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História Vocação - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oi gente, tô de volta.
Desde já aviso que esse capítulo vai dividir opiniões. Uns vão querer bater em mim, outros vão querer me matar.

Capítulo 5 - Gostou, Lucas?


Se eu gostei?

Porra! Eu realizei um sonho! Eu beijei Marcelo Ribeiro!

Sim! Eu. Beijei. Marcelo. Ribeiro.

E, pelo visto, é o primeiro beijo dele. Eu podia perceber que ele não tava sabendo muito bem o que fazer e tava tentando me imitar, tentava fazer comigo o que eu fazia com ele. E isso só deixava tudo ainda melhor.

Eu me senti muito bem. Me senti amado, me senti desejado, me senti completo. E tenho certeza que o Marcelo se sentiu assim também.

Que beijo, gente. Que beijo! Tinha desejo, tinha paixão, tinha carinho, tinha envolvimento. Tinha química. Tinha amor. Amor.

Nós nos separamos por falta de ar. Ficamos nos encarando por alguns segundos, ainda muito envolvidos. Agora, foi a minha vez de beijar o Marcelo. E ele retribuiu na hora. No começo, ele ainda tava meio desajeitado, mas logo pegou o jeito.

Eu fico muito feliz em saber que tô proporcionando um primeiro beijo tão mágico pro Marcelo. Queria eu que a minha primeira vez também fosse assim, mas não foi.

Meu primeiro beijo foi num daqueles joguinhos de verdade ou desafio. Uma menina me desafiou a beijar ela na frente de todo mundo. Como eu ainda era BV e nem assumido eu era ainda, eu fui praticamente forçado a cumprir o desafio. Foi o pior beijo da minha vida. Não teve emoção, não teve encaixe, não teve química. Eu não senti nada além de nervosismo. E ainda saí com a certeza de que eu gosto mesmo é de homem.

Já esse beijo com o Marcelo é disparado o melhor beijo da minha vida. É tudo perfeitamente perfeito. Tudo, tudo, tudo, absolutamente tudo. O encaixe das bocas, os corações batendo juntos contra o peito um do outro, o aconchego dos abraços, a nossa entrega completa um ao outro.

Entrega. Eu estava tão entregue ao Marcelo que eu seria perfeitamente capaz de dar pra ele ali mesmo. Juro por Madonna, que criou o Universo em sete dias. A maneira como ele segurava meu pescoço e como eu segurava a cintura dele já mostrava que meu corpo pertencia a ele, e o corpo dele pertencia a mim. Só faltava consumar esse nosso pertencimento um ao outro.

Mas aí, do nada, o Marcelo me empurrou e quebrou o nosso beijo. Ele estava assustadíssimo, como se tivesse visto a morte diante dos olhos dele.

— Me desculpa… eu não devia…

— Marcelo… — tentei dizer alguma coisa, mas ele me cortou.

— Desculpa, Lucas. — Marcelo passou para a cama, recolhendo suas coisas e metendo tudo dentro de sua mochila. — Eu… eu preciso ir. Já tá ficando tarde e eu não quero me atrasar muito. Também não quero mais ficar tomando teu tempo sem necessidade. A gente continua amanhã, pode ser?

— Sim… — respondi, ainda sem entender direito o que tava acontecendo.

Marcelo meteu tudo dentro da mochila, fechou o zíper e foi saindo do quarto, ainda com a mochila na mão. Eu ainda ouvi ao longe o barulho da porta da sala batendo enquanto ele saía e vi, pela janela do quarto, ele atravessando a calçada e indo embora.

Será que eu fiz alguma coisa errada? Será que ele não gostou? Será que ele se arrependeu?

De repente, o meu melhor sonho murchou e virou o meu pior pesadelo. Uma hora, eu tava me sentindo desejado, seguro. E agora, tô me sentindo rejeitado, abandonado.

O que acabou de acontecer aqui?

[…]

À noite, durante o jantar, estávamos apenas eu, Lauro e dona Virgínia à mesa. Mariana não esteve presente.

— E então, meu filho? — perguntou minha mãe, quebrando o silêncio. — Como foi o dia com o Marcelo?

— Peraí, como assim? — reagiu meu irmão.

— Para, Lauro. — respondi na hora. — Eu e o Marcelo só passamos a tarde estudando. Eu não disse que ele tinha pedido ajuda pra estudar Física?

Lauro não respondeu.

— E como foi, filho?

— Foi normal. Vimos matéria, passei uns exercícios pra ele praticar. Ele se esforçou bastante pra aprender, mesmo com as dificuldades que ele tem. Se ele continuar bem empenhado como ele tava hoje, ele com certeza vai se sair bem nessa prova.

— Eu gosto muito de ver o quanto o Lucas se preocupa com o Marcelo. — comenta dona Virgínia. — Eu fico muito feliz em ver o quanto o meu filho valoriza as amizades dele.

Será que eu tô valorizando mesmo?

Eu só fico pensando no que aconteceu entre eu e o Marcelo naquele quarto. Por que ele fugiu de mim daquele jeito? Não foi bom pra ele?

Pior! Será que ele se sentiu forçado por mim?

Eu precisava saber o que tinha acontecido ali. Eu precisava resolver essa situação.

