História Você não vê - Capítulo 11


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Categorias O Diabo Veste Prada
Personagens Andrea "Andy" Sachs, Christian Thompson, Miranda Priestly, Personagens Originais
Tags Devil Wears Prada, Mirandy, O Diabo Veste Prada, Romance
Visualizações 146
Palavras 3.405
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Demorei? Acho que não. Ok, talvez um pouco.
Miranda tem uma história tão única que sempre me deixa intrigada. Aqui ela não nasceu em 1949, como traz a obra original, as datas foram ajustadas por mim.

Mas vamos seguir porque o tempo não pára, mas envelhece e eu estou sem dormir até agora.

Capítulo 11 - Não é ele


 

Existem pessoas que são naturalmente sentimentais, dramáticas, que sentem demais e intensamente. Pessoas que se comovem com qualquer história triste, com a perda ou o fracasso, e enxergam nisso o fim do mundo. Miranda não é dessas pessoas. Nunca foi. Nem as temáticas mais delicadas são tratadas com dramaticidade por ela. É tudo uma questão de perspectiva, e tratar cada coisa com sua devida seriedade é sempre importante. Mais do que importante, é essencial. Mas estar aqui nessa casa, depois de tantos anos, trazia um bocado de lembranças que há muito ela não revisitava.

Nem sempre nós estamos preparados para relembrar algumas coisas. Às vezes somos pegos de surpresa e parece ser um solavanco que desencadeia uma enxurrada de sensações. Certamente essas paredes robustas e esse ar de passado vívido não sejam culpados por isso, mas é provável que tenham mais impacto do que o sofá de Bocote ou o abajur quebrado em cima da máquina de costura enferrujada.

É preciso aceitar o passado para entender o presente. E vice-versa. Tão importante quanto subtrair os passos do presente é calcular os passos errados do passado para não repeti-los. Colecionar as vezes em que as frustrações serviram de pontapés e aquelas em que os pontapés frustraram o decorrer dos caminhos que não deram certo. É tudo uma questão de ponto de vista.

Vindo aqui, tudo parece igual. As recordações dessa velha East End tão medieval era a pura monotonia, e todo esse tédio sempre foi inaceitável pra ela. Vendo daqui, percebe-se tão diferente.

Michael a observava, calado. Sua irmã sempre foi um enigma bom de estudar, tentar decifrar, mas também precisava de espaço até pra sentir o que tivesse de sentir. Vai até a vitrola, busca um disco específico e, quando encontra o que procurava, limpa a poeira com uma das mãos, tira da capa e sopra o resto de poeira que ainda acinzentava o preto do vinil. Algumas coisas nunca mudam. Ele tenta ajustar na vitrola que, mesmo coberta, ainda estava um pouco suja por dentro. Mas funcionava. Ele sabe bem pelas tantas vezes que já veio aqui. Funcionou. O som que ecoa é tão límpido que parece algo que já mais se conseguiria descrever. Bela explicação.

— Lembra dessa? — ele pergunta, observando-a.

— Eu tenho boa memória, você sabe — ela vai até o canto da sala, aproximando-se do irmão. Pega a capa do disco que estava em suas mãos e observa um rabisco no canto e um sorriso de canto de boca surge inadvertidamente.

— Ele escolheu bem, não foi? —  ele diz.

Ela olha pra ele como quem responde de forma silenciosa. Ele assente, entendendo o que ela queria dizer. Poucas foram as vezes em que conversaram sobre o ocorrido que levou um dos melhores amigos deles a ter de se despedir tão cedo. 

Eles foram inseparáveis durante um ano inteiro. Na verdade, era mais inseparável de Michael do que dela. Se quisesse saber onde um deles estava, era só procurar por qualquer um outro. Fora num dos aniversários pacatos de Miranda, que nunca eram de fato comemorados, já que ela tinha aversão a ter que compartilhar o mesmo espaço com quem não considerava amigo de verdade — que é bastante irônico, já que seu trabalho também consiste em conviver diariamente com pessoas pelas quais ela não nutre nada além de antipatia. Com uma exceção cheia de asteriscos que atende pelo nome de Nigel, que ela confiava mas tinha receio de aproximar-se tanto quanto antes.

