História Você o Ama, Não É? -Imagine Kim Taehyung (V) BTS - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Kim Taehyung (V)
Tags Bangtan Boys (BTS), Imagine, Kim Taehyung, Taehyung
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Palavras 3.855
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Gosto bastante desse capítulo, por mais que isso soe narcisista. Espero que você goste também. Boa leitura!

Capítulo 4 - A Voz do Trovão


Fanfic / Fanfiction Você o Ama, Não É? -Imagine Kim Taehyung (V) BTS - Capítulo 4 - A Voz do Trovão

Lorine

  Os dias se passam, eu e Taehyung estamos cada vez mais próximos. Mas, finalmente, é dia da festinha do Baekhyun.

  –Bom dia, meu amor. –Dou um beijo no nariz de Baekhyun. –Você é lindo. Te amo.

  Ele ri e abre os olhos com dificuldade.

  –Bom dia, Lorine. –Ele beija minha bochecha. –Hoje vamos ter um dia incrível!

  Sorrio por conta do beijinho de Baekhyun. Ele é meu amorzinho.

  Levantamos-nos e nos arrumamos. Baekhyun estava perfeito como sempre.

  –Lorinezinha do meu coração, vou sair e voltarei na hora da festa com meus amigos, ok? –Ele me dá um selinho.

  Sento-me no sofá e suspiro. Como eu amo esse homem!

  –Baek... Eu chamei um amigo pra festa.

  –Amigo? –Ele arqueia a sobrancelha. –Quem?

  –Kim Taehyung. –Falo calma. –Ele é legal, prometo.

  –Onde você conheceu esse maluco? –Baekhyun ri.

  –Na pracinha...

  –Quando?

  –Há... três semanas, um pouco mais talvez... –Rio de nervoso.

  –Lorine... você é ingênua. –Ele bufa nervoso. –Esse cara deve ser algum ladrão!

  –Ele não é! Eu juro. –Seguro nas mãos de Baekhyun.

  –Eu vou ficar de olho nesse idiota na festa. –Baekhyun me olha sério.

  –Aliás, Baek... –Tento mudar de assunto. –Você gosta de heróis, não gosta? Que tal um filme amanhã à noite?

  –Acho que vou sair com meus amigos amanhã também. –Ele se desvencilha de minhas mãos. –Eu vou indo, ok? Vamos comprar cerveja, comida e coisas assim. –O menino dá de ombros e sai de casa, mas não sem antes me dar um selinho.

  Eu deveria começar a trabalhar em alguma clínica. Os domicílios me sustentam muito bem, mas é tão solitário ficar aqui. Dou uma olhada em meu caderninho de afazeres. Ah, comprar comida para meus peixinhos. Particularmente, pra mim, eles são uma das melhores coisas dessa casa. O grande aquário do quarto que é iluminado por uma luz azul e peixes coloridos é realmente charmoso.

  Prendo presilhas pretas básicas em meu cabelo e passo um pouco de batom. Coloco uma bolsinha vermelha pequena para guardar meu dinheiro e saio contente. Talvez eu até compre um peixinho a mais.

  Paro na frente do pet shop Filhos Animais. É perto da pracinha, Taehyung deve trabalhar aqui. Eu nunca notei os trabalhadores, mas hoje vou prestar atenção para ver se não encontro meu companheiro de pracinha. Saio do carro e dou uma olhada no grande pet shop. Um aglomerado de garotas está conversando e rindo alto no canto próximo aos aquários.

  Selecionando cuidadosamente qual peixe entraria para minha família, dou uma olhada também no grupo perto de mim, que ria tão alto que começava a ficar irritante.

  –Você é tão esperto! Pare com essa piada de não ter namorada! –Uma morena de cabelos lisos e longos diz com uma voz fina forçada.

  –Não é piada, moça. –Essa voz. Taehyung. –Ahn... Purina também é uma boa marca de ração. Seu cachorro é filhote, certo?

  –O meu também é filhote! É um chihuahua! –Uma loira de olhos verdes e cabelo encaracolado tenta chamar a atenção do menino, colocando a mão em seu ombro.

  –Ah, sim. Ambos são pequenos, vocês poderiam levar essas aqui, senhoritas. –Ele sorri e pega dois sacos médios de ração e mostra para as garotas, que pegam os sacos, mas não deixam seu lado enquanto ele atende outra cliente morena. São praticamente seis garotas fazendo fila para serem atendidas por ele.

