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História Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 2


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Notas do Autor


—Inicialmente, vamos deixar claro que todos os nomes, personagens, locais e eventos são fictícios e não tem nenhuma relação com acontecimentos ou pessoas reais. Qualquer semelhança é mera coincidência.

—Segundo! Todos os personagens, nomes e locais são de propriedade da BeeMoov Jogos! É proibida a sua reprodução total ou parcial em qualquer meio de comunicação, veículo de imprensa escrito ou falado, sites ou impressos. Se o fizer, se resolva com os franceses!! Boa sorte com um processo internacional!

—Terceiro e não menos importante (talvez o mais importante) ao contrário de outras fics por aqui, esta irá se passar no mesmo universo e os acontecimentos são diretamente relacionados ao jogo! Portanto, pode acontecer de você tomar um SPOILER AQUI. Talvez dos primeiros episódios (ainda não fui muito longe no jogo). Então fique avisado

Capítulo 2 - Tempo perdido


Fanfic / Fanfiction Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 2 - Tempo perdido

Dee acordou com um gosto estranho e amargo na boca. Parecia que ela tinha saído para uma balada e tomado todo tipo de bebida ruim e barata que ela pudesse ter encontrado no lugar. A cabeça doía, o corpo doía e a vontade de ficar na cama era maior do que qualquer outra coisa. Ela só se lembra de ter se sentido assim uma vez antes: no dia do passeio à Boate de Strip com Lety. Um dia que ela definitivamente queria esquecer.

Abriu os olhos e deixou a luz do sol entrar devagar no quarto. Era possível ouvir o barulho de uma TV na sala ligada em algum telejornal apresentando as principais notícias daquela manhã. Para variar, o trânsito estava péssimo e os políticos estavam, de alguma forma, se beneficiando de algum esquema para ganhar dinheiro fácil enquanto o resto do povo precisava de melhorias que nunca viriam. Não importava em que país do mundo ela estivesse, as notícias pareciam ser sempre as mesmas.

Porém, alguma coisa não estava certa. Ela abriu os olhos e viu onde estava. Levantou da cama em um susto. Ela estava em seu quarto. Mas, não em seu quarto na sua casa. Não em sua cama, aonde havia adormecido. Ela estava em seu quarto no apartamento de sua tia Agatha. Um lugar onde passou os últimos meses enquanto seus pais viajavam. Mas, sem saber como, estava novamente com sua tia Agatha. Por quê?

A cabeça latejou um pouco e o sol incomodou sua vista, então ela buscou fechar um pouco mais a cortina do quarto. Será que os pais dela a deixaram com a tia no meio da madrugada? Será que ela havia sido entregue em uma cestinha (embora não imaginasse aonde arranjariam uma cesta grande o suficiente para colocá-la) para sua tia e seus pais fugiram de alguma máfia e essa foi a única forma de salvar sua filha? Seria legal!

Iria ter que perguntar para a tia depois. Talvez pudesse entrar em algum tipo de missão de resgate depois da aula. Levantou-se e foi até o banheiro, tirou as roupas e tomou um banho quente, tentando se livrar daquela dor chata. Tomou outro susto. Passou as mãos pela cabeça e percebeu que algo estava faltando. Correu para o espelho e o desembaçou com a toalha.

– AAAAAAHHHHHHH… – o susto ao ver que seu cabelo estava novamente curto a fez desequilibrar e cair no chão sentada. – O que aconteceu aqui??

Curto como quando havia entrado na escola. Curto como estava antes de começar o namoro com Iris e decidir deixá-lo crescer novamente. Desta vez o shampoo de Iris, usado no dia anterior, foi longe demais. Deixar ele embaraçado e seco é uma coisa, mas fazer o cabelo cair era demais? Olhou por alguns minutos para aquele visual e tudo parecia em ordem. Estava apenas curto novamente.

