História Você é a Minha Favorita - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Supergirl
Tags Kara Danvers, Lena Luthor, Lex Luthor, Supergirl
Visualizações 57
Palavras 8.116
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heeey, você que lê essa minha loucura. Cá estou eu com mais um capitulo sem noção.
Bem, avisei que eles eram independentes e não teriam continuação, ok?

Olha, sim, eu imagino a Kara sendo desastrada sem os poderes, imagino a Lena mais baixa que o resto do pessoal e a imagino com roupas confortáveis em casa como uma jovem despreocupada, assim como imagino a Alex fazendo bobagens as vezes. Ok? Ok!

Agora só falta um último capítulo com a tragédia que todos esperam! MWAHAHA
Alguém realmente espera isso?

Ainda sem beta e os erros são completamente meus.

Capítulo 5 - Capítulo V


Aquele sábado de outono seria resumido em duas únicas palavras: Cansativo e estressante. Ela acordou às cinco da manhã e não parou desde então. Seus deveres de supergirl chutou-a da cama cedo demais por causa de um ataque alienígena. Desde as oito da manhã Snapper gritava seu nome e fazia comentários sarcásticos mais que o normal, fazendo-a correr de um lado para o outro. 

Às onze horas, James a lembrou que haveria uma empresa lançando uma nova tecnologia para ajudar as mães solteiras com seus bebês, uma coletiva na qual ela fora designada há semanas atrás. 

As doze e meia, ela teve que abandonar o seu almoço com Lena porque um bando de adolescentes idiotas causaram uma explosão em alguns carros no canto leste da cidade por brincarem com fogos de artifício enquanto estavam com o sangue cheio de álcool. 

Uma hora da tarde lá estava ela, ouvindo mais uma vez os resmungos do seu chefe sobre seu artigo, sabendo que seria obrigada a reescrever o artigo porque “Ele está animado demais, Danvers. Você tem que ser sempre imparcial. Reescreva.”, mas ela estava escrevendo sobre um evento de caridade onde um abrigo estavam doando filhotes, pelo amor de Rao! 

Eram três da tarde e ela estava em seu escritório, com os óculos jogados em cima da mesa, enquanto mastigava um donut de chocolate quando seus ouvidos captaram o rádio da polícia falando sobre um assalto ao banco central, então com um suspiro ela largou o seu lanche e seguiu para o local em questão, pronta para ser a heroína e repórter naquela situação em particular.

Às quatro e meia da tarde, alguns associados do CADMUS mostraram as caras ao tentar invadir um laboratório nuclear. Eles claramente não estavam sendo guiados por Lilian Luthor porque era um plano completamente descuidado e isso era algo que a matriarca Luthor não era. Ao contrário, ela era cuidadosa e metódica. Sempre pensando em todas as possibilidades, todas as probabilidades de ser pega levada em conta. Kara tinha certeza de que ela estava tramando algo da cadeia e só estava esperando o momento certo para mover seus peões.

No relógio marcava seis e meia da tarde quando a kryptoniana estava no céu, voando ao lado de um avião que tinha como passageiro um trio de sequestradores onde, aparentemente, um deles tinha implantado bombas na aeronave. O plano era encontrar as bombas com sua visão de Raio X, dizer como elas eram e onde estavam para que Brainy conseguisse desarmá-las remotamente, depois iria baixar o avião para que voasse muito próximo a superfície oceano, iria derreter as armas dos bandidos com sua visão a laser, depois forçaria um pouso do avião no mar e ficaria lá esperando a Guarda Costeira aparecer para resgatar todos os passageiros da aeronave. Foi um plano louco, mas de alguma forma tudo deu certo.

Ela tinha acabado de chegar em casa, às oito da noite, quando ouviu um repórter da tv de um dos seus vizinhos falar sobre uma nave espacial que estava indo em direção à cidade. Com um gemido exausto, a loira levantou voo, indo em direção a nave, indo também de encontro a chuva que começava a cair. 

Às onze e quinze da noite houve outro ataque alienígena na NCU, mas felizmente a única coisa que estava sofrendo com aquele ataque era o grande prédio branco da universidade. Era um alienígena azul, de seis braços, quatro olhos, duas antenas e ele era simplesmente enorme. Um alienígena enorme que carregava uma arma enorme. Foi uma luta desgastante, confusa e… Gosmenta. A arma soltava uma espécie de muco laranja que entrou em contato com sua pele algumas vezes e mesmo estando sob a chuva, era ruim de sair.

Eram doze horas da noite quando ela, finalmente, se jogou em uma cama extremamente macia, sem sequer trocar de roupa. Ela estava tão exausta que não percebeu que a sacada pela qual entrara não era a sua, que aquele quarto era tão diferente do seu, que aquele colchão era confortável demais para ser o dela. Ela sequer morava naquele lado da cidade. O seu humilde apartamento nem tinha sacada, mas ela estava tão cansada, sentindo seus poderes completamente esgotados, que seu cérebro não notou nenhuma dessas coisas. A quem ela queria enganar? Seus olhos mal estavam abertos naquele momento. Ela voava pela cidade no automático, deixando seu instinto guiá-la. Afundando-se no colchão macio, com um suspiro satisfeito, Kara deixou toda a exaustão abater seu corpo, se permitindo relaxar, mas logo seus músculos doloridos tencionaram ao ouvir um riso feminino ao seu lado. Ela sequer tinha notado que havia alguém ao seu lado.

Droga! Agora estava em uma situação constrangedora. Ela havia invadido a casa de alguém, deitado com o corpo imundo e nos lençóis limpos de alguém e ela não tinha forças para levantar. Seu corpo todo doía, a única coisa que tinha ingerido desde que acordara foi um copo de chocolate quente, algumas rosquinhas e metade de um prato de macarrão com queijo no almoço. Ela estava faminta também. Ela já estava preparando um pedido de desculpas para o estranho quando sentiu dedos finos lhe acariciavam os fios loiros úmidos. Suspirou aliviada e contente porque, bem, aquele toque ela reconheceria em qualquer lugar mesmo se estivesse inconsciente.  

 

- Dia agitado, Supergirl? – Kara gemeu, fazendo a mulher rir, pouco antes de virar o rosto e forçar seus olhos abertos para ser saudada com o sorriso divertido de Lena Luthor. – Você está encharcando os meus lençóis.

-Eu sinto muito. – Murmurou enterrando ainda mais a cabeça no travesseiro. – Eu estou de pé desde às cinco da manhã.  – Bocejou. – E tenho quase cem por cento de certeza que eu esgotei meus poderes para o dia.

