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História Vingança Fatal - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá! Muito bem-vindo(a)!

Depois de um longo período, segue a continuação de Corrente Fatal!
Se você nunca leu e caiu aqui de paraquedas, é possível acompanhar essa continuação mesmo assim, já que ao longo dos capítulos muitos spoilers serão revelados. Contudo, se quiser se inteirar nos acontecimentos que levaram até aqui, recomendo que visite o meu perfil e leia CF.

BOA LEITURA!

Capítulo 1 - Bella


O vento entra pelas frestas da janela, sinalizando a chegada de mais uma manhã fria de inverno. Mais um dia, concluo me virando para o lado oposto da luz e cobrindo a cabeça com o edredom. Por ora, essa é a única barreira que tenho para me proteger de todo o mal que permeia a minha vida, mesmo que só por alguns minutos. O Natal se aproxima, o segundo sem meu pai, e me encolho ao constatar que nada mudou desde o primeiro. Meus olhos estão pesados e provavelmente inchados por conta da quantidade elevada de lágrimas que derramei na noite passada. Pela quantidade elevada de lágrimas que tenho derramado nas últimas semanas e nos últimos meses.  Parece uma fonte inesgotável e, ao mesmo tempo que odeio a forma como isso reflete na minha aparência e me torna uma pessoa mais frágil a cada dia, já não me importo mais. 

Ouço passos no corredor e faço o possível para manter a respiração estável sob o tecido espesso. A porta se abre lentamente e posso imaginar Edith varrendo o quarto com os olhos, se certificando de que não tentei nada novo que possa provocar a ira de minha madrasta. 
Com um suspiro, sinto quando ela se aproxima e me cutuca com delicadeza, a voz sempre macia e maternal ao dizer meu nome:

- Alissa, acorde, querida.

Permaneço estática por alguns minutos até que ela repete o ato e volta a me cutucar.

- Alissa.

Sem obter resposta, ela então agarra o edredom e o puxa com precisão:

- Droga, Edith! - resmungo quando meus olhos são surpreendidos novamente pela luz e custam à se adaptar ao clarão 

Ela parece zangada ao constatar que já estou desperta há algum tempo.

- Não acredito que ainda não começou a arrumar suas coisas. Nos mudaremos dentro de alguns dias.

Me ergo com certo esforço e me posiciono até estar com as costas apoiadas na cabeceira da cama:

- Eu já disse que não vou. 

Edith respira fundo e se senta ao meu lado, visivelmente cansada da discussão.

- Escute, meu anjo, eu sei que tudo isso tem sido infernal para você. - estende a mão até alcançar a minha - Mas veja que, mais do que nunca, não podemos nos dar ao luxo de contrariar sua madrasta. Não sei o que a motiva a fazer isso tão de repente e tão depressa, mas não temos outra escolha a não ser acatar.

Encaro seus olhos e me encho de raiva ao notar que os meus já começam a umedecer. Não faz nem vinte minutos que acordei. Como posso ser tão emocionalmente fraca?

- Ela é louca, não precisa de uma boa razão! - expiro com força e afasto as cobertas para me levantar, ficando de costas - Odeio o fato de meu pai ter se casado com ela. Mal posso acreditar que 100% da minha guarda pertença a uma pessoa que não possui nenhum parentesco real comigo e que não terei nenhum direito a herança dos meus pais até que alcance a maldita maioridade! Simplesmente odeio, odeio o que minha vida se tornou. Tudo é injusto demais!

Encaro meu reflexo arrasado no espelho e me vejo prestes a descontar toda a minha raiva nas poucas coisas em meu quarto que ainda não me permiti destruir. Como se não bastasse ter perdido minha mãe, meu pai e não frequentar o colégio há mais de um semestre, agora tenho que sair da casa onde nasci e onde passei os melhores momentos de minha vida e me mudar para outro estado onde não conheço ninguém. A troco de nada. Tudo por capricho de uma mulher desequilibrada.

- Não diga isso, querida. - Edith assente e me encara pelo espelho, os olhos cheios de ternura - E não culpe seu pai. Ele era muito bom. Bom demais até para enxergar o lado perverso de Phoebe. Você também a adorava, lembra?

Me viro para ela e me enojo com as lembranças que surgem em minha mente. A maneira como Phoebe fingia gostar de mim, me levava às compras com ela e me defendia das broncas de meu pai...Sinceramente, nada disso faz sentido agora, porque na verdade tudo parece ter acontecido em uma realidade muito diferente. Uma realidade que, de fato, nunca existiu.