A única explicação que estava lhe vindo a cabeça é que alguém lhe sequestrou, cortou os cabelos e entregou na casa da tia durante a madrugada. Isso explicava a dor de cabeça (provavelmente tomou uma pancada no crânio para não acordar), a mudança de visual e de residência. Só faltava saber o motivo de tudo aquilo acontecer.

Terminou o banho e vestiu um de seus vestidos preferidos. Um colorido em diferentes em tons degradês que ia até um pouco acima do joelho. Precisava se alegrar um pouco e escolheu aquele mais colorido e feliz. Foi até a cozinha e não encontrou ninguém, nem sua tia ou seus pais (não que estivesse procurando). Viu que na mesa havia alguns pães, croissants, frios e um bule de café, além de leite, margarina e frutas. Também havia um bilhete de sua tia: “Você sabe o que você tem que fazer e onde guardar as coisas depois. Se vira!”.

Era um bilhete meio estranho vindo de sua tia, mas claro que ela sabia o que fazer: comer. Suas outras dúvidas ficariam para depois da aula ou para quando a encontrasse vestida de fada madrinha durante os intervalos.

O dia agora estava ensolarado então resolveu ir caminhando até a escola. Uma manhã bem típica de uma primavera antes do aquecimento global bagunçar todas as estações do ano. No caminho para a escola viu um belo canteiro de flores, com diversos tipos diferentes, coloridos e perfumados. Queria uma para si, para talvez enfeitar um caderno ou diário, mas também não queria arrancar uma e matá-la sem nenhum motivo. “A conversa da Violette certamente me afetou”, pensou.

Olhando mais de perto, conseguiu ver uma margarida que já havia sido cortada e deixada ali. Estava um pouco murcha e não seria um bom enfeite, mas ela ainda poderia brincar com ela. Dee pegou a flor e foi arrancando as pétalas uma a uma enquanto recitava algumas palavras.

– Ela me ama um pouco, muito, apaixonadamente, loucamente… – um vento forte bateu e levou embora as pétalas da flor, deixando apenas uma última intacta. Dee olhou aquilo com uma cara emburrada e puxou. – …nada! Não fui premiada!

Pegou as pétalas junto com a flor vazia e as enterrou no canteiro de flores, para servir como adubo para as outras flores. Não seria desperdiçada ou jogada no lixo. Dee bateu as mãos para tirar a terra e continuou seu caminho para a escola.

Andando pelas ruas da cidade, Dee não pode deixar de perceber algumas mudanças, que por mais bobas que parecessem, ainda assim lhe deixavam um pouco perturbada. Talvez fosse a dor de cabeça que não parava de latejar, mas ele tinha certeza que um cartaz de rua anunciava a estreia de um filme que já havia sido lançado a pelo menos quatro meses atrás. Também parecia estranho, mas era quase certo que alguns galhos de uma árvore velha que havia sido cortado há meses, por estar perigosamente perto de cair e causar acidentes, estava novamente no mesmo lugar. Será que realmente havia sido cortado ou ela estava enganada?

Chegou na Sweety Amoris e não encontrou ninguém na entrada para cumprimentar, então foi direto para seu velho armário deixar as coisas que não serão usadas no primeiro período de aulas. Os corredores pareciam estranhamente escuros e silencioso. Não entendia como aquele lugar tão normalmente agitado e colorido parecia tão sombrio e abandonado. “Será que hoje é sábado e eu tô aqui sozinha?”, pensou.

Fechou o armário e correu para o segundo andar, onde esperava encontrar sua Iris no Clube de Música, lugar onde ela costumava estar naquela hora pela manhã. Tinha certeza que todo aquele mal estar da manhã, dor de cabeça e dúvidas seriam prontamente esquecidas depois de uma sessão de abraços, carícias e beijos de sua ruiva. Era tudo o que precisava. Antes de subir, topou com algumas alunas, integrantes do clube de Música, que conversavam sobre alguma coisa relacionada as atividades do clube. Iris não estava entre elas, o que fez Dee imaginar que ela poderia estar lá sozinha. Aquilo animou a garota.