- Devo chamar a Alex? – Sussurrou passando o polegar na bochecha clara na tentativa de limpar uma mancha alaranjada de… O que era aquilo? Bem, não saiu da pele da loira quando passou o polegar, então provavelmente só sairia no banho.

- Não. – Murmurou sentindo um sorriso se formar. Um sorriso cansado, mas ainda assim um sorriso feliz. Há um mês, ela contara toda a verdade para a irmã, sobre seu segredo, sobre ter a memória apagada, tudo que envolvia ela/Supergirl e Alex e pensar nisso a deixava com o coração leve. Atualmente, apenas Brainy, Alex e, consequentemente, Katie sabiam sobre sua identidade no DOE e, finalmente, a Coronel Haley havia voltado para o lugar dela, sendo obrigada a parar com a investigação depois que o presidente foi obrigado a sair do cargo por atitudes preconceituosas e ações que deixavam a vida até dos próprios humanos em risco. – Ela vai ficar louca e vai me obrigar a ficar na ala médica até que eu me recupere.

- E como isso pode ser ruim? – Lena perguntou desprendendo a pesada capa vermelha dos ombros da loira e jogando-a no chão ao lado da cama. Aquela coisa estava destruindo o seu colchão perfeito com toda aquela água.

-Eu odeio aquele lugar. – Resmungou pouco antes de uma onda alívio cair sobre seus ombros quando os notou livres da capa pesada. – Obrigada. – Agradeceu e logo sentiu um carinho em suas costas. – Me desculpe por invadir. – Virou-se de lado, tendo uma melhor visão da morena, notando agora, o estado completamente relaxado da mulher mais nova. A jovem Luthor estava usando óculos de aros pretos, o moletom preto do MIT que aparentava ser ainda mais confortável por ser grande demais para o corpo pequeno, shorts suaves e meias nos pés  com um tablet no colo. Seu cabelo negro estava preso em um coque bagunçado e ela estava trabalhando em casa e de um jeito tão confortável que fazia Kara querer se afundar ainda mais naquele lugar macio. – Eu nem percebi para onde estava indo.

- Como não notou que tinha alguém na cama também. – Lena comentou colocando o tablet sobre o criado mudo, seu trabalho sendo concluído por enquanto. – Muito me admira você não ter simplesmente atravessado a porta da sacada. – Inclinou-se sobre a amiga, retirando as botas molhadas dos pés, que pendiam do lado de fora da cama, com todo o cuidado para que não molhassem o seu chão e colchão ainda mais com toda a água que ela sabia que estaria alí dentro. – Acredito que o seu celular está morto.

- Droga. – Kara resmungou sentindo as botas se afastarem dos seus pés. Seu celular pessoal estava alí dentro, a bota havia se enchido de água da chuva e ela simplesmente se esqueceu do aparelho. – É o quinto esse mês.

- O que aconteceu com os outros quatro afinal? – Perguntou levando as botas molhadas para o banheiro. – Eu nunca perguntei realmente. – Comentou olhando para o celular na mão, tentando descobrir se tinha uma maneira de salvá-lo.

- O primeiro eu pisei em cima quando estava lutando com aquele alienígena roxo de duas semanas atrás. – Começou a explicar enquanto forçava seu corpo a se sentar. – O segundo eu quebrei quando o apertei na tentativa de não voar no pescoço do Snapper. – Lena riu. – O terceiro eu deixei cair em uma caldeira enquanto investigava uma fábrica.

- Como isso aconteceu? – Lena riu mais uma vez, jogando o celular morto da amiga ao lado do seu tablet.

- Eu senti o cheiro de panquecas. – Ela murmurou inconformada sentindo as bochechas corarem quando ouviu a gargalhada que Lena não conseguiu segurar. – Não ria. Eu estava morrendo de fome. E elas me lembraram das que você me fez uma vez. – Ignorou o olhar divertido a amiga. – O quarto eu… – Ela franziu a testa. – Eu não me lembro como ele acabou sendo destruído realmente. 

- Você é única, Kara Zor-El. – Lena falou sem conseguir apagar o sorriso do rosto. – Cansada, hum?

- Eu estou exausta. – Soltou um suspiro cansado após bocejar. – Eu estraguei a sua cama. – Olhou para a parte que ela estava. Podia ver sujeira e umidade no lençol outrora limpo. – Me desculpe.

- Bem, o jeito é trocar tudo isso. – A morena falou de forma despreocupada - Afinal dinheiro não é problema.

- Agora você está sendo exibida.

- São os meus genes Luthor em ação. – Brincou fazendo a loira rir. – O que você iria fazer se tivesse parado na casa de alguém qualquer?

- Eu iria fingir demência e começaria a falar krypnotese. – Explicou seu plano ouvindo o riso divertido da amiga no exato momento que um raio cruzava o céu, fazendo-a lembrar de que uma tempestade caía lá fora e que havia deixado a porta da sacada aberta. – Droga. – A loira levantou rapidamente na intenção de fechar a porta, mas logo se desequilibrou de volta a cama.

- Calminha aí, Supergirl. – Lena sussurrou sustentando o corpo cansado da heroína. – Eu posso fazer isso. – Ajudou a heroína a encostar-se na cabeceira da cama pouco antes de seguir para a porta de vidro da sacada e fechá-la, tomando o cuidado de não escorregar pelo chão molhado. É, a jovem kryptoniana realmente fez uma pequena bagunça no seu quarto dessa vez. – Que tal um banho quente e logo em seguida cama? – A morena perguntou andando de volta para a cama e riu um pouco ao ouvir o barulho do estômago na amiga. – Que tal um banho quente, panquecas e depois cama?

- Isso... – Kara falou sentindo os olhos pesados. – Eu não quero te obrigar a cozinhar para mim, Lee. – Suspirou abrindo os olhos. – Já basta a bagunça que eu fiz no seu quarto.

- Como um bom banho quente, panquecas e depois cama soam para você? – Lena perguntou novamente, acariciando a bochecha molhada da amiga, vendo o quão cansada era a fisionomia dela.

- Isso soa bem. Muito bem. – Beijou a mão que acariciava seu rosto. – Obrigada.

- Você deixou algumas roupas suas aqui da última vez. – Ergueu-se indo direto para o seu closet.  Em poucos segundos ela voltou, segurando roupas íntimas, um short de algodão e um moletom gasto da NCU. – Sei que você gosta do meu moletom do MIT, mas ele está indisponível no momento. – Ela brincou deixando as peças de roupa no lado seco e limpo da cama.

