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História Vivencie as Estações - Capítulo 1


Escrita por: e projetoharuno


Notas do Autor


OI, AMORES! 🌸
Cá estou eu com uma fic nova, hihi. O tema desse ciclo do @projetoharuno foi "estações do ano", e eu não consegui pensar em nada menos do que trabalhar com todas as estações, e foi aí que tive a ideia de fazer um harém inverso, rs. Escolhi também o subtema "viagem".

Vamos para alguns avisos:
• Calma lá, Sakura Stans, eu estou chamando de harém inverso por eu trabalhar com os quatro shipps citados na sinopse, mas não necessariamente ao mesmo tempo. Então, não esperem uma orgia.
• Apesar de Sasusaku ser citado aqui e ter um certo papel na história, não criem expectativa alguma nesse shipp, ok?
• Já fiz o roteiro de todos os capítulos, já determinei exatamente o que irá acontecer no começo, meio e fim, então creio que isso me ajudará bastante a terminar esta fic.
• Se tudo seguir como o plano — e eu acho que irá seguir —, a fic terá 10 capítulos, o que até poderia ser considerado shortfic, mas eu tenho certeza que alguns capítulos serão bem grandinhos; então provavelmente será longfic.
• Cada shipp terá sua vez de brilhar, só ter paciência, xuxus.
• Este primeiro capítulo até pode ser considerado um prólogo, se assim preferirem. Ele é mais curtinho mesmo, apenas para dar introdução à história, mas os próximos serão bem maiores. Vocês me conhecem, né? Escrever coisas grandes é comigo mesmo kkkkk

Quero muito agradecer ao anjo da @Leeloo_ por ter feito essa capa linda 💖 Gente, reparem em todos os detalhes! Consigo ficar admirando por horas.
E também agradecer a um dos amores da minha vida, @HeyGreen, por ter feito uma betagem PERFEITA 💕
E mais uma pessoinha maravilhosa a ser agradecida: @Fenix-Dark, vulgo minha esposa Spiritual, que me ajudou com o título! Eu não estava conseguindo pensar em nada legal — como sempre :') —, até que ela me sugeriu vários titulos diferentes e eu fundi dois para formar esse. Muito obrigada, meu amor! 💘

Bom, boa leitura para vocês, xuxus!

Capítulo 1 - Ichinichi isshou


Se imaginassem uma mulher viajando pelo mundo, por vários países diferentes, sozinha e desimpedida, curtindo a vida ao máximo, creio que iriam supor que se trata de uma burguesa louca e irresponsável, certo? Talvez um alguém sem um objetivo verdadeiro e responsabilidades, alguém superficial que sequer trabalha duro. Porém, se me conhecessem de verdade, jamais associariam essa imagem a mim.

Sakura Haruno, a mulher exemplar. Até teve uma época que eu ficava corada e orgulhosa quando diziam isso para mim. Quero dizer, eu estava, de fato, sendo reconhecida pelo meu esforço em ter uma vida perfeita, um futuro dos sonhos.

Minha família era bem financeiramente; eu nunca fui uma menina de dar muitos problemas; eu havia sido uma adolescente razoavelmente tranquila, sem nunca aprontar coisas radicais e problemáticas; sempre fui focada nos estudos, tirava as melhores notas; consegui uma bolsa numa grande universidade na concorrida e prestigiada área de Medicina; até mesmo conquistei o rapaz que foi minha primeira paixão, Sasuke Uchiha — namoro este que foi muito bem aprovado e apoiado pelos meus pais, afinal, a família Uchiha tinha muito renome.

Estava tudo perfeito. Sem brigas, sem manchas, sem dificuldades… Mas então por que eu estava me sentindo cada vez pior? Por que, aos poucos, percebia que ao invés de ficar orgulhosa pelos elogios, ficava puramente sem graça? Por que eu olhava pela janela e imaginava tantas coisas que o mundo poderia me oferecer, quando na verdade eu já tinha mais do que o suficiente para ser feliz?

Aí que estava o problema: eu não estava feliz, e isso estava me sufocando. Guardei isso bem guardadinho dentro de mim mesma; o que os outros diriam se eu dissesse que justamente esta vida tão certinha me parecia tão errado em meu íntimo?

Eu devia ter imaginado que não era boa ideia guardar isso só para mim, pois cresceu ao ponto de que eu estava por um triz de surtar, de largar tudo e gritar com todos o quanto queria sumir, mesmo que me sentisse ingrata por isso. Como não percebi que algo estava, de fato, tremendamente errado se eu não conseguia compartilhar uma suposta felicidade ao lado de quem era importante para mim?

