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História Você é colorida e eu sou preto e branco - Capítulo 51


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Capítulo 51 - Capítulo 51


Enquanto dirigia para casa pensava em tudo que aconteceu no evento. Descobrir que Louis era filho dos Tomlinson, e depois ter uma conversa quase amigável com ele era demais para uma noite.  Mas era o Cobra que ficava incomodando meus pensamentos. Se eu tivesse bebido com toda certeza teria ligado para ele, mas sóbria eu só pensava que deveria haver alguma maneira de eu  me aproximar sem ser direta, e sem parecer que eu estava correndo atrás. Mas a primeira coisa a ser resolvida, sem dúvidas era o meu relacionamento com Liam. 

No dia seguinte então me apressei em marcar um encontro com Liam, foi em um café no centro. Quando ele chegou ele me beijou o rosto e se sentou em minha frente. Conversamos um pouco sobre assuntos aleatórios e então chegou a hora de eu falar sobre o nosso fim.

- A verdade é que eu te chamei aqui para conversar sobre outro assunto. – comecei e dei um gole no meu café. Liam me olhou desconfiado. 

- Que assunto? 

- Sobre a gente, - eu estava sem jeito – sobre o que está rolando... não vai dar mais pra continuar. – tentei ser direta.

Ele franziu o cenho – Por que? 

-Porque não sinto que é a coisa certa. 

- A gente se dá bem, não?

- Sim, a gente se dá bem! Mas não é o suficiente para um relacionamento. – as palavras estavam entaladas em minha garganta, eu tive que colocá-las pra fora. – Ter... o que aconteceu naquela noite... ter  transado com você foi um erro. – disse baixinho.

- Poxa, é muito bom ouvir isso. – ele disse com ironia, parecia meio irritado. 

- Eu quero não brigar, eu só não quero enganar você. Gosto de outra pessoa e...

- Do Cobra! – ele me interrompeu.

- Não importa. Se a gente insistir nisso, vamos acabar nos machucando. 

- Você não está preocupada comigo, você só quer se ver livre pra correr atrás dele de novo como estava fazendo. – ele disse com uma grosseria que eu desconhecia. 

- Fale baixo! – disse checando se as pessoas estavam olhando pra nós, e algumas estavam sim. Fiquei irritada também. – Se soubesse que você seria tão incompreensível eu teria marcado em outro lugar, onde não tivesse ninguém para assistir ao seu show. 

- Você acha que estou dando um show? Você descaradamente me usou pra fazer ciúmes ao Cobra, eu fiz tudo por você, ele não te dá a mínima.

- Não se trata do Cobra, Liam. Se trata de nós. Não estou feliz. 

- Ah, você não está feliz! – ele foi irônico.

- Não, não estou! 

- E você acha que vai ficar feliz com ele? 

- Não se trata dele! – revirei os olhos. 

- Ele nunca vai te levar a sério, o cara sai com uma mulher diferente todo dia. 

- Não é por causa dele é por minha causa.- eu também já estava exaltada. 

- Sei bem. Por que me pediu pra te levar pra minha casa naquele dia? Por que bebeu quase uma garrafa de destilado? Por que começou a se esfregar em mim depois disso? E o mais importante, por que continuou saindo comigo depois de tudo? Será que não tem mesmo a ver com o Cobra, Julie? – tinha raiva em suas palavras e em seus olhos, Liam  levantou abruptamente quando terminou de falar e a cadeira que ele estava caiu no chão. Todo mundo olhou pra gente. – Eu vou embora, a gente conversa outra hora. 

Eu fiquei tão perplexa com a reação dele e tão envergonhada com o olhar das pessoas que o olhei sair do estabelecimento paralisada. A atendente veio rapidamente colocou a cadeira no lugar e perguntou se estava tudo bem. Apenas assenti.

Era uma droga não poder ligar pra Megan e contar o quanto Liam foi grosso e estranho, e o quanto eu estava estarrecida por isso, ter uma amiga pra desabafar me fazia muita falta. A caminho de casa eu não resisti e liguei para saber como foi o encontro com suas novas melhores amigas, já que ela não se deu o trabalho de me ligar pra contar. Quando finalizei a ligação descobri que eu estava ainda mais chateada porque nosso distanciamento estava cada vez mais evidente. 

