História Você não vive só - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Canibalismo, Drama, Guerra, Medieval, Original, Romance, Tragedia, Yuri
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Palavras 4.646
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Então, esse é um projeto não tão recente que está na minha cabeça a bastante tempo, vim aqui avisar que a aparência da personagem Ayri, é a mesma da Kidagash (me inspirei nela pra isso) de Atlantis, que é um filme da disney MUITO BOM POR SINAL.

Enfim, só passando pra avisar. LEIAM AS NOTAS FINAIS

Capítulo 1 - I - Uma lembrança nem tão calorosa


Fanfic / Fanfiction Você não vive só - Capítulo 1 - I - Uma lembrança nem tão calorosa

Ayri

Eu estava correndo por entre as folhas completamente animada, pulava e desviava do máximo de pedras que conseguia, cumprimentava todos de meu povo de modo veloz sem parar de saltitar pela floresta. Meu coração batia rápido, eu sentia como se a qualquer momento as batidas e os pulos pudessem o fazer saltar de meu peito pela boca, era simplesmente revigorante. O grande motivo para tudo isso? Lucio e Isabel estavam de volta a tribo depois de tanto tempo longe, faziam meses que eu não os via por aqui e sempre que ficavam muito tempo fora, voltavam com lembranças legais e novas histórias para contar.

Eu era uma criança de 7 anos comum na tribo, de pele bem morena, olhos esverdeados puxados para o castanho mel e estranhamente, cabelos extremamente brancos como todos ali. Meu pai dizia que durante um inverno rigoroso, onde muitos perderam a vida, um deus da natureza beijou a cabeça de nossa tribo, para que pudéssemos sobreviver a aquele frio intenso como os ursos de pelos brancos. Papai também dizia às vezes, que eu era a criança da guerra, por ter nascido em meio à rebelião dos escravos à quase oito anos atrás, onde minha mãe deu sua vida pelo nosso povo e apenas nossa tribo conseguiu se livrar das algemas e se manter de pé em meio a todo o derramamento de sangue.
Somos os últimos da linhagem dos Gauã todos esses anos. Morávamos em nosso território – uma floresta afastada dos reinos – apenas por causa de um tratado feito com o Rei. Nós estávamos vivos apenas por conta de um mísero papel, duas assinaturas que mantinham a paz e a calma entre nós, e o reino que havia concordado em nos proteger durante todo esse tempo.
Quando minha tribo caminhou perante as terras em chamas, o grande deserto de gelo e as estradas de pedra, meu pai se lembrou de um grande Rei que era seu amigo, e após uma longa viagem, chegamos ao território do reino de Varon, onde Hugo Varon – o rei – fez questão de nos manter a salvo com a única condição, de que cuidássemos de suas plantações, e etc.

Isabel e Lucio eram irmãos e ambos filhos do Rei, porém de mães diferentes. O que mais brincava comigo e me fazia mais companhia era Lucio, um menino gentil e protetor que tinha uns 9 anos da última vez que o vi, era baixinho para sua idade, de pele bronzeada, olhos azuis que me lembravam o oceano, cabelos de um loiro queimado  e sardas no rosto, o deixando completamente fofo, o considerava um irmão mais velho, afinal ele agia como tal sempre que estava comigo, as vezes até era engraçado, afinal eu conheci aquela floresta muito melhor que ele mesmo. Isabel era muito quieta e mais velha que nós dois, tinha uns 14 anos e diferente do irmão, tinha uma pele extremamente pálida – às vezes até semelhante à de um cadáver – cabelos longos e negros que torneavam seu rosto, olhos diferentes – Um cinza tempestuoso e um castanho – e lábios extremamente vermelhos e completamente naturais. Ela quase nunca brincava comigo mas era sempre muito gentil, também como uma irmã mais velha. Sempre que a via, estava ou com a cara em um livro, ou treinando algo diferente.  Eu também não a culpava por ser assim, Tio Hugo exigia muito dela em coisas que não faziam muito sentido para mim, como resistência e estudo das armas.

