História Viver - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Angst, Bottom!jungkook, Doenças, Flores, Friends Vmin, Lemon, Taekook, Top!taehyung, Tristeza
Visualizações 534
Palavras 5.109
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu quero agradecer a cada favorito e a cada comentário lindo que a fic teve, muito obrigada <3
Eu espero que vocês gostem do capítulo <3
Até o próximo <3

Capítulo 2 - Viver como uma Crisântemo


Fanfic / Fanfiction Viver - Capítulo 2 - Viver como uma Crisântemo

Cinco anos depois.

— Aqui está – entregou mais alguns dos arquivos para seu pai –, o senhor Oh já está na sala de reuniões a sua espera – informou sem muito ânimo, deixando a cabeça baixa, permitindo que os olhos castanhos analisassem o carpete cinza daquela sala igualmente cinza.

Fazia quase dois anos que Taehyung estava trabalhando para seu pai.

Era como uma forma de quitar sua dúvida com o mais velho depois que o mesmo pagou por todo o seu tratamento quando teve câncer. Sentia-se envergonhado por ter corrido de volta para os progenitores, ainda mais depois de ter fugido de casa dos mesmos alegando que queria um futuro somente com Jeongguk e ninguém mais, um futuro perdido e ilusório com aquele que o havia abandonado.

Admitia para si mesmo que ficou extremamente chocado quando os pais o receberam com facilidade, aceitando pagar seus tratamentos e lhe dando todo o carinho e apoio que precisava.

Nunca poderia retribuir aquilo.

Nunca poderia retribuir as noites que os dois haviam ficado consigo no hospital, acompanhando seus tratamentos, fazendo de tudo para que o Kim mais novo se sentisse bem, se sentisse amado e extremamente apoiado. Taehyung nunca poderia retribuir aos carinhos que sua mãe fazia em si nas noites em que sentia dores, ou os pensamentos tristes lhe faziam chorar. Nunca poderia retribuir as conversas do pai sobre superação, as palestras e encontros que o mesmo havia lhe levado sobre pessoas que haviam perdido a esperança, mas conseguiram vencer o câncer.

Taehyung tinha uma dívida imensa a quitar com seus progenitores que fizeram tudo por si depois que ele mesmo havia lhe virado as costas. O sentimento de ser um péssimo filho crescia mais e mais em seu peito a cada dia que olhava para sua mãe ajeitando a gravata de seu pai, e lembrava-se da discussão que tiveram quando o mesmo xingou os dois de forma rude e equivoca, somente porque eles não apoiavam seu relacionamento com Jeongguk.

E ali estavam eles quando o ruivo quando o ruivo lhe largou, eles abriram os braços para si, o acolheram de forma terna e amorosa, se esforçando para também tentar curar o coração destruído do Kim mais novo.

Mas aquelas dores já haviam passado, já eram uma história de um passado distante demais, longínquo que não habitava mais a mente do atual moreno.

O cabelo cresceu depois do câncer, sua vida voltou aos eixos depois de tanto tratamento e a retirada do órgão “doente” do seu corpo, aguentou as sessões de hemodiálise que precisou fazer, passou a conseguir dizer a palavra câncer sem cair em choros depois.

Foi doloroso, mas Taehyung conseguiu sobreviver.

E agora sobrevivia a vida que levava; sendo assistente de seu pai na empresa da família que não tinha interesse em assumir.

Taehyung nunca quis trabalhar usando ternos, assinando papéis ou lendo contratos. Taehyung sempre achou tudo aqui tão sem vida quanto o asfalto de uma rua. Era cinza, frio e triste. Não combinava nem um pouco com a alma que carregava antigamente, uma alma colorida, quente e feliz... Todavia, algumas coisas evidentemente haviam mudado dentro do Kim de cabelos negros, muita coisa se perdeu e se esfriou.

Mas um dos sonhos do passado, esse que se consistia em ser florista, ainda era mantido aquecido, mesmo que de forma fraca dentro de seu peito. Sendo escondido por algumas camadas de sorrisos falsos e mentiras curtas sobre como estava contente em trabalhar naquela empresa.

