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História Vinícius - Capítulo 1


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Notas do Autor


É, o coração ta dolorido.

Capítulo 1 - Vini


 Vinícius.

Aquele garoto introvertido, que usava touca, e casaco amarrado pela cintura.

"Você sabe que gosto de garotos que usam touca", eu disse, pro meu amigo, enquanto o convencia a ir falar com o tal garoto comigo.

 Ele estava lá, na quadra, sentado na anquibancada. Usava touca preta, escondendo o cabelo encaracolado– ah, como eu gostaria de passar as mãos por aqueles cachos —, usava uma blusa amarrada na cintura, verde. Tênis preto, calça jeans escura, e as unhas pintadas, um padrão de vermelho, preto, vermelho preto, e assim por diante.

 Sentei-me próximo dele, um corpo de distância, e meu amigo ao meu lado, todo afobado. 

"Segura tua língua ", alertei. E ele riu. E então, nosso colega de sala nos viu, e veio até nós. Nos cumprimentou, e foi até Vinícius.

 Eu, chocada, observava. Eles conversavam tranquilamente, amigável. Mas Vinícius parecia relutante, não, relutante não, ele não estava a fim de nada.

 Vi a oportunidade crescer, e me enfiei no meio da conversa— parece mal educado, mas talvez você fizesse o mesmo que eu. Entrei na prosa, animada, as bochechas rosadas.

Vinícius não sorria, não demonstrava nada. Mas que seja, eu o faria. Escutaria sua risada, e veria seu sorriso. Meu colega saiu e só restou eu, ele, e meu amigo. Conversavamos, trocamos prosa, eu ainda com as bochechas cor-de-rosa. O coração palpitando, quase errando.

 Caminhamos, bateu o sinal, peguei minha bolsa, andando ao lado deles, sorrindo, pensando nele. Como seria seu sorriso? 

 Eu com certeza faria tudo por ele.

 Vinícius.

Foi uma luta, mas consegui seu número, e não fui eu que pedi, foi um favor de um amigo.

 Enquanto não tomava coragem para mandar mensagem, sonhava com seus abraços e risos.

 Finalmente, mandei algo. Mas que bobo foi. Não lembro o horário, nem a data— ora, porque lembraria? É esquisito, birutice, baixaria.

"Tens um isqueiro a emprestar?", perguntei, as mãos tremendo ao digitar. "Não, o meu acabou", ele respondeu, e meu coração quase parou.

 E mais uma vez me peguei sonhando e devaneando com ele.

 Vinícius.

 Dias se passaram e eu não mandei mais nada, nem tomei coragem para tal.

 Eu só me lembro de ser de manhã, e eu estar comendo algo com bastante sal— parece que ainda sinto o sabor, sempre que lembro desse momento.

 Ele mandou mensagem, perguntando algo, que se eu me esforçar, eu lembro.

 Era algo do tipo "Você é aquela amiga do Henrique?". Colega, para ser mais justo, mas mesmo assim, respondi que sim. Era eu. E quando ele mandou isso, meu coração quase morreu.

 O quê era? O quê queria? 

Não lembro como a conversa terminou, mas ela mal avançou. Ele só disse um "A, sim", e deixou o assunto de lado, meu coração, desolado.

 Vinícius.

Cheguei na escola, normalmente, encontrei meus amigos, e vi Vinícius passar, enquanto brincavamos e riamos. O sinal bateu, e meu coração entristeceu. 

 Entrei na sala, na minha carteira de sempre, a professora– se bem me lembro – falava alguma coisa sobre dengue. A porta aberta, e as turmas passavam pelo corredor, indo as suas salas, com seu professor.

 Ele passou, e eu congelei, a cara ficando vermelha– segundo meu amigo conta —, minhas mãos suadas, e respiração ofegante. "La tua cantante", repeti na minha mente, como a árdua fã de crepúsculo que sou.

 Imaginava, seu coração batendo, distante, em outra sala. Queria correr até ele, dizer o que eu sentia.

 Mas que tolo seria.

Percebendo minha reação, Henrique, esticou seu pescoção de Fifi enxerida.

"Ele não gosta de você", ele falou, e meu rosto começou a ferver. 

"Como sabe disso? Pare de futricar, menino enxerido", questionei e alertei, querendo cortar sua língua em três.

 Para minha surpresa e pânico, ele sacou o telefone, logo fofocando: "Perguntei, se ele, por acaso, sentia algo por você, então, veja a resposta por si mesma", ele disse, e eu peguei o tal celular.

