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História Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


—Inicialmente, vamos deixar claro que todos os nomes, personagens, locais e eventos são fictícios e não tem nenhuma relação com acontecimentos ou pessoas reais. Qualquer semelhança é mera coincidência.

—Segundo! Todos os personagens, nomes e locais são de propriedade da BeeMoov Jogos! É proibida a sua reprodução total ou parcial em qualquer meio de comunicação, veículo de imprensa escrito ou falado, sites ou impressos. Se o fizer, se resolva com os franceses!! Boa sorte com um processo internacional!

—Terceiro e não menos importante (talvez o mais importante) ao contrário de outras fics por aqui, esta irá se passar no mesmo universo e os acontecimentos são diretamente relacionados ao jogo! Portanto, pode acontecer de você tomar um SPOILER AQUI. Talvez dos primeiros episódios (ainda não fui muito longe no jogo). Então fique avisado

Capítulo 3 - Multiversos


Fanfic / Fanfiction Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 3 - Multiversos

 

– Você é quem?? – foi só o que Dee conseguiu perguntar.

Ela estava tão surpresa com a relevação de Dean, seu novo e improvável amigo que alegava que os últimos seis meses de sua vida haviam sido apagados por algo ou alguém, que nem reparou que havia entrado por uma porta misteriosa e isolada no meio do parque da cidade.

– Eu. Sou. Você. – repetiu Dean, palavra por palavra. – Ou, pelo menos, umas das infinitas possibilidades de você que poderiam ter acontecido. Posso dizer também que você é que sou eu, mas no caso, acho que seria melhor eu deixar você como “agente dominante” para ficar mais de compreender.

– Como você pode ser eu? Como assim “poderiam ter acontecido”? E aonde a gente tá afinal? Eu tava no parque agora pouco e… O que aconteceu? – Dee passou a mão pelos cabelos. Pareciam soltos e limpos, diferente do caos que estavam há alguns minutos. – Onde eu tô?

Olhou para suas roupas e também eram diferentes. De fato, pareciam muito com as que Dean usava. Incluindo a camiseta com a letra “D” estampada. O melhor de tudo: estavam limpas. Ela mesma estava se sentido muito mais limpa do que antes.

– Por que eu to usando essa camiseta de desenho animado? – ela perguntou olhando a própria roupa.

– O que? – perguntou Dean, olhando para ela. Agora sim uma visão bem mais bonita e agradável de se ver. – Camiseta do quê?

– Sabe… camiseta de desenho. – ela perguntou rindo. Achava aquilo engraçado. – Tipo… Personagens de desenho animado que costumam usar uma camiseta com a inicial do nome estampada.

– Ah… isso eu não sei! – respondeu Dean. Eles continuavam andando por um grande corredor, com diversos quadros pendurados, de vários tamanhos e formas. – Algumas coisas eu não vou poder te responder, por que na verdade nem eu mesmo sei!

Dee começou a reparar nos quadros. Todos eles pareciam de alguma forma estranhamente familiares. Alguns mostravam uma moça, diferente em vários aspectos, mas, ainda assim, mesma moça. Também haviam neles diversas variações de cores, cabelos, roupas, situações, épocas e formatos. Mas, mesmo assim eram a mesma moça. Também haviam ali quadros e retratos de um mesmo rapaz, que parecia com Dean, mas da mesma forma que os retratos da moça, exibiam variações e diferenças, mas, ainda assim, o mesmo rapaz.

– Quem são estas pessoas todas? – ela perguntou ao rapaz, mas, no fundo, ela já sabia a resposta. – São todos…

– Nós! Eu. Você. Escolhe uma reposta… – falou Dean, apontando para os quadros que preenchiam o enorme corredor. – São possibilidades…

– Se aquela sou eu, alguém me avisa que a aquela peruca é horrível!! – disse Dee apontando para um dos quadros. – Parece que eu tô sando uma peruca de palhaço toda colorida!

– Você não tava parecendo nenhuma princesa Disney há dois minutos atrás também, tá? – respondeu Dean. – Embora… realmente, a peruca seja horrível!

