História Violeta - Capítulo 5


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chen, Exo, Jongdae, Minseok, Violeta, Xiuchen, Xiumin
Visualizações 19
Palavras 3.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, gente!
Antes de tudo, quero me desculpar arduamente. E como sempre mais uma vez, eu cheia de problemas. Não estava em condições psicológicas para escrever algo, por mais que eu tentasse, o bloqueio criativo me atingia de um modo terrível. Eu nunca achei que a ansiedade fosse me atrapalhar tanto ao ponto de passar meses sem escrever absolutamente NADA.
Entendo perfeitamente se ninguém se interessar mais em acompanhar Violeta, mas pra quem continuar, prometo do fundo do meu coração que me esforçarei ainda mais para atualizar frequentemente.
Desculpem-me por qualquer coisa.
Aqui está mais um capítulo, creio que não esteja assim tão bom, porque eu passei mais de três meses se escrever e isso me enferrujou um pouco, mas fiz o melhor que pude.
Espero que gostem <3 <3 <3
Amo muito vocês

Capítulo 5 - Incolor


Uma sensação estranhamente conhecida (?) tomava meu corpo naquele momento. Eu me sentia leve como uma pena, a gravidade aparentava não funcionar perante meu corpo, meus pés já não se prendiam ao chão e o vento forte bagunçava-me os cabelos. Era como se eu estivesse sendo puxado para cima flutuando junto com as nuvens do céu enquanto meus olhos pairavam sobre o lindo canteiro de girassóis abaixo de mim.  Não havia medo algum, estava feliz por estar naquela situação tão surreal.

Porém, a leveza foi se esvaindo e eu fui ficando cada vez mais pesado, meu corpo não estava mais suspenso no ar como antes. Foi quando notei que cairia e as lindas flores que antes eram girassóis, transformaram-se em espinhos que rasgariam minha pele ao entrar em contato com ela.

Meus músculos se contraíram e eu dei um sopapo involuntário, abrindo os olhos rapidamente.

Suspirei aliviado. Era apenas um sonho.

Já é a terceira vez que esse sonho me aflige. Por mais que eu tente, não consigo decifrá-lo. É sempre o mesmo conceito, só que em cenários diferentes: eu estou flutuando no céu, então uma força maior me puxa para baixo e a queda sempre resulta em um local perigoso. Me senti tão assustado com os possíveis significados que pensei em pedir a opinião de Junmyeon, mas raciocinei por alguns minutos e percebi que seria uma péssima ideia, pois ele falaria coisas que me deixariam ainda mais perturbado. Portanto, prefiro continuar ouvindo músicas românticas dos anos 80 e pensar no quanto foi bom ter os lábios de Jongdae sobre os meus.

Um som ensurdecedor me fez sair dos pensamentos profundos. Sombrio. Essa é a definição exata para aquele barulho tão fúnebre. De repente é iniciada uma das clássicas músicas que tocam em filmes de vampiros, uma linda sonata no piano que me fez levantar e correr para ver o que acontecia. Afinal, tínhamos um piano em casa, mas ninguém nunca tocava. Às 14h20 da tarde uma cena cômica se iniciava: estatelado no chão encontrava-se Kim Junmyeon coberto de sangue falso e usando típicos trajes de um século passado ao qual eu não conseguia identificar. Do outro lado da sala, pude ver Chanyeol, era ele quem tocava no velho piano que pertence à família de meu padrasto há longos anos.

 — Vamos de novo, ainda não está bom. Você não está se debatendo o suficiente, Suho.  — Gritava Baekhyun ferozmente, era como se ela estivesse o auxiliando naquilo pela milésima vez. A menina parecia impaciente.

Junmyeon levantou-se com cautela para não sujar ainda mais o tapete persa favorito de mamãe, penteou o os cabelos com os dedos e com a mão rente à cintura, dissipou:

 — A culpa não é minha se nenhum de vocês é capacitado para compreender o verdadeiro conceito arte e interpretação que eu possuo.

