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História Vou conquistar o temível Capitão - Capítulo 7


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Notas do Autor


Yo!
O livro já foi postado na Amazon, o link para os interessados está nas notas finais.

Capítulo 7 - Mais uma amizade e a evolução...


Capítulo 07: Mais uma amizade e a evolução dos sentimentos


Dessa vez tive tempo de tomar o café da manhã e saí com tempo de sobra para poder ir caminhando. 

Só depois de chegar na escola é que me lembrei que não tinha falado com Nina e que não sabia o que faríamos naquele dia. Na verdade, nem mesmo tinha marcado um lugar para nos encontrar. Durante toda a manhã pensei nisso e só me acalmei quando saí da escola no horário do meio dia e ela me esperava na entrada... escorada em uma moto.

Motos eram veículos poucos usados e considerados perigosos pela população, então só existiam menos de dez delas que ainda rodavam pela cidade. E além de me esperar em uma dessas dez, o que já chamava bastante atenção, ela estava vestindo seu uniforme da segurança e carregava a arma que era símbolo dos agentes, fazendo a atenção ser quase toda focada nela.

Quando me aproximei, ela nada disse e apenas me entregou um capacete e vestiu o outro. Subiu na moto e me esperou, depois que me sentei atrás dela, perguntei hesitante: — Posso segurar em você?

— Só não passe dos limites — disse naquele conhecido tom gélido. Com sua permissão, segurei em seus ombros e ela deu a partida. A nossa primeira parada foi em um pequeno restaurante. Me foi dito para comer bastante, por que não teria café da tarde e aceitei sua sugestão.

Enquanto eu comia, ela explicou calmamente que em seus dias de folga não costumava fazer nada além de ficar em casa. Mas que como hoje ela teria que me fazer companhia, resolveu me levar para dar uma volta do lado de fora da cidade.

Não lhe disse nada, mas fiquei muito feliz com sua consideração. Pois ela saiu da sua zona de conforto e resolveu fazer uma atividade que eu gostava para que eu me sentisse á vontade, era uma ação muito generosa da sua parte.

Depois de terminar o almoço, nós seguimos para o grande portão de ferro, onde ela trocou sua moto por um carro e depois de pegar a permissão que parecia já ter sido preparada com antecedência, nós partimos. A viagem de carro durou pouco, menos de dez minutos e foi silenciosa.

Diferente de Mayers que era do tipo falante, ela parecia gostar do silêncio, então não quis forçar uma conversa. Só me pronunciei quando alcançamos o nosso destino, era uma simples casa, isolada no topo de um morro e quase completamente escondida por árvores e uma trilha há muito tempo apagada.

— Que lugar é esse? 

— Os agentes usam como ponto de referência, por ser a construção mais próxima da Cidade Negra. Já passei por aqui alguma vezes e sempre tive uma impressão ruim sobre essa casa... Não sei o porquê — explicou-me calmamente.

— Já que temos a tarde toda pela frente, resolvi te trazer aqui para ver se você descobre algo incomum com a casa — encerrou a sua explicação.

— Parece divertido. Vamos olhar — disse pegando a minha mochila dentro do carro e seguindo ao lado dela para dentro da casa. Em silêncio nós observamos cômodo por cômodo, andando de um lado para o outro e as vezes pegando algum objeto e avaliando-o.

— Nina é seu nome ou seu apelido? — perguntei enquanto olhavámos o que podíamos deduzir ser a cozinha.

— Apelido — respondeu não dando continuidade ao assunto. Debati internamente se deveria ou não perguntar algo mais, quando sua voz soou com outra resposta. — Meu nome é Anelise, mas não gosto dele, então continue me chamando de Nina.

— Tudo bem — concordei feliz por poder conversar com ela. Estávamos evoluindo!

Depois de olhar dentro da casa, perguntei se podíamos olhar os arredores e ela concordou, seguindo lado a lado comigo enquanto andávamos entre as árvores. 

Vez ou outra eu lhe fazia alguma pergunta e ela respondia. Era uma conversa praticamente unilateral, mas era muito melhor do que o silêncio e por isso não me importei muito. Andamos por muito tempo e embora eu estivesse um pouco cansado, estava também curioso sobre aquela pequena casa no meio do nada.

