História Vir-a-ser - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Não gente, desculpa mas n tá em primeira pessoa n Kkkkkk sei q vcs quase n lêem as notas, ent vamos nas notas finais ok

AAHHH, A MÚSICA DO CAPÍTULO ESTÁ NAS NOTAS FINAIS. Inclusive, a fanfic foi basicamente inspirada nela e em outros acontecimentos pessoais. Acho q me apeguei em postar em fandom floppado mas vamo lá KKKKKK ❤️

⚠️ ALERTA⚠️

→ Contém spoilers.
→ Relação homoafetiva.

Se você não viu o anime ou leu o mangá e não se sente confortável com as abordagens (seja a primeira ou segunda) por favor, não prossiga com a leitura.

Capítulo 1 - Devir


Fanfic / Fanfiction Vir-a-ser - Capítulo 1 - Devir

“Trata-se de instabilidade, símbolo da eterna agitação do devir; O fogo eterno e vivo, que ora se acende e ora se apaga.”

— Heráclito de Éfeso.

Devir.

Capítulo I, Único.

O sol iluminava o dia, criando poucos traços alaranjados sem nenhum rumo certeiro. Portanto, a mesma estrela que despojava suas cores no azul claro de um céu límpido, também fazia com que os olhos de Ash brilhassem ainda mais em sua direção. O verde encantador de íris amareladas focavam fixamente em si. Eles faziam com que Eiji lembrasse do jardim de sua mãe quando menor. Analisava atentamente o sorriso que o loiro sustentava em seus lábios. Soube que, assim como ele, sorria com uma felicidade genuína, admirando-se em silêncio.

Naquela noite em específico, ou dia, o japonês podia fechar seus olhos por longos momentos e ao mesmo tempo ouvir cada balançar das folhas. O vento batia em sua face, inquietando-o e lhe transmitindo a mesma paz que não sentia há tempos. Talvez seja porque ele está aqui. Seu coração — apaixonado e estúpido —, mal podia lidar com a ansiedade de ouvir sua voz, fazendo com que aquele sentimento prevalecesse e se fixasse, desbrochando como as flores de Sakura em plena primavera.

Conversa vem, conversa vai. A calma vinha como uma intrusa em seu coração, que fazia questão de entrar sem bater, não tardando em arrombar-lhe a porta.

— Eu não acredito que você fez isso! — Ash zombou, dando uma breve pausa para se entregar a um riso alto. Sua voz continuava da mesma forma que Eiji podia lembrar. Os fios loiros moviam-se a cada balançar dado, tornando-o ainda mais encantador aos olhos ônix do mais velho. — Por que você não bateu nele? Tá ficando molenga, hein.

Era como um sonho sentir aquela felicidade ao ouvi-lo sendo ele mesmo. O sorriso que brotava em seus lábios não queria sumir de forma alguma. Era o dia mais feliz da sua vida.

— E-Eu não podia — respondeu tímido, desviando o olhar ao sentir suas bochechas arderem em vergonha. Sempre ficava assim ao conversar com ele, isso também não mudou. O coração do japonês bombeava o sangue aceleradamente, sem saber se aquele sentimento era a ansiedade ou a surpresa por vê-lo outra vez. A brisa fria bateu por ali consecutivamente. Ouvindo o riso divertido de Ash, ele fecha seus olhos e sente o ar gélido refrescá-lo de novo. E de novo.

Era sempre tão bom conversar com o homem loiro ao seu lado.

Estavam em um local que, particularmente, Eiji não conhecia. Um jardim. Um jardim extenso e calmo, sem mais ninguém que não eles. Haviam lírios, tulipas, orquídeas, girassóis, rosas brancas, vermelhas, azuis, amareladas, e por todas as cores que o asiático nem achava ter. Eram várias tonalidades que se misturavam. Várias espécies que nunca viu. Magníficas e fascinantes.

Tudo ali era acolhedor. Fosse a cachoeira rasa logo a frente, que jogava suas águas ondulando-as e fazendo com que se chocassem majestosamente no rio límpido e cheio de peixes. Plantações por todas as partes; árvores de vários verdes diferentes e intrigantes, do mais claro, mediano e escuro. E também o cantar dos pássaros.

 

Esse lugar é tão lindo que pareciam estar no paraíso.

 

— Ei, está me ouvindo? — o loiro questiona tombando a cabeça para o lado. Ele o encarava com certo divertimento e algo além do brilho daqueles olhos. — Tinha que ser... você e essa sua cabeça oca.

— Ei! Não fale isso... — Eiji nega freneticamente com as mãos, inconformado. Ash sempre aproveitava todos os tipos de oportunidades para importuná-lo. — Apenas estou feliz em te ver, quer dizer, já faz tanto tempo... e...eu nem... eu nem sei, nem parece real.

