História Wake Me Up - Capítulo 55


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
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Palavras 5.842
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oláris,
Aposto que vocês não esperavam me ver aqui tão cedo, mas olha quem conseguiu terminar o novo capítulo em tempo recorde! kkk Antes de vocês inciarem a leitura, no entanto, sinto que preciso avisá-los que este capítulo está MUITO TENSO.
Eu havia dito no capítulo anterior que esse seria um capítulo do Joseph e que vocês deviam se preparar psicologicamente para isso, então, eu espero que vocês estejam mesmo preparados, porque haverá algumas revelações bombásticas e cenas muito, muito pesadas, ok? Venho deixando claro, ao longo da história, a personalidade que o Joseph possuí e espero que vocês tenham isso em mente quando lerem. Também espero que vocês se lembrem que a fic tem classificação indicativa +18 haha.
Aviso dado, então, vamos lá!
Boa leitura.

Capítulo 55 - O Monstro de Frankenstein


Joseph entrou no flat alugado e deu uma boa olhada ao redor. Ele estivera ali alguns meses antes e, no geral – apesar de algumas mudanças sutis na decoração –, o lugar permanecia o mesmo. O papel de parede em tons pastéis e os móveis com design clássico davam, ao ambiente, um ar sofisticado, mas o fato de não haver fotografias ou quaisquer outros itens que demonstrassem que mais de uma pessoa residia ali deixava claro que, apesar das aparências, aquele lugar não fora criado para se tornar um lar.

— Eu não esperaria nada menos vindo de você, tio Andrew. – Joseph comentou consigo mesmo, enquanto fazia uma varredura pelo local.

Ele sabia que seu tio ainda estava na universidade porque passara por lá mais cedo e se certificara de que o carro dele continuava no estacionamento, na vaga reservada para o reitor. Além disso, Joseph o estudara por semanas, antes de se auto-convidar para morar no apartamento de Aaron, alguns dias atrás. Ele sabia todos os horários do tio, sua rotina e seus principais compromissos como reitor, por isso, sentia-se livre para vasculhar cada canto daquele flat sem se preocupar com o horário. Ainda estava cedo, o Sol mal havia se posto no horizonte e o outro morador daquele apartamento também não retornaria antes das onze da noite. Ele tinha tempo de sobra.

Despreocupado, Joseph caminhou pelo lugar, conferindo cada cômodo com um olhar clínico. Nenhum detalhe lhe passava despercebido, desde o tecido usado nas cortinas até o título das revistas dispostas sobre a mesinha do hall de entrada. Ele checou os dois banheiros do flat, sorrindo ao encontrar alguns analgésicos e um frasco de comprimidos para insônia, nada que fosse muito forte ou ilegal, mas qualquer coisa que pudesse usar ao seu favor, contava.

— Me diz que você mantém algumas mudas de roupa por aqui, tio Andrew, só para o caso de uma possível emergência. – Joseph murmurou ao abrir o closet e começar a vasculhar as prateleiras, tomando cuidado para não tirar nada de seu lugar.

Para seu infinito contentamento, ele encontrou alguns ternos caros e gravatas que destoavam bastante das roupas casuais e dos uniformes de ginástica que ocupavam a maior parte do lugar.

— Bingo.

Saindo do quarto, Joseph foi até a cozinha e ficou um tanto desapontado quando encontrou apenas garrafas de cerveja e nenhum vinho caro na despensa, esperava que o tio tivesse um pouco mais de classe. No entanto, se contentou com uma garrafa de uísque que encontrou sobre o balcão americano do cômodo, analisando o invólucro de vidro e decidindo que, embora não fosse sua primeira escolha, aquela garrafa serviria bem ao propósito que tinha planejado para ela.

Na sala, Joseph revirou as gavetas da estante e, quando encontrou um contrato de aluguel do flat, em nome do tio, apanhou papel e caneta e começou a escrever uma carta. Ele sempre fora muito bom em imitar caligrafias e falsificar assinaturas, um talento que desenvolvera ainda na infância quando precisava falsificar a assinatura do pai em alguma autorização de dispensa ou nos boletins e, com uma caligrafia tão simples como a do tio, ele sabia que não teria nenhum grande trabalho ao tentar reproduzi-la com maestria.

Quando finalmente terminou a carta, releu tudo que havia escrito e sorriu. Cada linha parecia perfeita, até ele acreditaria no que havia ali se não fosse o próprio falsificador. Então, sentindo que tinha tudo sob controle, desligou as luzes do apartamento, acomodou-se no sofá da sala e verificou o relógio. Seu timing estava impecável, agora só precisava esperar pelo retorno do tio.

