História Virando Cecile - Capítulo 29


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Categorias Amor Doce
Personagens Agatha, Alexy, Armin, Castiel, Dakota, Kentin, Leigh, Lysandre, Nina, Personagens Originais, Rosalya
Tags Investigação, Lysandre, Romance
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Palavras 3.046
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Hentai, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tudo pronto para um dos momentos mais pesados da fic?? Respira fundo, segura firme e... Vai kkkkkkkkk

Capítulo 29 - Céus, o sangue...


Caminhei decidida em direção à mesa de quem só poderia ser Mano, mas fui parada por uma figura que se colocou em minha frente, segurando meu pulso.

– Me ajuda a retocar a maquiagem? – disse a mulher cujo movimento do quadril eu havia imitado. Ela era alta e magra o suficiente para parecer uma modelo.

Franzi o cenho para ela, tentando decifrar as cores que a rondavam. Ela parecia... Preocupada? Com o quê? Levantei o olhar para os seus olhos, lendo os pensamentos que se projetavam através deles. No momento, ela estava um tanto impaciente.

Assenti, com a certeza de que ela era inofensiva, e a segui até o banheiro.

– O que te trouxe aqui? – ela perguntou assim que as portas duplas se fecharam atrás de nós, abafando a música eletrônica do lado de fora.

Ela deixou a bolsa de paetês dourados sobre a extensa pia coletiva e se inclinou em direção ao espelho, verificando todo o seu rosto e os cabelos castanhos presos em um penteado espetado.

– Não precisa ser tímida, todo mundo sabe que é pelo dinheiro – ela sorriu de forma simpática, retirando um batom da bolsa e o aplicando nos lábios em seguida.

– Faculdade – respondi, tentando entender onde aquilo ia levar.

– Sério? Eu também – ela reagiu com entusiasmo. – Psicologia – ela disse, apontando para o próprio peito, depois virou o dedo em minha direção.

– Letras – eu disse, aproveitando para me olhar no espelho também. A peruca estava no lugar, a maquiagem ainda parecia fresca.

– Olha, eu sei que às vezes é difícil bater a meta – ela dizia enquanto ainda retocava a maquiagem, agora usando rímel. – É esperta em tentar um cara sem concorrência, mas aquele lugar está vazio por um motivo, entende?

Sim, eu havia pensado nisso. Mas como não havia visto nada suspeito a respeito, acabei descartando o tal motivo.

– Eu nem deveria estar te contado isso – ela deu de ombros. – Quanto menos gente melhor, sabe? Nada pessoal – ela então deixou suas coisas sobre a pia e se virou para mim. – Mas eu não chegaria perto daquele cara se fosse você... Todas as garotas que tentaram nunca mais apareceram.

– Tem certeza? – perguntei, franzindo o cenho. Parecia tão irreal.

– Olha, você que sabe – ela recolheu seus objetos espalhados. – Está avisada, o problema não é meu – ela então saiu, passando por mim como se nunca tivesse me visto antes na vida.

– Obrigada – consegui dizer antes que ela saísse.

Eu não sabia o que pensar sobre aquilo, mas sabia que me aproximar dele era a única forma de eu conseguir mais informações. Tomar o corpo de alguém estava fora de cogitação, ainda mais em um lugar lotado como esse... Ia chamar atenção demais e eu não teria como vigiar meu corpo caso ligassem para a emergência.

Tentei pensar em outras opções, mas nada me vinha à cabeça. Talvez eu devesse arriscar? Eu tinha minhas habilidades, poderia perceber se alguém quisesse me ferir antes de se aproximar demais, desde que estivesse em meu campo de visão... Ah, céus. E agora?

Eu poderia flertar com ele, descobrir o máximo possível e então fugir antes que ele cogitasse fazer alguma coisa comigo.

Respirei fundo e voltei para o frenesi de luzes e cores. Caminhei direto até a mesa daquele homem que todos pareciam respeitar, apenas então percebendo o que a iluminação azul não me permitiu ver. Além da bengala, ele usava óculos escuro, em plena noite.