– Será que você pode ser um pouco mais específico nestas suas respostas? – Dee começou a ficar irritada com o garoto. Ele era irritante e teimoso. Não podia ser ela. Ela que era uma garota tão doce e gentil. – Eu não to entendendo nada!!

– Claro que você é gentil! Até parece! – disse Dean rindo. – Sim, eu sei o que se passa na sua cabeça. Ela é minha também.

– Você lê mentes agora também? – Dee perguntou irritada e começou a xingá-lo mentalmente. “Espero que esteja lendo isso”, pensou. – Ouviu tudo?

– Não leio mentes, não! – Dean abriu mais uma porta no final de um corredor. – Apenas sei o que você está pensando porque é o mesmo que eu pensaria na mesma situação. Aliás, acho que foi o que eu pensei quando cheguei aqui!

Entraram em uma enorme sala circular, com diversos quadros pendurados nas paredes. Os quadros mostravam novamente as mesmas moças e rapazes, diferentes, mas iguais de alguma forma. Diferente dos quadros no corredor, estes se mexiam e agiam. Como se fossem os quadros do Castelo de Hogwarts, dos livros da franquia Harry Potter. No meio da sala haviam apenas duas poltronas e uma mesinha de centro.

Dee ficou olhando para todos os quadros, pensando que seriam algum tipo de tela de televisão, mostrando imagens de um filme. Nos quadros, ela podia ver imagens que reconhecia, situações pelas quais havia passado, sendo repetidas da mesma forma ou de forma levemente alterada. Também conseguia ver pessoas de seu passado. Amigos de infância, amigos da escola e amigos da Sweety Amoris. Situações que aconteceram e algumas que nunca aconteceram antes, mas poderiam ter acontecido.

– Não acho que ninguém investiria taaaanto dinheiro, criaria toda uma estrutura como essa e faria esse monte de vídeos, com tanta gente, só para fazer uma brincadeira comigo. – perguntou Dee apontando para os quadros. – Então só posso imaginar que tudo isso aqui tem alguma coisa de anormal e completamente impossível. O que é tudo isso?

– Já ouviu falar na teoria dos Múltiplos Universos? – perguntou Dean, se sentando em uma poltrona no meio da sala em frente a uma mesinha de café. – Realidades alternativas?

Dee se sentou na outra poltrona e se serviu de qualquer coisa que houvesse naquele bule, fosse café, chá, veneno ou refrigerante. Naquele momento nada fazia sentido para ela mesmo, então ter refrigerante em um bule estava ok. Para sua sorte, era apenas café mesmo.

– A pergunta foi retórica… Eu sei que você já ouviu falar! – falou Dean. – Mas, só para recapitular. Imagine que a cada vez que você toma uma decisão, faz uma escolha, se criam dois universos distintos. Um para a opção “sim” e outro para a opção “não”. Isso eu tô simplificando muito para você, por que se não eu teria que entra em conceitos de Cosmologia, Física Quântica, 'Buracos Negros', 'Buracos de Minhoca' e na Teoria da Relatividade de Einstein. Você quer?

– Não! Obrigada! – disse Dean e tomou um gole de café. – Vamos ficar no básico mesmo!

– Bom, todos estes quadros mostram algumas das possibilidades de mundo. – Dean continuou sua explicação e deu um gole do café. – Criados a partir de escolhas, decisões e probabilidades. Eu, sou uma parte de um destes múltiplos universos de possibilidades, na qual havia a chance de você nascer um menino. Ou você é parte de um no qual havia a chance de eu ter nascido uma menina. Você escolhe!

“Olhe ali. Quando você tinha 12 anos, você pensou em pintar o cabelo de loiro. Se você tivesse pintado, sua vida poderia ter sido completamente diferente do que o que ela é hoje ou ela poderia ser basicamente a mesma coisa. Todas estas possibilidades existem em algum universo de possibilidades e probabilidades. Algumas decisões e possibilidades mudam muito o seu futuro, outras nem tanto, mas tudo isso cria um universo diferente, que pode ou não, se parecido com o seu atual.”

