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História Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 9


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Notas do Autor


—Inicialmente, vamos deixar claro que todos os nomes, personagens, locais e eventos são fictícios e não tem nenhuma relação com acontecimentos ou pessoas reais. Qualquer semelhança é mera coincidência.

—Segundo! Todos os personagens, nomes e locais são de propriedade da BeeMoov Jogos! É proibida a sua reprodução total ou parcial em qualquer meio de comunicação, veículo de imprensa escrito ou falado, sites ou impressos. Se o fizer, se resolva com os franceses!! Boa sorte com um processo internacional!

—Terceiro e não menos importante (talvez o mais importante) ao contrário de outras fics por aqui, esta irá se passar no mesmo universo e os acontecimentos são diretamente relacionados ao jogo! Portanto, pode acontecer de você tomar um SPOILER AQUI. Talvez dos primeiros episódios (ainda não fui muito longe no jogo). Então fique avisado

Capítulo 9 - O que eu não vivi


Fanfic / Fanfiction Você é meu Amor Doce - Segunda Temporada - Capítulo 9 - O que eu não vivi


Dee se apoiou na parede e deixou o corpo escorregar até cair sentada no chão. Ter que se concentrar em uma porta enquanto corria o risco de tomar uma flechada foi um esforço mental muito grande para ela. Claro, para ela que estava nervosa e mal conseguia se concentrar em estudar para as provas (“tem prova no Faraize semana que vem e eu não estudei nem uma linha”, lembrou-se), ter que conciliar a vida escolar com impedir um cupido megalomaníaco com delírios de grandeza em níveis divinos não era fácil. Mas ela ia conseguir.

Olhou para o corredor e encarou as diversas realidades a sua volta. Procurou olhar novamente para o quadro onde dava um beijo apaixonado em Iris, com seu “pezinho” levantado e tudo. Aquelas lembranças era seu bem mais valioso e não estava preparada para desistir deles. Era hora de voltar para a Sweety Amoris e começar a trabalhar.

***

– Você promete que me escreve todos os dias? – disse Peggy com os olhos grandes e uma voz chorosa, enquanto abraçava Kentin. – Me contando tudo o que acontece lá? Talvez eu faça um blog com isso ou um livro, mas o importante é que você não vai me deixar com saudades de você, vai?

– Claro que vou escrever. – respondeu Ken sorrindo para ela. – E eu vou ficar com mais saudade de você. Tenha certeza.

– CADETE! ARRUME SUAS COISAS! VOCÊ TEM ‘T’ -5 PARA AS DESPEDIDAS! – gritou, ou apenas falou algo, um senhor loiro com o cabelo cortado um topete reto. Era o pai de Ken, o Sr. Giles, mas mais parecia um retrato de o que acontecerá quando o personagem Guile se aposentar das lutas no Street Fighter.

– Deixe ele se despedir dos amigos, Giles. – falou uma jovem senhora com óculos gigantes, claramente a mãe de Kentin. – E da namoradinha.

– Você tem o que quê ele disse?

– Ele disse que eu tenho cinco minutos antes de ir. – Ken respondeu. – Só isso. Acho melhor a gente aproveitar então. – e a beijou.

Dee olhou para a cena e lembrou de seu mundo. Um mundo onde Iris não fugia dela e se escondia pelos cantos dos corredores para evitá-la.

Haviam se passado duas semanas desde que ela conseguiu fugir da casa de Élius. E neste meio tempo, Dee havia conseguido se aproximar de Kentin e buscou a melhor forma de reviver seu Loveômetro. E todos os dias, sua busca era frustrada pelas constantes, e irritantes, gracinhas e cantadas furadas que ela, e toda e qualquer garota que passava próximo a ele, recebia.

Até que ela voltou…

Iris recebeu alta e voltou para a escola, mas não era a mesma de antes. Era uma garota ainda mais fria e distante, mas não pela influência obsessiva de Élius, que havia sumido da escola, e sim por ela mesma. Ela evitava encontrar Dee sozinha. Evitava encontrar Dee acompanhada das amigas. Didra se tornou um incomodo na vida da garota. Apenas por que Dee a amava. Foi então que ela percebeu.

