História Wanna be yours - Capítulo 5


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Categorias Saint Seiya
Personagens El Cid de Capricórnio, Sísifos de Sagitário
Tags Cdz, El Cid, Lemon, Romance, Saint Seiya, Sísifo, Sisifos, Sisyphos, Yaoi
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Palavras 2.394
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Desayuno


O dia já havia amanhecido, mas El Cid continuava sem saber o que diria a Sisyphos quando este acordasse. Por isso, afagava os cabelos dele de leve, sentindo-se meio anestesiado pelo choque dos últimos acontecimentos. Para ele era como se estivesse em um sonho, ainda que um sonho não pudesse ser tão real daquela maneira... Suspirou ao ver Sasha aparecer na sala vestida com seu pijama, esfregando os olhos ao observar o padrinho adormecido sobre o pai – os dois no sofá. Ela sorriu da mesma forma doce de sempre, aproximando-se para beijar a bochecha de El Cid carinhosamente.

- Bom dia, pai! O senhor parece cansado. Vou fazer café...  – Ela saiu sem fazer maiores perguntas, para alívio do espanhol que, agora, murmurava algo no ouvido do grego na tentativa de acordá-lo antes que ela retornasse.

“Despierta, cariño... ya empezó la mañana. ¿Me oyes, ya?” Sisyphos sentiu um arrepio gostoso percorrer seu corpo ao escutar aquela voz grave, porém suave, rente ao seu ouvido, sem muita certeza do que havia ouvido, mas percebendo o tom carinhoso de El Cid em cada uma daquelas palavras.

Apertou mais o abraço e ronronou, virando-se um pouco para encará-lo, franzindo o cenho de leve ao perceber que ele parecia esgotado. Cid tinha passado a noite em claro? Tinha sido por causa das coisas que ele disse? O remorso começou a corroer o sagitariano, que se forçou a sorrir e selou seus lábios aos do capricorniano para, só depois, sentar-se no sofá, liberando o moreno para fazer o mesmo.

Sisyphos fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro delicioso dele em suas próprias roupas, tendo de se segurar para não deixar as emoções tomarem conta de si a ponto de agarrar aquele homem que tanto desejava ali mesmo, sem maiores explicações. O conhecia muitíssimo bem para saber que ele poderia até corresponder, mas ralharia consigo depois até que se arrependesse.

- A Sasha está fazendo nosso desayuno. Logo, estará de volta.

- Ah... Ela perguntou alguma coisa? 

El Cid respondeu que não com um aceno de cabeça, tocando os cabelos de Sisyphos para ajeitá-los, pois o encaracolado estava desalinhado onde ele havia se apoiado em seu peito ao dormir.

Sisyphos aproveitou para ajeitar o cabelo de El Cid, que também estava desalinhado onde ele havia se recostado no sofá, e acabou sorrindo ao se lembrar de que era corriqueiro que um ajudasse o outro a se alinhar depois dos amassos que trocavam, quando eram jovens.

- Bom dia, padrinho!

- Bom dia, querida!

A adolescente se aproximou com uma bandeja e a colocou sobre a mesa de centro, repleta de comidas gostosas que ela sabia que o pai e Sisyphos gostavam de saborear pela manhã. Sorriu animadamente ao notar que eles haviam gostado, observando a ambos enquanto comiam torradas com tomate, tortilhas e churros.

A garota ia dizer alguma coisa quando foi interrompida pelo som insistente da campainha, que fez com que ela risse e se levantasse apressadamente para abrir a porta, uma vez que já sabia quem era o visitante.

- Vocês parecem ótimos. – Kardia comentou de forma sarcástica, sendo seguido por Dégel que ajeitava os óculos, incomodado com o olhar furioso que El Cid desferia para cima do escorpiano.

- Papai, como eu ia te lembrar... é hoje que o tio Kardia e o tio Dégel prometeram me levar no cinema e no parque! – A garota disse em um tom contagiante que só restou ao pai continuar encarando Kardia com uma expressão nada satisfeita.

- A ideia foi dele. – Dégel confessou e Kardia pegou a garota no colo, girando-a com agitação.

Parando para pensar bem, El Cid se lembrou de que o amigo tinha comentado que estava pensando em levar Sasha para passear e distraí-la um pouco do recente afastamento de Lolla.

- Filme, karaokê, montanha-russa, cinema 3D, bate-bate, maçã do amor e petit gateau! Eu não mereço um beijo dessa gatinha? É claro que eu sou o seu tio mais legal!

Kardia ofereceu a bochecha à adolescente, ganhando um beijo estalado, o que deixou o pai enciumado. Mas não tinha jeito quando se tratava do escorpiano... ele mais parecia outro adolescente junto à garota do que um adulto. El Cid inclusive julgava que tudo o que ele precisava era da desculpa de “entreter” a jovenzinha para realizar a própria vontade de ir ao parque, para assistir animações infantis etc.

- Vamos embora, princesa? Acho que alguém ali está precisando dormir. Frouxos!

