História Você é linda! - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo único.


Fanfic / Fanfiction Você é linda! - Capítulo 1 - Capítulo único.

Olhou-se no espelho; cabelos negros, um tanto bagunçados; olheiras fundas abaixo de olhos. Estava muito magra, e os ossos do seu rosto pareciam querer romper a pele fina.

Zaire tinha a pele escura, lábios grandes e olhos da cor do cabelo. 

A mä de Zaire entrou devagar procurando a filha pelo quarto, sorriu com compaixão quando a encontrou num canto com o rosto vermelho e assustado. 

O doce sorriso de uma mãe se transformou em uma linha reta.

- Zaire?

Seus olhos negros, ansiosos no escuro acinzentado, moveram-se pelo rosto, Zaire estava contorcida de pânico.

- ?

Mä começava a ficar preocupada. 

- Por que você está se olhando tanto? - pergunta com as mãos na cintura. 

Ek weet nie.

- Em português, querida. Nós estamos no Brasil. 

Zaire assentiu levemente.

A jovem nunca se achou  espetacularmente bonita. Não havia nada que fosse considerado incrível na sua aparência desleixada.

Era negra, magra e alta, sem traço de corpo algum. Muito diferente das outras adolescentes que possuíam curvas e silhuetas delineadas.

- Só estou preocupada...

Com a auto-estima baixa e o sentimento de inferioridade, decidiu se distanciar das pessoas e ser mais uma no meio da aglomeração de alunos.

-  Não há nada com que se preocupar. As pessoas na sua escola são legais? 

Zaire acenou com a cabeça.

- Eu já estou indo. Como estou? 

Mooi!

A anciã esboçou um sorriso largo e sincero.  

Se Mä dizia que ela era bonitaela acreditava.

*****

Certo dia, saiu de casa com o fone nos ouvidos e o celular em mãos até o ponto de ônibus. 

Por sorte Zaire encontra um assento vazio e se senta calmamente. 

 Ela observava um garoto com muito interesse, ela é lindo, pensa. 

Um garoto de cabelos castanhos que estava de pé e muito próximo a uma barra de ferro a encarava felinamente. 

Talvez tenha sido a camiseta que ele estava vestindo, ou a camisa bem asseada, ou o modo com que seus olhos de verde profundo olhavam para os seus.

 Como resistir àqueles olhos verdes hipnotizantes?

Geralmente as pessoas não lhe demonstravam interesse, o que de inicio a assustou.

Fez uma revisão básica do que estava vestindo e se usara algum pó que causasse um efeito anormal na sua pele escura. Mas não havia nada de incomum em usar um jeans rabiscado e uma camiseta moletom. 

Zaire até imaginou que depois de alguns minutos ele fosse parar de olha-la, mas se enganou. E esse fato a incomodou tanto que Zaire decidiu sair do carro antes mesmo de chegar no seu ponto.

Envergonhada e levemente perdida, desceu os degraus. Sentia as faces arderem suavemente.

No meio de sua tentativa desesperada de fuga, nota um braço a agarrar firmemente.

Surpresa e pega na própria armadilha, é forçada a encarar as belas iris verdes do garoto a sua frente.

 - Você é linda! - sussurrou o rapaz, exibindo os seus dentes brancos e alinhados.

— O quê? - pergunta trêmula e muito baixo.

— Você é linda! - repetiu. - Bom, também vi que tem celular, esculte, vou te dar o meu número. Não se esquece de me ligar, eu quero te conhecer.

Em movimentos rápidos o jovem tira uma caneta azul da mochila e escreve seu número na mão de Amanda, que treme levemente com o contanto.

— Me liga, girassol. - escultou a voz do garota dizer ao descer do ônibus.

Enquanto caminhava em direção a outro ponto para pegar um outro ônibus e chegar a escola, sentia o leão adormecido despertar em seu peito e rugir triunfante. Suas mãos ficaram muitos quente depois de terem sido tocadas.

Distraída, topa com uma mulher de aparência arrogante que logo pestaneja palavras de desacato a nossa heroína.

— Sai da minha frente, sua preta abusada!

Tudo ficou muito quieto e constrangedor.

— Do que foi que você me chamou? - não havia vestígio de medo ou acovardamento em seu tom de voz, pelo contrario, era calmo e preciso.

 - Preta abusa, sim senhora. É por isso que o Brasil não vai pra frente com tantos jovens delinquentes que inclusive são maeginalizadoa e negros. - e completou de uma forma ainda mais agressiva; - Bem que você deveria se olhar no espelho, garota ridícula!

Zaire suspira profunda e paciente.

- Isso é preconceito! A senhora bem que podia pegar cana.

- É claro. Hoje em dia tudo é preconceito, machismo e homofobia. Só estou sendo sincera. Você é Feia.

— Não - um sorriso calmo se abre entre os seus lábios. - Eu sou linda! 

E sai andando com ar decidido.

Você também é linda, sabia? O seu sorriso e a sua vida vale muito mais que qualquer outra coisa. Não existe ninguém como você. 

 

 



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