História Visão de Liberdade - Imagine Lee Felix. - Capítulo 7


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Notas do Autor


Voltei aqui, uhullll...
Vamos de capítulo novo.
Boa leitura .<3

Capítulo 7 - Indo embora com um idol.


Fanfic / Fanfiction Visão de Liberdade - Imagine Lee Felix. - Capítulo 7 - Indo embora com um idol.

Ponto de vista da S/N.

 

Quando eu vi aquela pessoa, aquele garoto parado ao nosso lado, eu já tinha ficado bastante confusa, porém também um pouco agradecida, o Jason estava passando dos limites de ser desagradável, eu sabia que a culpa era porque ele estava muito bêbado, mas mesmo assim estava realmente chato.

Porém, era uma chatice que eu podia lidar, mas saber que se ficasse pior eu teria um tipo de ajuda era algo que me tranquilizava, tranquilidade que rapidamente foi embora, quando a conversa daquele garoto começou a ficar estranha.

Minha primeira impressão daquele garoto era que ele era um “pamonha”, afinal se não fosse por mim, ele tinha apanhado do Jason bêbado; depois de “pamonha” ele passou a ser só chato, ficava implicando comigo, sendo que nem me conhecia e por fim ele passou a ser ameaçador.

Eu não sei também onde eu estava com a cabeça, era muito óbvio que uma pessoa que estava, literalmente, se escondendo em um bar, não podia ser boa coisa, acho que esse tempo que eu tinha ficado morando na Coreia eu tinha perdido a malícia que as pessoas podem, sim, ser perigosas, eu estava me acostumando a viver em um país seguro.

Quando ele começou a falar, sobre não poder ser visto, que ele queria liberdade, aquilo começou a ficar tão sinistro que eu já me arrependia de não ter ouvido os conselhos do Jason sobre segurança. No desespero fui para trás do balcão pegar, a primeira coisa que eu encontrasse para me defender.

Infelizmente a primeira coisa que eu vi foi a mangueira da torre de cerveja, até eu sabia que aquilo não era a melhor arma de defesa, felizmente encontrei um copo e joguei na direção dele, porém ele conseguiu desviar. Eu não queria saber quem ele era, fiquei com medo se caso eu soubesse quem ele era, eu poderia ser sequestrada pelo rival dele, sei lá o que poderia acontecer comigo.

Eu estava realmente em desespero, eu estava quase chorando, naquele momento eu já me arrependia de não ter deixado do Jason bater nesse garoto, faltava menos de uma semana para eu ir embora da Coreia, eu não queria morrer assim, seria um tipo de destino muito infeliz esse meu. Quando ele se aproximou de mim eu não pensei duas vezes, apertei o botão da mangueira.

É óbvio que eu não esperava nocautear ele com um jato de cerveja, na realidade eu pensei que se por sorte eu conseguisse jogar nos olhos dele, eu teria tempo o suficiente para conseguir fugir do bar e ligar para a polícia. Porém quando eu fui correr, eu escutei o que ele falou, parei e olhei para ele.

Seria possível eu ter escutado o que eu achei ter escutado? Não é possível, sem chance nenhuma. Por mais que meu raciocínio lógico impedisse eu de acreditar que aquilo pudesse ser real, eu ainda me considerava uma pessoa sã, eu realmente tinha ouvido certo, mas como assim? Naquele momento eu cérebro apenas fez “Puff”.

Entendendo que não poderia contar com meu cérebro, resolvi parar e esperar para constatar com meus olhos. Assim que a cerveja escorreu completamente do rosto dele, minhas esperanças do meu cérebro voltar ao normal com a ajuda dos meus olhos, acabaram, era realmente ele, ele estava bem ali parado na minha frente, Lee Felix do Stray Kids estava parado na minha frente. Eu paralisei.

Ele limpava o rosto com as mãos, claramente incomodado por ter levado um jato de cerveja no rosto, até que me encara desanimado. Ficamos nos encarando por um tempo. Ele me olhava confuso, indignado e ao mesmo tempo preocupado, foi então que meu cérebro teve uma luz e voltou a funcionar.

- Você.... – Aponto para ele com os olhos arregalados, tentando ter uma reação de surpresa melhor.

- Não grite, por favor. – Ele me olha suplicante.

- Hã? – Não era exatamente essa atitude que eu esperava. – Não posso gritar?