Por poucos minutos.

Quando chegou ao pé da escada viu uma cena que nunca esperou ver nem em seus piores pesadelos (e alguns de seus piores pesadelos envolviam ficar presa com Ambre em algum lugar fechado pelo resto da vida, mas nem esses eram tão assustadores quanto isso). Ficou paralisada no topo da escada por alguns segundos e depois terminou a subida de forma automática, sem o controle racional das pernas. O choque da visão era tudo o que lhe preenchia a mente naquele momento.

– I-Iris…

Iris, abriu o olho e viu Dee parada no corredor, ela tentou se afastar do rapaz a quem beijava intensamente, mas o garoto ainda lhe deu uma leve mordida no lábio inferior e segurou por alguns segundos. Uma mordida que era praticamente a assinatura dos beijos de Dee. Ela sempre fazia isso com Iris. Era sua marca pessoal e agora estava sendo roubada por aquele estranho.

– Hum… oi, Dee. Bom dia! – disse Iris, sem nenhum constrangimento. Era como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

– B-bom dia? Bom dia? BOM DIA? Iris!! Como você pode fazer isso comigo?? – Dee falava com raiva na voz.

– Isso o que? – respondeu Iris confusa. – Lhe dar bom dia?

Didra queria partir para uma briga, mas não sabia se brigava com Iris ou com o rapaz. Não sabia o que tinha que fazer, não sabia o que pensar, então apenas começou a chorar.

– EU PENSEI QUE VOCÊ ME AMAVA? POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO? – Dee gritou e os gritos começaram a chamar a atenção dos alunos da escola que subiam as escadas para ver o que estava acontecendo. – COMO PODE??

– Didra? Do que você está falando? – respondeu Iris tentando ser racional e controlar a outra garota que chorava e gritava. – Eu pensei que a gente já tinha resolvido isso meses atrás?

– Ah… eu certamente me lembraria se a gente tivesse conversado sobre isso!! Tenho certeza!! – Dee falou irritada. – O que é que CAR*LHOS vocês estão olhando?? – ela disse para a plateia que se formava na escada. – Vão se FO*ER!!

– Dee, por favor, não adianta fazer cena agora! Acabou! Você tinha aceitado isso numa boa, mas agora tá ai gritando? O que aconteceu hoje? – falou Iris. Ela tentou se aproximar, mas Dee repeliu com um empurrão violento. – Didra??

– Eu não acredito… oque tá acontecendo comigo?

Dee estava chorando. A respiração era difícil. Ela queria gritar e chorar, mas o ar faltava. Ela se encostou na parede e levou a mão até o peito. Arfava em busca de ar. A cabeça doía e tudo era confuso. Não sabia o que estava acontecendo.

– Dee, por favor, a gente já havia resolvido. – Iris estava perdendo a paciência. – Eu pensei que estava tudo certo. O Élius ME escolheu! Aceita isso!

– Ele TE escolheu? Como assim? – respondeu Dee irritada. – O que você quer dizer com isso?

– Minha Iris… Você pode me explicar o que está acontecendo? – o rapaz finalmente havia resolvido se manifestar.

Dee olhou na cara do homem que chamava “sua Iris” de “minha Iris”. Ela se assustou ao ver o rosto do garoto de perto. Estranho o quão familiar era, mas, ao mesmo tempo, completamente diferente. Inclusive em seu traço mais chamativo.

– Ly-Lysandre? – Era Lysandre. Ou não. – O que aconteceu com você?

– Quem? – Perguntou o homem. – Quem é Lysandre?

Definitivamente aquela pessoa se parecia muito com Lysandre. Mesmo tipo de rosto, talvez apenas um pouco mais magro e com uma barba por fazer. Mas os cabelos eram escuros e faltava nele a característica mais marcante do amigo, a heterocromia (os olhos de cores distintas). Esse rapaz tinha os olhos dourados, mas eram frios e opacos. Além disso, a atitude também diferia muito de Lysandre. Ele tinha uma postura autoconfiante, beirando a arrogância. Por mais que a raiva lhe consumisse por dentro, Dee não podia deixar de admitir. “O desgraçado é bonito”, pensou.