A ruiva apenas o olhou de soslaio e revirou os olhos em seguida. Tornou a conferir os papéis que tinha em mãos e ordenou ao Park que continuasse a tocar enquanto meu irmão focava em mostrar suas (péssimas) habilidades de atuação.

 — Oh, Vossa belíssima e amada majestade! Tenha misericórdia da minha pessoa.  — Junmyeon recitava o texto mais uma vez e o que tornava tudo ainda mais ridículo eram as suas expressões visivelmente exageradas. Baekhyun e Chanyeol não contiveram suas feições de tédio.

 — Nem sei por que aceitamos te ajudar, seria melhor termos saído num encontro e deixado esse Zé Mané se virar sozinho. Afinal, somos do clube de música e não do teatro.

A boca de Junmyeon remexeu-se um pouco e dali eu sabia que sairia alguma alfinetada. Pois reconheço a verdadeira peste que tenho como irmão. Ele não deixa passar uma.

 — Baekhyun jamais iria em um encontro com você, pois todos nós sabemos que ela tem um caso com o aquele chinês metido que faz faculdade de letras.

 Todos os olhos naquela saleta se voltaram para Chanyeol e a resposta rude que obteve. Ele apenas abaixou a cabeça e fingiu não ter se importado. Que Park Chanyeol ama Baekhyun, a maioria sabe, até ela tem o devido conhecimento sobre isso, mas se faz de desentendida em relação ao assunto e o evita. No entanto, ninguém sabe os motivos. Ao menos é o que ouço meu irmão dizer em relação a eles.

Qual é a do espetáculo?  — eu, que até então me mantive calado, finalmente abri a boca. Eles se espantaram, sequer notaram minha presença antes de eu começar a falar. Não que eu me importe muito com isso, acho que me assemelho a um fantasma em alguns momentos.

 — Ah, Minseok, aí está você.  — Baekhyun aproximou-se de mim, cumprimentando-me com um abraço caloroso. A última — e primeira — vez que nos vimos fora apenas na festa de Yixing, mas a menina tratou-me como se fossemos amigos de longa data. Falava sobre tudo: sobre o clima, sobre a atuação de meu irmão ser horrível e até mesmo sobre os gatos persas da vizinha que comeram seu jantar quando ela deixou as janelas abertas. Pensei que a garota falava muito porque estava bêbada, mas engano meu, Byun Baekhyun é uma verdadeira tagarela, a culpa não é do álcool e sim de sua personalidade extravagante.

 — Seu irmão é ridículo, não é?  — ela gargalhava com mais uma tentativa dele de recitar um monólogo.

 — Não é como se eu tivesse descoberto só agora.  — Concordei apenas para irritar Jun um pouco mais, talvez se eu dissesse mais alguma coisa não iria precisar mais de sangue falso, ele usaria meu sangue para se apresentar durante o festival de primavera que a escola realizava todos os anos. Mas valia a pena, era sempre bom provocar Junmyeon.

 — Cale-se, seu nanico. — Me xingou indignado.

 — Mas você é tão baixo quanto Minseok. Quero dizer, só na altura mesmo. Porque se for no quesito falta de dignidade ninguém é mais baixo ao ponto de te vencer.  — dessa vez, fora Chanyeol quem mexeu com sua moral.

Tadinho do meu irmão, ninguém queria deixá-lo em paz hoje. Não posso mentir, estou divertindo com isso.

Depois de conversar um pouco mais com eles, retornei para o meu quarto. Estava com vontade de ficar sozinho, lendo algum romance gótico sobre vampiros e outras criaturas da noite. Agrada-me a alma estar em companhia com pessoas que eu gosto, mas nada me deixa mais relaxado do que estar sozinho trancafiado no quarto, fazendo o que eu gosto, curtindo minha própria presença. Ás vezes eu me esqueço de quem sou quando estou no meio dos outros. Ficar sozinho é um tanto terapêutico para mim. Mesmo que eu esteja com pessoas boas, meu coração aperta-se um pouco, as energias alheias me enfraquecem em alguns momentos.