Eu corri tanto que nem percebi quando esbarrei de modo descuidado em Nora – uma curandeira – e quase saí rolando pelo mato, se não fosse é claro, por sua mão que segurava gentilmente meu braço e me mantinha ali de pé.

- Ora, ora. O que foi pequenina? – Ela me olhava e começava a ajeitar minhas roupas.

- Eles chegaram! – Me animei e joguei os cabelos brancos para trás.

- Eles?

- Lucio e Isabel!

- Ah sim, as crianças de Hugo – ela sorria como se tivesse ótimas lembranças com aquelas pessoas, e eu não duvidava nem um pouco – Fiquei sabendo que eles já chegaram e estão brincando com outras crianças, sabia?

- Mesmo?

- Não, não, estou brincando com você querida – Ela sorria – Mas tenho certeza de que logo estarão aqui.

- Eu tenho que ir então – Apavorada, comecei a correr como se não houvesse amanhã, mas na mesma corrida que fui, voltei, abraçando Nora e beijando seu rosto – Obrigado senhora

- De nada pequenina.

Novamente corria, dessa vez a vendo acenar para mim.

Pouco a frente, a cada passo que dava eu conseguia escutar o som dos cascos batendo contra o chão com violência e as rodas das carruagens reais girarem, indicando que estavam cada vez mais próximos, o que me fez correr mais rápido do que eu mesma acreditava que conseguia.
Foi como se tivesse completamente cronometrado. Assim que chegava a aldeia, podia ver a carruagem parar e o cavalo relinchar, uma espécie de porta da carruagem se abria, com um homem forte, barbudo e robusto, vestindo peles caras e joias descendo do mesmo. Era incrível como Tio Hugo e Lucio eram parecidos, a única diferença entre eles – além da idade – eram os olhos cor de mel de Hugo.
Ele descia em um só pulo colocando sua bota cara na grama e sorria, olhando em volta como quem procurava algo e assim que seus olhos paravam em mim, um sorriso enorme e elegante se abria, junto a seus braços que me chamavam para um abraço. Eu, por não ser boba nem nada, corria e pulava em seus braços, o sentindo me levantar e as peles caras pinicarem minha barriga de um jeito engraçado.

- Como você está grande Ayri! – Ele dizia me girando no ar

- Sua barba está grande. – Enfiava minhas mãos na loira felpuda

- Está tão ruim assim?

- Não, não, eu gosto – dizia deixando meus dedos ali.

Brincava mais um pouco e logo me soltava cuidadosamente para cumprimentar o resto da tribo.
Não demorava muito para que outra carruagem – dessa vez muito mais luxuosa – sendo puxava por dois alazões brancos parasse logo atrás da outra, chamando a atenção de todos. Assim que parava completamente, novamente uma porta se abria e quem saia dessa vez era uma mulher não muito alta que descia, vestida em um longo vestido azul cheio de fru fru’s, de corpo marcado e de belas curvas, cabelos castanhos quase loiros e uma cara de quem não estava muito feliz por estar ali. Ela olhava em volta aparentando nojo e colocava o sapatinho na grama, fazendo uma cara de nojo e erguendo um pouco a saia do vestido com as mãos – “nojenta” – pensei ao vê-la.
Ela era literalmente escoltada por alguns homens ali a frente, indo para o lado de Tio Hugo e virava para mim, forçando um sorriso amarelado. Eu apenas sorria de volta sem a mínima vontade, aquele tipo de pessoa me deixava agoniada e completamente desconfortável. Atrás dela, vi Lucio sair em um pulo muito animado me olhando e abrindo um sorriso, que diferente do da mulher, era completo de vida e gentileza. Ele parecia estar um pouco mais velho, mais alto também e de seus cabelos estarem cortados, apenas naquele momento, percebi a leve semelhança entre ele e a mulher, aqueles olhos e até mesmo o nariz deles. Então aquela era Maria Varon, de seios fartos, postura rígida e uma cara de vadia nojenta.

