História Vizinhos - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Tags Naruto, Sakura, Sasuke, Sasusaku
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Palavras 3.941
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então galeura, sumi mas to aqui de novo
QUERIA PRIMEIRO AGRADECER QUEM VEIO DO MK PRA CÁ
OBRIGADA GENTE, VCS SÃO LINDES

Agora, fiquem com esse capítulo GIGANTESCO

Capítulo 2 - Más impressões


Existiam poucas coisas que faziam Sakura ficar com raiva. A própria poderia enumerar apenas duas ou três que realmente a faziam querer explodir de ódio.

A primeira era quando algum garoto fazia graça de sua testa. Mas isso ela já havia superado com a ajuda de Gaara e Temari, irmãos e seus amigos mais próximos em Nova Iorque antes que a loira terminasse o ensino médio e fosse embora da casa dos pais para cursar Direito na Inglaterra.

A segunda coisa era quando alguém realmente fazia pouco caso de sua presença no local. Algo que o Sr. Monossilábico Uchiha Sasuke sabia fazer muito bem, com os fones de ouvido no talo enquanto encarava a janela com o que parecia ser a maior cara de tédio-plus-concentração do universo.

Sakura estalava os dedos à cada trinta segundos, olhando para todos os cantos do interior daquele carro enquanto um rapaz de longos cabelos negros e olhos escuros – idêntico ao Sr. Monossilábico – dirigia e disparava perguntas para a pequena rosada.

Aliás, a terceira coisa que a irritava eram pessoas invasivas. E aquilo o Sr. Uchiha-mais-velho fazia muito bem.

— Puxa, eu não sabia que vocês voltariam a morar aqui! Quero dizer, seu pai é um grande amigo da nossa família, e fazia tanto tempo que eu sequer me lembrava de você, Sakura-chan!

Sakura-chan.

Ninguém usava honoríficos com Sakura, pelo menos, não que ela se lembrasse. Aquilo era absurdamente nostálgico, e a fazia se sentir de volta à escola elementar, onde era geralmente a “Haruno-san” para todos graças à falta de amigos.

— É... Quero dizer, vir para cá sempre foi um sonho. — Sakura sorriu amarelo, notando que os olhos do rapaz a encaravam através do retrovisor. Ele parecia realmente animado com a presença da rosada, ao contrário de Sasuke que apenas soltava resmungos baixos de tempos em tempos.

O clima não poderia estar pior.

— Com certeza você mal se lembra da gente, mas eu peguei você no colo quando era apenas um bebê! — Itachi comentou, sorrindo abertamente enquanto parava em um sinal fechado. Naquele momento, parecia que o sorriso de Sakura estava tatuado em seu rosto enquanto sua mente trabalhava à mil por hora.

Subitamente, lembrou-se do leque de papel que todos os membros daquela família pareciam exibir com orgulho. Itachi usava um colar onde o pingente era branco e vermelho. O símbolo do clã Uchiha...

Uchiha. A família Uchiha.

Sasuke Uchiha.

Oh Céus.

A garota engoliu em seco, olhando de soslaio para Sasuke ao seu lado, que parecia batucar alguma música no vidro do carro. Os olhos escuros e os cabelos rebeldes dele já não lhe eram tão estranhos assim, muito menos a beleza absurda de cada traço em seu rosto.

Era óbvio, como não havia percebido antes?

Sentindo a vergonha consumar cada átomo de seu corpo magricela, a garota se encolheu no assento. Será que estava tarde demais para pular pela janela do carro e ir a pé de volta para os Estados Unidos?

O carro finalmente parou em frente ao imponente prédio da escola – que mais parecia um pequeno castelo aos olhos de Sakura – de maneira brusca no estacionamento destinado aos professores, algo que fez o corpo de Sakura ser jogado com violência para o lado. Apesar de querer muito soltar um palavrão alto, a menina se conteve, ignorando o olhar divertido que Sasuke lhe lançou. Respirou fundo, controlando todas as vozes em sua cabeça que praticamente gritavam “imbecil” uma centena de vezes. Após aquilo, porém, o menino voltou à se fechar no mundinho em que estava antes, sem sequer retirar os fones de ouvido.

