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História Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


—Inicialmente, vamos deixar claro que todos os nomes, personagens, locais e eventos são fictícios e não tem nenhuma relação com acontecimentos ou pessoas reais. Qualquer semelhança é mera coincidência.

—Segundo! Todos os personagens, nomes e locais são de propriedade da BeeMoov Jogos! É proibida a sua reprodução total ou parcial em qualquer meio de comunicação, veículo de imprensa escrito ou falado, sites ou impressos. Se o fizer, se resolva com os franceses!! Boa sorte com um processo internacional!

—Terceiro e não menos importante (talvez o mais importante) ao contrário de outras fics por aqui, esta irá se passar no mesmo universo e os acontecimentos são diretamente relacionados ao jogo! Portanto, pode acontecer de você tomar um SPOILER AQUI. Talvez dos primeiros episódios (ainda não fui muito longe no jogo). Então fique avisado.

Capítulo 8 - Trono Vazio


Fanfic / Fanfiction Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 8 - Trono Vazio


– E então, guri? – disse uma Kim, muito zangada e com o pé levantado, pronta para dar mais alguns bons chutes em um Armin caído e sangrando. – Tem mais alguma coisa a dizer sobre a minha pessoa?

– N-não… – ele respondeu tentando limpar o sangue que escorria pela boca. – …nada.

– Então, agradece ao teu irmão. Se não fosse por ele, num ia sobrar um dente nessa sua boquinha. – ela continuou. – Entendeu?

– Ele não fará mais isso, Kim. – disse Alexy, que estava apoiando o irmão, ajudando-o a levantar-se. – Eu prometo. Não fará…

Dee, que estava de braços cruzados, assistindo a cena, também olhou para aquela figura patética que era Armin e virou-se para Kim, que veio andando em direção a ela e levantou a mão e recebeu da garota negra um hi-five.

– Fica de olho nesse cara, guria. Se ele ousar me xingar outra vez, você me avisa.

Dee acenou positivamente a cabeça. Kim passou pelo meio da multidão que veio assistir a surra cinematográfica que Armin havia levado e foi embora, em direção ao banheiro pra lavar o sangue que estava nas mãos dela. Quando tudo estava mais calmo, Alexy olhou para o irmão, que estava com lágrimas nos olhos e alguns dentes na mão.

– Você devia ter deixado ela me bater mais. Depois de tudo que eu fiz com você… – Armin não conseguia olhar Alexy nos olhos. – …eu acho que mereci…

– Você é meu irmão. Não ia deixar isso acontecer. Vem, vamos limpar isso aí. – sorrindo, Alexy ajudou Armin a se levantar. – Esperamos que você tenha aprendido a sua lição.

Alexy olhou para Dee. Ele sabia que ela era a responsável pela surra que Armin havia levado, mas, apesar disso, não sentia raiva. Ele apenas murmurou um “obrigado”. Dee pode ver o Loveômetro de Alexy se acendendo e ganhando novamente suas cores. Ela conseguiu recuperar o que Élius havia “roubado” de Alexy e agora estava mais um passo próximo de seu objetivo.

Passaram-se dois dias depois da visita de Dee ao quarto de Iris e neste tempo ela esteve colada em Alexy para descobrir o que poderia faltar nele. Alexy, em sua realidade, era um rapaz alegre, colorido, vibrante e confiante. Nunca teve medo de demonstrar o que sentia ou pensava. Além disso, nunca teve dúvidas em relação a sua própria sexualidade. Ao contrário de Dee, que tentou até o último momento negar o que sentia e quase perdeu o grande amor de sua vida, Alexy era seguro e confiante.

E tirando isso, tudo desabou para ele…

Alexy, sem sua personalidade forte e confiante, se tornou um rapaz assustado e inseguro. Isso se tornou um chamariz para todo o tipo de bullyng e valentões. Somado ao fato de ser gay, Alexy era a principal vítima de assédio e agressões. Isso refletiu em sua família, que se tornou cada vez mais amargurada e nervosa com ele. Querendo exigir que o filho agisse de forma “normal”, não voltasse para casa todos os dias, machucado por apanhar dos outros e que não arrumasse problemas. Essa pressão foi destruindo o pouco de confiança que havia nele.

Junte isso ao fato dele ter sido adotado e o problema se tornou uma enorme bola de neve, rolando em direção a um abismo. A relação problemática com os pais também refletia em Armin. O eterno medo de toda criança adotada de “ser devolvida” ao orfanato fez com que o maior aliado se tornasse o pior inimigo. Armin também queria exigir a “normalidade” por parte do irmão, se tornou agressivo, se envolveu com as pessoas erradas, as mesmas que agrediam o irmão e acabou se tornando algo ruim.

A sombra que circulava o medo infantil e inconsciente de ser “devolvido” transformou Armim em alguém preconceituoso, racista, misógino e intolerante com tudo que era diferente do padrão que a sociedade considera “normal”, e, baseado em seus próprios conceitos e preconceitos, Alexy se tornou seu maior inimigo. Tudo que não fosse “normal” devia ser combatido e erradicado. Armin se tornou algo que o Armin da realidade de Dee odiaria com todas as forças.