—  Alan sempre teve bom gosto. —  diz num sussurro. Se não tinha pretensão de parecer emotiva, falhou um tanto. Pigarreou, limpando a garganta —  Você ainda tem o bilhete? —  pergunta com cautela.

— Está mais pra carta do que pra bilhete. Mas sim. —  aponta para as mãos dela —  Ta aí dentro —  sorri para a cara de interrogação que ela fez —  Do jeito que você deixou.

Ela abre a capa e passa o indicador na dobra do papelão. Não encontra. Chacoalha e vai para um canto mais iluminado na sala. Quando o papel cai, ela olha pro seu irmão e ele se aproxima, senta numa poltrona, mesmo coberta por lençóis velhos, e faz sinal pra que ela leia. 

Ela se mantém de pé, desdobra o papel e um suspiro é inevitável ao ver a letra de seu amigo. Passa os dedos nas marcas deixadas pela caligrafia assertiva, antes de ler em voz alta, com a mesma voz suave que lhe é característica, mas um pouco afetada.

— "Trois Sarabandes No. I, II e III (1887) à Pièces Froides, 6 Pieces pour Piano: airs à faire fuir (1897). Será que eu acertei, Mira? Acho que sim. O que seria de você se eu não te conhecesse tão bem... Estaria ouvindo uma valsa nebulosa agora, daquelas que tocam nas piores estações. Nosso querido Michael não herdou de você o gosto apurado. Sabia que ele tem guardado aquela versão grotesca de Londonderry Air americanizada? Pois bem. Não conte que te contei..." —  ela olha seu irmão com um expressão divertida.

— O quê? Danny Boy é uma bela versão, convenhamos. —  ele se defende.

— Bela versão de taberna, você quer dizer. "(...) De qualquer forma, minha querida, espero que aprecie e  leve consigo esse fervor de sensações burlescas que Satie pode causar. Não sei se você sabe, mas um dia te verei casando ao som das trois gymnopédies, e ai de quem disser que o embalo é deprimente!" —  ela riu, não dá pra definir se pela ironia ou pelo fundo de verdade mas desesperançoso. —  Certamente, um desafogo.

— Ainda dá tempo, hein?! —  ela alcança seu olhar brincalhão e ignora o comentário. - Pode ser que o quarto casamento seja inusitado.

— Esteja sentado e continue assim, esperando. —  volta seus olhos ao papel em mãos. —  "Um amigo pode sonhar em apadrinhar, não é mesmo? Eu sei, eu sei das suas vontades mas não posso deixar passar a oportunidade. Se seu irmão não fosse tão desajustado aos anseios meus, poderia ser que o que você pensa se tornasse real, mas a vida é complicada. Você bem sabe disso, não é, Mira? Nós sabemos bem. Nos conhecemos bem. Por isso mesmo é que desejo que tudo dê certo em sua vida, minha querida. Sei, de verdade, que tudo dará e que sempre haverá alguém que possa te entender. Se 'essa pessoa' por quem você desejar dividir a existência puder compreender a complexidade deliciosa que você é, será tão sortuda quanto eu, que sou teu amigo. Feliz novo outono, querida. Te guardo sempre aqui do lado esquerdo do peito, mas te mantenho acesa na memória (espero que seja mantido na sua). Com carinho, Alan."

Seus olhos balançavam numa dessas valsas estranhas banhadas por sentimentos mais estranhos ainda. Um misto de saudade —  que ela nem sabia o que era —, afeto e aconchego. Estava mais para carta do que pra bilhete. Seu amigo sempre a conheceu tão bem. A última pessoa a quem contou muitos dos seus pensamentos e segredos. Ela confiava na palavra dele, pois nunca a desapontava. Ao contrário de todos que os cercavam, que sempre se mantiveram dispostos a decepcionar. Exceto pelo dia que Alan bateu em sua porta, enquanto sua mãe estava fora e seu pai sabe-se lá onde, para comunicar que havia sido convocado para servir junto aos compatriotas.

Ele estava agitado e emocionado, mas pelo que ela conhecia em seu olhar e gesticulações, poderia dizer que havia mais desespero que qualquer outra coisa. 1972. No auge dos seus 18 anos. Ela na casa dos 15. Era difícil definir a sensação de vê-lo ir, o sentimento conflituoso que isso gerava. Tanto por saber que não era sua vontade quanto pelo medo de que não voltasse. Michael corria o risco de ser convocado também, mas era um pouco mais novo na época e ela esperava do fundo do coração que os conflitos acabassem antes disso ou que a Inglaterra se abstivesse, o que era praticamente impossível de acontecer.