Itachi desafivelou o cinto murmurando uma pequena desculpa para a rosada, olhando apressadamente para o relógio. O interior do carro tinha um cheiro estranho de tabaco, couro e um perfume amadeirado que parecia exalar do corpo do rapaz, o que fez Sakura se perguntar mentalmente se Itachi fumava. Não que aquilo fosse problema dela, muito pelo contrário, mas o cheiro nostálgico apenas a fazia sentir mais e mais saudades de casa e de seu pai absurdamente relapso.

— Sasuke — Itachi chamou, virando-se no banco e olhando para o garoto ao lado de Sakura, que parecia absorto demais em pensamentos para escutá-lo. — Sasuke! — Chamou mais alto, fazendo o mais novo dar um pequeno pulo e retirar os fones.

— O que foi?

— Estou um pouco atrasado para a reunião de professores. Temos alguns minutos antes da aula, teria como você trancar o carro e apresentar a escola à Sakura-chan?

Sakura estremeceu. Não queria ficar mais perto de Sasuke, mas também não queria dar explicações. Observou quando o mais novo assentiu lentamente com uma carranca nas feições delicadas, e Itachi logo estava fora do carro desejando um “bom primeiro dia” para ela.

Ah sim, estava sendo ótimo, sensei. Já estou pensando em duas mil formas diferentes de fugir de volta para casa, e ainda não são nem nove da manhã!, sua consciência gritou.

O silêncio que se instalou no carro agora parecia ensurdecedor. Após alguns segundos de nervosismo, ela abriu a boca lentamente para dizer algo, mas Sasuke fora mais rápido, retirando o cinto e abrindo a porta do carro.

— Está entregue, novata. — Murmurou por sobre o ombro, fuzilando-a com os olhos negros. — Se tiver quaisquer dúvidas pode falar comigo, mas eu prefiro que não o faça.

A menina franziu o cenho, observando-o com cautela. O rapaz que se manteve calado durante todo o trajeto e ignorou sua presença era extremamente grosso, ou era apenas uma má impressão? Ele havia mudado durante todos aqueles anos, não havia? Como poderia existir alguém assim na família daquela mulher tão simpática e do rapaz que havia lhe dado carona agora há pouco?

Sakura bufou, tentando inutilmente retirar o cinto que parecia lhe esmagar. Se fosse em qualquer outra ocasião, ela lhe daria um sorriso, fazendo-se de boba para o ocorrido. Mas, infelizmente, hoje não era o dia ideal para cutucar a fera, e se ele queria começar dando uma péssima segunda impressão para ela, que seja. Ela nunca fora de ouvir desaforos e ficar calada mesmo.

— Não se preocupe, já sou bem crescidinha para ter como babá uma criança como você. — Disparou, puxando o cinto com mais força, totalmente sem jeito. Logo ela perdeu o ânimo, notando que realmente o cinto não parecia querer se soltar, aumentando ainda mais sua irritação e vergonha.

O rapaz por sua vez apenas deu uma risada fraca, achando graça da aparente falta de coordenação de Sakura. Inclinando-se sobre o corpo da garota, ele puxou a fivela que a prendia, soltando-a com maestria. Quando voltava para seu lugar inicial, entretanto, seus olhos se cruzaram por um ínfimo instante, e ele observou menina engolir em seco, corando levemente. Obviamente, isso não passou desapercebido por Sasuke, que aproveitou da situação para tirar sarro da pobre novata.

— Você é muito desajeitada. — Sussurrou, saindo do carro em seguida. Sakura apenas o fitava, totalmente incrédula.

Em um ímpeto de coragem, Sakura rapidamente colocou a alça da bolsa sobre o ombro e saiu do carro, tendo a certeza de que batera a porta com demasiada força. Naquele momento, queria xingá-lo por sua grosseria, mandar o dedo do meio ou apenas dar um belo soco naqueles dentes perfeitos, mas a razão falou mais alto e o horário também, fazendo-a praticamente correr até os portões da escola.

(...)

— Meu nome é Haruno Sakura, espero poder trabalhar em conjunto com vocês.

            Sakura fez uma breve reverência, ouvindo alguns cochichos reverberarem pela sala de aula. Observou o professor de cabelos escuros e olhar adoentado se virar para ela, provavelmente procurando por algum lugar em que ela poderia se sentar.

            Estava tensa. Suas mãos suavam, e ela queria sair daquela sala na mesma rapidez com que entrara quando o homem finalmente indicou com as mãos para algum ponto na sala que ela não tinha coragem o suficiente para olhar.

