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História Vizinhas - Capítulo 26


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Capítulo 26 - Medo


Aproveitei meu dia de ropouso para acordar tarde e descansar. Como havia acordado bem melhor, comi besteiras, domi a tarde, assisti muitas séries e até chorei vendo filme. Foi um belo repouso, no fim do dia, procurei relaxar mais ainda na banheira tomando vinho e comendo queijo, depois hidratei meu cabelo e a minha pele. Quando a noite chegou, liguei para Amélia, porém ela não atendeu. Achei bem estranho. Tentei ligar outras vezes, mas também foram sem sucesso.

Apesar de estar preocupada, eu consegui dormir, precisava de um boa noite de sono para que meu dia fosse produtivo. Dormi muito bem e acordei bem cedo no dia seguinte, me arrumei e fui trabalhar. Comecei o dia como de praxe e para minha surpresa, Amélia não tinha chegado. Mal me concentrei no trabalho pensando no que poderia ter acontecido para ela se atrasar. Esperei mais um pouco para que ela chegasse, mas ela faltou o trabalho. Decidi ir vê-la no fim do dia, eu poderia ter tido uma virose e passado para ela, então ela provavelmente estaria doente. Quando acabei meu trabalho, peguei o endereço de Amélia em seu currículo e fui até sai casa, chegando lá, ela não demorou a atender. Ela abriu a porta e a primeira coisa que eu reparei ao olhar em seu rostou, foi uma marca de hematoma próxima ao seu olho. 

— Doutora? O que está fazendo aqui? 

— Te peguei de surpresa, não é? 

— Não precisava vir, eu estou bem.

— Não vai me chamar para entrar? — ela realmente não chamou — tudo bem, eu entro mesmo assim. 

Eu entrei em sua casa, estava tudo muito arrumado e limpo, sentei em uma poltrona e comecei a falar.

— Amélia, é sua obrigação me contar por que você faltou o trabalho hoje. 

— Bom doutora, tive alguns problemas — a voz dela estava trêmula e ela parecia preocupada. 

— Amélia, não me veja mais como doutora, por favor. Quero te ajudar, já vi muitos casos assim e...

— Ah, não é o que a senhora está pensando. 

— Então o que é? 

— Não posso dizer, doutora. 

—  Amélia, você corre algum risco? 

Ela não me respondeu, mas seus olhos diziam claramente que ela estava com medo de algo. 

— Amélia, eu vou descobrir o que está acontecendo e pode ter certeza que eu vou te ajudar. 

Eu deixei a casa de Amélia e fui embora. Ao chegar em casa fiquei pensando muito no que poderia ter acontecido a ela. Fiquei tentado lembrar de algo, de alguma coisa que eu vi e me veio à mente Antônio, lembrei-me do jeito que ele olhou para ela. Rapidamente ao lembrar-me disso fui até o escritório, fui até os seguranças e pedi que eles me mostrassem as câmeras. Nas filmagens do andar dos sócios, vi que Antônio realmente importunou Amélia no dia que eu faltei, e ela parecia incomodar-se com isso, mas não disse nada. Pedi para que eles me mostrassem as imagens da frente do escritório e vi que Amélia entrou no carro de Antônio, mas depois não houve mais nada, aparentemente. Eu peguei aquelas imagens e as guardei em minha própria residência. Passei para meu notebook e mostraria para Amélia no dia seguinte, iria perguntar para ela se Antônio havia feito algo. 

No dia seguinte chamei ela em minha sala para lhe questionar. 

— Amélia, como sua chefe, digo que você não pode manter nenhum tipo de relação sem ser de trabalho com seus superiores. 

— Não estou entendendo, doutora.

Eu mostrei as imagens. 

— Agora preciso que você me responda com toda a sinceridade do mundo e quero que você me veja como sua amiga nesse momento: Querida, o Antônio te causou algum mal? 

Amélia me olhou com os mesmos olhos da noite anterior. Eles já diziam por si só.

— O que ele fez, querida? — Amélia estava sentada, eu me ajoelhei de modo que eh pudesse olhar para ela cara a cara. 