Então, como resolver isso. Fazendo com que a amizade e o amor entre os irmãos fosse maior que o medo e as dúvidas. Alexy amava Armin. E Armin só precisava se lembrar de que, acima de tudo, Alexy era seu irmão de sangue e que também havia sido abandonado em um orfanato. Por mais que o rejeitasse, eram sangue do mesmo sangue e que deviam estar unidos contra tudo, pois no momento do abandono, tudo o que tinham era um ao outro.

Claro que todas as frases preconceituosas e nojentas que Dee havia escutado nestes dois dias de “pesquisa” também lhe encheram raiva. Tudo o que ela precisou fazer foi pegar tudo isso e fazer “chegar” a pessoa certa. E quem melhor para espalhar os boatos do que a Peggy? Então o boato passou de Dee para uma pessoa, e para outra e para outra, até que chegou aos ouvidos da jornalista e disso para o jornal da escola em pouco mais de um minuto. E, uma vez no jornal, as coisas ditas por Armin foram lidas por Kim e ela se tornou um vulcão prestes a explodir.

E explodiu.

Explodiu na forma de chutes e socos que deixou o preconceituoso Armin no chão sangrando e machucado, apenas esperando que a fúria da garota o finalizasse. Mas, Alexy não deixou. Ele recuperou sua confiança e se colocou entre os dois para proteger o irmão. Armin, que sempre achou que a sexualidade de Alexy o tornava um fraco, teve que engolir o orgulho e aceitar que estava derrotado e que, sem a ajuda do irmão, aquilo seria pior.

Mas, o que mais o surpreendeu foi o fato de, apesar de tudo que havia feito para Alexy, ele ainda assim o protegeu. Pediu para que Kim não o machucasse mais e pediu desculpas por tudo o que havia sido dito por ele. Ele, que por tantos anos havia renegado o irmão, havia sido salvo por ele. Alexy não o abandonou apenas dele ter virado as costas para o irmão. O orgulho ferido doía mais do que qualquer chute. Armin, então percebeu quem esteve ao lado dele o tempo todo.

Alexy recuperou sua confiança perdida e o irmão. Mais um problema que Élius havia criado foi resolvido.

Didra olhava os irmãos indo ao banheiro tratar os ferimentos enquanto Kim voltava para o ginásio. Era uma situação triste já que em seu mundo, Armin e Kim haviam formado um casal bem divertido e carinhoso, apesar de serem pessoas completamente opostas.

– “O que não vem pelo amor, vem pela dor.” – disse Dean, se aproximando. – Não sei de onde eu ouvi isso, mas acho que o caso se aplicou aqui.

– Onde… – ela falou um palavrão. – … você estava?

– Eu estava resolvendo outros problemas. – ele disse sem se alongar demais.

– Enquanto você resolvia os seus “problemas”? Sei bem! Aquele “problemão” que você acompanhou até em casa, outro dia, né? – Didra respondeu rindo. – E eu estava aqui. Me ferrando! A Rosalya e o Alexy eram duas das pessoas afetadas pelo Élius e eu os ajudei.

– Não fez mais do que a obrigação. – Dean deu de ombros. – Te que fazer isso se quiser resolver seus próprios problemas!

– E você? Que problemas foram esses que você resolveu? – Dee perguntou. – Teve que usar o poder de voltar no tempo?

– Alguns minutos, mas deixa isso para outra hora. – Dean falou. – Agora, você tem que resolver outro dos seus problemas.

– Que outro problema?

– Um problema comigo, Didra. – a voz de Melody veio de trás de Dee.

– Ai caramba!! Que susto, Melody!! – Dee deu um pulo para trás. – O que eu fiz agora?

Dee encarou Melody e percebeu uma drástica mudança. Desta vez ela estava sozinha, sem Nathaniel como um carrapato colado nela, e, diferente dos outros dias, suas roupas eram mais claras e descontraídas. Também estava com os cabelos soltos e usava duas presilhas rosas na franja. Era quase como a Melody que ela conhecia, mas ainda havia alguma coisa da versão “megera” daquele mundo.

– Eu sei que foi você que armou toda esta briga, não é? – disse Melody com seu tom autoritário. – Não é uma atitude muito bonita ficar colocando seus amigos para lutar como se fossem pokémons.

– Não é por nada, Melody, mas sermão agora, não vai rolar. – respondeu Dee sem paciência. – Se vai me punir, então vamos logo com isso.

– Te punir? Mas, eu não posso te punir. Afinal, você não está na escola. – e apontou para o chão. De fato, Dee estava do lado de fora, próximo ao limite que separava a calçada da rua do portão de entrada da Sweety Amoris. – Se você estivesse dentro da escola, aí seria diferente.

– Pois é, Melody. – disse Dee sorrindo. Melody sorriu em cumplicidade. – Temos que seguir as regras.

– Mas, não fique muito confiante. – respondeu Melody voltando a ficar séria. – Eu não posso ficar aliviando para você sempre e a diretora Delanay está de olho em você. Por isso, tome cuidado!

– Eu terei.

– Mas, a verdade é: eu adorei ver o Armin tomar essa surra. – Melody tinha um sorriso grande no rosto lembrando da surra de Armin. – O tanto de vezes que ele já me desrespeitou, dizendo bobagens sobre como eu me vestia. Ele tava merecendo.

