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História Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 1


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Notas do Autor


—Inicialmente, vamos deixar claro que todos os nomes, personagens, locais e eventos são fictícios e não tem nenhuma relação com acontecimentos ou pessoas reais. Qualquer semelhança é mera coincidência.

—Segundo! Todos os personagens, nomes e locais são de propriedade da BeeMoov Jogos! É proibida a sua reprodução total ou parcial em qualquer meio de comunicação, veículo de imprensa escrito ou falado, sites ou impressos. Se o fizer, se resolva com os franceses!! Boa sorte com um processo internacional!

—Terceiro e não menos importante (talvez o mais importante) ao contrário de outras fics por aqui, esta irá se passar no mesmo universo e os acontecimentos são diretamente relacionados ao jogo! Portanto, pode acontecer de você tomar um SPOILER AQUI. Talvez dos primeiros episódios (ainda não fui muito longe no jogo). Então fique avisado.

Capítulo 1 - Próximo Passo


Fanfic / Fanfiction Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 1 - Próximo Passo

“Por que quanto tudo parece estar bem…. Quanto tudo parece dar certo… a vida vem e nos dá uma rasteira. Nos coloca de volta no chão, com a cara na terra, chorando em posição fetal, implorando para que ela pare de chutar suas costelas com aquelas botas militares de bico de metal que rockeiros adoram usar?”

“Talvez seja a forma dela nos manter evoluindo, crescendo e lutando. Talvez seja a maneira de tirar a humanidade da estagnação e fazer a gente continuar nossa jornada. Ser feliz é algo que está além do nosso alcance, pois quando estamos felizes não temos vontade de fazer nada, exceto sentar e aproveitar o sentimento que nos preenche naquele momento.”

“Então, não podemos parar. Temos que continuar lutando, brigando, superando nossas fraquezas ou perecendo no caminho. Para que somente os mais fortes possam continuar e dar segmento a vida humana. Condenados a nunca parar, nunca descansar, por mais exausto que se esteja…”

“…mas, eu não tenho mais forças para lutar…”

Colégio Sweety Amoris, seis meses depois…

As aulas de educação física na qual os alunos deveriam praticar algum esporte costumavam ser muito divertidas ou uma grande tortura de 40 minutos. Tudo dependia do time no qual Kim estava jogando. O time no qual ela jogava era claramente o vencedor. Não era realmente impossível para o outro time ganhar, mas era bem mais difícil quando não se tinha a melhor atleta da classe na sua equipe.

Desta vez o jogo de vôlei na quadra havia sido um massacre desleal onde Kim ficara o tempo todo na rede bloqueando as investidas dos adversários. Os destaques ficavam para Rosalya, que sem suas botas de salto alto era a mais baixa da turma. E Violette, que não prestava a atenção no jogo e se distraia com qualquer folha que o vento derrubava e carregava para longe.

Outro ponto que contribuía para o fator “diversão/tortura” era o de ter Ambre, Charlotte ou Li no time. Não era tão comum que alguma das três realmente entrasse em campo para jogar qualquer coisa com as outras garotas, porém, em alguns momentos o excêntrico Professor Boris exigia a participação das moças nas atividades. Fato que era igualmente lastimado por elas e por todas as outras meninas.

Desta vez, a sorte estivera completamente do lado de Dee.

Didra, ou Dee para os mais chegados, estava em um time formado por ela, Kim, Melody, as irmãs Moore (amigas da Sala B) e Li (que não atrapalhou tanto quanto podia, já que estava sozinha). Do outro lado o time contava com Ambre, Charlotte, Bia, Rosalya, Violette e Iris. O que significava que Iris estava praticamente jogando sozinha contra um time bem mais motivado e com uma peça vencedora.

Não foi um jogo difícil e o time de Kim venceu com tranquilidade. As garotas do primeiro time (com exceção de Li que era “terminantemente proibida de comemorar”) entraram no vestiário comemorando e parabenizando Kim por sua atuação no jogo.

– Claro que se não fosse minhas brilhantes assistências, isso não seria possível. – disse Dee se gabando. – Então, de nada!