Era cego.

Se o universo enviava uma luz sobre qual caminho seguir, eu deveria escutar. Deveria dar meia volta e me dedicar às coisas que uma garota de 17 anos se dedicaria. Mas não. Eu não era tão inteligente.

– Tem medo de um homem cego? – ele riu, encarando o nada a sua frente. Era verdade que eu estava ali, de pé, há mais tempo que o normal de um ambiente como aquele. Mas ainda assim... Como ele sabia?

O lugar a sua frente, do outro lado da mesa, agora estava desocupado. Ele estava completamente sozinho ali. Não poderia ter me ouvido, não com a música eletrônica alta tocando no fundo. Como?

Eu sequer podia tentar descobrir. Qualquer janela para sua mente estava permanentemente fechada.

Mas eu não precisava da mente dele. Eu poderia facilmente alcançar os pensamentos de qualquer outra pessoa que se juntasse à mesa.

– Apenas estava me perguntando o motivo de um homem bonito como você estar sozinho – usei o fundo da garganta para falar, deixando minha voz mais grave, mais intensa. Sentei-me ao seu lado e passei minha mão por seu braço, da mesma forma que havia aprendido minutos mais cedo.

Apesar de ele ser cego, não deixei de formular meus músculos faciais naquela expressão provocante que havia visto. Ele não podia ver, mas as pessoas ao redor podiam. Eu não precisava de ninguém suspeitando de mim.

Ele tirou uma das mãos da bengala e tateou o caminho até minha coxa. Resisti à vontade de me desvencilhar do toque, repetindo para mim mesma que aquilo não era eu, era quem eu precisava ser.

Seu toque subiu para meu quadril, acompanhando a curva de minha cintura e então alcançando meus seios. Forcei-me a soltar uma daquelas risadinhas enquanto ele sentia minhas curvas.

– Aceita uma bebida? – ele sorriu, satisfeito, voltando a descansar sua mão sobre a bengala.

– Tem alguma sugestão? – aproximei-me o suficiente para que ele sentisse minha respiração em sua orelha. Acariciei seu braço com os nós dos dedos.

Com um estalo de dedos, um dos homens que eu julgava ser guarda costas se aproximou, atendendo ao pedido de Mano – como pude ver no breve instante em que olhou em minha direção. Gravava meu rosto. A regra que a garota recitou para mim no banheiro se repetiu pelos olhos dele.

– Seu cabelo está ótimo – cumprimentou um homem, aproximando-se da mesa. Seu sorriso era amistoso apesar de sua áurea temerosa. Todos pareciam ser cautelosos com Mano.

– Que bom que está por aqui – ele respondeu, passando o braço por trás de meus ombros, apoiando sua mão na curva do meu quadril, e então puxando-me para mais perto.

Suas cores me diziam o quanto ele gostava de poder e o quanto ter uma mulher ao seu lado ajudava a sustentar essa imagem. Agarrei a oportunidade e entrei no jogo. Satisfiz seu ego com elogios sussurrados e carícias em seu peito, tudo enquanto prestava atenção ao que estava sendo dito.

Aquilo funcionava como uma coleta de relatórios. Um a um os homens se sentavam em nossa frente e contavam os detalhes das últimas tarefas a que foram atribuídos. Alguns recebiam novas ordens, outros eram apenas dispensados.

No meio disso, percebi um pequeno ponto de escuta em sua orelha esquerda, do outro lado de onde eu estava. Talvez fosse esse o método que ele tinha de saber quando alguém se aproximava, e quem se aproximava. Poderia ser qualquer um do outro lado daquela linha de escuta.

Talvez um dos guarda costas.

– Mandou me chamar? – travei a mandíbula quando ouvi a voz de Finitore, mas continuei meu teatro.

– Você confirma a traição de Guidare? – ele foi direto.