– C-calma, Élius. Ela só tá confusa. Não se preocupe com nada. Com nada, ok? – A atitude de Iris também mudou. Ela passou da moça calma e centrada, para uma menina assustada e insegura. Como se alguém estivesse tentando lhe tirar algo importante.

– Esta é aquela sua amiga que você diz ser tão completamente apaixonada por mim? – falou ele, enquanto olhava para Dee. – Você não tinha resolvido isso?

– S-sim… mas não importa, meu amor. Isso é passado e ela já superou isso. Não é, Didra? – respondeu Iris, com um tom de voz urgente e choroso. Como se precisasse do apoio da amiga. – Por favor, diga que superou…

– Apaixonada por ele? Mas eu nem sei quem é ele! – falou Dee sem entender mais nada. – Iris, como você pode fazer isso comigo? Eu achei que a gente estávamos juntas!

– Parece que a questão não é comigo, minha Iris. – disse Élius, agora parecia estar se divertindo com a situação. – Se não a conhecesse, eu diria que ela é apaixonada é por você!

– N-não, meu amor. Ela só tá brincando, não é Didra? – Iris parecia que choraria a qualquer minuto. Como se só o fato do rapaz perguntar alguma coisa para ela a machucasse. – Por favor, Dee… Fala que é brincadeira!

– Bom, se ela está brincando resolva logo essa brincadeira e vamos embora. Não estou com paciência para joguinhos. – Élius falou e se afastou de Iris. Aquela feição chorosa e sofrida foi substituída imediatamente por raiva. Uma raiva voltada contra Dee. – Resolva!

– Élius? Então é esse o cara com quem você tá me traindo? – Dee falou e encarou o rapaz. – Eu nunca esperava isso, Iris. Como você consegue?

– Te traindo? Você tá completamente louca! Não chega mais perto de mim, tá legal? Sua descontrolada! – Iris agora era agressiva, de um jeito que definitivamente não combinava com ela. Ela pegou o braço de Élius e foi em direção as escadas, empurrando Dee no caminho. – Saiam da minha frente!

Dee viu a cena e não acreditava. Iris levava embora o rapaz, agredindo todos que ficavam parados em seu caminho. Uma ação que ela nunca imaginou que Iris fosse capaz de fazer. Seu olhar cruzou com o de Élius, que apenas sorria. Ele mantinha algum tipo de domínio forte sobre a ruiva. Algo além da compreensão da garota. Élius mexeu os lábios, sem dizer uma palavra, mas Dee pode entender o recado. “Aqui pra você”. Ela viu que ele lhe mostrava o dedo médio, discretamente.

Dee se sentou no chão, buscando o ar que lhe faltava. Não estava entendo o que acontecia. Quem era esse Élius? Por que Iris estava com ele hoje, se na noite anterior tudo estava bem entre elas. Não conseguia encontrar as respostas e a dor de cabeça apenas aumentava e latejava.

– Já terminou o show? – Dee viu que alguém parou na frente dela. A visão turva pela dor não lhe deixava enxergar nitidamente quem havia lhe dito aquela frase. Ela espremeu os olhos e coçou um pouco, depois abriu lentamente. – Se já terminou? Então você está na detenção hoje depois da aula. – E lhe deram um bilhete. Uma advertência pelos gritos no corredor.

Era Melody. Melody lhe encarava com um olhar duro. Ela também estava diferente. Usava uma roupa mais fechada, escura e longa do que o de o que usava antes do namoro com Nathaniel. Ela se virou e foi seguida de perto por Nathaniel. Um Nathaniel também estranho demais.

– Nathaniel, anote a detenção e fique de olho para garantir que ela não fuja do castigo outra vez. – disse Melody, com uma autoridade quase militar na voz. – Embora eu ache que é melhor eu mesma vigia-lá…

– S-sim, Melody. Ela não fugirá desta vez. – respondeu Nathaniel.