Alan tinha a aparência mais franzina —  embora madura —  dos três. Sabia de suas limitações, principalmente quando sofria algum tipo de "brincadeira" de outros colegas. Sempre relevou, e reclamava quando Mira usava de seus métodos pra vingar o amigo das piadas sem graça. No fundo, estava aprimorando as maneiras de defender seu próprio irmão, caso ele precisasse. De frágil Miranda não tinha nada e sempre soube se virar muito bem fora de casa, seja em sua defesa ou na defesa dos seus. Sua história está aí para provar.

— Se todo aquele conflito tivesse acabado três anos antes... Tudo seria tão diferente! Talvez ele ainda estivesse por aqui. —  o saudosismo de seu irmão sempre a impressionara, mas ela o compreende, apesar de tudo.

—  As coisas acontecem como tem que acontecer, mesmo que até hoje eu ache um absurdo termos nos envolvido tanto numa disputa centralizada entre Estados Unidos e Vietnã. No fim, não fez sentido, ninguém ganhou nada com isso e milhares perderam a vida por nada.

— Milhões, na verdade. E o pai dele também foi. —  ele acrescenta.

— Governos incompetentes — sua voz soa consternada. — O ser humano se acha a espécie evoluída, mas é a incompetência personificada. Para os funcionários da Runway já nem cabem mais adjetivos. Eles incorporaram a incompetência com maestria.

Michael cruza as pernas, como sempre fazia quando estava a contemplar seus próprios pensamentos. Miranda faz o mesmo, já esperando suas reflexões. Hábitos que nunca mudam, não importa quanto tempo passe.

— Ele dizia que saudade é privilégio... — diz Michael.

— Esse privilégio ele certamente tem comigo.

— Disso eu sei —  ele a olha contemplativo — Mas do que mais você sente saudade?

— Se você espera que eu diga morrer de saudades de você, já desista, porque estou aqui já pensando em ir embora. - cheira e analisa as unhas.

— Seu senso de humor estranho nunca muda. —  seu balançar de cabeça diz o oposto.

— Obrigada, querido. É um prazer compartilhar. — e a ironia também não.

— Sabe, Mira, eu só te vi derrubar as armaduras duas vezes, em todos esses anos. Não te é muito comum sentir saudade. Mas será que você não poderia tentar sair um pouco mais da defensiva? — ela o encara, já com suas expressões acentuadas, e ele cuida de se fazer entender. — Calma, me entenda. Eu me arrependo, e não é nada fácil pra mim te dizer isso, mas me arrependo muito por não ter me despedido dele. E eu não quero ser clichê, longe de mim, mas... Sei lá, é como se, na época, não se encaixasse na minha cabeça o fato dele ir e talvez não voltar. Não era nem possível imaginar. Além da morte da mamãe, a dele foi a que mais me marcou. E eu te digo, das relações que já tive, de qualquer natureza, é dele que eu sinto mais falta. Antes, era como se a lembrança me tirasse o ar dos pulmões e o inverno se chegasse só em torno de mim. Durou por tanto tempo, principalmente depois que você foi embora. Um ano depois dele. Eu fiquei sozinho sem vocês.

— Mas você tinha mamãe e papai e nem aparentava sentir tudo isso. Cheguei até a achar que ele gostasse mais de você do que o contrário. — seu tom sai tão ameno quanto seu olhar.

— Não! — se apressa em dizer, mas repensa — Quer dizer, talvez ele gostasse mesmo mas isso não me tira do lugar de quem também sentia. — ele faz uma pausa e seu olhar mira em algum ponto além da porta entreaberta. — Depois veio a morte do nosso pai. Não foi tão doloroso pra mim porque ainda tinha a mamãe, mas ela ficou tão abalada, tão... Desconcertada. Parece que ela também tinha ido junto com ele. Depois percebi que foi assim que eu tinha ficado quando o destino resolveu brincar com o Alan, conosco.

— Você sempre fala em destino — revira os olhos — São fatalidades, pelo amor de deus!