Levei uma mão até a nuca de Mano, acariciando os cachos de caramelo enquanto pressionava meus seios contra suas costelas. Tudo isso para que ele permitisse que eu ficasse também para essa conversa.

– Por que precisa ser eu? – ele era o único que ousava ser indolente com Mano.

Virei-me para olhá-lo, descobrir o motivo de sua coragem. Havia arrogância ao seu redor, uma áurea de poder que ele parecia gostar de ostentar. Ele parecia ter a proteção de Sigaro.

Finitore aparentemente era seu melhor executor.

– Você esteve com ele na busca pela garota – meu coração errou uma batida com aquela declaração, mas não me deixei distrair.

– Depois ele disse que era um cara – ele disse, risonho. – Não sei o que ele tinha na cabeça quando me convenceu a ir para aquela floresta. Em um instante eu estava no carro, no outro eu estava na porra do mato – ele parecia se divertir com a própria raiva. – O que ele fez nesse meio tempo, não faço ideia.

– Você não foi o único a prestar queixas sobre o comportamento dele – disse Mano. – Todos os arranjos já foram feitos com Protettore, então gaste o tempo que quiser com seu trabalho.

O prazer antecipado se agitou ao redor de Finitore enquanto ele se levantava. Matar um traidor não era apenas eliminá-lo, era espalhar o recado para os outros.

E Guidare sequer traiu alguém. Aquilo havia sido eu.

Meu coração acelerou em meu peito, o suor brotou frio na palma das minhas mãos. Não era apenas a minha culpa que provocava essa sensação. Era a imagem que o nome Protettore havia invocado na mente de Finitore. O delegado.

Isso explicava como Decker e Lucien nunca conseguiam manter o assassino atrás das grades. A ajuda vinha do lado de dentro, o lugar mais improvável. E pior, se ele descobrisse o envolvimento dos dois nesse caso... Eu não queria imaginar.

– Preciso retocar a maquiagem – eu disse em seu ouvido, tentando disfarçar o tremor em minha voz.

– Espera – ele me apertou contra ele quando fiz menção de sair. – Vou pedir para um dos meus amigos te acompanhar, para te dar maior conforto – ele sorriu com simpatia, mas a ameaça escondida em suas palavras gelou meu sangue. – Uma mulher como você deve ser bastante cobiçada.

– Que gentileza – concentrei em rir, acariciando a linha de sua mandíbula.

Com um gesto do indicador, o guarda costas mais próximo se prostrou ao meu lado, esperando. Avaliei as cores, tentando perceber se estava ou não em perigo, mas não havia qualquer hostilidade aparente além da desconfiança.

Afinal, não se podia deixar uma estranha ouvir todas aquelas conversas e apenas a deixar ir embora. Isso explicaria os sumiços das mulheres desavisadas, como a outra me contou.

Arrastei-me para fora do couro preto do assento e me levantei. Procurei, pelo canto do olho, por alguma arma, qualquer coisa que pudesse ser nociva. E sim, lá estava. Um revólver preso na calça, coberto pela jaqueta.

Eu me sentia suspensa da realidade, com um vazio enorme no peito. Eu não conseguia lidar com o fato de que eu havia sentenciado um homem a morte, e de maneira tão impulsiva. Mas ainda não era tarde demais, eu ainda podia...

Um grito alto, agudo, desesperado, mudou as cores do lugar inteiro de forma instantânea. Virei-me por reflexo em direção ao grito, encontrando uma mancha negra tão densa que parecia sugar toda a luz, um buraco vazio e escuro que me causava calafrios na espinha. Precisei desligar minha habilidade para conseguir ver a origem de toda aquela escuridão, mas logo me arrependi.

Uma poça de sangue se espalhava pelo chão, vindo de uma cascata que escorria pela borda da mesa, saindo de um corpo decapitado. Bem ao lado, Finitore estava coberto por sangue, abaixando-se para pegar pelos cabelos a cabeça de Guidare.

