente, aconchegando o corpo feminino macio contra seu, como se quisesse protegê-la de tudo e de todos.       

Tentou dormir, mas era inútil, não conseguiu mais fechar os olhos e manteve-se acordado o restante daquela noite, tendo em sua boca o gosto horrível de sentir que algo ruim estava por vir.

 

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Amanheceu.

Um grupo de soldados mercenários ainda permanecia em seu acampamento, muitos quilômetros além do vale que separava a estrada principal do isolado refúgio rebelde em meio às montanhas. Devido às fortes chuvas da noite anterior, as estradas secundárias estavam intransitáveis e impediam que os mercenários continuassem seu caminho.

Uma fumaça espessa espiralava de uma fogueira recém acesa, lutando contra a umidade, para aquecer os soldados e assar algum alimento. Os homens se organizavam em grupos, compartilhando bebida para se aquecerem com conversas pontuadas de comentários chulos, discussões e insatisfações com os recentes acontecimentos.

Mas no momento em que um rapaz de cabelos ruivos saiu de uma tenda, acompanhado de um guerreiro de frios olhos azuis, todos se calaram e pararam seus afazeres, esperando ouvir alguma ordem de seu líder.

—Que notícias têm? –o homem chamado Alberich perguntou a um de seus liderados que acabara de chegar.

—Um deslizamento de terra nos impede de irmos pelo leste e chegar ao Vale.

—Maldição! –o ruivo praguejou e olhou para o líder, que permanecia calado até o momento.

—E a antiga Estrada do Rei? –Máscara da Morte perguntou.

—Acho que podemos usá-la se parar de chover. –o homem olhou para cima. As nuvens negras estavam se tornando ameaçadoras novamente. –É a tempestade de precede o inverno. Daqui a algumas semanas, atravessar o Vale vai ser impossível até a primavera.

—Os rebeldes devem saber disso. Se abasteceram com mantimentos para o inverno todo, e as florestas fornecem caça antes das primeira neve chegar. –comentou Alberich.

—E alguém tem alguma notícia sobre Camus de Verseau?

—Não foi visto nas estradas, senhor. Se estiver com os rebeldes, só saberemos após algumas semanas. –dizia Alberich.

—NÃO PODEMOS ESPERAR POR SEMANAS!

Máscara da Morte esbravejou, ao caminhar na direção da fogueira, os passos controlados, os punhos fechados dos lados. Uma expressão cruel torceu-lhe os lábios. As íris, azuis como o céu, reluziram com uma fria brutalidade. E inquietação. Cada dia que passava sem ter encontrado seus alvos, era um dia a mais longe da recompensa que o aguardava na Capital. Queria ir embora dali, cumprir seus planos com Lady Aurora.

—Envie um grupo para procurar rotas alternativas para o Vale. Nem que tenham que derrubar a floresta para isso! –ordenou a um grupo de soldados.

—Sim! –os homens responderam imediatamente, se apressando para cumprir as ordens dadas.

Tentando se acalmar, Máscara da Morte pegava um odre de vinho e bebia o líquido rubro, depois seu olhar fixou-se em Alberich, que parecia incomodado com alguma coisa.

—O que houve, Alberich?

—Não gosto desse lugar. Sinto que estamos sendo observados. –dizia olhando na direção das árvores retorcidas que mantinham a mata fechada diante deles como uma muralha.

—Temos sentinelas, não temos? –olhando na mesma direção. –E não vejo ninguém ali. Está ficando neurótico desde que saímos daquela vila outro dia.

—Sobre a vila, senhor. Eu...

—Que foi? Vai me perturbar novamente sobre meus “excessos”? –Máscara da Morte riu ao ver a face contrariada de seu aliado. –Fez essa mesma expressão quando joguei aos seus pés o corpo daquela princesa do seu reino. Ainda chateado comigo por aquilo?

—Não. –a resposta parecia ter um gosto amargo na boca de Alberich. –Mas o acordo era para não matar a irmã mais nova da rainha Hilda e...

—Blá, blá, blá... –deu outro gole no odre de vinho. –Ela não deveria ter avançado sobre mim com um punhal. Bem, nada mais pode ser feito, não é? Seu tio governa agora Asgard, como um bom vassalo do meu rei. E um dia, quem sabe, será você? –se afastou, rindo.

—Lorde Giovanni! –Alberich tentou controlar a raiva em sua voz e atraiu o olhar inquiridor de Máscara da Morte. –A... menina em sua tenda... quando permitirá que ela vá embora?

—A quer pra você? –perguntou com desdém. –Quando me cansar dela... SE me cansar dela... a darei a você, como prova de que aprecio seus serviços.

Máscara da Morte adentrou novamente na tenda usada por ele, deixando o ruivo queimando novamente de ódio. Não pelo homem que agora se divertia novamente em sua tenda abusando da prisioneira que fez na vila destruída pelos seus soldados, mas de si mesmo. Ódio de sua covardia, de suas decisões erradas, de ter apoiado seu tio Durval em ajudar um déspota em um golpe de estado e causado tantas mortes e sofrimento ao seu povo e a outros. E Alberich sabia que não importa o que fizesse, não haveria perdão.

