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História Virtude Secreta - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Label


Fanfic / Fanfiction Virtude Secreta - Capítulo 1 - Label

 -Tudo começou quando aquela luz surgiu no céu – disse Maltus ao policial na sua frente.

-Imagino que você esteja falando sobre o incidente de ontem. - O retirou os olhos da pasta na mesa a sua frente e olhou pro jovem do outro lado da mesa com uma das sobrancelhas erguidas.

Frederico Vieira Maltus olhava desesperado o homem careca enquanto um calado senhor de bigode no canto da sala, que ele imaginou que estivesse um cargo acima do policial, analisava a situação. Eles já estavam ali a dez minutos tentando fazê-lo admitir o crime. Após várias tentativas infelizes de tentar tirar as informações dele, os dois resolveram deixá-lo dar a sua versão dos fatos.

-Exato. - disse ele, passando as mãos por seu cabelo vermelho escuro encaracolado. - Ontem a tarde, como eu disse. Uma luz surgiu no céu no meio da cidade, vocês sabem que tá todo mundo falando disso lá fora.

-Sim, nós sabemos – o policial largou uma folha que era aparentemente uma planilha com informações sobre o garoto em cima da mesa, e cruzou os braços olhando direto pra ele. - Aparentemente algum irresponsável fez um experimento com luzes no céu.

Maltus travou por um momento, pensando sobre a informação dita. Ele tinha certeza de que o acontecimento da tarde anterior não havia sido um experimento. Provavelmente uma versão menos estranha do que ocorreu havia sido criada.

-Não, eu acho que não foi isso que aconteceu. Eu tava lá, eu vi o que rolou. Foi uma coisa tipo, uma bola de fogo, só que sem derreter tudo ao redor. E tipo assim, eu juro que eu vi umas coisas em volta, tipo, pessoas...

-Olha garoto, temos gravações de mil pessoas diferentes que viram aquilo de todos os lados possíveis, não era uma bola de fogo.

-Claro que era – Maltus retrucou – Nem uma câmera gravou direito por que a luz estava muito forte, e os celulares não tem capacidade de focar tão bem em algo daquele tipo.

-Isso não é relevante – o senhor de bigode e chapéu no canto da sala bufou. - Não estamos indo a lugar nenhum aqui.

-Ok. Vocês tem razão. - ele respirou fundo enquanto pensava. - Deixa eu voltar aos fatos. Eu vi a luz no céu, igual a todos, e de repente as pessoas começaram a correr, a gritar, a se empurrar, pra ver o que era aquilo. Nisso tudo, aparentemente alguém parecido comigo invadiu uma loja de joias na esquina e saiu correndo com uma delas. Mas não fui eu! Eu juro!

-Temos duas pessoas ali fora que discordam disso – o policial foi incisivo e olhou Maltos nos olhos, sem sinal de que estava acreditando em algo que ele dissesse.

-Olha, eu sei que os donos da loja estão no corredor aqui do lado. Eu vi muito bem quando eles apontaram pra mim na rua ontem e três políciais me agarraram e me colocaram no chão. Esse tipo de coisa fica na sua cabeça por um bom tempo. Não foi legal, ok? Nada legal. Mas eu apenas preciso que vocês tentem ver a opinião de mais alguém, sei lá, perguntem pra mais pessoas que estavam passando por lá. Alguém que não seja os donos. Eu… Eu juro que se vocês perguntarem…

-A câmera de segurança da loja tem imagens suas entrando lá. - O policial apontou pra pasta na sua frente – E acertando uma senhora inocente. Em seguida você roubou o colar, que ainda não foi achado, e correu pra fora.

-Certo, certo. - ele frio enquanto pensava no que dizer a seguir. - Mas me diz se tem alguma lógica, eu ter roubado um colar, e logo após isso eu ter esperado dez minutos a uma quadra dali enquanto a polícia chegava. Ninguém faria isso. Eu deveria estar a várias quadras dali depois de ter rouba...

-Você acabou de confessar o crime, garoto?

-Não – ele levou a mão a testa – Eu só não sei como falar sem me embananar e aparentemente eu tô me incriminando, então vou ficar quieto e...

O policial uniu as sobrancelhas e bateu na mesa – Escuta seu delinquente, eu não vou falar de novo que o único motivo pra você estar aqui e não indo pra cadeia, é porque o colar ainda NÃO FOI ACHADO! Então por que não para de nos fazer perder tempo e diz logo onde é que tá a joia.

Maltus se calou e olhou pras próprias mãos, abrindo e fechando elas como sempre fazia quando estava nervoso. Ele não fazia ideia do que havia acontecido no dia anterior, mas tudo aquilo era loucura.

Se lhe dissessem uma semana atrás que ele seria interrogado por furto, o garoto provavelmente não acreditaria. Maltus tinha feito19 anos a 3 semanas, logo após sair de sua cidade (uma pequena e pacata vila no Paraná) pra trabalhar na empresa de um familiar no Estado de São Paulo. A vaga de emprego tinha sido dada como um presente de aniversário, e ele era só um jovem normal, que ouvia guns and roses sábado, enquanto esperava sua lasanha de micro-ondas esquentar, assistia qualquer série aleatória da Netflix domingo, enquanto passava suas roupas na sala/quarto de sua minúscula casa, e saía as 7 na segunda pra atravessar quatro quadras até o trabalho.