Já me sentia até desconfortável ao lado da minha família e do meu noivo. Era puxão de orelha disfarçado de conselho para lá e para cá o tempo todo. Usar a roupa que eu quisesse? Não, isso traria uma imagem ruim de mim, logo a “moça de respeito”. Ir em festas alucinantes? Não, nem pensar, isso era coisa de gente doida, e eu era responsável. Sair mais vezes para me divertir com minhas amigas que sempre saíam? Não, eu não podia arriscar pôr as minhas notas da faculdade em risco, elas tinham de estar impecáveis. Ir a mais encontros românticos com meu noivo, que estava cada vez mais distante de mim? Não, eu não podia exigir atenção; Sasuke também estava focado em sua própria jornada profissional e tinha muitas exigências vindas da grande família Uchiha — mesmo que ele fosse rebelde ao ponto de desobedecê-las às vezes, pois não se preocupava tanto com sua reputação quanto eu —, e além do mais, já estávamos comprometidos! Era questão de tempo até tudo se ajeitar e finalmente nos casarmos e termos toda a atenção que podíamos dar um ao outro.

Entretanto, aos poucos isso foi deixando de ser minha fantasia de adolescente e se tornando uma ideia um tanto quanto desesperadora. Há muito tempo eu já não sentia aquela irredutível atração por Sasuke. Passamos a interagir cada vez menos, com menos conversas, menos coisas compartilhadas, menos demonstrações de afeto… Até que finalmente me dei perguntei: por que eu estou neste relacionamento?

Mas era a vida que todos elogiavam, todos apoiavam e me diziam estar no caminho certo. Uma terrível culpa apoderou-se de mim quando percebi que me faltava vontade para seguir com a Medicina. Eu seria um orgulho de filha se me tornasse a médica que meus pais tanto sonhavam, mas por que isso estava me incomodando cada vez mais?

Tudo parecia errado, tudo. E o auge para isso finalmente me fazer explodir se deu com um pedido — lê-se discreta exigência — da minha mãe sobre o meu cabelo. Quem conhecia Mebuki sabia que ela não pedia, ela mandava.

— Filha — chamou ela, naquele fatídico dia em que mil e um pensamentos ruins e minha infelicidade ainda estavam mantidos em segredo dentro de mim —, sabe, eu estive pensando… Na verdade, é algo que eu já venho pensando há um bom tempo. Acho que deve tirar esse cabelo rosa.

Fiquei alguns segundos em silêncio, sem acreditar no que ela estava me dizendo.

Sim, era verdade que talvez as pessoas estranhassem que eu, aos meus vinte e três anos de idade, continuasse usando cabelo colorido num país conservador e ainda sendo alguém com uma imagem tão cuidada como a minha. Era, de certa forma, meu “defeito” visto pelas pessoas que exigiam a perfeição. E mesmo que parecesse algo bobo, para mim tinha grande significado. Era algo que me motivava a continuar trilhando aquele caminho que tanto estava me incomodando. Para mim, significava que apesar de eu estar vivendo de um jeito certinho e exemplar para agradar os outros, eu continuava com uma parte minha, algo que refletia quem eu verdadeiramente era por dentro.

Eu havia pintado quando ainda pré-adolescente, e mesmo sob resmungos iniciais de minha mãe, meu pai a convenceu a me deixar tingir. Acho que ela esperava que fosse algo juvenil, que logo passaria conforme eu amadurecesse; mas não, eu continuei com meu cabelo rosa por todos esses anos, sem nunca enjoar. Fazia parte de mim, era como eu me identificava.

— Mas mãe… — comecei, sem saber exatamente como dizer que eu aceitaria qualquer pedido, menos aquele — eu adoro o meu cabelo desse jeito. Me identifico assim. É como eu sou. — Como falar com serenidade quando por dentro eu começava a entrar em pânico?

— Que como você é, o quê! — rebateu, gesticulando impaciente com as mãos. — Isso é coisa de adolescente, Sakura. Você já é uma adulta. Já passou da hora de ter um cabelo de cor normal. Como quer ser uma médica respeitada com algo chamativo assim?

Eu juro que tentei respirar fundo, me acalmar e pensar na possibilidade de acatar a mais um “pedido” de minha mãe; mas não consegui. Foi aí que eu surtei.

