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História Want - Capítulo 1


Escrita por: e winterboobear


Notas do Autor


Collab lindíssima pra vocês!
Completa em dois capítulos.

Livremente inspirado nas músicas e clipes do Taemin. Se não conhecem, por favor, joguem no Youtube.

Capítulo 1 - Maçã Proibida


Aquele era com certeza o momento mais alto da carreira de Iwaizumi. Já trabalhava na captação de videoclipes para a indústria pop há cerca de 5 anos, mas este era o artista mais célebre a entrar no seu currículo. 

Oikawa Tooru era, sem dúvida, o maior nome do pop no país. E suas turnês pelo mundo com grandes estádios lotados confirmavam seu alto valor de marca, ele era o ídolo mais queridinho do Japão.

Foram várias reuniões com a direção de arte, direção de produção e com a equipe do artista. Não havia limite de gastos no orçamento e não havia espaço para erros ou falhas. Esperavam nada mais nada menos que perfeição. 

Iwaizumi estudou toda a videografia do cantor, que vinha num crescente absurdo. Tanto em qualidade de produção quanto em audiência. Esse próximo clipe precisaria, no mínimo, superar o anterior. Iwaizumi certamente faria de tudo para que o artista quebrasse seus próprios recordes de visualização no Youtube e que aquele fosse o clipe mais bem sucedido de sua carreira.

Quando a gravação começou, ele já não tinha mais tanta certeza. 

- Eu sei que ninguém aqui é amador, mas não custa nada lembrar de novo. - Era pouco antes das seis da manhã e a equipe já se reunia no set em volta do diretor geral de produção, Ennoshita. - Se eu ver alguém tirando foto, pedindo autógrafo ou qualquer outra abordagem que não seja relacionada ao trabalho que vamos executar, tenha certeza que vai precisar mudar de profissão. Farei questão de pessoalmente manchar o nome do infrator em toda a indústria. Estamos entendidos?

A equipe de quase 30 pessoas concordou silenciosamente. A ameaça era mais do que séria. Ennoshita conhecia, literalmente, todo o mercado de entretenimento japonês. E a ameaça valia para todos, desde produção, filmagem, maquiagem, efeitos, limpeza, segurança, qualquer um. E obviamente valia para Iwaizumi também. 

- Ao fim da captação faremos a tradicional foto em grupo de todos juntos, que vocês vão poder guardar de recordação e mostrar para os amigos de vocês. - Completou Ennoshita dando uma suavizada no clima. - Suga, o cronograma por favor.

Sugawara deu um passo à frente e prontamente repassou o cronograma que Iwaizumi já sabia de cor. A montagem do primeiro set deveria finalizar nos próximos 30 minutos, quando o artista chegaria para aprovar. Depois ele iria para maquiagem e figurino e em mais 30 minutos estaria de volta no set pro início da captação. Qualquer alteração solicitada precisaria ser resolvida naquele prazo. 

Iwaizumi dava graças aos céus por não ser diretamente responsável por aquela parte. Ele operava a câmera principal e coordenava os câmeras auxiliares e equipe de iluminação. Mas, caso algo não estivesse nos conformes, basicamente o set inteiro se unia em desespero para resolver no prazo. Era um momento de tensão para todos, mesmo que no fim a equipe do Suga sempre resolvesse tudo. 

- Eu ouvi dizer que no clipe anterior Oikawa não aprovou um tapete por não ter um selo de certificação ambiental. - Hanamaki cochichou ao lado dele. O homem era um dos auxiliares de Iwaizumi e, literalmente, a maior fonte de fofoca e boataria do ramo. Hajime se recusou a esboçar qualquer reação àquela informação. - A produção precisou trazer de trem bala de Osaka um com certificado. Atrasou tudo em quase uma hora, e os tapetes eram exatamente iguais. 

Hajime suspirou fundo e massageou as próprias têmporas. 

- Hanamaki, eu realmente não preciso dessas informações. Preciso de foco. Meu e de vocês dois, tá ouvindo Matsukawa? 

Os dois concordaram e se calaram. Iwaizumi aproveitou para mandar eles checarem os próprios equipamentos pela quarta vez. Depois fez cada um checar o do outro para ter certeza que nada se passou. 

