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História Voz De Liberdade - Bellarke - Capítulo 2


Escrita por: apenas_rabiscos

Notas do Autor


⚠️Possíveis gatilhos

Boa leitura!

Capítulo 2 - Retalhos


Fanfic / Fanfiction Voz De Liberdade - Bellarke - Capítulo 2 - Retalhos

Capítulo 2 



-Ahhh! Ajuda! Ajuda! – diz quase sem ar – eu preciso... eu preciso de ajuda!

Clarke diz massageando o peito, fazendo Lincoln despertar e Octávia levantar-se de súbito

-Ai, meu Deus. Ai, meu Deus – diz ofegante buscando ar.

-Clarke, respira. Respira.

Mas ela não conseguia obedecer. Seus pulmões, seu diafragma, seu coração, nada lhe obedecia. A vida parecia querer sair dela como de supetão. Como se uma angústia superior a tudo a consumisse.

-Calma, querida. Fique calma – Lincoln diz aconchegando a moça na cama

-Amor? – a Blake chama o namorado com uma voz baixa e assustada, enquanto ele ainda ajudava a amiga que buscava por ar, como pela vida.

Lincoln cerra os olhos e nega com a cabeça, não conseguindo suportar entender o que está acontecendo. Clarke morria, hoje, amanhã ou depois. Morria de pouquinho ou rápido, mas morria.

-O que está acontecendo? – Clarke questiona ainda com os olhos cerrados. Quando já regularizava a respiração.

-Não é nada, não se preocupe.

-É claro que é. – murmura levando o antebraço aos olhos ocultando a luz

-Só fica calminha, tá? Vou pegar água e preparar uma infusão para você – seu amigo diz passando suas fortes mãos por entre seus cabelos loiros.

Ela confirma com a cabeça ainda meio atordoada.

Posteriormente, de repente, Abby entra na tenda e vê a filha extremamente pálida na maca – Meu Deus! – Exclama, mas antes de chegar até ela é surpreendida por Octávia sussurrando sobre tudo o que se passava  com Clarke.

-Tem ideia do que significa isso, Abby?

A médica simplesmente fecha os olhos e nega com a cabeça

-A melhor das hipóteses é a de que ela tenha sido torturada e isso seja TEPT ou algo assim.

-E a pior? – Octávia pergunta de olhos arregalados e assustados.

-Clarke pode estar doente, muito doente – fala arranhando a garganta.

-Como assim? – a guerreira questiona em sussurros para a moça não ouvi-la.

-Não faço ideia, Octávia. Algo como uma psicose. 

-Mãe? – uma voz fraca clama

-Oi, amor. Como está se sentindo? – fala ao se aproximar e correndo para massagear a bochecha da filha

-Viva! – responde de imediato.

As três mulheres riem inapropriadamente

-Consegue ficar sozinha uns minutos? Para eu buscar um remédio para você e também uns equipamentos para te examinar.

-Claro!

-Certeza? Porque eu também preciso tomar um banho, estou fedendo, de tão suada só de cuidar de você. – Octávia fala – Mas o Lincoln não vai demorar, tá bom?

-Tudo bem, Oc. Fiquem tranquilas, não se preocupem. – Clarke diz e observa logo depois as duas então saindo da tenda.

E de imediato, ela começa a olhar para o teto, inutilmente tentando lembrar-se do que ocorrera.

Ela fecha os olhos mas tudo o que recorda é sangue e de sua própria voz gritando para um rosto que ela não conseguia identificar:

“Você vai matar a gente. Para por favor! Você está nos matando! Está matando a gente, por favor “

E subitamente desperta com um toque em seu ombro.

-Está na hora de treinar! – uma poderosa voz a chama – O sol nasceu há algumas horas.

-Lexa, eu não estou bem, por favor. – diz mudando de posição, dando as costas para sua Seda.

-Clarke, você é a única Natblida da aldeia. Nossa única chance de combatermos os homens da montanha. Entenda! – tenta a convencer – Até quando nossas crianças vão sumir? – questiona desesperada – Até quando nossas mulheres serão violadas pelos trucidadores? Me responda, Clarke!