– Eu não gostei muito não… – Dee respondeu com pesar. – Eu sei que em algum lugar, há um Armin bem melhor e legal do que esse. Eu o conheci.

– Quando você encontrar este Armin, não esqueça de me chamar! Até lá… – Melody anotou algo num papel. – Vou fazer outra festa do pijama em casa. Aparece lá! – e entregou o papel com o endereço anotado.

– Claro! Vou anotar na minha agenda especial de festas do pijama e checar meu closet de pijamas. – Dee respondeu rindo e, depois, ficou séria. – Caramba… eu acho que tenho mais pijamas do que vestidos de festa.

– Ah… e Dean, bom, sinto muito, mas a festa será só para meninas, desta vez. – disse Melody sorrindo para Dean. – Mas, na próxima festa, a Dee certamente poderá te levar. Ou talvez eu convide apenas você.

– Vai ser um prazer. – Dean pegou a mão de Melody e deu um beijo. – Até a próxima…

– E, aliás, eu sinto muito por você e pela Violette. – ela disse e foi embora. – Se quiser conversar, passe lá no Grêmio.

Dee ficou parada olhando para Dean, enquanto Melody se afastava. Quando ela estava longe o bastante, ela pegou o braço de Dean e deu um puxão.

– O que aconteceu com a Violette? – Dee perguntou nervosa.

– Nada. – Dean se soltou e saiu andando em direção a entrada da escola.

– O que é que esse “nada” que a Melody sabe e eu não? – Dee se apressou e parou na frente dele.

Dean tentou afastar a “irmã” do caminho, mas ambos se puxaram e empurraram, sem sair do lugar. Dean então se encostou em uma parede e cruzou os braços, sem dizer mais nada.

– Dean, como você espera que eu confie em você, se você me esconde as coisas. – Dee perguntou.

– Não confie. Então, não confie e se vira sozinha. – ele respondeu rispidamente. – Eu não sei nem o motivo de eu estou aqui e te ajudando! Eu não pedi para estar aqui! Você confiar ou não, não me importa!!

Dee ouviu aquilo e tentou se acalmar. Ela sabia que discutir com pessoas nervosas nunca dava certo e só o que saíria disso era alguém com um soco na boca. E ela não queria socar ninguém naquele dia. Então, ela respirou, ficou calma e voltou a falar.

– Tá bom! Ok! Você não pediu! – Dee falou com calma. – Você não quer me falar, tá bom! Eu pergunto para ela então e fica tudo bem.

– Se você quiser. – Dean disse. – É o seu tempo que você jogará fora e não o meu…

– Ok. Vamos falar então sobre a nossa situação… – perguntou Dee séria. – Dean… o que você sabe sobre o “homem-morto”?

– Onde você ouviu isso? – Dean ficou sério também.

Dee pegou o smartphone e mostrou as mensagens de Élius no dia do desmaio da Iris. Dean leu tudo com calma e pensou sobre oque aconteceu. Élius estava passando dos limites para atingir Dee.

– E você acredita nele? – Dean perguntou devolvendo o telefone.

– Não sei mais. Até agora eu não tinha motivos para desconfiar. – Dee colocou o telefone na bolsa e quando olhou, Dean não estava mais lá. – FILHA DA $%¨#@$%!! EU VOU QUEBRAR ELE! Eu odeio que me deixem falando sozinha.

***

– Que bom que você veio finalmente me ver, Élius. Estava com saudade. – Iris disse sorrindo enquanto Élius aproximou-se e deu-lhe um beijo na testa. – Sabe quando vou sair daqui?

Deitada em sua cama de hospital. Já não tinha mais o tubo de soro colado ao braço, mas ainda estava em observação. O médico anunciou que deixaria eles sozinhos e que a mãe dela estava na sala de espera, para visitá-la também e, por isso, o rapaz tinha que ser rápido.

– Desculpe, meu “doce”. – a palavra não soou mais da mesma forma que antes para Iris. Aquela palavra havia ganhado outro sentido. – Eu realmente estive ocupado com a escola e os estudos. Mas, eu tenho certeza que você irá me perdoar, não é?

– Bom, não vou ficar brava por você por isso. – ela respondeu tranquilamente. – Mas, você estudou a matéria do Faraize?

Élius estranhou aquela fala. Não era o tipo de coisa que ela deveria responder. Não deveria ser tão casual. Não havia aquela devoção de antes. Aparentemente seu dominio sobre a mente dela estava mais fraco. Mas, de qualquer forma, ele havia sido “perdoado”. Ele não sabia o que havia de errado, mas sentia uma irritação na garganta, um incomodo.

– Bom, eu estou estudando. As queridas Li e Charlotte e a pequena Bia, elas me levaram a matéria do professor. Que tal se estudássemos juntos? – ele falou, com seu tom hipnótico.

– Olha, Élius, eu não vou ficar aqui remoendo o passado e dizendo o que você fez ou deixou de fazer. – Iris se sentou na cama. – O que passou, passou. Mas, se vamos continuar juntos, eu não quero mais saber de você com gracinhas com elas três não.

– Como disse? – Élius estava incrédulo.