Como estava feliz em viver daquela forma.

Ajeitando a gravata preta que circulava seu pescoço depois que seu pai saiu, o Kim mais novo apoiou-se na mesa do mesmo, bocejando e arriando os ombros, desmanchando todas as expressões felizes que demonstrou ao longo daquela manhã.

Pegou o celular que estava em seu bolso.

[Jimin Hyung]

Quando você vai vir me visitar?

Já faz mais de uma semana que eu não te vejo!

Você prometeu vir sempre!

Eu te odeio!

Não, eu te amo, mas poxa...

Venha me ver hoje, estou me sentindo tão mal...

Taehyung leu e releu as mensagens do amigo que havia feito em uma das sessões de hemodiálise. O garoto (que na época era loiro, mas agora também estava com seu cabelo em tom natural) tinha câncer no pulmão há sete anos, ora o tumor conseguia ser controlado e parecia realmente que Jimin o estava vencendo, mas às vezes ele parecia se alastrar e aquilo destruía toda a felicidade do Park em questão de poucos segundos.

O Kim tinha medo de que o amigo estivesse em um daqueles momentos.

Medo de que Jimin tivesse recebido mais uma notícia ruim em sua longa vida hospitalizado e estivesse precisando de algum amigo. Taehyung odiava estar mais ausente para o garoto.

[Você]

Eu vou aí hoje Jimin Hyung

   Eu prometo.

[Jimin Hyung]

Eu acho bom mesmo!

Estou com saudade de verdade!

[Você]

Eu também estou, estive muito ocupado esses dias.

Mas assim que eu entregar os papéis aqui,

vou deixar avisado que vou sair e vou ficar com você!

Não esperou pela resposta, apenas guardou o celular e caminhou para fora daquela sala. Queria agilizar todo o seu trabalho naquele dia, queria visitar Jimin; já estava com aquela vontade há alguns dias, estava cheio de saudade do melhor amigo, e depois daquelas mensagens, sua vontade de rever o moreno estava cada vez maior.

Com os olhos sem brilho devido ao desgosto de ter que trabalhar com arquivos e documentos que não o interessavam em nada, Taehyung continuava; pasta por pasta.

4 anos atrás.

Mais uma noite deitado ao lado do vaso sanitário de seu quarto. Mais uma noite vomitando sem parar e sentindo o corpo parecer estar cada vez com menos vida. Era sufocante, estava sendo sufocado pelo seu próprio vômito; o quão triste era isso?

O quão deprimente aquilo ainda poderia se tornar?

Céus, suas lágrimas não paravam de escorrer e sua voz não saia para que gritasse pelo nome de sua mãe, para que chamasse por ajuda.

O corpo estando mais magro que o normal, estava encolhido ali no canto, em mais uma das noites frias que parecia durar a eternidade. Tudo por conta do maldito tumor que o estava destruindo de dentro para fora.

Fechou os olhos, abraçando as pernas cercado de manchas e derramando mais lágrimas, vendo – inevitavelmente – a imagem do garoto de fios rosas desbotado que partiu seu coração surgir em sua mente.

Abriu os olhos depressa.

Negava-se a voltar ao passado. Preferia mil vezes sofrer com aquele presente do que se lembrar do que tinha e foi arrancado de si de forma bruta demais. Do que Jeongguk arrancou de si, como pegou seu coração sem piedade alguma e o arrancou.

Como olhou em seus olhos depois de tanto dizer que o amava e simplesmente lhe virou as costas, simplesmente o largou naquele apartamento, quando juntou suas poucas coisas espalhadas e lhe disse o adeus mais triste e destruidor de sua vida. Sentia como se seu coração também estivesse falhando... Foi, e ainda era aterrorizante se lembrar daquele momento.

Teria mais exames no dia seguinte, mais um dia de tratamento, mais um dia sentindo dores para que ficasse curado, mais esperanças sendo postas em cima de si a cerca da cirurgia que poderia dar certo, enquanto que para sua dor emocional, não havia cura alguma. Não havia solução para seu coração destroçado. Fungando, juntou forças desconhecidas e sentou-se no chão, passando as mãos pelos fios ralos, sentindo mais se juntarem aos seus dedos, e saírem de sua cabeça.

