História W.a.r - Capítulo 7


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Categorias Dreamcatcher
Personagens Dami, JiU, Personagens Originais, Siyeon, SuA, Yoohyeon
Tags 2yeon, Aventura, Dami, Dreamcatcher, Guerra, Jisu, Jiu, Medieval, Romance, Sihyeon, Siyeon, Siyoo, Sua, Yoohyeon, Yuri
Visualizações 45
Palavras 2.152
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Steampunk, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiro capítulo onde não começamos com o ponto de vista da Siyeon, porque há coisas que precisamos saber, entretanto, ela ainda não.

Capítulo 7 - Impulsivo.


 

— Acha mesmo que deveríamos ter contado a ela? — A mais alta indagou, descruzando as pernas para então cruzá-las novamente, sentada na poltrona de veludo vermelho que provavelmente custava o salário de uns 20 guardas. Trouxe a taça de vinho à boca, saboreando do líquido avermelhado o qual tanto lhe agradava o paladar.

— Eu não sei, Minji. De todo modo, precisamos que Siyeon se mantenha viva até o dia do casamento. Caso contrário, todo nosso plano irá pelos ares. Você sabe disso, minha rainha. — Deu de ombros, caminhando pelo quarto iluminado por velas. Seus pés pararam frente à janela que dava vista para o resto do reino — Ela não pareceu acreditar em nós, mas fizemos nossa parte. — Descruzou os braços e apoiou as mãos sobre a beirada da janela, observando de longe a quietude da noite. A lua e os postes iluminavam o que, à distância, era o reino de Ashtar.

— Eu sou a rainha que tudo vê, e você, a princesa que tudo ouve. Por isso mesclamos tão bem, você não acha? Eu não preciso do meu marido, nem você de seu futuro esposo. — Pousou a taça sobre a pequena mesa ao lado da poltrona e levantou-se. Se aproximou o suficiente de Bora para envolvê-la a cintura por trás, resvalando os lábios na parte exposta do ombro esquerdo alheio e começando uma trilha de beijos que terminava no pescoço.

— Sim, alteza. — Pronunciou-se brevemente. Um suspiro deixou os lábios cansados da pensativa princesa que mantinha os olhos na lua. Tratou de livrar-se das mãos atrevidas de Minji assim que os toques da mesma ficaram mais ousados, trilhando um caminho proibido entre suas coxas — Agora não, Minji. Logo meu irmão estará aqui junto de Siwon.
 

A rainha ergueu as pálpebras que haviam se fechado no intuito de sentir com mais clareza o aroma de sua amante, só um pouco, deixando à mostra apenas uma brecha de seus olhos escuros como a noite lá fora.
 

— Tens razão. Hoje o plano será discutido mais a fundo e nós duas não podemos perder o foco. — Proferiu próximo à audição alheia, não perdendo a oportunidade de espalhar alguns beijos na região e puxar a cartilagem com os dentes, porém respeitando os limites que Bora havia lhe imposto.
 

O relógio do salão principal soou, indicando que já eram onze da noite. Numa sala separada, sentados ao redor de uma mesa circular de madeira escura, estavam Minji, Bora e Siwon. O irmão de Bora fora o último a adentrar a sala onde as estratégias de guerra eram montadas. Cavalos e guerreiros moldados em madeira representavam o exército sobre o mapa que recobria a mesa, e não haviam poucas peças.

Bora espiou o loiro de canto. Já sabia de tudo que iria acontecer em alguns dias, mas o que ninguém sabia, no entanto, era que dentro do plano para invadir e tomar Ashtar ela e Minji tinham seu próprio esquema de acabar com a futura guerra que sucederia. Não achavam certo a matança gratuita que seus conjugues fariam por ambição, e nada mais justo do que fazer algo para que aquilo não se repetisse.
 

— Você falhou. — Ditou simples, curto e direto, o príncipe de Hallberd a Siwon, que o olhou descontente. Trincou os dentes. De fato, havia falhado na tentativa de matar seu alvo naquela noite, o que não o agradava nem um pouco. Bora e Minji se entreolharam, mas permaneceram quietas.

— Minha irmã é a melhor guerreira de todo o reino, e apesar de eu ser maior e mais forte, admito que sua técnica é muito superior à minha. — Respondeu seco, puxando uma das cadeiras e sentando-se junto aos demais.

— Você é fraco. Não merece ser um rei, e por isso está tendo que recorrer a medidas tão baixas como tentar matar sua irmã e se submeter a matar o próprio pai. Você é podre, e sua ambição não te sustenta. — As palavras do pequeno príncipe de Hallberd foram como um soco na cara do príncipe de Ashtar. Era realmente incompetente se o máximo que havia conseguido ao tentar matar sua irmã, desarmada, fora quase decepar o braço dela.
 

