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História Wangxian - Capítulo 3


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Notas do Autor


Preparados?
Boa leitura <3

Capítulo 3 - E se eu pudesse mais?


Fanfic / Fanfiction Wangxian - Capítulo 3 - E se eu pudesse mais?

 

Sizhui e Zizhen chegaram à torre da carpa, sede da seita LanlingJin, ao entardecer de alguns dias depois. Como membro da seita Gusulan, Sizhui foi recebido com respeito e levado até o salão de visitas onde surpreendentemente ele viu um dos anciões discutindo com Jin Ling acaloradamente.

  Não só o local era impróprio como a postura do ancião também.

  Ainda que Jin Ling fosse jovem, ele era o herdeiro por direito a liderar o clã e o outro não podia tratá-lo daquele modo. Sizhui sabia bem como era o temperamento do amigo, ainda assim... Aquilo estava errado.

— ...Jovem mestre Jin, não faz sentido achar que...

— Eu não sou idiota, ancião! Eu sei calcular, sabia!?

— Lamento discordar, mas até onde sei, gastou seu tempo quase inteiro em caçadas noturnas e andando de lá para cá entre as seitas do seu tio e a nossa. Administrativamente...

— Eu sou incompetente, é isso que quer dizer!?

— Eu não disse tal coisa!

  Na verdade, o ancião quis dizer tal coisa sim. O tom era mais do que óbvio e Sizhui foi treinado muito bem por Hanguang-Jun para não interpretar um simples tom de voz como a que o ancião usava com Jin Ling.

  O outro achava seu amigo um inapto e aquilo mexeu com seu sempre equilíbrio emocional. Zizhen fez bem em procurar ajuda, Lin Jing estava em uma situação complicada em seu próprio clã, infelizmente.

Olhou de canto para o membro do clã que tinha lhe trazido até ali e viu o quanto ele estava farto daquela situação, o que claro demostrava que aquilo acontecia frequentemente. Quanto tempo Jin Ling estava passando por aquilo? Um ano? Pois fazia quase isso que não o via.

— Sizhui?

Zizhen sussurrou confuso com a cena, esperando seu próximo passo e Sizhui respirou fundo antes de tomar a atitude que talvez desgostasse o herdeiro Lin, afinal sabia do orgulho imenso do sobrinho de sênior Wei. Ainda assim era a coisa certa ser feita:

— Perdoe a minha ousadia, senhor ancião Lin, mas parece-me que está criticando o seu superior, é isso? De acordo com as leis de LanlingJin, isso seria impróprio, correto?

  Ele olhou sério para o homem bem mais velho enquanto com o canto dos olhos via o assombro e choque de Jin Ling ao vê-lo ali. Queria sorrir e diz oi adequadamente, mas sabia que naquele momento tinha que passar toda a seriedade que era marca do seu clã. Um Lan falava por todos e seguia todas as regras.

  O ancião disfarçou bem o susto ao vê-lo, mas nem por isso suas mãos tremulas passaram despercebidas por seus olhos. Hanguang-Jun dizia frequentemente que as mãos de uma pessoa diziam muito sobre ela.

  Aquilo era correto, o mais velho estava com medo.

— Um jovem de Gusu, que honra!

— Sizhui...?

  Jin Ling pareceu retomar a voz só para sussurrar seu nome, e ele se decidiu ainda mais por fazer o que era certo e ajudar o amigo. Se curvou o cumprimentando formalmente e por dentro tremeu um pouco com a pequena mentira que iria dizer em público.

  Hanguang-Jun com certeza iria puni-lo ferozmente quando o visse:

— Hanguang-Jun sentiu um pequeno indício de instabilidade energética próximo daqui e me enviou para investigar a situação. Encontrei Zizhen no caminho e pedi a ajuda dele nesse caso em específico. Vim informá-los que estarei por aqui pelos próximos dias, espero que não seja um inconveniente.

  Dessa vez ambos, ancião e jovem mestre, tiveram a mesma reação, surpresa, mas foi o ancião quem de novo se recuperou mais rápido.

  Ele era bom em se controlar, e em seu coração Sizhui sentiu que ele também era muito perigoso.

— Hanguang-Jun de fato merece a alcunha de o portador da luz, em breve o seu cultivo o tornará imortal!

— Hanguang-Jun sempre defenderá os fracos e destruirá o verdadeiro mal.