— Cuidado! — Nina que andava em minha frente, de repente se virou e pulou sobre mim, derrubando-me no chão e me assustando. Com os olhos abertos de choque, vi claramente algo passar voando acima de nós.

— Você está bem?! — perguntou preocupada comigo, se levantando e me ajudando a levantar.

— Sim... Estou bem. O que foi isso? — questionei enquanto também me levantava com o seu auxílio, olhando de um lado para o outro e tentando ver se havia algum inimigo. 

— Desculpe, eu pisei em uma velha armadilha de caçador. Não fazia ideia de que essas coisas ainda funcionavam — explicou apontando para alguns metros atrás de mim. Ao seguir o seu olhar pude ver um machado enferrujado cravado no chão. Devia ter sido aquilo que quase nos atingiu.

— É melhor pararmos de andar por aqui. Vamos voltar para a casa — sugeriu se virando para seguir em frente. Quando ela se virou, vi um arranhado no seu rosto e segurei seu braço. — O que foi, se machucou em algum lugar? — questionou preocupada com a minha ação.

— Eu estou bem, mas parece que você machucou seu rosto — disse vendo-a erguer a mão e tocar a sua face.

— É só um arranhão. Deve ter sido alguma pedra que foi ricocheteada quando ativei a armadilha.

— Mesmo sendo só um arranhão, devemos tratar o quanto antes — disse-lhe ao soltar o seu braço e procurar em minha mochila os remédios que sempre carregava comigo. Peguei uma pomada ali dentro e me aproximei dela, vendo-a dar um passo para trás em sincronia com o meu avanço.

— O que vai fazer? É só um arranhão idiota! — disse-me com um pouco de raiva em sua voz. Não vi sua expressão, mas não hesitei. Abri a pomada e coloquei um pouco no dedo, enquanto dizia honestamente:

— É só um arranhão, mas é no rosto. Seria ruim se ficasse uma cicatriz, vai estragar a sua beleza — Me aproximei e dessa vez ela não se afastou. Parecia surpresa demais para isso. Com cuidado e carinho, passei a pomada em seu rosto e depois coloquei o pequeno tubinho em suas mãos, acrescentando algumas instruções.

— Passe de seis em seis horas durante três dias. Com a sua recuperação acelerada, você estará completamente bem em algumas horas, mas o remédio não é tão forte quanto você. Vamos — terminei com um sorriso, chamando-a e indo em direção a casa.

Já estava perto do anoitecer e como ficaria perigoso do lado de fora, nós regressamos para a cidade.

— O que achou da casa? Descobriu algo? — perguntou, tomando a iniciativa de uma conversa pela primeira vez naquele dia.

Sorri e olhando para frente, pelo vidro, dei a ela a minha resposta: — Acho que não é uma casa comum. Mesmo depois de procurar por tanto tempo, não encontrei nem um poço ou rio por perto, o que significa que não há água. Não há eletricidade ou geradores de energia. Dentro da casa também não há qualquer sinal de cera, o que significa que não usaram velas.

— É possível que alguém passe alguns dias ali, mas certamente não é uma casa para moradia permanente. Pois dentre os móveis encontrados na casa não há cama e nem cadeiras, e dentre os objetos encontrados, eles são todos aleatórios como: um prato, duas facas, algumas panelas e outros. Não é o suficiente para que alguém possa viver.

— Há a possibilidade da casa ter sido assaltada, mas isso não explicaria a ausência de apenas alguns objetos. E se fosse um assalto, eles teriam levado a pintura que estava na parede da sala. Normalmente, obras de arte são o que há de mais valioso em uma residência. 

— Também reparei que ao andar pelo assoalho de madeira, alguns pontos da casa parecem ser ocos, como se tivessem um cômodo abaixo, mas não encontrei qualquer porta visível, então não deve ser algo para se abrir descuidadamente. 

— Levando em consideração a armadilha que você acionou mais cedo, acredito que essa casa era originalmente um depósito de um caçador, o que faria sentido estar nessa localização e o fato de quase não haver janelas e de ter uma única porta. Quanto a explicação para as outras observações que fiz, chutaria que alguém fez dessa velha casa o seu "esconderijo" ou base. Só não sei se é algo atual ou se é perigoso investigar mais detalhadamente — encerrei a minha explicação.