– Que assistência, guria? Aquela bola torta que tu me passou e depois ficou berrando “Eu acho que quebrei meu dedo!! Eu acho que quebrei meu dedo!!” – respondeu Kim, fazendo uma voz fininha e irritante. – Foi realmente brilhante isso!

– Ei… tava doendo, falou? – Dee mostrou o dedo mindinho vermelho depois de recepcionar a bola de mal jeito.

As meninas riram e foram até seus armários pegar sua roupa e material para um banho antes de voltar para o segundo período de aulas. Para Dee, aquele era um dia um pouco mais especial do que os outros e queria logo que a hora do almoço chegasse para estar junto com sua Iris.

“Sua Iris”, a terceira como ela costumava brincar, foi algo que lhe deu um imenso trabalho para conquistar, já que a menina fez questão de criar um segredo através de uma misteriosa carta colocada no armário de Dee no corredor.

Você é meu amor doce”

Era como um mantra que Dee entoava sempre que estavam juntas. O “doce” e o “azedinho” que se misturavam como uma torta de limão e faziam a vida delas mais gostosa. Dee agradecia todos os dias por viver aqueles momentos com a garota. Não podia estar melhor. Seu medidor de amor, um lovêometro, extrapolava os 100% e nada ficaria em seu caminho.

Iris, e as meninas do segundo time, entraram no vestiário depois e não mais contidas do que as primeiras, com exceção de Iris que estava visivelmente nervosa. Ela passou por todas as amigas, indo diretamente para o chuveiro, sem dizer uma palavra para ninguém. Nem mesmo para Dee, com quem namorava a seis meses.

Didra não pode deixar de notar a atitude da garota e foi atrás dela. Iris entrou em um dos cubículos e Dee pode ouvir o barulho da água do chuveiro caindo. Ela deu duas batidas na porta, um sinal de que estaria no cubículo ao lado. Tirou sua roupa suada do treino e ligou a água quente, que lhe ajudava a se livrar do stress e cansaço daquele dia.

Por alguns minutos, ficou esperando que Iris lhe dissesse alguma coisa, mas nenhuma palavra partia da garota ruiva. As outras moças também começaram a se lavar após o treino e o vestiário ficou muito mais animado com as conversas, gritos e músicas entoadas pelas irmãs, fãs de k-pop. E apesar de toda a animação, nenhuma palavra vinha do cubículo ao lado.

– Esqueci meu shampoo. Você me empresta o seu? – disse Dee, na tentativa de puxar um assunto.

Alguns segundos depois o frasco de shampoo surgiu por cima da divisória de concreto dos chuveiros, mas, o silêncio continuava. Dee pegou o shampoo e espalhou um pouco sobre a cabeça. Ela sabia que aquela tentativa de conversação lhe cobraria um preço caro mais tarde, já que aquela marca do cosmético que Iris usava era excelente para as madeixas vermelhas dela, mas deixava os agora longos fios pretos de Dee parecendo uma grande palha de aço muito usada. “Vou ter que lavar o cabelo outra vez em casa hoje e encher ele de condicionador”, pensou.

Cinco minutos depois, conseguiu ouvir que a namorada havia terminado seu banho, então se apressou para também terminar o seu. Retirou rapidamente o resto do shampoo dos cabelos, se enxaguou, pegou a toalha e saiu do box. Foi até o vestiário, onde as outras garotas também estavam se vestindo. Dee viu que Iris pegou suas coisas e foi para um canto reservado se vestir.

– Tá tudo bem? – Dee perguntou ao se aproximar.

– Não vem aqui. – Iris respondeu.

– Por… – Dee colocou suas coisas em um banco próximo e começou a se secar.

– Porque eu tô me vestindo. – Iris disse como se fosse uma coisa muito óbvia. E apesar de ser óbvio ainda parecia bem estranho para Dee, já que o vestiário era uma área comum e frequentada apenas por garotas e ver as outras meninas se vestindo não era exatamente uma novidade. Dee começou a pensar, tentar lembrar de alguma coisa.

– Não está na época de você estar menstruada, não é? Você está? – Dee perguntou.

– Não. Não estou! – Iris perguntou séria. – Por quê? Você precisa de um absorvente emprestado?