- É aqui que ele estava então. – Kara comentou acariciando o seu moletom velho.

- Ele é muito confortável e estava pensando em nunca devolver, eu admito. – Lena confessou fazendo a loira rir. – Consegue fazer as coisas sozinha enquanto eu faço panquecas?

- Sim, vou ficar bem. – Levantou-se devagar, tendo o cuidado de não exigir muito do seu corpo exausto. Lena a olhava atentamente, analisando se iria conseguir se sustentar sozinha. – Você poderia fazer aquelas panquecas com gotas de chocolate e chantilly?

- Você tem sorte que eu te amo tanto. – Lena murmurou fazendo uma careta ao pensar na bomba de açúcar que estava preste a preparar para a amiga. – Tem toalhas limpas no armário do banheiro.

- Você é a minha favorita. – Kara falou sorrindo enquanto pegava suas roupas.

- Você é minha também. 

 

Já havia passado da uma da manhã quando Kara apareceu na cozinha. Ela tinha cochilado na banheira por alguns minutos, mas você poderia culpá-la? Ela estava completamente esgotada e seu corpo começava a formigar. Provavelmente isso era um efeito colateral por se esforçar tanto.

Se ela não tivesse a certeza de que seria obrigada a interromper suas horas de sono tão necessárias por causa da fome, ela iria largar a comida e seguiria direto para a cama. Isso realmente mostrava o quão cansada ela estava.

 

- Ei. - Lena sussurrou colocando chantilly sobre a dúzia de panquecas. – Melhor?

- Mais limpa, ao menos. – Murmurou coçando um dos olhos enquanto sentava-se na cadeira. – Eu realmente esgotei meus poderes.

- E o que confirmou isso? – Perguntou colocando o prato e talheres em frente a amiga. 

- Eu bati meu cotovelo na borda da sua banheira e não arranquei um pedaço dela. – Cortou um pedaço da panqueca e pôs na boca vendo a mulher mais baixa sentar-se ao seu lado e sorrir divertida. – Mas senti um choque por todo o meu braço.

- Oh, sim. – Lena riu. – Nós, seres humanos, sofremos esses eventos mais do que eu gostaria.

- Ser humano é ser frágil. – Murmurou colocando mais um pedaço do doce na boca. – Isso chega a ser inconveniente.

- Sim, senhorita eu aguento tudo que vocês têm na terra. – Lena zombou fazendo Kara sorrir. – Como foi o seu dia?

- Foi horrível. – Kara gemeu. – Impedi ataques alienígena, sequestro, assalto, incêndio, fui à campo na reportagem, ouvi Snapper gritar mais que o normal, tive que refazer dois dos meus artigos e ainda fiquei suja de uma gosma laranja de uma arma alienígena. Isso foi extremamente nojento.

- Dia agitado, hem? – Riu, mas logo franziu as sobrancelhas, preocupada com a expressão exausta de Kara. – Tem certeza que não precisamos chamar a Alex?

- Sim, Lee. – Um suspiro cansado e satisfeito escapou de seus lábios. Bem, ela estava cheia e havia comido apenas quatro panquecas. Não era nem a metade do que ela comia normalmente, mas ainda assim, era mais do que Lena comia, por exemplo. – Posso guardar isso na geladeira?

- Não está bom? – Colocou o cotovelo na mesa e apoiou a cabeça na mão. – Você não comeu nem metade disso.

- Não. Está delicioso. – Sorriu seguindo até a geladeira. – Sabe que eu amo sua comida, mas acho que meu estômago momentaneamente humano não suporta mais comida agora. – Guardou o prato e voltou a mesa, jogando-se na cadeira e apoiando a cabeça na mesa. - Sendo sincera, eu só comi porque eu iria acordar mais cedo que o normal por causa da fome. – Suspirou. – Se não fosse isso, eu teria ido dormir logo de cara.

- Eles realmente acabaram com você, Supergirl. – Lena riu mais uma vez, acariciando os cabelos úmidos da amiga. – Bem então, vamos para a cama.

- Sim. - Kara murmurou de olhos fechados, mas sem mover um músculo. - Por favor, me carregue.

- Vamos lá, garota de aço. – Puxou a amiga pela mão, mas a loira não se moveu. – Eu não te aguento então você tem que me ajudar nessa questão. – Lena olhou a amiga ainda imóvel, mas franzia as sobrancelhas e mostrava um bico nos lábios claros. – O que exatamente você está fazendo?

- Tentando levitar para você me levar e eu não precisar me mexer.

- Ora, vamos lá, rainha do drama. – Puxou a jovem kryptoniana mais uma vez, usando um pouco mais de força pra obriga-la a erguer-se e recebendo um gemido de protesto.

- Para onde vamos?  – Kara perguntou sentindo um calafrio que começava na base da sua espinha e espalhava pelo seu corpo enquanto passavam pelo quarto da amiga. Aquela foi definitivamente uma reação inesperada.

- Quarto de hóspedes. – Explicou ouvindo a chuva bater ainda mais forte nas janelas da sua cobertura. – O colchão da minha cama está encharcado.

- Me desculpe. – Pediu pouco antes de soltar um gemido ao cocar-se com o batente da porta do quarto de hóspedes, fazendo Lena rir divertida pela sua falta de coordenação. Ele não era tão grande quanto o da morena, mas ainda era enorme. 

 

Kara foi guiada sobre a superfície macia do colchão e notou que ele era tão bom quanto o da cama da morena. Bem, ela levava o conforto dos seus hóspedes a sério ao que parecia. Não havia lembrado de escovar os dentes, mas um dia só não iria matar, certo? Além do mais, seu corpo já não obedecia aos comandos do seu cérebro no momento. A kryptoniana suspirou enquanto seus olhos seguiam Lena, vendo-a apagar a luz do quarto e pegar um cobertor grosso para ambas. Ela só queria dormir por doze horas seguidas e esse foi o último pensamento que teve antes de sua mente desligar.

Eram dez da manhã quando a jovem Luthor começou a despertar. Sem abrir os olhos, aos poucos seus outros sentidos iam reconhecendo seus arredores. O barulho da chuva foi a primeira coisa que sua audição identificou. Aparentemente não havia parado de chover desde o dia anterior. Uma coisa boa que ela amava tempos frios. Uma respiração quente em seu pescoço e um pequeno peso em seu ombro direito a fez lembrar de que não havia ido dormir sozinha na última noite, mas algo estava completamente errado. Mesmo sem abrir os olhos ela poderia dizer isso. O peso em seu ombro estava errado e a mão pequena que, aparentemente, agarrava seu moletom não era… Espera, mão pequena? Arregalando os olhos, mas obrigando o corpo a ficar parado, Lena olhou para o ombro, mas o cobertor apenas deixava aparecer uma pequena parte do cabelo loiro. Com cuidado, puxou o cobertor com a mão esquerda e pode ver o rosto de uma criança, de não mais que dois anos de idade, dormindo pacificamente em seu ombro.