***

Andrew Hamilton terminou seu trabalho na reitoria pouco depois das dez da noite. Sua secretária havia saído às oito, como era costume, mas ele permanecera até mais tarde porque havia muitos relatórios que demandavam sua atenção e, também, porque precisava matar algum tempo antes de voltar para o flat.

Era noite de segunda e Luke estava em mais uma de suas aulas de dança contemporânea, o que Andrew considerava uma grande perda de tempo e de dinheiro, mas como o garoto praticamente lhe implorara por isso, ele concordou em pagar. A única chateação quanto às aulas agora era o fato de que Luke o fizera prometer que iria buscá-lo no estúdio todas as segundas – muito embora ele pudesse voltar para casa de táxi – e isso o obrigava a ficar na universidade até mais tarde para aguardar o fim da aula do garoto. Às vezes, Andrew Hamilton achava que Luke era carente e dependente demais dele, porém, enquanto aquilo não se tornava um problema, ele não se importava em atender aos seus caprichos.

Tendo finalizado seus relatórios, Andrew Hamilton desligou o computador, apanhou seu casaco e checou as mensagens em seu celular. Fazia alguns anos que sua mulher havia desistido de esperá-lo para o jantar, mas isso não a impedia de perguntar se ele dormiria em casa, embora tivesse se tornado uma espécie de rotina, para ele, passar algumas noites fora. Andrew sempre culpava o trabalho por isso, inventando conferências, reuniões e palestras em cidades próximas e, às vezes, ele se perguntava se sua esposa realmente acreditava em suas desculpas ou se apenas fingia acreditar para manter o casamento e as aparências. De todo modo, Andrew respondeu à mensagem dela, avisando que não conseguiria voltar para casa naquela noite e que ficaria em um hotel, então, apanhou as chaves do carro e seguiu para o estúdio de dança onde Luke estudava. O garoto já o aguardava na porta, com a mochila pendurada sobre os ombros bem definidos e com cara de poucos amigos.

— Você tá atrasado. – Luke reclamou, assim que entrou no carro e Andrew sorriu para ele, achando graça de sua expressão indignada.

O rapaz era realmente bonito. Sua pele morena e seus cabelos castanhos que caiam em ondas bagunçadas sobre os olhos grandes e cor de mel o deixavam em um estágio perfeito entre a inocência e o pecado. Para Andrew, estar com Luke era como ter um romance adolescente com todas as regalias que apenas um parceiro experiente poderia oferecer, mas ele tinha certeza que Luke só era quente daquela forma na cama porque ele o havia ensinado alguns truques desde muito jovem.

— Eu tinha muitos relatórios para concluir essa noite, amor. Você sabe que o meu cargo exige que eu tenha responsabilidades.

— O que eu sei é que você trabalha demais e, quando está de férias, nunca fica comigo, sempre volta para sua esposa e para o seus filhos e me deixa sozinho aqui.

— Prometo que um dia vou compensá-lo por isso, ok? Planejarei uma ótima viagem só para nós dois, pode ser?

— Espero que seja para algum lugar bem lindo, como Paris ou Veneza, pois tenho me sentido muito abandonado ultimamente.

— Deixarei que você escolha o lugar, então. – Andrew prometeu e Luke sorriu, animado com a ideia de planejar sua viagem dos sonhos. Ele se inclinou na direção de Andrew, com a intenção de depositar um beijo em seu pescoço, mas foi impedido pelo mais velho que se afastou, lançando-lhe um olhar de reprovação. Outro detalhe sobre Luke é que ele costumava ser imprudente e, por vezes, Andrew precisava lembrá-lo de que demonstrações públicas de afeto eram proibidas.

— Desculpe. – Luke pediu, instalando-se de volta em seu espaço no banco do passageiro.

— Guarde para quando estivermos no flat. – Andrew concluiu, depositando a palma da mão sobre a coxa torneada do garoto que assentiu com uma expressão inocente enquanto guiava a palma do mais velho um pouco mais para cima, em direção a sua virilha, fazendo com que Andrew segurasse o volante com um pouco mais de firmeza por causa disso. Luke decididamente sabia como deixá-lo duro.

O percurso do estúdio de dança até o flat que Andrew alugara para eles não era muito longo, algo pelo qual ele tinha que agradecer. Antes de começar seu caso com Luke, Andrew costumava encontrar-se com seus jovens amantes em motéis nas cidades vizinhas, mas Luke era muito novo quando eles começaram a se relacionar e não podia passar tanto tempo fora de casa sem que seus pais desconfiassem, por isso, alugar um flat em Oxford para se encontrar com ele foi uma ótima solução para Andrew. O proprietário do imóvel nunca fez muitas perguntas e quando Luke se tornou maior de idade e decidiu se mudar da casa dos pais para o flat alugado, seus encontros com o garoto se tornaram muito mais fáceis. Eles podiam passar as noites juntos sem que os pais de Luke o importunassem por causa do horário e Andrew só precisava inventar uma desculpa para a esposa, que também nunca fazia muitos questinamentos sobre seu trabalho. Tudo ficava acima de suspeitas ali.

