História Vizinhos de Armário - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Escolar, Romance
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Palavras 1.208
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fluffy, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Era improvável que David e Mônica fossem se conhecer logo no primeiro dia de aula dele. A escola era enorme, Mônica sempre andava correndo ou acompanhada, e havia milhares de alunos dividindo o espaço com eles. Não faziam um único horário juntos. A única coisa que os ligava era a localização dos seus armários.

Conheceram-se no fim de novembro, no início de uma segunda-feira. Mônica era um típico exemplo de odiara de segunda-feiras, havia dormido pouco e acordado atrasada, e para piorar, havia esquecido o livro de espanhol em casa. O professor odiava quando alguém esquecia algum livro, talvez até a colocasse para fora da sala. Se isso acontecesse, ela estaria morta. Suas notas em espanhol eram péssimas, tinha muitas faltas porque o professor nunca a deixava entrar quando se atravasa, já tinha recebido uma advertência por isso e até menciovam a possibilidade de ser expulsa (deixava a desejar em quase todas as matérias dos primeiros horários da semana toda) da equipe de matemática, e em alguns meses teriam uma competição.

Estava com um péssimo humor.

Bateu a porta do armário com força depois de revirar tudo atrás do maldito livro. Respirou fundo e puxou a porta novamente, de uma única vez, como se o livro fosse, magicamente, brotar lá dentro. Não estava atenta ao mundo ao redor e acabou acertando um garoto que estava em pé no armário ao lado.

Ele tropeçou, deu dois passos para trás e colocou a mão sobre o nariz.

— Desculpe, desculpe. Você está bem? Quebrou? — Mônica praticamente pulou em cima dele, preocupada. Colocou uma das mãos no cotovelo dele, ansiosa para ver o quão ruim havia sido.

— Acho que sim... Está sangrando. — Exibiu o nariz, como se tentasse ilustrar a situação.

— Desculpa, sério. Desculpe, é que eu estava procurando meu livro de espanhol e vou morrer, porque eu não trouxe o livro. O senhor Jones vai me matar, certeza. Desculpe. — Falava com rapidez, sem titubear, ansiosa e envergonhada demais para fazer sentido.

O rapaz ficou calado. Encarou Mônica com timidez sob os óculos tortos no rosto — felizmente, eles não quebraram —. Pegou um papel no bolso com a mão livre do sangue e correu os olhos pelo papel e depois abriu um sorrisinho trêmulo e vermelho.

— Você é do último ano? — Pergutou com tanta naturalidade que Mônica piscou confusa. Concordou com a cabeça. — Eu posso emprestar o livro, se quiser... — Virou para o próprio armário e pegou o livro.

— Sério? Mas você nem me conhece. — Mordeu a parte interna da boca, hesitante. — E eu quebrei o seu nariz. Nem sei o seu nome. — Sentiu as bochechas esquentarem. O garoto estava sendo muito gentil com ela depois de tê-lo machucado.

— É David Jenkins. — A resposta veio rápida e brusca. Ambos ficaram em silêncio. — Não se sinta obrigada a aceitar.

— Eu aceito. — Falaram ao mesmo tempo e o sinal tocou, indicando o início das aulas. Ficaram ainda mais constrangidos. Mônica repetiu a resposta, pensando que se não fizesse acabariam perdendo tempo demais ali. — Muito obrigada. Eu sou Mônica Soto. — Estendeu a mão vacilante, mas a puxou de volta quando David tentou apertá-la com a mão suja. — Ai, você está sangrando. Eu te levo na enfermaria

— Não precisa. Eu já passei por lá. — Cobriu o nariz mais uma vez e abriu um sorriso estranho sem olhar para ela. Soto se sentiu ainda mais culpada. — Você não tem que ir para a aula?

— Tenho, mas eu te levo. É rápido.

— Não, não. Vai acabar se atrasando. — Apesar de aparentar constrangimento, ele era incisivo.