 

- Mas o que…!? – Ela falou alto de olhos arregalados, fazendo a criança se mexer em meio a um gemido. – Kara? – Ela sussurrou tirando o cabelo longo do rosto da criança. – Eu só posso estar sonhando. – Falou consigo mesma olhando para o teto. – Sim, eu bebi demais ontem antes dela chegar e eu estou sonhando. – Ouviu um gemido choroso vindo da criança loira. – Não é possível. Não é possível.

 

Lena olhava aquilo sem acreditar. Tinha uma criança, UMA CRIANÇA enrolada ao seu lado. Uma pequena criança loira que vestia um moletom gigantesco da NCU. Uma criança loira que tinha o mesmo bico da sua amiga quando estava protestando sobre alguma coisa. Uma pequena criança que se agarrava ao seu moletom como se sua vida dependesse disso.

Movendo-se devagar, a atordoada Luthor afastava-se da criança, causando uns choramingos vindos dos pequenos lábios rosados. Ela precisava falar com Alex. Ela precisava falar urgentemente com Alex. Conseguindo afastar-se da garota, Lena pegou o seu celular e seguiu para a cozinha, não antes de enrolar bem o corpo pequeno entre seu cobertor para mantê-la aquecida. Eram dez da manhã de um domingo chuvoso e o seu dia já começara de uma forma inexplicável. 

 

- Vamos, Alex. – Murmurava enquanto andava de um lado para o outro na cozinha. – Atenda. Atenda. Atenda.

- Lena. – Não era a voz de Alex.

- Katie? - Lena perguntou e logo ouviu um zumbido de concordância. – Por favor, me diga que Alex está em casa.

- Hum, não agora. – Merda! – Ele foi ao mercado faz meia hora. Aconteceu alguma coisa?

- Sim. – Olhou para o corredor, mas aparentemente Kara ainda dormia. Se é que ela era realmente sua amiga. – Aconteceu a coisa mais estranha. – Voltou a andar de um lado para outro. - Kara chegou aqui em casa pela madrugada, ela dormiu comigo e quando acordei, tinha uma criança na minha cama.

- O que? – Ela ouviu o riso incrédulo da mulher. – O que você quer dizer?

- Isso mesmo que você ouviu. – Apertou a ponta do nariz. – Não dá para explicar direito. Eu nem sei o que aconteceu enquanto dormíamos. – De repente um barulho seguido de choro alto foi ouvido do corredor fazendo-a pular e o coração acelerar. – Quando Alex chegar em casa, diz para ela vir a minha cobertura imediatamente. - Falou seguindo de volta até o quarto. – Vou deixar a segurança ciente.

- Lena o que…?

- Depois, Katie. – Quando chegou na porta do quarto, sentiu seu coração apertar ao ver a criança loira sob sua cômoda, encolhida no canto abraçando seus joelhos observando o local com os olhos assustados. – Conversamos depois, não demorem e tragam duas mudas de roupas para criança de, no máximo, três anos, eu acho. – Encerrou a chamada sem esperar outro comentário da amiga. – Ei, querida. – Falou suavemente enquanto se aproximava fazendo os olhos assustados lhe fitarem. – Está tudo bem. – Colocou o celular sobre a cama desarrumada. – Está tudo bem, docinho. – Se aproximou um pouco mais, porém se obrigou a parar quando viu o corpo pequeno da amiga se apertar contra a parede com medo. Isso era mais do que óbvio para supor que a menina não a reconhecia. – Eu sou Lena. – As primeiras coisas primeiro. Fazer com que a criança assustada confie nela o suficiente para sair dalí seria o primeiro passo e depois, bem, depois ela pensaria no que fazer. – Eu não vou machucar você. – Sentou-se no chão com as pernas cruzadas de frente para a garota. Ela manteve uma certa distância porque, ela sabia, se queria a confiança da loira, deveria deixar que ela se aproximasse, não o contrário. – Você não se lembra de mim, Kara? – A menina encarou-a. – É você, não é? Kara? – Soltou um suspiro vendo a menina afirmar com a cabeça. – Eu sei que você está assustada, queria.

- Mamãe? - Pediu tirando os olhos da morena e passando a olhar ao redor, isso Lena entendeu.

- Ela não está aqui agora. – Lena viu as lágrimas voltarem a escorrer pelo rosto da menina. – Mas você está segura, eu prometo.

- Mamãe longe? – Um soluço balançou o corpo pequeno.

- Sim. – Ela seria sincera de qualquer forma. – Mas não tenha medo, ok? – Sussurrou novamente olhando no fundo dos olhos azuis, obrigando o seu corpo ficar parado. Tudo o que ela queria era pegar a criança no colo e acariciar as suas costas até que o choro cessasse. Olhou o local avermelhado que começava a aparecer na testa da menina. Aparentemente ela caiu da cama, o que não era surpresa pela altura dela. – Você não se lembra de mim, Kara? 

- Lee? – Perguntou, incerta, ainda encarando a mulher a sua frente com os olhos assustados.

- Isso mesmo, querida. -– Sorriu. Então, seja lá o que tinha acontecido, não havia danificado muito a memória da amiga. Ao menos isso era o que ela esperava. – Eu sei que tudo está sendo assustador para você agora. – Continuou falando suavemente. – - Mas não vou deixar nada acontecer com você se sair daí de baixo. – Kara continuava olhando-a de forma assustada, mas, esperançosamente, reconhecendo a jovem Luthor a sua frente. – Eu prometo. 

 

Erguendo uma das mãos, pedindo silenciosamente que a criança se aproximasse, Lena esperou. Esperou pacientemente enquanto os olhos azuis a analisavam e, após um minuto, Kara saiu lentamente do seu esconderijo.

Ainda olhando desconfiada para os seus arredores a pequena pegou na mão que lhe era oferecida e a apertou. Ela conhecia aquele toque. Era quente e seguro. A mulher tinha um rosto conhecido, sabia que ela se chamava “Lee”, mas era só isso. O resto era apenas sentimento. 