Todos os pelos de seu corpo estavam caindo, manchas estavam aparecendo em sua pele, estava preocupantemente mais magro, quase que esquelético, estava apático e vivia estando com febre.

Negava-se a olhar-se no espelho daquela forma, sabia que não veria a si mesmo, não veria Kim Taehyung, o garoto que foi eleito o garçom mais bonito de onde trabalhava; o garoto que era admirado por onde passava, o garoto que várias pessoas queriam chamar para o baile em seu último ano escolar, o Kim Taehyung que era encarando com paixão por um par de olhos negros e grandes de Jeongguk depois de outra noite de amor compartilhada pelos dois.

Não, o que restou daquele Taehyung, era apenas um destroço, uma casca vazia e sem alma que estava encolhido no banheiro, chorando pela reviravolta que sua vida estava tendo.

Voltou a vomitar, tremulando o corpo e gemendo de dor.

Sua mãe apareceu minutos depois, gritando chocada ao ver o filho naquela situação, começou a derramar as lágrimas enquanto se abaixava e ligava para o marido que estava trabalhando naquela noite, e depois para uma ambulância.

— M- Mãe, tá doendo – gemeu se contorcendo, sentindo parte de seu corpo ficar dormente e sangue começar a escorrer pelo seu nariz.

— Sim, por favor – a mulher continuava a falar pelo telefone – sim, sim, eu acho que ele está tendo uma hemorragia interna, venham rápido, por favor, – chorosa, começou a acariciar o corpo do filho –, calma meu amor, você vai ficar bem, eu prometo.

Por um momento, depois daquilo, tudo havia ficado preto para o Kim mais novo. Ele sentiu mãos lhe tocando, sentiu ser puxado e ser aberto, ouviu várias vozes ao redor de si, mas não compreendia nada.

Quando abriu os olhos, estava em um quarto desconhecido por si, havia uma máquina presa a si que tirava seu sangue por uma agulha, e havia outra que lhe dava sangue. Estreitou os olhos, confuso.

— Olá, finalmente você acordou, está ai há umas dez horas, achei que tinha morrido – um garoto comentou de repente, seus olhos pequenos sorriam junto com os lábios – Ah, desculpa, não sei se isso é legal de se dizer, não sei como você pode reagir, perdão.

— Tudo bem, eu sinto como se estivesse morrendo – confessou baixo, ouvindo sua voz sair grave e embargada.

— Jimin, venha, você tem outro exame agora – uma mulher apareceu entrando na sala, olhando para o menino que estava fazendo companhia para si naquele lugar, ajudando o menino a se levantar e andar para fora dali.

— Tchau! – O garoto acenou brevemente para si.

— Tchau! – Taehyung sorriu fraco, acenando também para o desconhecido que ia embora a passos lentos.

Tempo atual.

Girou o volante para a esquerda de forma calma, embora o coração estivesse acelerado, os olhos amendoados agora tinham mais brilho, veria Jimin, sendo a única pessoa no atual momento que lhe passava um sentimento de conforto e paz.

Não que estivesse desmerecendo os próprios pais, era imensamente grato por tudo que os progenitores haviam feito por si, mas Taehyung estava cansado, cansado de todos os assuntos serem sobre o trabalho que o Kim odiava exercer, estava cansado das festas sociais que os pais davam todo mês, das mulheres que eles – não muito discretamente – empurravam para si; ainda podendo acreditar que o filho único gostasse de alguma delas e lhe dessem netos... Taehyung até tentou uma vez com uma menina chamada Bae Joohyun, mas no segundo encontro já viu que era inútil, por mais que a garota fosse ótima; engraçada, fofa, inteligente e muito bonita, assim que ela aproximou-se para lhe roubar um beijo, foi enjoativo para Taehyung.