— Entenda como quiser, mas é assim que me senti, e sinto, e isso não te dá o direito de julgar. Afinal, eu não te julgo.

— E porque me julgaria? Você é meu irmão e não o dono da razão. — seu tom endurece.

— Tá vendo? É disso que eu falo! Você não percebe? Ninguém é autorizado a avançar, Miranda! Eu tenho o mesmo sangue que você, o mesmo sobrenome, lembranças em comum, e nem assim você me deixa entrar! Não devia ter que falar pisando em ovos — ele desabafa, mas ainda tenta — em vão — conter alguma lágrima que ameace cair.

— Aonde você quer chegar com isso? — sua postura totalmente ereta e a temperatura diminuindo junto com sua voz não era nada confortável. Ele fica em silêncio por um tempo, procurando uma forma de se fazer entender.

— Onde eu quero chegar? Preciso chegar a algum lugar? Quero ser seu irmão de novo, mas você não deixa. Quero poder conversar, confiar em você e ter um pouco de confiança de sua parte também.

— Nós não já estamos conversando? Eu não trouxe minhas filhas pra te ver? O que mais você quer? Não estou alcançando o ponto aqui. — sua confusão é explícita.

— Eu não espero que você me conte tudo. Claro que não. Mas, Miranda... — abalado e cansado pelo peso que parecia sair de suas costas - Só nos resta um ao outro. — ele a vê franzir o cenho ainda sem dizer nada — Você tem às meninas, que são maravilhosas. Mas eu só tenho você. Sangue do meu sangue. Quantos anos não fazem que nós não temos um momento assim?

O silêncio poderia ter tomado conta do ambiente se não fossem as notas suaves que lutavam contra a tensão que se instalara ali. Miranda agora encarava um centro também de Bocote que estava à sua frente. Passou a mão no cabelo, mania que tinha quando alguma ponta de nervosismo dava as caras e ela se deixava mostrar. Ele tinha razão. De certa forma, ela sabia que ele tinha. Sempre houve uma faísca de culpa por não estar presente na vida dele, principalmente pelas tantas vezes que ele tentou manter contato e se abrir pra ela.

 Pode ser que pelas perdas constantes, ela tenha desaprendido a confiar. Sempre que esteve prestes a deixar acontecer, se decepcionava. Sua sorte é que despreza tanto esse sentimento, que se acostumou aos desapontamentos a ponto de saber usá-los a seu favor e depois descartar, e isso ela fazia com destreza.

Entretanto, uma coisa é certa: ela podia entender e concordar. A dúvida era se conseguiria mudar pelo menos esse tópico em sua vida.

— Eu não sei, Michael... — sua voz sai baixa e cortada, ela engole seco.

Ele não tira os olhos de sua irmã, não escondendo a decepção pelo que ouviu.

— Não sabe se quer nos reaproximar? — diz, no mesmo tom que ela.

— Não. Eu não sei deixar acontecer. Não sei confiar. Não consigo. E não sei se quero reaprender. — vocalizar essas frases foi mais difícil do que ela esperaria de si. E ele pareceu entender, porque o olhar de compreensão pairava em seu rosto.

— Nós podemos tentar. Não podemos? — procura seu olhar e o sustenta, implorando numa linguagem silenciosa que ela dissesse sim.

— Podemos.


Dizer que foi um alívio era o eufemismo do século. Ambos ficaram em silêncio por um tempo, imersos nos próprios pensamentos. Depois de um bom tempo, o celular de Miranda toca. Era o pai das meninas avisando que estava com elas numa livraria e que iriam demorar mais do que o previsto, mas que avisaria quando estivessem voltando.

Há horas atrás ele havia ligado pedindo pra levar as meninas para almoçar e passar a tarde com ele, já que estava de passagem em Londres. Milagrosamente, ela decidiu liberar. Poderia ter dito que não, pelas tantas vezes em que ele decepcionou as meninas faltando a compromissos com elas. Mas não seria tão vil assim — não dessa vez —, e talvez não tivesse mal em ceder uma vez perdida.

Ao desligar, encarou seu irmão pela primeira vez após minutos em silêncio.

— Sempre fomos bons em conversas silenciosas. — ele diz. Ela ri.