- Sem dizer que você conhecerá pessoas novas, poderá frequentar um colégio novo e logo irá para a universidade. Não precisará conviver com ela durante todo o tempo até que fique de maior. - Edith continua, sempre disposta a me encorajar - É tudo questão de tempo. Só tenha um pouco de paciência.

Depois de me servir o café no quarto, a governanta me motiva a começar a guardar algumas de minhas roupas em malas. Não saio do quarto em momento algum e me sinto aliviada, pois assim não encontro com Phoebe e não tenho o desprazer de receber sua visita para me infernizar. Felizmente, no auge das últimas semanas de gestação, ela passa a maior parte do tempo sofrendo com dores e desconfortos devidos a sua condição. Ocupada demais para causar dor e sofrimento em outras pessoas.

Durante o tempo que passo retirando blusas de cabides - algumas ainda com etiquetas as quais nem me recordo de ter comprado -, penso no que Edith me dissera mais cedo sobre a possibilidade de começar uma vida nova no Arizona. Sobre continuar o colégio e fazer amizades. Sinceramente, não consigo ver nada disso de uma forma otimista. Tantas coisas aconteceram desde a última vez em que estive em um meio social com pessoas da minha idade e sem grandes preocupações que não tenho ideia de como isso seria nos dias de hoje. Com certeza não sou a mesma garota alegre e divertida de antes, nem mesmo sei se ainda me encanta abordar os mesmos assuntos que eu costumava amar. Também temo ter me tornado uma pessoa amarga a ponto de afastar as pessoas com minha energia negativa. Certa vez li em um livro que cada pessoa é a média das cinco pessoas com quem mais convive. Tirando Edith, me apavora a ideia de me parecer com Phoebe.

"Você também a adorava, lembra?", a voz de Edith invade meus pensamentos 

De fato, é verdade. Isso porque logo que meu pai a conheceu, ela se mostrou uma pessoa lúcida, divertida e muito bem resolvida. Se alguém me comparasse a ela nessa época, eu certamente me sentiria lisonjeada. Contudo, o personagem não foi sustentado por muito tempo e depois de um ano de casados, mais ou menos, muito de seu real temperamento veio à tona, nos mostrando que não a conhecíamos tão bem quanto pensávamos. Apesar disso, meu pai, Adam, como Edith dissera, era um homem muito bom e a amou até seus últimos momentos de vida, sempre acreditando que ela pudesse evoluir como ser humano e lidar com seus demônios internos.

Depois de seu falecimento, no entanto, minha madrasta apenas regrediu de todas as formas possíveis. Passou a me agredir, me humilhar e me privar de ter a vida de uma adolescente da minha idade. Como se eu já não tivesse traumas o bastante. Confesso que no início a culpei e a acusei pela morte dele e ela até foi considerada uma das principais suspeitas pela polícia, mas seus advogados me fizeram crer e testemunhar o contrário. Desde então, não voltei a mencionar o assunto. Não é que eu tenha descartado minhas suspeitas, mas não pensar nisso me faz sofrer um pouco menos.

Contudo, eu diria que o estopim de sua piora ocorreu depois do tempo que passou fora de casa, viajando para "afogar as mágoas". Até onde Edith descobrira, esteve em Las Vegas e em uma cidade na Geórgia que não me recordo o nome. Quando voltou, quase cinco meses depois, trouxe consigo uma criança no ventre e uma queimadura horrenda estampando e deformando um dos lados do rosto e em algumas partes do corpo. Já criei diversas teorias para o que pode ter ocorrido e explicar a relação de uma coisa e outra, mas se tratando de Phoebe, nada faz muito sentido. E além dos tais surtos de bipolaridade, passou a ter crises de pânico contínuas a ponto de passar noites em claro chorando e clamando nomes de pessoas que nunca ouvi falar. Maria Madalena é o mais frequente entre eles.

Continuo a arrumar minhas coisas até que encontro uma caixinha de souvenirs repleta de chaveiros e fotos tiradas durantes viagens e datas comemorativas. Algumas ainda antes de minha mãe ser diagnosticada com câncer. Essas são poucas recordações que guardo como um tesouro e faço questão de levar comigo.

O barulho dos passos de Edith no corredor chama a minha atenção, mais apressados que o normal.

- O que foi agora? - pergunto quando ela abre a porta e coloca a cabeça para dentro, os cabelos grisalhos bem presos no coque baixo

- Acabei de ligar para o Dr.Phillip, Phoebe entrou em trabalho de parto.