O Kim mais novo também foi apresentado a Jeongyeon, uma garota talentosa e extremamente atraente no qual realmente se viu um apreciador da voz da garota, entretanto, assim que o nome da garota saiu de seus lábios depois que foram apresentador, Taehyung entrou em um lapso... A semelhança do nome da menina, com o do garoto que partiu seu coração, deixou sua garanta seca, suas pernas bambas e rapidamente correu para longe dela, desesperado para se afastar, desesperado para apenas chegar ao jardim de sua família e ficar observando o céu negro e estrelado daquela noite.

Não queria mais saber das pretendentes que seus pais traziam, não queria mais saber de Joohyun ou Jeongyeon.

Não por elas serem mulheres. Não por conta do gênero delas.

Taehyung simplesmente estava enjoado e destruído demais (mesmo anos tendo se passado) para se envolver com alguém, absorvendo-se completamente dos beijos, sexo e até mesmo punhetas; as fazendo somente quando necessário.

Não queria mais, ainda estava despedaçado.

Não queria trabalhar com o que o pai fazia, queria continuar sendo garçom para conseguir dinheiro e realizar seu sonho, queria sorrir verdadeiramente para as pessoas, queria juntar seu dinheiro e poder fazer fotografia, pintura, ou o que sempre quis; ser florista... Algo, qualquer coisa que fosse significativo para si. Algo que representasse algo profundo para sua alma, algo que o completasse, que preenchesse o vazio em si.

E Jimin era o único que falava consigo a respeito de tais coisas, lhe olhando da forma terna que o Kim precisava, falando de assuntos com sua voz meiga da forma que Taehyung se acalmava ao ouvir... Anos atrás até cogitou se apaixonar pelo ex loiro, cogitou uma pequena ideia de ficar com ele, cogitou um relacionamento e conversou com o mesmo a respeito, explicando que talvez ele conseguisse superar o que seu antigo amor havia lhe causado, talvez conseguisse anular os efeitos traumáticos que Jeongguk havia causado em si, e sabia que estaria usando Jimin de uma forma ruim, mas ainda assim tomou coragem e contou seus pensamentos ao amigo.

Mas somente obteve “Eu não sinto vontade nenhuma de ter relacionamentos Tae, eu amo muito sua amizade, e isso é a coisa máxima que eu já tive com qualquer outra pessoa, eu amo você, mas eu odeio tudo que envolva relacionamentos, não gosto de nada relacionado a contato carnal ou físico, eu detesto a ideia de contato físico com alguém”.

Aquela resposta foi um choque completo para Taehyung que sempre testemunhou o garoto fazer manhas querendo carinho e ser muito carente consigo... Nunca passou por sua cabeça que Jimin nunca teve amigos, namoros ou sequer havia beijado na boca porque Jimin nunca gostou de contatos, sempre acreditou (em sua mente ignorante) que as pessoas que não queriam Jimin por conta de seu câncer.

E agora se sentia idiota por não ter percebido que Jimin realmente não gostava de contatos físicos, mas amava a textura da pele do Kim lhe abraçando e apenas isso.

A teoria dos dois era de que eles se entendiam, sabiam do sentimento de tristeza que um tinha com o outro e por isso conseguiam permitir que cada um, fizesse coisas consigo que ninguém mais poderia fazer.

Estacionou o carro em uma das vagas do estacionamento do hospital. Pegou o buquê pequeno de crisântemo; uma das flores amarelas que Taehyung apreciava bastante e lhe lembravam muito do Park quando o mesmo estava confiante de seu tratamento.

Caminhou com tranquilidade pelo chão asfaltado, sentindo o vento refrescante do inverno que se aproximava.

Passou pela porta principal, recebendo sorrisos e cumprimentos de alguns dos médicos que já o conheciam muito bem, afinal, fora tratado ali e sempre estava presente no hospital quando estava com tempo livre. Entrou no elevador, subindo até o quinto andar, bateu de leve os pés no piso, se negando a encarar seu reflexo no espelho que havia ali, saiu assim que o elevador parou e foi caminhando calmamente até o quarto 355, o quarto de seu melhor amigo.

Abriu a porta.

— Flor de ouro. Felicidade e vida completa – recitou calmo enquanto fechava a porta atrás de si, caminhando até a cama do Park e lhe estendendo o buquê. – Existe uma lenda de que as pétalas de crisântemo nas taças de vinho serviriam para prolongar a longevidade e vitalidade de uma pessoa.