 

- Sua cabeça dói? – Lena perguntou enquanto puxava a amiga para mais perto de si, tendo o cuidado de não assustar a criança e nem fazê-la tropeçar no moletom grande. – Hum? – Recebeu o aceno em resposta ao tocar levemente no local machucado. – O que aconteceu?

- Caí. – Segurou um soluço. – Cama.

- Você caiu quando tentou sair da cama? – Acariciou uma das bochechas molhadas. – Vamos colocar gelo para melhorar, está bem? – Mais um aceno enquanto mais lágrimas vazavam dos olhos claros. – Está tudo bem, Kara. – Lena abraçou a loira, sentindo os braços pequenos lhe envolverem o pescoço. – Eu sei que você está assustada agora, mas vai ficar tudo bem. – Murmurou erguendo-se do chão com a criança no colo. – Você está com fome? – Perguntou andando até a cozinha enquanto acariciava as costas pequenas em um gesto calmante. 

- Não.

- Ok. - Lena suspirou sentindo as lágrimas molharem seu pescoço, onde a cabeça loira repousava. – Vamos cuidar da sua testa e vamos assistir alguma coisa. – E neste momento um trovão soou sendo seguido por um grande clarão vindo da sala de estar. O barulho fez Kara pular em seus braços, assustada. – Shhh. Está tudo bem, querida. 

 

Começou a falar palavras calmantes no ouvido da criança. Continuando a carícia em suas costas e beijando-lhe os cabelos. Bem, aquela era Kara em miniatura. Ela sabia como acalmar a sua amiga no tamanho normal, então ela também saberia acalmá-la no tamanho que estava agora. Um outro trovão soou fazendo um gemido escapar dos lábios pequenos. Sim, aquele seria um domingo complicado.

Kara estava na sala, assistindo um desenho da Disney enquanto Lena preparava o almoço. Enquanto a lasanha estava no forno, a morena pesquisava os eventos em que a Supergirl estava envolvida na noite anterior, tinha que haver alguma explicação para aquilo. A pequena loira se assustava constantemente com o barulho do trovão e, toda vez que um relâmpago iluminava a sala de estar, ela corria até Lena e abraçava as suas pernas.

Uma coisa Lena havia percebido, os poderes dela não tinham sumido, amortecidos sim, mas estavam lá. Ela notou que a garota corria mais rápido e tinha mais força que uma criança comum. Isso a acalmava um pouco porque evitaria que ela se machucasse com facilidade.

Já passava do meio dia quando Alex chegou e se a situação não fosse tão estressante, Lena teria rido até às lágrimas. A pequena kryptoniana não reconheceu a irmã logo de cara e, com o coração acelerado por ver o estranho, a loira subiu no colo da jovem Luthor enterrando seu rosto no pescoço da morena.

 

- O que diabos aconteceu? – Alex perguntou após alguns minutos olhando para a irmã abraçada ao CEO como um coala.

- Eu não sei. - Lena respondeu acariciando as costas da garota quando sentiu o coração dela acelerar por causa de outro trovão. – Ela estava exausta e meio desnorteada quando chegou aqui ontem. – Beijou a cabeça loira transmitindo tranquilidade para a pequena. - Ela conversou um pouco comigo, tomou banho, comeu e dormiu. Me disse que estava cansada e que tinha esgotado os poderes. Quando acordei ela estava assim.

- Quando eu penso que já vi de tudo, ela mostra que eu estava errada. – Alex resmungou esfregando as têmporas. – Temos que ir ao DOE examiná-la e descobrir o que aconteceu para conseguirmos reverter essa bagunça.

- Vamos deixar que ela coma primeiro. – Lena ajeitou a criança em seus braços. – Trouxe as roupas que pedi? – Sem nada dizer, a ruiva tirou a bolsa do ombro e deu para a mulher. – Não iremos demorar muito.

- Tome o seu tempo.

- Ei, querida. – Lena sussurrou beijando a cabeça loira mais uma vez, chamando a atenção da menina para si. – O que acha de tomarmos um banho quente agora?

- Saí?

- Sim, nós vamos. – Lena achava adorável a maneira que ela falava simplesmente por não pronunciar o “r”. – Depois de almoçarmos.

- Ok. – Ela ergueu-se do ombro confortável quando entravam no banheiro, arregalando os olhos quando viu a grande banheira. – Gande.

- É enorme, não é? – A morena riu ao notar o olhar admirado da amiga. Era uma versão em miniatura da mesma expressão que a Kara adulta tinha feito. Colocou-a sentada sobre a pia. – Quer ficar nela?

- Posso? – Os olhos azuis arregalados olharam para a morena. Uma coisa boa que Kara era sociável mesmo estando naquela situação.

- Sim, você pode. – Abaixou-se rapidamente, após ter certeza que a criança não cairia, para abrir a torneira, deixando  a água morna encher a banheira.

- Lee comigo? – Perguntou apontando para a banheira.

- Você quer que eu tome banho com você? – Quando Kara acenou com a cabeça, suas bochechas coraram assim que seu cérebro assimilou a possibilidade de que a amiga lembrasse de tudo quando voltasse ao normal. Sim, ela já havia ajudado a loira no banho em momentos no qual ela estava machucada, mas nunca tinha a visto realmente nua. Ou ela estava de lingerie ou já dentro da banheira, coberta de espuma. Bem, ela preferia não arriscar o constrangimento. Esse era um pensamento ridículo, ela sabia, mas o que poderia fazer? Era era uma Luthor estranha afinal. – Quem sabe outro dia.

- Ok. – Falou distraída com a espuma que começava a surgir na água. – Alex com laiva?

- O que…? - Lena se surpreendeu com a pergunta repentina da criança.

-  Kala luim? – Seus olhos se encheram de lágrimas novamente.

- Oh, não amor. – A morena beijou sua testa depois de desligar a torneira. – Alex não está com raiva e nem você foi ruim, ok? – Puxou o moletom grande do corpo pequeno. – Ela só está com medo de não poder descobrir o que aconteceu. – Pegou-a no colo e gentilmente colocou na banheira. – Ela não está com raiva. Eu prometo.

- Ok. – Respondeu já esquecendo o que a tinha deixado chateada. Agora ela estava mais preocupada em mexer nas bolhas ao seu redor.

 

Uma coisa era certa. Em qualquer tamanho, o apetite de Kara era surpreendente. Ela lançou os olhos para Alex e notou o brilho divertido que a agente lançava a irmã. Estavam as três à mesa, comendo o almoço que Lena havia preparado. Por não ter uma cadeira própria para pequena kryptoniana e por não resistir aos olhos azuis, a pequena criança encontrava-se no colo da jovem Luthor enquanto repetia animadamente seu terceiro pedaço de lasanha.