Ele estacionou o carro na vaga reservada no subsolo do edifício e subiu com Luke para o apartamento privativo no último andar, recebendo sorrisinhos provocativos do garoto por todo o caminho. O fato de que aquele edifício contava com apenas um apartamento por andar também foi um dos motivos pelo qual Andrew decidiu alugar o imóvel, pois evitava que vizinhos curiosos começassem a se meter em sua vida. Além disso, o proprietário também concordou que ele desligasse as câmeras de seu andar quando Andrew lhe ofereceu 10% a mais sobre o valor do aluguel. Era o refúgio perfeito.

Assim que saíram do elevador e se encaminharam para a porta do apartamento, Andrew imprensou Luke contra a parede mais próxima, beijando-o com certa urgência e arrancando gemidos indiscretos do rapaz que pressionou sua pélvis na dele, em busca de mais contato. Como os dois se viam apenas uma ou duas vezes por semana, sempre que se encontravam, as coisas seguiam esse ritmo e, naquela noite, Andrew sentia-se muito mais necessitado do garoto, pois sua agenda cheia o havia impedido de encontrar-se com ele na semana anterior.

Andrew até admitia que preferia rapazes mais jovens, mas Luke possuía uma beleza inocente e um jeitinho meio infantil que conseguiam deixá-lo excitado mesmo agora que o rapaz já completara seus dezenove anos e, provavelmente, era por isso que Andrew ainda mantinha seu relacionamento com ele. Em geral, ele sempre se livrava de seus casos assim que os garotos se tornavam adultos e já não o encantavam tanto, mas Luke ainda tinha algo que o atraía apesar da idade.

— Porque não abre a porta para nós. – Andrew disse após matar sua vontade de possuir a boca carnuda do mais jovem com a sua. Ele já estava mais que preparado para Luke e mal via a hora de jogá-lo na cama e de, simplesmente, se enterrar dentro dele até que Luke gemesse seu nome naquele tom desafinado que ele amava.

Sempre obediente, Luke se afastou de Andrew e retirou a chave da mochila, abrindo a porta do flat logo em seguida. Um sorriso provocante tomou conta de seus lábios quando adentrou no imóvel, mas sumiu assim que ele acendeu as luzes e deu de cara com um invasor confortavelmente sentado em seu sofá.

— Joe?! – Luke exclamou, surpreso e assustado por dar de cara com Joseph ali.

Ele se lembrava de ter conhecido o rapaz em uma cafeteria vários meses antes e de achar graça quando Joseph lhe pediu seu número de celular. Por alguma razão que até hoje não era capaz de explicar, Luke concordou em passar seu contato para ele e, após algumas semanas trocando mensagens, resolveu aceitar o convite de Joseph para dar uma volta pelo parque mais próximo, o que terminou com Joseph, gentilmente, o acompanhando até em casa e com ele, gentilmente, perguntando se o rapaz não gostaria de subir para tomar um café ou um suco. Joseph não ficou no apartamento por muito tempo naquele dia, apenas o suficiente para tomar um copo de água e usar o banheiro e, depois disso, havia sumido do mapa e parado de responder às suas mensagens, coisa que Luke nunca contara a Andrew por medo de como ele reagiria quando soubesse que Luke aceitara sair com outro homem, mesmo que fosse apenas como amigos. Andrew sempre havia sido muito possessivo com relação a ele e Luke sabia que ele interpretaria errado o tipo de amizade que desenvolveu com Joseph naquelas poucas semanas, mas nem em seus piores pesadelos imaginava que, um dia, chegaria em casa e encontraria o rapaz ali, invadindo seu apartamento.

 – Oi, Luke. Sentiu minha falta? – Joseph perguntou de maneira calma e sucinta, mas seus perversos olhos azuis se desvencilharam do garoto a sua frente e se focaram em Andrew Hamilton, que entrou no apartamento logo depois de Luke e parou, encarando o sobrinho como se estivesse diante de um fantasma. – Ah! Olá, tio Andrew. Eu estava esperando por você também. – Joseph sorriu com sua melhor expressão maquiavélica.

Andrew Hamilton, por sua vez, quase caiu para trás quando deu de cara com ele naquele que deveria ser seu santuário privado e, por um instante, chegou a duvidar do que seus olhos lhe mostravam, mas não havia como negar o fato de que Joseph realmente estava ali, encarando-o como se soubesse a cura para todos os males do mundo, mas não pretendesse contar.