- Ayri! – Ele gritava correndo até mim e literalmente pulando no meu abraço – Que saudade

Apenas o abraçava de volta. Eu sempre achei muito engraçado e exagerado aquelas roupas que as pessoas do reino usavam, quer dizer, que desgraça era essa? Lucio usava um conjunto de calça e colete azulados com detalhes dourados - combinando com o vestido de sua mãe – deixando as mangas da camisa branca a mostra, sem falar de um lenço no pescoço e as botas da mesma cor da camisa. Só depois de abraça-lo e fazer uma longa piada sobre suas roupas engomadinhas, vi mais uma figura sair de dentro da carruagem, dessa vez, alguém que tinha vestes completamente pretas e uma espada presa à bainha da cintura. Admito que só reconheci quando a mesma virou o rosto para nós, por causa de seus olhos heterocromáticos reluzentes.
Isabel estava séria, seu rosto jovem estava rígido e os cabelos negros – que antes iam até a bunda – estavam tão curtos que a faziam parecer um príncipe.

- Olá Ayri – Ela tocava os dedos longos e gélidos em meus cabelos e fazia um carinho ali- Você está muito crescida hein?

- Eu sei – sorria orgulhosa por ela ter notado que cresci – O que você fez com seu cabelo?

- Ficou lindo não é? – Lucio literalmente pulava no lugar, nem deixando a irmã responder – Ela parece um cavaleiro!

- Eu achei mais parecido com um príncipe – Fazia língua

Ficamos alguns segundos discutindo entre “príncipe” e “cavaleiro”, até a escutar soltar uma gargalhada.

- Obrigado aos dois – a voz se sobressaía de um jeito gentil e ela logo levantava o rosto, deixando a seriedade o tomar. Tio Hugo a chamava calmamente para que pudesse à apresentar para algumas pessoas “importantes” da tribo – Tenho que ir, até logo e comportem-se

Ela sorria uma última vez e beijando minha testa e a de Lucio saia andando até o pai. Uma coisa que me fazia ter inveja de Lucio era sua irmã mais velha, eu era filha única e não tinha alguém que cuidasse de mim assim, não que eu precisasse disso, mas as vezes era realmente legal.

A tarde foi muito animada com meu amigo, fazia tempo que não brincava assim com ninguém e tenho que admitir, aquele príncipe tinha a mania de conseguir me deixar animada a todo o momento. Nós corremos por toda a floresta, tomamos banho de cachoeira, escalamos o monte do reino e até mesmo vimos Isabel colocar um alargador de madeira característico de nossa tribo, sua careta foi impagável.  
Depois de muita brincadeira, correria e um joelho ralado de Lucio, a noite estava caindo e o por do sol tornava o céu alaranjado, eu e Lu estávamos sentados em cima de uma pedra no centro do riacho encolhidos, minhas costas encostada nas dele e nossas roupas estendidas na grama, secando no resto de sol.

- Ayri – ele chamava minha atenção – Acho que vai demorar para a gente voltar...

- Como assim? – erguia uma sobrancelha

- Papai disse algo sobre uma viagem para o reino do Leste...

- Entendo... – Suspirava – Será que vai demorar mais do que essa vez?

- Acho que sim, minha irmã tem que estar pronta para se tornar rainha logo e essa viagem vai ajudar ela... Eu acho

- Ela vai ser rainha mesmo?

- SIM! – Parecia animado por falar dela – E um dia eu serei um rei.

- Acho que não...

- Idiota!

Começamos a rir e ele pareceu desconfortável com algo

- Eu queria te pedir uma coisa...- Virava para o rosto dele e via que estava completamente vermelho – Queria que quando fosse rei... ahn... er...Você fosse minha rainha

Eu corei dos pés a cabeça e o vi esconder o rosto com violência, como quem estava morrendo para dizer aquilo.

- Rainha tipo... De verdade? – Sabia que algo dizia que meus olhos estavam brilhando com a ideia de ser uma rainha. – EU QUERO MUITO!

Um sorrio se abriu de orelha a orelha e ele se virou pra mim, quando foi falar algo, fiz uma expressão de quem não queria ter visto o que viu e literalmente o chutava da pedra, fazendo caiu direto na água em um “splash”

- EI!

- VOCÊ ESTÁ PELADO! – Colocava a mão em meu rosto fazendo careta – QUE NOJINHO

- DESCULPA!!