Enquanto todos corriam retocando qualquer coisa, a estrela finalmente chegou. Acompanhado de Shimizu, assessora de Oikawa que Iwaizumi já tinha conhecido, e de um homem que certamente era seu segurança particular. Ele usava o clássico kit “famoso que não quer chamar atenção mas acaba chamando mais ainda”: boné, óculos escuros e máscara branca. Iwaizumi não se surpreendeu nenhum pouco.

- Bom dia a todos. - ele cumprimentou simpático ao entrar pela porta do estúdio causando um silêncio pesado instantâneo. Logo ele tirou os óculos e a máscara e seguiu falando após uma mesura educada. - Eu sou Oikawa Tooru e estou ansioso para trabalhar com vocês. 

Todos retribuíram a mesura educadamente e o clima tenso foi aos poucos se dissolvendo. 

- Você pode me aguardar na porta, Ushiwaka. - Oikawa disse para o segurança que já o seguia prontamente pelo set. O grandão não pareceu gostar muito de ser dispensado, mas obedeceu depois de uma troca de olhares com a assessora. 

Suga foi quem conduziu Oikawa até o centro do set. Conforme ele ia passando pelas pessoas fazia questão de cumprimentar todos com um aceno e um sorriso. Ennoshita foi o primeiro a ser cumprimentado diretamente e os dois claramente já haviam se encontrado anteriormente pois não houve apresentação.

- Este é Iwaizumi-san, responsável pela equipe de captação. - Suga o apresentou formalmente. 

- É um privilégio trabalhar com você Oikawa-san, eu e minha equipe faremos o possível para exceder suas expectativas. - Iwaizumi disse prontamente enquanto baixava a cabeça. Naquele momento reparou que o astro tinha alguns centímetros a mais que ele. 

-  Ah, Iwaizumi-san. Chikara-kun falou um monte sobre você. 

Iwaizumi ergueu a cabeça surpreso, finalmente olhando Oikawa nos olhos. Seu rosto, totalmente familiar para Hajime depois de horas assistindo diferentes clipes inúmeras vezes, agora estava diferente. Talvez fosse a falta de maquiagem, talvez fosse o fato de vê-lo ao vivo. Sem saber o que responder ele apenas observou inquieto a curvatura dos lábios do astro subirem num sorriso… Estranho. 

- Não se preocupe que você já excedeu as expectativas, Iwa-chan. 

Se antes Iwaizumi não sabia o que responder, agora ele não conseguiria nem ao menos falar. Apenas acompanhou com os olhos enquanto Suga conduzia Oikawa para o centro do set, oferecendo proteções para os calçados para que nada fosse sujado. 

Juntos eles percorreram os itens que comporiam os múltiplos cenários em diferentes cenas. Uma espreguiçadeira esguia e preta sem detalhes, múltiplas lentes de aumento presas por hastes de diversos tamanhos e alturas. Algumas estruturas móveis que montariam uma espécie de passarela elevada, algumas estruturas com cortinas de tecido e cordas. De resto, o cenário era completamente branco.

Hajime observava os dois circularem ainda sem ter certeza exatamente do que tinha acontecido. Tentava recapitular a cena, as palavras, o olhar, o sorriso, o nome pelo qual havia sido chamado: nada fazia sentido. Olhava o astro analisar os objetos do cenário com grande interesse enquanto Suga explicava detalhes sem parar. 

- Você parece que viu um fantasma, “Iwa-chan”. 

Hajime se virou para Hanamaki e com apenas um olhar furioso foi capaz de colocar o auxiliar de volta no seu lugar. Quando voltou os olhos para o set, Suga seguia falando sobre o material do tecido da cortina, mas os olhos de Oikawa estavam diretamente nos do câmera. 

Iwaizumi baixou rapidamente o rosto fingindo mexer em alguma configuração do equipamento que já estava perfeita há quase duas horas. 

- Está tudo perfeito, Suga-chan. Bom trabalho. - Oikawa disse num tom um pouco alto, fazendo questão que não apenas Suga ouvisse. Iwaizumi observou enquanto Suga agradecia polidamente. Logo Shimizu assumiu o posto ao lado do produtor, repassando algum tipo de listagem, mas Iwaizumi já não prestava mais atenção pois Oikawa vinha saindo do set diretamente em sua direção. 