— Nem me diga, eu sempre acompanho as cagadas que você faz. Todos os dias, tipo quando você estava trabalhando. Eu te disse, “EI, não é assim. Tira a cabeça das nuvens e faça essa porcaria direito!”

— Você diz? Ai, meu Deus, não acredito... — o japonês ri cobrindo sua face. Sabia que o maior o encarava com aquele semblante convencido que combinava muito bem consigo. — Quando isso?!

— Como consegue ser ingênuo? Eu digo uma, duas, três vezes, mas você ouve? Claro que não.

— Hã, Hã! — balançou a cabeça para os lados, negando sucessivamente com um sorriso ainda maior em seus lábios. — Não diz não! Mentiroso!

— Eu? Mentiroso? — Ash riu outra vez, deitando na grama e cruzando as mãos atrás da cabeça, usando-as de travesseiro. Parecia tão reflexivo quanto o japonês. Talvez um pouco arrependido por ter confessado tudo tão descaradamente. — Por que eu mentiria, huh?

— Olha, eu não sei — o moreno deitou ao seu lado, virando-se e encarando-o mais uma vez. Os dois se observavam com aquele sorriso bobo que insistia em ficar por ali. O momento tornou-se nada mais que o som de suas respirações. E se fizessem um pouco mais de esforço, podiam ouvir o som dos batimentos acelerados um do outro.

Era impossível controlar o que diria perto dele já que as coisas simplesmente fluíam.

— Como pode me provar que isso tudo é verdade, que você é real? — Eiji indaga, olhando-o de forma divertida. Torcia aos céus para que Ash não visse o amor que transbordava de seus olhos. O amor contido que vinha sentido por ele há um bom tempo.

— Ai, ai. Me dá a sua mão.

Desconfiado, ergueu-a vagarosamente e pôs sua mão em frente ao outro. Ash, por sua vez, fez o mesmo movimento e entrelaçou seus dedos. Um pôde sentir o calor do outro, o toque. E acima de tudo, o sentimento que aflorou ao entrelaçarem-nos. Não dava para esconder a intensidade que vinha dentro de si. Era demais. Olhá-lo era demais, porque sabia que se sentia tão apaixonado ao ponto de ficar idiota. Sorrir sem motivo. Querer fazer de tudo para que o outro sorria. Era demais.

— Viu? Para de ser desconfiado, eu tô contigo nessa — disse ele, tirando os olhos esverdeados de seus dígitos e encarando novamente os orbes escuros.  Ainda mais intenso. Emotivo. Pesaroso. E, acima de tudo, afeiçoado.

— Vai estar lá para me ajudar a consertar as besteiras que eu fizer? — o sorriso do japonês aumentou após lançar sua questão, fazendo com que encarasse o rosto de traços delicados e fechasse seus olhos por um bom tempo.

— Ah, que dor de cabeça você me dá... acho que vou pensar no seu caso... ai! — Exclamou ao receber um tapa sutil de Eiji, rindo ainda mais e mordendo o dedo do garoto levemente. Mesmo que não tivesse machucado, fazia o possível para ter com o que implicar. — Brincadeira, brincadeira. Uau, você sempre foi abusado assim ou aprendeu comigo?

— Ash...! — riu consigo, respirando fundo o ar fresco daquele ambiente. Massageou as costas da mão de seu amor, mergulhando de cabeça nas boas sensações que afloraram. Era tão bom. Sentia que aqueles sentimentos prolongariam-se por uma vida, onde tudo que mais deseja é estar ao lado do homem com um sorriso encantador. O cheiro de Ash mesclava-se com café e misturava-se com o doce das flores. Queria poder senti-los sempre. E sempre.

— Mas eu falo sério — o loiro prossegue, — sempre estou ao seu lado, mesmo que você não perceba. — Antes que o momento se tornasse ainda mais nostálgico e melancólico, ele fez questão de soltar mais uma frase constrangedora. — Sei que você morre de amores por mim. Eu também o faria se fosse você, quer dizer, eu sou incrível.

— E você sempre foi assim abusado? — devolveu a pergunta e em sequência, inspirou fundo com seus olhos fechados. O toque em suas mãos sumiu e pôde ouvir o outro se mover. Ficou curioso em relação ao que Ash faria. Seu interior se agitou completamente, cheio de expectativas.

Até que sentiu um beijo suave ser depositado em sua testa. Tão singelo que parecia que o outro fazia de tudo para não quebrá-lo. Abriu seus lábios para dizer algo, feliz, entretanto não abriu seus olhos. Sentiu o toque gostoso em seu cabelo causando-lhe um arrepio. Depois, o beijo foi direcionado à sua bochecha. Aumentou seu sorriso.