Não me considero uma pessoa consumista, mas em casos como este, comprar sempre foi uma boa distração. Vinte minutos depois de entrar no shopping única coisa que eu me preocupava era em testar as  novas  cores de sombras da Mac. Acabei passando em uma loja de sapatos e comprando dois pares, que no momento achei bem necessário.

Quando cheguei em casa com as minhas sacolas e joguei em cima da cama, percebi que já não estava mais animada com as compras. Fui até o meu closet e cheguei  a conclusão que estava na hora de dar uma geral, separar coisas para a doação, talvez eu até pudesse fazer um bazar beneficente. 

Eu estava tentando tirar meus pensamentos do Cobra, mas não estava conseguindo. 

Quando percebi, meu celular estava em minha mão e eu estava discando o número dele, sem ao menos saber o que ia dizer. 

Chamou muitas vezes até que eu ouvisse a voz dele dizer. 

- Hey!  

E eu fiquei imediatamente nervosa. 

- Oi, é a Julie. 

- É, eu sei! Aconteceu alguma coisa?- ele estava ofegante e a sua voz não era doce como de costume. 

- Não! Quer dizer... – eu buscava em minha mente, na categoria mentiras, um bom assunto  que teria me motivado a ligar pra ele, e fiquei ainda mais nervosa quando percebi que não havia nenhum que eu pudesse dizer sem parecer uma completa idiota. Olhei para a parte de cima do meu armário e tive uma luz...

- É que eu acabei de encontrar o seu casaco, eu mandei lavar... – outra vez essa história do casaco, Julie? – Pode vir buscar se quiser, ou talvez a gente possa se encontrar em algum lugar para eu te entregar.

A vergonha do ano! Por que eu disse isso mesmo? 

- Estou fora da cidade! Vamos ter que adiar essa entrega. 

- Ah, tudo bem, eu guardo pra você então. 

- Ok! 

- Ok! 

Um silêncio constrangedor, a respiração ofegante dele foi ficando mais calma,  até que ele quebrou dizendo.

- Você está bem?- sua voz tinha voltado aquele tom que eu adorava. 

- Sim! – eu disse, mas tive vontade de falar pra ele sobre o que aconteceu com Liam, com a Meg, ele me ouvia, me entendia, me aconselhava... com certeza o Cobra faria eu me sentir melhor. – E você? – perguntei.

Ele fez um breve silêncio, um longo suspiro e disse baixo...

– Não tenho certeza como estou me sentindo agora. 

Não era isso que eu esperava ouvir. 

- Por que? 

- Não esperava receber uma ligação sua, não depois da nossa última conversa.

- Eu também não esperava te ligar. – percebi que estava sendo melosa – Mas achei que estaria sentindo falta do casaco, foi só por isso que eu liguei. 

- Ok, Pati! – ouvir ele me chamando de Pati com aquela voz de que estava com um sorriso na cara fazia meu coração derreter. – Obrigado por ligar! É louco, mas você me salvou de fazer uma grande merda! 

- Como assim uma grande merda? – ele tinha o dom de atiçar a minha curiosidade. 

- Não posso te falar agora. Quem sabe quando me entregar o casaco.

- Você esta brincando com a minha cara? Não pode me deixar navegando no oceano da minha imaginação. Você tem que me contar, como vou ter paz? 

- Eu realmente não posso falar agora, estou no meio de um problema dos grandes. Mas... bom, eu senti sua falta. – meu estômago borbulhou. – Das nossas conversas, dos...– ele parou abruptamente quando uma voz de mulher falou  algo que não pude compreender,  então com a voz mais firme o Cobra disse para mim. – A gente se fala outra hora. – e desligou. 

 

Outra mulher, ele estava com outra mulher. Eu estava sendo uma idiota iludida enquanto ele estava com outra mulher. 

Por que com ele era sempre assim? 

 

Eu poderia ter ficado arrasada e eu fiquei mesmo, mas no dia seguinte eu tomei uma decisão. Iria arrumar tantos afazeres que não me sobraria tempo para me preocupar com ninguém, nada mais justo, já que ninguém se preocupava comigo. 

 

- Vou fazer um bazar beneficente, preciso que você me ajude a separar as peças no meu armário.- disse a Lupe enquanto ela me servia o café da manhã. 