 Sizhui se curvou em respeito ao seu sênior e como mandava as regras em Gusu ainda que ele não estivesse presente. O ancião percebeu que estava diante de alguém que era impecável em etiqueta e era bem esse o seu plano naquele momento. Tinha que dar um bom motivo para estar ali sem revelar o verdadeiro motivo e quando o ancião assentiu satisfeito, ele soube que tinha conseguido.

 Esperou que ele se fosse e que estivesse a sós com Jin Ling para se aproximar dele e dizer baixo:

— Jin Ling, podemos conversar em particular em um lugar seguro?

  O que ele tinha de temperamento, tinha de inteligência e por isso viu nos olhos do jovem mestre Jin que ele sabia que tinha algo a mais. Em pouco tempo entrava em um pavilhão elegante, luxuoso e afastado dos demais pavilhões.

  Jin Ling dispensou alguns poucos servos que estavam próximos e logo era apenas ele, Jin Ling e Zizhen no amplo aposento.

— Bem, estamos no meu quarto, ninguém entrará aqui, nem estará próximo daqui sem minha autorização – Ele disse um pouco arrogante, como era seu habitual desde que se conheceram anos atrás e Sizhui se deixou sorrir mais tranquilo. Jin Ling estava bem, pelo menos... – E você, achei que tinha voltado para as terras da sua seita, Zizhen.

— Eu fui atrás de ajuda.

  Ele disse simplesmente e logo Jin Ling tinha os olhos arregalados. Estava claro que aquilo jamais passou pela cabeça do jovem mestre Jin. Sizhui sorriu ainda mais, era como estar outra vez entre eles em alguma caçada noturna despretensiosa.

— Ajuda!?

  Ele repetiu se dando conta da situação e antes que ele deixasse o temperamento tomar conta da sua mente, Sizhui se aproximou e o segurou pelos ombros de forma tranquila, mas firme:

— Zizhen estava preocupado e com razão, seu tio não deixou um cenário simples para você lidar e não é porque a cabeça do monstro caiu, que os braços e pernas morreram junto – Ele olhou nos olhos do amigo o mais firme que conseguiu – Eu estou aqui para ajudá-lo e ele também. Estamos aqui por você, Jin Ling, não nos mande embora.

  O garoto a sua frente abriu e fechou a boca algumas vezes antes de se soltar das suas mãos e lhe dar as costas cruzando os braços em seguida:

— Bem... Isso... Quer dizer, e a seita de vocês e...?

— Eu mandei uma carta para meu pai dizendo que ia passar um tempo com o Sizhui, sei que ele não vai se importar e como o nosso perfeitinho Lan aqui disse, Hanguang-Jun o mandou para cá, quem será o louco de argumentar?

  Sizhui se sentiu um pouco sem graça por ser relembrado da sua mentira, contudo era a única forma de impor respeito naquela situação. Ele ainda era um júnior, e sozinho tinha pouca influência.

— Hanguang-Jun vai matá-lo quando souber!

  Jin Ling disse em tom de reclamação e Sizhui assentiu. Acataria qualquer castigo do seu sênior, contudo isso seria depois de ajudar ali e pelo que viu não seria nada fácil.

  A batalha a sua frente seria mais árdua que um exército de cadáveres ferozes.

— Bom, qual é a situação de fato, Jin Ling? No que posso ajudar?

  Jovem mestre Jin se virou com os ombros caídos e Sizhui sentiu o coração pesaroso, ele estava sofrendo... E aquilo lhe fazia sofrer também.

— Vamos nos sentar, isso vai demorar.

  Sizhui ouviu o latido do cão espiritual de Jin Ling antes dele entrar no quarto todo eufórico com o dono, como sempre. Aquilo lhe tirou um pequeno sorriso, ao menos ele não esteve totalmente sozinho naquele ano...

  Ao menos isso.

  E então, ele ouviu...

 

■□■□■□

 

  Jiang Cheng passou três dias e quatro noites em febre alta e Xichen temeu movê-lo e piorar ainda mais seu estado, por isso ficou ali, cuidando-o como pode.

  Ofereceu sua própria energia espiritual quando ele estava desacordado, mas parecia que o veneno no corpo do outro era intenso.

  Fossem o que fossem aqueles cifres, não era de um animal comum.