O trabalho que ele havia sido contratado pra fazer era chato, e por conta disso vagas haviam sobrado, o que fez com que seu tio o tirasse de seu estado pra ir fazer o controle de qualidade de produtos da fábrica. O que era basicamente preencher alguns papeis relatando que todos os produtos estavam 100 por cento. Não pagava muito, mas ele tinha o suficiente pra morar tranquilamente em uma das cidades que mais crescia no Brasil, Alta Espinela. Ele se lembrava de ter achado realmente incrível uma cidade ter tantos prédios altos em seu centro. Além da quantidade de cinemas e locais pra comer.

-Então, se você não importa – a voz do policial o tirou de seus devaneios – eu gostaria de ouvir algo que me esclareça onde está a joia. De preferencia uma informação concreta.

-É… Quanto a isso – Maltus abriu um sorriso amarelo – eu realmente não posso te ajudar, por que como eu disse antes, não fui eu que… - Ele parou de falar ao notar que uma fumaça roxa saia do ouvido do homem a sua frente.

O jovem achou engraçado, mas evitou abrir o menor sorriso, já que não estava em uma situação tão agradável. Mas o sorriso surgiu quando o policial começou a babar.

-Ei, o que você tá fazendo? - ele disse sorrindo. Os olhos do agente de farda olharam ao mesmo tempo pro próprio nariz enquanto ele estava imóvel. Ao olhar pro velho de bigode no canto, ele notou que esse também não se mexia. Uma fumaça roxa também saia da orelha dele.

-Pessoal…? - ele olhou para os lados.

Uma porrada barulhenta abriu a porta daquela sala de quatro metros quadrados e uma fina névoa de tons roxos adentrou o lugar.

-Você é o Maltus? - uma garota que havia entrado e aparentemente, tinha aberto a porta no chute, perguntou.

-Sou… - ele falou com as mãos pra cima.

Ela tinha o cabelo rosa preso em um rabo de cavalo. Uma jaqueta de couro, um óculos holográfico que estava na frente apenas do olho direito e uma meia fina escura completavam o visual da garota, que disse:

-Ok, hora de dar o fora.

Ela olhou rapidamente os dois policiais imóveis e saiu da sala.

Maltus precisou de longos cinco segundos pra processar o que havia acontecido. Ele ainda estava vidrado no homem a sua frente que não piscava, quando percebeu que tinha que sair dali. Ainda vendo a fumaça roxa sair das orelhas dos dois ele levantou-se e foi em direção a porte. Mas voltou em seguida e olhou a planilha dentro da pasta na mesa. A colocou em baixo do braço e saiu da sala.

-Ei. - ele cochichou o mais alto que pode enquanto tentava alcançar a garota que parecia andar o equivalente a três passos a cada passo. - Ei – falou mais alto dessa vez, observando que todos no corredor estavam parados. - Espera aí moça, o que fo-foi isso que você fez? - Uma das folhas caiu da pasta em sua mão e ele gaguejou enquanto tentava pegá-la sem derrubar o resto delas.

-Temos trinta segundos até o efeito acabar. Sugiro que venha rápido.

-Ok. - disse ele quase tropeçando no cadarço de seu all-star. Seus olhos viram, ao passar por um corredor que saia do principal, as duas pessoas que o haviam denunciado no dia anterior. Eles eram os donos da loja, e tinham fumaça saindo dos ouvidos. Ignorando aquele fato estranho Maltus acelerou o passo pra alcançar a garota.

-Você pode pelo menos me dizer quem é você?

-Sem tempo, amigão. - Ela deu uma rápida olhada pra trás e abriu a porta da entrada da delegacia – Mas assim que chegarmos no Céu 1 eu posso te explicar. Me chama de Label.

-Che...Chegarmos aonde? - Ele franziu o senho por um segundo imaginando que pudesse ter ouvido errado.

Quando saíram e desceram os degraus em frente a porta, Label apontou pra uma BMW parada a alguns metros.

-Entra no carro.

Ele deu a volta e se dirigiu ao assento direito, ainda tentando ver as pessoas imóveis dentro da delegacia. Na rua, tudo parecia normal, já que uma moça passeava com seu cachorro na esquina.

Ela olhou pra ele por alguns segundos.

-O que?

-O cinto.

-Ah, sim. Claro – disse ele.

Em seguida, o pé no acelerador lhe explicou porque era necessário usar o cinto. Os dois atravessaram três quadras em alguns segundos, enquanto ele tentava entender o que estava acontecendo.

O que exatamente vai acontecer? Quer dizer, com eles? Todas aquelas pessoas que ficaram paradas?

-Bom… Eles vão ter uma baita dor de cabeça e não vão lembrar de nada que aconteceu na ultima meia hora. Ou nas últimas trinta horas, não sei se conjurei direito.

-Conjurou? - Maltus olhou pra ela completamente confuso – O que? Da pra me dizer o que está acontecendo pelo amor de Deus? A cinco minutos eu ia ser preso injustamente e agora eu to…

A jovem de cabelo rosa olhou para ele, o que o fez notar que não só o cabelo dela era rosa, mas seus olhos também, o que não fazia sentido a não ser que ela estivesse usando lente. Mas logo o pensamento desapareceu, já que após alguns segundos ele se sentiu estranho, como se olhar pra ela por muito tempo fizesse seu cérebro virar de ponta cabeça. Por um segundo até o seu próprio nome foi embora.

-Olha, - disse ela pondo um boné onde se via um L estampado – Como eu disse, tudo vai ser explicado, assim que chegarmos no céu 1. Agora se você puder ficar de boca fechada por um tempo eu não vou reclamar beleza? - Assim que ela ligou o rádio e Raul Seixas estava no refrão da musica “o dia que a Terra parou”, Maltus só conseguiu pensar que aquilo era uma baita coincidência.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


...


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