— Tio? – Luke olhou de Joseph para Andrew, sem entender o que se passava. – Vocês se conhecem?

Joseph apenas ignorou a pergunta do garoto e fez um sinal para Andrew, indicando que ele entrasse de vez no apartamento e fechasse a porta.

— O que faz aqui, Joseph?

— Não posso visitar um parente? – Joseph questionou, fingindo-se de desentendido, enquanto seu tio atendia ao seu pedido e trancava a porta. Andrew devia se sentir muito esperto naquele momento, protegendo seu segredo sujo de quaisquer ouvidos curiosos lá fora, mas ele mal sabia que havia acabado de cometer seu primeiro erro da noite. Estava fazendo exatamente o que Joseph queria que ele fizesse.

— Como descobriu esse endereço?

— Você não é muito bom em ocultar seus segredinhos, tio Andrew. Até me surpreende que a tia Greta não tenha batido na sua porta ainda. Eu só precisei te observar por uma semana para saber onde você se escondia com o seu novo brinquedinho, então, eu acho que ela só não vê o marido que tem porque realmente não quer.

— Você esteve me seguindo?! – Andrew Hamilton o encarou indignado. Sabia que o sobrinho tinha problemas, mas nunca imaginou que ele sairia de Londres e iria até ali apenas para espioná-lo. – Há quanto tempo faz isso, Joseph? E o seu pai sabe que está em Oxford?

Joseph riu.

— Desde quando o meu pai é dono dos meus passos?

— Talvez ele possa responder a nós dois assim que eu telefonar para ele e perguntar por que ele está deixando seu filho psicopata andar por aí sem uma coleira. – Andrew ameaçou e Joseph retirou a arma que havia guardado em sua cintura, apontando-a diretamente para ele.

— Ou, quem sabe, você deva largar o seu celular e começar a se preocupar com o meu dedo nesse gatilho em vez da suposta coleira que deveria estar no meu pescoço, certo?

— O que pensa que está fazendo? – Andrew se sobressaltou e, da mesma forma, Luke se afastou alguns passos de Joseph olhando assustado para a arma que ele segurava.

— Me deixa explicar como isso vai funcionar. Você – ele apontou a arma na direção de Luke e, depois, indicou o sofá diante de si – vai se sentar aqui e ficar calado como o bom menino que tem sido há tantos anos e, você – Joseph apontou para o tio e indicou a poltrona do outro lado da sala –, vai se sentar ali e vai começar a falar direito comigo, porque eu sinto que você me deve muitas explicações, tio Andrew.

— Você só pode ter enlouquecido se acha que pode me ameaç...

— Enlouquecido? – Joseph o interrompeu com um sorrisinho de lado. – Achei que eu sempre tinha sido louco. Não foi por isso que você e o meu pai decidiram me trancar naquele inferno?

— Seu pai e eu decidimos interná-lo naquela clínica porque você estava fora de controle, Joseph.

— Você nunca me viu fora de controle. Nenhum dos dois me viu fora de controle, até agora. Então, senta na porra do seu lugar, como eu mandei, se não quiser que eu enfie uma bala na sua cabeça! – Ele ordenou, encarando ambos os homens na sala com um olhar feroz e, rapidamente, Andrew e Luke fizeram como ele mandou.

A essa altura, Luke já estava em prantos, com seu rosto bonito e angelical totalmente tomado por lágrimas silenciosas enquanto encarava Joseph com puro pavor e tremia só de olhar para a arma engatilhada nas mãos dele.

— Eu estou te assustando, Luke? – Joseph se aproximou do garoto, usando o cano da arma para erguer o rosto do mais novo e obrigá-lo a olhar para si. – Está com medo de mim?

Luke negou levemente.

— E-eu... eu só não entendo o que está acontecendo. – Os olhos castanhos do garoto relancearam para Andrew na poltrona logo mais adiante, como se implorassem por ajuda e seus lábios tremeram com a inútil tentativa de controlar o choro.

— Não se preocupe, eu posso te explicar tudo. Sabe aquele homem ali? – Joseph apontou para Andrew Hamilton. – É, aquele mesmo com quem você fode às vezes? Pois bem, ele achou que seria uma atitude muito inteligente se juntar ao meu pai e me trancar em um hospício pelos últimos sete anos.

— Um hospício? – Luke murmurou sem conseguir encarar Joseph nos olhos apesar do mais velho continuar mantendo seu rosto voltado para ele com a ajuda da arma.