  Usou ervas medicinais para fazer uma sopa rala, mais do que remédio ele precisava comer e se nutrir, mas o homem aparentemente não gostava de plantas e isso dificultava um pouco as coisas.

  Em seus momentos de olhos abertos, ainda que não estivesse nada lúcido, ele dizia muitas coisas e foi nesses períodos que entendeu o que ele fazia ali, tão longe do Píer Lotus.

  Entre as palavras Baoshan Sanren, imortal, núcleo dourado e Wei Wuxian, havia tantas outras comuns e incomuns que logo se construiu em um quadro todo aos olhos e ouvidos de Xichen.

  Jiang Cheng, desde que soube que seu núcleo dourado era de Wei Wuxian, passou a procurar desesperadamente qualquer coisa que houvesse sobre a imortal Baoshan Sanren, ele precisava encontrá-la e desfazer a mudança que a antiga médica dos Wen fez a pedido de Wei Wuxian tantos anos antes. Ele não podia continuar a viver sabendo que estava com o núcleo do irmão e até onde chegou em suas investigações, o local onde estavam era o pé da montanha que levava ao Recluso do Céu onde a famosa imortal vivia.

  Ele tinha que chegar até ela a qualquer preço.

  Essa era a frase mais comum em seus delírios e Xichen se sentiu na mesma medida, surpreso, incrédulo e respeitoso sobre o desejo e coragem daquele homem a sua frente.

  Não acreditava que aquela montanha ou qualquer outra seria algum portal entre o mundo humano e o mundo dos céus, como acreditava Jiang Cheng e tantos outros contadores de história que exaltavam a imortal que ascendeu aos céus, porém só pelo fato da tenacidade do líder da seita YunmengJiang estar inabalável, já era algo a se levar muito em conta.

  Acreditar no impossível e persegui-lo era um talento do seu irmão, não pensou jamais que encontraria algo similar em outra pessoa.

  E agora estava diante daquela pessoa, cheio de fúria e objetivo...

  Voltou a tocar mais cuidadosamente a canção da tranquilidade para que ele pudesse se acalmar e se restabelecer mais rápido, contudo, sentia que seus tratamentos não estavam sendo suficientes.

  O que faria? E se movesse o corpo demais e o veneno se espalhasse?

— ZeWu-Jun... – A voz fraca soou baixo e Xichen se aproximou dele preocupado. A Primeira coisa que tocou foi a testa e ela parecia arder ainda mais do que antes. Ofegou embora inaudível, não podiam continuar ali, ele iria perder o SanduShengshou... – Lan Xichen.

— Estou aqui, SanduShengshou.

  Respondeu baixinho sem conseguir conter sua preocupação feroz.

  Aquele homem era o único parente vivo que Wei Wuxian possuía além do sobrinho, embora o relacionamento de ambos fosse conturbado, sabia que o cunhado amava o irmão de criação, Xichen não podia permitir que ele morresse, não podia...

— Não conte... ao Wei Wuxian.

  Como?

  Xichen olhou seriamente nos olhos do outro e havia lágrimas ali. Ele sabia o que Jiang Cheng queria, e ele jamais prometeria tal coisa porque aquele homem não ia morrer ali e ele não iria precisar mentir que nunca o viu naquela situação. 

  Segurou as mãos dele e disse suave, porém decidido:

— Um dia todos nós iremos ao caminho da morte, mas o seu dia não é hoje e nem nos próximos anos, jovem mestre Jiang.

— Jovem mestre Jiang... – Ele repetiu com um ar debochado ainda que estivesse febril – Há muito tempo ninguém me chama assim...

— Ainda é jovem aos meus olhos e eu me lembro bem de suas travessuras com seu irmão no Recanto da Nuvens quando foram estudar a tantos anos atrás. Assumiu responsabilidades muito cedo, todos nós fizemos, mas isso não significa que deixou de ser jovem, ainda.

  Xichen sorriu de forma mais ampla porque de fato achava interessantemente fofo a forma que eles bagunçavam as tão organizadas e impecáveis aulas do seu tio. Sabia que bem no fundo do seu coração, Lan Qiren não se irritava tanto assim, mas ele jamais admitiria, claro.

Jiang Cheng respirou fundo e então fechou os olhos caindo em outro sonho agitado e Xichen acabou o pegando entre os braços e o balançando sem saber exatamente o porquê fazia tal ato.