- Não. – Ele insiste.

- Por que não? – Encaro ele confusa e falo baixo.

- Hã? – Ele me olha sem entender. – Por que você quer gritar? – Ele começava a falar no mesmo tom baixo de voz.

- Assim não fica melhor? – Eu pergunto falando baixo, quase sussurrando.

- Por que estamos cochichando se você quer gritar? – Ele pergunta sussurrando.

- Para nossa voz não sair nas câmeras. – Respondo em voz baixa.

- Câmeras? – Ele volta a falar normal e me encara confuso. – Que câmeras?

- Não é um tipo de reality show? – Pergunto sem entender, voltando a falar em um tom normal.

- Hã? Como assim reality show?

- Ué, o que você está fazendo aqui? – Encaro ele confusa, um pouco perdida, sem tentar parecer surpresa nem nada.

- Como assim?

- Você é uma celebridade, então, por que está aqui?

- Ah, isso... – Ele fica um pouco sem graça. – Olha você não precisa saber dos detalhes, eu só preciso sair daqui com você. Aquele lá fora é meu motorista, provavelmente meu gerente está me procurando também.

- Você quer minha ajuda? – Pergunto ainda confusa.

- Eu posso te dar um autografo, ingresso para show, álbuns autografados, sei lá, a gente só não pode tirar foto juntos. Você escolhe, só me ajuda.

Mesmo que aquilo fosse muito surreal, incrível e eu estivesse, por dentro, muito “uau”, eu poderia gritar, chorar, gritar novamente, enfim, eu não conseguia extravasar isso, meu cérebro ainda não estava lidando bem com aquela informação, não tinha lógica, então antes que eu agisse feito louca, era melhor eu me manter o mais calma possível, mesmo que agora parecesse ser algo bastante impossível.

- Ok. – Falo tentando parecer tranquila. – Espera eu terminar de fechar e a gente já sai.

- Tá. – Ele me olha um pouco surpreso. – Eu vou lavar o rosto e já volto.

Eu volto para o caixa, esse que ficava perto da porta, para terminar de organizar as coisas para ir embora. Enquanto eu contava o dinheiro, eu as vezes dava uma olhada discreta para ver ele, ele estava apenas olhando o bar no geral, as vezes parecia que ele estava olhando para mim. Aquela situação estava muito além do que poderia ser considerado estranho.

Eu percebo que já tinha perdido a conta do dinheiro duas vezes me distraindo, afinal ele era mesmo muito bonito, mesmo sem maquiagem, ele ainda era bonito, ele tinha sardas e era bastante charmoso. Antes que eu me perdesse em pensamentos, que eu sabia que iriam me sabotar em algum momento, eu balanço a cabeça e volto a contar o dinheiro concentrada.

Depois que eu termino de organizar o caixa, eu fecho a gaveta com chave e vou até o balcão do bar, para subir as escadas e pegar minha bolsa que estava no escritório.

- Onde você vai? – Ele pergunta um pouco receoso.

- Pegar minha bolsa, já vou descer. – Respondo fingindo ser indiferente.

- Ah, tudo bem.

Eu passo por ele e subo as escadas, assim que eu me vejo sozinha no escritório eu apoio na parede e dou dois leves tapas no meu rosto, como se eu quisesse acordar de algum tipo de sonho, ilusão ou alucinação que eu estava tendo.

- Uau. – Falo sozinha, finalmente entendendo que tudo aquilo era real. – Ok, S/N se concentra, ele é um idol, você é uma estrangeira, fanfics não são reais. – Eu falo para mim mesma, tentando manter a calma. – Mas, por que ele está aqui?

Sem conseguir pensar direito, eu começava a sentir que ia acabar ficando sem ar, então eu sento no sofá por uns instantes, para me recuperar. Se eu tinha aprendido uma coisa enquanto eu morava na Coreia é que fanfics, definitivamente, não são reais. Mesmo que parecesse que eu estava vivendo uma, eu não iria me dar ao luxo de me animar, afinal quanto mais a gente se ilude mais dolorosa a realidade se torna.

- Ok, ele é só mais um garoto coreano, é assim que eu vou pensar. – Eu dizia para mim mesma, como se fosse um tipo de mantra ou algo assim. – Ele é só mais um coreano, com o agravante de ser famoso. É, é isso, foco na realidade S/N, você só quebrou a cara com coreanos normais, com coreanos famosos a vergonha só vai ser maior. Isso eu tenho que agir como sempre.

