História Vogelfrei. - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Personagens Originais
Tags Astros, Bangtan, Bts, Contos, Hetero, Hoseok, Jeon, Jimin, Jung, Jungkook, Kim, Lírica, Love, Milkandhoney, Min, Namjoon, Notturne, Park, Pétalasdegirassol, Rock Alternativo, Seokjin, Suga, Taehyung, Takeachance, Yoongi
Visualizações 4
Palavras 1.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lírica, Literatura Feminina, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Segundo conto. É um dos meus preferidos, porque minha amiga adooora essa história, e eu realmente não quero deixá-la triste. Por isso, a reescrevi bastante. Boa leitura!

Capítulo 2 - Intempérie (Chovia o tempo inteiro antes de você aparecer)


[Don't know why, there's no sun up in the sky. Stormy Weather.]

1997, Abril.

É Outono.

Continuo olhando da janela as folhas vermelhas esvoaçarem pelo ar por causa do vento forte que, certamente, está trazendo a tempestade que o noticiário notificou. Vovó dorme serena ao meu lado, sentada na poltrona cor de creme bonita de mamãe, enrolada na manta de lã que tricotei para ela no último Natal, e a casa está silenciosa, a não ser pela fita do rádio que toca incessantemente. A tarde corre devagar, me dando a sensação de um tempo inerte, quando o que eu mais quero é que a madrugada chegue. Estou tentando ler a mesma página do livro de Literatura pela quarta ou quinta vez, mas não é exatamente um futuro certo de que consiga. Não com as imagens bonitas que a chuva me lembra, como o cabelo molhado dele, e as gotas de água que escorriam pela sua bochecha enquanto sorria na última vez que corremos debaixo do temporal.

Os pingos de chuva batem contra o vidro da janela, numa dança suave embalada pela música, deixando-me sonolenta o bastante para me fazer pender a cabeça na poltrona, fechando os olhos lentamente, mas batidas fortes vindas da cozinha me despertam o bastante para ficar alerta. Deixo o livro sobre a mesinha, zelando pelo sono de vovó, para que não acorde, e caminho a passos sutis pelo corredor, ouvindo os punhos baterem na madeira outra vez, e respiro fundo, antes de destravar os trincos da maçaneta, o enxergando parado sobre o carpete e a soleira da porta.

De cabelos molhados e ombros encolhidos dentro do casaco úmido, Jungkook sorri, bem como o vi na festa de Diana François, que foi quando o conheci, debaixo de uma árvore, porque as nuvens carregadas sobre a piscina haviam nos pegado de surpresa. Jungkook é esse tipo de rapaz. Eu não sabia bem o que ele fazia ali, nem porque tinha olhado justamente para mim naquela festa, mas, ainda assim, eu agradecia, porque a chance de encontrar alguém assim é de uma em um milhão. E eu tive a sorte de tê-lo. Só para mim.

Você vai ficar resfriado.”

Digo, fazendo sinal para que entre, antes que fique ainda mais encharcado. Me afasto quando dá passos para dentro, sujando o carpete, e apesar de saber que mamãe irá surtar quando puser os olhos ali, mas não me importo, porque minha atenção está totalmente voltada para Jungkook. É como se faíscas nos rodeassem quando caminha ao meu lado, furtivo, e eu sinto oscilações pinicando minha pele.

Eu não ligo para isso se você cuidar de mim.”

[...]

Enrolo os fios castanhos de Jeon entre meus dedos enquanto ele deita sua cabeça no meu ombro e observa as pequenas lâmpadas penduradas pelo quarto. Seus dedos deslizam sobre a minha pele por dentro do lençol e me arrepio sob seu toque, sorrio quando diz que estava sentindo minha falta. Também senti saudade, sussurro para mim mesma, saudade de tudo em você.

Jungkook esconde seu rosto na curva do meu pescoço, respirando lentamente, como se estivesse quase dormindo por conta do carinho que faço em seus cabelos.

Você cheira a alecrim, Sofi.”

Eu adoro o tom da voz de Jungkook, porque soa como se estivesse prestando atenção em cada pedaço meu; e o jeito como diz meu nome é a coisa mais bonita do mundo. É como se procurasse um modo de fazer meu coração estremecer, como se gostasse de me ver perdendo o compasso das batidas.

Talvez alecrim e baunilha. Mas ainda...