– Ah… Não, não! Eu tô bem, valeu. – disse Dee. – Você não está chateada por que ganhamos o jogo de vôlei hoje, né? Quer dizer, você que ia perder na hora que o professor colocou a Kim no meu time.

– Não! – Iris bateu a porta do armário. – Eu não tô chateada por isso!

Iris já estava vestida e com uma escova de cabelo na mão. Virou Dee de costas, que ainda estava se vestindo, e começou a escovar o cabelo da namorada.

– Você sabe que o meu shampoo detona seu cabelo não é? – disse Iris escovando com força para desembaraçar o cabelo de Dee. Era mais como se a ação fosse uma punição do que uma gentileza. – Pra quê você precisava dele? Além disso… – ela apontou pra a necessaire de Dee. – …seu shampoo tá ali!

– Eu sei… ai… ai… eu sei! – Apesar das puxadas, Dee estava aproveitando os carinhos leves que Iris fazia deslizando as mãos por suas costas, enquanto escovava seu cabelo. – Alias, coloquei ele na sua mochila. Obriga… ai… Devagar um pouquinho, pode ser?

Dee terminou de se vestir e Iris colocou a escova de cabelo nas mãos dela e se sentou no banco para calçar a sua bota com um detalhe felpudo na boca, que combinava com seu shorts. Dee adorava aquilo. Deslizar os dedos pelos cabelos cor de fogo da garota era uma das maiores recompensas que tinha por todo o trabalho que teve para consegui-la.

Ela acabou de escovar os cabelos de Iris e fez uma trança firme, como a garota gostava. Tal ritual era completo com um discreto selinho nos lábios entre elas. Haviam combinado de serem comportadas no vestiário para não deixar constrangidas (ou enciumadas) as outras meninas. Porém dessa vez, Iris apenas lhe deu um rápido beijo no rosto e foi embora do vestiário.

Iris definitivamente estava incomodada com algo que a fez querer sair do vestiário o mais rápido possível. Dee foi até seu armário no vestiário para buscar seus tênis e então entendeu o problema. Ambre e seu séquito de minions descerebrados encaravam Dee como se ela fosse um alien. Algo anormal, leproso e contagioso.

Era talvez uma das poucas nuvens de tempestade que pairavam sobre o relacionamento das duas. Todos os alunos da escola tinham por elas um carinho especial e davam força ao namoro. Cada vitória e conquista daquele casal, era uma vitória da Sweety Amoris como um todo, já que todos os alunos haviam trabalhado para ficarem juntos. Exceto por Ambre, a escola era um lugar seguro para o amor de garotos e garotas.

Dee saiu do vestiário e deu de cara com as consequências de seus principais atos em sua aventura anterior. A formação de vários casais improváveis na escola.

Armin estava sentado em um canto afastado do pátio com seu console portátil em mãos, apontando freneticamente para a tela e explicando alguma coisa para uma Kim sorridente que fazia bocas e olhares de quem parecia estar muito interessada no assunto, algo que Dee sabia que não era verdade. Ela dizia que tirá-lo de casa para um passeio ao ar livre era uma “quest no nível hard” e depois se xingava por usar as gírias gamer dele.

Na outra ponta, estavam Melody e Nathaniel, juntos e fingindo olhar para pastas e documentos dos alunos da escola, mas, na verdade, estavam apenas namorando. Apesar da tentativa de se esconderem atrás das pastas, Dee conseguia ver que o relacionamento ali já estava em um ponto alto de ebulição. A fase de ficar de mãos dadas e beijinhos comportados já havia ficado para trás, e tudo era muito mais 'caliente' do que antes, com mãos bobas e olhares indiscretos para dentro das roupas, agora mais decotadas, de Melody.

Ainda era possível distinguir perfeitamente outro casal no meio da turma da Sweety Amoris: Alexy havia se dado muito bem com um rapaz que se matriculou na Sweety Amoris há cerca de três meses. Tal garoto arrebatou os corações de diversas “docetes” (como eram chamadas as novatas na escola), mas para a surpresa delas, o estilo único de Alexy foi quem o conquistou. Eles se sentaram próximos de Armin e Kim, que agradeceu aos céus por conseguir fazê-lo parar de falar sobre o jogo no portátil.