Mas a resposta da garota é somente uma lágrima discreta que ela enxuga com as costas da mão

-Você sabe perfeitamente que Pólis não liga para os Trikrus desde que escolhemos não nos ajoelhar diante do Sheidheda. Somos traidores para eles. A tribo rebelde. E você... você é única que pode nos salvar. Nossa localização nos torna mais suscetível a esses monstros, somente com o exército unido, por você, poderemos vencer e finalmente sermos livres. Precisamos que você vença o conclave e seja nossa Heda.

-Lex...

-Eu sei – ela interrompe Clarke – Eu sei que acabou de ser resgatada sabe Deus de onde, sabe Deus de quem... e estou complemente ciente que ainda não está bem. Mas sei também existe um motivo maior para essa resistência toda ao conclave, minha querida. Você o ama – fala engolindo seco – Sei como o ama. Ele não é só um amigo, é? – pergunta mas não tem resposta e continua –

...Sei também que é difícil abrir mão disso. Mas o sangue te escolheu para ser comandante, você sabe que a castidade é fundamental no cargo, não sabe? – Clarke mais uma vez não responde – Mas entenda, ele nem está aqui. Faz duas luas que ele se foi. Assim que você partiu, ele nos abandonou. Mesmo sabendo que era nosso melhor guerreiro, o líder do nosso exército, ele nos traiu. Bellamy se deixou levar mais uma vez pelo coração, Clarke. E, por isso, deve estar morto agora

Clarke senta na cama rapidamente. Mas sente sua cabeça e leva a mão à testa rapidamente, massageando as têmporas

-Tudo bem? – Lexa diz passando a mão em suas costas

-Eu não sei.... – Balbucia – quer dizer, Sim – se autocontrola tirando a mão de Lexa das suas costas da maneira mais educada que conseguiu – Sim, estou bem – fala levantando e pegando quase sem força sua espada – Vamos lá

-Não é minha intenção te magoar, Clarke.

-Eu sei, Lex. Eu sei... tenho minhas responsabilidade com meu povo.

-Amor é fraqueza, Clarke e ...

-Eu já entendi – diz cortando a fala da guerreira – Vamos para arena! – disse antes de sair se segurando por onde dava – Não quero mais ouvir nada. Eu conheço meu dever.

Sua orientadora apenas engole seco e a segue

A arena era um estrutura presente em todas as aldeias, ela era composta de um espaço circular-oval, com armas disponíveis em suas paredes que se estendiam até mais ou menos um metro de altura. Dali pra cima, a proteção era feita por uma rede de metal que protegia a arquibancada e os espectadores de almas sedentas por adrenalina e por sangue.

Criminosos hediondos, como violadores, assassinos, pedófilos e traidores, eram levados a arena para lutarem entre si até a morte. Embora o Chanceler trikur fosse claramente contra aquele método de punição, o sistema de justiça era de responsabilidade da Capital, cada crime que ocorresse precisava ser imediatamente retratado a Pólis, que enviava soldados para aplicar o julgo da lei. O líder que se recusasse a fazê-lo estaria sujeito também ao pesado fardo do cânone Wonkru: A doutrina Gaia.

Os mais de 3000 habitantes das aldeias trikurs, distribuídos em núcleos de povoamento por uma longa faixa de floresta, no entanto, viviam em relativa paz entre si na maior parte do tempo, os problemas da aldeia estavam mais ligados a ameaças externas que internas. Sendo assim, a arena de punições era usada mais para treinar seus guerreiros que para punir criminosos.

E naquela manhã não era diferente.

-Seus quadris, Clarke. Atenção aos quadris – Indra grita por fora da rede protetora da arena.

Clarke, sentindo cada átomo do seu corpo se contorcer, leva uma das mãos a testa, buscando equilíbrio, mas ao sentir a espada de Lexa roçando entre seu braço e seu pescoço, movimenta-se rápido em direção ao solo deixando a espada da Seda flutuante.

Lexa volta-se de súbito para ela e, a ponto de “atingi-la”, é surpreendida por um desvio rápido da moça para a lateral, fazendo sua lança fincar no chão.