Nas horas que se passam, escuto Phoebe agonizar e proferir blasfêmias de seu quarto enquanto sente o que acredita ser a "dor do inferno". Coloco os fones de ouvido e tento me desligar, nenhum pouco alarmada com a situação. Confesso que só me desperta curiosidade em saber o acontecerá depois que a criança nascer. Já foi muito espantoso que minha madrasta tenha levado a gravidez adiante, uma vez que sempre se recusara a engravidar de meu pai e acredito que já tenha abortado inúmeras vezes. Não tenho ideia de quem seja o pai e duvido que ela mesma saiba.

No espaço de tempo de uma música e outra em meus ouvidos, escuto quando o médido diz repetidas vezes na outra extremidade do corredor:

- Empurre! Empurre!

Os gritos histéricos e cheios de dor  parecem ficar cada vez mais altos conforme o Dr.Philip a incentiva:

- Força! Está quase saindo.

Depois de mais alguns minutos de berros e gemidos, Phoebe finalmente se cala e sua voz dá lugar a um choro suave e estridente. Fico imóvel ouvindo enquanto todos parecem, ou fingem, comemorar:

- É uma menina! - ouço Edith exclamar 

Tiro os fones com cuidado e me levanto em modo automático, sem me preocupar em calçar os chinelos. Quando dou por mim, já estou me encaminhando até lá, meus pés descalços deslizando pelo assoalho. Não sei o que me leva a fazer isso. Apenas sigo meu instinto. Alguns olhares fixam em mim assim que passo pela porta da sala de parto improvisada. Phoebe está sentada com as costas apoiadas em vários travesseiros,  as pernas ainda abertas em volta de uma poça de sangue no colchão e os olhos fechados. Os cabelos ruivos despenteados grudam no suor de sua pele e seu peito sobe e desce várias vezes em um espaço curto de tempo, reforçando sua exaustão.

- Veja, senhora - Edith diz e então percebo que segura a pequena criatura no colo, ainda envolta por uma pasta branca e pegajosa e enrolada em um lençol - É uma linda menina. 

Phoebe abre os olhos e não esboça nenhuma reação ao segurar a filha pela primeira vez. Apenas a encara, absorta em seus devaneios. 

Após aproximadamente cinco minutos em um silêncio desconfortável, o Dr.Philip troca olhares conosco e pigarreia:

- Sra Washington Simmons, acho melhor lavá-la e vestir uma roupinha quente. Logo se queixará de fome.

Como se tivesse acabado de notar nossa presença, Phoebe pisca repetidas vezes e assente. Mal nota quando Edith pega a criança de seus braços. Eu já a vi nesse súbito estado de catatonia em outras ocasiões e não me surpreenderia se começasse a chorar desesperadamente e implorar para ficar só. 

Edith também nota e se apressa em perguntar:

- Como vai chamá-la? 

Phoebe descansa a cabeça no travesseiro e volta a fechar os olhos. Sua resposta é curta e objetiva:

- Bella. Vai se chamar Bella.

...

O nascimento da filha de Phoebe movimentou a casa de tal forma que, em menos de uma hora, todos se apressam para preparar um quarto - ao lado do meu, à propósito - e comprar o que falta. Ou seja, tudo. Nada de fraldas e nem roupas. Phoebe não preparara absolutamente nada para a chegada de sua primogênita. E enquanto todos correm para acolher a recém-chegada, ela permance trancafiada no quarto. 

Embora eu não saiba bem como me sinto em relação a tudo isso, observo a bebê tomar seu primeiro banho sob os cuidados de Edith, completamente pequena e indefesa. 

Pobrezinha, com tantos óvulos para ser fecundada, por que justo no de Phoebe?

- Não sei o pai, mas ela não se parece em nada com a mãe. - Edith comenta, vestindo-a com uma fralda improvisada de pano
Sigo o seu olhar para o rostinho e sou obrigada a concordar. Diferente das madeixas avermelhadas da progenitora, a bebê possui os cabelos escuros e arrepiados. E os olhos claros, mesmo com uma cor bastante indefinida, não têm nada a vez cor os olhos castanhos de Phoebe. Sem falar das bochechas gordinhas e levemente coradas que a deixam  semelhante a uma boneca.

Com o olhar desfocado, ela leva uma das mãozinhas até a boca minúscula e se põe a chupá-la, emitindo um barulhinho:

- Acho que alguém está com fome. - Edith sorri

Observamos a cena atípica por um tempo. Mesmo em meio a todo o caos que foi inserida, é difícil descrever o quanto é adorável.

- Bella. - Edith diz em voz alta e balança a cabeça, parecendo ler meus pensamentos - Não consigo pensar em nome melhor.
 


Notas Finais


Nem acredito que estamos de volta!! Mas e aí, o que achou e quais são suas expectativas para esta continuação? Me conte aí nos comentário!

Beijos!


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