Iwaizumi sentiu o coração pular para a garganta a cada longa passada de Oikawa na direção da câmera. Sua mente começou a trabalhar a mil por hora projetando múltiplos cenários de uma conversa que viria a acontecer, e nenhum deles era bom. Seus olhos castanhos estavam fixos nele e o sorriso estranho, que agora já lhe parecia um tanto debochado, estampado no rosto. Seu caminhar era confiante como só uma estrela internacional saberia caminhar, e a meia dúzia de metros que havia entre eles pareciam se estender por quilômetros. 

Hajime precisou piscar os olhos e Oikawa já havia passado. Diferente de qualquer expectativa do câmera, ele simplesmente passou e seguiu com a equipe de figurino e maquiagem que já lhe aguardava. O câmera soltou um ar que nem sabia que estava segurando, tentando entender.

Ficou olhando enquanto Oikawa cumprimentava a equipe como se fossem velhos amigos. Com certeza ele tinha se iludido completamente achando que a estrela iria dedicar mais que meia dúzia de palavras com o câmera, tendo tanta gente interessante em volta. 

Shimizu logo se juntou ao grupo e todos foram se dirigindo para os camarins. Pouco antes de cruzar a porta, Iwaizumi teve certeza que os olhos de Oikawa pousaram sobre ele. 

 

____________________

 

O tempo passou super rápido. Iwaizumi só precisou xingar Hanamaki mais uma vez por alguma piada inadequada, Ennoshita repassou conferindo se estava tudo ok com cada líder de equipe e estavam prontos para iniciar os testes de luz. 

Oikawa entrou no set e ele não precisava de luz. 

Sua simples presença atraiu o olhar de todos os presentes. A postura do artista, associada ao figurino e à maquiagem, tornavam impossível que sua presença passasse despercebida. Ele vestia um terno vermelho sangue que certamente ficaria ridículo em qualquer outra pessoa do mundo. Nele, no entanto, parecia que tinha saído direto de um anúncio de revista.

Um anúncio de revista que olhava fundo nos olhos de Iwaizumi.

A voz de Ennoshita soou alto pelo set informando que iniciariam os testes de luz. Iwaizumi tossiu um pouco na esperança de disfarçar a vermelhidão que subia pelo seu rosto. Havia mais de 30 pessoas no estúdio, Oikawa não estava, não poderia estar, olhando para ele.

Oikawa foi para o centro do set, acompanhado de perto pela maquiadora loira e baixinha que parecia extremamente nervosa. Ela tinha um enorme cinto de utilidades, parecendo o batman das maquiagens. Nas mãos, a postos, um pincel fofinho e pó. 

Iwaizumi teria reparado nela se não estivesse ocupado tentando não olhar para Oikawa passando ao lado dele para chegar ao centro. Havia algo em como o artista se movimentava que não era compreensível para Hajime. 

Ennoshita se posicionou atrás de uma central de telas que recebia o retorno das câmeras, pedindo que Oikawa se movimentasse pelo set enquanto a equipe ajustava as luzes.

Em algum lugar, alguém colocou a música para tocar num volume baixo. Oikawa passou a se movimentar sem um propósito aparente, dando alguns passos largos como se experimentasse o tamanho do espaço à sua disposição. 

O videoclipe teria basicamente cenas de Oikawa dançando, tanto sozinho como acompanhado do seu time de dançarinos, intercalado com closes do astro cantando ou simplesmente parado e sendo bonito. Começariam pela captação dos closes e as coreografias ficariam para depois da pausa de almoço.

Iwaizumi respirou fundo e focou os olhos na pequena tela do aparelho em sua frente. Empurrou com facilidade o equipamento que ficava montado em um estabilizador suspenso, e se aproximou. 

Saindo de um giro suave, os olhos de Oikawa caíram justamente nas lentes da câmera principal. O artista se movimentava devagar, mudando o rosto de ângulo, enquanto Iwaizumi o acompanhava. Ao fundo, Iwaizumi ouvia Ennoshita falar com a equipe de luz. Ele sabia que deveria estar observando o mesmo aspecto, mas seus olhos estavam vidrados nos de Oikawa através da tela. O olhar dele era tão intenso, parecia que estava olhando através da câmera, direto nos olhos dele. 