Iris era uma versão dela mesma quando estudava na escola anterior. E Dee havia se tornado uma versão feminina de Kentin. Perseguindo a garota, pesquisando sua vida, escondida nos cantos, esperando uma chance de pegá-la desprevenida para uma “conversa casual.” Dee fez exatamente o mesmo que tanto criticava em Ken. Mas, da mesma forma que ela, devia apenas “querer não parece interessada, para não magoá-la”. Da mesma forma que Dee fazia com Ken.

Ela então percebeu o que faltava em Kentin. O que havia sido lhe roubado.

Kentin sempre foi um garoto doce, persistente, mas, mesmo assim, nunca se deixou levar pelas pressões externas e atitudes ditas “legais” pelos outros garotos.“Chega pegando, Ken”. “Ela fala não, mas é sim”. “Ela ta fazendo doce”. “Chega beijando”. Quantas vezes Ken não deve ter ouvido isso de seus colegas na escola e ele, sendo uma pessoa boa, nunca havia dado ouvidos a esse tipo de conselho. Era um tipo de atitude que, infelizmente, muitas garotas aceitam e muitos rapazes acham que é a forma ideal de conquistá-las.

Porém, é o tipo de coisa que funciona para caras como Dake, e não para um rapaz de óculos fundo de garrafa e cabelo “tigelinha” cortado pela “mamãe”.

Kentin, acima de tudo, respeitava Dee. Por que ele a amava. Mas, e se isso fosse retirado dele? O respeito e carinho?

Kentin se tornou uma versão babaca de si mesmo. Um desagradável e pedante colega de escola que fez com que Dee fosse agressiva, grossa e distante com ele. Este foi, nesta realidade distorcida, um dos principais motivos de Dee se mudar para Sweety Amoris. Porém, esta versão alternativa de Kentin, também se mudou. Não por amor, mas por raiva.

Kentin perseguiu Dee com seu linguajar chulo, atitude machista e agressiva. Não foram poucas às vezes (Dee “recuperou” algumas memórias dessa realidade sobre isso) que Ken tentou forçá-la a beijá-lo. Este Ken fez exatamente o que os colegas aconselhavam: Chegou pegando, acreditou que ela fazia apenas “doce” e tentou “chegar beijando”. E acabou se magoando ainda mais. Acabou se tornando cada vez pior.

Porém, este era um problema que cabia a ela resolver e não a ele. Foi difícil trazer o Ken para uma conversa civilizada, na qual ele não ficava falando bobagens de duplo sentido a cada cinco minutos. Porém, quando conseguiu esclarecer que ela nunca seria dele, o Ken babaca da realidade alternativa e o Kentin de seu mundo fizeram exatamente a mesma coisa. Eles choraram.

Ela não podia amá-lo, mas isso não significava que ninguém ia. Pelo menos, não se ele não mudasse essa atitude. Para Ken, o amor estava bem mais perto do que o que ele pensava. Foi então que Dee teve o maior trabalho de tirar a péssima impressão que Peggy tinha de Ken. Por sorte, ela estava bem mais aberta a esta possibilidade do que o que ela imaginava.

Contudo, ainda faltava uma coisa: disciplina. Ken não podia continuar com as mesmas atitudes e mudar não era fácil. Havia só um lugar onde ele aprenderia como se portar de forma adequada. O colégio militar. Peggy e Dee tiveram muitos problemas para convencê-lo a aceitar esta ideia. Logo agora que ele começaria um namoro com uma bela garota? O Sr. Giles foi outra peça chave na situação.

Dee precisava do perdão de Kentin, pelos anos que o magoou e mostrar para ele que a forma com que ele a tratava era merecida, mas, ainda assim, errada.

No fim, tudo deu certo. Ou pelo menos, Dee assim esperava.

Kentin e Peggy separaram os lábios e ele olhou para Dee. Dee olhava para Kentin, mas não para ele e sim para o Loveômetro “morto” que ainda flutuava a seu lado.

– ‘T’ -1, CADETE! – gritou Giles. – Marcha acelerada para este carro, agora!! – ele disse, mas foi beliscado pela mãe do rapaz. Ela sorriu para Ken e acenou com a cabeça, indicando que sabia como lidar com o “velho coronel”.

Ken, ainda parecia magoado com ela, o que assustava Dee. E se depois do trabalho que teve ainda não conseguisse “curá-lo”?

– Afinal... por que? – perguntou ele. – Só por causa da minha aparência? Eu sei que não sou o Nathaniel, mas... ninguém lá na escola era. Então, eu nunca entendi... – ele perguntou.