Ele tinha uma voz fraca e um jeito curvado, submisso as ordens de Melody e assustado. Não parecia o mesmo presidente do Grêmio Escolar que Dee conhecia. Este Nathaniel podia ser descrito apenas de uma forma: fraco. Nathaniel pegou Dee pelo braço e a colocou de pé. “Chega de drama”, ele disse. E colocou nas mãos dela um papel com os detalhes da detenção.

Melody tratou de debandar os últimos curiosos que ainda olhavam para uma Dee derrotada no chão. Nada ali havia sentido e quando mais ela pensava, mais sua cabeça doía. O sinal de início das aulas tocou. Didra pegou seu material caído e foi até a enfermaria. Se quisesse aguentar aquele dia na escola, precisaria de algum remédio bem forte para eliminar aquela dor ou talvez dormir a tarde toda.

***

Pelos próximos dois dias Dee não foi para a escola. Ela saia de casa no horário e andava sem rumo pela cidade. Ficava no parque durante a tarde, chorando. Quando cansava de chorar no parque, em busca de respostas que não existiam, voltava para casa e se trancava em seu quarto. Apenas para chorar mais. Não comia nada, exceto algumas poucas garfadas em seu prato. E se estivesse preocupada com algo, perceberia que neste curto espaço de tempo, ela havia perdido alguns quilos.

Dormir também não era uma opção. Ela tinha medo de dormir e sonhar. Não sabia o que era pior, não sabia o que lhe fazia sofrer mais, se os pesadelos de Iris nos braços de Élius ou os sonhos no qual ela estava feliz com “sua Iris”. Acordava assustada e chorando. Dormia apenas quando o corpo não aguentava mais e simplesmente apagava.

Apesar de sua decadência, devido a falta de fome e sono ser visível para qualquer um preocupado com ela, sua Tia Agatha continuava sua vida como se nada estivesse acontecendo. Ela era mais fria e distante com Dee. Também não estava preocupada em ser sua Fada Madrinha. Sobre os pais dela, Agatha apenas respondeu que ela sabia que estavam viajando e que mal podia esperar quando voltariam. A presença de Dee era um incomodo para Agatha e ela não fazia questão de esconder aquilo.

O mundo dela estava completamente bagunçado. Ninguém com quem se importava parecia ser o mesmo. Nathaniel, Melody, sua tia e Iris eram outras pessoas. Além da assustadora semelhança entre Élius e Lysandre. A parte disso, não voltou para a escola e não encontrou mais ninguém. Nem Castiel, Armin, Alexy ou nenhuma das outras garotas. Estava completamente sozinha.

Tudo parecia de cabeça para baixo, sem uma saída possível. E o que lhe deixava com mais raiva era saber que o cara era um babaca, infantil que fica mostrando o dedo do meio para os outros estava com a SUA Iris. E ainda por cima de tudo era um babaca, infantil e que, por mais que ela odiasse pensar nisso, era bonito. Era basicamente um conjunto de tudo o que ela já achou bonito em um homem durante toda a sua vida.

Dee estava no parque da Cidade, sentada embaixo de uma árvore, fugindo daquele dia feliz e ensolarado, como um vampiro foge do sol. Suas tardes em geral era ficar naquele lugar chorando e buscando uma resposta, mas por mais que pensasse a tal resposta não vinha. Odiava ficar naquele parque. Lembrava de todos os momentos que havia passado com Iris nele. Seu beijo no qual ela e Iris haviam feito “o pezinho” e então caíram deitadas na grama. Odiava estar cercada daquelas lembranças, mas não tinha para onde ir. Não havia fuga das suas memórias.

– Você está um lixo!

Uma voz, vinda de lugar nenhum, disse aquilo para Dee. Ela olhou para os lados e não viu ninguém próximo.

– O que? – perguntou ela para o ar, já que não conseguia encontrar o dono da voz.