Depois que eu me convenci de que iria conseguir me manter tranquila e agir sem ser uma fã histérica, eu pego minha bolsa, meu sobretudo, respiro fundo mais uma vez, saio do escritório e desço as escadas. Assim que eu vejo ele parado no salão me encarando, eu percebo que não ia ser tão fácil me manter tranquila e indiferente como sempre, mas eu não era mais uma adolescente eu tinha que conseguir.

- Então... – Falo puxando os lábios em uma tentativa de me manter tranquila. – Como vai ser?

- Hum... – Ele me olhava um pouco confuso, mas eu continuava séria, mesmo que minha vontade lá no fundo fosse chorar de emoção com o olhar dele, eu continuava firme. – É, vamos sair normal, como se trabalhássemos juntos. Lá fora está frio então é só eu colocar o capuz e esconder meu rosto.

- Certo e depois?

- Hã?

- Até quando vou ter que te escoltar? – Seguro meu sobretudo com força, tentando controlar minha ansiedade.

- Ah, você não disse que vai para Jeju amanhã? – Ele me olha parecendo tímido e sem graça, mas eu respiro fundo para me manter equilibrada, sem emitir nenhum tipo “own” ou algo assim.

- Vou, mas.... – Já estava difícil me manter madura e equilibrada nessa breve situação pouco viável, mais inviável era falar não para aquele garoto lindo me encarando de forma tímida e sem graça. Deus se isso for um tipo de teste, o senhor está ultrapassando todos os limites viu?! Eu respiro fundo e resolvo perguntar. – Você precisa mesmo ficar comigo até amanhã?

- Olha, eu não posso ser visto, além de eu não pode ser visto por nenhuma fã, eu também não posso ser visto por nenhum paparazzi, muito menos por alguém da JYP. Então se eu for para Jeju, talvez eu consiga um tempo de privacidade. – Ele explica.

- É por isso que está fugindo? Você quer privacidade? – Encaro ele curiosa.

- É... quase isso. – Ele não queria me dizer o real motivo de tudo aquilo, ele não confiava em mim, não o julgava por isso, afinal a gente tinha acabo de se conhecer e nem podia dizer que a gente, realmente, se conhecia. – Eu pago.

- Oi? – Eu estava com os pensamentos longe.

- Pela sua ajuda, eu pago.

- Hum... – Naquele momento eu percebo como eu era tonta de ficar “babando” nele, ele acabou de falar de pagar, como se para ele eu fosse uma pessoa que ele podia, de certa forma, comprar a boa vontade, pelo jeito ele seguia aquele estereótipo de celebridade metida. Realmente fanfics não são reais. Ele podia ser lindo, famoso, rico, ou o que fosse, mas eu tinha meu orgulho. – Ok.

- Vai me ajudar? – Ele me olha com expectativa.

- Vou, mas não precisa pagar nem nada, só vou te ajudar porque sinceramente pior que ajudar você seria ser vista com você. – Falo tentando esconder minha irritação.

- Como é? – Ele fica surpreso.

- É, eu não sou tonta, se suas fãs loucas me virem com você ou ficarem sabendo que você estava aqui, vão pensar várias bobagens e fazer da minha vida um inferno. Eu só quero ir embora tranquila. – Falo orgulhosa.

- O-ok. – Ele me encara confuso. – Então vamos?

- Vamos.

Eu passo por ele e vou até a porta do bar, ele vem andando atrás de mim, assim que saímos do bar eu podia perceber o receio dele, ele parecia bastante nervoso, talvez realmente com medo. Porém, antes que eu caísse na cilada de me sensibilizar por ele ou algo assim, eu lembrei da atitude dele, então apenas fiquei firme e comecei a fechar a porta do bar, essa que era grande, pesada e alta.

Sempre que eu fechava o bar eu tinha dificuldade com a porta, então enquanto eu puxava ela com força, do nada eu sinto ela ficar leve, eu olho para trás e vejo que ele estava puxando para mim. Não consigo não ficar surpresa, primeiro porque eu não esperava, segundo porque ele estava muito perto de mim, eu podia sentir o perfume agradável dele.

- O que está fazendo? – Pergunto sem graça e em voz baixa.