— Vou lhe contar tudo — ela disse com a voz embargada — Ontem, a senhora faltou, eu fiquei sozinha em minha sala, quando eu saía, o doutor Antônio sempre dizia algo para mim, ele puxava assunto e sempre que conseguia, elogiava meu corpo. Eu fiquei com vergonha, mas não respondi nada por ele ser meu chefe. Quando nós acabamos os trabalhos,  doutor Antônio se ofereceu para me levar em casa, eu disse que não precisava, pois minha casa era a poucos minutos dali, mas ele continuou insistindo e eu acabei aceitando. 

— E depois. 

— Ele realmente me levou em casa, porém o problema começou na hora de eu tentar sair do carro — as lágrimas começaram a sair de seus olhos — O doutor Antônio tentou me beijar, mas eu disse que não queria. Ele me respondeu dizendo que era superior a mim e que eu teria que fazer o que ele quisesse, mas eu me recusei. Daí, ele me agrediu e me beijou a força. Eu tentei fazer ele para, mas não consegui e ali mesmo ele...

— Não precisa terminar, Amélia. Já sei o que aconteceu. 

Amélia estava muito, muito abalada e assustada. Eu mandei ela ir para casa após aquilo. Sinceramente, eu me surpreendi com o que Antônio fez, um advogado que pode ter tudo escolheu molestar uma das empregadas de seu escritório. Eu disse para Amélia que a ajudaria, mas precisaria dela para recolher provas contra ele. Estava disposta a fazer tudo para colocá-lo na cadeia, pois uma coisa dessas não tem perdão.

Me certifiquei que Amélia chegaria bem, mandei um motorista levá-la e disse que ela não precisaria se preocupar, pois estaria sendo monitorada a todo tempo. Guardei os vídeos em um local seguro e garanti que ninguém pegaria nada, aqueles vídeos seriam importantes para incriminar Antônio. Eu fui para casa e pesquisei sobre a vida de Antônio: ele era um homem rico desde a sua infância, mulherengo e também era um conquistador, sabia exatamente como fazer uma mulher fazer as suas vontades. Ele confirmava a sua personalidade mimada no dia a dia, gostava que as coisas fossem da sua maneira e se não acontecessem, ele procurava fazer acontecer do seu jeito. Ele provavelmente não tinha medo de perder nada, tinha a sua posição, poder e a lei ao seu favor, mas acho que dessa vez ele cometeu um erro gravíssimo, um erro irreversível. 

Eu guardei os dados de Antônio no meu computador e fui para cozinha comer algo. Minha campainha tocou, eu abri a porta. Era Celine.

— Celine? 

— Podemos conversar? 

Eu me surpreendi com ela em minha casa, pensei que não voltaria. 

— Podemos, entra. 

Enquanto ela entrava, eu falava com ela.

— Pensei que você não voltaria, depois daquele dia... Sentiu minha falta, é? 

— Hum, por que eu sentiria?

— Sei lá — dei de ombros. 

— Eu vim conversar sobre o meu namorado. 

Eu fiquei interessada na conversa, mas não queria que Celine soubesse que eu conhecia Antônio. 

— Aconteceu algo? 

— Eu queria acabar as coisas com ele, mas tenho medo.

— Medo? Por que você teria medo de seu próprio namorado? 

— Bom...

— Celine, se você não quer mais nada com ele, termine logo. Se você se sente desconfortável ou desconfiada de algo é só falar com ele, acho que ele entenderia. 

— Ah, você não o conhece. 

— Bem, é verdade. Mas se ele gosta de você e entende o que é amar alguém, de certamente vai entender. 

Celine olhou para o chão e ficou pensativa. 

— Celine, já reparou que a mais velha aqui é você mas parece que sou eu?

Ela sorriu. 

— Você é boa pra conselhos, querida. Obrigada por conversar comigo. 

— Eu estou aqui para o que você precisar. 

Nós nos despedimos e Celine se foi. Eu ganhei algo falando com ela e aparece que até ela teme Antônio. 

Com certeza não será fácil incriminar Antônio, afinal, Amélia já deve ter tomado banho e as provas que nós tínhamos contra ele se foram. Ela poderia dar queixa de assédio e agressão, mas com certeza ele tem amigos na polícia e isso seria ineficaz. Seria burrice acusá-lo de um estupro sem provas, então eu procuraria provas contra ele e isso faria com que essa tarefa ficasse mais fácil, mas com certeza eu teria muito trabalho. 




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