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História Vinte e sete anos depois - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Eu te amo Edward


Meu corpo inteiro parecia que ia se desintegrar em pedaços minúsculos de tanto que doía. Minhas mãos estavam trêmulas assim como os meus músculos tensionados que estavam contraídos por carregar Eddie nos braços. A residência velha da Neibolt desmoronava e o som estridente nos incomodava. Nenhuma alma estava presente naquela rua a não ser nós otários, parecia que nada além de nós existia no universo vasto de Derry. Era como se a coisa houvesse criado todo aquele cenário no Maine para que nós vivêssemos ali.

O medo e a adrenalina ainda se misturavam com o sangue quente das minhas veias e eu podia sentir perfeitamente o líquido quente correr rápido fazendo com que meu medo se exalasse através da respiração pesada e descontrolada.

Mas em uma mesclagem de medo, eu ainda conseguia sentir no fundo do meu coração e nos meus sentimentos, o êxtase me invadir por conseguir obter êxito diante do terror que me assombrou por vinte e sete anos. Acho que para todos os otários era um êxtase ver a casa de "viciados" cair depois de todo o acontecido com Pennywise dentro daquele poço imundo.

Eu não sabia qual rumo minha vida tomaria depois de tudo aquilo, mas o meu coração implorava por questionar Eddie depois do "eu te amo" dito assim que foi ferido pela coisa enquanto estávamos em seu covil em uma batalha. Não sei o que passava pela mente de Kaspbrak no momento em que foi ferido, mas eu sei que pelos meus pensamentos rondava o medo de perdê-lo. Eu pedi para que não partisse em meus braços e meu coração que saltava forte, passou a bater de forma mais intensa quando ele disse "Hey Richie eu te amo".

Provavelmente Edward pensou que morreria, por isso falou de seus sentimentos tão repentinamente e agora por mais que estivesse em meus braços, desviava o olhar por ter vergonha de sua afirmação. No calor do momento eu não consegui corresponder, mas o meu coração estava tão alegre por saber que o homem que eu sempre amei também compartilhava dos mesmos sentimentos que os meus.

Foi tudo tão rápido, apenas assenti colocando minha palma da mão por cima da sua tentando digerir sua frase e jurei mentalmente não deixar que Eddie morresse naquele lugar imundo. Ele não mereceria ter seu fim junto à coisa, tenho certeza que o seu cadáver odiaria esse fato.

"Temos que sair daqui." A voz baixa de Stanley quebrou o silêncio após a casa ter ido ao chão. Mal parecia que uma construção antiga havia passado por ali já que agora não sobrava nada além dos escombros ou memórias da casa.

"Imediatamente..." Completou Beverly.

Com as pernas fracas não me deixei ir ao chão. Eddie tinha os seus olhos fechados e murmurava coisas na qual nem eu mesmo conseguia entender, nem se eu fizesse um esforço.

Nos movendo em passos lentos, Bill decidiu que o certo seria levarmos Eddie ao hospital mais próximo. Beverly retrucou e com uma certeza descomunal afirmou que não seria legal levá-lo ao médico. Eddie estava seriamente ferido mas não havia passado por um acidente de carro ou algo parecido. Explicar aos médicos que um palhaço-aranha lhe feriu só entregaria uma possível tentativa de homicídio e estaríamos encrecados em seguida tendo que explicar o caso para um xerife mais gordo que a Myra.

De certa forma, Beverly estava certa, tanto que eu concordei em levá-lo de volta ao Hotel e decidi que com minhas próprias mãos cuidaria dele. Minhas mãos passavam pelos seus ferimentos enquanto seu corpo estava deitado na cama em que dormi, meus olhos estavam marejados mas eu apenas agradecia por ele ainda estar vivo. Não sei o que seria de mim caso o perdesse. Passei vinte e sete anos da minha vida buscando incógnitas e os porquês de nunca conseguir ter algo com uma mulher e em menos de vinte e quatro horas soube o verdadeiro motivo assim que meus olhos se encontraram com os de Kaspbrak no Jade do Oriente.

E foi aí que me lembrei... Lembrei perfeitamente dos momentos que tínhamos na adolescência pouco antes de eu ir morar em New York. Por mais que nós otários fôssemos um grupo sólido, eu e Edward éramos muito mais do que simples amigos que conversam em uma sacada ou que se deitavam em redes de sedes de clubes para discutir sobre Batman VS Superman.. Ele era o melhor companheiro que alguém poderia ter e conforme ia me forçando a lembrar eu lembrei de algo que pareceu me desmoronar.

Em uma tarde úmida de primavera, após uma chuva singela, as gotículas de água desciam em forma de orvalhos nas folhas de uma floresta de pinheiros do Maine. Era a minha vista favorita de todas, com certeza era até melhor do que os prédios da cidade grande. Eu e ele estávamos na sede do clube, apenas nós dois... Lembro-me de estarmos fugindo do caipira babaca do Henry Bowers que me ameaçava por me encontrar com o Connor.