— Pois é, hospício. Dá para acreditar? Então, eu fiquei trancado naquele buraco por todo esse tempo e, enquanto isso, esse filho da puta estava aqui fora, comendo um garotinho diferente a cada semana, até encontrar você, o mais novo brinquedinho sexual dele e começar a brincar de casinha. Você acha que isso é justo, Luke?

Luke não conseguiu responder. Simplesmente engoliu em seco, piscando para tentar dissipar as lágrimas acumuladas que embaçavam sua visão, mas foi pego de surpresa quando Joseph estapeou seu rosto com força.

— Eu perguntei – Joseph o segurou pelos cabelos castanhos e ondulados, forçando sua cabeça para trás até que Luke o olhasse nos olhos – se você acha que isso é justo, Luke. Acha?!

— Não. – Luke respondeu rapidamente, ainda mais assustado do que estava um minuto antes. Seu rosto ardia devido ao tapa que Joseph lhe dera e ele só queria fechar os olhos e esperar que aquele pesadelo acabasse, mas não tinha coragem de fazer isso e arriscar outra agressão.

— Eu também não acho. Agora me pergunta por que ele achou que seria uma boa idéia se livrar de mim, me trancando em um hospício. Pergunta, Luke.

Luke limpou a garganta, tentando manter a voz estável e fez como Joseph ordenou.

— Porque ele achou que seria uma boa idéia te trancar em um hospício, Joseph?

Joseph sorriu, satisfeito com o desempenho do mais novo e olhou para Andrew.

— Eu conto ou você conta?

— Você é louco. – Foi tudo o que Andrew disse e Joseph tomou aquilo como uma permissão.

— Tudo bem, então, eu conto. – Ele voltou a se concentrar no garoto assustado a sua frente que tratou de acompanhar cada palavra, com medo de levar outro golpe. – Sabe por que ele achou que seria uma boa ideia, Luke? Porque eu me tornei um brinquedinho perigoso para ele brincar. Não foi, tio Andrew?

— O... o que? – Luke desviou seus olhos de Joseph para o amante, sem conseguir absorver o que acabara de ouvir.

Ele havia começado seu caso com Andrew quando ainda era muito jovem, tinha apenas quatorze anos e todos diziam que ele parecia ter doze porque sempre foi muito pequeno para sua idade, mas ele não estranhou que Andrew tivesse demonstrado tanto interesse em ficar consigo, pois achou que ambos estavam vivendo um amor a primeira vista. Luke nunca imaginou que Andrew poderia ter um fetiche por garotos da sua idade, sempre pensou que era o único adolescente com quem ele havia se relacionado na vida e, na verdade, ele sempre viu a si mesmo como um grande sortudo, porque sempre teve interesse em homens mais velhos e ter começado um relacionamento com alguém como Andrew Hamilton, que lhe dava tudo o que ele queria e fazia todas as suas vontades era quase um sonho.

Além disso, Luke nunca se importou com o fato de Andrew ter mulher e filhos, pois sabia que alguns homens mantinham um casamento de fachada, mas buscavam na rua aquilo que realmente lhes dava prazer, então, para ele, manter aquele caso nunca foi um problema. Ele o amava afinal e achava que era correspondido. No entanto, se Andrew realmente se relacionava com um menino após o outro e havia se envolvido até mesmo com o próprio sobrinho, isso significava que ele era um doente, certo? Um pedófilo?

— Ah, qual é, Luke? Você não pode ser assim tão ingênuo. Estão nessa há tantos anos e você nunca notou como ele fica excitado quando você age feito um garotinho levado? Nunca se perguntou por que ele gosta tanto dessa sua carinha de bebê?

— Cale-se, Joseph! – Andrew Hamilton protestou e Joseph se voltou para ele, empurrando Luke de volta no sofá.

— Qual é o problema, tio Andrew? Isso te deixa envergonhado? Aposto que era mesmo difícil participar das reuniões de família e ficar na mesma sala em que estavam sua esposa, seus filhos e o sobrinho que você gostava de foder escondido algumas vezes por ano, não é?

— Eu mandei você se calar!

— Foi por isso que quis se livrar de mim? Porque a sua consciência pesava toda vez que você tinha que me encarar?

— Isso é um absurdo.

— Eu tenho que concordar com isso, tio Andrew, porque eu nunca vi qualquer sinal de arrependimento nos seus olhos enquanto você enfiava o seu pau na minha garganta até me fazer engasgar com ele, então, certamente consciência pesada não foi o motivo para você ter convencido o meu pai a me despachar para aquele inferno.

— Você não sabe o que está dizendo, Joseph!

— Engraçado – Joseph riu –, foi exatamente isso que a minha mãe me disse todas as vezes em que eu tentei contar a ela o que você fazia comigo quando ninguém estava olhando, mas eu sempre fui o perturbado da família mesmo, não é? Quem acreditaria em mim, o psicopata juvenil?