Começamos a rir daquilo e ele me puxou para a água também, fazendo eu molhar o maldito cabelo que estava quase seco, será que esse bobo sabe como demora para secar um cabelo como o meu?!

-IDIOTA! – gritava e tentava nadar até ele, mas sabia o quanto era bom e rápido nadando, quase tanto quanto eu.

Rimos e brincamos até um barulho alto nos assustar, estava vindo diretamente da aldeia. Minha expressão ficou meio receosa e ele pareceu curioso

- O que foi isso? – Perguntei

- Um tiro...?

Nos vestimos mesmo molhados e começamos a correr em direção a aldeia. O som dos tiros agora estavam mais presentes e acompanhados de gritos apavorados, uma fumaça densa se formava em meio as árvores e eu sentia meus olhos lacrimejando. Lucio apertava forte minha mão e continuamos a correr em meio as folhas, correndo diretamente para o derramamento de sangue. Meus olhos se enchiam de lágrimas e meu coração pulava, eu via meu povo dividido entre os que lutavam, os que levavam tiros, e os que estavam ajoelhados com armas e espadas apontadas em sua direção, via mulheres jogadas contra o chão gritando, pessoas correndo, crianças como eu chorando, as ocas em chamas e a essa altura eu não conseguia me segurar, o que estavam fazendo? Por que o povo que havia se aliado a nós estava nos matando?

- Lucio! – Escutava a voz de Isabel em meio a confusão e assim que nos viramos, um homem de vestes reais desce a lamina da espada em seu rosto, a fazendo cambalear para trás.

Lucio ao meu lado apertava minha mão com força e gritava apavorado, nunca havia visto o loiro, um príncipe valente, se desfazer em tantas lágrimas. A espada de lâmina fina e longa de Isabel atravessava a cota do nobre e seu rosto estava coberto de sangue, sua expressão era de dor, ódio, parecia perdida e... Sinto meu corpo ser erguido por alguém muito maior que eu e começo a me debater, só parando quando percebo ser Tio Hugo, que disparava contra seus próprios homens para proteger a mim e seu filho.

- Papai, eu estou com medo – Dizia Lucio em meio a confusão e agarrava a perna do homem

Os sons eram altos, cada vez mais altos, cada disparo de Tio Hugo fazia meus ouvidos doerem, cada grito, cada crepitada da chama parecia estar mais quente e eu ia perdendo a consciência lentamente, sentindo as lágrimas escorrerem cuidadosamente e o medo marcar meu coração, o medo e a tristeza de ver todos que eu amo, serem mortos. A última coisa que pude enxergar, era Isabel e Maria Varon em meio a aquela confusão, ambas de espadas cruzadas e encaradas sérias, então um disparo...

 

Lucio Varon e Isabel Leonart

Aquela manhã, Lucio estava muito animado por finalmente ver Ayri de novo e fazer seu grande pedido, fazia um bom tempo que não iam visitar a tribo e ele sentia falta de sua melhor amiga, sem falar que se sentia sozinho, afinal sua mãe não pegava nem um pouco leve com sua irmã. Isabel parecia cada vez mais fechada para o mundo e ocupada com seus “deveres”, ainda mais por conta do fato de que seria a próxima rainha de Varon.

- De novo! – O grito de Maria Varon ecoava na sala quase vazia e logo em seguida o estalo do chicote de couro nos ombros de Isabel – Como podes querer se tornar uma rainha com esta concentração deplorável?

Mais uma vez, ela desferia outra chicotada na jovem, fazendo um fio de sangue escorrer. Isabel estava ajoelhada em pedrinhas pontudas que a feriam, sua expressão era completamente séria e a única coisa que a quebrava eram as lágrimas que escorriam pelos olhos heterocromáticos, causadas pelas constantes agressões seguidas.

- Não seja fraca – A mulher cuspia as palavras e se retirava da sala, deixando a jovem princesa sozinha.