– É isso aí! – Iris respondeu com firmeza. – Eu sei que você fica cheio das gracinhas com elas. Elas vão na sua casa e não é ninguém que me falou. Eu vi. Então, se vamos continuar juntos é bom você cortar isso de uma vez.

Élius estava impressionado com a capacidade de Iris lhe questionar. Aquele incomodo na garganta voltou com mais força e agora ele havia percebido o que estava acontecendo. Ele havia perdido parte de seus poderes e com isso a capacidade de influenciar Iris. Justamente ela. Seja lá o que estivesse acontecendo, os poderes dele estavam cada vez mais fracos. E agora ele perdeu sua principal peça no jogo da dominação.

– Claro, claro que sim, meu amor. Não acontecerá novamente. – disse ele tentando manter a calma. – Eu entendo que você esteja irritada por estar aqui a tanto tempo. Conversaremos melhor depois.

– Tá legal! Não há muito o que se discutir comigo aqui, não é? – disse Iris contrariada. – Você vai vir me buscar? Parece que eu vou ter alta hoje ou amanhã.

– Não sei, depende de como as coisas poderão correr hoje. – respondeu Élius, sendo vago. – Mas, se eu não puder pedirei a Sra. Isabella que venha até aqui e te leve para casa.

Élius deu um beijo em Iris, mas ela não permitiu que aquilo de alongasse muito. Ele ficou claramente irritado com sua falta de poder e teve de se controlar para não ter uma explosão de raiva. Ao sair, reparou que uma das folhas da matéria do professor Faraize estavam sob a cômoda ao lado da cama, e ainda havia uma embalagem plástica enrolada e trançada, como se fosse uma pequena aliança.

– O que é isso, meu amor? – disse Élius pegando a embalagem. – Você fez para mim? – ele tentou colocar aquele anel no dedo, mas não cabia. – Ficou um pouco apertada, mas eu adorei…

– Ah... isso não é nada. É só a embalagem de um chocolate que a Dee me trouxe, junto com a matéria de história. – Iris respondeu dando de ombros. – Bom, que alguém veio me trazer a matéria para estudar.

– A Didra… – ele encarou a embalagem. – … esteve aqui?

– Pois é. Ela veio aqui, antes do meu namorado. – Iris não olhou para Élius. – Que coisa, não é?

– Mas, a Bia me disse que quem iria lhe trazer a matéria era… a Rosalya. – ele finalmente entendeu o que havia acontecido. – Tudo bem… Eu resolverei isso.

Ele apertou aquela embalagem, com raiva. “É hora de a Didra e eu termos uma conversa”, ele pensou. Élius pegou seu celular e saiu do quarto de Iris e foi em direção aos elevadores.

– Senhor? – alguém do outro lado da linha atendeu. – Devo ir para o hospital buscá-lo?

– Não. Eu preciso que vocês busquem alguém para mim na Sweety Amoris… Não, não é nenhuma daquelas três insuportáveis. Ela se chama…

***

Didra estava mais tranquila e com o coração mais leve naquele dia. Já conseguiu resolver os problemas com Alexy e Rosalya. Ainda faltava resolver seja lá o que havia acontecido com Kentin. Embora a discussão dela com Dean estava lhe deixado preocupada. O que havia acontecido entre ele e Violette? Eles saíram da casa dela tão tranquilos naquele dia. O que poderia ter dado errado?

Ela entrou na escola quase ao mesmo tempo que viu um carro preto, com vidros escurecidos virar a esquina. Não se lembrava de ver um carro assim tão bonito na Sweety Amoris, mas, o ignorou. Hoje ela tentaria falar com Violette sobre Dean e descobrir o que poderia ter acontecido entre eles e como poderia resolver aquilo. Já havia enrolado demais, era hora de agir.

– Com licença, Didra. – ela ouviu aquela voz. Ambre. “Eu tava tão feliz, mas parece que alguém realmente me odeia”, pensou. – Será que você pode me ajudar?

– Te ajudar como, ein, Ambre? – respondeu Dee, cinicamente, sem nem olhar para a cara da garota. – Você quer meu dinheiro do lanche? Ou quer que eu deixe o caminho livre para vossa realeza?

Ambre nada disse por alguns minutos e Dee ficou parada, sem olhar, apenas esperando o desaforo que viria em seguida. “Ou talvez fosse melhor eu virar, vai que eu tomo um tapão.” Dee pensou. Mas, para sua surpresa, não aconteceu nada daquilo. Ela apenas ouviu Ambre suspirar.

– Bom, eu tentei não é. Mas, você está certa… – Ambre disse. – Eu fiz por merecer isso, não é? Vou ficar aqui esperando o inútil do meu irmão ou alguém que não tenha tantos motivos para me detestar. Desculpe te incomodar e bom dia!

Dee ouviu aquilo com muito estranhamento. “Desculpe”? “Você está certa”? “Eu fiz por merecer” e “tenha um bom dia”?. Aquelas palavras não podem ter saído da boca de Ambre. Então, ela finalmente olhou para trás e se surpreendeu-se ao ver a garota. Ambre, usando uma camisa de mangas longas pretas, com seus cabelos louros e ondulados, estavam cortados na altura do ombro e ela sentada em uma cadeira de rodas.