— Ok. Eu devolvo aqui, depois. Nossos armários são próximos. Tchau. — Acenou enquanto se afastava andando de costas. Ele balançou os dedos meio sem jeito e se virou na direção oposta. Mônica o observou andar pelo corredor por poucos segundos e sorriu. Ele era um bom garoto.

Depois disso, se encontraram antes do almoço perto dos armários. Todos os dias se encontravam antes, entre e depois das aulas, enquanto guardavam os livros. No início, o contanto entre os dois se resumia a isso, mas logo já podiam se chamar de amigos e começaram a almoçar juntos. Uma semana depois, passaram a caminhar juntos até o ponto de ônibus, mais alguns dias e se tornou um rotineiro ver Mônica em pé ao lado de David, esperando que o ônibus dele passasse, mesmo que ela tivesse que ir para o metrô depois.

Não foi surpresa descobrir ela que estava apaixonada.

Estava pensando em se, quando e como poderia se declarar para David em uma manhã de fevereiro quando ele apareceu na porta da sala dela, para acompanhá-la no almoço. Como ela ainda estava arrumando a bancada onde havia estado sentada durante a aula de química, ele entrou para ajudá-la.

— Oi. — David sorriu para ela. Estava mastingando alguma coisa e suas bochechas estavam avermelhadas. A garota ficou tanto tempo observando que ele corou ainda mais e enfiou uma mão no bolso do casaco. — Quer? — Era um pacote com balinhas de gelatina. Mônica aceitou, tendo disfarçar o constrangimento. Enfiou a mão no pacote com rapidez e puxou vários de uma única vez. — Ei! — Ele protestou falsamente.

— Eu... — Calou-se quando algumas balas começaram a cair e tentou segurá-las. Não foi rápida o bastante e viu duas caírem dentro de um tubo de ensaio. A  explosão foi quase imediata.

David gritou e deu dois passos para trás, derrubando uma infinidade de coisas. Soto olhou ao redor, em pânico, o que só aumentou quando viu o professor se aproximar. Estava ferrada.

— Desculpe, professor. Foi sem querer, derrubei uns doces no cloreto de potássio, não vai se repetir. Eu limpo tudo. Desculpa. — Falou tudo em uma única rajada. David não havia se recuperado do choque ainda.

No final de tudo, nem um dos milhares pedidos de desculpa dela adiantaram de nada e perderam os últimos dois horários do dia na detenção. Também não se falaram mais, fato que acarretou no aumento do nível de nervosismo dela, especialmente quando ele praticamente voou para fora da sala de aula no final do dia.

Mônica andou desanimada pelo corredor, lamentando não ter interceptado ele antes que fugisse. Seria a primeira vez em meses que não o acompanharia na volta. Estava entretida consigo mesma, pensando que precisava encontrar em uma maneira de pedir desculpas por tê-lo metido naquela confusão quando alcançou o seu armário. Ficou assombrada ao notá-lo parado lá, pois tinha imaginado que havia dado tempo suficiente para ele correr para longe dela.

— Foi mal. — Foi a primeira coisa que ele falou, olhando para o chão.

— Pelo quê?

— Isso tudo foi minha culpa. Eu derrubei o material do laboratório e por isso você acabou sendo punida. — Coçou a nuca, cada vez mais vermelho. Ainda evitada olhar para ela. Mônica sempre o achava muito fofo quando estava envergonhado e se sentia jubilante por constatar que ele não estava com raiva dela. Provavelmente foi essa mistura que a impulsionou para frente.

Uniu seus lábios em ósculo, fascinada com aquela situação. Estava quase se afastando quando ele correspondeu e abraçou-a com desleixo. O beijo não durou muito, mas deixou ambos bobos, sorridentes e corados.

— Eu que causei aquela explosão, não se preocupe. — Mônica respondeu depois de alguns minutos, retomando ao assunto anterior. Segurou uma das mãos de David e acariciou os dedos dele. — Vamos para casa?

— É. Claro.



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