Ah... Nada como dançar sozinho no meio de uma bagunça. Ninguém pra atrapalhar, a não ser a minha própria mente e os pensamentos ruins que a rodeiam de vez em quando. Mas hoje eu só conseguia pensar em Jongdae, em quando iria encontrá-lo. A felicidade bate em meu peito ao pensar no quão próxima é a possibilidade, mas entro em um pequeno pânico mental quando sei que ele pode vir a qualquer momento. Eu o quero por perto, mas os sentimentos que estouram dentro de mim ainda me assustam bastante.

Estava tão entretido com meus próprios pensamentos intensos que só percebi Junmyeon me observando porque o ouvi fazer ruídos na porta para que chamasse minha atenção. Gotículas de água respingavam-se de sua cabeça e suas roupas estavam limpas e trocadas, indicando que ele havia acabado de tomar uma ducha.

 — Pois não?  — proferi em voz baixa, deixando transparecer uma falsa exasperação — se não percebe estou um tanto ocupado no momento.

Automaticamente, sua testa enrugou-se e um bico formou-se nos lábios dele.
 É tão legal irritar Junmyeon.

 — Ocupado com o quê?  — Era bem visível a vontade que ele tinha de apertar meu pescoço e me estrangular — Você estava dançando e se o conheço bem, perdia-se nos pensamentos loucos e confusos que te rondam a cabeça.

A fúria do caçula deve-se ao fato de que por mais que tentasse sua determinação e força de vontade não era boa o suficiente para que ele atuasse fantasticamente na intenção de vencer o festival. Junmyeon sabia que de acordo com as votações ele venceria, assim como nos anos anteriores, isso era um fato. Afinal de contas é um garoto extremamente bonito e popular, mas estava tornando-se demasiadamente cansativo vencer por popularidade e não pelo seu talento. E ali, encontrava-se ele imerso em sua própria raiva e eu estava disposto a arengar ainda mais com o garoto.

 — Oras, esse é o meu passatempo — disse simplista — Por que está assim tão bravo? É só por que atua mal?  De qualquer modo você sempre vence e mais um troféu vai ficar fazendo companhia aos outros que estão na sua prateleira.

 — Ei, você!  — Quase rosnou entredentes como um cachorro raivoso prestes a atacar alguém. O cortei antes que ele disse mais alguma coisa.

 — Oh, estou brincando com você, não seja bobo. Talvez você não tenha nascido para ser ator, tente outra coisa que se adeque mais contigo. Às vezes é burrice insistir em algo que nunca se tem progresso, seus esforços serão em vão.

 — Não é bem assim, Minseok. Ninguém deve desistir dessa maneira dos seus sonhos só porque não vai bem da maneira que deseja. É importante tentar! Até que o último suspiro de vida seja dado, ainda há chances.  — A firmeza na voz e o ar sério que emanava de seu rosto me deu calafrios.

As palavras dele me pareceram tocantes, eu não sabia que Jun poderia dizer coisas tão profundas, geralmente ele só diz absurdos então fiquei impressionado com o que saiu de sua boca.

 — Tudo bem, mas na minha humilde opinião, você se sai melhor como cantor. Sua voz é tão bonita quanto é doce e tocas violão lindamente.  — Era uma grande verdade, eu costumava ouvi-lo cantando de seu quarto, era algo tão singelo que me fazia parar algo que eu estava fazendo só para ficar admirando-o.

Os olhos castanhos brilharam e um sorriso se acendeu no rosto redondo, parecia reluzente com meus elogios.

 — Obrigada, irmãozinho. Você não sabe o quão feliz fico em saber que está reconhecendo o grande músico que posso vir a me tornar, penso até que estava demorando para que percebesse tal coisa.

