História Você não lembra de mim? - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amizade, Bromance, Drama, Memória, Original, Romance
Visualizações 10
Palavras 1.440
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpa a demora.

Capítulo 17 - Primeiras impressões


Anos antes

Charlys estava sentado em uma das cadeiras mais ao fundo da classe, estava em aula, uma chata e desnecessária aula sobre equações. O jovem se mantinha focado no assunto de toda forma, fazendo anotações que poderiam vim a ser úteis no futuro. O sinal para o intervalo toca, seus olhos vão imediatamente em direção a frente da lousa.

Os alunos saem, contudo ele só se importa com o primeiro a se retirar, sua preocupação com o emocional daquela outra criança o assustava, porém, o moreno não consegue evitar, era a impressionante a maneira como aquele estranho garoto loiro conseguia o fascinar e repudiar ao mesmo tempo, causando-lhe curiosidade e medo. Kisa Shouta, o novato solitário que é quase um prodígio, vai para fora as pressas, a professora fica encarando preocupada, querendo falar com ele como faz em todos os outros dias desde que ele chegou, mas ainda não pode, precisa terminar algumas coisas antes de ir.

Dois garotos da turma B do sexto ano se aproximam de Charlys, Paulo possui um sorriso amigável nos lábios, Samuel mantém a expressão fechada, emburrado por seu melhor amigo estar tão animado em falar com o moreno. A luz que vem de fora da sala bate em seus óculos, ele abaixa a cabeça com desgosto, ajeitando a armação que teimava em escorregar por seu nariz, consegue sentir os olhos azuis e castanhos nele.

Não há mais ninguém além deles e da educadora em sala.

O garoto guarda seu material na mochila, olhando desinteressado para os amigos.

– Por que estão aqui? Só iríamos nos encontrar na saída. – Charlys falou baixo. – Ainda estamos no segundo período.

Paulo sentou-se na mesa que o mais novo ocupava, olhando-o curioso. O loiro tentou manter sua expressão a mais neutra possível afinal, o amigo poderia influenciar bastante em suas próprias palavras e, caso isso acontecesse, ter ido ali seria em vão, haveria de ter servido apenas para deixar Sam irritado.

– E era para ser assim. – Sam falou pondo uma mecha de seu cabelo castanho atrás da orelha. Paulo o olhou com uma careta, logo voltando sua atenção a criança.

– Mas nos queremos saber se você vai falar ou não com o novato. Faz um tempão que você diz que quer ir lá, só que nunca vai. – Falou o loiro, o outro mordeu o lábio, sem saber o que dizer.

– Você sabe como te ver sempre cabisbaixo assim nos deixa triste, Wen, principalmente quando acontece por coisas sem fundamento. – Sam voltou a falar, uma tentativa de animar ao mais novo.

Nenhuma falsidade presente em suas palavras. Ele se importava com o menor, por mais que tivessem suas diferenças – provocadas pelos problemas frequentes envolvendo crises de ciúmes ou raiva involuntária – incomodava-o vê-lo chateado quando ia em sua casa, ou na do loiro, era irritante escuta-lo dizer que não pode fazer nada para alegrar ao novo colega, que não é útil o bastante para anima-lo sendo que, desde que se conheceram, Charlys sempre foi o poço de felicidade que contagiava a todos que se aproximavam.

Samuel suspirou encostando sua perna na mesa, o sapato arranhando a madeira.

– Desde que chegou o novato, você vive falando sobre o garoto conosco, dizendo o quão triste é sua expressão, que sempre tá sozinho, que normalmente fica rabiscando ou de cabeça baixa durante as explicações. – falou recordando das conversas que tinham antes de dormir. – Eu tenho até a impressão de que você stalkeia ele.

– Eu... Não fiz isso, Sam. Eu não tenho culpa dele morar em algumas ruas antes da nossa e ficar na rua até tarde. – Charlys retrucou envergonhado. Lembrando-se de quando viu, por acaso, o loiro na rua, os cabelos escuros refletindo devido ao brilho da Lua, a pele clara parecendo ainda mais esbranquiçada enquanto andava pela calçada ao lado de um alto garoto de cabelos verdes. Aquela foi a primeira vez que notara o garoto daquela forma e, desde então, não conseguiu para de procura-lo pelo classe.

– Você deveria falar com o Kira logo, podem acabar virando amigos. Ai ele vai parecer menos sozinho. – Paulo disse e Sam riu, vendo que o amigo elevara a sobrancelha sem compreender.

Charlys abriu um pequeno sorriso, logo voltando a expressão neutra.

– Não tem para que eu ir incomoda-lo, só iria atrapalhar sua paz. – Murmurou calmo, dando de ombros. – Eu não conseguiria mudar nada, não sei quais os problemas dele, não sei o porquê dele ficar sozinho, isolado naquele canto. O "Kisa" deve se sentir melhor daquela forma, pode gostar.

– E por que não vai lá e pergunta ao invés de tirar conclusões precipitadas? – Sam perguntou confuso. – De nós três, você é o com maior facilidade em conversar com as pessoas, gosta de se meter em suas vidas, ajuda-las.

– Talvez eu esteja cansado de ajudar as pessoas. Cansado de meter-me onde não fui chamado. – Charlys inclinou a cabeça, observando a professora pelo canto do olho. Ela estava concentrada demais em uma pilha de papéis para saber do que eles falavam, na verdade, nem notara que continuaram ali.