– Ambre… o-o que aconteceu?

– O que? Você não sabe? Saiu até no jornal da escola quando aquela ridi… digo, quando a Peggy veio até me fotografar. – Ambre respondeu rispida. – Você realmente deve me odiar, para nem se interessar em saber dessa história nem que fosse para rir de mim. Mas, eu me detestaria também no seu lugar.

“Ambre is back”. Dee lembrou da notícia que viu no jornal da escola. Ela não deu importância para aquilo na hora, mas agora ela entendeu. Ambre deve ter ficado alguns dias longe da escola, talvez tenha sofrido um acidente e então.

– Não… olha, eu estava meio distraída. Me fala no que eu posso te ajudar? – Dee respondeu nervosa. – Precisa de alguém pra… coçar o nariz? Sei lá…

– Eu odeio quando as pessoas ficam com essa voz “treme-treme”. Eu não sou de porcelana, tá legal? Eu não vou quebrar… – respondeu Ambre brava. – …mais do que já me quebraram.

– Desculpa… nossa… falo demais isso. Mas, é sério. O que você precisa? – Dee estava sem jeito e completamente constrangida. – Quer que eu chame o Nathaniel?

– Não! Não quero ele perto de mim enquanto eu estou perto de uma escada. – respondeu fazendo um gesto com a mão, espantando a ideia como se fosse um inseto. – Eu… só preciso de uma ajuda para subir estas escadas. Meu pai já havia conversado com a vel… com a Sra. Shermansky sobre rampas de acessibilidade, mas ela foi morrer. Agora ele virá falar com a Sra. Delanay, mas não sei quanto tempo mais isso demorará.

– Entendo. – parando para pensar, Dee realmente não conseguiu se lembrar de nada adaptado para cadeirantes na Sweety Amoris. – Como eu faço isso?

– Eu só preciso que você me ajude a subir estes degraus. – Ambre virou a cadeira e ficou de costas para os degraus. – Normalmente quem me ajuda é a Li ou a Charlotte, mas, depois disso… – apontou para a cadeira. – … elas também me deixaram de lado e foram se encostar no tal do Élius.

Dee pegou os apoios da cadeira de rodas de Ambre, que levantou as rodas da frente da cadeira, ficando apoiada somente sobre as rodas traseiras, e com calma conseguiu fazer a garota subir os cinco degraus que dividiam o espaço entre o chão e a entrada da escola. Ambre virou a cadeira e posicionou ela em direção a porta da escola. Dee correu e abriu a porta para ela.

– Obrigada, Didra. – disse Ambre. – É mais difícil pra mim dizer isso do que parece…

– Posso te ajudar em mais alguma coisa? Sei lá, ir para a classe? – Dee ofereceu.

– Não, daqui eu me viro sozinha. Obrigada. – disse Ambre, a contragosto. – Sabe, por um minuto fiquei com medo de você soltar e me fazer cair de cara na escada.

– Eu nunca faria uma coisa destas, Ambre. – respondeu Dee.

– Eu faria! – disse Ambre, sem hesitação ou arrependimentos na voz. – Acho que é por isso que eu estou nessa cadeira e você não. Você é uma pessoa melhor do que eu. – e foi para dentro da escola.

Parada na entrada do colégio e olhando para uma Ambre arrogante, altiva, mas, mesmo assim, quebrada, Dee pensou nela como uma leoa derrotada por uma rival mais jovem. Ferida e sangrando, mas, mesmo assim, sem abaixar sua cabeça para ninguém. Alguém que aceitou a derrota com orgulho. Havia ainda aquele brilho nos olhos dela. Um brilho que dizia “o que não me mata, me fortalece”.

Ela quase sentia pena de Ambre, mas a altivez com que ela falava e agia, não permitia. Era uma Ambre diferente, com um tipo diferente de arrogância. Não era mais a mesma arrogância de quem se sentia superior aos outros, agora era a arrogância daqueles que não aceitam serem tratados como inferiores.

– Ambre… – Dee olhou para a garota se afastando e então viu. O Loveômetro “morto” que a acompanhava. Ela era uma das pessoas que Élius havia roubado.

Ela balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos dos problemas com Ambre. Teria de se concentrar em Violette. O primeiro lugar a procurar, era no Clube de Jardinagem, onde ela costuma passar as horas livres. Só esperava que o que quer que tenha acontecido, não afetasse ela também.

Quando ela se virou para ir ao Clube, ela foi abordada por dois homens usando um terno preto e óculos escuros. Um parou em frente a ela e o outro, logo atrás, entre ela e a porta da escola.

– Senhorita Didra O'Connel? – disse um dos homens. – Por favor, queira nos acompanhar.

Didra olhou para os dois homens. Certamente eram capangas de Élius. Olhou em volta, não havia muito para onde correr. Gritar também não ajudaria, afinal, ninguém chegaria até lá antes de que a segurassem e a colocassem dentro do carro. Pro enquanto, a melhor chance era fazer o jogo deles.

– E eu tenho a opção de não ir? – ela perguntou, embora já soubesse a resposta.

O homem não respondeu e apenas sorriu ao abrir a porta do carro de luxo preto estacionado na porta da Sweety Amoris.