Mais tarde, depois do jantar, eu aproveitei o tempo sozinho que eu tive lá no quarto pra tentar falar com o Marcelo. Assim que entrei no quarto, eu percebi uma coisa.

Na pressa de juntar suas coisas na mochila e ir embora, o Marcelo esqueceu o casaco dele aqui em casa.

Pronto. É o pretexto perfeito que eu precisava pra poder falar com ele. De um jeito ou outro, ele teria que falar comigo pra pegar o casaco dele de volta.

Decidi avisá-lo por uma mensagem no WhatsApp. Mandei mensagem. Ele sequer recebeu. O segundo v não apareceu.

Será que ele desligou o celular pra não ter que falar comigo?

Mas por quê? Não foi bom? Ele não gostou? Mas como? Eu tenho certeza que não forcei ele a nada. Foi consensual. Ele quis e eu também quis. E ele me beijava com desejo.

Eu não tô entendendo é nada.

[…]

No dia seguinte, tudo ficou mais estranho ainda.

O Marcelo chegou no colégio e, ao invés de ficar no pátio até o sinal tocar, ele passou direto pra sala de aula. Não quis conversa com ninguém.

Mas comigo ele ia conversar, mesmo que não quisesse. Eu tinha um casaco pra devolver e uma questão pra acertar.

Fui até a nossa sala e vi, pelo vidro da porta, ele, sentado no canto da sala, encostado na parede, com um semblante entristecido.

É, aconteceu alguma coisa muito séria.

Entrei na sala de uma vez só. Acabei assustando Marcelo, mas ele logo se aquietou. E abaixou a cabeça, evitando olhar pra mim.

— Lucas… — disse ele, muito estranho.

— Marcelo Ribeiro, a gente precisa conversar. — disse, levantando a cabeça dele e forçando ele a olhar pra mim. Ele desviava o olhar constantemente, mas eu tentava forçá-lo a olhar pra mim a todo momento. — E eu não vou te deixar em paz até que tu ouça o que eu tenho pra dizer.

— Olha, Lucas… — Marcelo tirou a minha mão do rosto dele e passou um tempo calado, como se escolhesse as palavras que ia usar. — A gente cometeu um erro. Eu não vou contar pra ninguém o que aconteceu, tá certo? A gente passa uma borracha por cima dessa história e finge que isso nunca aconteceu.

Okay…

Muito decepcionado, joguei minha mochila na cadeira em frente à cadeira de Marcelo, tirei o casaco dele e praticamente joguei o casaco em cima da cabeça dele. Ele tirou o casaco da cabeça, o enrolou e o deixou em cima do braço da cadeira. E não olhou na minha cara em nenhum momento.

— Covarde. — disse, fechando a mochila.

Botei a mochila nas costas, me virei e saí daquela sala.

Eu juro que eu tentei segurar o choro. Eu juro. Mas eu desabei assim que ouvi a porta da sala bater atrás de mim.

Tenho que confessar que, vendo agora, aquela cena comigo largando a mochila no chão, deslizando as costas na porta e caindo sentado no chão, chorando desoladamente, foi tão dramático que deu a volta e virou cômico. Ainda bem que o corredor tava vazio.

Mas, na hora, não foi nada engraçado.

[…]

— Olha, amigo, sabe o quê que eu acho? — disse Flávia.

Durante o intervalo de aulas, eu decidi passar o tempo fofocando com a Flávia. Claro, acabamos entrando no assunto da babaquice do Marcelo. Como não podia ser diferente, ela ouviu tudo pacientemente e deixou pra dar seu veredito ao final.

— Isso tá mesmo muito estranho. Desde ontem que o Marcelo tá fazendo coisas muito estranhas, coisa que ele nunca fez. Assim, não tô passando pano pra maneira escrota como ele te tratou, mas nós sabemos que essa não é a maneira natural do Marcelo de agir. Eu acredito que ele esteja sendo forçado a agir desse jeito contigo.

— O quê que tu acha que eu devo fazer?

— Convencer ele a desabafar contigo. Tu já deu tempo até demais pra ele poder tomar a decisão de te chamar pra conversar, a gente já sabe que ele não vai ter essa coragem. E pressionar ele pra abrir o jogo só vai piorar a situação dele. Eu acho que tu deve chegar nele de outra maneira. Mostra pra ele que tu tá disposto a ouvir ele, sem querer apontar o dedo na cara dele nem nada do tipo. É a última coisa que ele precisa.

É isso que eu vou fazer.

Na saída do colégio. Eu fiquei esperando o Marcelo no portão, pra ter certeza que ele não ia me dar um olé e continuar fugindo de mim, como ele anda fazendo desde ontem à tarde. Ele vai ter que me ouvir.

Assim que ele passou pelo portão, eu fui até ele e coloquei minha mão no ombro dele. Eu senti ele se virar bem lentamente na minha direção, com aquela mesma cara péssima. Sim, foi bem dramático mesmo. Parece que não sou só eu que vou ganhar papel em Malhação depois que sair da escola.

— Por favor, Marcelo. Fala comigo. Por quê que tu tá me tratando desse jeito? O que foi que eu fiz de errado? — perguntei, suplicante. — Responde, Marcelo!


Notas Finais


Volto amanhã.


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