Não me orgulho de ter gritado com Mebuki, afinal, mesmo sendo uma mulher controladora e até meio tempestuosa, sei que ela se preocupava comigo e queria sempre meu melhor. Eu a amava e sei que ela também me amava com sinceridade. Entretanto, tudo que estava entalado dentro de mim se soltou, e depois de eu afirmar, aos gritos, que não era uma marionete e que ela não tiraria isso de mim, saí correndo de casa. Quem diria que seria logo um assunto sobre cabelo que me faria explodir?

Outras pessoas no meu lugar buscariam refúgio com seus companheiros, certo? Talvez quem visse de fora, sem conhecer meu íntimo, pensaria que eu iria até Sasuke. Mas não, isso sequer passou pela minha cabeça, sendo sincera.

Incrivelmente, a pessoa com quem busquei refúgio foi minha professora de Medicina, Tsunade Senju, que surpreendentemente acabou tornando-se uma grande amiga, uma pessoa especial para mim. O que eu não podia falar para minha família, eu falava para ela, que sempre me ouvia e dava conselhos sinceros — às vezes até meio duros, porém sempre o que eu precisava ouvir.

Ela acabou se tornando quase como uma segunda mãe para mim, e isso se deve principalmente ao fato de que, num dia em que eu estava visitando-a e ela saiu de casa por alguns instantes, seu sobrinho pequeno, Nawaki, se acidentou feio dentro de casa e eu tê-lo ajudado, pois já sabia primeiros socorros. Não que eu ache que tenha sido uma heroína, não foi para tanto, mas estou certa de que o ajudei sim, enquanto Tsunade não chegava. Depois disso, sem dúvidas ficamos muito mais próximas.

A Senju era uma médica famosa, considerada a melhor do país. Eu considerava-a brilhante e admirava muito toda sua habilidade. E eu não sabia como, mas ela conseguia me entender completamente. Sabia que eu estava infeliz e que mesmo me empenhando ao máximo em sua matéria, não era com aquilo que eu queria seguir. Foi então, no dia que eu fui pedir seu apoio, que ela me sugeriu — simples assim como se fosse uma decisão tranquila — largar tudo.

Eu achei uma completa loucura. Que tipo de ideia era essa? Largar todo o caminho que eu havia trilhado até ali? Como eu faria isso? O que os outros pensariam? E o que eu faria depois? Eram tantas perguntas que eu cheguei a rir de nervoso. Achei que a mulher estivesse zombando de mim.

Mas, não. Tsunade estava séria como nunca, me olhando como se estivesse dando um importante conselho. Eu não soube mais o que dizer.

Ela me deu um abraço apertado, porém sua expressão continuava dura enquanto repetia que tudo aquilo não estava fazendo bem para mim, que eu precisava tomar as rédeas da minha vida.

Fui para casa pensativa. Ainda considerava uma ideia absurda, mas não podia ignorar o fato do quão séria a Senju estava quando me deu o conselho, além de que ela era uma pessoa que eu gostava demais. Tsunade talvez tivesse alguns problemas se tratando de bebidas e jogos de aposta, mas ela não era uma pessoa insensata.

E, para me surpreender mais ainda, eu nem tive tanto tempo para refletir sobre o que ela disse, pois a própria apareceu pouco tempo depois com — pasmem — quatro passagens de avião na mão! Se só de ver aqueles intrigantes papéis esticados em minha direção já foi algo chocante, imaginem só ao descobrir que eram para quatro países diferentes!

Assim descobri que Tsunade não apenas me deu um conselho profundo, como também estava determinada a me fazer cumpri-lo, sem aceitar um “não” como resposta.

Além das passagens, a Senju emprestou-me também um celular.

— Tome — disse enquanto estendia um moderno aparelho em minha direção. Encarei-a confusa, sem entender sua ação. — Você vai usá-lo assim que partir e vai deixar o seu celular de verdade aqui, assim você terá paz e ninguém ficará te ligando e te enchendo de mensagens. Não quero ninguém te distraindo e tentando convencê-la a voltar — explicou ao ver as perguntas implícitas em minha expressão que logo passou a ser choque. Ela estava realmente se empenhando na tarefa de me fazer viajar.

Eu achei uma loucura, uma completa loucura sem cabimento quando a ouvi dizendo que estava me obrigando a tirar não umas meras férias, mas fazer quatro viagens, uma em cada estação do ano. Foi impossível levar aquilo a sério. Poxa, eu era Sakura Haruno! Uma garota exemplar e certinha com uma vida metódica, como alguém como eu faria algo tão espontâneo e aventureiro como viajar país afora, largando todas minhas responsabilidades para trás?