  Talvez por que imaginasse que ele precisava? O acalmaria mais do que música?

  Não tinha respostas.

  E nisso acabou adormecendo antes que percebesse.

 

 

  Estava de pé em uma floresta estranha e sem o robe de cima o que deixava seu peito desnudo. Xichen procurou algo para se cobrir, mas no chão só havia folhas douradas, outonais.

  E então notou em seu pescoço um cordão com um pingente. Chifres de cervo.

  Seus dedos pegaram o objeto de forma confusa e segundos depois, arregalou os olhos ao sentir outra presença.

  Era uma mulher vestida inteiramente de negro, de olhos escuros e pele pálida, ela vinha em sua direção lentamente enquanto acima deles estrelas brilhavam intensamente. Ela parou alguns passos de si e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— Lan Xichen, o cultivador mais poderoso em seu mundo, o homem mais culto, mais sábio e ainda jovem. A primeira Jade do Lan, íntegro, exemplar. Sua palavra é lei, seus passos dignos e corajoso o bastante para sair de sua zona de conforto, desistir de sua posição e partir em busca de paz e respostas. Contudo... Seria o líder da seita Gusulan incorruptível o suficiente, com fé o suficiente, com força o suficiente para pagar o preço da vida daquele que morre lentamente em seus braços por sua ganância em pedir o impossível? – Xichen não sabia o que estava acontecendo e tão pouco conseguia formular uma pergunta racional. O que ela era, quem era, onde estavam, do que ela estava falando? A mulher deu uma volta inteira em torno de si antes de prosseguir – Ele ousou ameaçar o cervo, um cervo sagrado, Lan Xichen e agora sofre da agonia de tentar ferir algo dos céus.

  Xichen ofegou, era...?

— Baoshan Sanren?

  Disse surpreso e ela sorriu mais amplo:

— Esses é um dos meus nomes, assim como Lan Xichen é um dos seus. Mas essa não é a pergunta que eu quero ouvir dos seus lábios, cultivador. Diga-me, o que estaria disposto a fazer para salvar a vida daquele homem?

— Tudo.

  Respondeu antes mesmo que refletisse melhor sobre sua resposta, ele sempre respondia com seu coração e nem sempre foram decisões sábias. Contudo... Se Jiang Cheng morresse, como explicaria? Não tinha estruturas para ter mais uma morte em suas mãos, não podia... Não suportaria...

  Ela parou a sua frente e ele se deu conta tarde demais o quanto ela já estava perto. Podia ouvir sua respiração, sentir seu hálito, enxergar dentro dos seus olhos profundos e escuros... E o calor sobrenatural ao seu redor.

— Jiang Fengmian, Jiang Yanli, Madame Yu, Xiao Xingchen, Ah Qing, Song Lan. Esses nomes lhe são familiares?

  Xichen deu um passo para trás. Quase todos ele conhecia, claro, e estavam mortos. Todos, menos Song Lan que seu irmão disse que da última vez que o viu era um cadáver feroz com consciência e que carregava o que restava da alma de Xiao Xingchen e Ah Qing.

  Ela sabia o que lhe ia a mente, pois disse em seguida:

— Song Lan está morto, ele veio até mim e pediu para morrer. Ele não podia mais viver em um mundo em que Xingchen não vivia – Ela disse sem emoção, mas desviou os olhos antes de continuar – Xingchen era meu discípulo e ele deu até mesmo seus olhos para Song Lan, eles merecem uma segunda chance.

— Não entendo...

  Então ela tocou seu rosto e ele foi jogado para outro cenário.

  Nele, ele se via em um barco no meio de um algum lago do Píer Lotus, cercado de seis pequenas crianças enquanto Jiang Cheng pegava sementes de lotus e descascava para uma garotinha que ria em seu colo. A cena era doce e graciosa e por alguns segundos Xichen ficou enfeitiçado pelo quadro familiar... E confuso.

— Ouça atentamente, Xichen.

  A voz dela soou baixa ao pé do seu ouvido e logo ele ouviu...

— Pai! Coma um pouco!

  Uma das garotinhas estendeu algumas sementes para o seu eu do barco que sorriu e pegou, acariciando a cabeça dela em seguida.

  Pai?