- Sasha, cuide bem do Kardia. – Sisyphos comentou de forma descontraída, fazendo a garota concordar com a cabeça antes de buscar sua mala.

- Está levando roupas suficientes, filha? Lembre-se de que não é apropriado usar saia em montanhas-russas... use um short para ir ao parque, ok? E mantenha contato: ligue ou mande mensagem.

- Nós vamos fazer umas selfies para você, Cidão.

Dégel respirou fundo para não rir da cara de pau do namorado, pegando a mala da garota enquanto ela se despedia do pai e do padrinho. Em poucos minutos, El Cid já havia feito mais recomendações à filha, que concordava com tudo docilmente. Foi apenas quando os três partiram que ele se deu conta de que estava a sós com Sisyphos, momento em que os dois se entreolharam com cumplicidade e algum embaraço, sem saber ao certo que atitude deviam tomar.

- Você não dormiu nada, dormiu? Por que não toma aquele tranquilizante que te derrubou anteontem e descansa um pouco? Podemos conversar mais tarde...

Sisyphos sorriu com gentileza e El Cid suspirou vencido, concordando que era melhor dormir e descansar para, então, conversarem. Seguiu até o quarto e tomou mais um dos comprimidos que Kardia havia lhe receitado.

O grego se sentou na cama junto ao espanhol, surpreendendo-se ao ser silenciosamente puxado para perto dele e coberto pelo lençol, seu corpo envolto em um abraço gostoso e um tanto desesperado. El Cid, pelo visto, queria se assegurar de que ele ainda estaria ali quando acordasse.

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Milo se revirou preguiçosamente na cama, rolando para os lados e gemendo baixo ao sentir o corpo todo dolorido. Estalou a língua no céu da boca, irritado, resmungando quando os dedos de Kanon tocaram uma parte arranhada de suas costas, fazendo com que a pele ardesse ainda mais onde havia sangrado.

- Ai... está tudo doendo, caralho... – Bufou nervosamente.

- Eu avisei, não avisei? Agora aguente as consequências...

- Quem disse que eu não aguento?

- Você não está resmungando aí?

- Resmungar é diferente de não aguentar... seu velho chato.

- Você não vai parar de me chamar assim, Mi? Sua voz estava mais agradável quando você estava gemendo o meu nome... e a minha idade não pareceu atrapalhar em nada. Ou devo dizer experiência?

- Hunf... convencido. – Milo encarou o primo com um sorriso de canto, beliscando um mamilo dele.

- Isso dói, Milo!

- Hum... quem estava resmungando mesmo?

- Vá para o inferno.

A gargalhada do mais novo ecoou por todo o quarto, o que fez Kanon suspirar e se revirar também, calando a boca dele com um beijo intenso. Ambos haviam se machucado, embora aquilo não passasse de um detalhe incômodo que mal fazia diferença enquanto se atracavam em beijos, chupões, arranhões e mordidas que iam marcando o território.  

- É sério mesmo, tudo o que você disse mais cedo? – Milo mordiscou o lóbulo da orelha do mais velho, sugando sem pressa. - Não é mais um desses seus surtos de bipolaridade?

- Completamente sério, idiota!

Kanon sorriu de lado antes de segurar o queixo de Milo e lamber os lábios dele, apertando-lhe a cintura com desejo. Aí, escutou o telefone tocar e bufou. Certamente era Kardia ligando para saber se estava tudo bem com o irmão. Por que ele tinha de armar tudo e depois ficar telefonando para incomodar quando deveria ficar quieto? O primo não conseguia entender.

Milo rolou por cima de Kanon, tateando o criado até pegar o telefone, que vibrava insistentemente a ponto de interromper sua concentração no boquete que estava disposto a iniciar. Seu sangue simplesmente fervia quando o irmão começava com aquela superproteção insana, que parecia mais um brocomplex do que simples preocupação. Atendeu à ligação sem pestanejar, ou se importar por estar atendendo o telefone do primo.

- Alô? É, sou eu mesmo! Esperava o quê, seu cínico? Você sabia bem que eu estava aqui, não sabia? Está querendo perguntar os detalhes para o Kanon, não está? Ele tem mais o que fazer no momento, então vá ver se eu estou na esquina e para de empatar a minha foda, Kardia!

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Dégel tapou os ouvidos de Sasha ao perceber que a conversa entre os irmãos desbocados era audível mesmo para quem não estava ao telefone, encarando Kardia com uma expressão repreensiva enquanto este começava a gargalhar logo depois de desligar a ligação.

- Aparentemente o Cidão e o Sys não fizeram nenhum progresso, mas o Kanon e o Milo já pararam de enrolar! Por que tudo eu, amor? O que seria desse bando de bundões se eu não desse uma de cupido para acabar com tanto cu doce?

- Contenha as suas palavras, Kardia, pois eu vou destapar os ouvidos da Sasha. – O rosto de Dégel estava rubro de tanta vergonha. Odiava quando o namorado começava a falar palavras inapropriadas perto dos mais jovens.