Dee entrou novamente no mundo cinzento das escolhas. A caixa que flutuava em frente a Ken apresentava as opções “dizer a verdade” e “mentir”. Mas, atualmente, nem ela mesmo sabia dizer o que era verdade ou não naquela situação. Então, ela tirou os óculos.

O mundo ganhou cores e acelerou. A caixa desapareceu e, agora, ela estava por conta própria.

Ken estranhou a atitude, então, ela tirou os óculos de Ken. Ele piscou algumas vezes, tentando adaptar os olhos a luminosidade. Quando ele olhou novamente, Dee estava com os óculos dele e fazendo caretas.

– OI, KEN!! Eu vim para a Sweety Amoris atrás de você!! – ela falou imitando o rapaz.

Ken riu e pegou seus óculos de volta.

– Ta… eu entendi! Eu era chato. – ele falou.

– Na verdade, não tem nada a ver isso. – disse Dee. – A real mesmo é que eu gosto de alguém com mais peito, sabe…

– Quer dizer, como o sobrinho do professor Boris? Um bombadão? – Ken pensou que realmente ela devia ser uma garota bem superficial e ficou decepcionado consigo mesmo por dedicar tanto tempo àquela garota. – Quando eu voltar, eu serei bombadão também e aí…

– Não… Com MAIS peito… – disse Dee enfatizando a palavra. –…como a Kim.

Kentin arregalou os olhos devagar, como se a ideia estivesse vindo até ele bem devagar até que ele fez um “ah”… finalmente entendendo.

 

– Mentira! – Ken disse. – Quer dizer… você… é por isso?

Dee não disse nada, mas balançou a cabeça confirmando que a informação era verdadeira. Pelo menos, atualmente é verdadeira. Na época, talvez não fosse tão precisa.

– Mas, você e a Letícia? – ele perguntou confuso. – Vocês estavam sempre atrás de rapazes e…

– Não. A Lety estava sempre atrás de rapazes. – Dee falou. – Eu estava atrás de Lety... – Aquilo era mentira, mas, mesmo assim, ajudou a convencer. – Bom, assim como você, eu não tinha muita chance…

Kentin agora estava chocado com a revelação. Tudo no mundo fazia sentido para ele.

– Mas... Mas... E o Élius? Todo aquele tempo correndo atrás dele e... – ele perguntou, mas logo entendeu. – ...não era atrás do Élius, era?

Dee balançou a cabeça, fazendo “não”.

– Era por causa da... – ele perguntou, tentando formar um cenário plausível na cabeça. – …ah, caramba… agora eu tô… não… espera aí… então…

Dee balançou a cabeça positivamente confirmando a ideia dele, mesmo sem ele ter terminado a pergunta.

– Minha nossa! Eu NUNCA havia percebido! – Ken parecia aliviado com a informação. – Então é por isso... hahahhahahah.... Bom, nesse caso, então... Sem ressentimentos. – ele estendeu a mão para ela.

Dee o abraçou.

– Você não precisa me perguntar sobre o jogo de futebol ou filmes do Rambo só por causa disso. Eu ainda sou uma garota, tá? – Dee falou enquanto o abraçava. – Embora eu goste de futebol e filmes do Rambo.

– CADETE! O tempo acabou! É hora de marchar! – disse o Sr. Giles.

Kentin confirmou com a cabeça. E olhou para as garotas.

– Bom, eu vou para um colégio militar agora. Meu pai acha que será bom e vocês duas me convenceram. – ele disse. – Cuida da Peggy para mim?

– Cuidar da Peggy? – Dee deu um olhar malicioso para Peggy. Ken se assustou. – Hum… cuido sim. Cuido muito!

– Não espera... Não cuida não! – ele falou, corrigindo a última frase. – Só… seja legal com ela… mas não muito!!

Dee riu da atitude dele e disse para ele ficar despreocupado. Kentin deu outro beijo em Peggy e depois foi para o carro, mas antes deles partirem, Dee colocou os óculos e viu o Loveômetro de Ken.

Ela havia conseguido.

Um carro preto, com vidros escuros saiu do estacionamento da Sweety Amoris, logo após o carro da família de Ken partir. Dee não reconheceu o veículo, mas suspeitava que eram os pais de Nathaniel deixando Ambre na escola. Mas, algo lhe dizia que o carro era diferente.

– Então quer dizer que não era o Élius... – disse Peggy, se aproximando de Dee.