— ... Estou literalmente sem palavras — comentou com um pequeno sorriso. Foi a primeira vez que a vi sorrir e ela parecia muito mais amistosa assim. — Não sei se sua especulação está certa ou não, mas suas observações possuem fundamento. Sua resposta é melhor do que não ter resposta nenhuma e aprendi bastante — comentou parecendo realmente ter gostado do que eu disse, deixando-me com uma sensação de realização, pois consegui fazer o seu dia ser agradável.

Ao chegar na cidade, trocamos novamente o carro pela moto e fomos para o prédio. Subimos juntos de elevador e nos separamos quando chegamos na porta do Capitão.

— Haru... Obrigada por isso — disse me mostrando a pomada que havia lhe dado. Acenei com a cabeça e ela seguiu em frente, entrando na porta seguinte que era o seu próprio apartamento. 

Quando abri a porta para entrar, encontrei Mayers parado ali com uma expressão surpresa. Parecia que ele estava prestes a sair. — O que foi? — questionei quando aquela expressão surpresa permaneceu ali pelos segundos seguintes.

— Eu ouvi errado... ou a Nina te agradeceu? 

— Ela agradeceu. O que isso tem demais? — perguntei empurrando-o levemente para que me cedesse espaço o suficiente para que eu pudesse entrar. 

— Ela nunca agradeceu ninguém — respondeu em seu lugar, Capitão Linus, que estava tomando uma xícara de café, sentado na cama alguns passos longe da porta. Parece que até mesmo ele tinha ouvido a minha rápida conversa com ela.

— Por acaso a audição dos infectados é melhor do que o normal? — perguntei curioso, vendo Mayers sair ainda atordoado e fechar a porta.

— Duas vezes melhor do que a audição humana — respondeu para a minha surpresa. Isso fazia muito sentido. Era por isso que ele conseguia escutar meu coração acelerado com tanta facilidade.

— Os outros sentidos também são melhores? — perguntei curioso e tentando me distrair das cenas que minha mente achou, quando o assunto "coração acelerado" foi jogado em meu cérebro. Sentei ao seu lado na cama e esperei pela resposta. Ele tomou seu café calmamente e quando seus lábios deixaram a xícara, a sua voz foi ouvida.

— O paladar é normal, mas a visão é mais apurada e o tato é mais sensível. 

— Deve ser por isso que lutar a noite não é uma tarefa muito difícil — comentei lembrando-me daquele confronto na floresta, com os infectados da Cidade Vermelha.

— Em circunstâncias normais é fácil lutar durante a noite, mas se o adversário forem os Mortis, não há vantagens — explicou ao ouvir o meu comentário.

— Eles realmente são como sombras? — questionei sobre o significa que lhes expliquei em uma ocasião passada.

— É a definição que melhor lhes serve — Foi a sua resposta.

Depois do jantar, custei a dormir. Só de imaginar que no dia seguinte ficaria sozinho com ele, sentia-me tão nervoso que não conseguia dormir. Quando percebi já tinha dormido e acordei com o despertador tocando. Achei estranho não ter sido jogado para fora da cama e olhei confuso para o outro lado da cama, encontrando-a vazia.

Levantei e encontrei um bilhete em cima da mesa, com um recado do Capitão. Me dizia para encontrá-lo em uma loja no centro da cidade, assim que saísse da escola.

Depois da escola paguei um motorista de aluguel e fui até o endereço deixado a mim, encontrando-o em frente a loja... Era um chaveiro.

Nós entramos e ele pegou algo que já tinha sido encomendado, me entregando no minuto seguinte. Quando abri a mão, encontrei ali uma chave.

— Isso é...

— A chave do apartamento. É inconveniente se você não tiver uma. Mayers e Nina também possuem uma cópia — explicou seguindo para a saída. Acenei em despedida para o dono da loja que nos observava com um sorriso de trás do balcão e corri para alcançá-lo no lado de fora.

— Embaixo do meu travesseiro há duas outras chaves, que são dos apartamentos dos outros dois — disse-me assim que eu o alcancei — Eles gostam de privacidade, então só mantenho a chave comigo para um caso de emergência. Você pode usá-las se for necessário, mas apenas se for necessário — Fez questão de enfatizar a última parte.

— Eu entendi. Não se preocupe — garanti com calma. 