Lysandre e Castiel também estavam por perto, mas ao contrário de outras duplas, sua relação era bem amistosa e profissional. Falavam sobre os próximos passos de suas carreiras como banda que começava a caminhar em direção ao estrelato. A demo gravada por eles foi disponibilizada no Youtube e contava com mais de 500 mil acessos e um bom número de likes, além de diversos comentários elogiosos.

No momento, eles ainda não tinham uma banda formada integralmente e o estúdio lhes arrumava um guitarrista e um baterista. A banda feita na escola para o Show de Arrecadação de Fundos formada por eles dois, com Nathaniel na bateria e Iris na guitarra não era uma opção. Castiel não aceitava a possibilidade de tocar com Nathaniel (algo que também não está nos planos do rapaz, para falar a verdade) e Iris ainda não era suficientemente hábil na guitarra a ponto de fazer parte de algo profissional (embora Lysandre afirmasse que gostaria de tê-la na banda e Castiel apenas dizia que “seria melhor se ela não fosse outra '’tábua’' como a '‘tábua’'”).

Por último e mais improvável de todos, Kentin e Peggy agora formavam um dos mais novos casais da Sweety Amoris. As constantes investidas de Peggy em Kentin com perguntas a respeito da proximidade entre ele e Alexy acabou rendendo em diversos encontros, telefonemas e trocas de mensagens. O que gerou um interesse de ambos em se conhecerem melhor e o resto é história.

De fato, aparentemente as únicas pessoas cujo não mudaram em nada seu 'Status Quo' foram Ambre, Charlotte e Li. Continuavam andando juntas, como se fossem um único organismo vivo cuja a única função na vida é perturbar os outros. Bia também parecia ter finalmente sido absorvida para dentro desse vírus e agora eram uma massa perturbadora ambulante com quatro cabeças em vez de três. E foi exatamente essa quimera irritante que havia acabado com o bom humor de Iris justamente hoje.

Didra olhava para aquele cenário que exalava felicidade para quase todos os lados e procurava por Iris. Definitivamente não estava ali. Não sabia mais o que fazer naquele momento, quando…

– Aiiii… – estava tão focada na sua busca visual que não percebeu um objeto laranja e redondo que a atingiu no ombro. – Dajan, eu vou fazer você engolir essa bola se você me acertar com ela mais uma vez – disse Dee brava enquanto esfregava o ombro.

– Com essa é a quinta bola que eu deveria ter engolido, docinho.

Respondeu Dajan, um rapaz negro, com cabelos trançados e camisa vermelha sem mangas. Ele era um aluno que estudava em outra escola, mas ajudava o time da Sweety Amoris a se organizar e ter alguma chance nos campeonatos locais em troca de créditos e notas.

– Hum… estou de bom humor hoje, então você escapa dessa vez. – disse Dee fugindo do assunto. – Viu a garota ruiva por aí? Estou procurando ela.

– Aquela que tá sempre com você? – perguntou Dajan. – Tá tudo bem com vocês?

– Eu não sei e esse é o problema! – respondeu Dee dando de ombros. – Ela estava irritada hoje e eu não sei o motivo!

– Quer que eu te ajude a procurar? – ofereceu Dajan, que parecia preocupado. – Acho que a vi entrando na sua escola, mas não tenho certeza!

– Eu acho que sei então onde ela foi. – Dee respondeu se afastando de Dajan com um aceno. – Obrigada!

Didra correu para dentro da escola, passando pelo Professor Faraize que conversava com a Professora Delaney, uma senhora de cerca de 45 anos que usava um vestido azul com um jaleco branco por cima. Passou rápido por eles, desejando uma boa tarde a ambos e se afastou antes que eles lhe pedissem para fazer algo ou buscar alguma coisa, algo que acontecia normalmente.

Subiu as escadas e chegou ao primeiro andar. Como suspeitava ouviu uma leve batida metálica vinda de uma sala no final do corredor, onde são realizadas as atividades do Clube de Música, do qual Iris fazia parte. Dee chegou até a porta entreaberta e viu que Iris estava sozinha, no escuro, sentada atrás de uma bateria, batucando um prato com uma baqueta de madeira.