- Ué, a gente trabalha junto, não seria normal eu te ajudar? – Ele me responde discretamente.

- Ah, é. – Disfarço. – Certo. – Depois de puxar a porta e conseguir fechar eu olho para ele, tentando agir normalmente, mas era bem difícil. – Então.... eu preciso pegar o metrô para ir para casa....

- Sério? – Ele me olha preocupado e desanimado e eu apenas confirmo que sim com a cabeça. – Podemos pegar um táxi?

- Ah... – Eu não tinha costume de pegar táxi, uma vez porque era caro e também porque o transporte público em Seul era realmente bom.

- Eu pago. – Ele insiste.

- Hum... – Novamente essa de “eu pago”, será que ele me achava uma mendiga? Na verdade, sei lá o que esse idol achava, só que me começava a me incomodar bastante. – Tanto faz.

- Hã? – Ele me olha sem entender.

- Se quer pegar um táxi pega, tanto faz para mim. – Dou de ombros e saio andando.

- Ei, espera. – Ele acelera o passo para andar ao meu lado.

Enquanto a gente andava e passava pelas pessoas, ele sempre escondia o rosto, tentando se esconder no capuz do casaco. Porém, mesmo que estivesse de máscara, ele claramente não era uma pessoa que conseguia passar totalmente desapercebida. Ele era mais alto que o normal, tinha um porte mais atlético e no geral, mesmo que se escondesse, ele era mais bonito que as pessoas comuns.

- Vamos pegar um táxi aqui. – Falo indo até próximo da rua.

- Não! – Ele fala.

- Por que não? – Me surpreendo.

- Meu motorista ainda está ali, olha. – Ele me mostra com a cabeça e eu olho discretamente.

- E daí? Ele nem está olhando para cá. – Falo baixo.

- É, mas se a gente pegar um táxi ele vai perceber. – Ele responde no mesmo tom de voz.

- Por que? – Pergunto sem entender a lógica.

- Porque... – Ele fica receoso em falar. – Porque sei lá, não parece suspeito a gente pegar um táxi?

- Aff... – Percebo que novamente ele parecia ter um comportamento esnobe. -Ok, vamos fazer do seu jeito. – Falo sem muita paciência.

- Vamos pegar táxi no próximo quarteirão.

- Tá. – Falo e saio andando.

Ele não era meu bias no Stray Kids e agora começava a entender o motivo, como podia uma pessoa que parecia ser tão fofa, na realidade ser uma pessoa tão idiota?! Só porque eu trabalhava em um bar eu não podia pegar um táxi?! O pior de tudo, era que eu não sabia se ele percebia ou não, mas conforme a gente andava, mas pessoas olhavam para ele, realmente idols não possuíam o talento de se misturar.

- Podemos andar mais rápido? – Ele pergunta em voz baixa de forma discreta.

- Se a gente começar a correr, aí é que vão olhar para a gente. – Respondo no mesmo tom de voz.

- Então vamos pegar o táx....

- Oi, com licença, desculpe. – Uma garota com umas amigas nos abordam.

- Essa não. – Falo baixo, o suficiente para as garotas não escutarem, mas ele sim.

- É, ele sim. – Uma garota leva a mão na boca surpresa.

- Aí meu deus. – A outra olha sem acreditar. – Podemos tirar uma foto?

- Cla-claro. – Ele fala sorrindo, mas claramente estava aflito.

- Não é uma boa ideia, tem mais gente olhando. – Me aproximo dele e falo discretamente, mas as garotas me encaram com um olhar intimidador, até ameaçador.

- Quem é ela?

- O que você está fazendo aqui?

- Está com o grupo? Estão gravando algo?

- É que.... – Ele estava entrando em pânico, mais pessoas começavam a nos encarar e andar de forma lenta, como se quisessem ter certeza do que estavam vendo.

- Onde estão os outros?

- Por que você está com ela?

- Eu sou muito sua fã, mesmo.

- Olha é ele sim. – Uma outra pessoa fala.

- Não é aquele garoto do Stray Kids?

- Vamos pedir um autografo.

- Tira uma foto com a gente.

- Quando vai ser o fanmeeting?

- Eu amo muito você.

- Olha é o Felix do Stray Kids.

- Quem é a garota com ele?

- Aí meu deus.

- Ele é tão lindo.

- Autografa para mim?!