Ele não parecia ter programado nada para o nosso "dia juntos" pois estávamos seguindo na direção do apartamento, então não perguntei o que faríamos, apenas caminhei ao seu lado. A verdade era que ficava feliz apenas de estar em sua companhia.

Alguns minutos se passaram e quando decidi perguntar algo, uma chuva que caiu sem aviso me interrompeu. Nós corremos o restante do caminho, mas mesmo assim ainda nos molhamos até chegar em casa. Assim que passamos pela porta, ele retirou a sua camisa e eu fiquei petrificado.

— Vá tomar um banho quente. Será problemático se você pegar um resfriado — disse-me enquanto abria os botões da sua calça. Quando percebi que ele realmente tiraria o restante das suas roupas, me apressei para ir ao banheiro e tranquei a porta do pequeno cômodo, tentando impedir a mim mesmo de sair e ir observá-lo mais um pouco.

Aquilo quase me matou do coração!!

Foram apenas alguns segundos, mas a imagem se enraizou em meu cérebro e agora tudo o que podia ver eram músculos bem definidos e firmes, algumas cicatrizes, cabelo pingando e gotas de chuva escorrendo pelo seu corpo, descendo pelo peitoral e indo em direção a calça... Calça essa que ele estava tirando!

— Isso só pode ser algum tipo de tortura — disse a mim mesmo, respirando pesadamente e sentindo meu corpo reagir ao estímulo das imagens que agora seriam o meu inferno pessoal e ao mesmo tempo o meu paraíso.

Esperei alguns minutos e depois fui tomar banho, tirando a roupa molhada e fria e me aquecendo com a água quente. Infelizmente só percebi depois que me enxuguei, que minhas roupas estavam na beira da cama... ou era isso o que eu pensava.

Ao olhar para o espelho, enquanto eu tentava decidir se ia buscar a roupa ou se pedia a ele para me trazer algumas peças, percebi pelo reflexo do armário atrás de mim, que havia alguma peças minhas ali guardadas. Apesar de surpreso, estava realmente agradecido.

Vesti uma roupa e quando saí do banheiro, encontrei-o novamente sentado em sua cama. Dessa vez estava lendo algumas folhas. Seu cabelo já estava praticamente seco e ele usava outra roupa.

— Você colocou minhas roupas no banheiro? — perguntei seguindo até a cama e sentando ao seu lado, percebendo que as folhas que ele lia, eram os documentos que meus pais assinaram.

— Coloquei apenas algumas. As que sobraram,  guardei no guarda roupa. Você pode mudá-las de lugar se desejar — avisou sem olhar para mim e olhando de modo concentrado para o que lia. Quando terminou, guardou os dois dentro do envelope e se virou para me olhar, deixando-me surpreso e nervoso com essa ação súbita.

— Estive pensando em algo recentemente e pelo bem de suas futuras missões, preciso te fazer uma pergunta... Há algum motivo para o seu medo de helicópteros? — perguntou fazendo-me abrir a boca em surpresa e confusão. 

— O General mencionou esse medo quando nos pediu para ir buscá-lo — explicou como sabia sobre aquilo, fazendo referência ao incidente da caverna no qual nos vimos pela primeira vez.

— Eu... sofri um acidente quando era criança — respondi desviando meus olhos dos seus e começando a mexer as mãos uma na outra, despertando a ansiedade que sempre vinha com aquele assunto.

— CN-763? — questionou em um sussurro. Ao ouvir aquela identificação, meu coração se acelerou enquanto minha respiração tornava-se irregular. Não lhe respondi, me levantei da cama e caminhei até a pia. Peguei um copo e coloquei um pouco de água dentro, tentando trazê-lo aos lábios, mas tremendo demais para conseguir executar essa pequena ação com sucesso.

Senti sua presença atrás de mim e seu braço surgiu ao meu lado, envolvendo a minha mão e ajudando a controlar o meu tremor. — Desculpe ter tocado nesse assunto. Não precisa se apressar em responder e nem mesmo me dar uma resposta se não quiser. Por enquanto, se acalme — pediu em um tom calmo e gentil, o mais gentil que já ouvi até aquele momento.

— C-como você sabe? Algum parente seu estava lá?... Você também me odeia? — perguntei sentindo uma leve dor no coração. Sua mão soltou a minha e baixei o copo até colocá-lo na pia. Me virei para ele e surpreendentemente fui abraçado.