***

O carro cruzou a cidade em velocidade constante. Os vidros escuros não deixavam Dee ter uma noção exata de onde estava indo. Além disso, ela estava sentada entre dois homens de terno preto. Já havia tentado fazer perguntas para eles, mas não respondiam. Ela também tentou mandar uma mensagem para Dean, mas eles não a deixaram mexer no telefone. Aquilo estava começando a assustá-la.

Quando o carro parou, ela ouviu o barulho do metal dos portões rangendo e dando passagem ao veículo. As portas abriram e Dee estava em frente a uma casa grande e bonita. Com largas colunas ao estilo grego ladeando uma porta branca com o batente alto. Um senhor, que claramente deveria ser o mordomo de Élius, abriu a porta e deixou Dee entrar. Os homens de terno preto ficaram dentro do carro que partiu. A ação deixou ela um pouco mais calma, já que agora só haveria ela e o mordomo.

– Obrigada, Alfred. – ela falou para o mordomo e entrou na casa. – Ou é Jarvis?

A cara que o mordomo fez ao ouvir aquele nome deixou claro para Dee que não era a primeira vez que ouvia aquela piada. “Alfred”, como Dee havia batizado o mordomo, a escoltou até uma grande sala de estar, ricamente decorada e com alguns móveis luxuosos. Bem iluminada pelas grandes janelas, Didra pode ver diversos quadros e esculturas, além de belos vasos que pareciam muito caros.

Os quadros e esculturas tinham apenas um tema em comum: deuses.

Dee entendia o motivo das diversas representações dos deuses gregos que ornavam a casa de Élius e as estátuas ao estilo grego. Ela podia reconhecer, dentre os quadros, todos os deuses maiores do panteão grego, embora, sentia que faltava alguém. Mas, não compreendia porque ele também tinha objetos e pinturas que refletiam deuses de outras culturas, como os nórdicos, egípcios e orientais. Havia também imagens e pinturas que representavam os santos católicos e o deus cristão, incluindo um quadro com a pintura feita por Leonardo Da Vinci no topo da Capela Sistina, com Deus tocando o dedo de Adão.

Haviam até mesmo algumas representações dos deuses das culturas e religiões africanas. O estranho é que haviam também, espalhados pelo sofá, revistas em quadrinhos do Thor e do Superman (“um deus entre os homens”) e mangás da série Saint Seiya.

– O cara é obcecado pelo tema. – Dee disse me voz alta e cutucou “Alfred” com o ombro. – Né, não, Jarvis?

– Eu prefiro a palavra “estudioso”. – Élius disse, sendo acompanhado por Bia, Li e Charlotte.

Dee se virou rápido, ficando em alerta e ao ver as meninas da Sweety Amoris e lembrou das palavras de Ambre, sobre ela ter sido trocada por Élius. Deve ser realmente doloroso ser trocada por outra pessoa desta forma. Na verdade, ela sabia bem qual era o sentimento.

– Não vou dizer que é feio cabular o segundo período de aula, afinal eu também estou cabulando ele. – Dee falou para as garotas. Ela apenas deram um risinho cínico e se sentaram ao lado de Élius. Ele apontou um sofá grande e confortável. Ela, um pouco receosa, se sentou.

– Não tivemos, até agora, a oportunidade de conversarmos realmente, não é?

– Não que eu me lembre… – Didra deu de ombros. – … quer dizer, na verdade, eu me lembro de algumas conversas sim. Embora eu não quisesse me lembrar disso.

– E você imagina o por que eu te trouxe aqui?

– Para me emprestar esse gibi do Superman? “Paz na terra” é uma das melhores histórias dele. – Dee pegou o gibi e começou a folhear, depois olhou em volta. – Vem cá, esse monte de quarto aqui é real? Se for devem valer uma fortuna.

– Quase todos aqui são só réplicas, mas ainda assim são valiosos. – Élius apontou para os quadros que deviam ser os verdadeiros. – Mas, o maior valor deles não é financeiro. E sim o que eles representam.

– Deuses?

– Erros! – Élius respondeu sorrindo.

– Eu não sou expert em arte, mas acho que Leonardo Da Vinci não costumava errar muito não. – disse ela apontando para o afresco da Capela Sistina. – Talvez os restauradores possam ter dado uma mancada…

– Não há erro na arte. Há erros no que elas representam. – Élius estendeu os braços. – Esta série interminável de deuses e seres superiores. Seres que estão acima dos homens. Inalcançáveis, inatingíveis, distantes de sua criação. Frios.

– Tem quem diz que fala com eles. Vai ver é só uma questão de saber se comunicar.

– Veja ali, por exemplo. – Élius apontou um quadro de Zeus. – Os gregos acreditavam que quem os guiava era Zeus, lançando seus raios nos mortais. E os raios de Zeus? Eram forjados por Hefesto, o deus da forjaria. Mas, será que era isso mesmo?

“Os nórdicos acreditavam que os trovões eram o som dos cascos dos bodes que puxavam a carruagem do poderoso Thor, enquanto ele brandia o magnífico Mjorlnir. Na África, o deus Ogum, ou Orixá, como eles chamam, é o responsável pelos trovões e raios que rasgam os céus. E por outro lado, temos no oriente, Raijin. Batendo seus tambores e criando os raios”

“Tudo isso, cada lugar, cada povo, uma história, apenas para explicar o simples fato de que uma nuvem carregada com elétrons positivos encontra o ar frio, carregado de elétrons negativos e cria a descarga elétrica. Um monte de histórias para explicar um erro. Estes diversos ‘deuses’, não são mais do que erros.”