- Quando pretende começar? 

- Hoje! Depois que voltar da escola. 

Na escola Meg e eu mal nos falamos, era semana de provas então eu estava passando meu tempo livre na biblioteca. 

Na hora de ir pra casa, tive uma surpresa nada agradável. Liam estava me esperando escorado no meu carro.

- A gente precisa conversar. – ele disse. 

- Já conversamos.

- Você não pode tomar essa decisão sozinha, estamos em um relacionando a dois.

- Quando um não quer dois não brigam e não estamos mais em um relacionamento.

Tentei abrir a porta do carro e ele fechou com força. - Eu estou falando com você, qual é o seu problema? 

- Eu não quero falar com você, Liam. – gritei. – Voce me fez passar a maior vergonha no café, pra mim já deu! 

- Desculpe, ok? Você me deixou nervoso!

- Ah, isso porque eu disse que não quero continuar em um relacionamento no qual eu não sinto nada? – estávamos irritados.

- Você esta se precipitando, não está dando uma chance pra nós. Me de mais um tempo e garanto que vai se apaixonar por mim.

- Não é assim que funciona. 

- Claro que é! 

Tentei abrir a porta e ele mais uma vez me impediu.

- Pode me deixar ir pra casa ou vou precisar pedir ajuda? – eu o ameacei, quando fechei a boca a voz atrás de mim me perguntou. 

- Precisa de ajuda, Julie? – era o Rick e mais dois garotos da luta. Apesar de mais novos eles eram mais altos e tinham mais músculos e habilidades para defesa pessoal que o Liam. 

- Rick. – eu respirei aliviada. – Que bom te ver. Não preciso de ajuda, eu já estou indo pra casa. – abri a porta do carro e o Liam ficou olhando sem se mover. – acenei para o Rick, dei ré e arranquei. 

Quando cheguei em casa que chequei o celular, a mensagem do Liam me deixou preocupada.

“ Não vou desistir tão fácil” 

Bloqueei o número.

No dia seguinte eu achei mais seguro andar com o motorista, pelo menos até eu ter certeza de que Liam não tentaria falar comigo, ele andava um pouco agressivo e isso me dava medo. 

Os dias se passaram e consegui me sair muito bem nas provas. Consegui tirar o Cobra do foco, confesso que ele me ajudou não me ligando e não me mandando nenhum sinal de vida. Liam ainda tentou falar comigo, mas a presença do meu motorista o intimidou e ele acabou me dando paz.  Realizei o bazar no salão de festas da minha casa e consegui arrecadar um bom dinheiro que resolvi doar para um asilo. Megan apareceu lá, o que me deixou muito feliz.

Depois disso ela me fez uma visita inesperada na minha casa. Durante a conversa ela  disse que estávamos muito distantes ultimamente e que seria legal se eu fosse no acampamento que o grupo do Louis iria fazer.

- Mas vai ser na mesma semana da  viagem da escola. – eu disse. Era uma viagem que fazíamos todos os anos para um parque aquático, uma semana antes de se iniciar as férias de verão. 

- Eu já estou bem grandinha para essa viagem, vai ser um saco, eu não vou. – Meg disse. – O Louis disse que o acampamento é irado. Que tem trilhas e cachoeiras, fogueira...

- Desde quando você gosta disso? Acampamento só me faz pensar em insetos, ursos, cobras e   todos os tipos de animais selvagens. 

- Eles já estão acostumados e ninguém nunca foi atacado por um animal. 

- Ok! 

- Então você vai? 

- Não foi isso que eu disse! Minha mãe não vai deixar, isso é certo. 

- Você pode dizer que vai para a viagem da escola. 

- Não, eu não posso fazer isso! Ela simplesmente me mataria se soubesse. E além do mais seria muito fácil descobrir. 

- Você tem que ir, não vai ser tão divertido sem você. 

Ver Meg querendo me incluir em um programa de seus novos amigos me fazia querer ir, e não era só isso, eu não admitiria nem pra mim mesma, mas a possibilidade de ver o Cobra me deixava sem raciocínio. 

- Vou ver o que consigo fazer.  

Com isso eu pensei e pensei e tive a brilhante ideia de dizer que ia passar uns dias na casa da minha avó. Ela só precisava concordar em mentir por mim. Minha avó conhecia bem a minha mãe e as rédeas curtas que ela me colocava, então nem precisei explicar muito. 