Meu rosto se abaixou para evitar o seu olhar e minha testa estava encostada em um de seus ombros. Seus braços rodearam a minha cintura e meu coração se acelerou ainda mais.

Uma de suas mãos subiu até o meu cabelo e me fez um carinho, deixando-me ainda mais surpreso, tão surpreso quanto quando ouvi as palavras seguintes que soaram ao lado de meu ouvido.

— Eu sei que você não é um covarde, então deduzi que o que te deixou com medo devia ser um grande acidente. Usando como referência aquelas frases venenosas que te foram ditas no caminhão, apenas selecionei o maior acidente e com o maior número de mortos que eu conhecia. Foi apenas isso. Acalme-se — pediu com aquele tom gentil.

Depois das suas palavras, fechei meus olhos e finalmente consegui estabilizar a minha respiração e ele então me soltou. — Desculpe — pedi em um sussurro tão baixo que se não fosse sua boa audição, ele certamente não poderia ter ouvido.

— Está tudo bem. A culpa foi minha por abordar o assunto tão repentinamente — disse em tom aparentemente calmo, suspirando levemente de alívio e voltando para a cama. 

Parece que eu o deixei preocupado.

Tomei a água e depois voltei para a cama, sentando-me ao seu lado. — Pode continuar? — questionou e apenas acenei em concordância. Ele não me pressionou a falar e fiquei alguns minutos em silêncio, reunindo a pouca coragem que tinha. Com os dedos das mãos entrelaçados uns nos outros, respirei e expirei lentamente antes de falar.

— O que exatamente quer saber? Qual o motivo para a pergunta sobre meu medo? — perguntei olhando para ele.

— Talvez seja preciso andar de helicóptero em alguma missão, por isso preciso saber qual a gravidade do seu medo e se ele pode ser curado — explicou de imediato. Pensei por alguns minutos em suas palavras e voltei a falar.

— Eu era criança e foi a primeira vez que vi alguém morrer diante de mim, além disso foram muitas mortes... Não é que eu tenha medo de helicópteros em si, mas subir em um me faria rever as imagens que presenciei e evito isso o máximo que posso.

— Seria pedir muito que treine para superar esse medo? — continuou seu questionário calmamente.

— Preciso pensar um pouco antes de te dar uma resposta — respondi com um pequeno sorriso triste.

— Sem problemas. Leve o tempo que precisar — encerrou o assunto. Fiquei feliz de ter conversado sobre isso e do quanto parecíamos ter nos aproximado, mesmo sendo apenas uma conversa. Estava começando a entender o motivo para a conversa e a honestidade serem partes importantes do início de um relacionamento.

Não voltamos mais para esse assunto e passamos o restante da tarde falando sobre o futuro em vez de falar sobre o passado. 

Nossa equipe ainda teria dois dias de folga e ele me pediu para usar esses dois dias para fazer compras, devia comprar só o que eu iria precisar no meu dia a dia e os equipamentos que eu fosse precisar durante nossas missões. Novamente me foi entregue o seu cartão e dessa vez sem limite do que eu poderia gastar, só me foi dito para comprar tudo o que precisasse. Mayers e Nina me fariam companhia.

Também conversamos um pouco sobre quais missões nossa equipe mais faria e sobre quais missões nunca iríamos aceitar. Além de algumas regras de profissionalismo que eu devia seguir caso nos encontrássemos com outras equipes. 

Antes do que eu esperava, a noite chegou e assim como eu esperava, foi uma noite tortuosa. Cheia de subidas e descidas entre o céu e o inferno. Passei a noite sonhando com uma certa pessoa me beijando em uma piscina e no chuveiro... Foi um sonho bom, sem dúvida, mas a parte ruim era justamente por ser um sonho.

Quando o despertador tocou naquela manhã, meu braço já estava se esticando para alcançá-lo quando fui novamente jogado ao chão. Eu estava começando a cogitar a ideia de dormir no chão, mas ao mesmo tempo odiava me render. Certamente ia chegar o dia em que eu acordaria como uma pessoa normal! Não?

— Qual... o problema hoje? — perguntei depois de me esticar e desligar o despertador, voltando a deitar no chão.