Aquele movimento rápido e preciso não fora surpresa. Clarke era uma das melhores guerreiras da tribo, quiçá a melhor.

-Você teria me matado se eu não desviasse – a moça diz levando a mão ao abdome que doía vertiginosamente, a areia do chão da arena colava em na pele com seu suor, esculpindo um alto-relevo em seus braços

-Eu poderia ter te matado de mil maneiras se quisesse. Mas acho que... – diz cortando a espada da Natblida com a sua fazendo um ensurdecedor tilintar ressoar – ...acho que vou esperar você morrer no conclave na próxima lua. Que tal?

-Eu não vou morrer, Lexa – Clarke diz procurando fôlego

Fala levantando-se com dificuldade do chão de terra, mas impulsionando seu corpo para o combate direto com sua treinadora.

-Bloqueia.

-Fecha o ângulo, Clarke, não dá espaço pra ela.

-Muda, a posição, muda.

-Abaixa! Abaixa!

Clarke ouvia instrução de todos que a assistia mas não conseguia atender com precisão a nenhuma

-Proteção. Proteção. Você está exposta!

-Atrás de você.

-Pula, pula!

Por fim, ela ouve uma voz ao longe

-Clarke? Clarke?

A última coisa que Clarke ouvira antes de apagar fora Lexa chamar seu nome, perguntando se estava tudo bem

Já na tenda médica, ela sente os braços de Finn depositarem ela cuidadosamente na maca.

-O que aconteceu? – Marcus diz entrando rapidamente na tenda seguido de uma Lexa ofegante

-Ela e Lexa estavam no treinamento e ela apagou. – Raven conta o que viu um tanto apreensiva ao lado da amiga semiconsciente

-Você está louca? – o líder da tribo grita com a Seda, ainda magoado com o que havia acontecido a Abby no dia anterior – Clarke foi achada ontem, machucada. Nós não temos ideia do que aconteceu com ela nos últimas duas luas. Chamem a Abby, por favor – diz atordoado segurando a mão fria da filha

-Não foi culpa da Lexa, eu quis, Marcus – uma voz extremamente fraca ressoa, fazendo Marcus repensar sua acusação

Ele simplesmente olha para Lexa com um olhar arrependido e, após ela afirmar aceitando suas desculpas, ele volta-se de novo para Clarke – Tente não falar. Fique calma.

Ela fecha os olhos e afirma de leve com a cabeça.

-Cadê ela? O que aconteceu? – a médica adentra a tenda desesperada

-Estou bem, mãe! – dentro de suspiro cansado a moça diz

-Não me diga! – Abby diz chateada e debochada ao mesmo tempo puxando a mucosa dos olhos de Clarke – Branca como a neve. Sem um pingo de sangue na mucosa. Você está anêmica! Preciso de pregos, ferramentas, espadas, tudo o que for de ferro

-Pra quê? – Finn pergunta assustado tentando entender aquilo

-Sopa de pregos. – Raven diz irritantemente feliz – Isso é magnífico.

Clarke diz virando o olhar – Eu não quero isso.

-Mas é necessário!

-O que aconteceu? – Lincoln e Octávia entram por fim na tenda

-Clarke passou mal.

-De novo?! – Octávia diz aproximando-se da moça.

-Saiam, por favor! – a moça diz tirando a mão de Octávia do seu rosto e mudando sua feição instantaneamente – não sei o que tenho. Já passaram mil coisas na minha cabeça, e ainda não sei. Já pensaram no fato de eu ser uma arma biológica, ou algo assim? – era possível notar uma nova crise se estabelecendo. Seu peito estava tão ofegante e suas arfadas tão profundas que sua blusa estava a ponto de rasgar. Seus olhos pálidos se avermelharam de raiva num segundo. E seu coração acelerado parece insistentemente determinado a quebrar suas costelas.

Por favor saiam! – Clama – Preciso ficar só. Eu preciso.