 — Você precisa ser assim tão narcisista o tempo inteiro? Desisto de você, Junmyeon.

Sem menos esperar, os braços curtos e atrevidos me envolveram em um abraço quentinho e aconchegante.

 — Já chega, Jun! Me deixe continuar o que eu estava fazendo.  — Desprendi-me dele, empurrando-o de leve.

Seus pés arrastaram-se pelo piso de madeira, causando um rangido baixo.  Olhou para trás e me observou detalhadamente como se me filmasse. Num único tom de voz com uma fina e curta arrogância, declamou:

 — Insensível.

00h02

É tão melancólico me submergir no silêncio soturno do meu quarto. Confesso ser um tanto quanto pavoroso ficar nesse lugar. Apesar de dormir e conviver assim todos os dias, jamais me acostumei completamente com o ambiente hediondo, especialmente durante a noite. E essa é uma das principais razões pelas quais eu permaneço acordado durante a madrugada enquanto ouço meu programa de rádio favorito.

A solidão noturna é assustadora.

Mas de qualquer modo, ouvir a voz de Donghae acalmava-me os nervos.

 

Donghae: Boa noite, Portifálio! Ansiosos para mais um A Hora Da Aurora Dinâmica? Espero que sim, meus caros. Mas antes de tudo, há uma importantíssima pergunta. Se Aurora é geralmente significativa em relação ao inicio da manhã, quando o sol está nascendo, por que o programa tem esse nome sendo que dar-se começo após a meia noite? Quero bons palpites, pessoal!

Seulgi: Olá, ouvintes e Donghae, boa madrugada a todos.

Donghae: Quem está falando?

Seulgi: Sou eu, Kang Seulgi, a garota dos doces.

Donghae: Oh, minha querida! Senti sua falta, há dias que não nos mostra sua ilustre presença, admito que eu estava um pouco preocupado.  Mas então, sabe responder minha pergunta?

Seulgi: Claro que sim!

Donghae: Pois então me diga, estou ansioso para ouvir sua resposta.

Seulgi: Bom, Aurora não quer dizer apenas “a claridade que vem pouco antes no nascer do sol”. Por ser uma palavra ambígua, aurora pode significar começo. O começo de qualquer coisa. Nesse caso, dinâmica sugere a ideia de um movimento por algum tipo de evolução. Para concluir, podemos dizer que o significado total é que Aurora é quando você começa o programa e dinâmica é nos fazer evoluir por dentro com seus conselhos e algumas histórias dos ouvintes.

Donghae: Confesso que estou impressionado, você explicou mais brilhantemente do que imaginei. Isso foi profundo. Muito obrigado pelas inteligentes palavras, Seulgi. Está correto!

Seulgi: Modéstia parte, digamos que sou uma amante da etimologia. Gosto muito de estudar sobre a origem e o significado das palavras. Então não foi tão difícil, meu caro Donghae.

Donghae: Parabéns, garota. Qual música irá pedir para iniciarmos de vez esse programa?

Seulgi: Alguma do Pink Floyd. Essa banda me remete aos meus tempos de infância, sempre me faz lembrar do meu primeiro amor.

Donghae: Ah, não quero ser enxerido, mas por acaso estaria dedicando essa música ao seu primeiro amor?

Seulgi: Oh, talvez.

Donghae: Mas antes de tocar, eu gostaria de conversar com mais alguém que está na linha.

Um chiado alto invade a linha telefônica transmitida através do rádio e a sensação sonora era  a de que alguém estaria dando sopros no telefone. Logo após o barulho, uma voz grossa, semelhante a de alguém que fumou por vários anos é ouvida por todos. Com certeza era Chester, o ouvinte chato que liga quase todas as noites, tem mania de interromper as pessoas ou fazer pouco de algumas situações que ocorrem com outros ouvintes.