Ele estava sim curioso, queria falar com ele, tentar mudar seu humor. Faze-lo sorrir... Todavia, temia se envolver, temia não conseguir mudar nada, ser apenas um fardo.

Os mais velhos arregalaram aos olhos.

– Como assim, Charlys? – O loiro foi o primeiro a indagar.

– Você não pode estar falando sério.

– Estou. O que eu ganharia indo até lá? Um novo amigo? Acho que não. – o moreno revirou os olhos, não levantou o tom, continuou a mantê-lo quase nulo. – Ele é melhor do que eu em inteligente, aparência, vocês sabem disso. Acham que ele vai querer ser meu amigo? Alguém como ele não tá nem ai para mim, provavelmente vai me mandar embora, insultar ou, simplesmente, dizer que não sou bom o suficiente para ficar com ele.

Os ouvidos de Paulo pareceram pegar fogo ao ouvir aquilo e ele levantou. Seus sapatos pisoteando com força o assoalho de madeira daquela classe, a mesa rangeu ligeiramente com o movimento. A professora olhou para o garoto exaltado, não fez ou falou nada, apenas ficou encarando-o enquanto este apontava para a cara do mais novo que, por sua vez, ficou em pé, apoiando as mãos na mesa. Para si parecia apenas uma discussãozinha de amigos, então abaixou a cabeça, voltando sua atenção as provas que precisava corrigir antes que o intervalo terminasse.

– Ah, faça-me o favor, Charlys! Não é você que fica brigando o Sam cada vez que ele julga alguém apenas pela aparência? E o que você está fazendo agora? Julgando o garoto novo da mesma forma! Olha, eu sempre defendi você e concordei contigo quando você dizia que o quê o Sam fazia era errado. Ai vem você e fica fazendo o mesmo sendo que nem conhece o garoto? – Exclamou impetuoso, apoiando suas mãos na cintura. – Eu sei que você tem medo de não te quererem por perto, de não gostarem de ti, porém só vai saber se tentar. Não é evitando que se consegue nada...

– Já tá bom. – Samuel falou nervoso, apoiando a mão no ombro do outro de forma que tentasse o acalmar. Odiava quando o amigo ficava naquele estado, normalmente era por sua causa, então surpreso e, sendo franco, um pouco desanimado em saber que aquilo não acontecia apenas por si.

Paulo respirou fundo. Mantendo a postura ereta ao máximo.

– Seus pais não vão questionar suas ações – disse com mais tranquilidade, as íris escuras de Charlys se expandiram em choque. – Vai lá, conversa com ele.

– E se não der em nada? Se ele mandar eu sair de perto? – O moreno inquiriu, pensando na ideia.

– Se o garoto te mandar embora você insiste e, se não der certo, você o deixa só, mas apenas como última opção o deixe sozinho. – Falou com mais calma, arrumando as madeixas loiras que caíra sobre sua face devido ao nervosismo. Não disse nada sobre o braço que circulou sua cintura, apenas ignorou isso como sempre fazia. – Ele provavelmente quer um amigo, pois assim não ficaria tão isolado. Seja esse amigo. Qualquer coisa, se der errado, você pode voltar para cá.

– Eu... Certo, vou tentar. – Charlys murmurou jogando sua mochila para Samuel, que a pegou antes que batesse no colega. Ele finalmente faria alguma coisa para reconfortar aquele garoto, espera que desse – Ponha no meu armário, por favor.

– Por que você mesmo não faz isso? – O jovem perguntou, ouvindo uma risada contida vim do garoto em seus braços. Pena que ele ainda não entendia o que era aquele sentimento confuso em seu ventre, que aquelas eram as borboletas que todos falavam tanto.

– Tenho alguém para fazer feliz. Não posso perder tempo. – Murmurou risonho antes de sair correndo porta a fora.

“Vai dar tudo certo... Espero”


Notas Finais


Pois é, o Charlys julgou Kisa mesmo sem achar aquilo de verdade.

Antes que venham me perguntar: Sim. O Kisa sabe que o Charlys só foi falar com ele por causa do Paulo, demoraria muito para que ele obtivesse coragem sozinho, afinal, sentia um medo incomum até para si de incomodar ao Shouta, além de sentir que não seria bom o bastante para serem amigos – mas esse pensamento mudou rapidamente.
O importante é compreender que o Lys não foi embora por opção própria, que ele insistiu não por obrigação e sim por que ficou preocupado ao vê-lo chorando. Na cabeça de Charlys quando saiu da sala, ele só iria lá e voltaria após ser expulso, mas ao ver Kisa chorando ele não pode deixa-lo sozinho, precisava faze-lo se sentir melhor, afinal alguém tão belo e jovem não deveria ficar daquela maneira, por motivo algum. O Charlys já se importava tanto com o loiro mesmo sem saber nada sobre ele, sem ver nada além de suas frágeis expressões, imagina ao vê-lo daquela forma, foi como dar-lhe uma facada, tanto por não saber o que acontecia quanto por estar demonstrando tanta tristeza.
Basicamente naquele momento que os meninos finalmente perceberam que dariam certo juntos, que a amizade poderia vim a florecer.

Ps: O Sam e o Paulo não são personagens aleatórios, já toquei em seus nomes em alguns capítulos e, com certeza, no futuro viram a ser úteis para a história, principalmente para o desenvolvimento dos protagonistas.


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