Pronto, toda atenção que ele não queria chamar pegando um táxi, agora ele tinha conseguido dez vezes mais. As pessoas iam se aproximando e fazendo perguntas, pedindo fotos, autógrafos, fazendo elogios, se naquele momento eu pensei em apenas sair andando e deixar ele ali, sim eu pensei, afinal eu não queria problemas, porém quando eu fui sair discretamente do lado dele, como se fosse apenas uma pessoa qualquer, ele faz a última coisa que ele não podia e eu esperava que não ele fizesse, ele segura minha mão.

No meio daquele monte de gente, que claramente era fã dele ou do grupo, ou apenas curiosos por celebridades, o que eu não julgava afinal eu também era uma curiosa, o cidadão segura minha mão. Se naquele segundo eu senti meu coração acelerar um pouco, no outro segundo eu já podia sentir o peso esmagador dos olhares surpresos e questionadores das pessoas em volta.

- Quem é ela?

- Vocês estão namorando?

- De que país ela é?

- Vocês são amigos?

- Qual o nome dela?

- Como vocês se conheceram?

- A quanto tempo vocês se conhecem?

- Ela trabalha com você?

- Estão juntos a quanto tempo?

Se eu senti meu coração acelerar brevemente por causa do toque da mão dele na minha, agora eu senti um arrepio gelado e um frio na barriga. Como vingança por me envolver naquela situação completamente absurda e que estava saindo do controle, eu aperto a mão dele com força e olho para ele com um olhar de ódio, misturado com raiva e também desespero.

Ele me olha aflito e igualmente desesperado, o que naquele momento só me dá mais raiva, como é que um idol resolve fugir, ou sei lá o que ele pretendia fazer, se esconder, enfim, sem ter um plano? Como é que eu fui me envolver nisso?

- Felix? – Escuto a voz grossa de um homem. – Eu o encontrei. – O homem parecia falar no celular.

- É meu motorista. – Ele fala aflito.

- Mais que merda. – Falo em português.

Vendo aquela situação sair completamente do controle, eu penso na única forma que eu via de a gente sair dali. Eu olho para ele, paro de tentar esmagar a mão dele com a minha, torcendo para que de uma forma única de telepatia movida por desespero, ele entendesse minha ideia, eu olho para a rua e olho para ele. Se ele concordou com a cabeça ou apenas tinha sido uma impressão minha, na hora eu não penso eu só puxo a mão dele e saímos correndo.

- Corre. – Falo para ele.

Deixando de lado as regras convencionais de segurança, ou o juízo, a gente atravessa a rua, essa que era de quatro faixas, correndo, sem olhar para os lados, apenas desviando dos carros, torcendo para não ser atropelada.

Enquanto corria eu olho para trás rapidamente, as pessoas realmente não nos seguiram, o que mostrava que as fãs daquele idol possuíam mais juízo do que ele próprio, ou até eu mesma. O único que tentava nos seguir, era o tal motorista dele, porém entre buzinadas e carros desviando da gente, e o medo de morrer da forma mais estúpida que eu podia imaginar, em algum momento o Felix simplesmente passa a minha frente, e quando eu vejo era ele que me puxava não eu que puxava ele.

Eu me esforço para manter a velocidade dele, depois que a gente atravessa e chega na outra calçada, por um milagre, vivos, eu percebo que ele não sabia para onde ir, talvez ele não estivesse familiarizado com o bairro, afinal não acho que ele andava por ali sempre, obviamente. Ele olha para os lados e eu faço o mesmo.

- Aishii... – Ele fala olhando para trás um pouco ofegante.

- ... – Eu olho para trás e vejo o motorista dele vindo atrás da gente. – Qual é?! – Falo agoniada, sem acreditar que o motorista era tão persistente assim, eu olho para os lados. – Por aqui.

Eu falo e saio correndo, passando pelas pessoas até entrar em uma galeria, ele vinha atrás de mim. A galeria de lojas era estreita e bastante cheia de pequenas lojas e pessoas, as pessoas que reconheciam ele no meio daquela correria ficava surpresa, as que não reconheciam nos olhavam sem entender o motivo de dois jovens estarem correndo por suas vidas logo cedo.

- FELIX! – O tal motorista chamava por ele em voz alta.

Enquanto corria, ele teve a brilhante, e também bastante grosseira, ideia de depois que a gente passava derrubar algumas coisas das lojas, como bolsas, caixas de sapato, manequins de roupa, pelo caminho, dificultando assim que o homem chegasse na gente.