 

Oculto nas árvores, um par de olhos castanhos observava a movimentação do acampamento e acompanhava cada gesto entre os adversários que considerava relevante. Tão silencioso quanto chegou, partiu. Correndo entre as trilhas até chegar meia hora depois a um pequeno grupo que o aguardava ansioso.

—Então, Seiya? –Dohko perguntou ao rapaz, que recuperava o fôlego assim que parou diante dele. –Confirmou quem era?

—Máscara da Morte... ouvi alguém falar esse nome... –o rapaz respondeu, depois de pedir um tempo devido à corrida. –Parece que querem ir ao Vale, mas um grupo grande daqueles com as carroças e equipamentos não passa pelas trilhas da mata.

—E as estradas estão danificadas pela tempestade de ontem. –concluiu o chefe do grupo. –Isso é bom!

—Foi uma benção dos deuses aquela tempestade que desabou sobre nós de repente. –comentou Shiryu.

—Esse homem está caçando meu mestre! –Hyoga cerrou os punhos. –Só de imaginar o que ele quase tentou fazer com minha senhora e seu filho... o ódio que tenho dele! Minha vontade é de...

—Acalme-se, garoto! –Dohko diz firme a Hyoga. –Vamos voltar logo para o Vale e avisar que eles estão bem perto. Para a nossa sorte, chegaremos mais rápido se formos pela trilha dos caçadores. Sem chance de um confronto agora.

—Sim. –todos concordaram, até o relutante Hyoga.

—Conseguiu ouvir mais alguma coisa? –Dohko perguntou novamente a Seiya.

—Acho que atacaram uma vila há três dias de viagem daqui. Pelo visto... não há prisioneiros.

A face de Dohko ficou endurecida com a revelação. A vila a que ele se referiu era composta em sua maioria por simples pastores e agricultores. Eram pacíficos e não mereciam o que havia ocorrido.

—Covardes! –Shiryu quase cuspiu aquela palavra, devido à indignação.

—Vamos. –Dohko ordenou, seguindo por uma trilha. –No momento oportuno, iremos vingar todas as vítimas daquele monstro.

Todos concordaram com um aceno de cabeça e passaram a acompanhar o homem mais velho pelo mesmo caminho que ele seguira.

 

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Em algum lugar, numa estrada esquecida que atravessava a floresta.

O duro solavanco da carroça passando pela estrada esburacada fez com que Shaka despertasse da inconsciência à qual estava confinado, resultado de um golpe que recebera na noite anterior de Cris. Estava com as mãos e pés atados à cordas, com dores nas costas pelo desconforto de estar deitado sobre as duras tábuas do veículo puxado por cavalos e com a cabeça latejando, o estômago reclamava de fome, sentia o desconforto na bexiga indicando que precisava urgente ir a um toalete e sentia dor no local onde recebera o soco da criada rebelde.

Devagar ergueu o corpo e, sentado no chão da carroça, olhou ao redor tentando se localizar. Foi em vão, não reconhecia a trilha entre as árvores da floresta onde estavam.

—Bom dia! –a voz de Jabu vindo por trás do nobre o assustou, fazendo-o virar-se para encarar o rapaz. –Pela sua cara não foi uma noite muito boa, não é?

—Ser agredido, amarrado e sequestrado por rebeldes causa essa reação em minha pessoa. –Shaka respondeu mordaz, olhando ao redor e localizando Cris adiante da carroça, em um corcel negro.

Ela estava vestida com roupas masculinas e os cabelos presos por um longo rabo de cavalo. Parecia ter percebido que ele havia despertado, pois deu uma rápida olhada por sobre o ombro, com um olhar fulminante sobre sua pessoa e depois voltou a atenção novamente para a trilha onde estavam. Logo Shaka notou que um homem de cabelos cor de lavanda estava mais adiante, dando cobertura.

—Ela está furiosa com você. –comentou Jabu, dando uma risadinha em seguida.

—Ela está furiosa comigo? –Shaka indignou-se. –Se há alguém nesse grupo que deveria estar em fúria, sou eu! Exijo que me soltem e me deem uma montaria para voltar à capital!

Jabu deu outra risada diante do pedido do nobre, incitando os dois cavalos que puxavam a carroça a acelerarem o passo, causando outro solavanco e fazendo Shaka cair de costas no chão da carroça. O loiro resmungou impropérios, voltando a se sentar. Notou nesse momento a presença do quarto rebelde, atrás da carroça, com um sorriso amigável nos lábios.

—Desculpe meus amigos, por favor. Eles não contavam ter que lidar com um refém nessa missão. -o rapaz comentou, sem graça. –Meu nome é Shun, esse é Jabu. Lá adiante está nosso amigo Mu e já conhece a Cris, não é?

—Sim, eu ... –outro solavanco o joga para a frente e Shaka se refaz do susto. –Eu a conheço e... o que há de errado com essa estrada?

—Chuva muito forte! –Jabu respondeu. –Não se lembra porque dormiu igual a uma pedra a noite toda. Mas estamos com sorte, deve ter chovido bem mais forte longe de nós.