Dee sentiu um arrepio correndo por sua espinha.

– Peggy, não... – ela disse. –... Se não por mim, então por ela. E…

Mas, antes que pudessem continuar Dee foi interrompida por Melody, que parecia extremamente zangada.

– Dee. Preciso conversar com você na Sala do Grêmio. – disse Melody segurando Dee pelo pulso. – Agora!

Didra acompanhou Melody e Peggy foi atrás delas, como um raio. Ela sentiu que havia uma grande notícia no ar. Eles entraram na Sweety Amoris e passaram apresadas pelo corredor, indo para o Grêmio. Mas, assim que Dee passou, Nathaniel se colocou na frente de Peggy e fechou a porta.

– Isso é obstrução da imprensa!! – ela gritou, furiosa na porta. – Uma clara violação ao Protocolo de Quioto!

Nathaniel abriu a porta.

– O Protocolo de Quioto só fala sobre a emissão de gás carbônico na atmosfera. Não tem nada a ver com imprensa. Vai estudar. – E fechou a porta.

Peggy, frustrada, bateu o pé no chão e foi para a Sala de Redação.

Quando Dee viu a cena na Sala do Grêmio ficou assustada. Violette estava sentada em uma cadeira, chorando e sendo amparada por Kim. Melody pegava papéis e estava próximo ao telefone. Nathaniel fechou a porta do Grêmio e cruzou os braços. Parece que ela estava presa naquele lugar. E sentia que muito em breve saberia o porquê.

– Didra, só vou lhe perguntar uma vez antes de ligar para a polícia e mandá-los para a casa da sua tia. – disse Melody com firmeza. – Cadê o Dean?

– Eu não sei. Faz uns dias que não o vejo. Ele sumiu lá de casa. – Dee disse, sendo sincera. – O que aconteceu? – Ela chegou perto de Violette e a abraçou. Kim ficou apreensiva com a aproximação de Dee, mas não disse nada. – Violette? O que houve?

– Ele invadiu o banheiro feminino e se trancou lá com a Violette. – Melody disse antes da garota falar algo. – Ficou segurando a boca dela. Foi isso que ele fez.

Didra chocou-se com a revelação. Dean nunca faria mal a Violette, embora ela soubesse que alguma coisa problemática tivesse acontecido entre eles. Mas, atacá-la? Não era do feitio dele. Ou era? O que ela realmente sabia sobre aquele rapaz. Se ela não tivesse visto tudo o que viu até agora, acreditar numa história de uma viajante entre realidades seria bem difícil.

– Ele... fez alguma coisa com ela? – Dee perguntou enquanto olhava para Vio. – Ela se machucou?

– A guriazinha diz que não, mas, ela não para de chorar! – respondeu Kim.

Violette não dizia nada. Mesmo que tentasse, não conseguia. Dee a abraçou com força e foi correspondida. Melody viu a cena e largou o telefone.

– Você não tem ideia de onde o Dean possa estar? – Melody disse. – Ninguém quer acusá-lo de nada sem ouvir o lado dele. Mas, tem que admitir que tem alguma coisa estranha aqui não?

– Claro que tem! Mas, eu não acredito que ele teria atacado a Violette! Tem alguma coisa a mais aí!

– Ninguém aqui disse isso, Didra. – Nathaniel interveio. – Mas, se ele não fez nada, cadê ele?

Dee se levantou para encarar Nathaniel, mas sentiu algo úmido na mão. Olhou para Violette e viu, nas costas da garota, uma mancha vermelha. Era sangue. Ela tocou aquele ponto, apertou várias vezes e Violette não reagiu. Não havia ferimento e nem cortes na roupa. O sangue não era o dela. O que quer dizer que…

– Eu vou procurar. – Dee falou. – Não deixa essa história sair daqui, por enquanto. Se ele fez alguma coisa com a Violette, eu mesma chamo a polícia. Mas, por enquanto, me deixa tentar entender o que aconteceu.

– Guria, eu to achando que a loucura é de família. – disse Kim. Dee ignorou o comentário.

– Dee, não posso deixar essa situação com a Violette sem tomar nenhuma atitude. Eu preciso falar com a diretora. – disse Melody. – Ataque ou não, a Vio está chorando e temos que falar com o pai dela.

– Não... tem... nada... – disse Violette, entre as lágrimas. – eu estou bem. Mas, o Dean...– Ela voltou a chorar com mais força e Kim a abraçou.