– Bom, nem todo mundo tinha como fazer estudos meteorológicos que temos hoje. A tecnologia evoluiu. – Didra respondeu, dando pouca atenção ao discurso do rapaz. – Eles se viravam como podiam para explicar as coisas.

– Excelente ponto! – Élius falou. – Veja, a tecnologia de vocês hoje é tão avançada e maravilhosa que vocês simplesmente aboliram este monte de “deuses” e “semideuses”. Hoje, vocês tem um só. E muita gente simplesmente o ignora.

“Perceba, Didra, perceba que vocês se tornaram cada vez maiores. Buscaram as estrelas, foram ao espaço. Vocês almejaram o que os mortais da minha época só sonhavam. E se libertaram cada vez mais das amarras divinas e restritivas dos deuses. Hoje, vocês tem informação e cada vez mais questionam a existência desse deus que nasceu em um monte de palha. Vocês estão subindo e se equiparando a ele, de forma que em breve, ninguém irá nem lembrar que ele um dia existiu.”

“Os seus anciões, aqueles que ainda são apegados a tradições e religiosidade, em breve deixarão esse mundo. Um mundo pertence a vocês, os jovens. Rapazes, como o Armin, amam o conhecimento fútil e a tecnologia daqueles jogos bobos. E as garotas, como você, parece que idolatram asiáticos magricelas com vozes finas e calças apertadas. Vocês são uma força desperdiçada.”

– Juro que queria ver você falar que os cantores de K-Pop são “asiáticos magricelas com vozes finas e calças apertadas” para a Alisson ou para a Madisson. – Dee riu. – Você ia apanhar!

– Duvido muito. – Élius riu com desdém.

– Vamos chegar logo na parte que você diz que ficou com raiva de mim pelo fato de eu ter te mandado um “dedo” e peço desculpas e tudo volta ao normal. – Dee falou sem muita paciência.

– Então, você sabe exatamente quem eu sou e como cheguei aqui? – Élius perguntou. – Me poupa algum trabalho. Você acha que foi justa comigo? Quer dizer, apesar daquilo eu te dei os seis meses mais felizes da sua vida ou não?

– Tá legal! Foi mal! – Dee deu o braço a torcer. – Eu tava com raiva, ok? Me dá um desconto!

– Raiva? Paixão? Vontade. São coisas que eu não entedia, mas agora eu entendo. – élius deu um largo sorriso satisfeito. – Este corpo que você chama de Lysandre e as porções de personalidade que peguei me fizeram entender o meu propósito!

– Que seria…?

– Você sabe qual é o principal problema dos humanos? – Élius se levantou e ficou olhando para o afresco de Da Vinci. – Sabe qual é o maior erro de vocês?

– Eu tenho certeza que você vai me falar. – Dee já estava entediada com a conversa do rapaz. – O “Alfred” não pode me trazer uns biscoitinhos não? E um suco de laranja.

– Esse é o problema de vocês. – disse Élius com raiva e apontando para ela. – Aquele simples gesto que você fez para mim seria suficiente para que eu mandasse Nêmesis, a deusa da vingança, caçá-la e me trazer sua cabeça numa bandeja. Vocês não respeitam, não obedecem, não se curvam. Estão sempre se multiplicando e infestando o mundo, como uma praga de gafanhotos. Por onde passam… – Élius quebrou um vaso com aparência cara. – … vocês destroem.

– Yep! Esses somos nós! – disse Dee levantando a mão para um “hi-five”. – E você tá aprendendo rapidinho, não é?

– Ah sim, eu aprendi! – ele respondeu recuperando sua compustura. – Eu aprendi o que eu devo fazer para corrigir este erro de vocês. Vocês precisam de um guia. De alguém que os leve para um lugar melhor e controle este potencial indomável de vocês.

– E o que você pretende fazer? Se candidatar a representante do Grêmio? – perguntou Dee com desinteresse. – O Nathaniel geralmente se reelege todo o ano.

– Ah, não…. eu tenho objetivos maiores do que o Grêmio. – ele se sentou novamente em sua poltrona. – Na verdade, a cadeira que almejo é um pouco maior do que a do Grêmio…

Dee desta vez reparou que havia algo diferente na pintura de Da Vinci. Não havia mais a imagem de “Deus”, pintada pelo famoso italiano. Havia apenas Adão apontando para um espaço vazio.

– Há! Tá bom! – Dee riu. – Você é só um cupidinho. Um anjinho de fralda. Não tem como superar Deus!

– A que deus você se refere? – Élius perguntou abrindo os braços, indicando os quadros e estátuas, para enfatizar seu ponto. – Qual destes? Esse aqui? – e mostrou um gibi do Superman. – Você não entendeu ainda?