Um silêncio mórbido se instalou, como se o tempo houvesse parado e o resto do mundo não existisse. No instante seguinte, pânico.

Os gritos vieram de todas as direções, senti meu corpo ser empurrado em meio à correria que se formou, mas eu mal conseguia sentir meu corpo. Eu havia feito aquilo. A poça de sangue ainda não havia alcançado meus pés, mas eu o sentia viscoso em minhas mãos.

O medo tomou conta, dominando minhas veias com adrenalina gelada. Corri com todas as forças das minhas pernas, empurrando as pessoas que apareciam em meu caminho, tomando a direção da saída de funcionários, onde sabia que teria menos gente.

Procurei pelo homem de olhos azuis na minha vontade desesperada de me sentir segura. E logo o encontrei, sentado no bar, equilibrando um copo entre o polegar e o indicador. Ofereceu-me um sorriso apologético quando me viu, completamente alheio ao pânico ao redor.

Então notei, no breve instante em que trocamos o olhar, um ponto de escuta que combinava com o de Mano em sua orelha.

Um som estrondoso tirou minha atenção do homem no bar no instante em que a pedra negra da mesa que eu tentava ultrapassar lascou. Olhei para trás, forçando minhas pernas para frente, a tempo de ver uma arma apontada em minha direção.

Pulei por cima do obstáculo, sentindo as tiras da sandália rasgarem a pele no meu pé com o esforço, mas isso era o de menos. Eu precisava correr, precisava sobreviver a isso. Salvar minha vida.

Empurrei e acotovelei as pessoas que apareciam na minha frente, abrindo caminho até o corredor estreito pelo qual eu entrara. Virei a cabeça, não conseguindo resistir ao instinto que me enervava por não poder ver o perigo às minhas costas. No momento que meus olhos encontraram o homem, ele ergueu o braço, apontando a arma mais uma vez na minha direção.

Abaixei o tronco, protegendo a cabeça com as mãos, correndo como podia naquela posição, bem a tempo de ouvir outro disparo. Minha respiração travou em minha garganta, esperando a dor, o choque, o sangue... Céus, o sangue...

Afastei a imagem da minha cabeça, não era hora para entrar em choque.

Joguei meu corpo contra a porta quando a alcancei, virando imediatamente em direção às árvores e ao matagal que cercava o terreno. Seria mais fácil me esconder por ali do que arriscar o tumulto da rua.

Escondi-me atrás de uma árvore, tentando segurar minha respiração ruidosa demais. Fechei os olhos, tentando acalmar a agitação em meu corpo, tentando reprimir meus instintos que gritavam para eu continuar me movendo.

Agucei meus ouvidos, tentando localizar a ameaça e não ajudou quando escutei os passos de mais de uma pessoa.

De repente, meu celular começou a tocar em minha carteira, com um som alto demais para qualquer esperança de ter passado despercebido.

Pulei para fora do meu esconderijo quando outro disparo açoitou meus ouvidos. Eu não sentia minhas pernas, todo o meu corpo estava entorpecido, completamente focado em correr e correr e correr.

Peguei o celular na carteira, atendendo a ligação de Decker.

– Passa para o Lucien – eu disse por entre arfadas. Eles precisavam sair de lá, o mais rápido possível.

– Cecile, onde você está? – ela perguntou, alarmada.

– Fica dentro do carro – ordenei, não me importando se ela era mais velha ou da polícia. – Passa o celular para o Lucien, agora!

Os saltos não ajudavam em nada a correr na terra e minha vontade era de arrancá-los juntos com meus próprios pés se fosse necessário, mas mesmo isso me consumiria um tempo precioso demais.

– Cecile? – mesmo a voz dele estava preocupada do outro lado da linha.

– Vocês precisam ir embora – ordenei. – Eles vão matar vocês se os encontrarem aí, ouviu? Por favor, sai daqui. Eu me viro.

Enfiei o celular de volta na carteira, voltando minha total atenção para salvar minha própria vida. O terreno começava a se tornar íngreme e me equilibrar sobre os saltos se tornava cada vez mais difícil.