— O que você quer que eu diga? Que eu sinto muito? – Andrew Hamilton se colocou de pé, exasperado. – Você sabe que eu me envergonho do que fiz, não era para ter acontecido, é verdade, mas isso não é algo que eu consiga controlar.

— Porque você é um pedófilo de merda!

— Não haja como se você fosse santo, Joseph. Você podia ser jovem, mas nunca foi inocente.

— Eu tinha dez anos, seu desgraçado filho da puta! Acha que eu queria que você fodesse daquele jeito?  Aliás, era isso que você dizia a si mesmo para dormir em paz a noite? Que não tinha problema meter esse seu pau imundo em mim porque eu era a porra de uma criança desasjustada?

— O que você quer de mim, hein? Que eu te peça perdão? É por isso que está aqui?

— Você acha que eu viria até Oxford para que você me pedisse perdão?

— Então, porque veio, Joseph? Para me expor?

— Eu vim porque achei que eu merecia ao menos uma visita naqueles malditos sete anos que passei no inferno por sua causa! – Joseph retrucou, encarando-o com um olhar triste. – Você convenceu o meu pai de que seria bom para mim e para o casamento dele com a Brianna, me jogar naquele lugar, mas você só queria mesmo manter o seu lixo escondido embaixo do tapete e seguir com essa sua vidinha miserável, fingindo ser um bom pai e um bom esposo enquanto, por debaixo dos panos, continuava se divertindo com os seus garotinhos, assim como fazia comigo.

— Joseph...

— Eu fui o seu primeiro! Como você pode me descartar e me deixar apodrecendo naquele lugar como se eu se fosse um nada?! – Uma lágrima solitária escorreu dos olhos de Joseph e Andrew Hamilton se aproximou alguns passos, ignorando a expressão enojada com a qual Luke o observava do outro lado da sala.

O garoto não podia acreditar que havia passado cinco anos de sua vida convivendo com um doente e, Andrew Hamilton, por sua vez, estava pouco se importando para o que Luke pensava sobre ele agora. Naquele momento, ele só se importava com o fato de que, mesmo após tantos anos, Joseph ainda pensava em si mesmo como o seu primeiro e Andrew ainda se lembrava muito bem de como havia se sentido ao tocá-lo pela primeira vez. Joseph foi um marco na vida nele, o momento em que ele se permitiu ceder a um desejo que habitava em seu interior havia muitos anos e Andrew se recordava de como se impressionou quando Joseph sequer derramou uma lágrima depois do ato e simplesmente ficou encarando-o com seus grandes e inexpressivos olhos azuis. O garoto tinha uma personalidade única e, por muito tempo, Andrew só conseguiu atingir o orgasmo com sua esposa quando pensava em Joseph o encarando daquela forma. Não foi a toa que ele precisou sentir aquilo de novo. Sempre que via Joseph precisava tocá-lo.

— Eu não queria ter te mandado para aquele lugar, Joseph. – Ele falou se aproximando ainda mais do sobrinho. – Seu pai cogitou a idéia da clínica depois do que você fez ao cachorro do Aaron e eu teria tentado persuadi-lo disso, mas você estava muito instável realmente. Nenhum de nós sabia mais como te manter sob controle.

— Eu esperava que você ao menos fosse me visitar. Eu esperei por sete anos, tio Andy.

— Eu sei, meu menino. E eu sinto muito por não ter ido até você. – Andrew Hamilton estendeu a mão e tocou o rosto de Joseph com sua palma. – Você pode me perdoar por isso?

— Eu ainda sou especial para você, como você dizia que eu era antes? Mesmo sendo errado, ainda sou o seu garotinho?

— Claro que é, Joseph. Você nunca vai deixar de ser o meu garotinho. Você...

Joseph começou a rir e Andrew interrompeu seu discurso, olhando para ele completamente confuso.

— É serio? – Joseph perguntou, rindo ainda mais. – Eu derramei uma única lágrima e falei meia dúzia de merdas e você realmente acreditou que eu me importava em ser a porra do seu garotinho? Você é ainda mais patético do que eu me lembrava, tio Andrew.

— Você se diverte fazendo esse teatrinho de quinta categoria? – Andrew Hamilton perguntou, voltando ao se estado irritadiço de antes. – O que quer aqui, Joseph? Apenas me incomodar?

— Sim, eu me divirto. – Joseph enxugou a lágrima falsa que havia escorrido por sua bochecha e sorriu para ele. – Mas você está enganado se acha que eu estou aqui. Na verdade, eu nem conheço esse flat. Só você e o seu falecido namorado sabem da existência desse lugar.