Eu tinha a nítida impressão que por onde a gente passava correndo, algum tipo de caos a gente causava, sendo pela bagunça que o Felix fazia ao derrubar algumas coisas no chão, sendo por empurrar as pessoas para passar por elas, sendo apenas pelo fato da gente estar correndo feito loucos. Em toda minha vida eu nunca tinha feito algo assim, era muita adrenalina para uma pessoa de estatura mediana.

Assim que conseguimos atravessar a galeria toda, eu olho ao redor e depois para trás, o motorista não desistia, senhor amado. Esse homem devia mesmo ganhar um aumento só pela determinação implacável dele. O que eu não entendia era como um homem com um físico, aparentemente de uma pessoa sedentária, podia correr tanto.

- Ele não desiste não? – Pergunto ofegante.

- Eu não contaria com isso... – Ele responde ofegante, porém eu percebi que diferente de mim, que estava claramente em pânico, ele parecia sorrir ou até rir, como se aquela situação, de alguma forma, fosse divertida. – Ele está chegando...

- Aí meu deus... – Eu nem bem conseguia recuperar o folego e já tinha que voltar a correr.

- Vem. – Ele segura minha mão novamente, porém meu coração já estava tão acelerado, coitado, que nem podia se dar ao luxo de sentir algo que não fosse resultado da corrida e da adrenalina.

Saímos correndo de novo, agora ao menos, sem atravessar a rua feito loucos, para nossa, total, sorte assim que chegamos na esquina o semáforo fechou e a gente conseguiu atravessar correndo. Essa sorte o motorista dele não teve, assim que ele conseguiu sair da galeria e nos viu atravessando a rua, já estávamos do outro lado e o semáforo abriu.

- VOLTA AQUI! – O motorista gritou, eu olhei para trás rapidamente e o homem parecia um tipo de fera enjaulada, andando agoniado de um lado para o outro esperando ansiosamente pelo semáforo fechar novamente e ele poder atravessar.

- Táxi, táxi! – Em uma rua paralela eu vejo um táxi vindo, eu praticamente me jogo na frente do mesmo, para fazer ele parar, felizmente ele para, o Felix me olha surpreso, mas rapidamente ele já abre a porta de trás, eu entro apressada e ele entra atrás e fecha a porta. – Sinchon-ro 4an gil, 322, rápido!

Assim que eu falo meu endereço o táxi sai apressado, quando eu vejo o motorista ficando para trás e também toda aquela confusão, eu sento mais relaxada no carro e respiro ofegante e aliviada.

- Uau. – Felix estava igualmente ofegante, mas diferente de mim, ele estava animado. – Isso foi.... – Ele me olha sorridente. – Incrível.

- Hã? – Olho para ele confusa e também frustrada. Como ele podia achar aquilo incrível?!

- É, quando eu fugi, eu queria viver uma aventura, curtir minha liberdade, era um sentimento assim que eu esperava. – Ele falava animado e sorrindo muito, mesmo que eu questionasse a sanidade dele naquele momento e também estivesse bastante irritada de ter sido envolvida naquilo tudo, era impossível ser indiferente a aquele sorriso, parecia realmente sincero, nem parecia o idol metido que queria pagar por tudo.

- Que bom que você está se divertindo. – Dou uma risada fraca, quase inconformada, e reviro os olhos cansada.

- Obrigado. – Ele sorri tímido para mim.

- Ok, ok, você paga. – Falo sorrindo de lado e virando o rosto para olhar o trânsito.

De alguma forma, agora eu estava indo para casa acompanhada de um idol, depois de fugir de fãs, motorista determinado e curiosos, meu último dia de trabalho na Coreia do Sul, terminava desse jeito. Se isso era sorte ou azar, naquele momento eu nem conseguia julgar, no fundo eu não conseguia apenas ficar irritada como antes, a verdade era que parecia que, de alguma forma, eu sentia que aquilo era o começo de alguma coisa. 


Notas Finais


Mesmo que o "plano" não tenha dado muito certo e eles não terem conseguido passar desapercebidos, parece que o Felix se divertiu.
Será que a S/N vai mudar a primeira impressão que teve dele?
Quais serão as consequências dessa fuga deles? Afinal existiu várias testemunhas.


Amo vocês. <3


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