– Eu disse “você está um lixo”! – o dono da voz saiu de trás da árvore. – Escutou agora?

Era um rapaz. Devia ter por volta dos 17 ou 18 anos, analisando vagamente o rosto dele. Usava uma blusa de touca cinzenta e um par de óculos escuros no rosto. Contrastando completamente com isso, ele usava uma bermuda longa, com bolsos largos, de cor laranja, que parecia fazer conjunto com a blusa de Alexy.

– Ah… tá! Obrigada. – disse Dee sem dar mais atenção ao rapaz. – Você também?

O garoto apenas abaixou os óculos e encarou Dee. Ela usava umas roupas largas e surradas. O cabelo estava bagunçado e oleoso. Tinha os olhos fundos, vermelhos e com olheiras escuras. O rosto estava vermelho e inchado, com uma marcas visíveis de que ela esteve chorando e muito. Ficou pensando em qual foi o último dia no qual aquela moça havia dormido direito ou tomado um banho decente. Ficou inclinado até a lhe dar uma moeda, mas naquele momento, não tinha nenhuma nos bolsos.

– E até quando você pretende terminar com essa sua sessão de autopiedade e lamentação? – perguntou o rapaz. – Só de curiosidade…

– Sei lá… Daqui um mês, talvez! – Dee respondeu sendo sarcástica e prestes a se irritar com o garoto. – Quer deixar seu telefone e eu marco para você o primeiro horário quando terminar?

– Você não tem todo esse tempo! – O garoto falou, sem olhar para ela. A visão era bem deprimente, ele pensava. – Não se quiser realmente achar uma solução para os seus problemas…

“Ele deve ser de algum grupo de jovens de alguma igreja ou religião. Ele deve achar que eu sou uma usuária de drogas. Se bem que eu estou mesmo parecendo uma drogada acabada.”, Dee pensou consigo mesma. Respirou fundo e reuniu o pouco de educação que ainda tinha para lidar com ele, antes de explodir.

– Olha, cara… Eu não sou a pessoa mais religiosa do mundo, mas por favor, não venha me falar em salvação, igrejas e outras coisas. – disse Dee com toda a paciência. – Eu realmente não estou com cabeça para isso. É lindo que você encontrou um caminho na sua religião e 'tals', mas eu realmente não estou a fim de comprar seja lá o que você estiver vendendo!

– Não sou de nenhuma igreja e não estou vendendo nada. – respondeu sem olhar para a garota. – Estou aqui por sua causa!

– Bom, então nesse caso o seu jeito de paquerar garotas é terrível! – ela disse, olhando para si mesma e tendo que admitir que sua aparência era nojenta. – Além disso, você tem um péssimo gosto e como você mesmo observou… eu estou um lixo!

– Paquerar você? Você está me zoando não é? – O rapaz tirou os óculos e guardou no bolso da blusa, depois tirou o gorro e Dee pode vê-lo com mais clareza. Ela até se sentiu envergonhada de estar tão maltrapilha. – Não, obrigado… Não tenho tempo a perder com isso!

Dee viu o garoto, agora sem o capuz e os óculos. Era também muito bonito. Não tanto quanto o tal Élius (“desgraçado bonitão. Que ódio. Nem para ser feio!”, pensou), mas ainda assim tinha seu charme. Tinha um cabelo longo castanho escuro, preso em um rabo de cavalo, uma franja repicada que lhe caia sobre a testa e um pouco nos olhos. Os olhos eram de um azul intenso que parecia brilhar, mesmo sob os óculos escuros.

– Então o que é que você quer? Eu tô ocupada aqui… me lamentando… isso demora sabia? – ela falou passando as mãos pelos cabelos, embaraçados e oleosos. Ela por um minuto lembrou de como gostava quando Iris escovava seu cabelo e a vontade de chorar voltou com força, mas ela resistiu. – Me deixa sozinha, por favor!