Iwaizumi precisava se concentrar. Urgentemente. 

Ouviu Ennoshita falar algo que fazia bastante sentido e concordou em voz alta como se estivesse pensando a mesma coisa. Pediu a confirmação da equipe, e Hanamaki e Matsukawa concordaram. Logo passaram para uma configuração de luzes mais fracas e repetiram algumas amostragens. 

- Me desculpem o atraso! 

Hajime se assustou levemente vendo uma figura se aproximar de Oikawa a passos largos. Era um homem alto e bastante magro, de cabelos vermelhos, vestindo roupas um tanto extravagantes. Calças pretas largas tipo de yoga e uma blusa roxa neon curta e justa de barra torta, claramente cortada a mão. 

- Já estava achando que você ia me abandonar, Satori-chan! - Oikawa cumprimentou. 

- Eu cheguei tem alguns minutos. - ele disse tirando um pirulito da boca - Estava tentando iniciar algum barraco, mas seu segurança se recusa a me prender. Até ameacei te matar... Precisava ver a cara dele. 

- Pobre Ushiwaka. Você é mesmo terrível. Nada nunca abalou aquele homem, mas talvez você consiga uma hora dessas... 

Hajime demorou alguns instantes para entender o teor da conversa. A risada abafada de Hanamaki ajudou a perceber que era uma brincadeira. Logo Suga surgiu cumprimentando o estranho e Hajime entendeu que ele era o coreógrafo. Mesmo com anos na indústria, Iwaizumi ainda não estava acostumado com a quantidade de gente estranha que conhecia todos os dias. 

Com uma troca de olhares rápida com Ennoshita, ele percebeu que o diretor suspirava para manter a calma. Logo Suga deu um jeito de retomar a ordem e colocar Satori num local que não atrapalhasse, mas que estivesse perto o suficiente para orientar Oikawa. 

Alguns minutos depois Hajime estava de novo com os olhos focados no visor da câmera. Iriam começar os primeiros takes valendo. Como eram só closes que depois seriam editados, não havia exatamente um jeito certo a fazer. 

A câmera principal de Hajime focava sempre o rosto e os olhos, e os demais pegavam algum detalhe da roupa, mãos ou pés. A música tocava para conduzir os movimentos no mesmo ritmo. 

Oikawa voltou a se movimentar de leve, olhando para a câmera, mexendo levemente nos cabelos, passando a mão no rosto. Hajime sempre achou o astro bonito, mas parecia que ali, na sua câmera, ele estava ainda mais lindo. 

- Ah, por favor, Tooru, você faz melhor que isso! - Satori disse batendo algumas palmas para chamar a atenção - Suas fãs vão morrer de tédio assim. 

- Estamos literalmente gravando há três minutos e você já está me xingando. - Oikawa reclamou fazendo um bico, e Hajime agradeceu aos céus por ainda estar gravando. Não que ele pudesse ficar com a cena pra ele, mas ele poderia definitivamente assistir de novo.

- Essa música se chama "WANT" por um motivo, quem quer que assista esse clipe precisa QUERER você. - Satori disse sem pudores.

- Eu acho que sei os motivos da música que eu mesmo compus, Satori-chan. - Oikawa disse com desdém. - Eu estou apenas me aquecendo. 

Ennoshita pigarreou discretamente numa tentativa de recuperar o profissionalismo da gravação. Seria um longo dia. 

 

__________________

 

Oikawa estava realmente só se aquecendo. Iwaizumi estava agora no banheiro lavando o rosto numa tentativa de se recuperar. Depois da intervenção do coreógrafo, Hajime achou que seguiria a captação conforme o programado. Mas foi mais difícil do que ele esperava. Ou mais fácil, dependendo do ponto de vista.

Como Tendou tinha bem explicado, o objetivo daqueles takes próximos era explorar a sensualidade do artista. O papel de Hajime era captar as cenas de maneira que ficassem excitantes. Ele não precisou se esforçar muito.