— Você demorou mais de um minuto para desligá-lo. Se não puder fazer isso mais rápido e eu acordar, ficarei de mau humor — respondeu como se fosse algo lógico.

Ao ouvir essas palavras, só conseguia pensar em...  para onde foi a gentileza do dia anterior?!

Naquela tarde, quando saí da escola, o jipe da segurança estava estacionado em frente a escola e dentro dele estavam Mayers e Nina. Como o Capitão havia dito, eles me levaram para fazer compras.

Mayers parecia conhecer melhor as lojas comuns, então ficou responsável por me levar para comprar as minhas necessidades do dia a dia. Dentre elas, a primeira eram roupas, pois eu havia trazido apenas poucas peças e não queria ter que voltar para casa para buscar o restante.

Entre risos e brincadeiras, algumas horas se passaram enquanto eu comprava roupas o suficiente para preencher a minha parte do guarda-roupa. Depois foram comprados sapatos, produtos de higiene pessoal, objetos de necessidades diárias e aproveitei para reabastecer o meu estoque de remédios, principalmente para a dor, pois os últimos dias tinham me ensinado que eu teria uma vida dolorosa enquanto estivesse ao lado daquele homem.

Depois de fazer as compras pessoais, era hora de fazer as compras profissionais, mas como eu não sabia o que exatamente deveria comprar, pedi a eles sugestões. 

A primeira sugestão de ambos foi para que eu comprasse uma arma. Mesmo se fosse algo simples, era melhor do que andar desarmado. Nossas missões às vezes envolviam confrontos com Mortis ou soldados da Cidade Vermelha, então manter minha própria segurança era uma prioridade.

Usando meu status como um Assistente de primeiro grau, não foi difícil conseguir a licença para comprar uma arma simples e com as instruções dos dois, em alguns minutos de treino eu aprendi a usá-la. Ainda na loja de armas, comprei também uma pequena faca, apenas algo que poderia vir a ser útil em alguma situação.

Eu já tinha uma roupa apropriada graças ao Mayers, então o passo seguinte eram equipamentos de suporte. Eles não precisam muito desses equipamentos, mas todos eles também carregavam quando era uma missão grande ou que duraria vários dias. Eram objetos simples como garrafa de água, lanterna, mapa e corda. Comprei tudo o que precisava, assim como uma mochila mais resistente para poder carregar tudo aquilo.

Suas sugestões terminaram e eles perguntaram se havia algo que eu queria comprar. Pensei no assunto por alguns minutos e resolvi fazer algumas pequenas compras, eram apenas pequenos objetos sem uma função definida, mas que podiam ser de alguma utilidade no futuro. Quando terminamos tudo, o dia já havia se encerrado. 

Com a ajuda deles, que praticamente carregaram tudo sozinhos, as minhas compras foram levadas para a casa do Capitão. Sentado no chão e rodeado de bolsas, suspirei de modo cansado, chamando a atenção dele que estava na cozinha preparando o jantar.

— Cansado?

— Estou morto! — retruquei exausto. Nem sei da onde tirei forçar para me levantar e ir tomar banho, mas depois disso me joguei na cama e fui dormir, deixando a bagunça para ser arrumada no dia seguinte.

Depois de tudo organizado, minha vida pareceu se tornar mais calma. Com exceção das minhas quedas da cama pela manhã, todo o resto se passou sem problemas. As missões que pegamos não eram muito difíceis e até senti como se ele as tivesse escolhendo de propósito, pois elas pareciam ir aumentando de dificuldade gradativamente. Era ótimo para que eu pudesse me acostumar.

Durante o ano seguinte, nada muito grandioso aconteceu. Nós quatro trabalhamos bem juntos e com a minha atitude mais pacífica, eles se tornaram menos hostis, o que os fez subir algumas posições no ranking de efetividade e não estávamos mais em último!

Além de aprender muito sobre o mundo lá de fora e expandir meus conhecimentos, também aprendi muito sobre eles. 

Mayers era amigo de infância de Linus e Nina entrou para a equipe depois de ter sido recrutada pelo Capitão. Eles não tinham familiares e apesar das diferenças aparentes, os três tinham mais ou menos a mesma idade, trinta e poucos anos. Embora eu não soubesse com exatidão quantos anos cada um deles tinha.