— Caroline e Cassidy ririam na nossa cara. — finalmente o ar estava mais leve.

— Elas são assustadoramente conectadas — era mesmo interessante a sincronia das meninas, mesmo que sejam tão diferentes entre si. Ter irmã gêmea tem suas peculiaridades. — mas vamos nos sincronizar de novo, você vai ver.

— Se você diz... Veremos.

 

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Eles estavam há quase uma hora conversando sobre amenidades, quando entram num assunto delicado. Mais delicado?

— ... Não é a mesma coisa! Ele queria e eu não. Acho que ter filhos não é pra mim. Não o amava o suficiente pra isso também. Eu sei, eu sei que você não acredita em amor romântico, mas eu sempre quis sentir isso outra vez, sabe? — ela se remexe na cadeira, aparentemente desconfortável com o assunto mas tentando não cortá-lo enquanto ele estava empolgado.

— Não, não sei — diz.

— Não acredito em você. Não é possível que você não tenha amado! Nem o Jason? — a empolgação o faz elevar o tom.

— Oh Aretha Franklin, fale mais alto que talvez a vizinhança ainda não esteja te ouvindo. — dá-lhe um olhar entediado e retoma — Não sei se amor seria o termo adequado. Provavelmente não. Deixo esse mel pra você. Mas envolveu sentimentos sim, eu me afeiçoei a ele por alguns anos, o que acabou automática e prontamente quando ele decidiu quebrar aquela velha e estúpida promessa matrimonial.

— E depois dele? Nada mais?

Ela pára pra pensar. Não tem certeza do porquê mas lembrou de alguém. Especificamente alguém de olhos e cabelos castanhos. Esse era o tipo de pensamento que não deveria existir. Que ela deveria banir. Mas infelizmente nem tudo estava sob seu controle.

— Nada — queria estar mais segura, como sempre foi, mas saiu mais incerto do que gostaria.

— Pensei que estávamos tentando nos reaproximar — ele tenta — você pode confiar, sabe disso. Eu sei que é difícil, principalmente na vida que você leva e no meio que trabalha, mas conversar com alguém é tão bom. Experimente.

— Você é muito curioso — ela sorri pra ele. Baixando a guarda? Será?

— Sempre foi minha melhor virtude, minha cara. — ajeita a gola inexistente na camisa — Vamos refazer a pergunta: Você não sentiu nada mais sincero por alguém depois do Jason? Não precisa ser amor, mas um carinho sincero, talvez?— seu tom indicava toda paciência do mundo, somada a toneladas de curiosidade.

Ela respira fundo como se tivesse indo a um confronto mortal. Que difícil isso!

Novamente seus pensamentos se inundam de lembranças esporádicas que juntas implicavam numa avalanche de informações. Quando era que isso iria acabar? Ridículo não poder controlar uma bobagem dessa. Seria tão mais simples!

— Sim. Senti. — estranho é dizer em voz alta.

— Não sente mais?

— Não sei. É mais complicado do que você pode pensar e bem mais do que eu estou disposta a explicar. E não descartaria a possibilidade de tudo ser apenas um devaneio duradouro. Uma fraqueza com data de validade. — tenta pôr fim ao assunto, mas ele insiste.

— E esse devaneio vem durando quanto tempo?

Ela se perde em seus pensamentos como quem faz as próprias contas. Na verdade ela sabe bem a resposta, mas prefere pensar na resposta que lhe seja mais definitiva e possa encerrar o assunto ali mesmo.

— Quase dois anos, mas não estou te dizendo mais nada além disso.

— E ele sabe? — a persistência pode ser uma virtude.

— Não. — ela olha pra ele como se perguntasse se ele era idiota ou o quê.

— Tá, foi uma pergunta estúpida. — ele percebe a impaciência dela — é a última pergunta, juro. Mas você não é alguém que espera acontecer, Miranda. Qualquer pessoa sabe disso. Então, por que ele não sabe? Não faz nem ideia?

Mais uma vez, ela respira fundo.

— Porque não é ele. — Oh! O olhar no rosto dele não entrega surpresa e ela própria se surpreende com isso, embora também não demonstre. — É ela.


Notas Finais


Eita! E aí?
Me contem tudo, não me escondam nada.

p.s.: um passarinho me contou que o próximo cap. trará emoções.


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