“E é claro, como você pode imaginar, destes universos saem outros universos, que geram outros universos e outros. Uma sucessiva criação de diversos mundos baseados em probabilidades e chances, que podem nunca acabar ou acabar no segundo seguinte. Alguns deles mostram mundos e possibilidades tão distintas e estranhas que se você olhasse para eles, você ficaria maluca. Sua mente não conseguiria compreender ou aceitar. Então, quem preparou esta sala apenas selecionou as possibilidades mais básicas e próximas da sua atual realidade.”

– Quer dizer, é por isso que todos eles mostram moças parecidas, mas com detalhes diferentes tipo, cor da pele, dos cabelos e coisinhas simples. – falou Dee, olhando para os quadros. – Mas, devem ter coisas muito mais bizarras aí nesse meio?

– Exatamente! Cada ação pode, ou não criar, uma versão completa ou muito pouco diferente de você!

Diferenças de cabelo, cor dos olhos, cor da pele e, para ela a mais estranha, de sexo, surgiam nos quadros. Dee conseguia ver situações onde poderia ser ruiva, cabelos verde ou azuis. Onde poderia ser negra, oriental ou até algumas versões que havia coberto o corpo com tatuagens e nem sabia mais qual era sua cor de pele original. Também via situações onde era um rapaz. Dean. Dean também tinha suas variantes nos multiversos apresentados.

Haviam ali também variações de suas ações. Ela podia ver alguns momentos nos quais tinha passado com seus amigos e amigas da Sweety Amoris. Haviam momentos com os quais ela mesma já havia sonhado. Haviam imagens que mostravam ela, ou alguma versão dela, com Nathaniel, Castiel, Lysandre, Kentin, Armin e até mesmo com Alexy. Também haviam versões dela com as meninas da Sweety Amoris. Além das variações onde sua versão masculina, Dean, estava com estas mesmas pessoas, sejam os meninos ou as meninas, ou, pelo menos, alguma versão delas.

– Tem algum destes universos no qual eu sou rica? – Dee começou a olhar para os quadros a procura de uma versão dela que parecesse ter muito dinheiro.

– Claro. Sempre existe a possibilidade de se enriquecer, ganhar na loteria ou qualquer coisa assim. – disse Dean tomando seu café. – Mas, também deve existir alguns no qual sua família está completamente falida. Se eu fosse você não ficaria procurando muito por estas possibilidades. Você pode não gostar do que vai ver…

Dee parou de olhar. Era melhor não pensar no assunto e nas possibilidades.

– E… estes quadros que estão parados. – perguntou Dee, com receio da resposta. – Que estão descoloridos. O que significam?

– Eu acho que você sabe…

Dee sentiu um arrepio e parou de olhar para os quadros. Não queria pensar no que poderia ter acontecido com suas versões naqueles quadros cinzentos. Porém, antes de voltar a beber seu café, um quadro lhe chamou a atenção.

– Ahh… não… aquilo é demais para a minha sanidade!! Tira aquilo dali! – Dee falou e apontou para um dos quadros que mostrava um universo onde ela namorava com Ambre. – Desde quando aquilo é uma “possibilidade”?

– Eu sei lá, esse é o seu mundo! Os meus estão por aí. – respondeu Dean dando de ombros e finalizou seu café. – Enfim, como você está vendo, são diversas possibilidades de mundos. Diversas histórias, decisões, pessoas que você pode ou não ter encontrado. Diversos mundos e tudo isso se concentra nessa sala.

– E como é que você conseguiu acesso a isso?

– Como eu disse, algumas coisas são estranhas até para mim. Eu não sei como eu consegui esse acesso e por que eu tenho que te ajudar. – respondeu Dean. – Eu, um dia, apenas estava aqui e apenas… sabia… tudo isso! Apenas sabia isso e conseguia chegar aqui. Por quê? Eu não sei.

– Bom, então tudo bem, vamos ao que interessa pois eu quero saber: Quem é o Élius? E por que ele está com a Iris? – perguntou Dee. A conversa sobre múltiplos universos era confusa demais e não fazia tanta diferença para ela. – O que ele fez e como ele fez?

– Para começar o nome dele não é Élius. – respondeu Dean, se levantando e olhando para os quadros. – É Eros!