Tudo em Oikawa exalava sensualidade. Toda a discografia solo era composta de batidas sensuais e clipes ousados. Desde cenas na chuva, cenas dele amarrado, letras provocantes e definitivamente sexuais eram suas marcas registradas. 

A própria existência dele já era um símbolo de desejo, e ele sabia disso. A sensualidade estava presente em tudo que ele fazia. Na maneira como se portava e se movimentava. No seu corpo alto, esguio e bem definido. Em seu cabelo castanho claro perfeitamente rebelde nos locais certos. Em suas mãos tocando o próprio corpo mostrando para quem assistisse o que a pessoa poderia ter, mas nunca teria.

E o golpe mais fatal de todos: o olhar. Oikawa olhava sempre para a câmera principal, mas como se olhasse além das lentes. Como se pudesse chegar nos olhos de quem o assistia diretamente e convencesse a pessoa de que era ela mesmo quem ele queria. Nos primeiros cinco minutos, Hajime já tinha certeza de que era ele quem Oikawa queria.

Cada vez que Ennoshita ou até mesmo Tendou intervinham em alguma coisa, ou a gravação parasse por alguns instantes, Iwaizumi buscava confirmação de que estava errado. De que Oikawa estava apenas fazendo o trabalho dele de seduzir a audiência através da lente da câmera e que ele não estava mirando fundo nos seus olhos. 

Não houve confirmação alguma pois cada vez que Hajime saía de trás da câmera, os olhos de Oikawa o seguiam como se fossem as próprias lentes. Era sempre Iwaizumi que precisava quebrar o contato visual, chamando Matsukawa por qualquer coisa inútil ou se escondendo atrás dos aparelhos. 

Iwaizumi jogou água no rosto como se fosse possível se limpar dos olhares do astro. Repetiu pra si mesmo como um mantra de que aquilo não era verdade, que estava se confundindo, que Oikawa tinha os olhos apenas na câmera e não nele. 

Em todos os anos que vinha trabalhando naquele ramo, Hajime não se lembrava de já ter tido um dia tão cansativo como aquele. Quando foi contratado para aquele trabalho, não fazia ideia de que filmar Oikawa Tooru mexeria tanto com ele. As imagens estavam ficando gravadas, não só digitalmente, mas na sua mente também. 

A música, por si só, tinha um grande cunho sexual, e as poses e movimentos sedutores que o artista performava na frente das lentes, faziam a imaginação do moreno trabalhar a mil. Era como Tendou tinha falado, quem assistisse ao clipe tinha que desejar Tooru, mas Hajime achava que não seria necessário muito esforço para conseguir aquilo.

Por vários momentos, ele observou seus colegas à sua volta, e se desesperava ao perceber que ninguém parecia tão afetado como ele. 

Em uma determinada troca de figurino, o cantor tinha voltado para o set exibindo as pernas compridas em calças justas que marcavam as coxas bem torneadas e a bunda empinada. Uma camisa social com os botões abertos até a metade deixavam entrever a pele clara e lisa, e os bíceps pareciam saltar sob o tecido fino. 

Quando Oikawa desfilou na frente de Iwaizumi daquele jeito, fazendo questão de olhar em seus olhos e sorrir de lado, ele se limitou a se esconder como pôde atrás da câmera. Cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo, sentindo o suor escorrendo frio por suas costas. 

Hajime não era cego, sabia que não era um cara feio. Sempre que se encarava no espelho via uma beleza que achava ficar na média. Não havia motivos no mundo para um artista daquele calibre querer algo com ele. 

Agora estavam num intervalo e ele covardemente se escondia no banheiro. Jogando mais e mais água fria no rosto para tentar clarear os pensamentos que estavam fugindo ao seu controle. Quando ergueu os olhos para o espelho, sufocou um grito assustado ao ver o próprio Oikawa Tooru encostado à porta, encarando-o pelo reflexo no espelho. 

Ele sentiu o corpo enrijecer e permaneceu na mesma posição quando o artista caminhou até ele naquele andar de passarela. Estava usando ainda o figurino dos botões abertos que sob a luz branca do banheiro continuou incrivelmente impecável.

