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História Você (Não) Me Odeia - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Essa capa é provisória, já encomendei outra, perdão pela minha pobre edição.
Não tem spoilers do mangá.
Essa história foi escrita em julho de 2019 para o desafio Summer Oikage Week July 2019 e o tema do primeiro dia era Mal-entendidos/Confissões.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Encontrar com Kageyama em uma festa era a última coisa que Oikawa teria esperado. Mas lá estava o garoto, parecendo desconfortável por ter que interagir com pessoas, mesmo que não estivesse nem falando com ninguém.

- Tobio-chan! - Oikawa cumprimenta, sorrindo docemente e ignorando tudo o que a garota que estava dando em cima dele estava dizendo. Ela não era tão interessante quanto ver o velho kouhai dele.

- Oikawa-san? - ele parecia surpreso também.

Oikawa quase se sentiu insultado. Claro que ele estava aqui, ele sempre era convidado para festas! Entre os dois, não era ele que era antissocial. 

- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou, ignorando o insulto que tinha vontade de dizer.

- Akane é minha prima - ele respondeu e levou um segundo para Oikawa se lembrar de que ela é a anfitriã. Isso, pelo menos, explicava o que ele estava fazendo lá, embora a ideia de Kageyama ter uma família seja estranha.

- Vem comigo - Oikawa falou alegremente e agarrou Tobio pelos braços, literalmente o arrastando para longe antes que ele tivesse tempo de protestar.

Eles pegaram uma bebida e ficaram em silêncio por alguns segundos constrangedores, antes de Oikawa começar a falar. Tobio relaxou alguns minutos depois, adorando o fato de que finalmente estava conversando com o garoto mais velho sem discutir.

Tooru também estava feliz, há algo tão diferente em conversar com Kageyama do que os outros. Ele sempre pode ver quando o garoto concordava ou não com ele. Ele também gostou de como o garoto estava olhando para ele agora, prestando tanta atenção quanto quando estão na quadra, mas não de um jeito violento. 

Ainda assim, ele se sentia de alguma forma nervoso. Ele atribuia isso ao fato de que Kageyama era surpreendentemente fácil de conversar, pelo menos com eles ignorando tópicos relacionados a voleibol.

O clima ficou pesado quando eles começaram a falar sobre isso. Oikawa não se esqueceu que aquele era o mesmo garoto responsável por tirar sua última chance de ir ao Nacional.

- Foi bom ver alguém que você odeia perder? - Oikawa perguntou, percebendo depois que ele disse isso em voz alta. Ele imaginou muitas vezes como seria derrotar Ushijima e, para ser honesto, Kageyama também (mas quando ele tinha feito isso, não tinha sido tão bom quanto ele pensava que seria).

Tobio ficou confuso. Eles estavam conversando sobre os jogos Aoba Johsai x Karasuno, mas ele não odiava ninguém lá. Então ele entendeu a que Oikawa estava se referindo.

- Eu nunca te odiei - disse Kageyama surpreso. Sim, Oikawa estava longe de ser sua pessoa favorita, mas ele nunca poderia odiá-lo.

- O quê? - disse Oikawa chocado.

Ele se lembrava muito bem do tempo em que ele quase o atacou, e o teria feito se não fosse por Iwaizumi. Naquela época, ele pensava que estava certo - como poderia aguentar estar perto de alguém tão arrogante como Kageyama? O garoto tinha tudo tão fácil, não era justo - e demorou muito tempo para reconhecer para si mesmo que estava errado. Gênio ou não, o menino era apenas uma criança tentando aprender a melhorar.

E vendo como Kageyama sempre agira diferente ao seu redor, ele tinha suposto que o garoto o odiava. Ele achou que era justo e uma parte dele não se importava, ele também não era exatamente fã de Kageyama, mas uma parte maior dele o odiava ainda mais por isso. Ele queria desesperadamente vê-lo admitindo que gostava dele.

- Na verdade... - Tobio desviou o olhar, como se não tivesse certeza de como Oikawa reagiria. - Eu te admirava - ele terminou desconfortável.

Oikawa não conseguiu conter o sorriso, essa era a melhor coisa que ele tinha ouvido.

- Você é o melhor jogador que conheço, Oikawa. Não sei... eu gosto de ver como você se concentra tanto quando joga - Tobio confessou. O que escolheu guardar para si mesmo era que ele também gostava de observar Oikawa quando ele estava fora da quadra, independentemente do que o outro fazia, ele sempre parecia tão bonito e exigente.

Ele passou tanto tempo de sua vida tentando imitar Tooru, ser melhor do que ele. Não foi fácil entender que eles sempre seriam diferentes e a única coisa que ele realmente queria era passar um tempo com ele.

- Mas não importava o que eu fizesse, não era bom o suficiente para você - acrescenta Kageyama sombriamente. Ele ainda conseguia se lembrar de como doía cada vez que Tooru o afastava, de ficar confuso por que o garoto não o aceitava.

Algo na maneira como Tobio estava, tão vulnerável, fez com que Tooru se sentisse triste. De repente, ser tão ruim com ele não era mais divertido. Ele sempre soube que conseguia irritá-lo, mas nunca pensou que fosse tanto assim. Se ele soubesse... ele provavelmente não faria isso de novo. Provavelmente é isso que o faz querer ser honesto com ele pela primeira vez.