– Eros? E por que ele mudou o nome dele? – disse Dee. – Eros é um nome tão bonito… é o nome do…

– Cupido! Eros é o nome grego do mensageiro do amor que faz as pessoas de apaixonarem com suas flechadas. – interrompeu Dean, enquanto procurava alguma coisa nos quadros. – Cupido, como você sabe, é o nome greco-romano. Quando Roma dominou a Grécia, eles mudaram os nomes dos deuses para facilitar a aceitação da conversão dos povos. Zeus virou Júpiter, Atena virou Minerva e Eros virou Cupido…

– Tá, beleza! Ótima aulinha de história. – Dee respondeu impaciente. – Mas, o nome dele sendo Élius ou Eros ou qualquer coisa não faz diferença. O que ele tem a ver com isso?

– Faz diferença. Faz diferença demais! – Dean apontou para um dos quadros. – Lembra daquilo? Lembra quando você fez aquilo?

Dean apontou para um quadro. Era Dee, falando ao telefone celular. Ela falava com alguém e estava brava. Desligou o telefone e olhou para o céu. E então, apontou para o alto e mostrou o dedo médio…

– … “aqui para você, Cupido” – ela disse repetindo o que havia dito naquele momento. – 'Cê' tá de palhaçada comigo não é?

– O que? – perguntou Dean cruzando os braços. – Depois de tudo que você viu aqui, você ainda acha que tem alguma coisa que é “improvável”?

– Nãonãonão! Peraí… – Dee levantou-se e foi até o quadro, apontando para ele como se fosse uma lousa. – Você não pode estar tentando me dizer que o Cupido… Aquele anjinho bonzinho com flechinhas que fazem as pessoas se apaixonarem… pegou a vida e virou ela de cabeça para baixo, sumindo com seis meses da minha vida só por causa de um “dedo” que eu mandei para ele?

– Engraçado, não é? – Dean riu.

– NÃO! – Dee berrou. – Não é nada engraçado! É absurdo!! Não pode ser verdade!

– Bom, mas foi isso! – Dean deu de ombros sem se importar com o chilique dela. – Você procurou e conseguiu! Você provocou e agora tomou. Parabéns!

– Mas, não! Não pode! – Dee se sentou na poltrona outra vez com as mãos no rosto. – É o Cupido! Ele é… bonzinho... É legal… Um anjinho de fralda que dispara flechinhas cuti-cuti! Ele não pode ter feito isso comigo!

– Quem é que te falou que ele é “bonzinho”?

– Ele… Ele é o amor não? Ele é o anjinho das flechinhas. Ele tem que ser bonzinho. – respondeu Dee. – Não dá pra imaginar o deus do amor como mau!

– Ele não é nada “bonzinho”. Ele é o “Amor”. Irracional. Infantil. Impulsivo. Ilógico. Ciumento. Possessivo. Caprichoso. Ele é incontrolável e não pode ser detido. – disse Dean sério. – Já parou para pensar em quantas tragédias, guerras e mortes aconteceram “por amor”? Amor a outra pessoa, amor ao seu país, ao seu rei, a seu deus ou qualquer outra coisa?

– Não! Não pode ser isso! – Dee estava confusa demais. Sua vida toda viu o amor como um sentimento positivo. Nunca havia pensado nele como algo egoísta e destrutivo. – Não podem pegar o amor e destruir tudo o que ele representa dessa forma!!

– Quando se ama e se usa a razão junto, sim! O amor é um sentimento lindo! – falou Dean com as pontas dos dedos unidas, pontuando cada argumento, tentando raciocinar logicamente. – Mas, tire a razão e a lógica da equação e o que sobra? Apenas um tipo de força incontrolável! Um sentimento que pode fazer uma pessoa ir ao inferno e voltar. Já ouviu falar de Orfeu?

Dee ainda não parecia convencida. Ela não queria acreditar que o amor poderia ser usado dessa forma. Dean esfregou a cabeça frustrado. Não acreditava o quanto ela era teimosa e não acreditava que ele seria tão teimoso quanto ela, embora soubesse que era. Lembrou de um poema sobre o amor e recitou:

Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem-querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se e contente;

É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

– Recitar a música do Renato Russo não vai me ajudar agora! – disse Dee impaciente. – Talvez um Highway to Hell! Que é exatamente pra onde estou indo!

