História Você quer fugir comigo, Mattie? - Capítulo 1


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Palavras 1.565
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oilá diamantezinhos da tia tudo bem com vcs? Até q enfim sexta uhhh

Já estamos no 6º dia em, q doidera. Mas até q passou rápido, to me divertindo bastante.

Segundo o site indicado pelo tumblr da prucanweek amarílis significa orgulho. Dei uma pesquisada no google, e pode significar tbm angustia e tristeza pela perda da pessoa amada.

Dia 6 (11/10): Careers/Future | Amaryllis (Carreiras / Futuro | Amarílis)

Capítulo 1 - Capítulo Único


Gilbert tinha jurado pra si mesmo que nunca mais voltaria pra essa cidade, que iria superar, trabalhar duro e fazer uma nova vida. E ele fez. Foi difícil, mas ele conseguiu e superou todas as expectativas. Onze anos depois, Gilbert morava num apartamento legal, tinha bons amigos que o amavam, o emprego dos seus sonhos, mas a pergunta estava lá, e não o deixava seguir em frente.

Ele esperava de baixo da mesma arvore da sua adolescência, tão nervoso quanto antes, ansioso e feliz. Na mão tinha uma amarílis, que roubou sem motivo aparente de um quintal, enquanto caminhava pra cá. Gilbert pensou em tirar as pétalas no famoso "bem ou mal me quer", mas era tão bonito, que ele não teve coragem, então ficou girando o caule entre os dedos, como uma forma de liberar a tenção.

Logo escutou o latido, e um cachorrinho de porte médio, que mais parecia um urso polar, cheirou a sua mão apoiada no joelho, lambendo em seguida. Gilbert acariciou entre as suas orelhas, o dono apareceu logo depois:

— Você veio — ele se levantou com um sorriso, limpando a calça com a mão desocupada.

— Vim pra dizer o quanto isso é um absurdo — falou o outro homem, vestido com um moletom vermelho e gasto, o seu preferido.

Matthew usou esse mesmo moletom, quando a doze anos atrás, eles deram o primeiro beijo, exatamente debaixo dessa arvore. Eles conversavam depois do horário da escola, desde que começaram o ensino medio, e Gilbert se via ansioso por cada encontro, até proporem de se ver a noite de baixo da arvore. Se sentavam juntos e apreciavam a noite, as estrelas e os grilos. Cada dia Matthew se sentava mais perto, então veio os esbarrões, os toques, primeiro acidentais, depois se tornando propositais. Eles viviam em uma cidade pequena e conservadora, era impossível expressarem seus sentimentos livremente, mas o faziam quando estavam sozinhos:

— Por que um absurdo, é só uma pergunta? — disse Gilbert se aproximando.

— Uma pergunta — Matthew exclamou indignado. — "Você quer fugir comigo, Mattie?"

— Viu, só uma pergunta.

— Gilbert, eu tenho um emprego, uma noiva, isso não é...

— Eu sei, eu sei do seu emprego estável e do seu futuro casamento feliz. Não precisa jogar na minha cara — Gilbert falou chateado. — Essa não é a questão.

— Essa não é a questão? — Matthew ri incrédulo. — Você vai embora, e depois de onze anos você volta me pedindo pra ir com você.

— Eu não fui embora, me expulsaram — ele suspirou, mexendo a flor nervoso. — Não te contaram?

— Todo mundo sabe da história — Matthew desviou os olhos, sua atenção indo pro cachorro que latia pra nada em particular. — Kuma, não.

— E mesmo assim você me culpa? — o albino pergunta indignado, chamando a atenção pra si de novo.

— Se você queria tanto que eu fosse com você, então..., então por que você não me pediu a onze anos atrás — Matthew o questionou, nervoso.

— Não fazia sentido te tirar de casa, a sua família ama você, te acolheria sem problemas — Gilbert se justificou. — Éramos apenas crianças, ninguém merece isso.

— Mesmo assim, você ainda deveria ter ido pra casa — Matthew insistiu. — Meus pais teriam te acolhido.

— Isso é passado, não tem  como mudar — ele deu de ombros, indo na direção do cachorro. Se abaixou e começou a acaricia-lo.

— Mas você está aqui, agora — sussurrou.

— É diferente — Gilbert levantou a mão com a amarílis, impedindo que Kuma o comesse. — Eu tenho uma boa vida agora, posso ser quem eu sou e me orgulhar disso, mas... Tem essa pergunta, e eu preciso de uma resposta, seja lá qual for.

— Você realmente nasceu pra restaurar — Matthew sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Não só coisas, como relações.

Gilbert deu de ombros:

— Mas o meu casamento..., eu amo a minha noiva — Gilbert suspirou irritado, se levantando inquieto, indo na direção da arvore. — Oras, você dormiu com uma porção de pessoas.

— Eu nunca disse "eu te amo" pra elas — ele respondeu de costas, tentando disfarçar o quanto estava chateado.

— Você também nunca disse pra mim — Matthew sussurrou, esfregando o braço.

— Como? — o albino se virou para encara-lo, indignado com a acusação. — Eu pedi pra você cremar meu corpo depois que eu morresse. Era a minha forma de dizer, e você ficou comovido. Achei que tivesse entendido.