- A Sasha vai fazer 13 anos, Dé. Já é bem grandinha para aprender uns palavrões. O Cidão é sério demais, não ensina essas coisas para a menina. Imagina se os colegas repararem que ela não fala palavrão? Vai ser zoada na escola, tadinha...

- Não a julgue pelos padrões da sua família... Faz parecer que esse palavreado é normal.

- O que eu falei demais? Cu? Todo mundo tem! Eu já estou maneirando na frente dela, ouviu?

Dégel voltou a tapar os ouvidos da garota, respirando fundo, e os destapou em seguida com alguma hesitação, após o namorado parar de falar. O olhar divertido de Kardia deixava bem claro que ele estava adorando deixá-lo sem graça, o que era um péssimo sinal para o ruivo. Ajeitou os óculos no rosto, baixando o olhar para não ter de encará-lo pelos próximos minutos, retirando os ingressos do bolso para poder mudar de assunto.

- Vamos agora na montanha-russa? Só vou checar a sua pressão mais uma vez... – Dégel mexeu na própria pulseira, acionando a medição de pressão da pulseira de Kardia através da sua, e suspirando aliviado com o resultado. – Está normal.

 

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A primeira coisa que El Cid viu ao acordar foi o olhar azulado de Sisyphos, que veio acompanhado de um sorriso aliviado, ao perceber que ele parecia menos cansado. O moreno pousou uma mão sobre os cabelos cacheados do grego, afagando-os enquanto se encaravam com intensidade. Sorriu com leveza ao perceber que suas pernas haviam se entrelaçado enquanto ele dormia, tendo uma agradável sensação de nostalgia dos tempos em que acordavam assim sempre.

- Sisyphos, eu... – Pausou ao sentir dois dedos pousarem sobre os seus lábios.

- Primeiro, eu não gostaria de me arrepender por não ter dito algumas coisas que eu quero dizer... e que podem te ajudar a tomar uma decisão. – Continuou a falar sem deixar espaço para que El Cid retrucasse, ou o interrompesse naquele momento.  – Eu peço desculpas se fui rude ao conversar com você ontem... Eu tenho noção do quão grande é a minha frustação, Cid. Eu tentei negar que ainda te amava por todos esses anos, contei mentiras para mim mesmo, machuquei o Kanon por não conseguir me envolver com ele da mesma forma, achei que estava levando a minha vida em frente quando, na verdade, parece que eu nem saí do lugar. Eu não sei ao certo o que eu deveria ter feito naquela época em que nos separamos, se eu devia ter insistido até você ceder... Eu não sei... Eu me sentia tão desesperado e ansioso que não conseguia fazer nada! Sempre ouvia aquela mesma resposta de que “não tinha jeito”, de que “não daria certo”. Eu passei essas últimas horas pensando a respeito disso, e ainda não sei! Isso não muda o presente, Cid, mas... agora eu percebo que nada no mundo me deixa mais frustrado do que pensar no quanto eu te amo e me sinto amado por você... e, ainda assim, nunca conseguimos nos acertar!

- Sys... – A frase ficou entalada em um nó na garganta, que se formou quando o espanhol notou que os olhos do grego marejaram, em um azul ainda mais intenso do que o habitual.

Era uma cena simultaneamente bonita e triste de se ver... Aquele azul era tão profundo quanto a dor que El Cid sentia no peito ao pensar na frustação que também experimentava, tão diferente da dele: a de se julgar pequeno demais diante da grandeza do homem amado, de acreditar que ofuscaria a luz dele com toda sua opacidade.   

- Nem tudo o que aconteceu faz parte das nossas escolhas, Sys... Você tinha negócios em Creta, eu tinha minha vida em Atenas. O seu tempo livre era geralmente quando eu mais precisava estudar, e você tinha sede de vida... de viajar, conhecer o mundo, escalar, mergulhar, esquiar... uma série de coisas que eu não teria ânimo ou dinheiro para te acompanhar mesmo que trabalhasse a vida inteira. Eu não podia deixar você gastar o seu dinheiro comigo, você e sua família se esforçaram para transformar o Hotel Femanis em um sucesso. Eu me sentia um verdadeiro fracasso, você morreria de tédio ao meu lado! Eu não conseguia fazer nada direito, porque sentia tanta ansiedade em pensar que um dia você veria isso e terminaria comigo... que decidi terminar antes que a gente se machucasse mais. O medo de que uma hora chegaria o momento de te perder... eu nunca te falei sobre isso. O quanto mais se ama, mais se perde... Eu tentei ser racional para minimizar o que certamente viria, mas você sempre me tirava do sério e me fazia encarar a verdade: eu não tenho nenhum controle sobre o meu coração.   

- Só por hoje, Cid... nós podemos fingir que voltamos no tempo e ainda somos namorados? Eu não sei o que vai ser depois, mas eu daria tudo para ter você de novo... Você também ainda me deseja? Eu não consigo ter uma conversa séria agora, pois já estou usando toda a minha força de vontade para não me atirar em cima de você.


Notas Finais


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Grande abraço,

Nathalie Chan


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