—Estar desacordado devido a um golpe não é bem a definição de “dormir”. Estamos andando a noite toda?

—Sim. –Shun respondeu. –Vamos parar apenas para comer mais tarde.

—Não há como parar agora?

—Sem chance.

—É que realmente eu preciso que parem essa carroça agora! –Shaka falou com as faces ligeiramente coradas e resmungou. –Eu preciso usar o mictório.

—O quê? –Shun não havia entendido o que ele havia dito antes.

—Usar o... –pigarreia. –O mictório. Eu preciso urinar!

—Não vamos parar! –a voz de Cris se fez presente, dando as ordens.

—É extremamente cruel que não permita que eu faça minhas necessidades fisiológicas primárias! –Shaka estava indignado.

Cris dá meia volta em seu corcel e se aproxima da carroça, ficando ao lado dela para observar melhor seu prisioneiro. Shaka nesse momento pôde notar que, apesar das roupas masculinas e surradas, Cris ainda mantinha a beleza feminina que lhe era características, mesmo com o olhar duro e frio sobre sua pessoa. Em seguida, ela estende a mão e pega um jarro vazio de barro entre os objetos ali contidos e joga para ele.

—Use isso.

—Usar para o quê? –Shaka olhava o jarro com uma expressão aparvalhada e depois para a garota.

—Para mijar dentro dele. Não vamos parar.

—Isso é uma indignidade! Inapropriado! Selvagem! –Shaka dizia, vermelho de raiva e vergonha. –E não é adequado uma dama falar assim!

—Não sou uma dama!

—E o jarro é novo! –Jabu protestou. –Teremos que jogar fora depois disso!

—É só um jarro de barro! –Cris girou os olhos, não acreditando na conversa que estavam tendo. –Tira pra fora logo e faça o que tem que ser feito!

—Não consigo fazer com as pessoas me olhando! –Shaka protestou, jogando jarro para trás, que foi pego por Jabu no ar.

—Não vamos parar! -Cris ficou lívida de raiva. Não aceitava ser desafiada assim, ainda mais na posição que aquele lorde cheio de empáfia se encontrava. –Se não consegue fazer no jarro, faz aí onde está. Em suas roupas!

—Ele vai estragar os mantimentos na carroça se fizer isso. –Shun advertiu, com um sorriso sem graça diante da discussão.

—E vai feder a carroça. –Jabu continuou.

—Não vou conseguir segurar muito! –Shaka avisou mais uma vez.

—Não acredito nisso! –Mu suspirou, fazendo um gesto para que parassem de andar.–Desça, faça o que tem que fazer no mato. Se tentar fugir...-ele aponta para Cris. –Ela te mata!

Shaka engoliu seu orgulho e assentiu com um aceno, concordando com as palavras de Mu. Mesmo com as mãos atadas acompanhou o rapaz até um ponto em meio à vegetação, e este permitiu que se afastasse alguns passos para ter um pouco de privacidade. Enquanto se aliviava, observava com cuidado seus captores e analisava suas reais chances de fuga.

Os três homens estavam muito confiantes em tê-lo como prisioneiro, o consideravam aparvalhado e inútil por ser um nobre. Logo demonstraria a eles o quanto estavam enganados. Ele era o filho mais velho da Casa de Virgo, futuro senhor de uma das mais poderosas famílias que eram fiéis ao rei, não seria facilmente mantido prisioneiro por muito tempo.

Apenas teria um cuidado especial com Cris. Ela o vigiava constantemente, com raiva em seu olhar. Questionou-se por que o odiava tanto. Havia feito algo que a ofendeu antes? Pensaria nisso depois que se livrasse deles e os levasse como prisioneiros de volta à Capital.

Depois que terminou o que fazia, retornou caminhando ao lado de Mu, simulando que perdia o equilíbrio por um momento ao se aproximar da Carroça, apoiando-se em Jabu, pegando uma faca de sua cintura sem que ele o percebesse e escondendo rapidamente entre as vestes ao se erguer.

—Estou bem! –disse com altivez quando Mu tentou levantá-lo.

Assim que voltou a sentar na parte traseira da carroça, em resignada obediência, reiniciaram seu caminho. Shun cavalgava mais afastado da carroça, cobrindo sua retaguarda, enquanto Mu e Cris cavalgavam logo mais à frente. Nenhum deles prestava atenção em Shaka nesse momento. Um grave erro, pois teriam reparado que o loiro esconderia em sua bota direita a faca surrupiada, esperando o momento certo para agir.

O pequeno grupo se afastava da trilha, embrenhando-se cada vez mais na mata, nem sequer percebendo que eram observados cautelosamente por uma pessoa, cuja identidade estava oculta por um manto e uma máscara prateada. Agilmente, essa pessoa se aproxima de sua montaria, um belo corcel de pêlos amarelos, ajeitando na cela sua espada e um chicote, sua arma preferida, e montando em seguida no animal:

—Vamos, Cefeu. –murmurou, acariciando o pescoço do animal e pegando a mesma trilha do grupo, mantendo uma discreta distância, esperando que eles o guiassem ao seu destino.

 

Continua...



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