  Xichen arregalou os olhos e logo ouviu a mesma garotinha chamar o outro adulto daquela cena do mesmo jeito. Pai, enquanto dois outros meninos brincavam com algumas folhas, outro estava com metade do corpo para fora do barco rindo todo bagunceiro e uma das meninas o olhava com olhos julgadores ainda que fosse tão pequenina.

  Ele abriu e fechou a boca e logo estava na floresta estranha outra vez.

— Faça a pergunta correta, Lan Xichen - Ela disse o soltando e ficando dessa vez alguns passos de si – A pergunta certa.

  Ele queria dizer que aquilo seria impossível. Que não havia lógica, ele queria dizer tantas coisas e, contudo... Por fim ele só não entendia tal possibilidade.

  Ela o esperou e por fim ele disse o que sabia que ela esperava que dissesse:

— O que eu tenho que fazer?

  Ela sorriu e moveu as mãos diante deles e ali surgiu um pequeno frasco que ela lhe estendeu:

— Quando ele beber todo o conteúdo, o seu corpo finalmente se adaptará. O cervo que o feriu tem uma peculiaridade única dos céus, modificar o corpo mortal. A febre pela qual Jiang Cheng passa é essa alteração física e de núcleo. Dê a ele essa beberagem e no próximo nascer do sol ele estará bem e claro, apto a gerar as seis vidas que devolveremos ao mundo mortal para suas segundas chances. Sua responsabilidade será cuidar deles, Xichen além de explicar o inexplicável ao feroz líder de clã, mas sei que ele superará assim como superará o sacrifício do irmão por ele. Todos esses acontecimentos na vida do seu companheiro de cultivo foi uma decisão dos céus, Lan Xichen. Ele é um escolhido entre os homens do mundo mortal, não deixe que ele esqueça dessa graça.  Por isso eu jamais poderia devolver o núcleo dourado que agora existe dentro dele ao verdadeiro dono, afinal é por ele conter tal poder em sua alma, que ele será capaz de conceber.

— Mas ele é um homem!

  Xichen sentia os joelhos fracos como jamais sentiu em toda a sua vida. Ela sorriu serena:

— Sim, ele é um homem, um homem abençoado por mim e que será protegido por toda a sua vida pelo mais poderoso cultivador do mundo. Quem seria insano o suficiente para contestá-lo? Seus filhos serão legítimos ainda que Jiang Cheng engravide virgem.

  Outro golpe, Xichen ofegou sem saber mais como assimilar todas aquelas informações:

— Virgem...?

— Ele jamais tocou ou foi tocado, mas sei que esse cenário mudará em breve - Dessa vez ela riu baixinho – Vocês serão ótimos pais, depois de passarem pelos momentos mais turbulentos. Vocês dois foram escolhidos, Líder Lan, irá contra a decisão dos céus?

— Como... Como eu explicarei?

— Vai encontrar uma forma, seu intelecto não é tão aclamado sem motivo – Então ela tocou seu peito sobre o pingente de galhos de cervo – O cervo alfa habita a sua alma, Cultivador, e ele é sagrado em todos os mundos. Proteja a sua família com fé e todas as dificuldades serão varridas do seu caminho.

— Mas...

  Ele não conseguiu perguntar mais nada porque o sonho se desvaneceu e ele abriu os olhos, não mais aos pés da árvore da floresta e sim na beira de um rio largo e raso pelo qual passou dias antes.

  Em seus braços, Jiang Cheng ainda estava adormecido e em seu pescoço, pendurado em um cordão de prata brilhante, estava o pequeno frasco de Baoshan Sanren.

“Se ele não beber essa noite, ele morrerá, não hesite, cultivador”

  A voz dela soou ao sopro do vento e então se foi como se jamais tivesse soado.

Xichen fechou os olhos lentamente sem entender como se via naquela situação. Os deuses tinham noção de quanto aquilo era impossível e ilógico!?

  Ainda assim era a vida de Jiang Cheng em suas mãos e ele sabia que a escolha já foi feita. Ele não poderia deixá-lo morrer, em nenhuma hipótese.

— Me perdoe... Por favor.

  Sussurrou ao outro, antes de abrir os olhos, o frasco e com pouco trabalho, fazer o outro beber o líquido que mudaria a vida de ambos para sempre.

 

 

 


Notas Finais


Beijinhos <3


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