  Só saio do transe quando ouço um cachorro latir, provavelmente no setor de tosa. Tosa... Taehyung não disse ser tosador? O que faz aqui, atendendo essas... loucas? Não importa.

  Ainda indecisa por causa dos peixinhos, decido pegar a ração primeiro. Escolho o potinho mais bonito e fico na ponta dos pés para pegá-lo. Droga... Decidida a não pedir ajuda, mais por vergonha do que por orgulho, dou pulos baixos, tentando ser discreta. Essa merda tá impossível.

  –Lori. –Me viro e dou de cara com o avental de Taehyung, batendo o nariz de leve em seu peito. –É isso que você quer? Olha, eu te recomendaria essa aqui... –O garoto pega outra ração. –É um pouco mais cara, mas muito melhor do que a que você estava tentando pegar. –O menino sorri quadrado.

  Ainda sem acreditar, olho praquele Taehyung, rodeado de garotas, profissional e simpático. O sorriso inocente dele se torna em algo quente em uma fração de segundos. Seus olhos se estreitam e ele me olha como uma presa que acabou de ser pega em uma rede.

  –O que foi? Você nunca me olhou desse jeito. –Até sua risada soa sensual com esse olhar de lince faminto. –Precisa de mais alguma coisa?

  As garotas ao meu redor – ao redor de Taehyung – soltam suspiros exasperados. É realmente inacreditável que uma preciosidade dessas esteja dando mole por aí.

  –Eu queria levar um peixe. –Tentei deixar a voz firme, mas ela sai quase como um sussurro. –Mas acho que você tem mais pessoas pra atender.

  –Lori. –Ele sorri, de volta com seu olhar inocente de uma criança que ganha um doce. –Você sempre vai estar em primeiro lugar na minha lista de prioridades. –Ele beija minha mão, me fazendo rir.

  Olho para as garotas ao meu redor. Algumas parecem tristes e desapontadas, outras me olham com fúria e desdém. Acham que eu vou roubar “seu” Taehyung. Eu riria se não estivesse tão nervosa.

  Nós vamos até o aquário e tento forçar minha mente a escolher rapidamente, mas, infelizmente, eu pioro sob pressão. Eu consigo sentir a presença do corpo quente do menino logo atrás de mim. Muito próximo. Aguardando.

  –Me ajude. Qual você prefere?  –Suspiro e me viro, dando de cara com seu peito novamente.

  –Que tal o Epalzeorhyncos bicolor? –Ele se curva, deixando nossos rostos próximos. Sinto meu corpo inteiro enrijecer.

  –Você tá falando em grego?

  –O tubarão-de-cauda-vermelha, Lori. –Ele se vira para mim. Posso sentir seu olhar. Não me viro, ou isso acabaria em um beijo.

  –Eu tenho um, é um pouco menor que esse. –Me aproximo do aquário, fingindo analisá-lo. Eu só estava tensa demais tão próxima do menino. –Mas vou levar. O Tuba terá um novo amigo.

  –E qual será o nome dele? –Taehyung pergunta enquanto pega o peixe  com a redinha.

  –Tubinha, óbvio.

  –Ele não é maior?

  –Eu não gosto muito dessa coisa de lógica.

  O menino sorri. Nem parece o garoto quente que me deixou nervosa há alguns minutos atrás.

  Taehyung me entrega o saquinho com o peixe e, assim que saio, outra garota implora por sua atenção. Pago a ração e Tubinha. Ouço Taehyung gritar enquanto eu entro no carro:

  –Te vejo hoje à noite, Lori!

  As garotas devem estar possessas imaginando o que deve acontecer em nosso encontro. É impossível não rir. O garoto sensível, solteiro, criança e bobo é na verdade o príncipe do pet shop. Quando me preparo para partir, alguém bate no vidro. A Garota Morena “A”.

  –Me desculpe te incomodar, mas... –Não sei se a menina está irritada ou se seu rosto está contorcido por causa do sol forte. –qual é sua relação com Taehyung?

  –Somos amigos.

  A menina arqueia a sobrancelha, parecendo não acreditar.

  –Sou casada. –Mostro a aliança. –E não é com Taehyung.

  Posso ver um indicio de sorriso no rosto da menina. Ela fica fofa sorrindo.

*’*’*’*’*’*’*’*

  Sento-me num canto da sala. Não aguento mais cumprimentar convidados! Talvez, se eu ficar escondidinha aqui, ninguém me note. Tomo meu suco discretamente, evitando contato visual.