– Bom, quando você terminar talvez eu possa te ajudar a tentar descobrir por que alguém sumiu com seis meses da sua vida. – respondeu o rapaz afastando-se dela. – Se estiver interessada!

– D– do que… você está falando? – perguntou Dee. O rapaz que ia andando, parou e virou para encarar Dee. – Isso não é possível!

– O que foi, não olhou para um calendário ou nem para tela do celular? – falou o garoto, enquanto tirava o moletom e o jogava por cima do ombro. – Não percebeu que dia é hoje? Que ano estamos?

Dee bateu nos bolsos e pegou seu telefone. Ligou a tela e conseguiu ver rapidamente a data antes do telefone desligar por falta de bateria. “15 maio de 2016? Estamos no mês de maio?” ela pensou. Não era possível.

– C-como? Como isso aconteceu? Eu fui dormir ontem e estávamos em novembro? Eu já estava escolhendo um presente de natal para a Iris? Como estamos em maio? – Dee estava confusa enquanto olhava para a tela do telefone desligado. – Isso é alguma piada não é? Daquele cara? Ele não estava feliz em me roubar a Iris e agora manda você para me zoar? – ela atacou o smartphone desligado no rapaz, que apenas se desviou sem muita dificuldade.

– Não achou nada de estranho ao seu redor? – o garoto perguntou ignorando a agressão. – Não tem nada diferente, além das coisas óbvias?

– Quer dizer… eu… eu voltei para casa da minha tia. – Didra respondeu ficando cada vez mais nervosa. – E meus pais… ele tinham voltado de viagem e aí… sumiram. E-e meu cabelo… ele voltou a ficar curto… e… era longo!

As coisas estranhas que aconteciam com ela. E tudo fazia sentido se ela pensasse nessa possibilidade impossível. Se algo tivesse acontecido com seis meses, então aquilo tudo teria alguma lógica. Mas, aquilo era impossível… não era possível apagar o passado de alguém.

– E tudo isso aconteceu há…. – disse o rapaz, esperando que ela completasse a frase. Dee olhava para ele confusa. Na cabeça dela, ela sabia a resposta. – Então… você sabe que por mais absurdo que pareça, você tem alguma outra explicação?

Dee estava confusa. Não havia como eles estarem em maio. Seis meses atrás. Mas tudo se encaixava. O cartaz, a árvore, o cabelo, a casa. Tudo parecia lógico embora nada fizesse sentido. Não havia como aquilo ser possível, mas ao mesmo parecia a única explicação. Ela não queria aceitar, mas, ao mesmo tempo, aquela explicação lhe batia na mente como um martelo.

– Não. Não. Você tá me sacaneando! Você quase me convenceu, mas não é isso… Não pode ser. – Dee ria de nervosa. – Você tá me falando alguma coisa que eu quero ouvir.

– O quê?

– É uma historinha que eu poderia aceitar porquê eu não tenho nenhuma outra explicação. – Dee riu e se sentou novamente embaixo da árvore. – Hahahaha… muito boa! Sumir com seis meses!!

– Didra… por favor…

– Você… hahaha… quase me pegou… Muito boa! Fala para o Élius que quase deu certo… – disse ela rindo de nervosa ao mesmo tempo que as lágrimas começavam a correr pelo seu rosto. – Eu queria que fosse só isso… que alguma mágica pudesse me devolver tudo o que eu perdi… mas, isso não existe… isso não existe assim como não existe Fada Madrinha, não existe… nada… Não existe amor… nem tortas de limão… nem nada… – e começou a chorar. – Não existe mais nada para mim…

O rapaz esfregou a cabeça, frustrado. “Eu não acredito nessa teimosia”, ele pensou. Dee ficou sentada e rindo de si mesma. Como ela podia ter pensado em acreditar naquilo se estava tão óbvio. O garoto chegou perto e colocou a mão no ombro de Dee. Ficou ali por alguns minutos sem dizer nada. Antes irritado com a teimosia, agora sentia pena dela.