Isabel sabia que a cima de tudo, não era filha de Maria, mas não entendia o porquê de tanto ódio e crueldade. Desde sempre a mãe de seu irmão a tratava assim, com nojo e desgosto, a machucava e fazia questão de rebaixa-la , isso é claro, por baixo dos tapetes, já que Lucio a via como uma espécie de “super mãe”.
A porta novamente se abria e a jovem princesa engolia o choro, temendo ser a madrasta, porém quem entrava era Hugo, com uma expressão de culpa e descontente. Os braços do homem tornam a levantar a garota com cuidado e os olhos encaravam a expressão rígida que sua filha carregava, deixando por fim, as lágrimas escorrerem pelo rosto.

- Me desculpe... – Ele dizia baixo a ajudando a se afastar daquela tortura – Por favor, apenas me desculpe.

Os cabelos curtos de Isabel estavam jogados para trás, cobertos por suor, sua expressão permanecia a mesma de minutos atrás e seus olhos heterocromáticos não tinham a vida que os de uma menina de 14 anos deveriam ter.
Hugo cuidava dos ferimentos de sua filha, como fazia e fez durante anos, os limpava, cobria e ajudava a esconder, talvez por simplesmente se sentir culpado, afinal a grande próxima rainha e sua primeira filha, era fruto de uma traição de sua parte.

...

Aquela seria a primeira vez que Maria iria com eles até a tribo. Hugo se sentia incomodado com aquilo tão repentinamente e até mesmo com o fato de que da noite para o dia, ela insistiu em ir e supostamente “conhecer” os “menos afortunados (????). Foi um enorme incômodo para muitas pessoas, porém nada podiam fazer, afinal era uma rainha, não era?
A família real saiu cedo de seu alojamento para que pudessem aproveitar ao máximo a visita, que dessa vez duraria apenas alguns dias, afinal uma viagem longa estava se aproximando. Em meio a viagem, o pequeno Lucio percebeu o quanto seu pai e irmã estavam quietos, porém nada falou, afinal sua mãe não gostava quando se preocupava “com nada”.

Depois de longas horas, com apenas Lucio falando dentro da carruagem, chegaram a tribo. Assim que sua mãe saiu, o loiro animado saltou a procura de sua amiga, e assim que a avistou, não conteve a felicidade, estava carregado de saudade da pequena indígena. À abraçou com toda a força do mundo. Isabel apenas caminhou lentamente até eles, ela havia visto Ayri crescer junto a Lucio e considerava assim como o loiro, sua irmã de sangue e alma.

Não muito tempo depois da chegada, as duas crianças sumiram em meio a mata – O que já era completamente normal – e depois de fazer os desejos de seu pai, Isabel foi matar sua real saudade.

A princesa caminhava por entre as ocas e entrava em uma em especial, cuidadosamente ajeitando a espada na cintura. O ambiente estava iluminado apenas por algumas velas, um tecido rendado estava estendido no chão e ali, ela via a garota que tanto havia a encantado. Uma jovem, aparentava ter no máximo 17 anos, vestia trajes indígenas, seus cabelos brancos longos estavam jogados sob o ombro, se sobressaindo na pele escura que aos olhos de Isabel eram maravilhosas. Os lábios carnudos da garota se abriam em um sorriso ao ver a princesa e seus olhos pareciam almejar por aquele momento.

- Ficou maravilhoso – ela se referia ao cabelo

Isabel olhava para o lado de fora tendo certeza de que ninguém a veria e entrava na oca com um sorriso estampado nos lábios. Se aproximava deixando um beijo na testa de sua amada e se sentava a sua frente, tirando a espada e o revolver da cintura.

- Demoraste – Mori suspirava – Por quê?

- Meu pai me arrastou a caça

- Para matar animais? – Ela fazia uma careta – Não entendo seu povo

- Sobrevivemos de carne querida

Um longo suspiro era dado. Uma característica dos Gauã era que viviam dos bens da terra e da floresta, eles não matavam nem um tipo de animal, nem se quer os feriam, eram crentes ao deus da floresta e acreditavam que se não machucassem os que ali habitavam, poderiam permanecer em paz com os mesmos.
Depois de uma extensa conversa de Isabel contando sobre a viagem e uma longa caminhada, onde Mori levou a amada para ter uma marca de sua tribo – Um alargador de madeira característico de guerreiros -, ambas voltaram juntas a oca.
Mori passava os dedos delicadamente pelo rosto pálido e olhava fixamente nos olhos de Isabel, desfrutando da beleza da heterocromia. O olho esquerdo de um cinza tempestuoso, como o de sua mãe, e o direito cor de mel, como o de Hugo.