 

- Eu sempre me pergunto para onde vai toda essa comida. – Alex soltou um pequeno riso quando terminou de comer. – Mesmo nesse tamanho, ela come mais que um adulto.

- Essa é uma questão que eu quero saber tanto quanto você. – Lena comentou sentindo a criança repousar em seu peito, suspirando satisfeita. – Acho que é o suficiente.  – Beijou o cabelo loiro. – Pronta para sair?

- Sono, Lee. – Kara murmurou enquanto coçava os olhos e antes mesmo da morena falar alguma coisa, um flash apareceu de repente.

- O quê? – Alex perguntou vendo a sobrancelha de Lena se erguer. – Ela é adorável assim. – Passou a explicar. – Tenho que registrar isso e mandar para a mãe.

- Sim, certo. – Rolou os olhos em descrença.

- A primeira coisa que ela fará é colocar essa foto em uma moldura e pendurar na parede. – Comentou vendo a irmã ficar em pé no colo da jovem Luthor. – Kara me lembra um filhote de coala.

- Sono, Lee. – A pequena loira choramingou enquanto abraçava o pescoço da morena e pousava a cabeça em seu ombro ao mesmo tempo que a mulher ria do comentário de Alex.

- Você pode dormir no carro, tudo bem? – Falou acariciando as costas pequenas fazendo um suspiro soar próximo ao seu ouvido.

- Você precisa pegar alguma coisa? – Alex ergue-se pegando os pratos, talheres e copos levando-os para o lava-louça. – Por mais fofa que seja a bebê Kara, preciso descobrir o que aconteceu, preciso saber que ela está bem e, mais importante, preciso reverter essa situação.

- Tudo o que preciso está na minha bolsa. – Ajeitou melhor a loira sonolenta em seus braços enquanto seguia para a porta da sala e pegava as chaves.

- Quanto mais rápidos descobrirmos o que fez essa bagunça, mais rápido iremos descobrir uma cura. – Pegou a bolsa de Lena e abriu a porta para deixar que ela passasse primeiro tendo um “obrigada” em resposta. – Precisaremos do seu cérebro nessa missão também, Luthor.

- Eu estava pesquisando sobre tudo o que Kara se envolveu ontem como Supergirl, mas não cheguei a nenhuma ideia do que poderia ter causado isso. – Começou a falar enquanto seguiam em direção a garagem do prédio. – Mas então eu vi o desenho desse moletom que você trouxe.

- O que o ursinho Pooh fez para iluminar o seu grande cérebro, pequena Luthor? – Alex falou brincalhona enquanto colocava o capuz sobre a cabeça loira, na intenção de protegê-la do vento frio.

-Ontem, quando Kara literalmente desabou na minha cama, ela tinha manchas estranhas pelo traje. Notei uma mancha na bochecha dela. – Chegaram na garagem. – Passei a mão sobre o local, mas não saiu. – Entrou na SUV preta do DOE na parte de trás, ela tinha uma criança adormecida nos braços. Segurança em primeiro lugar. – Notei hoje, quando estava enxugando o rosto dela que ainda tem essa mancha no mesmo lugar. É bem leve então temos que prestar muita atenção para notar ou saber que está lá. – Nesse momento Alex virou-se do banco do motorista, para averiguar o que Lena falava, tirando o rosto da criança adormecida do pescoço da jovem. Sim, realmente havia uma mancha alí. – Então me lembrei sobre Kara me falando de uma luta com um alienígena ontem a noite, – Acomodou a criança melhor no seu colo. – onde ela foi atingida por uma gosma da arma do alienígena.

- Já é um ponto de partida. – Alex suspirou e sorriu vendo Kara se acomodar melhor no colo de Lena, pousando a cabeça no seio direito da jovem empresária enquanto colocava o polegar direito na boca. Era a coisa mais adorável que ela tinha visto e não resistiu a pegar o celular novamente. Ela apertou no painel de captura no exato momento que a amiga beijava o cabelo loiro da irmã. – Vocês são fofas.

- Pare com isso. – A morena resmungou chutando o banco do motorista, fazendo a mulher mais velha rir divertida. 

- Vou contatar J’onn e Brainy. – Alex comentou ligando o carro. – Avisá-los da situação para que já vão pesquisando enquanto estamos na estrada.

- O alienígena da arma está ainda no DOE? – Lena perguntou ouvindo o som da chuva atingir o teto do SUV após saírem da garagem. Até aquele som era delicioso. – Alguém tem como se comunicar com ele?

- Sim, ele ainda está em uma das selas do DOE. – Alex virou a esquina. – Não acredito que alguém lá saiba como se comunicar com uma espécie de lagarto gigante de dentes afiados que é procurado pela galáxia como um dos maiores criminosos do mundo alienígena.

- Ótimo. - Lena resmungou. – Simplesmente perfeito.

- Além disso, – A ruiva olhou para a morena pelo retrovisor. – toda vez que o interrogamos, ele apenas sorri. É um sorriso realmente perturbador. - Suspirou olhando para seu retrovisor esquerdo enquanto franzia as sobrancelhas. – Brainy comentou sobre ele não ter ligado muito quando foi capturado. Ele apenas olhava satisfeito ao ver Kara cheia de gosma. – Suspirou olhando para a estrada. – Eu queria fazer um checkup para ter certeza de que estava tudo bem, mesmo a gosma sendo rapidamente lavada pela chuva – Fez uma curva e olhou para o retrovisor direito dessa vez. – Mas ela apenas disse que estava bem e voou.

- J’onn não é telepata?

- Sim, mas não é todas as espécies que ele consegue invadir a mente. – Olhou para a morena pelo retrovisor. – Ele não consegue ler a mente de Kara, por exemplo. – Olhou novamente para a frente, vendo que estavam se aproximando da LCorp. - Em algumas espécies, ele tem que tocar na cabeça e realmente se concentrar, em outras ele precisar ser convidado para entrar. – Olhou para o retrovisor esquerdo novamente e decidiu virar a próxima esquina apenas para confirmar a sua teoria. Sim, àquela Van branca estava realmente os seguindo. – Lena, – Alex fez uma careta de desgosto. – Coloque o cinto e segure Kara firme.

- O que está acontecendo? – Perguntou fazendo o que lhe foi dito.

- Estamos sendo seguidos.