Jimin pegou o buquê corando pouco e sorrindo largo.

—Estava com saudade dessas flores bizarras e bonitas que você trazia para mim - levantou-se da cama sorrindo animado, - e também estava com saudade dessas suas explicações.

Os dois se abraçaram fortemente, segundos antes de se sentarem na cama do mais baixo.

—É pra eu viver mais? – Apontou para o buquê e sorriu pouco.

—Elas me lembram você – contou baixo, enlaçando seus dedos nos de Jimin.

—Quando eu era loiro? – um sorriso se fez nos lábios do mais velho -, eu era bonito naquela época, né Tae? – Pousou sua cabeça no ombro do mais alto, perguntando baixinho.

—Você é muito bonito ainda Jimin – Taehyung afastou-se, passando a mão suavemente nos fios pretos, bastante ralos e curtos do mais baixo. —Elas me lembram você por conta da positividade, da beleza e de como vocês parecem ter histórias envolvendo vinhos – piscou fazendo com que o Park soltasse uma gargalhada alta devido a brincadeira. –Vem, quero te levar para um lugar, acho que você vai gostar!

—Eu não sei se tenho permissão para sair – resmungou em muxoxo.

Jimin realmente praticamente vivia em um hospital. No começo ele ia somente para fazer seus exames e a quimioterapia, mas com o tempo, o garoto passou a ter muitas recaídas e de repente seus pulmões falhavam quase que completamente, ninguém entendia a situação de Jimin com perfeição; em alguns momentos parecia óbvio que o garoto venceria seu tumor, mas na semana seguinte ele estava entubado, inconsciente... Era complicado, o câncer parecia estar brincando com o Park, diminuindo e crescendo de repente, lhe dando esperanças e depois as destruindo, então os pais de Jimin (esses que achavam que somente por pagar o tratamento do garoto, eram excelentes pais e não precisavam visitá-lo.) deixaram que ele ficasse permanentemente no hospital.

Pagando mensalmente para que o garoto ficasse ali por em todos os dias, sem exceção.

Aquilo entristeceu o Kim, por mais que soubesse que aquela opção era melhor para Jimin em casos de emergência onde do nada o corpo do garoto entrava em colapso e ele poderia não chegar a tempo, ainda assim Taehyung ficava magoado porque sabia que o amigo não recebia visitas, ficava o tempo todo completamente sozinho. Então o mais alto lhe dava flores, livros, dvds com alguns filmes ou séries, tudo que pudesse distrair Jimin durante suas ausências.

Então Taehyung não se importou em juntar dinheiro e começar a pagar uma parte pequena do tratamento do amigo – mesmo que ele não soubesse – somente para poder ter seu nome na lista de autorizações das pessoas que poderiam tirar Jimin do hospital por um breve período de tempo.

— Eu falei com um de seus médicos quando cheguei, ele disse que tem quase um mês que você responde perfeitamente bem ao tratamento e não tem nenhuma recaída, - juntou suas duas mãos nas do Park – vamos lá, vai ser bom, troque de roupa, tem alguma ai?

—Acho que tenho uma calça e uma blusa de manga – contou baixo.

— Ótimo, eu tenho um casaco no carro – deu os ombros, vamos logo, vai se trocando, vou informar sobre sua saída, e coloque as flores na água – instruiu tudo de forma calma antes de sair do quarto e rumar em direção a uma das enfermeiras responsáveis pelo amigo.

Caminhou tranquilo pelos corredores branco, o cheiro de álcool, remédios e doenças se fazendo presente, tudo fazendo o Kim se relembrar daqueles tempos no qual esteva doente.

Tempos de muita dor.

Chegou até o balcão.

—Boa tarde, eu sou um dos responsáveis por Park Jimin, eu quero uma liberação dele de quatro horas – pediu calmo para a mulher cujo crachá se dizia Somyi.

— Qual o nome dele? – Perguntou de forma cansada e Taehyung apenas revirou os olhos.

—Park Jimin, quarto 355.