- Tem algum motivo especial para você não ir ao passeio da escola? – minha mãe perguntou durante o jantar. 

Já não nos reuníamos para o jantar com a mesma frequência. Com o tempo estava ficando tudo meio estranho, sobretudo o relacionamento dos meus pais, em grande parte do tempo meu pai parecia distante e calado e minha mãe estava sempre de mau humor. 

- Nenhum motivo especial, apenas não estou com vontade. Prefiro aproveitar uns dias no haras com a vovó. 

- Andei pesquisando e tem ótimos cursos em Paris que você pode fazer neste verão, pode ficar na casa da Isabel. – sugeriu.

- Não, eu pretendo ficar por aqui. 

- Tomei a liberdade e fiz a sua inscrição para um curso de literatura francesa, vai ser ótimo para aprimorar o idioma, sem falar que...

- Você o que? – deixei o talher cair sobre o prato, eu estava perplexa.

Ela me olhou como quem me desafia e disse. – Também já comprei a passagem e falei com a Isabel ela ficou super empolgada com a ideia.

- Mas eu não. – quase gritei. – A minha opinião conta, não é? Estamos falando da minha vida aqui. Eu não vou para Paris, vou me oferecer como voluntária em alguma instituição, isso é bom para o currículo.

Ela começou a se irritar, como eu.

- Um curso em Paris conta muito mais para o currículo que ser voluntária nessas instituições falidas.

- Eu não quero ir para Paris. 

- Mas você vai.

- Não, eu não vou.

- Já chega! – meu pai foi duro ao interromper a discussão. 

Ele realmente andava muito estranho.

- Cancele a passagem, cancele o curso, se ela não quer ir, ela não tem porque ir. – ele disse.

- Eu estou fazendo o melhor pra ela. – minha mãe disse.

- Você pediu a opinião da Julie sobre o que você acha que é o melhor pra ela? 

Eu nunca havia presenciado meu pai sendo tão grosso com a minha mãe. Eu sei que eles discutiam, mas nunca na minha frente. Fiquei um pouco desconfortável com a situação. 

- Está questionando a minha educação? – ela questionou. 

- Estou farto de você ser tão inflexível com uma jovem mulher, ela não é mais uma criança que você pode controlar, Rebecca. Ela já consegue pensar por si própria. 

- Não me chame de controladora, você é que está sempre passando a mão na cabeça dela, mesmo quando faz coisas erradas, você mima essa garota.

 

Eu não aguentava mais. Arrastei a cadeira e me levantei. – Vou para o meu quarto. 

Nos dias seguintes eu passei a escuta-los discutir sempre, e quando eles não estavam discutindo nem se falavam. 

Passei a me sentir culpada pela desordem na minha casa. 

Eu já tinha acampado algumas vezes quando era criança e isso parecia ser em outra vida. 

Eu não tinha nenhuma intimidade com a floresta, estava com medo do que poderia acontecer. E enquanto arrumava minha enorme mochila eu conversava com Megan pelo telefone sobre as milhares de dúvidas que surgiam. 

- Você já colocou repelente? – Meg perguntou. 

- Sim, eu comprei três marcas diferentes. E a barraca, você vai levar, não é? 

- Sim, não se preocupe. Eu comprei uma pra você, vou dormir na do Louis. 

- Não sei como eu me sinto sabendo que vou dormir sozinha em uma barraca no meio da floresta. 

- Você pode chamar o Liam para te acompanhar, ele é um cara legal.

Eu não culpava Meg por pensar assim, se ela soubesse de tudo que aconteceu, provavelmente odiaria o Liam e o Cobra também. 

- Melhor não. Pensando bem não deve ser tão ruim dormir sozinha.

- Não vai me contar mesmo porque terminaram? 

- Eu já disse, não quero namorar ninguém. E o Liam não tem muito a ver comigo. Bota de trilha, casacos... Será que eu estou esquecendo alguma coisa? – mudei de assunto. 

Eu não tive coragem de perguntar se o Cobra iria, para todos os efeitos eu estava indo exclusivamente por causa da Megan. Na manhã de quinta feira fui de carro até um estacionamento da cidade e esperei até que a carona chegasse. Louis apareceu dirigindo uma caminhonete com a carroceria cheia de bagagens e a Meg estava com ele. Louis desceu, pegou minhas duas malas e enquanto encaixava elas em algum lugar brincou. 