Porém, uma parte de mim, ah, uma parte de mim achou aquilo tão tentador, mas tão tentador, que a ideia de finalmente conhecer o mundo como tantas vezes havia sonhado — aqueles sonhos do tipo que parecem tão impossíveis que você nem se dá ao trabalho de cogitar de fato — me fazia vibrar de emoção. E esse lado ganhava cada vez mais força.

“E se…”, era o que passava em minha mente. E se eu realmente largasse tudo? E se eu resolvesse começar a seguir minhas próprias vontades, ao invés de agradar a todos? E se eu deixasse de me importar tanto com opiniões alheias e corresse atrás de minha própria felicidade?

De repente, aquela ideia louca já não parecia mais tão incogitável assim. E foi após uma breve discussão com minha mãe sobre meu drama de não querer pintar o cabelo e meu noivo querendo saber que novo furdunço era este que andava acontecendo na minha casa, que enchi meu peito de coragem e tomei uma decisão: eu iria aceitar o presente de Tsunade.

Estava cansada, completamente farta de tudo aquilo. E, com uma pequena parte de mim sentindo que talvez eu estivesse sendo imprudente e tola, entretanto, sem pensar a fundo para não perder a coragem, fiz as malas o mais rápido possível. Preparei-me rapidamente e apenas quando já estava prestes a sair que comuniquei a todos sobre a viagem e o quanto isso era necessário para mim, que eu precisava relaxar e reencontrar meus objetivos de vida.

Todos ficaram muito chocados no começo, depois, cada um teve uma reação diferente. Minhas amigas ficaram felizes pela minha atitude, me encorajando a ser audaciosa; meu pai ficou meio preocupado por eu viajar sozinha, não gostou muito desse detalhe, mas parecia tranquilo e talvez até feliz por eu estar sendo sincera; minha mãe surtou, ficou furiosa e não aceitou de jeito nenhum, com mil e um discursos sobre o quanto esta ideia era ridícula e tentando a todo custo me fazer desistir; já Sasuke…

Confesso que estava muito constrangida para falar com o Uchiha, mas senti que era necessário. Eu não sabia o que aconteceria ao certo nesta viagem, mas não era justo continuar mantendo uma relação tão vazia desse jeito enquanto eu saio em uma jornada de autodescobrimento.

Foi uma conversa difícil. Nós estávamos tão afastados… Vê-lo nesta ocasião não me trazia nada além de desconforto. Então, tentando ser o mais sincera o possível, olhei em seus olhos e disse que aquilo não estava dando certo; que nós não estávamos dando certo. E determinada a ir até o fim, eu retirei minha aliança de noivado e devolvi a ele, mesmo que me sentisse horrível ao olhar para seus olhos que expressavam choque e confusão.

— Desculpe, Sasuke, de verdade. Eu… eu sinto muito, mas espero que você entenda.

Eu não esperei por uma resposta, parti sem mais nem menos.

Sim, eu fiquei muito mal com isso, mas depois que aquele momento extremamente tenso passou e eu chorei o que tinha para chorar, por ter caído a ficha que minha paixão de adolescente nunca foi mais do que isso, eu senti um enorme peso tirado de minhas costas; embora me sentisse culpada por não ser capaz de ter uma conversa mais profunda em que eu explicasse meus motivos e ouvisse o lado dele. Porém, eu não estava pronta para aquilo, não ainda.

Eu ainda tinha dúvidas sobre até onde esse presente de Tsunade iria me levar. Não sabia se iria fazer todas as quatro viagens ou se aquilo seria apenas uma solução emergencial temporária devido a avalanche que eu sentia dentro de mim.

Mas de uma coisa eu estava certa: iria começar a lutar por mim mesma. Pela primeira vez na vida, decidi jogar tudo pelos ares e ser louca, sem me preocupar com as consequências.

Lembrei do ditado: “ichinichi isshou”*. Cansada de negligenciar minha felicidade e de deixar passar tantas oportunidades que eu queria ter aproveitado, decidi que iria viver cada dia como se fosse o último.


Notas Finais


*"Ichinichi isshou" é um provérbio japonês. Tradução: "Um dia, uma vida". Significado: viver um dia de cada vez ou viver cada dia como se fosse o último.

Lembrando vocês a darem amor à capista @Leeloo_ e à beta @HeyGreen do projeto, e a anjo da @Fenix-Dark, três amorzinhos 💕

Então, espero que tenham gostado! E calma que as grandes emoções ainda estão por vir kkkkk
Eu gostaria muito que vocês dissessem o que acharam. Comentários sempre são recebidos com muito amor e motivam mais que tudo 💖
Beijão, xuxus!


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