– Oi… – disse Dee sorrindo. – Posso entrar?

– Não! Você não faz parte do clube de música. – Iris respondeu com sua habitual frase com um sorriso discreto. – Saí fora ou eu chamo a diretora!

– Então vai lá chamar! – Dee entrou e fechou a porta. Se sentou próximo a namorada e a abraçou. Iris apenas deitou a cabeça no ombro da garota. – Eu sei que você não tá bem. Só preciso saber agora o que aconteceu. Quer me contar?

– Meu pai… Me disse mais uma vez o quanto estava decepcionado comigo, que eu devia parar de bobagens e agir como uma pessoa normal. Que você devia ser algum tipo de “depravada” e que estava me arrastando para o buraco. Sem contar o número de vezes que ele me falou que eu vou para o inferno e todas as passagens bíblicas que ele usou para justificar isso. – Iris se levantou e caminhou pela sala. – Sério, acho que já posso ser freira de tanto que já ouvi falar sobre a bíblia. E claro, como não podia deixar de ser, culpou minha mãe por eu ser essa… “coisa”!

Os pais de Iris eram divorciados e o casamento não havia terminado da melhor forma. As visitas mensais a casa do pai dela, que antes eram usadas como uma forma de obter informações sobre qualquer possível novo relacionamento da Sra. Isabelle, a mãe de Iris, agora se tornaram uma sequência de discursos sobre o que é e o que não é normal, além de uma sucessiva sessão de visitas de amigos e filhos de amigos na vã esperança de fazer Iris se relacionar com algum deles.

Apesar de tudo, a Sra. Isabelle também não foi completamente favorável ao relacionamento delas no começo. Era difícil aceitar que a sua princesa estava apaixonada por outra princesa (Dee se ofereceu mais de uma vez para aparecer um dia na casa dela vestida de príncipe, se Iris quisesse). Mas como tempo percebeu o quanto as duas garotas se gostavam e aceitou a felicidade de Iris como uma prioridade maior do que as ideias das outras pessoas.

Além disso, havia o inabalável e surpreendentemente maduro Thomas, o irmão mais novo de Iris. Havia naquele rapaz uma inteligência e bom senso espantoso. Enquanto outras crianças na idade dele estariam contra o namoro da irmã, seja com rapazes ou não, para Thomas, Didra estava mais do que aprovada como parceira da Iris. De fato, Thomas achava Dee até boa de mais para a irmã dele.

De todos, Dee gostava muito de Kevin, o irmão mais velho de Iris. Um rapaz que lembrava muito o ator Rupert Grint. Andar com ele para fazer alguma compra ou passeio se tornava extremamente divertido quando eles encontravam algum dos amigos do rapaz. “Essa é a namorada da minha irmã”, dizia ele e deixava os outros confusos, o que era bem engraçado. De fato, Kevin e Dee ficaram bons amigos e não foram poucas as vezes que Dee tentou integrá-lo, ainda sem sucesso, na banda de Castiel e Lysandre.

– Mas, não é só isso, parece que hoje o mundo resolveu nos lembrar o quanto ele nos odeia! – falou Iris muito frustrada. – Porque a Ambre e os capachos dela ficaram o tempo todo durante o jogo sussurrando na minha orelha “você errou, lesbiquinha”, “joga mal, sapatão”, entre outras coisas que eu prefiro nem repetir aqui!

Isso explicava o comportamento da garota no vestiário, pensou Dee, ou, pelo menos, parte dele.

– Quer que eu dê uma sacudida nela outra vez? – Didra apontou para a saída. – Minhas advertências já expiraram. Eu posso tomar mais uma ou duas antes de me expulsarem!

– Não precisa, valentona! – Iris riu. – Aliás, eu queria ter visto você dando uma prensa nela. Até fico com um pouco de ciúmes de pensar em você pegando a Ambre “de jeito”.