 Era uma conversa, em que ele perguntava se ele gostava de mim, ou o que me achava. Vinícius perguntou quem eu era, e Henrique explicou.

"Acho ela trouxa, otária, tremenda retardada", eu li. Isso era o que ele pensava de mim? Estava enjoada, mas me forcei a ler mais.

 Grave erro, minha cara.

"Não 'tô nem aí Idiota de achar que gosto dela, ou sinto algo. Pura balela", ele continuou. Henrique, da minha mão o celular tomou.

"Viu, ele não gosta de você", ele falou. O óbvio, claro, mas aquilo me chateou.

"E tu? Porque foi te intrometer. Não era da tua conta", resmunguei, olhando-o feio. Queria o cortar por inteiro. 

 Ele deu de ombros, e minha pergunta ignorou, porém, minha raiva não apaziguou.

Vinícius.

Depois disso, minha coragem sumiu de vez. Por semanas o evitei, nem por perto dele pisei.

 Um dia, o vi encostado em uma parede, e deicidi ir "lançar a rede".

 Cheguei perto dele e cumprimentei, sem sucesso, já imaginei. Ele devolveu com um aceno, e se afastou.

 Vinícius.

 Mal sabia eu, mas uma oportunidade chegava.

 Uma mensagem chegou, e meu celular vibrou.

 Era ele, de novo. A última vez que conversamos, foi aquela tentativa fracassada do isqueiro. Isso porque eu e um amigo compramos um maço de cigarros e queríamos fumá-lo por inteiro. Porém, a ideia foi fracassada, e deixei isso em águas passadas.

 Puxei conversa, e prosa trocamos, meu coração sempre palpitando.

 Vinícius.

Estávamos de certa maneira, próximos, porém por mensagens. Então, no intervalo, sempre achava um jeito de encontrá-lo, e conversar. 

 E algo costumeiro se formou. Mensagens, e intervalo. Falava com ele antes e depois da aula. 

 E finalmente meu coração feliz estava.

 Mas, não se engane, não eramos próximos demais, ele só me aturava, e as vezes eu pensava se ele realmente queria conversar mais.

 Vinícius.

 Sim, eu o amava, tudo que ele fazia, eu topava. Uma vez, ele me contou que fumava, e aula gaziava.

 Sempre soube que ele fumava, mas do assunto não quis comentar, e resolvi deixar passar. Ele convidava para fumar, mas eu desconversava, e por isso ficava.

 Até que teve uma loucura que eu quis topar.

"Vamos gaziar aula?", ele sugeriu, e no começo eu disse não. No outro dia, o vi saindo de casa– ele morava duas ruas de distância do colégio —, e perguntei para onde caminhava, ele disse "Vou gaziar", e então sem mais nem menos, também me pus a andar.

Se eu fosse contar tudo que aconteceu, daria uma bíblia inteira. Porém, com certeza, foi um dos melhores dias que já tive. 

 Então, é por aqui que nossa historia acaba. Ele começou a se afastar do nada. Já não mandava mensagens, e quando eu tomava iniciativa, ele ignorava ou desconversava.

 Vinicius.

 As férias chegaram, e depois delas, as aulas recomeçaram.

 Tenho a forte lembrança de ir até ele, tentar puxar conversa, mas ele apenas responder friamente. E eu me perguntava "o que aconteceu com a gente?".

 Depois de algumas semanas, eu nem o olhava mais, mas aquele sentimento não ia embora jamais.

 Eu o amava.

"Você sabe do Vini?", perguntei ao Henrique. 

"Foi embora, trocou de escola", ele respondeu, e meu coração tremeu.

 Fiquei desacreditada, iludida, desolada. 

 E sim, é aqui que a historia acaba.

 Infeliz, mal-terminada.

 Até hoje, procuro contato, número, qualquer coisa. Talvez ele tenha trocado de celular, e eu fui burra de não notar.

 Eu ainda estou a o amar. Porém, não é, nem foi, recíproco.

 Adolescentes com corações doloridos. Faço parte dessa categoria, embora hoje em dia eu ria, sempre que lembro quão boba fui por amar alguém que nem retribui.

 Esse é o fim, acabou, pra mim.







Notas Finais


Moral da história, sempre tentem fazer mais, antes que seja tarde demais.

E depois que ele sumiu, eu comecei a consumir maconha, e deixava meu cabelo sempre solto, porque uma vez ele elogiou. Hoje em dia não fumo mais, mas minha depressão e vício, já é outra história. Porém, ainda penso em suicídio.


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