A informação mais chocante que descobri sobre eles foi um grande segredo dos agentes. A infecção dos Mortis dava uma consequência para cada pessoa que podia suportar ao seu vírus. Era por isso que o cabelo de Mayers era mais branco do que o normal, pois ele estava envelhecendo um pouco mais rápido do que as pessoas comuns. A consequência de Nina era que ela só podia se alimentar de líquidos e se for ingerido qualquer tipo de comida diferente ela iria passar mal, muito mal. 

Dentre os três, a consequência do Capitão é a menos prejudicial, se trata do seu sono. Parece que ele fica cansado com mais facilidade e por não saber quando uma emergência pode acontecer, ele sempre dorme quando tem a chance.


***


— Essa floresta está parecendo o deserto. Quente durante o dia e frio a noite. Essa mudança de clima vai acabar com meu corpo — suspirei pesadamente, caminhando atrás do Capitão e tendo os outros dois atrás de mim.

— Haru, você já está cansado? — questionou Mayers preocupado.

— Desculpe — pedi envergonhado. Mesmo que tenha seriamente treinado naquele último ano, ainda assim, era apenas um simples humano.

— Não precisa se desculpar. Você teve febre ontem, já é bom o suficiente que possa andar — confortou-me Mayers, fazendo um carinho em minha cabeça. — Essa missão de investigação nos levou para longe da cidade por quase uma semana, foi o maior tempo que você já se ausentou da Cidade Negra. Foi um bom trabalho, não se preocupe muito com suas limitações, nós já estamos acostumados com elas — completou em tom de brincadeira e novamente de conforto.

— Vamos acampar aqui essa noite — avisou o Capitão quando havíamos chegado a uma área aberta. Diferente dos outros que preferiam encontrar lugares escondidos, a minha equipe sempre procurava um local aberto para acampar, pois isso facilitava a nossa movimentação em uma luta.

Mayers foi fazer o reconhecimento do perímetro e Nina ascendeu uma fogueira. Capitão Linus estava sentado e parecia pensativo, então me sentei ao lado dele e não disse nada, apenas aproveitei o calor da sua presença, assim como o calor da fogueira em nossa frente.

Os dois se juntaram a nós, sentando do outro lado e ficamos em silêncio. O frio da noite começou a ficar mais intenso e apesar de eles não serem afetados, eu estava prestes a pegar outra gripe. Não querendo ficar doente, me aproximei mais do Capitão e sem pedir permissão, abracei seu braço e usei seu corpo para me esquentar.

— O que está fazendo? — questionou em seu tom neutro. Ele não estava irritado, era uma reação segura, então não me afastei.

— Está frio! — respondi me apertando mais a ele e vendo seu rosto se virar para encarar o meu.

— Tenho cara de aquecedor?

— É o mais próximo de um que tenho no momento — respondi com um sorriso, fazendo Mayers e Nina rirem do outro lado. Capitão Linus deu a eles um olhar sério e eles engoliram o riso. Mas ele não me afastou, assim como nas outras vezes.

Naquele ano que se passou, tive a certeza de que ele gostava de mim e que de fato só estava esperando que algo acontecesse. Não sabia se o problema era realmente a minha idade como ele tinha mencionado no passado, mas sabia que se eu o amava, ele no mínimo gostava de mim. Prova disso era o fato de que ele nunca me afastava quando eu o tocava, algo que ninguém mais podia fazer, nem mesmo nossos companheiros de equipe.

Sua preocupação comigo também estava em um nível mais profundo e nossa convivência era pacífica...

Ele ainda me jogava para fora da cama vez ou outra ou me dava punições por erros cometidos, mas tudo isso não era realmente ruim, pois eu sabia que era apenas o seu jeito de se importar comigo. 

A única preocupação que me restava era se realmente poderíamos ter uma relação romântica. Eu queria muito isso, queria muito. Mas toda vez que ouvia sobre sua longa carreira como um agente e sobre que Mayers e Nina só tinham ele como família... sentia que não tinha o direito de lhe causar problemas pelo meu desejo egoísta de monopolizá-lo.

Mas ainda assim, amava-o a cada dia mais... Essa parte de mim era incompreensível.

— Haru, soube que você vai fazer um teste de helicóptero na semana que vem e isso me lembrou sobre o acidente que nos contou e que é a causa para o seu medo. Ao lembrar disso acabei criando uma dúvida e tenho uma pergunta — disse Mayers calmamente.

