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História Visitrouxar - Capítulo 2


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Notas do Autor


Eu queria nomear esse capítulo como "dedo no cú e gritaria", mas achei demais, de qualquer forma, boa leitura a todos.

Capítulo 2 - Home Sweet Home


Fanfic / Fanfiction Visitrouxar - Capítulo 2 - Home Sweet Home

Ser Harry Potter podia ser difícil às vezes. E isso não era só porque eventualmente um certo Bruxo das Trevas reaparecia para tentar lhe matar ou tirar a vida de pessoas inocentes ou queridas para si, embora isso também não fosse exatamente legal. Não, ser Harry Potter era difícil durante as férias de Hogwarts, onde toda a magia ficava para trás e no lugar sobravam apenas seus tios e primo, louças que não eram suas para serem lavadas e gritos sobre como era horrível ter um peso dentro de casa. Ele nunca se sentiu exatamente amado ou querido na casa da família Dursley, mas sentia que o mal estar deles em sua presença vinha crescendo exponencialmente com o passar dos anos, imaginava que seus pesadelos recentes e as noites barulhentas não ajudavam no quesito simpatia.

Foi por isso que quando acordou naquele dia como qualquer outro e foi ao banheiro se arrumar com a cara amassada e olheiras horríveis ele não estranhou o grito de sua tia Petúnia para que se apressasse em descer e aprontar a comida. Ficou pouco no banheiro e quando saiu ganhou um empurrão do primo, detestava ter fugido de um dragão alguns meses atrás e agora se sentir tão indefesso, embora sua varinha estivesse muito bem presa no cós de sua cueca, hábito que tinha adquirido devido ao últimos acontecimentos do ano. Não conseguia se sentir seguro sem ela, ainda que soubesse que não poderia usá-la em Duda, saber que conseguiria se defender de coisas piores do que ele se precisasse lhe fazia respirar com menos dificuldade. 

A tia lhe torceu o nariz quando entrou na cozinha, já lavando as mãos e pegando as coisas para o café da manhã da tradicional famíia britânica, nada demais, ele diria para si, seus pés descalços no piso frio do local também pareciam dignos de reclamação, mas ele não iria colocar os sapatos ainda. Fritava panquecas e preparava um chá, separou algumas frutas e se pôs a descascá-las, e então voltou para os dias na escola de magia. Pensou em Dumbledore, e em como ele nunca mais havia entrado em contato consigo, pensou no padrinho e nos amigos, que igualmente se mantinham em silêncio, nenhuma carta nem nada, pensou rapidamente no sonserino irritante com quem passara alguns momentos escondidos e desejou uma carta ao menos dele, se bem que o silêncio dele era o mais fácil de compreender. Edwiges vivia estressada e piava a noite, o que não lhe ajudava em seu sono já conturbado. Era assim, ser Harry Potter era difícil às vezes, mas pior do que a dificuldade, era a sensação de solidão ocasional. 

Quando a família Dursley se sentou para o café da manhã, Harry terminava de passar uma xícara única de café para si, ele nunca tinha entendido muito bem como algumas pessoas amavam café, mas Thomas tinha levado algum para Hogwarts e lhe deu uma xícara e então ele se viu apaixonado pelo líquido, a bem da verdade, quase não gostava de chá, embora amasse o suco de abóbora da escola. Mas os Dursley achavam que café era coisa de bárbaros, e por isso mesmo ele costumava coar seu café e subir de volta ao quarto até ser chamado, ou melhor, gritado para que fosse arrumar a cozinha enquanto Duda ia passear com os amigos brutamontes estúpidos e aterrorizar crianças no bairro, o tio ia ao trabalho e Petúnia decidiria  entre se entreter pensando em como transformar sua vida em um inferno ou assistir TV, o que lhe soasse melhor. Entretanto, foi antes de sair da cozinha que a campainha da casa tocou. Todos paravam o que faziam e se olharam estranho.

Certo, primeiro era muito cedo, segundo, ninguém seria doido o bastante para visitar os Dursley sem avisar, e isso era uma regra de seus tios, afinal, eles tinham que saber com antecedência para poderem esconder o sobrinho, então todos arregalaram os olhos e se encararam com um tanto de pavor nervoso. Tio Válter tinha os olhos como pires quando levantou e fez sinal para que o sobrinho entrasse no antigo quarto, o armário sob a escada, o menino revirou os olhos indignado, mas como o homem segurou seu braço e chacoalhou entendeu que era sério, mais uma vez soou a campainha e o homem gritou que já estava indo, Harry se encolheu sentado na antiga cama e ficou no escuro com a caneca soltando fumaça, um pouco de café tinha caído na manga de seu suéter "novo", uma peça horrorosa verde musgo com o dobro de seu tamanho que tinha pertencido por apenas alguns messes a Duda que disse não ter gostado do tecido. Como se ele entendesse sobre tecidos.