Matthew sempre teve esse fascínio com a morte, e com a indústria da morte em geral. Passou anos lendo sobre o assunto, sonhando com o dia em que ele iria abrir a sua própria funerária. Porém, o único que sabia sobre isso era Gilbert, na verdade, ele era o único que sabia de uma porção de coisas. Matthew odiava hóquei, mas se obrigou a jogar pensando que deixaria seus pais orgulhosos de ter um filho atleta. Durante o período que conviveu com Gilbert, Matthew pôde deixar o seu verdadeiro eu assumir o controle, e foi bom, se sentia feliz em ser ele mesmo. Mas Gilbert foi embora, e tudo isso não passou de uma ilusão.

Ele sabia como seria o seu futuro; casado, pai de família, trabalhando de secretário em um escritório de advocacia. Mas com Gilbert ali na sua frente, outro futuro se mostrou pra ele. Um em que ele iria trabalhar usando roupas velhas e uma muda extra, porque nunca se sabe. Quando chegasse em casa, só ser coberto de beijos e abraços após um bom banho. O primeiro futuro dava uma sensação de conforto, o segundo, um frio na barriga e curiosidade:

— Quando você vai embora? — Matthew perguntou.

— Como eu não avisei, tenho que estar no trabalho segunda de manhã — Gilbert olhou para o relógio. — Tenho que sair no primeiro trem.

— Isso só me dá três horas — ele exclamou, irritado.

— Eu posso voltar na semana que vem — o albino balançou a cabeça, pensando em mais coisas. — Ou você me manda uma mensagem com a resposta.

— Uma mensagem — Matthew praticamente gritou, suas bochechas corando de raiva. — Uma maldita mensagem Gilbert?

— Achei que seria melhor pra você.

— Eu vou me casar em dois meses — seus gritos se misturaram com os latidos de Kuma, que parecia assistir a tudo.

— É só dizer que não — Gilbert gritou também, depois suspirou se arrependendo. — Droga, me desculpa Mattie.

Matthew sentiu as lagrimas quentes descendo pela sua bochecha, Gilbert virou  a cabeça de lado, fungando. Kuma parou de latir, balançando o rabo voltando a fuçar a grama. Uma pergunta que a sua mãe fazia com uma certa frequência era "você tem certeza, querido?" Matthew achava fascinante como sua mãe podia ler cada expressão sua. Na verdade, Matthew não tinha certeza de quase nada, exceto que ele tinha certeza que odiava hóquei, era fascinado pela morte e que amava Gilbert desde a primeira vez que se falaram. Mais do que tudo, tinha certeza que queria deixar  a máscara cair, e ser ele mesmo:

— Olha, esquece tudo o que eu disse — Gilbert falou. Ele estava indeciso, nervoso, e não conseguia encarar Matthew. — Foi uma ideia estupida, voltar depois de tanto tempo. Tenha uma vida feliz Matthew.

Matthew sentiu seu coração gelar, ao ver seu amado caminhar pra longe. Um nó na garganta e mais lágrimas desceram. Ele não conseguia falar ou se mexer, e a cada passo do albino, parecia que os seus músculos iam virando pedra. Kuma começou a latir na direção de Gilbert, depois correu e mordeu a barra da sua calça, puxando com toda força. Matthew viu essa distração como uma nova oportunidade, que ele não poderia perder:

— Gil — magicamente Kuma soltou a barra da calça, se afastando em seguida. Matthew correu até ser aparado pelos braços do albino. — Me leva. Me leva com você?

— Você tem certeza? — Gilbert perguntou surpreso, mas esperançoso.

— Não, eu não tenho — as mãos de Matthew subiram até o colarinho da camiseta do albino, o puxando para um beijo.

Gilbert tocou o cabelo de Matthew gentilmente, devolvendo o beijo com a mesma intensidade que recebia. O beijo era muito melhor do que aquele de doze anos atrás, menos nervosos, menos dentes, mais prazeroso. Gilbert tinha sonhado com isso por tanto tempo, ter Matthew nos seus braços, para amar e beijar pelo resto da sua vida:

— Eu te amo Gil — ele sussurrou, seus lábios ainda colados. O albino riu e Matthew o olhou confuso. — O que foi?

Gilbert gargalhou tirando a amarílis, que ficou grudado nos cabelos de Matthew. Ele deu a flor pra Matthew segurar, voltando a abraçar a sua cintura:

— Mattie, eu amo você — ele falou, dando um selinho. — Me desculpa por não ter falado antes.

— Só me desculpo com uma condição — Matthew sussurrou, apoiando o queixo na curva do pescoço do amado, dando selinhos. — Você tem que falar que me ama todos os dias.

— Eu posso gritar que te amo da janela, se você quiser — eles riram.

Sua atenção foi roubada brevemente por Kuma, que latia e balançava o rabinho em expectativa:

— Não se preocupe, meu apartamento tem lugar pra você também — Gilbert riu.

Três horas depois, Matthew estava na estação, com uma pequena mala, Kuma e de mãos dadas com Gilbert. Ele só teve tempo de escrever uma carta sincera pra sua noiva. Lá ele contava toda a sua história com Gilbert, e como o destino, ou seu cachorro, deu uma segunda chance. Pedia desculpas, e dizia que ele realmente a amava, por isso não achava justo prede-la em um casamento infeliz. Que agora ela estava livre para viver um amor de verdade, assim como Matthew estava.


Notas Finais




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