– Esse poema é de Camões! – respondeu Dean também impaciente. – Percebeu? A descrição do sentimento? Completamente contraditório e ilógico. Você lembra da reação da Iris quando você apareceu na escola?

Dee lembrava. Iris é tão controlada, calma, segura de si e racional. Mas se tornou uma pessoa completamente diferente estando perto daquele cara. Ela se sentia insegura, tímida e vulnerável quando ele estava falando com ela. É como se ela estivesse apavorada só de pensar na possibilidade de Élius brigar com ela. E depois, ela se tornou agressiva, raivosa, empurrando as pessoas no caminho dela. Definitivamente, aquela não era Iris. Era uma pessoa diferente, irracional…

– …completamente obcecada… – falou Dee devagar, lentamente absorvendo a informação, como se tivesse finalmente compreendido. – Ela estava completamente obcecada e devotada ao Élius!

– Esse é poder dele. Causar nas pessoas a mais pura forma de amor. – Dean chegou próximo de Dee. Ela finalmente tinha entendido.– Sem lógica, razão ou controle. E isso é perigoso, porque ela fará tudo para agradá-lo! Se ele der algum tipo de comando destrutivo para ela, ela fará sem pensar! Você imagina o que pode acontecer? O que ele pode fazer só para te prejudicar?

– Você acha que ele seria capaz de machucar a Iris só por que eu mandei um dedo do meio para ele? – perguntou Dee, preocupada e pensando no que ele poderia fazer com a garota que amava. – Ele não pode fazer isso!

– Ele é uma criança mimada, chata e extremamente poderosa! Ele faria o inferno com ela por muito menos do que isso! – respondeu Dean tentando manter a calma. – Eu acho que é melhor você nem se aproximar deles para não dar motivos dele tentar usar Iris contra você!

– E o que eu faço? Eu peço desculpas para ele? Compro um bolo escrito “Me perdoe”? – Dee andava por aquela sala nervosa. A possibilidade de ficar sem sua Iris agora era menos apavorante do que a de Élius tentar machucá-la. – Eu falo o que para ele ir embora e me devolver minha vida? O que eu tenho que fazer droga??

– Temos que aproveitar que ele ainda não é humano e não domina todos os poderes para desfazer a mudança! – respondeu Dean, mexendo em uma mochila que pegou atrás da poltrona. – Porque não só o seu futuro, mas o futuro de todas as 'Dee's', em todos os multiversos, estão em perigo!

– Enquanto o quê? – perguntou Dee. – Como ele “não domina os poderes”?

– Por enquanto, ele não está “completo”… – Dean respondeu. – Não sei de onde ele tirou tanto controle e poder sobre o amor, já que as flechas sozinhas não seriam capazes de fazer isso. Ele tem alguma coisa “a mais” que não tinha antes. Só não sei o que é!

– Não… você falou alguma coisa sobre “ele não ser humano”… O que você quer dizer com isso?

– Ele ainda não é humano! Um tipo de criatura feita unicamente de um sentimento. – Dean viu a confusão na cara de Dee e tentou explicar. – Ele ainda é o mesmo Cupido! Ele não tem uma personalidade complexa, como a de uma pessoa. Ele é só um sentimento. Ele age por um tipo de “instinto de amor puro”!

– Não entendi ainda… Ele tem ou não um corpo?

– Como posso dizer isso… hã… – Dean respondeu, segurando o queixo e pensando. – Hã… Imagine a raiva! Ela não é um homenzinho vermelho irritado que vive na sua cabeça que tem ideias próprias, que lê jornal ou ri e conversa com os seus amiguinhos alegria, tristeza, medo e nojinho! Certo?

– Não? Droga, achei “Divertidamente” tão bonitinho!

– Cala a boca! – respondeu Dean ríspido. Dee pensou em lhe mandar um “dedo”, mas desistiu da ideia. – Então, a raiva não é complexa… Ela só é a raiva! Com ela não há um meio termo. É 8 ou 80, sabe?