Apoiou-se na bancada da pia sem conseguir dizer nada, sentindo que ele estava tão perto que sentia o calor do corpo do astro. Seus olhos castanhos continuaram encarando-o pelo reflexo do espelho e Hajime estremeceu ao sentir que estava sendo analisado minuciosamente. Sentiu como se estivesse sendo escrutinado dos pés à cabeça pelo olhar totalmente julgador de Oikawa Tooru, que nem disfarçava. 

O sorriso sugestivo que veio em seguida não estava no roteiro que Iwaizumi recebeu para o dia.

Àquela distância podia ver as gotas de suor que brilhavam na parte desnuda do peito de Tooru, o cabelo castanho estava um pouco bagunçado pela dança. Sem que ele pudesse evitar, um trecho da música que tocava no set veio à cabeça de Hajime:

“Essa doçura da maçã proibida,

Te provoca o impulso que desperta os sentidos. “

Oikawa Tooru era a própria maçã proibida e Hajime seria expulso do paraíso se ousasse saboreá-la. E o paraíso não sendo aqui apenas esse trabalho, mas toda a sua carreira. 

Hajime se assustou quando a porta foi aberta e Shimizu colocou a cabeça para dentro do banheiro. Seus olhos passearam rapidamente pelo local e pousaram no cantor que não esboçou surpresa alguma.

- Por tudo que é sagrado, Oikawa, anda logo, você está atrasando tudo! 

- Já vou, já vou, Kyoko-chan. Só um segundo. – ele a dispensou com um aceno de mão relaxado.

A mulher não parecia ter notado a presença de Hajime, ou apenas resolveu ignorar. Ela resmungou irritada e fechou a porta novamente. Iwaizumi, que ainda não tinha se movido até o momento, apenas observou o cantor se voltar em sua direção de novo.

- Você parece assustado, Iwa-chan. Eu só vim lhe dizer que você é um... – os olhos dele percorreram sem pudor algum o corpo do moreno – … excelente profissional. 

Antes que Hajime pensasse em agradecer ou qualquer outra coisa, Oikawa já tinha saído apressado atrás de Shimizu. Permitiu-se respirar novamente, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

Oikawa Tooru era um maldito reizinho que tinha o mundo aos seus pés. Podia levar quem quisesse para sua cama, podia desejar qualquer coisa que os seus súditos prontamente atenderiam. O moreno sentiu um arrepio – que ele não soube identificar se era medo ou excitação – ao perceber que talvez ele era o próximo desejo de sua majestade.

Depois de secar seu rosto e constatando que de nada tinha adiantado gastar tanta água, o câmera voltou pro estúdio. Iwaizumi podia não ter certeza se Oikawa estava realmente interessado nele, mas precisava parar de fantasiar e continuar fazendo seu trabalho. Sua integridade foi reforçada quando chegou no set e viu Oikawa segurando as mãos de Suga e o agradecendo por alguma coisa.

- Suga-chan, muito obrigado mesmo. Você é um excelente profissional. 

As mesmas exatas palavras. Claro que não era a mesma entonação e ele também não tinha escrutinado o corpo de Suga como se ele estivesse completamente nu e à disposição dele. Mesmo assim, Iwaizumi teve absoluta certeza de que tudo aquilo era uma obra da sua mente fantasiosa. Céus, ele estava parecendo uma adolescente sonhadora querendo ser notado pelo senpai super popular no colégio. Era óbvio que Oikawa Tooru estava apenas usando suas palavras para motivar a equipe. 

Uma equipe motivada lhe renderia um videoclipe melhor e, é claro, muito mais sucesso. Se esforçando para acreditar naquelas palavras, Iwaizumi deu seu máximo para agir com o mesmo profissionalismo de sempre e pelo qual foi contratado. Se policiou por todas as longas horas até o fim das captações. Sabia que qualquer deslize, Ennoshita, Suga – ou até mesmo o próprio Oikawa – poderiam manchar seu nome naquele mercado pra sempre.

Quando as intermináveis e cansativas horas de gravação foram encerradas por Ennoshita, o câmera respirou fundo e alongou os braços e a coluna. Fechou os olhos e massageou as têmporas, tentando adiar a dor de cabeça que certamente viria. Maior do que seu cansaço físico era o emocional. 