- Seus olhos – Ela sussurrava – São tão belos...

Elas trocavam sorrisos gentis e se aproximavam, até seus lábios se encostarem e suas mãos se tocarem. Um beijo gentil tornava entre as duas, um pouco desajeitado no começo porém  apaixonado. Um ritmo era formado e suas línguas dançavam a música do amor, as mãos firmes de Isabel subiam para a cintura de Mori e a puxava para seu colo, e sem a mínima resistência, a indígena subia e colocava os braços em volta do pescoço da mesma, afundando as mãos nos cabelos negros. A princesa suspirava aos toques de quem amava e apertava seu bumbum cuidadosamente, não seria a primeira vez que transariam, mas para ambas, quase parecia, após tanto tempo longe dos toques carnais. Mori rebolava lentamente e suas mãos desciam dos cabelos para os seios pequenos, ela abria um botão de cada vez da jaqueta preta, a tirando cuidadosamente e carregado de sensualidade.
Assim que os olhos negros se abriam e encontravam a camisa branca manchada de sangue nos ombros, sua expressão ficava séria. Ela parava o movimento sensual e encarava aquilo, não era a primeira vez que encontrava o corpo de sua amada marcado.

- O que é isso? – Perguntava firme

- Isso...? – Ainda em êxtase, a princesa abria os olhos e percebia do que se tratava – Olha, eu acho que...

- Foi aquela vadia novamente não é?

- Mori, eu serei rainha logo – Ela suspirava cansada, não queria ter que explicar aquilo – É apenas um método de aprendizado e...

- Aprendizado?! – Mori tentava se levantar, mas as mãos firmes de Isabel não deixavam – Ela está errada Isabel...

A princesa adorava quando seu nome era dito por aquela garota.

- Eu sei, eu sei, mas pense pelo lado positivo, logo eu serei rainha, te farei minha rainha também e enfiarei aquela vadia em algum poço – Um sorriso se formava – Porém o que resta agora é aguentar.

Nada feliz com a última fase, Mori fechava a cara.

- Me solte.

- Nem pense nisso.

 Aquele sorriso de caninos afiados apaixonava Mori de todos os modos possíveis e a fazia esquecer todos os males. Novamente um beijo era depositado nos lábios da amada, porém Isabel fazia questão de descer lentamente o pescoço, dando beijos gentis que faziam todos os pelos de Mori se ouriçarem. Suas mãos subiam do bumbum empinado pelas costas, até encontrar o laço que prendia o único tecido que cobria os seios da indígena, os fazendo cair e deixar completamente a mostra e a mercê da princesa. Os olhares de Isabel eram tão intensos sob aqueles seios fartos que os bicos morenos endureciam rápido e apontavam, era colírio para os olhos da jovem. Sua boca ia de encontro com um dos seios e o beijava, abocanhando e fazendo uma massagem com a língua. Os gemidos de Mori ecoavam pela oca e suas mãos apertavam o corpo de Isabel, que tinha uma das mãos no bumbum moreno e a outra descendo por sua barriga, de encontro com a boceta quente e aconchegante da amada, a fazendo se contorcer lentamente. Isabel masturbava lentamente a intimidade de sua namorada a levando a loucura. Conhecia muito bem os pontos sensíveis de Mori.

Um barulho alto despertava as jovens daquela sensação gostosa e completamente quente, as fazendo se assustar com começo de gritos.

- Mas o que diabos é isso? – Mori levantava assustada cobrindo os seios

Isabel vestia a jaqueta novamente e juntava a espada e o revolver, que fazia questão de sempre os manter consigo.

- Você vai esperar aqui – Falava autoritária

- Nem pensar – A indígena segurava a mão da amada com força – Sou quem tu amas, não quem manda.

- Mori... Por favor eu...