Ela começou a digitar de forma apressada.

—Ah, câncer pulmonar; carcinoma de pulmão indiferenciado de grandes células – leu as informações de forma preguiçosa, resmungando palavra por palavra. – Duas cirurgias, sete anos de tratamento, mais de 40 recaídas durante o tratamento e seis internações feitas às pressas.

—Sim – confirmou mesmo que ela não tivesse lhe perguntado nada

— Você tem a permissão de algum dos médicos, fisioterapeutas, cirurgiões-dentistas ou psicólogos dele para emitir esse pedido de retirada do paciente do hospital? – Perguntou de forma cansada, sem tirar os olhos do computador.

—Não precisava disso da última vez – questionou baixo.

—Muitas coisas mudaram nos últimos dias, o hospital está com um novo sócio, então temos novas regras pra seguir agora – resmungou de forma rude, revirando os olhos, também não parecia satisfeita com os novos procedimentos de atendimento que tinha que executar.

—Eu vou pegar uma nota de permissão da senhorita Lee – falou para si mesmo, se afastando e indo até a sala da mulher.

[...]

—É muito bom que você ainda venha aqui Taehyung – a doutora Lee comentou sorrindo enquanto estava curvada escrevendo. – Fico muito feliz que você ajude seu amigo assim, há certos pacientes de câncer que ficam com traumas de hospitais – contou de forma amuada.

—Jimin fez muito por mim, e eu o amo, e adoro ajudá-lo, não importa com o que – contou de forma tímida, falar de Jimin de forma mais intima e sentimento sempre deixava Taehyung envergonhado.

Por isso muitas vezes não falava do garoto para seus pais, sentia-se envergonhado e também tinha seus receios de que os progenitores imaginassem que houvesse um romance por trás de tudo aquilo.

—Isso faz muito bem a ele, ele precisa sair ás vezes, manter atividades físicas fora da fisioterapia, fazer coisas quase que rotineiras e manter essa influência de coisas boas e animadas, isso o anima com o tratamento, e deixa a quimioterapia mais fácil – ela explicou calma enquanto mantinha um sorriso no canto dos lábios. — Algumas pessoas passam a tratar pacientes com câncer de forma delicada, e isso pode ser muito prejudicial em alguns casos, no caso de Jimin, por exemplo – retraído os lábios ao fazer menção a forma como os pais do garoto o tratavam –, por isso é muito bom que você o leve para sair, como agora – sorriu de forma mais larga.

—Sim, essas coisas me ajudaram muito no meu tratamento, eu tive sorte de ter conseguido vencer – comentou por último, direcionando o olhar para o chão, sentindo-se enjoado como sempre ao sentir os cheiros de borracha que a sala da doutora Lee possuía.

Não demorou muito para que a sempre gentil fisioterapeuta de Jimin terminasse de assinar os papéis que o permitiam sair do hospital por quatro horas.

Taehyung conhecia aquele hospital muito bem, então não teve problemas ao caminhar até o pequeno armazém onde alguns dos resignadas específicos poderiam pegar certos objetos para que pudessem ir ao mundo lá fora; como alguns dos pacientes se referiam.

Na pequena cestinha branca, Taehyung mantinha uma caixa de lencinhos, duas máscaras, meias, duas garrafinhas d´água e um recibo de cadeira de rodas caso fosse necessário e Taehyung poderia pegar em dos depósitos do hospital.

Voltou para o balcão onde a atendente Somyi ainda estava.

—Aqui – mostrou os papéis para a mulher.

Ela carimbou e logo digitou mais coisas no computador.

—Tudo bem, você pode levá-lo, vai dar três horas, as sete ele deve voltar porque as oito ele tem outro exame de broncoscopia e amanhã uma bateria de exames de raios-X e precisa descansar – informou mais uma vez lendo de forma preguiçosa, palavra por palavra sobre a agenda hospitalar de Jimin.

—Ok, obrigado – curvou-se brevemente e saiu, caminhando apressado em direção ao quarto do amigo.

Abriu a porta, vendo Jimin sentado na cama, balançando as pernas enquanto encarava o chão e fazia sons engraçados e infantis com os lábios.