  –E aí, gata? Tá sozinha? –Um garoto com cheiro insuportável de álcool se senta ao meu lado, ficando próximo demais.

  Vejo Baekhyun passar e aproveito a situação.

  –Baekhyun! –Grito, por conta da música alta, e olho para ele com olhos desesperados por salvação, quando o menino fedido passa seu braço pelo meu pescoço.

  Baekhyun franze a testa e se vira de costas, voltando a falar com seus amigos.

  –Não vai responder? Vou considerar isso como um sim. –O bêbado aproxima seu rosto e, ouvindo a campainha, levanto-me/fujo rapidamente.

  –Eu atendo, amor! –Grito, mas Baekhyun parece não ouvir. Não importa, pelo menos me livrei daquele zumbi.

  Quando abro a porta, penso no que Taehyung disse quando nos vimos pela segunda vez: “Minha vó diria que é destino”. O garotinho que toma sorvete de milho ou mesmo o príncipe do pet shop parece distante agora. Ele está vestido elegantemente, diferente de todos os outros da festa, um estilo retrô. Agora, ele é apenas um homem elegante, um adulto sem preocupações e que facilmente poderia ter a garota que quisesse.

  –Há algum problema contigo hoje, veterinária? –Ele debocha. –Olha para mim como se eu fosse algum ser mítico.

  –Talvez porque você esteja parecendo um deus grego. –Cruzo os braços. –Você se impressionou com a minha casa, mas aposto que essa sua roupinha não foi nada barata também.

  –Comprei no brechó. Só foi preciso alguns reparos de vovó e tcharam! –Diz orgulhoso.

  Arrasto o menino para onde estava sentada antes, mas a mesa estava ocupada. Eu disse para Baekhyun que tantos convidados seriam uma má ideia...

  –Algum problema em sentar no chão, príncipe encantado? –Sorrio.

  –Nenhum. –Ele se senta e observa as pessoas que passam. Sua expressão é ilegível.

  –O que achou?

  –Não gosto de festas. –Taehyung diz seco. –Todo mundo começa a feder e gritar.

  –Também não gosto, mas meu marido ama e... você sabe, gosto de agradá-lo. –Suspiro. –Obrigada por vir. Você é meu único amigo e eu gosto muito de você.

  –Sei que gosta. –Ele olha para baixo. –Aliás, Lori... –Taehyung me olha de canto. Sinto como se as três versões dele se misturassem. –Você está linda. Você sempre está linda, na verdade. Mas... você fica bem com esse vestido, está parecendo um cupcake azul.

  –Isso é um elogio?

  –Cupcakes azuis são os melhores. –Diz convicto.

  –E você está parecendo um... lustre.

  –Nossa, nem todos os elogios que já recebi no pet shop juntos conseguem valer esse. –Taehyung esfrega sua cabeça carinhosamente em meu ombro, como um gatinho.

  –Não consigo entender sua mudança repentina. Uma hora você é essa criança fofa, noutra, você é um cara elegante e, do nada, sexy. Kim Taehyung, você é o combo completo. Seu... McLanche Feliz.

  –Pera, você me acha sexy? –Ele me olha de canto com um sorriso nada inocente. –Bom saber disso, dona Byun Lorine.

  Sem pensar muito, dou um beijo suave, mas longo, na bochecha do menino. Sua pele é quente e ele tem um cheiro gostoso de madeira e jasmim.

  Suas bochechas ficam avermelhadas e seu sorriso sexy some, fazendo Taehyung parecer uma criança boba.

  –O que foi isso? –Balbucia tímido.

  –Sei lá, você só é tão adorável que tenho vontade de te guardar num pote e proteger.

  –Lori, eu sou mais alto do que você e provavelmente mais velho.

  –Você é um neném.

  –Nossa, você fala essas coisas do nada. –Ele fala, ainda meio envergonhado, fazendo-me rir. Espero nunca me esquecer dessa cena.

  –Taehyung, eu nunca dancei em uma festa.

  –Nossa, você fala isso do nada também. –Ele me olha desconfiado. Sim, eu não paro de falar as coisas do nada, ele terá que se acostumar.

  –Dance comigo.

  –Você bebeu? –Taehyung ri.

  –Eu não bebo. –Tento parecer ofendida. –Você acha tão repugnante assim a ideia de dançar comigo?