Todo o som de gritos estava agora longe e as luzes da rua já não eram mais suficientes para iluminar o caminho a minha frente. Saquei mais uma vez meu celular, desligando-o enquanto tentava não tropeçar. Assim que a tela se apagou, joguei meu corpo para o chão, espremendo-o contra a terra, o mais imóvel possível.

Levei minha mão ao rosto, tentando conter minha respiração ofegante, orando para que os batimentos do meu coração não fossem tão altos quanto soavam para meus ouvidos.

Os passos continuaram se aproximando, mas lentos demais. Talvez isso significasse que eles não sabiam onde eu estava.

A luz de uma lanterna passou muito próxima de minha cabeça e eu me encolhi ainda mais no lugar. Eles estavam perto demais agora, eu morreria se me levantasse, não conseguiria nem começar a correr.

Isso não valia a pena.

Passei um tempo imensurável tremendo contra a terra. Eu não me movi mesmo depois que as luzes apontaram para outro lugar, eu não me movi mesmo depois que os passos pareceram se afastar. Pelo o que pareceu ser horas, temi o som da minha própria respiração, temi mover qualquer músculo.

Eles poderiam ter ido embora, mas também poderiam ter se escondido, apenas esperando eu me revelar. Minha vida nunca havia parecido tão pateticamente frágil, tão fácil de ser tomada.

Cigarras começaram a cantar ao longe, o guinchado de morcegos rasgou a noite e nenhum outro som se fez presente. A gritaria, o movimento dos carros, tudo havia desaparecido, como se aquela cena nunca houvesse acontecido. Como se alguém não tivesse acabado de morrer.

Aquela paz mórbida ajudou-me a agarrar a calma por tempo o suficiente para religar meu celular e ligar para Lucien.

– Vocês estão bem? Estão seguros? – minha voz, para a minha surpresa não tremeu. Na verdade, aquele som mal parecia ser meu.

– Sim, estão todos bem – ele confirmou antes de um chiado interromper sua voz, substituindo-a pela de Decker.

– Cadê você? O que aconteceu? – sua voz estava alterada. No fundo, pude discernir Armin perguntando sobre mim.

– Estou bem – garanti. – Descobri que eles recebem ajuda da polícia, do delegado, na verdade.

– Isso é impossível – ela disse, incrédula.

– Eu sei o que eu vi – eu não havia colocado minha vida em risco para ser questionada. – Vocês podem ficar em apuros se descobrirem o envolvimento de vocês no caso. Protettore é o maior trunfo deles, não vão arriscar perder isso.

– Onde você está? Vamos te buscar e conversamos com calma – ela pareceu se acalmar, mas ainda soava preocupada.

– É arriscado demais me buscar – eu disse, já ouvindo a sirene policial ao longe. – Você pode cuidar do Armin por mim?

– Mas e você? O que vai fazer aí sozinha? – ela insistiu.

– Eu vou chamar um Uber e vou pra casa, não se preocupe – eu não sabia porque estava tão calma, tão entorpecida comigo mesma.

– Me liga quando chegar em casa, tudo bem? – ela disse com carinho e desligou assim que concordei.

Esperei as sirenes se aproximarem, a nova comoção se esvair. Esperei por mais uma hora depois que o silêncio da madrugada tomou conta, permitindo-me ouvir os sons da cidade adormecida. Motos turbinadas roncando em algum lugar, sirenes de ambulância ao longe.

O tempo pareceu passar por mim como uma onda do mar aos meus pés, seguindo seu fluxo e deixando-me para trás. Ou talvez fosse apenas eu não conseguindo acompanhar.

Eu podia ter matado Decker.

Eu podia ter matado Lucien.

Eu podia ter matado Armin.

E o homem cujo nome eu não havia feito questão de conhecer...

Matei.


Notas Finais


A boa notícia é que temos pov do Lys no próximo capítulo =/


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