O garoto estava com calças folgadas de moletom cinza escuro, uma blusa comprida preta e um casaco três números maiores que o seu. Usava meias grossas e uma touca cobrindo completamente todos os fios ralos que cresciam e caiam.

— Consegui achar essas roupas – explicou baixo ao olhar para o próprio corpo.

Taehyung sorriu com os lábios e com os olhos.

—Vamos? – Perguntou sorrindo, mostrando a cestinha com as coisas que precisava levar para sair com Jimin, esse que abriu um grande sorriso e se levantou, apagando a luz do quarto e caminhando para fora daquele hospital junto com Taehyung.

—Estou ansioso – segredou baixinho ao estar próximo do carro do Kim.

O mais novo apenas sorriu, entrando no carro e esperando que Jimin entrasse também.

Assim que o mais velho pôs o cinto de segurança, segurou a cestinha em cima de suas pernas. Taehyung tinha em mente o local que queria levar Jimin naquele dia.

Anos atrás.

Um dia antes do descobrimento do câncer.

—Eu amei o passeio hoje sabia – Jeongguk sentou-se no colo de Taehyung, sorrindo ao inclinar-se para frente e apoiar seu rosto no peito do loiro. Igual um verdadeiro coala – você está com febre desde ontem, não precisava me levar até lá – resmungou.

—Eu sei amor, você já disse isso – começou a afagar os fios claros do garoto que rapidamente começou a lhe dar vários beijos.

—Mas é que foi tão bonito – levantou-se um pouco, sorrindo antes de sair do colo do mais velho e se levantar da cama. – Mas amanhã nós vamos ao médico, ok?

— Tudo bem, amanhã nós vamos sim – sorriu pouco.

O garoto vestia apenas uma cueca branca, deixando a bundinha arrebitada do mais novo parcialmente visível, o quarto mal iluminado sempre conseguia deixar Jeongguk mais atraente. Taehyung sempre se perdia enquanto via o garoto de 16 anos dar curtos passos e logo chegar a cozinha, abrindo a geladeira que continha pouquíssima coisa dentro.

—Você precisa fazer compras amor – revelou assim que pegou uma garrafa de refrigerante que agora era usada para armazenar água.

Taehyung sentou-se, olhando o apartamento pequeno onde tinha apenas cozinha, quarto e banheiro.  Um apartamento minúsculo que ficava ao lado de uma das paradas de trem, então o barulho no meio da noite era certo, mas era a única coisa que Taehyung conseguiu alugar com as mesadas que juntou durante um tempo.

Assim que fez dezoito, quis logo morar sozinho, sabendo que seus pais nunca aprovariam Jeongguk como seu namorado caso um dia contasse a eles, então o Kim quis logo bater suas asas e voar, assumindo seu relacionamento quando já tinha comprado àquele imóvel.

Era lógico que seus progenitores tentaram o impedir, discutiram por horas sobre aquela decisão do garoto, mas de nada havia adiantado, Taehyung simplesmente bateu o pé afirmando fortemente que viveria com Jeongguk, longe dos pais preconceituosos, e seria feliz daquela forma.

Enquanto acabava por relembrar de suas decisões do passado, viu o mais novo passar as mãos nos fios claros e logo começar a vestir sua calça; ele tinha que ir embora, Taehyung sabia disso, e odiava ter que dormir sozinho sabendo que Jeongguk também gostaria de ficar. E talvez, até mesmo por saber disso, o garoto sorriu para si, caminhando até a cama e dando um selar breve nos lábios do mais velho.

—Eu prometo que venho aqui amanhã depois da escola para irmos ao médico – ficou de joelhos no colchão, contornando o pescoço do Kim com seus braços enquanto via o mesmo pousar suas mãos em seu quadril, com os dedos esfregando de leve sua bunda. – Vamos ver se você está bem mesmo, e depois vamos fazer um amorzinho muito bom – sorriu travesso antes de ser puxado e os dois se embolarem de novo na cama.