Suas impressões a respeito do ídolo iam e vinham. Quando pensava, humildemente, que Oikawa Tooru o estava secando, alguma atitude dele com outro colega de equipe o fazia se repreender mentalmente. E logo depois sentia ele acompanhando cada movimento seu com aqueles olhos vorazes e intimidadores.

Hajime se sentia como um brinquedo cujo dono era uma criança cruel e mal criada. 

Depois de tirarem a foto de toda a equipe, ele mandou Hanamaki e Matsukawa levarem para o carro as coisas que já haviam guardado, e começou a catar os pertences menores que ficaram pelo chão. 

Ao se levantar novamente, deu de cara com os olhos castanhos que o vinham atormentando há horas. O sorriso dele era cordial, como o que apresentava ao resto da equipe. 

- Eu queria agradecer pelo seu trabalho duro, Iwa-chan. – Oikawa estendeu uma mão a qual o câmera prontamente apertou.

Para Hajime, o aperto pareceu durar mais que o normal, mas sua mente estava cansada e confusa. Ele não estava mais confiando em sua capacidade de distinguir as coisas.

- Eu não estava brincando quando disse que você é um ótimo profissional e superou as minhas expectativas. 

Então era isso mesmo. Oikawa era apenas um artista educado e carismático, como os outros com quem já tinha trabalhado. Hajime se sentiu um pouco ridículo por ter achado, mesmo que por alguns momentos, que seu trabalho ali seria como num daqueles filmes de Hollywood, em que o cara bonito e popular se apaixona por um mero figurante da história. 

Tentou dar o sorriso mais profissional que tinha.

- Obrigado, Oikawa-san. Espero que o resultado final do meu trabalho seja satisfatório. 

- Oh... será muito satisfatório sim, tenho certeza, Iwa-chan. 

O tom de voz dele fez um arrepio subir pela espinha de Iwaizumi. 

 

_________

 

A música ficava se repetindo em sua cabeça. A letra era boa e ele mal podia esperar para ver o clipe pronto. Mas Iwaizumi podia se enganar o quanto quisesse, o que mais tinha marcado eram as imagens do artista se movimentando em looping em sua cabeça. Hajime nunca tivera esse tipo de problema antes. Ao entrar nesse ramo já tinha os pés no chão. Se relacionar com os artistas era uma fronteira que ele já tinha visto vários colegas atravessarem, mas poucos voltavam.

Uma tentativa da parte dele poderia ser interpretada como falta de profissionalismo, ou pior, poderia ser acusado de assédio. Nada de bom viria dali. Ele precisava esquecer completamente aquela gravação e colher os frutos de ter seu nome nos créditos. 

Frutos este que ele já colhia, com vários outros diretores requisitando por ele, o câmera que Oikawa Tooru selecionou para seu último clipe. Nem tinham visto o resultado de seu trabalho ainda, mas já o contratavam. Para ele e sua equipe era ótimo, agora teriam sempre a agenda cheia. 

Estava tomando um café enquanto aguardava um assessor para uma reunião quando seu celular tocou. Mais um número desconhecido, provavelmente outro potencial cliente. Já puxou sua pequena agenda de bolso e atendeu a ligação.

- Iwaizumi. - ele atendeu se identificando polidamente. 

    - Ya-hooo, Iwa-chan! 

    Hajime afastou o celular da orelha e olhou para a tela na esperança de ter certeza de que não estava sonhando. Aquela voz, aquele apelido…

- Oikawa Tooru…? 

- Quem mais seria, Iwa-chan? Que outra pessoa você conhece com uma voz maravilhosa assim como a minha? Não me diga se não eu vou morrer de ciúmes!! 

A intimidade com que o astro falava deixava Hajime mais constrangido do que à vontade. Normalmente nenhuma das celebridades tinha contato direto com ele, a não ser no dia das gravações. E mesmo assim pouco se falavam. 

- Oikawa-san… no que eu posso te ajudar? - depois de uns instantes de silêncio sua mente conseguiu voltar ao status de trabalho.

- Eu andei pensando e percebi que tem algumas partes que gravamos que eu não gostaria que entrassem no clipe. Você poderia me encontrar para eu te mostrar quais são?