Iris sorriu e se aproximou de Dee. Olhou para trás e viu a porta fechada então aproveitou para lhe dar um beijo apaixonado e longo e teve até um pouco de dificuldade para se livrar do abraço da garota. Por mais que estivesse gostando do beijo e das carícias, ela tinha algo a dizer.

– Alias, lembrei de algo. Isso é para você! – e pegou da bolsa uma barra de chocolate que comprou no Mercado de Tudo. Era um chocolate ao leite com castanhas importadas do Brasil que Iris tanto gostava.

– Opa! Como assim, você lê pensamentos? Eu estava quase morrendo por um destes agora mesmo. – Iris abriu o doce e mordeu um grande pedaço com satisfação. – Hum… hum… delícia… espera… isso não é de graça. Nada é de graça…. Você precisa do meu caderno para estudar, certo?

– Não. Claro que não. Quer dizer, também… – Dee corou ao admitir. – Mas, isso é por que estamos fazendo, exatamente hoje, seis meses e 9 dias juntas, então, feliz aniversário de 6 meses e 9 dias.

– Você tá contando os dias? Que fofo. Tenho que admitir que se não estivesse escrito aqui… – Iris agitou os dedos em frente ao rosto para mostrar a aliança de prata que usava no dedo anelar. – … eu nem lembraria o dia! – ela pegou um pedaço do chocolate e colocou na boca entre os dentes, mas não mordeu, apenas apontou para o doce. – Vem aqui pegar seu pedaço aqui…

Dee chegou próximo e mordeu o chocolate já emendando um beijo em Iris. Era um beijo mais doce que o de costume, já que misturava o sabor do chocolate aos dos lábios de sua amada. Aquela simplicidade e carinho fazia as garotas felizes. Tudo parecia perfeito. Dee deslizou os dedos pelos cabelos da namorada, enquanto Iris acariciava a cintura dela com a ponta das unhas. Ela sentia a ponta dos dedos gelados de Iris sobre a pele e tremia de leve. Aquela ação deixava Dee arrepiada e Iris sabia disso. Iris se afastou um pouco, interrompendo os carinhos.

– Tem outra coisa que está me incomodando. – disse Iris sem graça. – Sabe, deste que estamos juntas, eu tô muito feliz… com você. Feliz demais.

– A felicidade tá te incomodando? Quer brigar um pouco? Tá bom, então… sua cara de pudim! – e deu um tapa na bunda de Iris, que riu e devolveu o tapa, mas acertando o braço da garota.

– Para, sua besta! Não é isso que eu quis dizer… é que… eu tô muito feliz. Cada vez mais desejando você. – respondeu Iris ficando cada vez mais corada. – Querendo estar com você mais… a vontade. Mais… você entendeu? Quero dar o “próximo passo” com você.

– Próximo passo? Você quer dizer, comprar um cachorro? – Didra respondeu confusa. – Ou um gato?

– Não… sabe, eu quero estar com você! Mais a vontade. Juntas, sozinhas.... sabe? Onde eu possa ter você só para mim. Sem ninguém nos olhando, julgando ou espiando. Só eu, você e mais nada… – disse Iris, enquanto acariciava o rosto de Dee.

– Estamos só nós aqui e esses instrumentos musicais… é quase nada. – Dee olhava em volta.

– Como você é lenta, ein, “azedinho”! – Iris puxou Dee para perto e sussurrou em seu ouvido. – Eu to falando de nada, é nada mesmo, incluindo roupas!

– Mas… AHHHH… oohh… aaahh… entendi! Próximo passo. – a garota corou. – Então, é por isso que você estava daquele jeito no vestiário? – Dee estava surpresa e tentando processar a informação. – Quer dizer… a gente ali e você…

– Se eu não tivesse me escondido, tinha te agarrado ali no vestiário mesmo. Alias, sabe o quanto eu adoro você usando rosa? – sussurrou Iris no ouvido de Dee. Outra ação que a ruiva sabia que lhe causava arrepios.

Dee sabia que a relação delas avançava para esse ponto. Nas conversas pelo celular a pergunta “o que você está usando?” era cada vez mais frequente, e não foram poucas as vezes que a regra “anti-nudes” da Tia Agatha haviam sido desrespeitada. Dee também sentia atração pela namorada, mas definitivamente não estava preparada para ouvir aquilo.