- Estamos indo para o mato, estou curioso para saber o que vocês colocaram dentro dessas malas, as suas estão ainda mais pesadas que a da Megan. 

- Vai continuar curioso. – eu disse, e por incrível que pareça não fiquei irritada com ele. 

- O Louis pegou o carro emprestado com um amigo para levar as bagagens já que a maioria vai de moto. – Meg disse quando sentei no banco de trás. 

Me pergunto como Meg não percebeu que aquele carro era muito caro para qualquer amigo que o Louis já tinha apresentado a ela, a não ser que o amigo fosse o Liam. Não quis perguntar para não deixá-lo em maus lençóis, mas para mim aquele carro era da família Tomlinson, claro. 

Callie entrou quando paramos em frente a casa dela, me cumprimentou com a animação de sempre e fez várias piadinhas sobre eu estar indo acampar durante toda a viagem. Confesso que quando Louis disse que Callie iria com a gente eu fiquei meio tensa. Estar confinada dentro de um carro com uma louca que sabia do meu segredo e minha melhor amiga curiosa, era preocupante. Mas foi bem tranquilo, contamos histórias,  fizemos brincadeiras, cantamos e  nos divertimos bastante. O trajeto foi longo, mas passou rápido e antes do anoitecer paramos na entrada de um parque. 

Eu carreguei apenas uma mochila pequena em minhas costas, Louis disse que teria que pedir ajuda a alguns rapazes para carregar as nossas coisas. 

Depois de uma leve caminhada paramos em uma área de camping rodeada por longas árvores, mesinhas de pique-nique, banheiros masculino e feminino, e tinha até um trailer de um dos motoqueiros. Nossa, respirei aliviada, já estava me sentindo em um daqueles programas de sobrevivência que passavam na TV. Que bom que não teríamos que fazer as nossas necessidades atrás de um arbusto e tomar banho em algum rio. 

Ao ver Louis armando a barraca, Megan e eu resolvemos ajudá-lo, e foi hilário pois nunca tínhamos feito aquilo na vida! Ele disse que estávamos atrapalhando e nós rimos muito disso.

A noite caiu rápido e o tempo esfriou na mesma velocidade, não tinha luz, ouvíamos barulhos de insetos, meu celular estava praticamente sem rede, resumindo, a luz do dia as coisas pareciam mais belas. 

Mas não era de todo ruim, na beira da fogueira enquanto nos aquecíamos, ouvíamos várias histórias, algumas engraçadas e outras nem tanto! Niall tinha um dom especial para contar histórias, ele fazia parecer bem reais, principalmente quando ele enfatizava. “ Isso aconteceu de verdade, minha avó me contou, perguntem a Callie.” E Callie confirmava.

- Meg você bem que podia dormir comigo, não é?- eu disse me aproximando dela. A fogueira já não tinha mais tanta força, a maioria das pessoas já tinham se recolhido porque beberam de mais, Meg não estava diferente. 

- Você não está com medo, não é Ju? Tá na cara que aquelas histórias do Niall eram mentira! Onde já se viu “bestas” no meio da floresta, só você mesmo pra acreditar nisso! 

- Eu não estou com medo! É só que a minha barraca ficou um pouco longe da de vocês, e se aparecer um animal? E se eu precisar ir ao banheiro no meio da noite?

- As barracas estão pertinho. – ela tentou apontar em direção a minha barraca, mas errou miseravelmente pois estava bêbada. – Se precisar ir ao banheiro ou qualquer outra coisa, é só gritar. 

-Eu não vou acordar todo mundo pra dizer que quero ir ao banheiro.

- Use a lanterna. Aponte na direção da minha barraca e me chame, tenho um sono muito leve. – disse ela. É claro que eu sabia que Meg não dormia, ela tinha um breve  arrebatamento durante o sono, mas não contestei. 

Eu teria chamado Callie para me fazer companhia se ela já não tivesse saído disfarçadamente enquanto todos estavam distraídos e se enfiado dentro da barraca do Will, o moreno alto que ela pegava as vezes. 