- Eu tenho certeza que a sua assessora pode entrar em contato diretamente com a equipe de pós-produção e retirar essas cenas. - Iwaizumi respondeu prontamente.

- Não seja tão simplista, Iwa-chan! Não é só tirar umas cenas! É algo muito mais complexo que isso. Precisamos refletir sobre o conceito de cada imagem, sentir o que cada take está dizendo! Kiyoko-chan é ótima com planilhas e cronogramas, mas não entende nada da essência!!! 

Hajime ficou em silêncio refletindo sobre aquele monte de palavras que, apesar de serem em claro e perfeito japonês, não faziam qualquer sentido.

- E…. eu entendo da "essência"?

- Mas é claro! Você que as produziu. - Sem esperar retorno, Oikawa seguiu falando. - Eu estou meio ocupado agora, Iwa-chan. Te espero aqui pelas 20h. Vou te mandar o endereço por mensagem. Fico muito feliz que você tenha me ligado. Até mais!

Ele ouviu o telefone desligar e ficou sem reação olhando para a tela. Em instantes recebeu a mensagem com um endereço num bairro de luxo da cidade. 

- Mas não fui eu quem ligou.... 

 

 _______________

 

Depois de falar com Ennoshita, descobrir quem era o responsável pela edição do clipe na produtora, Hajime conseguiu o número de Suga, para ele passar o contato de Shimizu, para quem agora ele explicava a estranha ligação do astro. A assessora parecia digitar insanamente enquanto falava com ele no telefone, e respondia sempre monossilabicamente "aham" e "sim". 

- Que horas você disse?

- Hoje às 20h, ele me passou até o endereço dele, eu não entendi se- 

- É um agendamento pessoal dele, não tenho acesso. Te ajudo em mais alguma coisa? 

- Shimizu-san, você não está entendendo…. Eu vou explicar novamente, ok? Eu sou Iwaizumi Hajime, o câmera e-

- Eu realmente não tenho tempo agora, Iwaizumi-san. Se o Oikawa-san marcou pessoalmente com você, num horário livre dele, eu não tenho absolutamente nenhuma autoridade para rever esse compromisso. Se você teve um imprevisto e não vai comparecer sugiro que ligue diretamente para ele. Te ajudo em mais alguma coisa?

- Não, era só isso mesmo. Obrigado e desculpe o incômodo.

Hajime desligou o telefone e se deu por vencido. Ou tudo aquilo era uma grande piada, ou Oikawa Tooru realmente esperava que ele fosse lá rever as cenas, "refletir seus conceitos", "entender a essência" de cada uma. 

Passou as próximas horas no telefone com o estúdio da pós produção explicando porque precisava de acesso ao servidor com as imagens. O responsável quase riu na cara dele num primeiro momento, mas, estranhamente, depois dele ter desligado, seu celular tocou de novo. Era do estúdio de volta. Tinham criado um acesso integral para ele e estavam enviando por email instruções de acesso e senha. 

Estranho. Muito estranho. 

De saco cheio daquela história, Iwaizumi verificou que conseguia acessar os arquivos facilmente de seu notebook. Clicou aleatoriamente em algum take, apenas para o arquivo abrir em tela cheia, mostrando close no rosto perfeito do artista. Os olhos mirando direto na alma de Iwaizumi, exatamente como nas memórias dele.

Fechou, e clicou em outro. Oikawa Tooru dançando com aquelas pernas absurdamente longas e movimentos tão sincronizados com a música que Iwaizumi se perguntava se não era a melodia que o acompanhava, e não o contrário. 

Fechou este também e clicou em outro. "Estamos literalmente gravando a 3 minutos e você já está me xingando." O astro disse na tela, e em seguida fez um bico. Hajime pausou e rodou do início. De novo. E de novo. Oikawa Tooru juntava os lábios numa curva, e expressão emburrada era ridiculamente adorável. Hajime assistiu mais cinco vezes antes de concluir que estava com sérios problemas.


Notas Finais


Clipe de referência Taemin - WANT: https://www.youtube.com/watch?v=-OfOkiVFmhM

Não se iludam pela inocência desse cap, o próximo é inteiramente pornográfico.

Capítulo 2: "Sedento por você"
Dia 24/05, domingo.


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