Chester: Olá para todos.

Donghae: Olá, Chester, como está?

Chester: Tirando os males de velho, estou ótimo.

Donghae: Ainda com dores nas costas? Que péssimo. Qual o motivo de sua ilustre ligação? Os chiados chamaram bastante atenção, acho que alguns de nossos amigos devem ter ficado um tanto assustados, assim como em quase todas as vezes que você liga.

Chester: Dessa vez, gostaria de desabafar, contar as coisas tristes que me machucam nesta monótona e triste madrugada estrelada. É tão solitário trabalhar como segurança noturno em uma escola de Ensino Médio. Bom, mas talvez fosse pior; talvez eu trabalhasse num período diurno, assim teria que aguentar aqueles adolescentes chatos e pestilentos.

Donghae: Não posso dizer para não sentir-se assim, porque controlar sentimentos não é lá muito possível, ainda mais quando estes são de tristeza e melancolia. Mas conte-me exatamente o que te deixa aflito. Sou todo ouvidos.

Chester: As coisas têm sido terríveis desde que minha única filha tirou sua própria vida aos 16 anos. Minha esposa sempre foi doente, sofria de problemas no coração e veio a falecer alguns meses depois após a tragédia. Meus pais não são mais vivos, meus irmãos moram longe e a única companhia que tenho são as estrelas, você e os nossos ouvintes. Eu sei que perturbo-os um pouco mas é para ganhar atenção, pois quando eu ligava docemente usando outro apelido que me recuso a dizer no momento, as pessoas não me notavam muito.

Donghae: Oh, Chester, eu jamais imaginaria que algo assim estivesse acontecendo dentro de você. É um grande ato de bravura e coragem expor tristezas e fraquezas a várias pessoas. Entendo que dias e noites solitárias podem ser tão complicados, mas não desanime assim, saiba que você tem a nós, jamais deixaríamos você desamparado.

Chester: Ah, agradeço pelo carinho, mas não há muito que possam fazer por mim de qualquer modo. Mas já me sinto mais realizado se conseguir um pouco de companhia.

Chester tornou a contar mais detalhes sobre sua triste história de vida. Confesso ter me sensibilizado, também me sinto muito sozinho, mas apesar de tudo tenho Junmyeon, já Chester não tem ninguém por ele, nem que seja para perturbá-lo um pouco com bobagens. A música pedida por Seulgi foi tocada, eu apenas aproveitei o instrumental calmo e lírico de How I Whish You Were Here. Meu coração aqueceu-se um pouco, eu costumava pensar em meu pai sempre que a escutava. Sequer o conheci direito, mas tenho uma vaga lembrança de seu rosto fino e pálido, há uma pequena foto 3x4 dele escondida em minha cômoda velha, seus olhos têm formatos de amêndoas assim como os meus, porém, possuintes de um forte tom de azul turquesa.

Lembro de mamãe dizer que ele sumiu logo depois que minhas íris tomaram a pigmentação que têm hoje. Isso só fortalece a minha especulação de que esta é a razão pela qual  ela me odeia. Pelas conversas que já ouvi, papai costumava ser um homem de negócios bem influente, mas abandonara tudo por causa de uma mulher que apareceu em sua vida. Deixando minha mãe desamparada com um bebê de um ano para criar sozinha. Não muito depois, conhece Yesung, com quem se casa e tem mais um filho, Junmyeon. Sendo assim, sua vida já não se torna mais tão miserável e é nessa parte onde se inicia o meu drama: ela passa a reafirmar com mais convicção que sou um bruxo, ou fruto de uma maldição e por muitas vezes acabei por acreditar em tais dizeres. Talvez, se meu pai estivesse aqui, essas coisas não estariam ocorrendo. Talvez eu não precisasse me enrustir tendo minha existência apagada da humanidade, amarrotada pela mentira fajuta de que estou morando no exterior; poderia viver como qualquer adolescente normal em minha idade.