- Como você pode dizer isso? - Oikawa falou incrédulo. A própria idéia de Kageyama não ser bom o suficiente para ele... Sempre foi ao contrário. Kageyama Tobio sempre foi o que estava destinado a brilhar entre eles.

- Tentei ganhar seu respeito, mas você me odiou - ele respondeu. Tantas horas pensando, tentando encontrar uma solução.

- Você nunca entendeu, Kageyama? - Tooru quase sussurrou as palavras, aproximando-se do garoto. - Eu nunca te odiei - ele confessou. - Eu estava com ciúmes de você.

- Ah - foi tudo o que Kageyama conseguiu dizer. Ele nunca esperou que fosse algo assim. Ele sabia que ele era um jogador muito bom, treinava tanto para isso, mas quando eles se conheceram, ele ainda era um ditador e não conseguia trabalhar em equipe. E era Oikawa Tooru que ele estava tentando impressionar, o garoto tinha padrões tão altos que ninguém jamais poderia esperar alcançar.

- É só que você nasceu com um talento que eu nunca vou ter - Oikawa falou. Ele tinha passado anos nas sombras de Ushijima e não aguentava ser a sombra de Kageyama também. Talvez isso o fizesse ser uma pessoa ruim, mas quando ele estava no time com Kageyama, ele sentiu que estava perdendo sua posição e o amor dele pelo esporte fez com que acreditasse que o único jeito de parar com isso era impedir que ele fosse tão bom quanto poderia ser. Tooru não se orgulhava disso.

- Eu não sei se eu realmente nasci com um dom - Kageyama respondeu sem jeito. - Eu tenho jogado por tanto tempo, estudado o máximo que eu pude - ele admitiu.

- Confie em mim, você nasceu - Tooru disse simplesmente, ele tinha conhecido jogadores o suficiente para saber. Kageyama tinha a única coisa que ele não tinha. - Mas agora eu sei o quão difícil também é para você - ele falou, pensando em todas as vezes que Kageyama tinha ficado até tarde, se esforçado quase tanto quanto si, quando ele tinha vindo pedir ajuda. Ele era realmente devotado ao vôlei e finalmente Oikawa tinha percebido que Kageyama também tinha medo de perder o vôlei.

- Não consigo entender porque você se sentiria com ciúmes - disse Kageyama. - Você é um jogador melhor do que eu, pode entender os jogadores de uma maneira que eu nunca vou entender. Você tem a precisão, você tem o poder. Não falta nada no seu desempenho. Você sabe que é o único jogador que tenho medo de enfrentar, certo? - ele disse, não se importando se isso fosse muito direto.

As palavras aqueceram o coração de Tooru como se estivesse curando a coisa que o estava consumindo por tanto tempo, não era como se nunca estivesse lá, mas naquele momento tudo parecia tão distante. Ele se sentiu melhor do que em anos.

- Obrigado - ele diz e se inclinou para mais perto de Tobio, efetivamente beijando suas bochechas. Ele foi recompensado com um adorável rubor e se perguntou se ele já havia beijado alguém. A curiosidade foi suficiente para fazê-lo perguntar: - Posso te beijar? - e ele não se lembrava de ter sido tão cauteloso, mas isso também valeu a pena quando Tobio fez que sim com a cabeça, depois de alguns segundos.

Honestamente, era um beijo um pouco desajeitado, mas isso não fez nenhum deles achasse ruim. Eles não esperavam nada disso quando saíram hoje à noite, mas ao mesmo tempo sempre foram atraídos um pelo outro.

O beijo não durou muito, os dois ainda sem saber o quão longe podiam ir um com o outro. Mas Tooru passou o braço em torno de Tobio, não se importando se ele parecia muito pegajoso. Ele passou muito tempo de sua vida brigando com o que sentia por ele e não iria fazer isso agora.

- Estou realmente feliz que você veio hoje - disse Tooru, suavemente.

Tobio sorriu, um sorriso de verdade e não o assustador que ele costumava mostrar. Oikawa sabia que, se ele sorrisse assim com mais frequência, conseguiria pelo menos o número de fangirls que ele tem. O pensamento fez com que ele se sentisse possessivo.

- Eu também - Tobio respondeu e então levantou a mão para tocar o cabelo do outro. Ele parou no meio do movimento, porém, sem saber se isso era algo que ele podia fazer. Naquele momento, ele sentiu o quanto não possuía habilidades de interação social.

- Pode mexer - disse Tooru simplesmente, o conhecendo bem demais para entender o que estava passando na sua cabeça.

Hesitantemente, Tobio tocou o cabelo dele e o movimento parecia mais íntimo do que o beijo, de alguma forma. O cabelo de Oikawa era tão macio quanto ele sempre tinha imaginado. Mas foi o jeito que Oikawa o olhou, sem um traço de hostilidade, que faz com que ele sentisse um frio na barriga e sem pensar no que estava fazendo, Tobio lentamente acabou com a distância entre eles.

O beijo já é melhor que o outro, porque agora eles sabem que quando terminarem, o outro ainda vai estar lá. Eles não tem pressa, aproveitando para sentirem um ao outro e o momento em que estão.



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