Um silêncio se instalou no cômodo e o som dos morcegos e grilos lá fora não ajudava muito na atmosfera. A janela estava aberta, permitindo que o vento frio burlasse as longas cortinas de seda e adentrasse o local.
 

— Se acalme, maninho. — Bora foi quem quebrou o silêncio. Pousou os cotovelos na mesa e entrelaçou os próprios dedos abaixo do queixo, observando o mapa e as peças colocadas sobre ele. Encostou a ponta do indicador sobre a peça do príncipe e o empurrou até que parasse em cima do reino de Ashtar — Por que não simplesmente esperamos o dia do casamento? Não está tão longe, e assim que casarem, meu irmão irá trazer Siyeon para cá, deixando Ashtar livre para que o invadamos. Simples.

— Não! — Siwon bateu com as mãos sobre a mesa, derrubando algumas das peças de madeira — Siyeon não tem amizades além de sua escudeira, então a única pessoa que pode matá-la é Yoohyeon, a mesma garota que aceitou o dinheiro que dei para que deixasse Siyeon desarmada para o meu bote. Eu falhei, e tratarei de consertar meu erro. Quanto mais rápido nos livrarmos dela, melhor! — Exclamou, furioso. Não deu tempo de resposta, apenas levantou-se, se virou e bateu a porta.
 

Minji ergueu a destra e ajeitou os óculos que pendiam da ponte de seu nariz — As pessoas de Ashtar são impulsivas demais. É por isso que só se metem em arapucas, ou não percebem o que acontece debaixo de seus narizes.
 

A fala atraiu o olhar do loiro tanto quanto o de Bora. Porém, diferente do de sua irmã, o garoto a olhava com desconfiança.
 

Minji era o tipo de rainha que não deixava nada transparecer. Via e sabia de tudo, entretanto, falava pouco. Era inevitável não notar a aura de mistério que a rondava, porém, era impossível descobrir o que se passava em sua mente ou quais eram suas reais intenções.
 

• •
 

— Você acredita no que ela disse? — Yoobin me perguntou, mas não tinha uma resposta pronta para dar a ela, então esperei que continuasse — Digo, a princesa não mentiria para você. Ao menos eu acho que não. Se ela te disse isso do nada, algum motivo deve ter.
 

Yoobin tinha razão. Ela sempre tinha, afinal.
 

— Eu não sei... — Proferi assim que afastei a xícara de café dos lábios — Tá tudo muito estranho, Yoobin. Eu preciso descobrir o que tá errado.

 

Estávamos na cozinha, sozinhas, após o horário de treino ter terminado e os servos terem ido a seus respectivos quartos. Eu bebia café, enquanto Yoobin preferia um copo d’água para que não perdesse o sono mais tarde.

 

— E o que você vai fazer? Por favor, não faça algo que vá te colocar em risco de novo. Às vezes, te proteger vai além da minha capacidade. Eu não posso estar sempre cuidando de você. Ainda que seja pra te guardar, eu ainda trabalho para o seu pai. — Ela suspirou e eu pude sentir a frustração em sua voz. Acho que aquela foi a primeira vez que percebi que eu realmente dava uma dor de cabeça e tanto para a minha melhor amiga.

— Eu vou falar com ela. Quero saber se isso é verdade, e se for, uma de nós não sairá viva. — Ditei de cabeça baixa, evitando o olhar pesado que de Yoobin, que eu pude sentir sem nem ao menos ver que ela me fitava.
 

— Siyeon...
 

A voz dela era fraca e transparecia incapacidade. Ela sabia que não podia me impedir e que provavelmente nada do que falasse iria me fazer mudar de ideia. Yoobin me conhecia, e infelizmente tinha ciência de que o máximo que poderia fazer por agora era esperar que eu voltasse viva.
 

— Não me espere hoje à noite. — Eu me levantei sem dar a chance para que ela falasse algo, apesar de perceber que ela queria. Apenas saí, deixando-a lá, de cabeça baixa segurando um copo d’água, fazendo companhia para a solitária xícara vazia de café que eu deixei para trás.