— Isso faz cócegas — comenta ainda mais apaixonado ao apreciar os beijos calorosos que recebia.

— Tem alguém reclamando?

Eiji soltou uma risada infantil; alta e gostosa. Negou com a cabeça e continuou com o sorriso estampado em sua boca. O próximo selar veio em seu queixo, maçã do rosto, ponta do nariz. O sorriso lhe derreteu ainda mais. Era como se seu corpo fosse invadido completamente por altas dosagens de serotonina.

Os dígitos do Lynx acariciaram sua face, suaves e cuidadosos.

O último beijo e o mais esperado veio. Um beijo em seus lábios, com todos os sentimentos que sabiam que não haveria como reprimir. E tudo veio, como as águas de uma barragem destroçada. O contato macio anestesiou toda sua estrutura, fazendo com que tudo que sentia por ele triplicasse. Com seu coração ainda mais acelerado — se era possível, — desfrutou de todo e qualquer toque. O formigamento em seu corpo marcou presença. Também um singelo curvar inevitável de seus lábios num insistente riso. Tocou os cabelos loiros com seus dedos trêmulos, impressionando-se com a maciez do próprio.

Mas era um adeus; Então ouviu.

— Eu amo você — a voz sempre convencida mostrou-se embargada. Em seguida, Ash riu. As lágrimas dele pingaram nas bochechas de Eiji. O japonês queria segurá-lo, perguntar se iria ficar tudo bem. Para onde ia, por quê. E inclusive respondê-lo que era recíproco

Sentia-se feliz. Estava tudo bem. Ele ainda notava o calor do Lynx, seu toque, seu amor.

 

 

Abriu seus olhos na esperança de vê-lo, contudo, se deparou com o teto branco de seu quarto. Era um sonho. Apenas um sonho.

 

É claro. A primavera acabou. As flores caíram. Faziam dois anos que Ash não estava mais lá.

 

Moveu suas mãos e não sentiu mais a grama do lindo jardim, do paraíso. Apenas o toque macio de sua cama. Piscou frustrado. Todo o amor presente voltou a se tornar o vazio que lhe acompanhava todos os dias. Notou que seu travesseiro estava ensopado. A verdade era dura demais. Aquilo era torturante demais. As grossas lágrimas escapavam de seus cílios e molhavam mais seu travesseiro, fazendo-o ceder a um choro silencioso. Ainda assim, um sorriso extremamente feliz estampava-se ali.

Seus dígitos foram de encontro aos seus lábios, tocando-os e fechando seus olhos novamenete. Ainda dava para sentir seu beijo. Ouvir sua voz. Senti-lo, amá-lo. Outra vez. Mais uma vez. Embora façam dois anos, ainda lembrava-se perfeitamente de seu primeiro, último e imutável amor.

 

Alguém que sempre estaria vivo, pelo menos em seus sonhos...


Notas Finais


Música do capítulo:
https://youtu.be/a8mSi9Bm0cM

A tradução condiz muitíssimo.

🌺🌺🌺🌺🌺🌺🌺🌺🌺

hehehehehe. OK bora ser sinceraça aq. Esse plot tava na minha cabeça há mó tempão por causa de uma música, só q eu n sabia se valia a pena escrever pq porra, a vida fazendo nada e lendo é tão gostosinha. Finalmente tomei coragem e abri a pasta com a fanfic pra revisar todos os errinhos e postar de uma vez pra n ficar lá pegando poeira KKKKkkk amo fazer ones curtinhas assim. Mas sempre tô naquela de PORRA DÁ PRA FAZER BEM MAIS HEIN aí no fim me fodo com 7k pra revisar :’( Sá vida de gaiteiro n é fácil.

A KKKKK AOS filósofos de plantão (meus amores❤️) sei que vocês perceberam muitas referências ao Heráclito, até pq já pensei logo nele pra essa one. Ele diz q tudo é uma questão de tempo, vir-a-ser. Tudo flui. Tudo muda. E foi realmente o que eu BUSQUEI nessa estória. O fato de que o amor não mudou, as coisas não mudaram, os fatos n mudaram em momento algum. E a contradição na parte em que o amor é eterno, porque ele diz que tudo está em processo de mutação; logo, um final alterado e definitivo. Mas aí a parte principal; no fim das contas, realmente mudou. Tudo mudou ao mesmo tempo em que está intocável. Eiji não é mais mesmo pq já se passaram dias e ele tem novas experiências, uma nova vida. E referências soltas que dá pra notar. O título, a capa, a própria frase no começo. Por aí vamo.

OBRIGADA POR LER NENÊ ❤️❤️❤️❤️ ESPERO REAL Q TENHA GOSTADO E DESCULPA POR DIGITAR TANTO NAS NOTAS KKKKK


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...