– Não precisa falar nada. Eu sei que não é algo simples de acontecer e a gente está juntas a pouco tempo para pensar nisso. Só queria que você soubesse. Obrigada por vir aqui me animar… e pelo chocolate… – Iris mordeu a barra e saiu da sala de música. – Te amo, “azedinho”!

Didra continuou ali parada tentando absorver o impacto da bomba que havia sido lhe jogado nas mãos. Quando a aula terminou, Dee voltou para sua casa. Desta vez, para sua própria casa. Seus pais, Philippe e Lúcia, haviam voltado de sua segunda lua de mel e ela voltou para seu lar. Obviamente que todos os problemas que havia arrumado anteriormente e os castigos que foram dados por Agatha continuavam valendo, apesar da transferência de prisão. Dee devia ir direto da escola para casa e de preferência sem estar dentro de uma viatura.

– Mãe! Pai! Cheguei! – Dee gritou ao entrar em casa, tirou os sapatos e jogou a mochila em cima do sofá. – O almoço está pronto?

– Como foi a escola, Didra? – perguntou Lúcia. Uma jovem senhora de pouco mais de 30 anos, com cabelos curtos e roseados, usando uma blusa listrada e uma calça jeans. – Leve sua mochila pro lugar antes de mais nada!

– Sem ocorrências hoje, delegada! Tudo na maior tranquilidade. – Didra respondeu se jogando no sofá. – Aulas de educação física não costumam dar problemas!

– Ótimo! Continue assim e você pega uma condicional em 30 anos! – respondeu Lúcia. Já que Dee queria brincar de polícia, então ela brincaria também. – Seu pai está no escritório trabalhando. Favor não atrapalhar ele com música alta ou bagunça.

Dee apenas bateu uma continência molenga e murmurou algo como um “sim, sargento…” e fechou os olhos.

– E a Iris? Como esta a minha boneca? – Lúcia gostava de Iris, apesar do estranhamento inicial com o relacionamento das garotas. Hoje, Lúcia e Isabelle são boas amigas, fazendo marcação cerrada sob o namoro das moças.

Ouvir aquele nome lhe deu um arrepio por todo o corpo, nos lugares devidos e indevidos. Dee respondeu que estava tudo bem e falou sobre o chocolate. Lúcia sorriu e deixou Dee deitada no sofá. Ela ligou a TV e não encontrou nada de bom para ver. Pegou os sapatos e subiu para seu quarto, abriu os livros e colocou “em dia” seus deveres escolares.

As palavras de Iris, sobre os próximos passos do relacionamento não saiam de sua mente. Contudo, não sabia exatamente o que fazer e como aquilo poderia acontecer. Claro que internet tinha muito material disponível para esclarecer algumas dúvidas, mas o problema não era o ato em si. Eram os “E se…”. “E se não gostasse?”, “E se Iris não gostasse?” e “E se ambas ficassem decepcionadas uma com a outra?”. Haviam muitos “e se” na sua mente.

Não havia uma resposta fácil na internet. Então era melhor tentar esquecer aquilo. Dee tomou um banho longo com muito condicionador. Se secou, vestiu seu pijama e caiu na cama. Ela ficou olhando para o teto, como se a resposta para as suas dúvidas estivesse escrita em algum lugar daquela tinta branca. Se levantou frustrada da cama por não achar a solução. Dee precisava de alguns conselhos. Pegou o telefone e discou para a amiga Rosalya.

Rosa era a pessoa que estava em um relacionamento sério a mais tempo que conhecia. Lety provavelmente seria mais experiente no assunto que Rosalya, mas ela precisava saber sobre qualidade e não sobre quantidade.

O que te faz pensar que eu sei alguma coisa sobre isso? – disse Rosalya pelo telefone.

– Rosa… fala sério… – respondeu Dee.

Tá bom, eu sei alguma coisa sobre isso… – Rosa falou com um sorriso na voz, mas esse sorriso sumiu bem rápido. – Mas, eu não sei sobre o seu caso… é… diferente sabe?