– Tá… ok… estou acompanhando!

– Élius é a mesma coisa! “Amor” em sua forma pura, sem controle ou razão. – Dean continuou falando. – Então, para formar essa “persona” que apareceu na escola, ele precisou se apropriar de características humanas de pessoas próximas!

– “Se apropriar de características humanas”? O que isso quer dizer? – Dee estava tentando entender a conversa do rapaz, mas faltava alguma coisa que não encaixava, embora aquilo estivesse lhe coçando a mente. – Como alguém se apropria disso?

– Sim! Ele precisou das características dos alunos da Sweety Amoris! – Dean continuou sua explicação da forma mais simples que conseguia. – Pegou alguma coisa de cada um dos seus amigos, juntou tudo e colocou dentro do corpo Lysandre. Entendeu?

– Quer dizer, que ele é o Lysandre? – Dee agora entendia o por que Élius se parecia com Lysandre. – Ou ele está possuindo o Lysandre?

– Não! Ele não “possuiu” o corpo do Lysandre. – respondeu Dean. – Basicamente podemos dizer que nesta realidade em que estamos, o Lysandre nunca sequer existiu! Aquele “corpo”, aquela aparência, que existe sempre foi Élius, para todos os efeitos legais! Mas, não é só o Lysandre. Ele tem algo de cada um dos seus amigos, uma característica, um… “traço”. É isso!

– Quer dizer: o Cupido pegou o corpo do Lysandre, pegou características dos outros alunos da Sweety Amoris, enfiou tudo no Lysandre como se ele fosse um saco vazio e depois pulou lá dentro e saiu andando e me roubando a Iris? – foi o mais perto de um entendimento que Dee conseguiu chegar. – É isso?

– Se é assim que você conseguiu entender, sim!– falou Dean. – É isso! Pegou as características, enfiou tudo dentro de um “Lysandre saco vazio” e pulou lá dentro! É como uma roupa de proteção de um astronauta!

– Bizarro!

– Porém, ele ainda não está “confortável” lá dentro, entende? – Dean continuou falando. – Como se fosse uma roupa de tamanho maior ou menor. Ainda não serve nele? Temos que aproveitar enquanto ele não se “acomoda” lá dentro pra agir!

– Tá, entendi! E o que eu tenho que fazer?

– O que você deve fazer agora é devolver estas características aos donos e torná-lo mais próximo de sua forma original. – Dean falou. – Porque ele não pode “existir” nesse mundo sem uma forma humana! Sem uma “roupa de proteção”! Forçamos ele a sair da “roupa Lysandre” e ele terá de voltar pro seu próprio mundo e as mudanças do multiverso são desfeitas!

– Você sabe o quão maluco parece essa sua conversa? – perguntou Dee.

– Se você tiver alguma outra explicação mais lógica do que essa, eu fico feliz em ouvir. – respondeu Dean, se sentando na poltrona e olhando para Dee. – E aí?

Dee parou para pensar a respeito do que Dean havia dito. A atitude de Nathaniel no dia da briga com Iris. Fraco e submisso a uma Melody autoritária. Seria a falta de algum traço de personalidade, algo que fazia Nathaniel ser Nathaniel e agora “não estava lá”, criando uma versão “piorada” do rapaz.

– Não! Eu não tenho! – ela respondeu se dando por vencida finalmente. – Mas, como eu vou descobrir o que ele pegou de quem e como eu vou devolver isso para o dono? Seja lá o que “isso” for?

– Não sei! Mas isso aqui vai te ajudar… – Dean colocou na mão da garota um estojo de óculos. – Isso vai te ajudar a identificar quem foi “roubado”! Como você vai conseguir reverter o processo, eu não sei.

Dee abriu o estojo e encontrou dentro um par de óculos, muito parecido com o dela, mas de aro vermelho. Agradeceu por não ser uma coisa rosa, gigante e cheia de corações no melhor estilo Lady Gaga. Tirou seus óculos e guardou dentro do estojo e então vestiu os óculos novos. Inicialmente não percebeu nenhuma diferença, mas então quando olhou para Dean percebeu algo novo.