  –Não, mas... seu marido está aqui e... eu não sei dançar.

  –Baekhyun não liga. –Quem dera ele ligasse... –E eu também não sei dançar. Eu nunca dancei algo que não fosse valsa.

  –Você dança valsa, é? Gostei. –Seu sorriso é reconfortante, como se dissesse “Estou orgulhoso de você”.

  –Eu danço valsa sozinha como uma louca. –Rio. –É nisso que resulta ler muitos romances de época. –Eu deveria estar envergonhada, mas isso parece apenas uma simples piada quando conto para Taehyung. –Ei, vamos? Hora de pagar mico em dupla. –Levanto e estendo a mão para o garoto, para ajudá-lo a se levantar.

  Ele pega em  minha mão e, com certo esforço, levanto-o.

  Arrasto Taehyung para o meio da sala lotada de pessoas suadas dançando e peço para que ele espere um pouco.

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Taehyung

  Lorine some em meio a multidão, me deixando no meio de... uh, humanos fedidos.

  –Oi... –Uma garota de cabelos loiros encaracolados morde o lábio. –Você é bem gato.

  Me seguro para não rir. A garota está descabelada e cheira a vodka. Não sou exigente, mas isso...

  –Taehyung. –Lorine finalmente aparece e segura meu pulso. A menina loira sai, envergonhada. Sinto um pouco de pena.  –Hora de arrasar. O DJ tinha algumas promoções nas vacinas.

  De repente, uma música impossível de não reconhecer começa a tocar tão alto que mal posso ouvir meus próprios pensamentos. A abertura de Pokémon Jhoto.

  –LORINE, FOI VOCÊ? –Ouço um homem gritar tão alto que provavelmente ficará rouco depois. –QUE MERDA É ESSA?

  A garota ri e, sem se importar, pega em minhas mãos e se remexe, mexendo os braços, as pernas, a cintura e fazendo movimentos fofos com a cabeça, de um lado para o outro. Diante da animação de Lorine, me solto aos poucos. Ela não quebra o contato visual durante a dança e, de tão concentrado em seus olhos, me esqueço do que acontece em volta. Somos apenas eu, ela e o mundo Pokémon.

  A menina me gira, esbarrando em algumas pessoas sem se importar. Sinto como se estivesse bêbado, mas com os sentimentos completamente sóbrios. Os olhos dela brilham como nunca havia visto e seu sorriso é tão alegre que ela ri de vez em quando. Ela consegue fazer com que eu me divirta dançando em uma festa.

  –Eu estou tão apaixonado por você. –Falo sem elevar a voz. Lorine, sem escutar, franze o cenho, mas não tira o sorriso do rosto. –Espero que saiba. E nossa, que sorriso. Eu quero me afogar em você. Eu não estou só apaixonado, eu te amo loucamente. –Rio, fingindo jogar no ar palavras sem importância. Palavras que não serão ouvidas. Mesmo se a música parasse, não seriam ouvidas.

  A menina, sem entender nada, dá de ombros e, quando a música acaba, dando lugar a uma eletrônica, me abraça rindo. Ela fica na ponta dos pés e sussurra em meu ouvido:

  –Você fez com que hoje fosse o dia mais divertido de todos. Obrigada de novo.

  Mordo meu lábio inferior, sentindo meus olhos ficarem molhados. Tudo que eu quero é beijá-la e levá-la para bem longe dessa podridão que chamam de festa. Quero dançar aberturas de Pokémon com ela até nossas pernas doerem. Quero sorrir até minhas bochechas ficarem doloridas, como hoje. Quero cuidar dela e proteger essa doçura que existe em cada sorriso.

  Eu estou amando agora. Como eu amo. Ah, como eu amo... Eu a amo.

  –Lori... –Pego em sua mão.

  Seus dedos longos são marcados por arranhões. Talvez de gatos. Esperado de uma veterinária. As pontas de seus dedos estão todas machucadas e vermelhas. Ela deve arrancar as pelinhas. A garota percebe meu olhar em sua mão e a fecha, escondendo seus dedos. Lorine murmura algo, mas não consigo ouvir por conta do barulho. Aproximo meu ouvido de sua boca e ela repete:

  –Não gosto que olhem para os meus dedos. Estão lascados. –Diz séria.

  Rio baixo. Suas mãos são lindas, assim como seus dedos. Com ou sem machucado.