Rosalya era talvez a garota que estivesse mais próxima da vida adulta que todos os outros. O relacionamento duradouro com Leigh, o irmão mais velho de Lysandre, ia tão bem que evoluiu para um noivado. A previsão era que ambos se cassassem em no máximo 5 anos, quando Rosalya estaria na metade de sua faculdade de Moda e assumisse seu lugar ao lado de Leigh na administração e confecção de roupas da loja.

A expectativa também era a de que Lysandre já estaria em turnê com sua banda, deixando assim a casa de Leigh apenas para o casal. Se tudo desse certo, Leigh e Rosalya ainda conseguiriam expandir a loja e talvez abrir uma filial na capital francesa.

Não é algo que vocês podem marcar um dia e horário, sabe? “Cinco da tarde, tesão, tá?” – disse Rosa pelo telefone tentando desenrolar uma ideia. – As coisas só… acontecem… sei lá! Não tenho mesmo como te responder muito sobre isso, Dee, mas se precisar escolher uma lingerie especial, isso sim eu posso te ajudar!

– Bom… isso certamente me ajudaria de alguma forma! – respondeu Dee um pouco frustrada. – Tem algo cor-de-rosa por aí?

Se não tem, eu, com certeza, arrumo! Beijos e boa noite! – Rosa respondeu. – Não encana com isso, Didra! Não tente apressar as coisas. Deixe rolar!.

Dee desligou e colocou o telefone de lado. A conversa com Rosa havia deixado mais dúvidas do que respostas. Ela olhou para o relógio e viu que já era quase meia-noite. Hora de descansar. Claro que não sem antes dar uma boa noite para sua ruiva, então ela pegou novamente o smartphone e começou a teclar uma mensagem.

Boa noite, 'doce'. Sonha comigo!” e enviou.

Alguns segundos depois veio a resposta, acompanhada de alguns emojis bravos. “Onde você estava?”

Dee teclou, “Falando com a Rosa. Por quê? Está com ciúmes?”, e enviou. Alguns segundos depois recebeu três emoticons muito bravos, e depois vieram alguns emojis com a língua para fora. “Claro que não. Sou mais eu!”.

Eu também”, Dee enviou com emojis piscantes.

Pensa em mim”, Iris enviou com alguns emojis de beijo, além de algumas pequenas dançarinas de havaianas rebolantes. Dee riu e começou a teclar.

Se eu pensar em você, eu não durmo” e enviou junto com alguns emojis envergonhados.

Então não dorme, ué!”, Iris respondeu com algumas carinhas piscando com a língua para fora. Antes de responder o barulho de batidas na porta tirou a concentração dela.

– Tóc, tóc, tóc, Didra! Hora de ir dormir, porque manhã você acorda cedo! – o pai de Dee, Phillipe, colocou a cabeça para dentro do quarto. – E uma boa noite para você também, Iris! – ele falou em voz alta, como se quisesse que sua voz fosse capturada pelo microfone do celular.

– Não tô falando com ela por voz, pai! Só texto! – Dee riu e teclou algo. – Ela te mandou aqui três carinhas mandando beijo. – e mostrou a tela do celular para o pai.

– Essas carinhas não são exatamente o que eu considero “texto”, mas diga que eu mandei carinhas felizes para ela também. – Philippe apagou a luz e foi fechando a porta. – Agora vá dormir!

– Boa noite para você também, pai! – respondeu Dee.

Ela olhou para a tela do telefone, o status de Iris agora era offline, mas ali agora havia uma foto do rosto de Iris, iluminada apenas pelo brilho da tela do celular, sorrindo, deitada em sua cama e a legenda “Você é meu amor doce, Dee”.

Dee passou o dedo pelo contorno do rosto de Iris e sussurrou um “te amo” baixinho. Olhou por mais algum tempo para a selfie. Desligou o smartphone e finalmente adormeceu. Não havia nada que pudesse lhe tirar aquela felicidade que sentia. Nada poderia estragar o seu mundo, que naquele momento, parecia perfeito.

Exceto a cena que viu logo pela manhã na escola.

– I-Iris…

Continua…


Notas Finais


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