Ouviu a porta sendo aberta com vagarosidade e um silêncio estranho seguiu, então alguém falou com uma voz baixa. Ele quase não conseguiu ouvir, na verdade não queria ouvir, já estava detestando a pessoa mesmo sem saber quem era, não queria estar socado no armário poeirento sem imaginar quando poderia sair, no entanto pensou ter ouvido seu nome e o coração bateu mais rápido, se encostou na porta do armário bem a tempo de ouvir o tio gritando com seja lá quem fosse. 

- Não, NÃO, ABSOLUTAMENTE NÃO! NÃO EXISTE NENHUM HARRY POTTER AQUI! - A porta de entrada foi batida com violência, enquanto Harry saia do armário com a expressão assustada, alguém estava ali atrás de si? Poderia ser um dos amigos, Síruis, alguém do Ministério, algo importante poderia estar acontecendo, ou então talvez fosse alguns dos seguidores do Lorde, e se eles tivessem lhe descoberto e estivessem ali, os pensamentos voaram pela sua mente mais rápido do que um pomo de ouro, no entanto a língua de seu tio conseguiu superar até essa velocidade. - VOCÊ! EU VOU TE MATAR!! - E então as mãozorras do tio lhe agarraram e o chacoalharam fazendo com que derramasse todo seu café em si mesmo e um pouco na roupa dele, tia Petúnia e Duda olhavam a cena de olhos arregalados. Quase se deixou abalar, mas sabia que não eram tempos de brincadeira, por isso se desfez do aperto do tio, e agradeceu pela primeira vez ao estúpido torneio do ano anterior e aos anos de quadribol pela força que teve para fazê-lo.

A campainha soou mais uma vez e a tia soltou uma gritinho, Válter parecia uma beterraba de tão vermelho e o estúpido cérebro de Duda parecia ainda tentar processar tudo o que estava acontecendo, o Tio tentou lhe segurar pelo casaco de novo, Harry tentou andar até a porta.

- Me solte, pode ser importante, pode ser perigoso!

- NÃO! EU DISSE SEM MAGIA QUANDO ESTIVESSE AQUI, VOU TE EXPULSAR DE CASA!

- ME SOLTA! - Harry tinha os óculos tortos na cara, a blusa enorme foi um ponto forte pela primeira vez desde que o ganhara, pois conseguiu escapar e correr até a porta depois de ele esgarçar ainda mais, a tia gritava para que Válter parasse, mas o tio parecia decidido, então, quando finalmente o mais jovem achou que conseguiria abrir a porta e descobrir o que havia por detrás dela, o homem mais velho se jogou em cima de si quase o derrubando.

- TE PROÍBO DE ABRIR ESSA PORTA! VÁ EMBORA! - E dessa vez ele gritou para quem quer que estivesse lá fora, no entanto a pessoa não parecia nem um pouco interessada em partir, ao contrário, ela parecia estar se divertindo apertando a campainha repetidas vezes, Harry imaginou que poderia não ser nada demais, talvez um dos Wesley tivesse vindo lhe salvar, e a descoberta do aparelho trouxa lhe estivesse divertindo. - VÁ EMBORA! - Os gritos do tio em seu ouvido estavam lhe deixando ainda mais estressado, assim, perdendo a paciência, se livrou do aperto de Válter e seu enorme corpo e escapuliu de entre os braços dele, escorregando para longe e pegando a varinha. Foi o suficiente para todos pararem. Petúnia com os olhos enormes e as mãos na boca escancarada, Duda ainda sem entender olhando de um para outro, Válter de olhos molhados e apertados, a expressão de puro ódio.

- Não vai usar a varinha, não usou antes, não vai fazer agora... - Mas ele não parecia tão certo. E aqui cabe uma ressalva.

 

Os Dursley mais velhos andavam reparando que Harry Potter estava mais estranho do que o comum, um estranho diferente do excêntrico usual, algo mais assustador, e não, não eram apenas os pesadelos que ele tinha a noite, era algo melancólico que rondava o menino, mais quieto que o de costume, um silêncio que os tios sempre quiseram, mas que vinha de algo muito distante de disciplina, vinha de algo que eles não entendiam, e por isso mesmo temiam. Então quando Válter Dursley afirmou que o sobrinho não faria nada com a varinha, não foi uma ameça, não foi sequer uma certeza, foi apenas o enunciado trêmulo de algo que ele queria muito acreditar.

 

Harry não respondeu, mas com os óculos tortos no rosto, o cabelo parecendo um ninho ainda mais indomado que o comum e olhos elétricos, ele respondeu o suficiente, o tio se afastou para perto da esposa e do filho e então finalmente o bruxo da casa conseguiu tocar a maçaneta da porta, a campainha ainda não tinha parado de tocar a cada dez segundos, o que ao menos lhe tranquilizava, provavelmente não seria um comensal da morte prestes a atacar. Então respirou fundo e abriu a porta de supetão. 


Notas Finais


É isso, eu disse que teria mais apenas um capítulo, mas deve ter mais dois ou três a partir desse, espero que gostem e até!


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