  Pego sua mão novamente e a abro com cuidado, embora Lorine faça uma careta. Beijo cada um de seus dedos com suavidade e demoradamente. Olho para a garota. Ela sorri e seus olhos estão lacrimejando. Ela puxa a manga de minha camisa, para que eu me abaixe, e diz em meu ouvido:

  –Às vezes até parece que você me ama mais do que meu próprio marido. –Ela ri.

  –Eu... –Queria dizer que de fato a amo mais do que ele. Mais do que qualquer um. –acho que você merece mais.

  De repente, todos começam a gritar e se amontoar em um canto da festa, próximo à mesa onde são distribuídas as bebidas. Curiosa, Lorine me arrasta até o meio das pessoas fedendo a álcool.

  –Eu realmente amo você! Desde sempre! –Um homem grita, extremamente bêbado. É difícil entender o que diz, embora sua voz seja alta, por causa do efeito das bebidas.

  –Nossa, o que está acontecendo? –Pergunto no ouvido de Lorine.

  –Baekhyun. Esse é meu marido, o Baekhyun. –Lorine engole em seco e assiste a cena paralisada e séria. Só percebo agora que ela aperta muito forte meu pulso.

  –Baekhyun, pare. –A garota loira parece um pouco mais controlada do que o homem. O marido de Lorine. –Você está bêbado, pare. Você é casado. Você não pode...

  –Eu posso! Eu amo só você, Annie... –Baekhyun parece implorar. –Lorine... Ela foi apenas uma distração. Pensei que com o casamento eu finalmente esqueceria meus sentimentos por você. Eu gosto dela, mas eu amo você.

  A música ficou mais baixa. Talvez até o DJ esteja interessado na confusão.

  –Baekhyun, você ama Lorine. –A garota insiste. –Você vai se arrepender, Baek...

  –Amor... –Lorine se aproxima do menino sorrindo, embora seus olhos lacrimejantes a traiam. –Quer deitar? Você não parece estar bem.

  –Não! –Ele empurra o braço da menina de um modo infantil. –Sai!

  Lorine se afasta de Baekhyun em um gesto mecânico. Ela sorri e se espreme no meio das pessoas que a observam curiosas. Segura novamente meu pulso e me puxa até o quintal. A menina fecha a porta de vidro atrás de nós, abafando o som.

  Ela me encara e, por um momento, me desespero por não saber o que fazer.

  –Taehyung. –Seu sorriso se torna desfigurado  e ela limpa algumas lágrimas do canto de seus olhos. –Taehyung... –Ela abre os braços e, sem hesitar, agarro-a forte, não deixando nenhum espaço entre nós. –Taehyung. –Lorine suspira e força um sorriso. –Vamos esquecer isso. Dance comigo.

  Ela pega em minha mão e em meu braço. Valsa.

  –O que quer dançar, my lady?

  –Cante algo. Pode ser o que você quiser. –É notável seu esforço para manter a voz neutra, mas ainda é possível sentir fortes vestígios de tristeza em seu tom.

  –Que tal... Say You Won’t Let Go? –Sorrio. –Me lembra de você e aprendi a cantar recentemente.

  –Ótimo. –Ela suspira e cola nossos corpos, apoiando sua cabeça em meu peito. Faço carinho em sua cintura, tentando mantê-la na realidade, para que sua mente não fuja para nenhum lugar ruim.

“Eu já sabia que te amava

Mas você jamais saberia

Porque eu fiquei na boa quando eu estava com medo de te deixar ir

Eu sei que eu precisava de você

Mas eu nunca demonstrei

Mas eu quero ficar com você

Até que nós fiquemos grisalhos e velhos

Apenas diga que você não vai embora

Apenas diga que você não vai embora

–Say You Won’t Let Go, James Arthur”

  Nossa valsa é quase imóvel. É como um abraço cantado. Ao invés de me concentrar nos passos, me concentro em manter a respiração estável para não incomodar Lorine, que está com a cabeça apoiada em meu peito, e em fazer carinho em sua cintura. A menina aperta meu braço de leve.

  É como segurar uma pequena nuvem. Não quero desmanchá-la, mas não quero deixá-la ir. O Baekhyun não sabe a sorte que tem. Quantas vezes minha vó já não me ouviu descrever seus cabelos ondulados? Ou seus dedos delicados e cheios de calos? E, em especial, seus olhos esperançosos.

  Eu posso ver a luz nela. É uma pena que ela viva na escuridão. Meu coração pede por mais, pede por ela, pede por sua felicidade. Enquanto ela pede apenas por Baekhyun, quem pede por outra pessoa.