– Eu não posso ficar neutra quanto a isso Dee. – disse Melody. – Mesmo que ele não tenha feito nada com a Violette, ele ainda entrou no banheiro feminino. É uma falta menor, mas, não podemos ignorar isso.

– O Nathaniel faz isso o tempo todo e você não fala nada. – Dee respondeu barva, embora não soubesse de onde ela tirou aquela informação. – Ach oque dá pra fazer vista grossa pro Dean, pelo menos, por umas horas.

– E-eu? Mentira! Eu não faço nada disso. – Nathaniel protestou. Melody o olhou com desconfiança. – É mentira dela, Melody…

– A gente vê isso depois, Nathaniel. – Melody disse. – duas horas, Didra! É só isso que posso te dar…

Dee saiu da Sala do Grêmio e foi para algum lugar vazio tentar se concentrar na porta que a levaria para a sala das realidades alternativas. Se Dean não estava em lugar nenhum, ele deveria estar lá. Quando ela saiu, deu de cara com Iris. A garota se assustou ao topar com a ruiva, que parecia esperar por ela na porta do Grêmio.

– Dee... Eu preciso... Conversar com você. – ela disse nervosa.

– Não posso agora, Iris. A gente conversa depois.

 

Dee respondeu e saiu apressada e com o coração pesado. Aquela era a oportunidade que estava esperando desde que toda aquela situação começou. Dizer que não podia falar com Iris era a pior coisa que ela poderia fazer. Mas, teria de ser outra hora. Talvez, o vestiário do ginásio estivesse vazio e lá ela pudesse desaparecer. Então ela correu para lá e pensou naquela porta.
 

– Esteja bem, Dean… pra eu poder matar você!


***

– Esperem… por favor… – Élius se arrastava pelo chão. – Vocês me amam!! Vocês PRECISAM ME AMAR! – ele gritou.

– Eu ein, você está bem louco. – disse Charlotte, se desvencilhando da mão do rapaz que segurava seu pé. – Não sei de amor nenhum não.

– Eu não sei o que estamos fazendo aqui. Vamos voltar para a escola – disse Li, retocando o seu batom.

– Li... Charlotte… Vocês não podem ir… – disse Élius, derrotado no chão de sua casa. – VOCÊS TÊM QUE ME OBEDECER!!

As garotas foram embora. Elas saíram, fechando a porta e na cara do rapaz. Derrotado novamente. Completamente abandonado. E com muita raiva. Ele sabia o que havia acontecido. Ele sabia de quem era a culpa. Ele sabia que deveria acabar com seus inimigos se quisesse concluir seu objetivo de construir um mundo melhor.

– Acalme-se, meu amor. A sua Bia está aqui. – disse Bia abraçando Élius. – Você ainda tem a mim.

– Bia. – ele olhou para ela aliviado e a beijou. – Bia... você tem que me ajudar. – seus poderes de influenciar os sentimentos humanos estavam no fim, mas ainda havia uma chance. – Faria tudo por mim, não é?

– Claro que sim, Élius. – disse Bia. – Tudo o que você quiser.

Ele levantou e foi com Bia até a garagem da casa, tirando do bolso a chave de um grande carro prateado.

– Você sabe dirigir? – ele perguntou.

– N-não, Élius. Eu não sei. – ela respondeu nervosa com a possibilidade de ter falhado com ele.

– Ótimo. – ele disse sorrindo.

***

Dee conseguiu seu acesso à junção das realidades possíveis. Andou rápido pelos corredores, sem dar atenção aos quadros. Chegou até a sala e encontrou Dean, sentado em um dos sofás e coberto com um grande pano escuro. Depois do que ele fez, ele tem coragem de tirar um cochilo tranquilo?

– Mas, o que você acha que está fazendo? – ela se aproximou gritando. – Você ta maluco de sair agarrando a coitada da Violette?

Ele não respondeu, não olhou para ela. Apenas murmurou algo que ela entendeu como “sai daqui”. Isso a deixou mais irritada. Ela foi até ele e puxou o pano com força. Dean ainda tentou brigar pelo cobertor, mas não conseguiu impedir.

– DEAN?? – Dee viu o rapaz coberto de sangue, com vários ferimentos e, o que pareciam ser, buracos de bala.