Havia do lado dele um tipo de medidor flutuante, com um grande coração coroado na base e preenchido em cerca de 50% com algum tipo de líquido ou massa colorida que ela não conseguiu identificar. Ela tentou tocar aquilo, mas não sentia nada, não conseguia pegar aquela peça estranha.

– O que é isso? – perguntou Dee. – Algum tipo de “Google Glass”? Óculos VR com algum aplicativo de realidade aumentada?

– Se é assim que você vai entender, então sim! – ele deu de ombros. – Esse “aplicativo” é o medidor de Loveô. O Loveômetro! Ele mede o quanto as pessoas gostam de você! – Dean viu a reação de Dee e se irritou. – Olha, não sou eu que dou o nome para as coisas, ok? Eu só tô seguindo as regras, tá legal? Não adianta você reclamar comigo!

– Ok. Sem problemas. Loveômetro. – disse Dee se rendendo. – Eu não digo mais nada…

– Com esse medidor você vai ser capaz de identificar quem perdeu alguma característica e vai ter que tentar recuperar isso. – respondeu Dean. – Tirando as características do Élius ele vai reverter até a forma original dele e será forçado a desfazer o que fez.

Dee ficou olhando para aquele medidor estranho. Imaginava que o fato do Loveômetro de Dean estar vazio pela metade (“Cheio pela metade! Tenho que ser otimista”, pensou) significava que ele era neutro quanto a ela. Nem gostava ou desgostava.

– Nesse momento, eu não tenho mais nada para lhe dizer. – falou Dean. – Agora é com você. Pelas minhas contas, você tem sete dias para resolver essa situação!

– Só sete? – disse Dee surpresa. – É muito pouco tempo. Por que só sete?

– Você tinha nove! – respondeu Dean. – Mas ficou chorando dois dias naquele parque! Agora se vira!

– Você podia ter me explicado tudo isso antes. Por que você não veio falar comigo antes, afinal?

– Por quê… – Dean chegou mais perto. – … você não iria nem me ouvir antes! Não deixaria eu chegar nem perto de você e estaria completamente fechada a ouvir qualquer coisa lógica e racional. Imagine escutar tudo isso sobre universos paralelos e sobre o seu “anjinho bonzinho de fraldas” do jeito que você tava?

– Como você sabe que eu não escutaria? – disse Dee emburrada, mas Dean apenas sorriu com uma cara de deboche. – Ah tá… você sou eu! Era o que você faria. Não somos tão parecidos quanto você acha que somos, tá?

– Ah não? – falou Dean, ajeitando os cabelos e dando um sorriso charmoso. – E você? Me acha bonito?

– Não! – “Sim”, pensou. – Não, não acho. – e cruzou os braços e voltou a olhar para os quadros.

– Tá vendo! Você é uma boba! – disse Dean, rindo. – A gente sabe que sim, mas você não admite por pura teimosia!

– Isso significa que você também me acha bonita, mas também não admite? – respondeu Dee, agora com um sorrindo sarcástico. – Por teimosia?

– Ah… então você percebeu! Não é tão boba quanto eu imaginava, mas ainda é teimosa. Ganhou um pouco do meu respeito. Olha! – e apontou para o espaço vazio ao lado dele. Mas, Dee conseguia ver o Loveômetro, que havia sido preenchido com aquele material estranho e colorido. Era pouca coisa, mas definitivamente havia saído dos 50%.

– Bom, eu acho que entendi. – Dee sorriu. – Obrigada. E agora, o que vamos fazer para resolver o meu problema e de todos os outros multiuniversos por ai?

– Vamos para a escola! – respondeu Dean.

Eles deixaram o centro da sala, indo em direção ao corredor. No caminho Dee encontrou um dos quadros cinzentos que lhe chamou a atenção. O beijo dela e Iris no parque. Com seus “pezinhos” levantados, antes de caírem na grama. Ela se aproximou e tocou aquela moldura dourada. Sentiu a textura da tela do quadro.

– Eu vou te salvar, “doce”. Me espera. – disse baixinho. – Me espera.

Continua….


Notas Finais


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