Minhas mãos suavam por medo de ele nos achar e Edward por mais que fosse um menino medroso, tentava me acalmar fazendo carícias lentas em minha coxa. Ele nunca havia me tocado daquela forma, era a primeira vez em dezessete anos que eu havia sentido algo tão profundo através dos dedos finos de Eddie.

"Shhh... Não tenha medo Richie! Ele já está indo embora." Sua mão esquerda acariciava minha coxa por cima do short. Meu corpo inteiro tremia e eu não sabia se era por medo de Henry empunhar aquele canivete em minha jugular ou se era o nervosismo de sentir a pequena mão quente de Edward em minha pele. "Você precisa se acalmar Chee, por favor." Sua mão desceu para meu joelho e seus dedos pressionaram o local me fazendo soltar um suspiro em resposta.

Ele nunca havia me chamado de "Chee" e eu gostei tanto que desejei que naquele momento ele me chamasse da mesma forma para sempre

"A melhor forma de fazer você relaxar, é com um beijo." Seus olhos grandes se juntaram aos meus assim que virei meu pescoço para encará-lo. Suas orbes brilhavam e um sorriso diferente aparecia em seus lábios. Edward estava sendo malicioso comigo pela primeira vez e eu gostei. Nunca achei que veria esse lado do garoto que conheço praticamente desde os doze anos.

Assim que meus lábios se entre abriram eu tentei pensar em uma resposta rápida mas Eddie juntou nossos corpos colocando-se em meu colo, deixando que suas pernas ficassem ao lado das minhas coxas. Suas mãos delicadas seguraram meu maxilar com força praticamente implorando um beijo meu. O meu coração errava as batidas e foi naquele momento que eu tive mais do que a certeza que eu o amava. Deixei minhas mãos sobre suas coxas e encostei nossos lábios apenas em um selinho demorado que foi capaz de me fazer sentir o gosto de sua boca.

A maciez dos seus lábios aos meus me fez sentir tão leve que poderia até ultrapassar as leis da gravidade, foi como voar de olhos fechados e aterrissar em um dos meus melhores sonhos aonde contia apenas eu e Eddie Kaspbrak juntos aos beijos mas ainda não era o melhor porquê não estávamos vestidos de Batman e Super Man. Os meus joelhos estavam fracos e provavelmente se estivesse em pé, minhas pernas cederiam aos toques dos dedos de Eddie por minha nuca, acariciando delicadamente meus cachos.

Minhas duas mãos em sua coxa, ousaram subir pelo seu short curto até a sua cintura, apertei o local pressionando-o contra a minha ereção ouvindo um arfar sair de seus lábios me dando passagem para passar a minha língua para dentro de sua boca e um beijo profundo surgir em meio a falta de espaço entre nós dois.

"Você se lembra Eddie? Do dia em que ficamos sozinhos na sede do clube?" Sussurrei apenas para que eu me lembrasse mais uma vez dos detalhes daquela tarde de primavera que foi capaz de mexer comigo por inteiro. Mas vi que  mesmo de olhos fechados, Eddie afirmou com a cabeça.

Parei de limpar as feridas de seu peitoral agora descoberto e pensei que eu tinha lhe machucado, mas ele novamente tornou a assentir e um sorriso singelo surgiu em sua boca. Seus lábios estavam um pouco cortados e tinham um pouco de sangue, mas ainda era o sorriso mais lindo para se observar. Meu coração aqueceu e foi como se eu voltasse em uma cápsula do tempo e revivesse os mesmos sentimentos que senti assim que seus lábios se encostaram nos meus naquela tarde.

"Eu me lembro Richie, nós tínhamos dezessete anos e eu praticamente ataquei você." Riu fraco acariciando a minha mão que limpava um de seus machucados. Sorte minha que eu havia prestado bastante atenção quando ele fez curativos em Ben logo depois que foi atacado por Henry na ponte do beijo.

Primeiro a gaze depois esparadrapo.

"Eu era tão bobo mas pelo menos tinha um beijo gostoso. Richie Tozier nunca decepciona ninguém." Sorri vendo os seus olhos se abrirem lentamente e cruzarem com os meus de maneira intensa que nem mesmo eu pude explicar o que senti no momento.

"Eu acho que deveríamos praticar nossos beijos Chee... Confesso que sinto saudades."

Sua voz estava falha, mas eu ouvi perfeitamente o seu sussurro e com um sorriso enorme em meus lábios aproximei nossas bocas. Por seus lábios estarem machucados não aprofundei o beijo, mas tive certeza que em breve eu estaria com ele na minha cama aprofundando diversos beijos que não fui capaz de fazê-los em vinte e sete anos.

Eu amo Eddie Kaspbrak.





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