Novamente, ele tentou dizer alguma coisa, mas a voz não saia. Apenas pediu novamente o cobertor. O rapaz fazia caretas de dor e o sangue parecia correr mais rápido. Então ele balançou a mão com urgência pedindo o pano. Dee entendeu e o cobriu novamente. Aquilo parecia ter aliviado a dor do rapaz.

– O que aconteceu? A gente precisa ir para um hospital. – Dee colocou a mão na testa do rapaz. Ele estava ardendo em febre. – Você vai morrer se continuar perdendo sangue assim… Vem comigo!

Dean apenas afastou a mão dela e se enrolou no cobertor. Fechou os olhos e tentou dormir. Dee olhou em volta da sala, mas não havia nada. Pensou em levar ele para o hospital, mas não conseguiria carregá-lo até um médico e também não imaginava como poderia fazer um doutor chegar até ele. Ela correu para a porta e foi até o apartamento da tia, buscar algumas coisas que ele poderia precisar quando acordasse. Se acordasse…

Dean sentiu que dormiu por cerca de 5 horas. Quando voltou a si, percebeu que tinha um pano gelado na testa e outras coisas, como comida e água, na mesa de centro. Quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos, viu Dee encarando ele.

– Você está melhor?

– Agora eu estou. – ele se livrou do cobertor e ficou de pé. Dee correu para ampará-lo, mas ele recusou.

 

Estava bem. Não havia mais sangramento e nem dor. Apenas uma roupa furada e suja denunciava o que poderia ter acontecido. Dean foi até a mesa e pegou um dos sacos com o logo da lanchonete e tirou de dentro um lanche, desembrulhou e mordeu. Pegou um punhado de batatas e enfiou na boca. Estava com muita fome. Precisava de energia.

– Pode me explicar agora o que é tudo isso? – Dee perguntou, tentando ficar calma. – Quem te machucou assim? Como isso aconteceu?

Isso… – disse apontando para o sangue. – …é o que fizeram com a Violette na primeira vez. Na segunda, eu consegui pular na frente do carro, tirar ela de lá e correr para banheiro para me esconder com ela dos capangas do Élius.

– Quando isso aconteceu? – Dee perguntou tocando os ferimentos do rapaz. – Que primeira vez ou segunda?

– Não aconteceu! Pelo menos não para ela. Eu mudei o tempo e ela se salvou. – Dean respondeu e deu um gole no refrigerante. – Mas, nestes dias que você tem resolvido os problemas, ele tem ficado cada vez mais nervoso.

– Os roubados eram a Rosalya, o Alexy, o Kentin e a Ambre. – disse Dee. – Só falta “consertar” a Ambre agora.

– Rosalya e Ambre? – Dean ficou surpreso. – Eu jurava que ele só havia afetado os rapazes. Quer dizer, indiretamente eles foram também. Nathaniel e Castiel não são os mesmos da sua realidade.

– Mas, isso não importa agora. – Dee perguntou, sem entender nada. – Por que ele está atacando a Violette?

– Por que ele quer me forçar a morrer. – Dean respondeu irritado. Seu lanche tinah terminado, então ele pegou um segundo sanduíche que estava na mesa – Ele quer fazer usar a habilidade de mudar o tempo para me esgotar e me matar!

– Olha, não é por que você sou eu, nem nada. – Dee disse olhando Dean de cima a baixo. – Mas, você ta muito em forma! Se continuar aí malhando e se alimentando certinho, eu diria que você vai viver até uns 80 anos. Você tem muito tempo para queimar com esse poder aí.

– Tirando a parte do “eu estar em forma.” – disse Dean, alisando a barriga definida. – Você está errada sobre todo o resto.

Dee olhou para o tecido no chão e o pegou. Estava sujo de sangue e terra. Parecia ter sido enterrado há anos.

– Isso aqui é um cobertor de bebê? – Didra colocou o pano sobre a poltrona. – Não era o mesmo que tava…

Ela olhou para trás e percebeu que tecido era o mesmo que cobria um dos quadros na sala. Era o quadro no qual Dean havia dito que existia uma cena chocante entre ela e Debrah. Dean se sentou novamente na sua cadeira. Ela viu o quadro. Não havia nenhuma imagem dela ou de Debrah. Era um daqueles quadros descoloridos e “mortos” que haviam naquela sala. Ela chegou perto e identificou a figura. Um berço. Um berço vazio.

– Dean...