 

Saí pela porta da cozinha, esqueci-me de Yoobin por um momento, peguei as escadas do salão principal e passei pelos guardas sem me pronunciar, a impaciência e frustração evidentes no meu semblante. Abri a porta do meu quarto e a tranquei atrás de mim. Passei a mão pelos cabelos e soltei um longo suspiro. Eu já sentia que meu braço havia melhorado consideravelmente, então sentei-me à beirada da cama e puxei a faixa branca que recobria o antebraço dormente de tanto permanecer na mesma posição. Para a minha surpresa, o ferimento estava apenas superficial, próximo do estado de cicatrização. Antes era um corte feio e profundo, e eu fiquei realmente assustada de como havia me recuperado rapidamente. Yoohyeon havia me ajudado, e provavelmente eu estava tão melhor graças a ela.

No entanto, as palavras de Bora ecoavam na minha cabeça. Eu não conseguia acreditar que alguém como Yoohyeon estava trabalhando para a corte ou que ela representava algum risco para a mim. Se ela tinha intenção de me matar, por que não o fez quando teve a chance? Por que cuidou de mim? Por que me acompanhou e disse que me protegeria naquela noite? E, mais importante, por que ela me beijou com tanto afeto?

Passei agora as duas mãos pelos longos fios escuros e fechei os olhos por alguns momentos. Levantei da cama e puxei uma luva do guarda-roupa rústico, longa o suficiente para que cobrisse o corte que ainda era evidente em meu braço. Direcionei meus passos à mesa onde minha rapieira descansava e a tirei da pequena vitrine.

Meu pai havia me dado aquela espada quando eu ainda era bem pequena, e eu me apeguei a ela como se fosse parte de quem eu sou. Treinava todos os dias com os guardas e com Yoobin, quem eu proclamei minha rival particular, simplesmente por eu achar o máximo a ideia de poder lutar contra tudo que me ameaçasse.

Mas eu tive que aprender da pior maneira que aquilo não seria uma brincadeira para sempre. As coisas mudam, as pessoas evoluem; em algum momento Yoobin se fechou e eu me abri, me abri pro mundo, e ela fechou suas asas sobre mim e vendeu sua liberdade a troco de estar sempre ao meu lado. Eu poderia dizer seguramente que estava sendo egoísta mais uma vez, me colocando em risco por uma paixão tola que poderia me matar.

 

Mas Yoobin tinha que entender que eu adorava o perigo, e eu não fugiria das consequências. Ela sabe, porque me conhece melhor do que ninguém. E se me conhece, sabe que vou voltar, porque eu ainda tenho muito a fazer.

 

A rapieira de prata revestida com detalhes de ouro no pomo. Segurava firme o cabo, podendo ver meu reflexo na lâmina. Seria minha única amiga naquela noite, onde eu me encontraria com quem supostamente ajudou a tentar me matar, mas que misteriosamente estava cuidando de mim.

 

Refiz meu caminho de volta ao salão principal e saí pela porta da frente do castelo. Meu pai não estava presente para me impedir, Siwon havia saído para uma reunião e mamãe estava dormindo. Qualquer guarda que tentasse me impedir tinha em mente a minha teimosia, então sequer tentavam, afinal, na ausência dos meus pais, quem mandava naquele lugar era eu.

A rota foi a mesma, mas naquela noite em especial eu andava carregada de ódio. Talvez ódio fosse uma palavra muito forte, já que havia uma mistura indescritível de sentimentos fazendo uma festa dentro de mim, me revirando do avesso e bagunçando minhas entranhas. Eu não sentia o vento, o orvalho noturno ou o som dos animais que aproveitavam a noite bem mais do que eu. Na verdade, eu acho que no fundo eu não sentia nada. Um vão ambulante que tentava não se desesperar ou tomar uma atitude por impulso, a cafeína já deixando claro seu efeito.
 

Mas os habitantes de Ashtar são impulsivos, e eu sabia que eu era apenas mais uma a seguir esse padrão.
 

Não fiz cerimônia alguma quando cheguei à cabana de Yoohyeon. A sola da bota de couro encontrou com a madeira da porta e a abriu num chute só. Imediatamente, minha destra puxou a rapieira da bainha e apontou a lâmina na direção da primeira pessoa que vi, que pelo visto, já esperava por mim, pois também me apontava um punhal. As pontas de ambas as armas balançavam minimamente uma ao lado da outra enquanto nos encarávamos. Yoohyeon de fato pretendia me matar, ou ao menos foi o que a minha impulsividade me fez pensar naquele momento, onde ela me apontava uma arma branca com o olhar afiado na minha direção. Ela sabia que eu viria, e estava pronta para cumprir sua missão.

 

E a minha impulsividade só me fez tomar mais uma decisão errada.

 

Ou talvez a mais certa que eu já havia tomado até agora.

 



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