            — Sente-se ao lado daquela garota loira de olhos claros, Haruno-san.

            Sakura assentiu, tentando focar sua visão no ponto em que o professor havia lhe indicado. Todos os olhos a encaravam com expressões que variavam da curiosidade à confusão, mas havia um par de olhos específicos que não parecia exatamente interessado nela.

            O dono dos olhos em questão observava tranquilamente a paisagem através da janela, e a garota secretamente desejou poder ver o que tinha ali de tão interessante. Os cabelos negros tremulavam graças ao vento que vinha do lado de fora, e ele parecia relaxado e nada surpreso com sua presença ali, ao contrário do loiro de olhos azuis sentado ao seu lado que a olhava com um sorriso imenso no rosto.

            Engoliu em seco, caminhando lentamente por entre as carteiras até parar ao lado da menina indicada pelo professor. Ela lhe deu um sorriso singelo, colocando a enorme franja loira atrás da orelha e voltando novamente sua atenção para Asuma, que retomava a aula tentando controlar a tosse rouca que saía pela sua garganta.

            Sakura se sentou e abriu a pasta, distribuindo seus materiais pela mesa cuidadosamente. Fazia isso para evitar olhar para os lados e notar as expressões curiosas sobre si, não queria ter que lidar com aquilo.

            Todavia, como se uma força sobrenatural agisse para que tudo desse errado, uma folha pequena escorregou para sua mesa, fazendo-a franzir o cenho quando a garota ao seu lado gesticulou para que lesse o conteúdo escrito no papel.

            Olá, me chamo Yamanaka Ino. Haruno-san, sou uma das representantes de classe, e se tiver alguma dúvida é só me falar! ^-^

Caso precise do currículo da escola ou minhas anotações, eu disponibilizo para você. Espero que possamos ser amigas!

            Sakura sorriu com a letra caprichada da garota sobre o papel, rabiscando uma rápida resposta, ágil o suficiente para que Asuma não percebesse quando dirigiu seu olhar para a dupla.

            Eu agradeço imensamente, Yamanaka-san! Sobre as notas, acredito que realmente vá precisar, não estou tão acostumada com a literatura oriental, apesar de ter nascido aqui. Acredito ser uma farsa... T.T

            A loira deu uma breve risada, chamando a atenção de todos os presentes.

            — Esta aula realmente deve estar sendo divertida, não é mesmo Yamanaka-san? — Asuma-sensei comentou, soltando um pigarro que fez toda a sala se encolher. — Afinal de contas, o que poderia ser mais divertido que uma história dramática?

            Merda. Aquilo não era nada bom, agora a garota estava em apuros por algo estúpido que ela mesma havia dito. Justo quando achou que estava indo bem...

            Sakura olhou de soslaio para sua nova dupla, vendo-a soltar um suspiro cansado. As coisas não poderiam ficar piores, claro que não.

Mas então, como se algo dentro de si despertasse, a rosada levantou a mão, tremendo levemente ao movimento e aguardando os olhos entediados do professor lhe fitarem por um tempo que considerou longo demais.

            — Sim, Haruno-san?

            — É c-claro que tragédias não são coisas felizes, Asuma-sensei. Porém, o fato de Zenchi¹ ter uma deformidade considerada cômica traz à história um alívio, não acha? — Sakura soltou, não percebendo que todos os olhares da sala de voltavam para ela. Aquela garota estava encrencada por sua causa, e ela conhecia o conto, ainda que razoavelmente. — S-sendo assim, a intenção de Akutagawa² ao escrever esse conto talvez fosse realmente fazer os leitores terem, ao menos, algum tipo de diversão.

            Sakura sequer sabia se sua análise estava correta, e provavelmente não. Ela soltou um suspiro, olhando diretamente para o professor, que agora coçava a barba por fazer com um semblante pensativo. Sabia que havia feito besteira e chamado atenção, mas tudo se dissipou quando os lábios do homem se esticaram em um sorriso que lhe transmitia alívio.

            — Parece que finalmente temos alguém disposto à falar sobre este conto, não é mesmo?

            Sakura estava atônita. Ele estava agradecendo?