– Essa é a minha realidade. – disse Dean. – Eu tinha... o que?... Dois meses? Talvez menos que isso. “Tem fast-food lá?” Não sei! “Nunca comeu um xis coisa com bacon?” Não! “Sabe o que é uma pizza?” Nunca havia comido uma até aquele dia com a Violette.

– Como assim?

– Eu me lembro… bem basicamente o gosto do leite materno. – disse Dean pensando. – Lembro de uma imagem borrada que acho que era minha mãe. Lembro do carinho dela… Mas é só isso.

– Mas, com esse tempo de vida, dois meses só… – alguma coisa não encaixava. – …você não devia saber falar ou andar ou… qualquer coisa que não fosse babar e sujar fraldas. Como você sabe as coisas?

– Eu sei isso por que você sabe! – Dean apontou para ela. – Eu... Compartilho o seu conhecimento. – Dee arregalou os olhos. – Ah sim... Eu sei muita coisa sobre filmes melosos, tudo sobre o ciclo menstrual, Miley Cyrus, Harry Potter, Jonas Brothers e outros cantores teen, Crepúsculo e etc. Mas, eu sei tudo isso só... Nunca vivi nada disso.

– Quer dizer, que você sabe andar, falar e coisas sobre o mundo, história, só por que eu sei. – Dee perguntou. – O que eu não sei você também não sabe? Tipo… física quântica e mecânica de foguetes…

– Neste tempo aqui eu aprendi algumas coisas diferentes, mas basicamente sim. – Dean respondeu. – O que você não sabe é bem provável que eu também não saiba. Mas, comecei compartilhando o seu conhecimento…

 

– E lembranças… quer dizer… – Dee ficou vermelha. – Você… lembra do meu mundo antes? Tipo…

 

– Quer saber se eu lembro de te ver pelada na frente do espelho ou de fotos que você possa ter mandado e recebido da Iris? – Dee ficou ainda mais vermelha quando ele disse isso. – Não! Não se preocupa com isso. Compartilhamos conhecimento em geral e habilidades motoras, como andar, falar, escrever, mas nada pessoal e íntimo…

– Então, você só tem esses dois meses de vida? Se eles acabarem… você morre outra vez. – Dee começou a entender o que significava para ele aquelas duas horas. – Droga… estamos quase… droga… Você não pode ficar usando o seu poder!

– Eu não tenho escolha. – Dean deu de ombros. – Com o Élius atacando a Violette e me forçando a salvá-la…

– Mas, por que a Violette? – Dee perguntou. – E o que aconteceu entre vocês naquele dia?

– Eu tive que dar um fora nela. – Dean respondeu de forma áspera. – Era um jeito de tentar fazer o Élius deixá-la em paz. Parece que não funcionou.

– Mas… Você ta fazendo errado. Seria melhor se vocês ficassem e aí você estaria do lado dela para protegê-la! Além disso, a Violette é a garota mais doce que tem naquela escola. Você tem que…

– E você acha que eu não sei disso? – Dean respondeu. – Acha que eu não queria estar com ela?

– Então fica! – Dee disse. – Você não quer ficar com ela? Você não gosta dela?

– Eu não posso gostar dela. – disse Dean, abrindo um saco de batatinhas fritas. – Eu não posso fazer isso… tá legal?

– E por que não? – Dee perguntou. – Ela é bonita, solteira, legal… tipo, eu gosto dela!

Dean pegou sua manta de bebê e cobriu-se. Sentou no sofá e continuou comendo, evitando de olhar para Dee. Encheu a boca com as batatas, para não ter que falar mais nada. Dee tomou o pacote da mão dele e pegou algumas também. Eles ficaram ali no silêncio, só com o som das batatinhas corcantes quebrando enquanto eles as mastigavam.

– Por sua causa. – ele disse por fim. – O que você acha que aconteceria se eu gostasse dela?

Dee ouviu a pergunta e ficou pensando por alguns segundos.

– Não sei! – concluiu. – Você seria feliz, a Violette seria feliz… é isso?

– Se eu começasse a gostar dela… – Dean disse sério. – …eu não ia querer que esta realidade se desfizesse! Eu não iria te ajudar! Eu faria de tudo para preservá-la. Eu me tornaria seu inimigo. Eu não existo fora daqui, e quando tudo isso acabar, eu vou voltar a não existir.

Dee ouviu chocada a revelação de Dean, mas, no fundo, entendeu o que ele quis dizer. Da mesma forma que Élius está lutando para se manter na realidade, Dean lutaria para preservar o que conquistasse. Ele nunca viveu, mas, e se ele quisesse viver?