Ódio e saudade faziam meu peito arder ao mesmo tempo.

 

Uma voz delicada e bonita preenche os meus ouvidos, tão bela que me fazia querer perder o ar. Me sentia familiarizado com ela. Esse ouvinte eu já conhecia, sem nem fazer questão de esconder a grande admiração que tenho por ele. Chen está sempre contando estórias mirabolantes e inventando contos, frequentemente manda demos com composições de músicas autorais para a rádio, muitas vezes executadas por Donghae no programa.  E também, como a maioria dos ouvintes, reclama um pouco da vida que leva. Afinal, todos temos do que reclamar, nem que seja da cárie que ainda não foi obturada e dói pra caramba! Ou então sobre o barulho insuportável causado pelos saltos agulhas daquela sua tia, que te impede de se concentrar em uma boa leitura, fazendo-o sair do sentido.

Me senti tão possuído pela melodia daquela canção tão linda. Eu sou um grande fã de Chen, gostaria de conhecer o rosto que se esconde por trás das ondas sonoras que são transmitidas pelo rádio.

 

Sinto sua falta, meu amor. É o destino

É inevitável. Todo dia eu sou tão sortudo

Eu quero confessar os sentimentos que eu ocultei

Eu amo você

 

Os meus lábios tremem. O coração está acelerado

Você é o meu amor

Eu sei que isto é amor

Eu sou feliz por você estar aqui

Isso é amor

Todo dia eu sonho.estar segurando suas mãos e voando eternamente.

 

Os meus lábios tremem. O coração está acelerado

Você é o meu amor.eu sei que isto é amor.

Eu sou feliz por você estar aqui. Isso é amor

Todo dia eu sonho estar segurando suas mãos e voando eternamente

 

Eu estou a dizer que te amo com todo o meu ser

E prometo que eu cuidarei de você.

Mesmo que o tempo passe, que tudo mude.

Mesmo que o mundo acabe, meu amor.

 

Você é a minha sorte. É algo inevitável.todo dia eu sou tão sortudo.

Eu quero confessar os meus sentimentos ocultos

Eu amo você.

Chen — Best Luck

Me senti tão emocionado com a letra. Era uma das músicas novas que ele enviara até as mãos de Donghae essa semana. Uma pena que Chen alegue ser tão tímido. Seria gratificante vê-lo crescendo como um grande artista, mostrando seu talento admirável.  Acho que seguirei alguns de meus dias apoiando em segredo um artista anônimo.

Donghae: Como sempre, Chen nos trás mais uma de suas músicas espetaculares. Me atrevo a admitir que fiquei arrepiado. Conte-nos, Chen! Foi escrita para alguém especial?

Chen: Oh, sim. E essa pessoa ouve sempre ao programa, mas duvido muito que tenha percebido as indiretas. Best Luck foi escrita faz algum tempo, portanto não tenho mais os mesmos pensamentos sobre quem me inspirou a escrever.

Donghae: Essa é uma revelação interessante. Uau!  Irei adicionar mais alguém na linha, alguém que apesar de novo na cidade está se tornando um grande apreciador de suas canções.

Luhan: Boa noite pessoal e olá, Chen, gostaria que falasse mais sobre a pessoa que te inspirou a escrever essa composição.

Chen: Bom, não há muito o que falar, tudo o que eu tinha pra dizer fora dito em Best Luck.

Sua voz soara grossa, eu poderia imaginar o rosto desconhecido ficando apático. (Eu tenho tanta curiosidade em saber como ele é.) Me pergunto se a pessoa que serviu de inspiração para Chen tinha o magoado, ele havia sido tão grosseiro e hostil. Muito diferente do habitual.

Um zumbido alto é dado,

O telefone havia sido desligado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E até o próximo capítulo <3
Prometo que dessa vez não vai demorar tanto.

- DeboraSmiles


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