Depois dos primeiros seis meses, tinha criado coragem para falar com eles sobre isso e contei tudo. Desde que minha mãe usou seu status para me colocar em uma viagem que não era aberta para civis e que meu pai ordenou seus homem a dar prioridade a minha segurança, negligenciando os demais pesquisadores que estavam no mesmo transporte.

Que naquele dia eu não queria ir e ainda assim fui forçado por eles. Que o helicóptero caiu e que fomos atacados por soldados e depois por Mortis. E que eu fui o único sobrevivente daquele acidente.

— Como você voltou para casa? Se todos morreram, quem te trouxe para a Cidade Negra? Não pode ter sido uma equipe de resgate, pois o tempo que eles levariam para chegar lá, seria o suficiente para você ter sido morto — comentou curioso.

— Não me lembro muito, mas me disseram que um agente que estava próximo e em uma missão foi quem me salvou e me levou para a cidade. Mas não sei quem era e parece que ele já está aposentado agora — expliquei detalhadamente. Falar desse assunto sempre me afetava um pouco, mesmo agora a minha mão tremia um pouco e em uma reação de medo, segurei mais apertado em seu braço.

— Chega desse assunto por hoje. Façam uma nova ronda para garantir a segurança do perímetro — pediu o Capitão e os dois acataram suas ordens.

— Obrigado — agradeci em um sussurro, não recebendo uma resposta, mas sabendo que ele tinha ouvido. 

O dia tinha sido longo e ainda tínhamos mais um dia de caminhada pela frente. Então relaxei um pouco e aproveitando a segurança que ele me fornecia e o calor do seu corpo, escorei minha cabeça em seu ombro e dormi. Escutei vozes conversando e sabia que eles falavam de mim, mas não me importei em escutar com atenção... estava com sono demais para isso.

— Acorde, Haru — chamou-me a voz do Capitão. Abri meus olhos e me afastei dele, permitindo que ele se levantasse, e foi o que fez assim que meus braços o soltaram. — Se me agarrar desse jeito enquanto estivermos dormindo na cama, vou te chutar para fora — avisou-me seriamente. Sorri e respondi:

— Você me chuta por muitos motivos. Já estou acostumado a acordar com uma queda, se eu for apanhar na mesma intensidade e ainda puder te abraçar, vai valer a dor.

— Acho que sou muito mole com você — comentou de pé, me olhando como um pai que falhou em educar o filho. 

— Demorou para perceber — comentou Mayers que chegava com Nina.

Eles já perceberam que eu gostava do Capitão e "como" eu gostava. E apesar de não me incentivarem, também não me repreendiam. Assim como eu sabia que Mayers e Nina gostavam um do outro, mas não ficavam juntos. Nós podíamos ver um através do outro, mas ninguém falava sobre o que via, essa era a confiança que tínhamos entre nós.

— Você não vai desistir, não é? — Apesar do Capitão estar fazendo uma pergunta, ela soava mais como uma afirmação. Sorri tristemente e lembrei de todas aquelas incertezas que rondavam a minha mente enquanto o meu coração doía com a possibilidade de ser separado dele.

Me aproximei dele com alguns passos e parei em sua frente, cessando o meu sorriso triste e dizendo de modo sincero. — Peço desculpas por te amar, pois sei que isso pode te trazer problemas. Mas não importa quantos anos você me recuse, isso não vai fazer com que eu goste menos de você... Na verdade, está tendo o efeito oposto.

Foi honesto em cada palavra, sorrindo discretamente e diante de todos e para a surpresa coletiva... me aproximei mais dele e toquei meus lábios nos seus. Apenas um toque casto, para apaziguar o meu desejo. Quando me afastei, a sua expressão sempre neutra, mostrava leves traços de surpresa.


Notas Finais


Eu postei um jornal com as informações do livro. Aqui está o link do jornal:

https://www.spiritfanfiction.com/jornais/meu-quarto-livro-lancado-na-amazon-18799040

Você pode usar esse jornal para deixar algum comentário permanente, já que essa história será posteriormente apagada.

Mas caso queira ir direto para o site da Amazon, onde o livro está sendo vendido, pode acessar esse link:

https://www.amazon.com.br/dp/B0867HJRZ9

Até mais.
:-)


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