“Esse seu ‘deus’ é tão distante e inatingível. Tão frio com vocês! Por mais que vocês peçam, chorem ou implorem, ele simplesmente ignora vocês. Ele permitiria as coisas que acontecem no mundo se estivese perto? Fome, guerra ou as doenças que matam vocês como pulgas? Pelo menos, na minha época, Zeus ainda mandava um raio na cabeça de alguém para lembrá-lso de que ele estava lá.”

“Eu, por outro lado, com este corpo e com meus poderes, seria um deus acessível. Que ouviria seus filhos e os recompensaria apenas com amor. O mundo seria coberto de amor, as pessoas amariam uma as outras e não haveriam guerras, fome ou mortes. A humanidade amaria seu deus e eu os guiaria em paz. Usando o indomável espírito humano para o progresso e não para a destruição”

– Tá bom, eu já vi muito anime para saber qual é a situação destes supostos “deuses” como você. – falou Dee realmente entediada. – Agora a minha dúvida é: E onde eu entro nisso?

– Você… e o homem-morto… são resquícios de um mundo que não pode mais existir. – Élius respondeu aconchegando-se na sua poltrona. – Tudo o que eu preciso é que você desista. Que você se acomode e aproveite o mundo melhor que eu pretendo criar. É só isso…

– Eu não sou muito boa em desistir. Não tem noção de como me falam isso. – Dee cruzou os braços. – Em especial numa situação que envolve a minha Iris.

– É só isso que você quer? – Élius riu. – Esse é o seu preço? Concedido! Eu te dou todas as Iris do mundo, se é o que você deseja. Eu deixo ela livre para você. Basta você… esquecer de tudo.

Dee olhou para ele. A oferta era tentadora. Esquecer de tudo, todo o tempo dela com Iris era um preço alto, mas o objetivo final era estar com ela novamente, então, seria trocar seis por meia dúzia. Só que ainda tinha algo que a incomodava naquela proposta. Ela se levantou.

– Foi mal, Élius. – ela falou. – Mas o nosso mundo não precisa de outro deus e nem de outra religião. Não vou colaborar com a criação de um mundo de escravos apaixonados.

– Como disse? – ele perguntou incrédulo.

– Esse seu “ideal de união e paz” para mim parece apenas um mundo onde as pessoas não tem seu livre arbítrio e vontade. – Dee respondeu. – Você quer que elas te obedeçam cegamente. Quer acabar justamente com o que diz que admira. Nosso “espírito”. E isso eu não posso deixar.

– “Você não pode deixar”? – Élius riu dela. – E o que te faz pensar que pode me impedir?

– Eu não pensava que podia, mas você me mostrou que eu posso. – Dee riu.

– É mesmo? – Élius ficou sério. – E como?

– Se eu fosse tão inofensiva quanto você quer me fazer parecer… – ela respondeu. – … você não tentaria negociar comigo. Me dominaria ou simplesmente tinha mandado seus capangas me matar. Mas, você não pode.

Élius ficou furioso ao perceber que estava impotente e a mercê de uma garota era irritante. Li, Charlotte e Bia tentaram lhe acalmar, mas ele as afastou. Dee apenas sorria triunfante.

– Talvez você tenha razão. – ele deu a volta na poltrona. Dee percebeu que ele pegou algo. – Talvez você realmente possa me impedir. Então, neste caso é melhor que eu elimine você definitivamente… – e apontou uma flecha armada rapidamente no arco. – …você não é tão especial quanto pensou que era.

Dee não teve tempo de pensar e apenas se jogou no chão, atrás do sofá no qual estava sentada a pouco. Ela foi rápida o suficiente apenas para ouvir a seta zunindo próximo a ela e encravando em uma das paredes.Precisava sair dali rápido.

– Peguem-na! – disse Élius para Li, Bia e Charlotte, que correram em direção a Dee.

Dee viu a situação se tornando mais complexa e correu em direção a porta, derrubando vasos e quadros no caminho dela, na intenção de atrasar as garotas que a perseguiam. Élius pacientemente armou outra flecha na corda de seu arco.

Dee chegou até a porta e forçou a maçaneta, mas estava trancada. Ela tentou abri lá com golpes de ombro, mas a porta não cedeu. Havia uma grande cortina, cobrindo uma janela no corredor e didra correu até ela e se escondeu. Um péssimo esconderijo, na opinião de Élius. Bia, Li e Charlotte pararam em frente a cortina, cuidando para que a garota não pudesse fugir dali, então, o cupido mirou seu arco para a cortina.

– Pode fugir o quanto quiser, Didra. – Élius disparou a flecha. – Mas só existe uma verdade…

O vidro da janela que estava coberta pela cortinha estilhaçou quando a flecha o atingiu. Élius abaixou o arco, sorrindo e deu um sinal para que Li abrisse a cortina e mostrasse o cenário oculto. Ela puxou o tecido e havia apenas vidro quebrado. A janela continuava fechada, então as garotas ficaram na dúvida sobre o que havia acontecido.

Olharam para Élius como se implorassem por seu perdão, embora a culpa não fosse delas. Élius apenas riu e soltou o arco no chão e foi caminhando novamente em direção a sala de estar. Ele parou em frente ao quadro de Da Vince.

– … a verdade de que eu olhei para o trono de Deus… – ele disse com um tom teatral. – … e ele estava vazio!

Continua…


Notas Finais


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