Sorrio.

Mas ainda?

Os lábios de Jungkook são como uma sintonia perfeita sobre os meus. As sensações que a sua boca me causa, contornando tudo, descobrindo galáxias e explodindo estrelas em mim, é mágico, e vez ou outra, abria os olhos, para ter certeza de que realmente estava acontecendo, e se não fosse real, pelo menos era um sonho bom. Um daqueles que não se quer acordar. Suas mãos apertam minha cintura por baixo do lençol, o bastante para me fazer olhar no espelho por horas e lembrar do que aconteceu, assim como as minhas dedilhavam seu rosto em cada canto, procurando algum lugar novo para me perder, mas a verdade, é que Jeon é a própria perdição. Tocá-lo é turbilhão, Lua vermelha e tempestade tropical, que acende em cada célula do meu corpo a vontade de pecar. É a personificação real do que é cair em tentação.

Mas ainda não é isso. É algo doce, talvez ludibriante.”

Jungkook diz, com uma expressão pensativa, e o seu semblante é algo que eu nunca me cansaria de contemplar, não por causa das caretas que faz, ou do sorriso. Também não é a cadência da sua voz, ou o balançar dos seus cabelos embaraçados, nem mesmo a pele febril. É essa mistura completa. Ele se senta no colchão, levando metade do cobertor consigo, deixando aparente minhas roupas molhadas por causa dele, e enrola a ponta do meu cabelo, longo demais que mamãe não me permite cortar, nos seus dedos. Ele olha para a janela, e então volta a falar.

Você... tem cheiro de chuva morna no Outono.”

Franzo as sobrancelhas, sentando-me perto dele, pendendo a cabeça para o lado, enquanto o olho de perfil.

Chuva?

Sim. Chuva de intempérie. É a calmaria no fim da tempestade. Da minha tempestade.”

As lâmpadas em forma de estrelas, que incendeiam meu quarto de luz, piscam mais e mais, ao mesmo tempo que o abraço pelas costas, e tudo o que há entre nós é o pesar das respirações e o carinho singelo que faz em meu braço ao redor de sua cintura. Está ficando tarde, ele precisa ir, mas quero adiar isso o máximo possível. Porque dói saber que vai embora, que talvez não apareça por aqui amanhã. Mas isso não me impede de ser devota dele, de seu cheiro, suas promessas e da certeza de que ele também me ama como eu jurei perante às estrelas. A chuva continua desabando sobre o mundo lá fora, mas, aqui dentro, não existe intempérie ou tempestades. Existe Jungkook, eu, e o universo que ele pintou para mim em tons de amor.

E você cheira como amor.

Digo.

Jeon ser vira para mim, segurando meu rosto como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e eu me sinto linda, imaginando que é assim que seja quando você se apaixona. Tudo parece realmente mais especial do que é.

Você é linda.”

Ele diz, beijando primeiro minha bochecha esquerda, depois a direita, então desliza os lábios até a ponta do meu nariz. Sela os beiços vermelhos na minha testa e, por fim, para perto da minha boca.

Minha flor.”

A mesma sensação de inércia me abraça quando sinto Jungkook me beijar outra vez. É como sei que está partindo. A maneira como seu polegar desliza sobre minha bochecha, descendo pelo pescoço e parando sobre meus ombros, até me abraçar, me faz sentir vertigem. Esse é o seu jeito de se despedir.

Até breve.”

Ele se levanta, deixando um vazio sobre a cama, levando metade de mim com aquele gesto, me fazendo sentir saudades antes mesmo que cruze a porta. É como se o tempo passasse mais depressa só porque ele está comigo, sussurrando músicas bonitas ao pé do meu ouvido. Parece engraçado que não exista luz do Sol quando Jungkook vai embora. E é engraçado também, que mesmo que a chuva caia, parecia chover bem mais antes dele aparecer.

Abraçada aos meus joelhos, o observo atravessar a porta, virando-se uma última vez, para me envolver com aquele olhar belo, que transforma nós dois em um segredo que só é descoberto pelo anoitecer, antes de desaparecer por completo na escuridão do corredor.

Sorrio com a constatação de que Jungkook realmente cheira como amor.

O meu.


Notas Finais


Música do capítulo;
Stormy Weather: https://youtu.be/VE5_fDmPt0w
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Espero que tenham gostado!

Twitter: @_noturne


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