            — Não é como se fosse grande coisa também, Asuma-sensei. — Comentou um garoto de grandes olhos perolados e cabelos amarrados em um coque no topo da cabeça. Apesar do rapaz refutar a ideia inicial de Sakura, não a olhava, mas sim ao diretor. Agora, todos os olhos se voltavam para ele, mas ele não demonstrava o mesmo nervosismo da rosada. — Isso é quase óbvio quando temos ciência da condição do monge. Aliás, é esse o motivo de todos zombarem dele.

            — Certo, Hyuuga-san. E tendo isso em mente, você não se sente ao menos um pouco mal de achar isso cômico?

            Asuma-sensei parecia estar gostando daquela atmosfera, e a rosada finalmente sentiu que poderia relaxar. A turma se perdeu no debate, e aos poucos parecia ficar mais viva, mais atenta à cada palavra dita pelo professor.

            — Ei, Haruno-san. — Uma voz fina soou ao lado de Sakura, fazendo-a sair de seu transe. Era novamente a menina loira de antes, e ela estava com o mesmo sorriso nos lábios rosados. Ela não esperou a resposta da rosada para prosseguir. — Obrigada por me salvar.

            — Não há de quê. — Murmurou Sakura, devolvendo o sorriso. Ainda se sentia mal, mas pelo menos o dano havia sido diminuído. — Desculpe te meter em problemas quando foi tão gentil.

            — Aquilo não foi nada, mas para quem não entende de literatura oriental você até que se saiu bem. — Ela lhe lançou uma piscadela, à tempo de toda a sala se calar novamente e prestar atenção na nova explicação do professor.

            Talvez o dia não fosse tão longo.

(...)

  Fazia um tempo que ela estava ali sentada, observando os garotos do futebol americano quase se matarem por uma simples bola. Uchiha Sasuke, garoto que “conheceu” anteriormente – o qual apelidara mentalmente de rei monossilábico por sua aparente falta de interesse em iniciar uma conversa – era claramente um dos melhores do time, e ela se pegou o fitando à distância incontáveis vezes. De fato, ele era muito bonito, mas era apenas isso, e infelizmente estava na mesma turma que ela.

Ele não se lembrava dela, o que era um alívio. Não gostava da ideia de estar perto dele novamente, a vergonha e a raiva eram demais.

Suspirou, relembrando todo o ocorrido no início da manhã, onde ele a provocou e ela sentiu que poderia socá-lo no rosto por ser tão mal educado. A surpresa por ser obrigada a se sentar na cadeira justamente à frente da dele, deixando sua paciência durante todas as aulas por um fio, foi notada apenas um pouco antes da primeira aula terminar, enquanto o debate entre os alunos ainda estava em seu ápice.

Por sorte, ele pareceu mal notar a presença da menina o dia todo, e agiu como se ela fosse uma completa desconhecida. Sakura agradeceu mentalmente, certa que não saberia lidar se ele tentasse ser simpático ou algo do tipo.

Apesar de ainda estar irritada com ele por uma série de motivos, acrescentou uma nota mental dentre várias que tinha para aquele dia: desculpar-se consigo mesma por renega-lo de maneira tão veemente dentro de sua cabeça. Tudo bem, ela não tinha paciência para lidar com pessoas idiotas, mas ele não deveria ser tão mal agora, muitos anos se passaram desde aquilo. Sasuke Uchiha na escola era quase uma estrela, pois a maioria das meninas se atiravam nele e o rapaz conseguia até desenvolver uma conversa que saía das provocações babacas e das monossílabas – o que era uma descoberta fascinante para a rosada. 

Sobre o ocorrido da manhã, talvez ele apenas estivesse em um dia ruim, ou talvez não fosse muito bom em se expressar. Independente do que fosse, Sakura decidiu mentalmente que ignoraria a faceta mesquinha que ele lhe mostrara e tentaria recomeçar, pronta para fazer amizade ou apenas tentar deixar o clima melhor entre eles.

Quanto ao seu dia, todos os outros alunos da turma foram extremamente simpáticos, em especial um ruivo sorridente chamado Sasori. Estava indo bem, e com certeza seria parabenizada por seu pai quando ligasse para dar as novas e incríveis notícias sobre Tóquio.

Voltou os olhos para a pista de corrida, onde uma garota com os cabelos presos em dois coques no alto da cabeça disparava na frente das outras colegas. As meninas haviam feito corrida com obstáculos, algo que Sakura havia tirado de letra, uma vez que era uma das melhores atletas em sua antiga escola. Seu uniforme estava ensopado de suor, mas não se importava, já que o calor próprio a ajudava com aquele terrível clima gelado.