— Falecido namorado? Do que você está falando? – Andrew perguntou nervoso e Joseph o encarou, satisfazendo-se com a confusão que permeava o rosto do tio.

— Eu não te contei? O seu queridinho Luke te deixou muito bravo porque decidiu que revelaria o casinho sujo de vocês para a sua esposa e, como o nobre e respeitável homem que o senhor é, você não podia permitir que ele acabasse com o seu casamento e atirasse o seu nome na lama desse jeito, certo? Então, vocês dois brigaram, as coisas fugiram do controle. – Joseph pegou a garrafa de uísque que havia trazido, previamente, da cozinha e a quebrou na parede, antes de caminhar até Luke e o agarrar pelo pescoço, obrigando-o a ficar de pé. – Quando o senhor percebeu o que havia feito, já era tarde demais para o pobre Luke, que estava agonizando no meio da sala!

Sem aviso, Joseph fincou a garrafa que havia quebrado no pescoço de Luke e o soltou, deixando que seu corpo caísse com um baque surdo no chão, enquanto o garoto sangrava e realmente agonizava, em desespero.

— Oh, meu Deus! Você ficou louco?! – Andrew Hamilton gritou, correndo para junto de Luke, numa tentativa falha de estancar o sangue quente que fluía sem parar do pescoço do rapaz. – O que você fez, Joseph?!

— Eu não fiz nada. – Joseph deu ombros, impassível. – Você não ouviu a história, tio Andrew? Foi você quem fez isso a ele.

— Eu vou chamar a polícia! – Andrew Hamilton se colocou de pé, mas antes que pudesse alcançar seu telefone celular, sentiu o cano de metal frio da arma de Joseph encostar em sua nuca.

— Você não pode chamar a polícia. Imagina o que aconteceria se todo mundo descobrisse que você é um pedófilo escroto, que manteve um romance secreto com um adolescente por quase cinco anos? E, como se não bastasse, agora você também é um assassino. Pobre Luke... Ele só queria que você o assumisse diante de todos.

— Você acha mesmo que vai conseguir me incriminar com essa história de merda?

— Eu? É claro que não vou te incriminar. Você mesmo já assumiu a culpa, tio Andrew, contou tudo naquela carta que está ali em cima. – Joseph apontou para a mesinha do abajur, onde havia deixado a carta que ele próprio escrevera mais cedo. – Você sabia que não tinha como sair impune desse crime e sabia se fosse para a prisão, seria estuprado, torturado e morto, porque é isso que acontece com os pedófilos nojentos que vão parar na cadeia. Então, você não viu outra solução a não ser acabar com a própria vida de um jeito rápido e indolor, mas queria deixar tudo isso explicado naquela carta, com um pedido de desculpas a todos os garotos dos quais você já abusou e também a sua amada esposa e aos seus filhos.

— Você é maluco! – Andrew Hamilton exclamou, tentando não fazer qualquer movimento brusco que pudesse levar Joseph a disparar aquela arma contra sua cabeça. – Não deveria ter saído daquele hospício, Joseph. Deveria ter continuado trancado naquela clínica, como a porra do doente que você é.

— Tem razão, tio Andy, mas se eu ainda estivesse trancado lá dentro, como eu poderia vir ao seu funeral? E eu devo te contar o quanto ele foi triste? As pessoas não conseguiam decidir se sentiam pena por você ter tirado a própria vida dessa maneira ou se ficavam indignadas pelas atrocidades que você cometeu antes disso. O conselho da Universidade de Oxford nem soube o que dizer a respeito, tia Greta ficou envergonhada, seus filhos choraram, aliás, a doce Elise foi quem ficou mais desconsolada com tudo isso. Mas não se preocupe, eu vou cuidar muito bem dela para você.

— Seu filho de uma puta, não se atreva a... – Andrew Hamilton ditou, mas sua frase foi interrompida quando Joseph lhe deu uma coronhada na nuca, que o deixou desacordado.

— Desculpe, não consegui ouvir a última parte. Não me atrever a quê? – Ele zombou, parando para dar uma boa olhada na cena ao redor.

O corpo já sem vida de Luke estava estendido bem no meio da sala, com seus olhos cor de mel encarando o teto, sem enxergar coisa alguma e seu tio, Andrew Hamilton, estava desacordado aos seus pés, exatamente como ele planejara. Joseph foi esperto em não retirar as luvas de lã que usava desde que havia voltado do parque, pois assim, não correu riscos de deixar qualquer impressão digital na arma que havia comprado com a numeração raspada ou pelo apartamento. Ele também tomou o cuidado de não pisar nas poças de sangue que se formaram pelo local, pois era de suma importância que apenas as pegadas de seu tio estivessem demarcadas ali. Então, o arrastou com cuidado até poltrona, ajeitando suas roupas de maneira que não parecesse que alguém o havia movido até local e se certificou de que não estava deixando passar nenhuma evidência que pudesse incriminá-lo depois.