Me ajeitei no meu colchão de ar e me cobri com o meu cobertor quentinho, contemplei o silêncio por alguns segundos e então os gemidos de alguém sendo degolado começaram a soar. Bem a garota, seja quem for, não estava sendo degolada de verdade, mas era um barulho meio constrangedor que eu prefiro não comentar. Depois deste fato,  esperei o sono vir, ele não veio, minha mente estava trabalhando tão rapidamente que eu nem conseguia acompanhar. Bestas, insetos, cobras, animais selvagens,  assombrações... com todas aquelas histórias eu não conseguia me decidir do que eu tinha mais medo. A cada mínimo barulho que eu escutava meu coração saltava, resolvi colocar fones de ouvidos com uma música boa, mas a imagem de um animal destroçando minha barraca tão frágil com os dentes não saiam de minha mente, e achei melhor tirá-los. Algum tempo depois ela chegou, ela quem? Aquela que eu mais temia, a vontade de fazer xixi, eu prendi, claro! Olhei no visor iluminado em meu pulso e passavam das 4:00h da manhã, só mais umas duas horinhas para amanhecer. Fechando os olhos e tentando pensar que eu não estava quase fazendo xixi na roupa eu segui, até que ouvi barulho de passos e a claridade de uma lanterna passou rápido ao lado da minha barraca. Não tinha possibilidades de uma animal está manuseando uma lanterna, então supus que seria um humano, não é? Puxei o zíper da barraca para cima e dei uma olhada lá fora, tudo quieto, nenhum sinal. Sai devagar da barraca e olhei em direção aos banheiros, a claridade da lanterna estava vindo de lá. 

Empurrei meus pés de meia na sandália e caminhei rapidamente até lá, olhando para todos os lados com medo de ser atacada. 

-Que bom que tem alguém acordado por aqui... – comecei a dizer quando me aproximei do homem com uma enorme mochila nas costas. – Eu estava com medo...

Ele se virou colocou a luz na minha cara e eu interrompi a fala, quando ele abaixou a lanterna e eu pude vê-lo,  meus olhos se arregalaram e meu coração acelerou. 

- Tá fazendo o que aqui? – o Cobra perguntou com um meio sorriso surpreso. 

- Acampando. – saiu sem pensar. 

- Você me surpreende, sabia? 

- Você também. Eu... eu nem sabia que você vinha! – eu não tinha certeza, mas eu esperava que ele fosse, claro! 

Ele sorriu cinicamente. – Essa é a minha galera, claro que você sabia que eu vinha. 

- Tá insinuando o que? – perguntei toda sem graça. Ele tirou a mochila das costas e jogou no chão ao lado de outra mochila. 

- Não estou insinuando. Estou dizendo que você sabia que eu viria. 

- Não sabia, não! Você nem estava na cidade. Se soubesse que você viria, provavelmente teria recusado o convite da Meg...

- Ah, sempre a Meg. – ironizou. 

Fiquei irritada. – Eu só me levantei para ir ao banheiro, não vou perder meu tempo com você. 

- Dei alguns passos e entrei pela porta do banheiro escuro. Sai e pedi. – Pode me emprestar a lanterna um minuto? 

Ele me entregou e eu voltei a entrar. Me aliviei e sai do banheiro, entreguei a lanterna, ele abriu um sorriso e disse. 

- Não fez xixi na minha lanterna, né? 

Revirei os olhos.

- Eu deveria ter tido essa ideia. Droga! – lamentei e virei as costas para voltar para minha barraca. 

- Ei, Paty! – ele me chamou, e no meu estômago explodiram mil bolhas. Quando eu o olhei, ele olhava fixamente pra mim. – Você veio acompanhada?

Eu entendi, mas fingi que não. 

- Sim, pela Meg, Louis, Callie...

- Você entendeu, Liam...

- Não. Não estou mais com o Liam. – me senti aliviada em dizer.

Ele sacudiu a cabeça afirmativamente e deu um sorrisinho lindo e discreto. 

- Senti sua falta. Quer dar uma volta? Tenho  uma coisa pra te mostrar. 

 


Notas Finais


Volteiiiii, com muito sacrifício!!!!
Então comentem muito se querem um capitulo novo!!!! Bjcassss
Desculpem por fazê-las esperar, ossos do ofício...


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