Abriu a garrafinha d’água e bebeu um pouco do conteúdo, mantendo os olhos fixos na corrida feminina que se desenrolava abaixo da arquibancada, mal notando quando uma figura loura se sentou ao seu lado sorrateiramente.

— Ei, Haruno-san.

Sakura ainda estava em seu devaneio, torcendo silenciosamente para que a garota de coques ganhasse a disputa acirrada contra uma outra de cabelos lilases. Porém, quando sentiu um leve cutucão no braço voltou à realidade, mirando os olhos absurdamente azuis da menina que a chamava com um enorme sorriso no rosto.

— Ah, olá Yamanaka. — Disse, sorrindo ao notar que se tratava de sua mais nova amiga naquela turma. — Terminou a corrida também?

— Ai, aquela corrida foi um saco. — Ela apoiou o rosto em uma das mãos, bufando de leve, e o rabo de cavalo que exibia pendeu para um lado. Yamanaka Ino, apesar de ser uma das representantes de classe, era desinibida e extremamente sociável. Apresentou à Sakura todos os clubes da escola e suas locações, e rapidamente a rosada se sentiu confortável o suficiente para manter uma conversa mais descontraída com a loira. — Kakashi-sensei poderia pegar um pouco mais leve com a gente às vezes, aquele velho tarado.

A rosada deu uma risada, olhando de longe o professor de cabelos grisalhos, que parecia entretido demais lendo um livro claramente proibido para menores. Parecia tão mergulhado na leitura que sequer percebeu quando todas as garotas decidiram parar de correr, subindo as escadas para se sentarem nas arquibancadas, assim como Sakura e Ino.

O professor Kakashi era uma pessoa estranha. Apesar de parecer ser muito novo, os cabelos brancos lhe davam um aspecto de homem experiente e cansado da vida. Internamente Sakura concordava com ele, mesmo sem saber se aqueles eram realmente os seus pensamentos.

— Ele é sempre assim?

— Você não viu nada. Certa vez ele fez todos nós corrermos atrás dele para pegar a porcaria de um guizo, e o velhote era maratonista antes de virar professor. — Ino contou, fazendo alguns gestos com os braços — Resumindo, todo mundo se ferrou, e ficamos com as pernas machucadas. O único que chegou perto de conseguir foi o Uchiha.

— Já notei que ele é bem rápido. — Sakura confessou, observando novamente para o rapaz moreno que corria para marcar um ponto, sendo impedido por um loiro que seria facilmente confundido com Ino graças aos longos cabelos louros.

— Deve ser o melhor atleta da turma.

Ino riu, debochada.

— Primeiro dia e já está caidinha por aquele ogro? Parece que a Karin ganhou concorrência.

A rosada a fitou, balançando a cabeça negativamente quando se lembrou da ruiva simpática que almoçou com ela e explicou como funcionavam algumas coisas na escola. Sentiu uma o desapontamento lhe invadir, a Uzumaki parecia ser tão legal para gostar de um garoto daqueles...

Ao contrário das outras meninas, Karin fazia parte das líderes de torcida, e era muito boa ao que constatava a rosada. Durante a aula de Kakashi, as garotas da ginástica e coisas similares haviam sido liberadas para um pequeno aquecimento quando terminassem de correr, e Sakura fitou a ruiva durante um pequeno espetáculo no meio daquele campo.

Seus saltos no ar eram precisos, e ela sempre pousava os pés com elegância no chão. Conforme o treino acontecia, a ruiva se animava mais, ruborizando todas as vezes em que Sasuke chegava perto dela de uma maneira adorável.

— Nem em um milhão de séculos eu me interessaria por ele. 

— Ele é muito exibido, nem parece o irmão mais novo do Itachi-sensei. — Ino se abanou teatralmente, revirando os olhos. — Aquele lá sim é maravilhoso, gentil e lindo. Kami-sama!

Sakura riu de novo, ajeitando-se mais na cadeira da arquibancada. Estava prestes a concordar com Ino, quando uma voz grave soou, próxima demais.

— Haruno.