- O que? – Perguntou incrédula enquanto olhava para trás. – Que diabos!?

- Eu notei há alguns minutos, fiz duas curvas sem sentido e eles continuam seguindo. – Pisou fundo no pedal, fazendo os pneus da SUV cantar na pista molhada pouco antes de ganhar velocidade.

- Mas o que eles… – Sua pergunta foi interrompida quando tiros soaram, fazendo Kara acordar assustada. – Está tudo bem, querida. – Lena se apressou em tentar acalmar a criança. A pequena heroína tirou o dedo da boca e apertou o moletom da morena. O coração de Kara batia tão rápido que Lena conseguia sentir em seu peito. – Ninguém vai machucar você. – Murmurou ao ouvir um gemido vindo a criança. – Eu prometo.

- Porra! – Alex praguejou, tendo dificuldade de manter o carro em linha reta naquele tempo. – Lena fique abaixada! Vou ligar para J’onn e pedir reforços.

- Me dê sua arma. 

- O que!? – A agente olhou alarmada para a mulher mais jovem através do retrovisor. – Lena…

- Me dê sua arma, Alex. – Repetiu olhando fixamente para os olhos castanhos através do retrovisor.

- Está no coldre na minha cintura. – Falou virando em uma curva, fazendo o carro derrapar. – Se eu tirar a mão do volante, corremos o risco de capotar.

- Kara. – Lena chamou a amiga enquanto a tirava do colo e colocava no chão do carro. – Fique aqui, abaixada. – Ela agachou-se para olhar a menina nos olhos. – Não levante, por nada.

- Lee… – Kara agarrou novamente a roupa da CEO, impedindo a mulher de sair de perto. – Medo, Lee.

- Eu sei, amor. – Beijou a testa da criança, sentindo seu peito apertar ao notar as lágrimas começarem a cair dos olhos azuis ao mesmo tempo que ouvia Alex falar com alguém do DOE. – Mas eu não vou deixar que nada de ruim te aconteça, está bem? – Acariciou os cachos loiros. – Mas agora eu quero que você fique aqui e não levante, entendeu? – Pegou a mão que segurava sua roupa. – Você pode ser uma boa menina para mim, amor? – Ouvindo um soluço, Lena viu Kara acenar com a cabeça. – Alex, vire à esquerda na próxima entrada e depois a segunda rua à direita, siga reto. – Lena dobrou o corpo e puxou a arma da cintura da agente. – Iremos parar em um ferro velho no sul da cidade, ganharemos tempo lá enquanto esperamos reforço. – Tiros acertaram a janela traseira do carro, fazendo Kara pular de susto e Lena jogar o corpo sobre o da criança no intuito de potegê-la. Olhou para a janela atingida. – Graças a qualquer divindade pelos vidros a prova de bala. – Ergueu-se, engatilhou a arma e abriu a janela esquerda. – Mantenha o carro em linha reta.

- É fácil para você falar. – A mulher reclamou ao ver Lena colocar metade do corpo para fora da janela. – Tenta fazer isso em um carro a quase cem quilômetros por hora em uma pista molhada. – Tiros eram disparados de ambos os lados. Lena tentou acertar o motorista da Van, mas o vidro deles também eram a prova de bala. – Inferno! – Alex exclamou ao ver outra van, preta dessa vez, bater no lado direito da SUV fazendo Kara soltar um grito assustado. Com mais uma batida, a van preta fez a SUV derrapar na pista molhada. Tendo um mau pressentimento, Lena soltou a arma no banco do carro e jogou-se sobre a criança kryptoniana pouco antes de sentir seu corpo ser jogado de um lado para o outro dentro do carro.

******

Ela acordou mais uma vez àquele dia com uma sensação desconhecida. A sensação era completamente diferente dessa vez. Não estava no calor da sua casa, não estava sob os lençóis macios de sua cama e não tinha o pequeno peso quente sobre seu ombro. Não, a situação era completamente diferente. Sentia os lençóis frios sobre seu corpo, podia sentir o cheiro de éter que ela tanto odiava, sentia o colchão desconfortável no qual estava deitada, tinha algo preso em sua mão que a incomodava, sentia algo apertando levemente seu indicador, ouvia o bip constante no local, sua cabeça latejava e sentia a dor que se instalara em seu corpo, principalmente em seu ombro, ele doía como o inferno.

Abrindo os olhos lentamente, resmungando levemente da luz ao lhe atingir  os olhos, Lena foi tomando nota do seu arredor. O som constante e irritante pertencia a máquina que estava do lado esquerdo da sua cama, um monitor cardíaco, então isso significava que a leve pressão em seu indicador fazia parte daquele aparelho. O incômodo em sua mão esquerda era a intravenosa que estava lá. Suspirou olhando as paredes brancas, ela estava em um quarto de hospital, isso era óbvio, mas porque diabos…? Foi então que, ao fechar os olhos, Lena se lembrou do que havia acontecido. Elas estavam sendo perseguidas, ela tentou acertar o motorista da van, depois apareceu outro carro escuro que batia no lado deles, lembrou de se jogar sobre Kara, lembrou de sentir seu corpo sendo jogado de um lado para o outro pelo que pareciam horas até parar pouco antes de tudo ficar preto e… Oh, merda! Kara!

Sentindo o coração disparar e um frio de medo subir pela espinha, Lena tentou se mexer, fazendo um raio de dor sair de seu ombro esquerdo e irradiar por todo o seu corpo. Reprimindo um gemido, a jovem Luthor agarrou seu ombro com força fechando os olhos, respirou fundo para acalmar seu corpo, numa tentativa de aliviar as dores e a súbita náusea que sentia. Tentou se mexer novamente e mais uma vez a dor em seu ombro se fez presente. Tudo o que o corpo dela pedia era um descanso, que ela ficasse quieta e se recuperasse, mas Kara... A criança não estava com ela e ela precisava encontrá-la. Com um grunhido determinado, Lena arrancou o aparelho do seu indicador, fazendo um som ininterrupto soar, um som ainda mais irritante que o anterior. Retirou a agulha da sua mão, não se importando com o sangue que escorria e segurando o ombro esquerdo, a morena obrigou seu corpo a se erguer, não conseguindo reprimir um leve grito de dor.

 

- O que você pensa que está fazendo, Luthor? – Uma voz feminina se fez presente. A voz soava irritada, mas mesmo assim, era uma voz conhecida. – Deite-se já. – Lena sentiu duas mãos lhe segurarem, evitando tocar no ombro esquerdo, e a fazer voltar para a cama. – Você ficou fora por algum tempo. Nos assustou.