Ele havia planejado aquilo por tanto tempo que nem piscou quando finalmente pegou a arma, colocou nas mãos de Andrew e a enfiou em sua boca, apertando o gatilho sem hesitar. O sangue que espirrou na parede ao fundo, também não o incomodou e quando ele se afastou e deixou que a arma caísse das mãos do tio, exatamente como acontecia após um suicídio, a cena inteira lhe pareceu uma obra de arte.

Joseph havia aprendido a matar desde cedo, começou com pequenos animais que conseguia capturar em seu quintal, como os passarinhos e alguns pequenos roedores e achou que tinha chegado ao seu ápice quando tirou a vida de Screapy, o cachorro de Aaron, bem diante dos olhos dele, mas aquilo que ele havia acabado de fazer, toda aquela cena que criara a partir do zero, aquele sim foi o seu auge e, em vez de sentir remorso ou náusea diante de tamanha carnificina, Joseph sentiu-se apenas orgulhoso. A sua maneira, ele achava que era como Leonardo Da Vinci, dando vida a sua própria Mona Lisa.

Sem olhar para trás, Joseph destrancou a porta e saiu do apartamento, sem se preocupar com câmeras já que seu tio havia feito o belíssimo trabalho de se livrar delas, com medo de ter seu caso infame descoberto. Ele já podia ouvir uma movimentação nos andares abaixo, certamente em reação ao tiro que disparara e desceu rapidamente pelas escadas de incêndio, saltando para fora dos limites do edifício através da pequena grade do jardim, onde sabia que o porteiro só ia quando precisava fumar.

Em questão de minutos, Joseph ouviu algumas sirenes soarem ao longe e seguiu na direção contrária a elas, caminhando calmamente sobre o meio fio, enquanto abria os braços e aproveitava a sensação de ter o vento frio do finalzinho do inverno batendo contra seu corpo. Ele se sentia livre, como se o monstro que todos sempre lhe disseram que ele era, finalmente tivesse conseguido se libertar da cela onde vivera preso por todos aqueles anos.

E a sensação era maravilhosa!

Ele se sentia poderoso, basicamente como um deus reinando sobre a vida e a morte e, agora que ele havia provado daquele doce sabor, não sabia se queria parar. Já até imaginava o que as manchetes da manhã seguinte diriam sobre a morte do reitor de uma das universidades mais famosas do mundo e se perguntava se seria muita cara de pau, de sua parte, comprar o jornal só para guardar o resultado de seu trabalho consigo para sempre.

Ao passar por um contêiner de lixo, Joseph retirou as luvas de lã que usava fechou a jaqueta para ocultar as poucas gotas de sangue que haviam respingado em sua blusa e, então, fez sinal para o primeiro táxi que avistou, refazendo seu caminho até o apartamento de Aaron.

Em alguns dias, seria a vez de seu pai pagar pelos sete anos que ele havia perdido dentro daquela clínica e por tê-lo tirado de seu testamento no instante em que os médicos concluíram seu laudo psiquiátrico, deixando toda a fortuna da família para Christopher, o filhinho perfeito que Joseph jamais seria.

Joseph riu consigo mesmo diante daquilo.

Seu pai sempre o incentivou a se tornar um monstro. Como seria quando ele descobrisse que o monstrinho que havia criado e abandonado em um hospício por sete anos, agora iria destruí-lo?

Quando pensava a respeito, Joseph sentia-se como o próprio Monstro de Frankenstein, voltando-se contra o seu criador.


Notas Finais


Então, "galeris", sobreviveram a esse capítulo? Tem alguém aí pensando em me enviar a conta do terapeuta após essa leitura ou vocês acharam tudo de boa, do tipo "ah autora, eu imaginei até coisa pior"? Seja como for, agora vocês sabem porque o Joseph decidiu se voltar contra o próprio pai (É, Erick Hamilton, você não deveria ter despachado seu monstrinho para uma clínica psiquiátrica e depois ainda tê-lo retirado do testamento, né?) e também tiveram acesso a alguns detalhezinhos importantes que compactuaram para a ida do Joseph para a clínica (Andrew Hamilton, você era um homenzinho asqueroso!).
Enfim, espero que tenho aproveitado o capítulo, na medida do possível, e que estejam ansiosos pelo próximo. Deixem seus comentários a respeito e, só lembrando, críticas construtivas são sempre bem vindas.
Até breve.


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