– Tudo bem! Mágica não existe… Não existe nada disso… Só que eu tô te oferecendo uma chance de corrigir o que aconteceu, sendo mágica ou não. – o garoto tentava fazê-la parar de chorar. – Você já não tem a Iris, não é? Então, não tem nada a perder! Que tal me dar uma chance de te ajudar?

Dee enxugou as lágrimas. Seu rosto doía de tando esfregar as bochechas inchadas e vermelhas. Os olhos também já estavam irritados. O peito doía de soluçar e a garganta arranhava. Tudo parecia errado e cinzento. Mas, ela queria parar de chorar e apenas aquele garoto estranho parecia estar ali, lhe estendendo uma mão. Como ele mesmo havia dito, ela realmente não tinha nada a perder. Ela pegou a mão do rapaz que a ajudou a ficar de pé.

– Tá bom vai! Realmente, não tenho nada a perder mesmo… – disse ela se levantando e tirando a grama da roupa. – O máximo que você pode fazer é me levar em algum lugar e o tal Élius e os seus amigos estarem esperando para rir e dizer “Ela acreditou! Que otária!”. Já estou no chão mesmo… um pouco mais de humilhação não vai fazer diferença…

– Não sei se eu te disse antes, mas não sou amigo do Élius. – respondeu o garoto que saiu andando. – Na verdade, como você, eu nem conhecia ele a bem pouco tempo.

– Vai pelo menos me falar o seu nome? – perguntou Dee andando do lado do rapaz misterioso. – você tem nome, não é? Ou um número de série tipo T-800 Modelo 101?

– É Dean!

– Dean? Eu sou Didra… – ela disse estendendo a mão. – mas me chamam de Dee!

– Eu sei quem é você e não vou pegar na sua mão. – respondeu com ironia olhando pra mão dela. – Ela tá toda oleosa de você não lavar esse cabelo!

Dee se sentiu envergonhada e tentou limpar a mão na própria blusa. Estava realmente horrível e a cinco minutos atrás, isso não fazia diferença, mas agora, na companhia de Dean, que ela também havia achado tão bonito quanto achou Élius, estava realmente sentindo que poderia tomar um banho naquele momento mesmo. Precisava de alguma coisa para melhorar sua autoestima, nem que fosse um elogio arrancado a força.

– Então… você tá me levando para algum lugar misterioso e mágico? – disse Dee tentando sorrir, embora, não lembrasse de ter escovado os dentes. – Tem certeza que isso não é uma tentativa de cantada?

– Já falei, eu não daria em cima de você… – Dean respondeu sem olhar para ela. – Além disso, você gosta de meninas, não é?

– Eu sei que eu tô horrível agora, mas sei lá… – Dee deu uns passos rápido e passou a frente dele. – Me imagina um pouco mais arrumadinha… Faz um esforço! – “Me elogia, pelo amor de Deus”, pensou, “Eu preciso de um pouquinho de autoestima, me ajuda!”.

– Não… nem arrumadinha, nem arrumada, nem muito arrumada. – Dean continuou, sem olhar para ela. – Não te acho bonita de nenhuma forma. Desculpa.

– Você é… – Dee pensou em formular a pergunta. – Sabe… quer dizer, isso não impediria de achar alguém bonito, mas, você…?

– Não! – interrompeu ele rapidamente. – Eu não sou como você ou o Alexy, se é isso que você ia perguntar. Eu gosto sim de garotas. Das bonitas!

– Bom, então eu não sei o motivo pra esse desprezo todo! – Didra ficou irritada. – Você também não é tudo isso, tá? Por quê você acha que pode me zoar assim?

Eles pararam. Estavam no meio do parque, parados em frente a uma porta. Não haviam paredes, teto ou casa, apenas uma porta de pé, no meio do parque. Dee estranhou a porta parada no meio do nada e rodeou ela e não havia nada. Só uma porta no meio do parque.

– Porque eu sou você! – respondeu Dean rindo e abrindo a misteriosa porta do parque.

Continua….


Notas Finais


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Valeu!


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