- Isabel Leonart Varon! – Ela pronunciava o nome completo da princesa de modo raivoso.

Isabel suspirava vencida e caminhava para fora da oca cuidadosamente, dando de cara com o caos e o derramamento de sangue. Seus olhos se arregalavam e ela sentia a mão de Mori apertar a sua de modo desesperado, seus dedos começava a tremer e ela sabia que a amada estava derramando lágrimas. A princesa sacava a espada e virava para Mori como quem diria algo, porém antes de poder falar qualquer coisa, vê um fio de sangue descer da cabeça da jovem, os olhos cheios de lágrimas e os lábios entreabertos, uma corrente elétrica percorria todo o corpo da jovem e a adrenalina gritava dentro de si.
A boca da princesa se abre em um perfeito “O” e o corpo de quem ama se choca contra o chão desacordado, com um furo de bala na cabeça e cabelos brancos manchados de vermelho. Seu peito se enche de ódio, seus dentes trincam e como se fosse puxada para fora daquele universo, como se nada mais ali fizesse sentindo, como se nada sem Mori fizesse sentido. Ela se juntava a aquele derramamento de sangue, na tentativa falha de ajudar o povo de sua amada. A única coisa que a arrancou daquele ódio constante e a fez acordar, foi ver de relance Lucio e Ayri chorando em meio a aquele caos, ambos apavorados e sendo apagados pela multidão.

- Lucio! – ela gritava chamando sua atenção e sua visão era fechada por um homem alto, que descia a espada contra seu rosto.

O movimento foi tão rápido que ela não pode se dar o luxo nem se quer de sentir dor, apenas a lâmina gelada se chocando contra seu rosto e o sangue quente escorrendo pelo mesmo enquanto atravessava a cota do homem nobre com sua espada. Ao olhar novamente para a direção das crianças, vê Hugo com Ayri no colo e Lucio ao seu lado, atirando contra seus próprios homens.

- Ora, ora – Uma voz nojenta e desprezível enche os ouvidos de Isabel – Não achei que Hugo realmente fosse tão burro

A princesa desferia um golpe com a espada que era bloqueado com um pouco de dificuldade por Maria, as fazendo ficar de armas cruzadas.

- Você começou isso?!

- Ficará uma cicatriz horrorosa – Ignorava a pergunta da jovem – Se sobreviver, é claro.

- Fraca.

Maria não entendia o que a garota havia dito, tinha lhe chamado de fraca?! Isabel puxava o revolver da cintura e o apontava para a testa da mulher que por tanto tempo a machucou, a mal tratou, e sem remorso nenhum, puxava o gatilho, em um tiro perfeito de curta distância.
Mori era a única coisa que tomava sua cabeça naquele momento e com calma, em meio ao caos e aos homens perplexos pela cena, caminhava até o corpo de quem amava, se ajoelhando e sentindo as lágrimas correrem soltas, fazendo o ferimento no olho esquerdo arder, mesmo que não fosse dor alguma comparado ao oco que tinha em seu peito.

Depois daquilo, Ayri e Lucio foram levados por Hugo para o castelo, o caso da tribo acabou tendo uma grande repercussão e iniciando um grande problema para o Rei, que foi obrigado a dar a jovem criança indígena para que suas empregadas a criassem e fizessem dela, uma menina “digna” de estar ali, o que era uma besteira cabulosa na cabeça do homem e seu filho.
Isabel foi mandada para o reino do Norte, para ser criada corretamente e ser punida por seus crimes, que incluíam assassinato e revolta a família real, afinal, continuava sendo a sucessora do trono.
Hugo permaneceu em seu castelo para que colocasse ordem em tudo e ficasse de olho em seu príncipe e Ayri, para que não se enfiasse em confusão, o homem se sentia em débito com o pai, agora morto, que a criou.

Aquele dia ficou marcado na história, onde uma tribo foi dizimada, uma rainha foi assassinada e uma princesa perdeu seu amor.


Notas Finais


E aí? Algo a declarar? Deu bastante trabalho pra montar isso então sei lá ksks se quiser comentar é nós, se não quiser, paciência :,) Não esqueça de favoritar e é isto, até a próxima.


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