  Sinto pingos caírem em meu rosto. Lorine também levanta seu olhar para o céu. Seus olhos refletem a escuridão e a devolvem para a paisagem como um flash de luz. Minha avó pergunta: “Como você vê tanta luz em olhos pretos?”, mas apenas conhecendo-a para entender.

  Logo, uma chuva não muito forte começa a cair. Lorine sorri. Ela parece gostar disso. Em contraste com meu pulinho de susto por conta de um trovão, a menina ri alegremente ao olhar o flash de luz cortando os céus.

  –Eu amo raios. –Diz sem olhar pra mim. –São umas das coisas mais lindas que eu já vi.

  –Mas você é tão... –Passo a mão por seus cabelos molhados, sentindo as macias ondinhas acariciarem meus dedos. –tão frágil. Mas sim, ao mesmo tempo tão forte, minha pequena. –Minha.

  –Pequena? –Lori ri. –Eu sempre quis ser chamada assim. É fofo e carinhoso.

  De repente, a porta é aberta brutamente. Baekhyun.

  –Vá, Baek. Diga. –Annie dá um tapa no braço do menino que, nervoso, faz biquinho.

  –Desculpa, Lorine. –Ele resmunga. –E... –O garoto olha para mim. –Você... Você não é o moleque da velha porca? –Baekhyun ri alto.

  Velha porca. Bem que eu senti que o conhecia de algum lugar.

  Ouço risadas altas vindas da varanda e resolvo dar uma checada em vovó, quem está vendendo seus deliciosos bolos. Um grupo de adolescentes mostra para ela um bolo... Um bolo dela.

  –Sua velha porca! –Uma morena de cabelos curtos ri alto. –Eu não como isso nem em um milhão de anos!

  –Eu disse... Nem ao menos tenho cabelo loiro...

  –Então foi quem? Eu? –Uma garota loira pergunta brava.

  –Eu posso fazer outro, se quiserem... Já devolvi o dinheiro, então, pelo menos isso... Para que saibam que meus bolos são bons. –Vovó diz docemente.

  –Nunca mais vou voltar aqui se for pra comprar uma merda dessas. –O garoto, quem parece ser o mais novo, joga o bolo de abacaxi no balcão, derrubando vários outros bolos. –Você tem sorte de ainda conseguir vender essas  porcarias, sua velha porca.

  –Parem! –Interfiro. Sei muito bem da qualidade dos bolos de minha vó.

  –Seu cãozinho? –O menino ri.

  –Vou ligar pra polícia! –Falo nervoso.

  Eles riem e saem  como se nada houvesse acontecido. Estou tremendo. Não sei se é de medo, raiva ou tristeza.

  Minha vó chorou muito naquela tarde, quando decidiu que fazer bolos não era a área dela, muito embora ela fosse ótima no que fazia.

  –Você estragou uma das coisas que minha vó mais gostava de fazer! –Grito, mais chateado do que nervoso. –Vocês armaram para vovó.

  –Vovó! –Ele ri. –Esse garotinho... Aquilo foi uma brincadeira, eu era adolescente, tinha que aproveitar. –Baekhyun estampa um sorriso irritante. –Sua vó pode não ser porca, mas ela tem cara, não tem? Aquele focinho de javali.

  Sinto meus olhos marejarem. Minhas mãos estão tremendo. Assim como naquele dia. Sou apenas um garoto covarde. O que importa é que eu sei: minha vó é uma pessoa maravilhosa.

  –Baekhyun! –Lorine grita, com a voz meio abafada por um trovão alto. –Retire. Retire agora o que disse sobre a avó de Taehyung! –Sua voz agora é o próprio trovão. Nunca vi a menina brava desse jeito.

  –Eu me rebaixei e pedi desculpas a você e você ainda acha que tem o direito de gritar assim comigo? Eu só estou brincando com esse babaca. Ele não é o atendente de um pet shop por aí? Esse garoto é um lixinho, não merece nossa atenção.

  A garota se coloca em minha frente, como se formasse uma barreira entre Baekhyun e eu. Ela levanta a cabeça e olha nos olhos do menino, determinada. Os relâmpagos iluminam a menina e refletem o brilho de seu vestido, dando-lhe uma aparência angelical.

  As palavras que vêm a seguir são quase inacreditáveis, vindas de Lorine para Baekhyun.


Notas Finais


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