Taehyung sabia que poderia passar o resto de sua vida admirando o rosto de Jeongguk, seu corpo, cada detalhe dele que seria estranho em outra pessoa, mas nele ficava simplesmente maravilhoso, completamente ideal.

— Você vai comigo? – Taehyung perguntou baixo, não perdendo a oportunidade de passar sua mão por todo o corpo alheio.

— Lógico que vou, eu vou estar com você sempre, eu te amo – o mais novo respondeu formando um bico simples.

Era apaixonado demais, não tinha dúvidas nenhuma de que seu coração havia sido conquistado pelo garoto de cabelo claro, dois anos mais novo que si. Havia sido conquistado pelo menino que conheceu nos jardins da escola, pelo garoto que era seu primeiro amor.

—Se me ama então fica mais dez minutinhos aqui – pediu começando um beijo calmo no mais novo – só mais um pouquinho – insistiu deslizando os lábios até a clavícula do garoto.

—Só mais dez minutinhos Hyung – Jeongguk cedeu sorrindo, abraçando o corpo do mais velho com os braços e as pernas enquanto as duas bocas começaram a se engolir com um desejo intenso. – Só porque você me levou em um lugar lindo hoje – murmurou rapidamente assim que se afastaram, arrancando uma risada gostosa do Kim que não se demorou em voltar a beijá-lo.

Tempo atual.

Mas assim que ligou o carro e deu partida, Taehyung não esperava ver a figura de Jeon Jeongguk com seus cabelos vermelhos e o terno caro cobrindo o corpo passando em frente ao seu carro no meio do estacionamento do hospital.

O mais doloroso para o Kim, foi ver o garoto virar em direção ao automóvel. O que fez seu coração parar por dois segundos foi sentir o olhar do garoto queimar em sua pele, em seus próprios olhos castanhos.

Inevitavelmente, apertou com volante quando o garoto parou no meio de seu caminho para encará-lo de forma chocada.

Taehyung sentiu seu coração se quebrar outra vez.

— Ah, aquele é o filho do novo sócio do hospital – Jimin contou sem perceber a névoa negra de tristeza e dor que estava sobrevoando os dois garotos que ainda se encaravam –, eu gostei muito do cabelo dele quando o vi pela primeira vez, vou querer ter um cabelo assim se eu me curar do câncer.

— Jimin? – Chamou baixo, atraindo um olhar despreocupado do garoto que logo ficou confuso devido à aparência aterrorizada do Kim ao seu lado. O garoto segurava o volante com força, e não desviava o olhar do Jeon mais novo nem mesmo para chama-lo. – Lembra-se daquele meu câncer que eu tive no coração?

Perguntou simplista sabendo que o Park entenderia perfeitamente a pergunta que havia feito.

Quando Taehyung contou para o mais velho sobre como descobriu o câncer, também contou sobre Jeongguk, omitindo o nome do rapaz, e contou sobre sua sexualidade. Contou sobre como o relacionamento dos dois eram, contou sobre como foi largado e contou sobre o que sentia com tudo aquilo, sobre como tudo aquilo o afetou e o tornou uma pessoa extremamente fechada e fria para os outros.

Jimin o aconselhou, o ouviu cada uma das vezes que sua crise atacava por conta das lembranças doloridas que tinha, e Jimin esteve com ele.

Juntos, apelidaram o que Taehyung teve como “câncer no coração”, uma piada de mau gosto feita por dois pacientes com aquele tipo de tumor para tentar aliviar a tensão que existia. Sempre que o Kim ficava melancólico ou simplesmente chorava sem parar por conta de certas datas em especial, Jimin dizia que seu “câncer no coração” tinha voltado e precisavam tratar dormindo abraçados e vendo filmes ruins de comédia.

— Lembro – balançou a cabeça positivamente ao responder, mesmo que Taehyung não o estivesse olhando –, hoje é alguma data importante e eu esqueci? – Perguntou curioso e confuso pela súbita mudança de comportamento do amigo.

 

—Não, mas – suspirou e continuou a falar ainda fixando seus olhos castanhos nos negros de Jeongguk a sua frente –, aquele é causador do meu câncer no coração. 


Notas Finais


Se você chegou até aqui, obrigada <3


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