- O que…? – A morena respirou fundo e ergueu os olhos, fitando os orbes preocupados a sua frente. – Katie… O que..? – Suspirou quando a mulher colocava um algodão esterilizado no local onde estava a agulha em sua mão para parar o sangramento. – Kara… 

- Ei, se acalme. – Katie, a namorada de Alex que correra desesperada pelo corredor  ao ver o alerta vermelho em seu celular referente ao quarto da amiga, tentou acalmar a jovem agitada. – Fique quieta.

- Não. Kara… – Falou entrecortada. – Kara ela…

- Kara está bem. – Apressou-se a dizer. Mesmo com arranhões pelo corpo, escoriações nas pernas e algumas nos braços, mesmo com um lábio partido e um enorme machucado no ombro, a única preocupação da jovem era saber sobre a criança que estivera em seus braços. – Ela está com Alex na lanchonete. – Pegou um copo com água e ajudou a amiga a beber após erguer a cabeceira da maca a mulher estava. – Ela estava assustada quando vocês foram encontrados. – Desligou o monitor cardíaco. Àquele barulho era realmente irritante. – Alex me disse que Kara tremia tentando acordar você. Mesmo depois que chegaram aqui, ninguém conseguia fazer com que ela se acalmasse. – Suspirou sentando-se na cadeira próxima à cama. – Não ajuda que ela não lembre de ninguém além de você e Alex.

- Ela está bem? – Perguntou tentando assimilar tudo. – Kara está machucada?

- Oh, sim, ela está bem. Nem um único arranhão. – Katie viu Lena suspirar de alívio. – Mesmo com os poderes dela amortecidos por toda essa… Bagunça, ela é forte o suficiente para não sofrer nada em um acidente de carro. Na verdade, quem mais se machucou foi você. – Foi Katie que suspirou dessa vez. – Alex estava com cinto de segurança, Kara ela… Bem, sabemos sobre ela. Agora você estava totalmente desprotegida e teve seu corpo jogado de um lado a outro dentro do carro quando capotaram. Você tem hematomas nos braços, eles não são piores porque seu moletom absorveu um pouco do impacto, você deslocou o ombro e bateu a cabeça. Você realmente nos deu um susto, Lena.

- Me desculpe. – Pediu pouco antes de um gemido de dor escapar de seus lábios.

- Vou te dar um remédio para dor. – Katie levantou pegando uma seringa. – Vai te fazer dormir e te dar o descanso que seu corpo precisa para se curar.

- Não! – Falou com pressa, tentando se afastar da amiga. – Eu quero ver Kara.

- Lena…

- Eu quero ver Kara agora! – Suspirou fechando os olhos ao sentir mais uma onda de dor sobre seu corpo. – Por favor, Katie. 

- Cinco minutos. – Falou sem dar brecha para negociação enquanto pegava o celular do bolso. – Você realmente precisa descansar, Lena.

- Ok. – Sussurrou. – Depois que eu ver Kara. Eu prometo. - Ouvindo um grunhido vindo de Katie que soava algo como “não tenho instintos maternos, minha bunda”, Lena fechou os olhos lembrando-se de uma conversa específica com a mesma mulher, mas não ficou muito tempo assim. Logo uma comoção fez que mostrasse novamente seus olhos verdes.

- Lee! – Lena sorriu levemente ao ver Kara correr até sua maca e tentar, sem sucesso, subir. – Lee.

- Calma, criança. – Alex se fez presente, pegando a irmã pelas axilas e colocando-a na cama, do lado direito da morena. – Tenha cuidado. – Avisou pouco antes de Kara se mexer. A criança iria se jogar sobre Lena, ela tinha certeza. – Lena está machucada. – Lena observou a mulher brevemente, notando um corte na testa. – Tem que ter cuidado.

- Lee dodói? – Kara perguntou olhando de Alex para a mulher deitada na cama. – Culpa de Kala?

- Claro que não, amor. – Lena apressou-se em responder, vendo os olhos claros se encheram de lágrimas. – Vem aqui. - Falou baixo pedindo para Kara se aproximar. Com extremo cuidado, o que era impressionante para uma criança daquela idade, a loira se aproximou da jovem machucada, mas sem encostar na morena. - Nada disso foi culpa sua, querida. – Lena acariciou a bochecha corada, limpando as lágrimas que escorriam por elas. – Eu vou ficar bem.

- Mas dodói, Lee. - A pequena loira soluçou.

- Ei… – Lena puxou a criança para si, fazendo-a deitar ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro direito, mas mesmo o leve peso da menina fazia seu corpo protestar. – Não precisa ter medo. – Sussurrou nos cabelos loiros, sentindo Kara apertar a roupa que ela usava em uma demonstração clara de quão assustada ela estava. – Eu estou bem e vou sempre proteger você. – A pequena kryptoniana se encolheu, enterrando-se tanto quanto podia no corpo da morena. – Você é minha favorita e eu não vou deixar ninguém machucar você, amor. – Sentiu um leve suspiro chocar contra o seu pescoço. – Eu prometo.

 

Mesmo com toda a dor que ela estava sentindo, Lena continuou puxando o corpo da criança para si, numa tentativa de demonstrar que ela estava segura e ninguém iria machucá-la. A morena acariciava os cabelos loiros enquanto falava suavemente para a pequena que se agarrava a ela. Concentrando-se unicamente em acalmar a amiga, esquecendo que Alex e Katie a observavam, ignorando a dor que se tornava cada vez mais presente. Assim que um suspiro profundo e calmo se chocou com seu pescoço, assim que o aperto de sua roupa afrouxou, a jovem teve a certeza que Kara tinha adormecido. Com um suspiro de alívio, Lena olhou para Katie e acenou com a cabeça, indicando que ela apreciaria aquele remédio agora. 

Após beijar os fios loiros, a jovem empresária apoiou a cabeça nos cabelos claros de Kara e fechou os olhos, esperando o remédio fazer efeito e rezando que ele a levasse para um sono reparador e sem sonhos. Não importa a versão que Kara estivesse, se era adulta ou criança, se estava com todos os seus poderes ou se era momentaneamente humana, Lena sempre a protegeria. De tudo e de todos. Sempre.


Notas Finais


Bem, aqui estamos.
Admiro você por ter chegado até aqui e agradeço por acompanhar essa minha loucura.

E não, não sei interpretar um conversa co uma criança, me perdoem.

Em breve o próximo chega, eu espero

Até mais.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...