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História Você - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Capítulo XVI


Eu realmente deveria ter fugido de meu irmão, aquela conversa trouxe-me questionamentos que eu não gostaria de ter nem conseguia entender. E talvez não quisesse isso, de certa forma me aliviaram, tive medo de que o que aconteceu entre mim e Itachi me assombrassem, mas não, eu já nem lembrava do mesmo.

 

- Essa cara não me parece feliz.

 

Ino adentrou ao quarto de forma íntima, assustando as criadas que organizavam os livros na estante e algumas roupas no closet. Eu estava tão pensativa que não soube respondê-la, Ino se aproximou da cama e deitou-se ao meu lado, imitando minha posição com as mãos juntas embaixo do rosto, estávamos a centímetros de distância, eu poderia sentir o seu hálito bater contra meu rosto. Os enormes olhos verdes estavam calmos, o que pra Ino era incomum.

 

- Está com medo não é?- ela sussurrou  e aconchegou-se melhor ao travesseiro.- Lembro-me quando era eu.- os lábios apertaram-se em um bico pensativo.

- Você nunca me contou...de verdade.

 

Falávamos tão baixo que nem as criadas presentes naquele cômodo poderiam nos ouvir, sentia-me bem e menos apreensiva ao lado da loira naquele momento.

 

- O nome dele era Sai.- ela desabafou sôfrega.- Fizemos algumas matérias na faculdade juntos.

- Ele era estilista?- perguntei curiosa e ri baixinho.

- Não, claro que não.- ela acompanhou meu riso.- Era um artista esplêndido, pintor.- suspirou.- Eu fiquei realmente encantada por ele. Era misterioso, tinha um humor completamente diferente que o dos outros homens.

 

Ino falava de Sai com paixão, amor e um aparente alívio. Seus olhos transmitiam o que ela sentia ao falar do homem em questão.

 

- Me apaixonei, é claro.- Ino coçou a ponta do nariz e retirou sua franja do rosto, dando-me visão total.- Diferente de nós, ele não tinha vínculos com clãs ou Reis, era um homem comum.

- Seu pai não aceitou?- perguntei apreensiva, as tradições são levadas a sério por todos os clãs.

- Eu achei que ele não aceitaria.- ela confessou.- Quando o apresentei, ele realmente não havia gostado dele.- Ino riu, no canto dos seus olhos haviam pequenas lágrimas formadas.- Mas de um jeito esquisitíssimo ele conseguiu a aprovação de meu pai. Noivamos.- ela secou o canto dos olhos.- Ele estava no auge da carreira, viajava muito e bom...navios não são totalmente confiáveis. Já fazem 3 anos.

 

E eu entendi, por Deus como doeu em mim ouvir aquilo da loira. Toquei o seu rosto e belisquei levemente sua bochecha tentando animá-la. Ele havia a deixado e não foi porque queria e eu aqui, apreensiva por notar que havia deixado para trás um homem que me deixara por decisão própria.

 

- Não fique triste.- pedi enquanto mexia em seus cabelos espalhados sobre o travesseiro.

- Não estou.- ela sorriu.- Nos amamos enquanto pudemos e eu sou grata por isso. Ele me ensinou muitas coisas, inclusive a seguir em frente.

- Você merece alguém especial e vai ter.- elevei o corpo curvando-me sobre ela e depositei um beijo em sua bochecha.

- Eca Sakura.- ela me empurrou e riu descontroladamente.

- Não foi isso que pensou.- respondi um pouco ofendida.- Gosto de Naruto desse jeito, não de você.

 

A risada alta e escandalosa de Ino parou, e então notei o que eu havia falado, praguejei mentalmente. 

 

- Você o que?- ela se levantou de supetão e jogou suas mãos contra meu ombros, empurrando-me. - Não acredito no que acabei de ouvir.

- Onde está o vestido?- tentei desconversar, a última coisa que iria querer era aquela conversa novamente.

 

Aparentemente Ino esqueceu, por quanto tempo era a pergunta que eu me fazia. Ela levantou-se da cama entusiasmada, tenho certeza de que seus gritos finos e histéricos poderiam ser ouvidos por todos os corredores do palácio. Ela gesticulava as mãos animada, enquanto conversava com as criadas antes que as três saíssem do cômodo.

 

- Vamos, temos um vestido para experimentar.- ela cantarolou enquanto segurava meu pulso, puxando-me da cama.- Nem consigo acreditar que já é amanhã.- sussurrava.

 

 

Seria um dia terrível ou empolgante? Já não sabia o que esperar. 

 

#

 

A prova do vestido durou horas afim, estava faminta quando finalmente fui liberada para me juntar a minha família durante o almoço. Fui para ser bombardeada de perguntas e súplicas para detalhes. Eu poderia dizer a todos naquela mesa o quão belo havia ficado, poderia sim, mas não o faria.

 

- O casamento é amanhã, mamãe. Tenho certeza de que consegue esperar.- respondi enquanto bebia do suco.

- Ao menos nos dê dicas irmã, por favor.- ele tornou a suplicar.

- Tudo bem...- respondi dando-me por vencida enquanto os dois se empolgaram, papai tentava segurar o riso diante da situação.- Ele é branco.- eles estavam incrédulos, Kizashi já não conseguia mais segurar a risada, ele me conhecia suficiente pra saber que eu não contaria.- Ah...ele é simplesmente perfeito.- sussurrei ao lembrar-me de vê-lo pela primeira vez.

- Assim não é justo Sakura.- Sora reclamou.

- É mais que justo.- papai saiu em minha defesa sendo repreendido por Mebuki, ela estava realmente brava com todo o mistério.

 

O almoço seguiu entre risos e apelos dos demais, tentaram me fazer falar, tentaram inclusive me subornar, mas eu gostaria de manter o segredo. Estava caminhando a passos lentos enquanto cantarolava baixo uma canção de ninar que meus pais costumavam cantar pra Sora e eu quando não conseguíamos dormir, Sora apagava sempre. O corredor dos quartos estava silencioso, normalmente escuta-se o tilintar das bases das lanças dos soldados ou o cochichar dos empregados, aquele silêncio era novo. Entrei no quarto e agradeci mentalmente por estar só, fechei a porta e respirei fundo, curtindo aquele raro momento de liberdade, havia decidido descansar o resto do dia. Sobre minha cama estava uma caixa preta de tamanho mediano, com uma grossa fita também preta a fechando. Me aproximei curiosa e vistoriei todos os seus lados, não havia identificação. Sentei-me sobre a cama e puxei a fita para abri-la, estava apreensiva mas a curiosidade era ainda maior. Havia dentro da caixa um embrulho de tecido e um único envelope, lacrado com cera vermelha, conhecia aquele brazão como ninguém.

 

-Itachi....



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