– Se eu quiser continuar existindo, eu teria que manter você aqui nessa vida. Sem amigos, sem família, sem a Iris… – Dean perguntou para ela. – Você está disposta a esquecer da sua vida, da Iris, amigos e de tudo para que eu possa ser feliz nessa realidade com a Violette?

Dee nada disse. Apenas encarou o quadro “morto” dela com Iris no parque.

– Foi o que eu pensei. – disse Dean com pesar na voz. – Vamos acabar com isso aqui logo. Você volta pra sua realidade. Eu volto pro meu túmulo. E a Violette vai me esquecer, porque eu nunca terei existido. Todo mundo ganha assim…

– Isso não é justo… – Dee disse apenas por dizer.

– E daí? – Dean concluiu, terminando o saco de batatas. – Ei, isso aqui é para mim? – apontando para um embrulho de papel na mesa.

– Ah… é um hot dog! Ainda tá com fome? Foram dois hambúrgueres e as batatas…

 

Dean continuou encarando a embalagem do lanche sem falar nada.

 

– Tá legal… – Dee abriu o embrulho, jogou mostarda e catchup e deu para Dean. – Eu trouxe um para mim e um para você, mas se você gostar pode comer o meu também.

Ele olhou, estranhou, mas mordeu. Mastigou, saboreou e mordeu mais um pedaço. Balançou a cabeça aprovando o lanche e puxou o segundo para mais perto, indicando que ia comer ele também. Dee caminhou por trás da poltrona em que Dean estava sentado e o abraçou.

– O que você está fazendo? - perguntou Dean.

– Estou abraçando o meu irmão, ué. – Dee falou. – Hum… nossa… isso aqui tá fedendo. – ela puxou o cobertor de Dean. – Eu vou lavar isso aqui!

– Não! É meu 'betorzinho'!! – disse Dean, puxando de volta o tecido e abraçando ele. – Não vai lavar ele!

– É o seu o que? – Dee ficou olhando na dúvida.

Dean olhou envergonhado para a garota.

– É o meu 'betorzinho'. – ele disse sem graça. – Minha mamãe me cobria com o meu 'betorzinho' para eu ir 'mimir'. – e abraçou o cobertor. – Era o que ela dizia… antes de eu dormir… meu ‘betorzinho’… eu acho que ela dizia…

– Ah... não… agora eu tenho que lidar com um bebezão de 2 meses e o seu “betorzinho”. – Dee revirou os olhos. – Me dá isso aqui que eu vou lavar e depois você pode se cobrir!

– Eu é quem te cubro de soco se você pegar o meu 'betorzinho'. – Dean disse bravo puxando o pano para si. – Não vou te dar ele… Vai atrás do seu!

Dee desistiu de discutir com a “criança”, e foi em direção a saída da sala. Era hora de voltar para a casa. Ainda não sabia o que ia dizer para Melody e explicar que Dean salvou Violette se ser assassinada. Mas teria que se concentrar em outras coisas. Teria que descobrir o que aconteceu com Ambre e resolver o problema. Era a única que faltava.

– Dee… espera… – Dean a chamou de volta. – Você, por acaso, não tem aí uma foto do seu pai e da sua mãe, teria?

Dee sacou o smartphone e começou a olhar as fotos que estavam no cartão. Por sorte haviam muitas fotos.

– Aqui. Este é o nosso pai… e a nossa mãe. – Dee voltou para trás do rapaz e o abraçou passando o telefone para frente dele. Se afastou e tirou o 'betorzinho' de cima dele. “Tá fedido!” disse antes que ele pudesse protestar. Voltou a abraçá-lo e mostrar as fotos. – Você se lembra dela na sua realidade?

– Só um borrão, mas eu acho que posso dizer que ela era assim mesmo. – disse Dean. – Talvez, com mais cabelo. Mas, eram os mesmos olhos. Os seus são iguais aos dela.

Dee ficou mostrando as fotos dela com os pais e ficou contando as histórias por trás delas e outras coisas engraçadas que haviam acontecido em viagens, conselhos escolares e festas. Dean ficou apenas ouvindo, até conseguir dormir. Ele ainda estava fraco e precisava recuperar. Dee ficou cuidando do irmão.

Ambre poderia esperar um pouco.

Continua...


Notas Finais


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