-Não saímos daqui. – Finn afirma tomando sua mão e beijando

-Me solta, Finn! – grita com o garoto livrando a mão dele da sua com agressividade – Saiam. Saiam.... Saiam daqui. Saiam – Clarke diz jogando tudo que encontrava a sua frente em seus amigos, que desviavam de sua violência mas se rejeitavam sair dali – Saiam ! – disse ofegante.

-Ela está em crise. Ela esta em crise.– Kane diz tentando a segurar mas sendo alvo de tapas e puxavões.

-Saiam daqui, vamos esvaziar a tenda para dá espaço para ela – a mãe diz desesperada.

-Eu não arredo o pé daqui. – Raven afirma teimosa

-Eu também não saio. – Octávia fala vendo todos se retirarem – Não faço só por mim ou por ela. Faço pelo Bellamy. Ele ia querer isso

Ao ouvir aquele nome, lágrimas de dor e desespero começam a florescer dentre os gritos e gemidos doentios que ela lançava.

-AHHHH! – ela gritava e gemia entre lágrimas como se estivesse lembrando de algo – MEU DEUS! TIRA ESSA COISA DE MIM. VOCÊS VÃO ME MATAR, VÃO ME MATAR.

- Parece efeito de alguma droga.

-AHHH. ISSO DÓI!

-Sim, Marcus, algo como abstinência ou algo assim... Oh, o que aconteceu com minha filha? – Abby diz com os lábios pressionados contra a testa agitada de Clarke

-Será se a drogavam onde ela estava?

-Não sei, Raven, enquanto ela não lembrar, não poderemos supor nada. – Abby responde

-E agora o que fazemos? – Octávia pergunta em apreensão vendo a amiga chorar muito inconsolável

-Vamos ficar com ela até ela se acalmar e dormir. – Marcus diz antes de beijar sua testa encoberta de suor e lágrimas que colavam nela como uma segunda pele.

De pouquinho, ela se acalmou. Talvez fosse aquela companhia, ou somente o efeito de algo inexplicável passando. Algumas horas depois, ela já dormia um sono, pelo menos aparentemente tranquilo, enquanto Abby, Octávia, Raven e Kane velavam seu sono e procuravam meios de como ajudariam Clarke.

Sentindo o sol no rosto, penetrando as frestas da tenda, ela desperta ainda sonolenta e com uma dor insuportável na cabeça – Octávia? – ela chama a moça que conversa com Raven em um canto da tenda.

-Oi! – as duas dizem se aproximando

-Quanto eu dormir ?

-Bastante, ainda bem. Já é outro dia. – Octávia fala num sorriso. 

-Como passou a noite?

-Eu não sei, Ray. De verdade, eu não sei – responde cerrando o olhar num suspiro profundo

-Aqui – Octávia diz para Clarke enquanto colocava uma de suas botas próxima ao seu pé – Põe aqui, vai.

-Oc., eu não estou muito bem, não quero sair.

-Mas vai ficar – Raven diz alinhando os cabelos rebeldes dela

-Vamos, eu te ajudo – elas dizem apoiando o corpo fraco de Clarke nos delas

-Eu não sinto minhas pernas, não consigo... não consigo me mexer

-É para isso que estamos aqui, amiga. Vem? – dizem saindo com Clarke da tenda e caminhando em direção a floresta

Elas saem no acampamento vazio, por ainda estar cedo, e adentram na densa mata. Um caminho logo é percorrido com algumas muitas pausas para Clarke descansar, para sua pressão se estabilizar

-Minha vista está escura! Eu não consigo mais! – diz ofegante – Eu não consigo – Fala antes de cair semiconsciente nos braços de Octávia.

As duas então, com um relativo esforço, carregam a moça nos ombros até onde ela conseguiu identificar ser o córrego, dado o som da leve cachoeira ressoar.

Seu corpo frágil é deitado próximo as margens do córrego e ela escuta ao longe a voz de Raven dizer ao segurar seu rosto com as duas mãos – Nós vamos cuidar de você, tá bom?

Após isso, ela sente sua blusa ser tirada com cuidado e seu zíper ser aberto.


Notas Finais


Ainda hoje sai capítulo novo. Se preparem para bomba!


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