Ela institivamente se virou para ver quem a chamava, dando de cara com os olhos negros que a fitavam de maneira enigmática. Sentiu a face ruborizar, perguntando-se se o rapaz teria ouvido a conversa, mas logo se recompôs quando Ino bufou audivelmente ao seu lado. O suor pingava do rosto másculo, molhando a blusa do time e delineando seus músculos definidos por sob o tecido. Infelizmente, o maldito conseguia ser bonito até mesmo sujo, e a rosada pigarreou desconfortavelmente antes de responder.

— Sim?

Ele deu um meio sorriso que encantaria qualquer uma, menos Sakura. Ela não reconhecia aquele sorriso, que mais lhe parecia uma carranca desconfortável. Notava a falsidade que estava estampada ali, e fechou a cara na mesma hora, não entendendo o motivo dele estar falando com ela. 

Olhos curiosos atentavam-se ao que estava acontecendo. Os garotos finalmente tinham parado de jogar, e andavam a passos lentos até a arquibancada. O ruivo simpático – Sasori Akasuna – observava a cena com os braços cruzados e uma clara expressão impassível no rosto enquanto encaminhava-se até os dois.

— Eu não esperava te ver novamente aqui... — Murmurou Sasuke, deixando o capacete ao lado da rosada, que torceu os lábios em resposta. Ele se abaixou um pouco, fitando-a nos olhos e a deixando vermelha como um tomate. — Pode me dar um pouco da sua água?

Maldito.

— E por quê eu faria isso? — Indagou a rosada, tentando parecer firme. O que ele queria dizer com aquilo? Ele se lembrava? Ele sabia? 

O que drogas estava acontecendo ali?

Queria parar de fazer a cara de trouxa que sabia estar estampada em seu semblante, mas tudo o que conseguia era babar no rosto angelical do menino. Ele por sua vez apenas alargou o sorriso, em uma postura totalmente convencida, e ela se encolheu inconscientemente na cadeira. Estaria ele brincando com ela?

— Eu te dei uma carona e agora estou com sede.

— Uchiha, deixa ela em paz! — Ino, que até o momento assistia à cena em silêncio, finalmente se pronunciou, claramente exasperada — Ela mal chegou e você já está enchendo?

O rapaz voltou seus olhos frios para a loura, fuzilando-a mentalmente. Antes mesmo que ele tivesse proferido qualquer palavra, Sakura já pensava em como amenizar a situação, certa de que seria uma má ideia discutir.

— Não se mete, Yamanaka — Disse, ríspido.

Ino se calou, perdendo o ar por alguns segundos. A brecha perfeita para que Sakura se enervasse e sentisse sua consciência disparar em um clique.

Aquela atitude hostil do menino fez a rosada perder as estribeiras e esquecer todo o plano de manter um clima saudável com ele. Odiava pessoas mesquinhas, e o Uchiha finalmente tinha conseguido esgotar sua paciência já curta demais no primeiro dia. De soslaio, conseguiu ver Ino cruzar os braços, pronta para dar uma resposta malcriada quando Sakura fora mais rápida e se levantou, segurando a garrafa praticamente cheia no alto da cabeça do rapaz.

— Tudo bem, você precisa mesmo se refrescar. — Sibilou com um sorriso sarcástico, jogando todo o conteúdo da garrafa no topo da cabeça de Sasuke. Ela assistiu calmamente enquanto as gotas geladas escorriam pelo peitoral definido, e ele a encarava com uma surpresa que chegava à ser cômica. — Espero que aprecie.

À essa altura, todos os alunos observavam a cena repletos de espanto. Uns bufavam e outros riam aos cochichos, exceto a pequena Yamanaka, que se contorcia de tanto gargalhar, batendo palmas de uma maneira que beirava à histeria.

Ele ainda a encarava, e naquele momento Sakura teve a absoluta certeza de que tinha se metido em um problema talvez grande demais. 
 

Merda.

— Tudo bem. — Murmurou, sorrindo de uma maneira medonha que fez todos se calarem e observarem com atenção — Eu não vou esquecer disso.

E, aquela frase praticamente cuspida que irrompeu pelos lábios do Uchiha fez Sakura ter a certeza de que sim, ele se lembrava muito bem de tudo.


Notas Finais


Zenchi¹ = Personagem do conto japonês "O Nariz", que fala sobre um monge que é completamente zoado devido ao tamanho exorbitante de seu nariz
Akutagawa² =Akutagawa Ryūnosuke é um escritor de contos japonês muito importante na cultura oriental, considerado "Pai do conto japonês".


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